20.5.10

Chegaram vários feijões do Acre!

Enviado do meu celular

É crime, é insuportável... e daí?



Férias na Itália. Tínhamos um carro, uma pequena coleção de guias de viagem e dias lindos. Planejávamos o ir e vir sem grandes cuidados, mas calculando sempre, na medida do possível, chegar à próxima localidade enquanto ainda estivesse claro. Um dia, distraídos pelas muitas cidadezinhas e vistas do caminho, perdemos o horário. Passados tantos anos, já nem me lembro de onde paramos, mas não me esqueço da fome que sentimos: às dez da noite, os restaurantes ainda abertos não aceitavam mais clientes.

Fizemos uma longa busca infrutífera xingando a moeda forte, as leis trabalhistas e os sindicatos que tornavam proibitiva a contratação de funcionários depois de determinado horário. Quando regressamos ao hotel, ainda cuspindo marimbondo, o gerente pôs os pingos nos ii: não era por causa dos motivos da nossa indignação que os restaurantes fechavam cedo, mas por causa da lei do silêncio. Nos pequenos prédios e casas vizinhos aos estabelecimentos comerciais moravam pessoas físicas, que tinham o direito de dormir. Depois da lição de civismo, botamos a viola no saco e terminamos a noite com as porcarias pouco nutritivas do frigobar.

Foi impossível deixar de pensar nisso numa semana marcada por dois atos de covardia praticados por energúmenos que, não contentes em impedir o sono dos justos, ainda se julgam no direito de agredi-los por se queixarem. Vocês viram, não é? Em Brasília, um militar foi atacado por um bando de marginais porque ousou reclamar da zorra que faziam no posto em frente à sua casa; em Niterói, o asqueroso vereador Luiz Carlos Gallo caiu de socos em cima do apavorado porteiro do seu edifício e da síndica de 61 anos, depois de reclamações contra o barulho de uma festa infantil (!). Não chamo o vereador de asqueroso por simples implicância; chamo porque foi a única descrição que encontrei para a desagradabilíssima figura que estampou os jornais.

Tenho pena do porteiro, da síndica e de todos os vizinhos obrigados a conviver com tal criatura, para não falar nas crianças que participaram da festinha e receberam tão mau exemplo.

O pior é que, embora extremos, esses casos sequer chegam a surpreender. Na cultura da boçalidade que assola o país, ser delinqüente é mais do que comum; é o padrão estimulado por autoridades e bacanas, dia e noite, sete dias por semana. Incomum, lamentavelmente, é encontrar quem ainda tenha capacidade de reagir e de lutar pelo que é direito. A atitude não compensa. Além do risco de enfrentar os canalhas que se julgam donos do pedaço, não adianta nada. No caso, parece que paz e sossego são apenas aspirações da sociedade, e não estão na pauta do governo.

Vejam o caso da leitora que me escreveu em desespero de causa, e que nem ao menos pediu anonimato; eu é que não tenho coragem de expô-la à sanha da vizinhança, embora torça para que alguma autoridade do bem, se é que isso existe, tome as suas dores e as devidas providências.

“Moro na Rua Sá Ferreira, em Copacabana, e o bloco dos fundos do meu prédio dá para Rua Saint Romain, que durante muitos anos teve lindas mansões. Com o passar dos anos, essas mansões foram subdivididas em diversos cômodos, e suas garagens tornaram-se oficinas e bares. Na garagem do número 108, foi aberto, há coisa de um ano, um bar chamado Recanto do Vinho. Fica em frente a meu apartamento e não sei se o problema maior é o inferno em que estou vivo dentro de minha própria casa ou o descaso e a falta de compromisso das autoridades, com quem já falei até pessoalmente.

Não posso mais receber amigos, assistir televisão, falar ao telefone ou ler um livro. Em quase 300 m2, fico confinada num quarto com a porta fechada e o ar condicionado ligado, desde o momento em que o bar é aberto e a música ativada. Isso se estende muitas vezes durante sete, oito, até onze horas consecutivas e ininterruptas.

