22.10.02



Taí, não é que faz sentido?

Acabo de receber um email de um amigo que é jornalista em Los Angeles -- onde, naturalmente, cobre a indústria cinematográfica. Vou tentar traduzir:

"Tenho uma teoria. Com que essa história do atirador se parece? Ora, com um filme da Paramount! Você saca -- um daqueles thrillers que seguem a velha fórmula da Paramount, com Morgan Freeman, Tommy Lee Jones e Ashley Judd -- talvez James Woods no papel do vilão.

Para resolver essa parada, você tem que pensar como roteirista. É porisso que os tiras ainda não o pegaram -- porque estão pensando feito tiras. Mas o atirador está desenvolvendo o seu roteiro como um filme: os ataques cada vez mais freqüentes e audaciosos, desafiando os policiais, brincando de gato e rato com eles, chegando ao supremo clichê da carta de tarô.

Tá -- agora, como é que um roteirista faria o atirador desaparecer tão facilmente depois de cada ataque, escapulindo onze vezes pelos buracos da rede? Ninguém o vê! Ele se mistura com o background e some... Bom, ele se mistura com o background e some porque o atirador é um tira. Ou alguém de dentro da engrenagem. É por isso que ninguém o vê.

É assim que um roteirista escreveria essa história, não é? O atirador é um ex-tira ou um agente do governo recalcado -- o que também explica essa vontade que ele tem de conversar com a polícia e com as autoridades, em vez de ter procurado a mídia diretamente com a sua "mensagem". Só um tira, ou um insider, trabalha assim.

Como é que acaba? Na televisão. Os policiais -- que idiotas! -- estão fazendo todas as coletivas ao ar livre. O atirador vai atacar durante uma dessas coletivas, transmitidas ao vivo pela TV. Este é o climax cinematográfico para o qual a coisa está se encaminhando. Ou, quem sabe, ele faz uma besteira porque fica auto-confiante demais e aí é apanhado. Não tenho certeza de qual desses dois finais vai ao ar, mas tenho certeza de que, para entender o atirador e prendê-lo, os caras vão ter que pensar como roteiristas..."

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