Capivara Ensaboada!
7.2.05
Boletim telecom
Continuo sem telefone, sem Velox e sem acreditar na Telemar; sem surpresas, pois.Ontem fui ao camarote da Brahma, na perfeita definição do Millôr, o melhor lugar para fugir do carnaval no Rio.
Encontrei mil amigos e me diverti muito com eles mas, com exceção da Mangueira, em que, graças ao Fernando Caruso, consegui meia brecha de janela, vi pouquíssimo dos desfiles.
A grande idéia do camarote, este ano, foi recriar uma quadra de escola de samba; aí, entre um desfile e outro, todo mundo caía na folia.
Um dos sucessos: os copos assinados por cartunistas. Há copos com desenhos feitos pelo Jaguar, pelo Millôr, pelo Ziraldo e pelo Ique. Acho que nunca se roubaram tantos copos do camarote, mas a ídéia, pelo que entendi, é mesmo essa.
Discretamente, como quem não quer nada, fiz uma coleção quase completa, com três lindos copinhos. No primeiro break fotografo e mostro procês.
E agora vamos pra rua, pra aproveitar o sol e o carnaval!
Em tempo: fiquei muito desapontada com a Mangueira. Fez um desfile burocrático até no enrêdo e, mais uma vez, fugiu das suas lindas cores.
Tá difícil!
Bloco Blogue
Estou há dias com este link sem saber por que não entrou e agora vi: salvei como draft. Se me der um sorvete periga de eu tascar na testa, viu?!Afe!
O fato é que o Bloco do Matusca tá na rua.
Todo mundo lá!
6.2.05
a chuva deu um break...
Continuo sem telefone e sem Velox, apesar das promessas da Telemar que, há quatro dias, garante que o conserto é pra já.
Tá, me engana que eu gosto...
Se a Telemar é a ineficiência personificada habitualmente, fica difícil acreditar que vai aproveitar justamente o carnaval para inaugurar uma nova fase de competência e respeito ao consumidor.
Quanto a mim, estou aproveitando a falta de internet* para fazer mini-maratonas de cinema: ontem à noite, depois de um dia de atividades muito variadas, assisti Summertime e Brief Encounter, de David Lean, dois daqueles filmes que, quanto mais vejo, mais gosto.
Hoje, logo mais, tem Sambódromo. Leia-se: muitas fotos!
Fiquem bem, e tenham todos um ótimo carnaval!!!
5.2.05
Olhaí, mais um ótimo fotógrafo do Flickr!
Dois conjuntos lindos: África e Oriente Médio e Índia, Nepal, Butão, Sri Lanka, Bangladesh, Paquistão.
4.2.05
3.2.05
Oh, que coincidência!
Fui dar uma olhada no painel geral dos comentários, e descobri uma seqüência de críticas ao Mário Moscatelli. Até aí tudo bem, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, e assim como tem amigos, o Moscatelli terá certamente inimigos.O que chamou a minha atenção, porém, foi que entre essas críticas havia elogios à Cedae.
Aí acendeu aquela luz vermelha.
Peralá: elogios à Cedae?!
Algo estranho estava acontecendo.
Por curiosidade, bloqueei um dos IPs. E, dito e feito, saíram do ar os comentários de Pedro, Antonio Cunha, barao, Rodrigo Paiva e Andrea Silveira.
Todos vindos do 200.165.163.46.
* suspiro *
Depois este povo não entende por que a gente não acredita numa só palavra vinda do governo...
Dia da Marmota
No que dá uma mailbox entupida! Só agora vi o cartão que a Bia me mandou, desejando Happy Groundhog Day; que foi ontem, dia 2.Não, não estamos malucas.
É que um dos nossos filmes favoritos é Groundhog Day (O Feitiço do Tempo); volta e meia repetimos as falas uma para a outra. Quando estamos sem assunto -- é raro, mas acontece -- assistimos ao DVD, pela enésima vez.
No passado escrevi um post inteiro sobre esta magna data; vou ver se acho.
Manu Chao e o choque da realidade
Lá estava eu lendo o jornal, tranqüilinha, quando descobri que logo mais rolava um show do Manu Chao no Circo Voador. Como assim, Manu Chao? No Circo Voador? Em plena segunda? Que maravilha! Liguei para uma amiga:-- Olha que bom, tem show do Manu Chao hoje à noite, no Circo Voador!
-- E você está querendo ir?!
-- Claro que estou! Tem jeito melhor de começar a semana?