Escrevi para a Ouvidoria da Secretaria de Ordem Pública e tenho cópia de pelo menos 18 registros, mas a Ouvidoria da Secretaria de Ordem Pública é surda! Fui a reuniões da Associação de Moradores da Rua Sá Ferreira e estive com o Secretario Bethlem em uma reunião na Faculdade Estácio de Sá, onde pedi providências com relação ao bar. Na ocasião, entreguei a ele cópias de todos os registros das reclamações que fiz à Ouvidoria. Expliquei o que está acontecendo e, na frente de um auditório lotado, ele se comprometeu a repassar o material ao seu substituto, Sr. Alexandre Vieira, para que fossem tomadas as devidas providências, numa ação conjunta com a UPP instalada no Pavão-Pavãozinho.

Adiantou? Que nada. Mesmo depois disso, o bar, que é ilegal e não tem alvará, continua aberto. Ainda escrevi algumas vezes para a “Ouvidoria Surda”, bem como para a Presidente da Associação de Moradores, mas cansei. Como disse antes, não sei o que é pior – se o que venho passando ou o desrespeito com que sou tratada como cidadã.

Meus vizinhos, salvo raríssimas exceções, não se manifestam, considerando a localização do problema. Aprendi com meu saudoso professor Darcy Ribeiro, porém, que nada é pior do que o sentimento de impotência, de não poder fazer nada. Como ele, nunca deixarei de me indignar com o que não é correto.”

Em tempo: “Perturbação do trabalho ou do sossego alheios” é crime, de acordo com o art. 42 do Decreto-Lei 3688/41 (Lei das contravenções penais).


(O Globo, Segundo Caderno, 20.05.2010)

19.5.10

Fashion Rio do B







Hoje tentei mandar as fotos por email, como me sugeriram aqui nos comentários, mas o resultado foi o mesmo: nada. Amanhã vou trocar o telefone para ver se é algum problema dele, muito embora isso não me pareça possível.

Fui ao -- lindo! -- desfile da Santa Iphigênia, no Espaço Tom Jobim (Jardim Botânico): roupas bonitas, românticas e muito femininas.

Há vários desfiles acontecendo essa semana, cada um num lugar mais interessante, já que agora temos, a rigor, duas semanas semanas de moda: a Fashion Business, que está indo ao ar agora, e a Fashion Rio, que vai ao ar semana que vem.

Não sei se o Rio tem espaço para tanto, mas para quem não precisa saltitar pela cidade correndo atrás dos desfiles todos, acaba sendo bem divertido ver tanta coisa acontecendo...

E não é que as crônicas têm a sua utilidade?

Um comentário que me deixou muito contente:
"Outro dia fui ao banco (Santander) e a moça que me atendeu, muito simpática e sorridente, acenou-me com um tal de "Din Din" que, logo vi, era mais um dos tais "títulos de capitalização", a respeito dos quais você tanto nos alertou.

Daí perguntei se ela lia "O Globo".

Ela riu meio sem graça e disse que todos os clientes falavam da sua crônica e que não adiantava insistir que ninguém mais comprava o tal de "Din Din"."

(Patricia M.M.)

Por coincidência, na mailbox do jornal, recebi este email:
"Em sua coluna no Segundo Caderno d'O Globo de 4 de março de 2010, dei boas gargalhadas, me sentindo uma "anta absoluta".

Saiba então que me propus a um Titulo de Capitalização do Bradesco, ontem cancelado, de cujas dez parcelas de R$ 30 só receberei R$ 226,98, e SÓ DAQUI A DOIS MESES!

Em suma, veja a anta que sou: emprestei a um banqueiro R$ 300 por quase um ano, e lhe paguei R$ 73,02 para guardar meu suado dinheirinho, que nem ao menos posso usar no momento, porque o banqueiro precisa ficar com ele por mais uns tempos.

É mole?

É constitucional?

É o Brasil um pais de todos, mesmo?"

(Darcy Siqueira)

18.5.10

Globo Repórter dos bichos

Ah, sim: para quem não viu o sensacional Globo Repórter com os bichos, na semana passada, aí vai (ainda que atrasado) o link pro site.

Não deixem de ver!

Longe desse insensato mundo







Essas são três das muitas fotos que andei fazendo nos últimos dias com o N97 Mini. A idéia, como sempre, era ir subindo coisinhas diferentes ao longo do dia; mas eis que, com toda a sofisticação dos serviços de telefonia, não consigo mandar um mísero MMS pro blog -- coisa que, como vocês sabem, faço há anos, e de todos os lugares, inclusive do sertão indiano.

A Vivo, que roda no meu Motorola Milestone, não só é incapaz de mandar uma foto como, ainda por cima, desconfigura o blog; a Claro, que está rodando no N97M, aparentemente manda as mensagens, só que elas nunca chegam -- ainda que apareçam nas contas no fim do mês.

Resultado: blog parado ao longo do dia.

Desculpem qualquer coisa.

Estou pensando no que posso fazer para resolver este perrengue; aceito sugestões.

17.5.10

N97 mini: o barão da cocada preta








Às vezes, a minha mesa parece uma espécie de paraíso hi-tech. Agora, por exemplo: do canto esquerdo me olha o magnífico Motorola Milestone, o aparelho que tenho usado como internet de bolso; a seu lado está o Dext; um pouco à direita o Blackberry Curve lavanda (que parece um brinquedinho); e, logo ali, o Nokia N95 falecido, que ainda não tive coragem de arquivar no meu mini-museu de novas antiguidades. Na gaveta estão o iPhone 3GS e o Nokia N97, que sofreu um acidente de percurso e está com a tela detonada. Ao alcance da mão está o Nokia N97 mini, que abriga o simcard que eu uso.

Quer dizer que o N97 mini é o rei de toda essa cocada preta? É – e não é. O aparelho tem um acabamento caprichadíssimo e é ótimo de pegar. Prefiro-o ao N97 sob vários aspectos: o sistema operacional ficou mais estável, o touch screen, ainda que continue sendo o mesmo resistivo, está mais sensível ao toque, pequenos ajustes aqui e ali melhoraram a “user experience” como um todo e o tamanho, ligeiramente reduzido, faz diferença. Por outro lado, a câmera perdeu a cobertura que tinha, e a bateria é menor. Há diferenças também no teclado, que não tem mais o touch pad do lado esquerdo, substituído por teclas de direção no lado direito. Isso não chega a ser sério, já que o conjunto continua sendo muito bom de usar.

É na comparação com os Motorolas que o N97 mini sofre mais. Não pelo design ou pelo acabamento, que são ótimos, mas por que, a essa altura, o Symbian, seu sistema operacional, parece velho diante do Android e do iPhone. Esta aparência é enganadora, pois na verdade ele continua sendo o mais sólido dos três sistemas, o que mais zela pela privacidade do usuário e, disparado, o que mais habilidosamente lida com multitasking, coisa que o iPhone desconhece. O Symbian é também o que permite a melhor (ainda que não a mais fácil) personalização dos aparelhos. É pena que a sua “embalagem”, por assim dizer, esteja defasada. Isso vale particularmente para o gerenciamento da câmera, que podia estar mais sofisticado.

Para quem vem do mundo Symbian, longe de ser um problema, o look da interface do N97 mini é uma vantagem – ali estão os comandos que já conhecemos de cor e que nos são familiares. Como no N97, foram feitas algumas modificações para acomodar o touch screen, mas nada que comprometa a familiaridade do usuário.

Até ser apresentada ao N97 mini, eu estava usando ora o Motorola Dext, ora o Milestone. Os dois são lindos aparelhos, ainda que um pouco grandes demais; o Dext, mais barato e rodando uma versão já antiga do Android, a Cupcake, tem o melhor teclado que encontrei até hoje num celular, e é muito bom de pegar. Infelizmente a câmera do Dext é um enfeite mais ou menos inútil, já que seus resultados deixam a desejar. A do Milestone é melhor, mas também não se compara à do N97 mini, que dá um show.