-- Ah, tem sim. Vários.
-- Mas é o Manu Chao, puxa...
-- Mas é o Circo Voador, ora.
-- Que é que tem? A gente já foi tanto ao Circo Voador!
-- "Foi", disse bem. Foi. Há quanto tempo você não vai lá?
-- ...
-- Então?
-- Calma, não faz tanto tempo assim. Só estou tentando lembrar...
-- Está vendo o que eu quero dizer?
* * *
Às dez e meia, quando ela ligou avisando que estava passando na redação para me pegar, reclamei: estávamos atrasadas até pelos meus parâmetros. O show começava às dez. Ela caiu na gargalhada:-- É, faz tempo mesmo que você não vai lá...
Chegamos às onze, e de fato nada dava a impressão de que algo aconteceria num futuro próximo; muito menos, de que este algo seria um show do Manu Chao. O único algo mencionado nos cartazes e ingressos chamava-se La Phaze. Havia uma fila razoável na porta, mas dentro um telão mostrava um clipe caído do David Bowie, enquanto os presentes passeavam distraídos, bebendo cerveja e falando inglês. Eram turistas, claro, que também acreditaram no horário divulgado.
* * *
Além de turistas, eram todos muito jovens; mais jovens, mesmo, do que os meus filhos. Aqui e ali, uma pessoa da minha idade, ou quase, igualmente deslocada e perplexa. Trocávamos olhares cúmplices e a minha amiga cutucava, maldosa:-- Olha lá, coitado! Ele também caiu no conto do Manu Chao! E olha aquele casal ali, perdidinho... Vocês deviam ter alugado uma van, todos juntos, para passar o fim de semana em Mauá. Levavam uns CDs da Mercedes Sosa, do Inti Illimani, da Violeta Parra... Aposto que iam se divertir muito mais.
O pior é que eu começava a desconfiar que ela tinha razão. Quando um DJ finalmente subiu ao palco, tive certeza. Nem o pessoal que estava dançando manifestou qualquer entusiasmo.
-- Este aí é o La Phaze?
Minha amiga descolada não sabia. Perguntamos a algumas pessoas à nossa volta, mas ninguém sabia -- e, pelo que percebi, ninguém se importava. O que parecia ser consenso é que o moço já tinha esgotado a sua acolhida. Estava na hora de dar lugar a quem quer que estivesse escalado; mas o DJ não dava mostras de querer ir embora.
Subimos nas arquibancadas, descemos, comemos acarajé, subimos de novo... e o DJ lá. Meia-noite, e o ambiente estava começando a esquentar. O número dos que falavam português já era igual ou superior ao dos que falavam outras línguas, todos vaiavam o DJ com a mesma empolgação, mas isso não mudava em nada o fato de que eu estava na contramão da faixa etária.
Alguns olhavam para mim abertamente, como se estivessem tentando descobrir se eu vinha do paleozóico ou do mesozóico. Quando percebiam que eu os percebia, sorriam com ternura, como a gente sorri para criancinhas ou velhinhos que estão fazendo algo particularmente exótico para a sua idade. A sensação é parecidíssima com a de quem usa manequim 44 ou 46 na Fashion Rio: nenhuma faz bem à auto-estima.
-- Cadê aquela van que você falou? -- perguntei à minha amiga. -- Está na hora de ir para Mauá.
Enturmada com outros amigos que encontramos, ela resolveu ficar; enquanto eu, irritada com a roubada mas aliviada por ir embora, tomei o rumo de casa. Estava no portão do Circo Voador quando uma grande agitação tomou conta do espaço. Parei para ver o que era -- e não é que lá estava o Manu Chao prometido? Voltei rapidinho, ignorando os olhares de curiosidade da garotada.
Então eles acham que ninguém sabia se divertir no pré-cambriano?!
* * *
Manu Chao cantou quatro músicas, levou a platéia ao delírio e caiu fora. Para mim, valeu, até pela inesquecível aventura antropológica. Tenho um fraco incorrigível por ritmos latinos e por artistas que reclamam contra o estado geral do mundo, sobretudo quando fazem isso com boa música e com bom humor, como ele faz.A quem nunca ouviu Manu Chao, mas que não se importaria de estar naquela van rumo a Mauá, recomendo calorosamente. "Clandestino", um de seus CDs mais recentes, não faria feio em Woodstock.
(O Globo, Segundo Caderno, 3.2.2005)
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