Outro problema que parece bobo e pequeno, mas não é, especialmente para quem usa o celular como câmera: nem Dext nem Milestone têm furo para se passar uma correia de pulso. Desde que a Apple decretou que ninguém precisa disso num celular, a vida dos usuários ficou mais complicada. Esqueçam assaltantes; uma mão suada aqui, um esbarrão ali e pronto, lá se vai o aparelho. O N97 mini, como o resto da série N, prefere segurança a frescura, e continua oferecendo o utilíssimo buraco.

Na semana que vem, a gente continua este papo.


(O Globo, Revista Digital, 17.05.2010)

15.5.10

Homenagem a Paulo Rónai

Vai ao ar amanhã, ás 19hs, no Midrash, uma homenagem ao meu Pai.

Vai ser bonito: leitura de textos dele, muitas fotos de família...

Se vocês puderem ir, vai ser um prazer.

O Midrash fica na Rua General Venâncio Flores 184, Lebon, e os telefones são 2239-2222 e 2239-1800.

Cute overload







Recebi por email, infelizmente sem crédito para o autor das fotos.

Fiquei tão apaixonada por esses dois...!

13.5.10

Notícias da Famiglia



(e um capítulo inédito de “Caminho das Índias”)


Poucos dias antes do final do ano passado, recebi um email da minha amiga Valeria contando que, perto do Natal, uma linda ninhada de gatinhos havia sido abandonada em Botafogo. As fotos mostravam filhotes miúdos, todos muito engraçadinhos, mas uma gatinha, em particular, me chamou a atenção. Era branca, com um olho azul e o outro castanho, bem arrepiada, com aquelas típicas orelhas de filhotinhos em fase Gremlin. Parecia um pequeno ET, e me apaixonei no ato.

Acontece que Lolita, a gatinha da Lapa que veio fazer companhia ao Irineu, andava bem deprimida desde que ele morreu, e precisava de alguém para brincar. O resto da Famiglia Gatto, entre 11 e 18 anos, é praticamente uma ala geriátrica, sem paciência para maluquices de filhotes. Decidi, portanto, que adotaria a gatinha para a Lolita.

No dia 30 de dezembro, tomei o rumo de Botafogo para trazê-la para casa; mas antes mesmo que nos encontrássemos, um pretinho básico, temporariamente abrigado na mesma casa, se pôs a escalar os meus jeans. Tinha um jeito meigo e trapalhão e, depois daquela demonstração de afeto, eu não podia deixá-lo para trás. De modo que vieram os dois comigo.

Os gatinhos -- batizados de Matilda e Tiziu, com a ajuda dos leitores do blog – foram bem aceitos pela Famiglia. Lolita passou a dar de mamar para a Matilda, que adotou como filha; por sua vontade, adotava também o Tiziu, mas ele já se considerava gato feito, e certamente achou que mamar prejudicaria seu status junto à comunidade. O mais espantoso é que, em pouco tempo, Lolita passou a ter leite.

Eu já ouvi diversas histórias do gênero, mas nunca tinha visto isso acontecer.

Matilda e Tiziu acabam de completar seis meses. A essa altura, felinos argutos que são, já sabem tudo sobre mim; e eu, claro, sei duas ou três coisas sobre eles. Matilda, por exemplo, é intrépida e jeitosa. Não tem medo de nada, dá pulos maravilhosos e surpreendentemente altos e, como a Keaton, é uma estudiosa atenta de fenômenos hidrológicos. Onde se abre uma torneira, lá está ela, tentando descobrir de onde vem aquela água -- e, sobretudo, para onde vai. Como encontrou uma mãe de verdade na Lolinha, dispensa carinho de bípedes, exceto à noite, quando corre para a cama, se enrosca no travesseiro e exige cafuné, em altos brados.

Já o Tiziu, quase um anti-gato em termos de agilidade, erra todos os saltos, é desajeitado, derruba tudo. Está se vendo que foi abandonado antes que a mãe pudesse lhe ensinar o pulo do gato. Sua única e imensa preocupação é... comida. Passa o dia rondando as tijelinhas, vira e mexe está na cozinha e não pode ouvir o barulho de qualquer espécie de embalagem sendo aberta: vá que seja coisa de comer? Prova de tudo, e não se conforma quando descobre que existem coisas de que não gosta. Até suco de maracujá ele bebe. Fazendo careta, mas bebe. Gelatina diet, salada, arroz com feijão -- tudo é lucro.

Os dois têm ótima índole e são de natureza modesta: preferem simples bolinhas de papel aos brinquedos sofisticados que trago para eles. Matilda tem muito apego, também, a uma pilha descarregada, que caçou no mês passado, quando troquei as do controle remoto.

* * *

Fui jantar na Roberta Sudbrack para comemorar o aniversário de um amigo. Combinei com a Glória Perez, e acabamos chegando um pouco adiantadas. Pois lá estavamos as duas tricotando, quando o garçom veio nos servir uma taça de champagne, informando que era oferecimento do casal da outra mesa.

Os dois, que logo ficaram nossos amigos, são super fãs da Glória. Tem bons motivos para isso: ela é brasileira e ele é indiano -- e ganhou um baita upgrade por aqui depois da novela.

Moram em Zurique, namoram há quatro anos e meio e acabaram de ficar noivos: ele a pediu em casamento com uma aliança linda, num helicóptero ("entre o céu e a terra"), de frente pro Cristo. A data, absolutamente auspiciosa: 5.5.10. Podia ser mais romântico?

Nem a Glória teria imaginado tal cena -- mas já tomou posse, e garante que, mais cedo ou mais tarde, ela será repetida numa telinha perto de você. Difícil vai ser encontrar um casal tão bonito e radiante.

Cristhiane e Siddharth vão se casar em dezembro do ano que vem, e nós vamos fazer um pequeno bonde para a Índia para assistir à cerimônia.

* * *

Na semana passada, vários livros excelentes ficaram de fora da lista do Dia das Mães, a maioria por falta de espaço; mas o livro ideal para a mãe médica ou para a mãe que é fã incondicional de “House” e de “ER” só chega amanhã às livrarias. Chama-se “Todo paciente tem uma história para contar” (Zahar, 325 páginas, tradução do dr. Diego Alfaro), e foi escrito pela doutora Lisa Sanders. Especialista em “mistérios médicos e arte do diagnóstico” – subtítulo do livro e perfeito resumo do seu conteúdo – ela é uma das consultoras de “House” e autora da coluna (do New York Times) que inspirou a série.

Não sou particularmente fã de literatura médica, mas adoro policiais – e há um quê de trabalho de detetive nos casos complicados escolhidos pela doutora. Esta semelhança é reiterada por ela mesma, que lembra que Sherlock Holmes foi inspirado não num policial, mas num dos professores de Conan Doyle na faculdade de medicina.

Fica a dica mesmo atrasada, porque, como a gente sabe, o verdadeiro dia das mães acontece 365 vezes por ano. Ou 366, em anos bissextos.


(O Globo, Segundo Caderno, 13.05.2010)

11.5.10

Kirin




Se vocês acharem esta gatinha parecida com a Matilda, acharam certo: ela é a Kirin, irmã dela, que também foi adotada.

Não é uma gracinha?

Durante o TEDxSudeste encontrei a Paula Martini, bípede dela. Soube então que, além de linda, a Kirin é super meiga e carinhosa.

Fiquei tão feliz em ter notícias!

Lucia Latorre na Época!



Foi a Jussara quem me chamou a atenção: a Lucia Latorre, nossa grande amiga aqui dos comentários, foi uma das vencedoras do concurso de textos que a revista Época promoveu para o Dia das Mães.

Como sempre, ela escreveu com graça, simplidade e emoção: nasceu para isso, não tenho dúvida.

Na foto, a mãezinha dela, personagem da linda história "O dia em que minha mãe transformou batatas em peras".

10.5.10

Cordélia e Ofélia







Cordélia e Ofélia, essas duas gracinhas, têm três meses de idade, e foram resgatadas por um amigo muito querido.

Ele pretendia ficar com elas mas, infelizmente, é super alérgico a gatos.

As duas precisam encontrar um lar, de preferência juntas.

Conheço as bichinhas -- não são só bonitinhas, mas também muito engraçadas. Ofélia, a mais clara, é uma sialata meiguinha e carinhosa; Cordélia, a malhada/tigrada, é cheia de idéias e de iniciativa. Não para quieta e adora explorar o ambiente mas, quando fica cansada, pula no colo da gente pra dormir.

Quem adotá-las vai ficar em ótima companhia!

Lindas fotos de mães & filhos







A Anda (Agência de Notícias de Direitos Animais) postou, ontem, uma coleção emocionante de fotos. Escolhi três; AQUI há outras igualmente bonitas.

Twitter: arte em 140 caracteres





É curioso observar o rumo que tomam as constantes invenções na internet. O Twitter, por exemplo, criado para transmitir recados muito rápidos – “Fui almoçar no Bob’s”, “Vamos ver o fime do Woody Allen?”, “Alguém pode recomendar um bom pintor?” – virou ferramenta de chat, noticiário, central de boatos. Ultimamente, tem sido usado até como exercício literário. Para o que foi o mais badalado e concorrido concurso de microcontos realizado até agora no país, a Academia Brasileira de Letras recebeu, em abril, quase três mil inscrições de tuiteiros inspirados.

E foi lá, também na ABL, que participei, semana passada, com o academico Marcos Vinicios Vilaça e a professora Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, do júri que escolheu os dez melhores contos de Twitter do concurso promovido pelo Blog do Noblat, que teve 2.223 inscritos, 522 pré-classificados e 55 semi-finalistas.

Gostei de ver as possibilidades artísticas do Twitter levadas tão a sério. Trabalhamos assim na etapa final: a partir dos 55 semi-finalistas, marcamos, cada um, os nossos favoritos, para reduzir a contagem. Como apenas um conto foi marcado pelos três jurados, a escolha do vencedor foi fácil. Aqui estão os dez primeiros colocados (em ordem alfabética pelo nome do autor):

“Subitamente, teve certeza: no futuro, se escrevessem sobre ele, teriam dificuldades para atingir os 140 caracteres exigidos pelo twitter”. (Ananias José de Freitas, o vencedor, ganhou um iPod com as músicas que o Noblat seleciona para o blog).

“Revelou, no leito de morte, o segredo de uma vida. Não chegou a saber que havia entendido errado.” (Elton Colini)

“O gato saiu em disparada. A ratoeira acaba de cumprir sua missão.” (Elza Ramirez)

“Foi o raio de uma tempestade em copo d’água que o matou.” (Felipe Cerquize)

“Cinco. Todos os dias, às cinco, ela se posta no portão, com o bilhete amarelado nas mãos. “Mãe, fui ao mercado. Volto às cinco”. (Luanna Azzarito)

“No primeiro jantar de viúvo, só fez olhar o prato. A memória que emanava da louça antiga foi seu único alimento.” (Marcos A. Kohler)

“Abrindo as pernas, ela abriu todas as portas.” (Paulo Maurillio Pereira)

“Conferiu um a um os números da mega sena. Levou um susto. Acertou todos. 30 milhões. Devia ter jogado.” (Rodrigo Guimarães Pena)

“Olhos curiosos passeavam pelo livro, linha a linha, palavra por palavra, letra a letra. Deliciava-se, mas entristecia. Queria saber ler.” (Valéria dos Santos Araújo)

“Chá de cavalos marinhos, a receita da avó para asma. O menino disfarçava, para que o Unicórnio não descobrisse o que lhe ia na xícara.” (Viviane Burger)

* * *


As fotos são as primeiras que fiz com o Nokia N97 Mini, que acabou de chegar às minhas mãos. Apesar de termos ainda pouca intimidade, já dá para adiantar que, seguindo a tradição da linha N, ele tem uma câmera de respeito.

(O Globo, Revista Digital, 10.05.2010)

8.5.10

Ooops!

Soube agora pelo tuiter que o blog estava desconfigurado. Mil perdões! Estou no TEDx, excelente jornada de idéias que se realiza no Planetário, e não estou me conectando direto.

A atualização via figurinhas aqui do blog está difícil. A Claro manda MMS direitinho, mas meu simcard Claro está no Dext, que é péssimo de foto; o N97 mini, que é ótimo de foto, está com o simcard da Vivo, que se mete em tudo e estraga o trabalho alheio...

Vou ter que repensar a minha situação celular.

6.5.10

Vocês já viram isso?

Caminho das Índias

Ontem fui jantar na Roberta Sudbrack para comemorar o aniversário de um amigo.

Combinei com a Glória Perez e acabamos chegando um pouco adiantadas. Pois lá estavamos as duas tricotando, quando o garçom veio nos servir uma taça de champagne, informando que era oferecimento do casal da outra mesa.

Os dois, que logo ficaram nossos amigos, são super fãs da Glória. Tem bons motivos para isso: ela é brasileira e ele é indiano -- e ganhou um baita upgrade por aqui depois da novela.

Moram em Zurique, namoram há quatro anos e meio e acabaram de ficar noivos: ele a pediu em casamento com uma aliança linda, num helicóptero ("entre o céu e a terra"), de frente pro Cristo. A data, absolutamente auspiciosa: 5.5.10.

Podia ser mais romântico?

Nem a Glória teria imaginado tal cena -- mas já tomou posse e garantiu que, mais cedo ou mais tarde, ela será repetida numa telinha perto de você.

Cristhiane e Siddharth vão se casar em dezembro do ano que vem, e nós vamos fazer um pequeno bonde rumo à Índia para assistir à cerimônia.

Persianas: o hobby da Lolinha



Todo gato tem sempre um projeto especial em andamento, seja a adaptação do sofá a tendencias de decoração radicais, seja a tranformação das cortinas da sala.

Gatos gostam muito de decoração e amam franjas.

Não sei bem qual é o projeto da Lolinha, que ainda está em segredo, mas é certo que ele envolve as persianas.

O tempo esclarecerá o mistério.

Mães e livros




Se você ainda não comprou presente de Dia das Mães, conta com toda a minha simpatia: não acredito em datas comerciais travestidas de momento família. Em compensação, acredito demais em comprar livros, e acho que toda desculpa é válida para correr para a livraria mais próxima. Fiz, pois, uma listinha de favoritos, para dar uma ajuda aos indecisos.

Minha sugestão para a mãe sentimental é “A primeira luz da manhã”, de Thrity Umrigar (Nova Fronteira, 306 páginas, tradução de Regina Lyra). Ela é a autora de “A distância entre nós”, um dos melhores romances da fornada de títulos asiáticos que tomou conta das livrarias de uns anos pra cá. Não tenho certeza se Thrity, que vive em Ohio, pode ser classificada de fato como uma autora indiana, mas a Índia é o pano de fundo constante da sua literatura, e este volume autobiográfico não é exceção, cobrindo a infância e a juventude passadas em Bombaim. São memórias tensas, assombradas por uma mãe sádica e emocionalmente instável, e sua tumultuada relação com a família do marido; mas a delicada sensibilidade de Thrity atravessa a história, pontilhada de raios de luz e humor.

“Minha casa do outro lado do Atlântico”, de Helene Cooper, outro livro de memórias, também lançamento da Nova Fronteira (888 páginas, tradução de Luciana Nogueira), nos leva a um mundo ainda mais exótico do que a comunidade parsi de Bombaim. Helene nasceu na Libéria, país que a maioria das pessoas só sabe que existe porque aprendeu na escola. Faço parte dessa maioria. Confesso que nunca parei para pensar sobre a Libéria, até porque as notícias sobre a Africa costumam ser tão uniformemente catastróficas, que os países acabam por perder a individualidade, e fundem-se no mesmo cenário desolador.

Fundada em 1821 por escravos americanos libertos, a Libéria – cujo nome é uma referência direta à liberdade -- é um caso típico. Viveu aos trancos e barrancos até 1980, quando o governo foi derrubado por um golpe de estado, e desde então tem sido palco de violência constante. A guerra civil acabou, em tese, há coisa de cinco anos, mas o país, que tem uma taxa de desemprego de assustadores 85%, está entre os mais pobres do mundo. A expectativa de vida não passa dos 48 anos.

Helene Cooper nasceu numa família abastada, descendente dos primeiros colonizadores que voltaram da América. Era adolescente nos anos 80, quando teve que fazer o caminho inverso com a família, fugindo do golpe. Em “Minha casa do outro lado do Atlântico”, ela fala da vida na Libéria, da vida nos Estados Unidos (é repórter do The New York Times) e, finalmente, da volta, ainda que por pouco tempo, a uma Monrovia completamente destruída. Seu texto é ágil e direto, e é muito difícil parar de ler o livro antes de chegar ao fim. Mães que gostam de História e de autobiografias vão ficar fascinadas.

Para mães que têm insaciável curiosidade pelo mundo à sua volta, recomendo “A longa marcha dos grilos canibais”, de Fernando Reinach (Companhia das letras, 399 páginas), um dos livros mais interessantes que li ultimamente. Ele reúne 118 crônicas escritas entre 2004 e 2009 para O Estadão, onde Reinach assina uma coluna semanal, e abordam temas tão diversos quanto a curiosa marcha do título, o comércio pré-histórico dos brincos de jade ou por que os políticos fazem plástica antes das eleições. Cada crônica é um achado, e dá assunto para muita conversa. E como cada crônica é curtinha, “A longa marcha dos grilos canibais” é também uma ótima opção para mães que vivem na correria e não têm tempo para ler um romance de ponta a ponta.

“A mulher que chora”, de Su Tong (Companhia das letras, 249 páginas, tradução de Fernanda Abreu), é quase o oposto da “Grande marcha”: uma lenda mágica sem qualquer compromisso com a realidade, perfeita para a mãe romântica. Binu, a heroína, viaja léguas e léguas e enfrenta toda sorte de percalços para levar roupas de frio para o marido Qiliang, que trabalha na construção da Grande Muralha. Encontra pessoas e bichos estranhos, passa por terras de nomes misteriosos e causa grande comoção com suas lágrimas. Uma coisa linda.

A mãe fotógrafa e a mãe carioca militante vão adorar “Rio de cantos 1000” (Editora Réptil, 244 páginas), do meu colega Custódio Coimbra. Aviso, de antemão e por experiência própria, que o livro apresenta um pequeno problema para quem gosta de fotografar: é impossível olhar as suas imagens perfeitas sem uma pontinha de frustração, já que não há paisagem, por batida que seja, para a qual o Custódio não encontre um ângulo novo, que ninguém tinha percebido antes. A maioria das fotos não depende de nada além deste olho sempre certeiro, o que acaba sendo, afinal, uma grande lição de humildade.

“Fotografia de esportes”, do Ivo Gonzalez (Editora Photos, 318 páginas) -- presente ideal para a mãe atlética -- é menos doloroso, porque não é dado a reles mortais freqüentar lugares privilegiados em arenas esportivas. Nesse tipo de solo sagrado só pisam craques, e o Ivo, que há 20 anos fotografa esportes aqui para o jornal, está entre os melhores. Tive a chance única de acompanhá-lo na Copa do Mundo de 2006, e fiquei tremendamente impressionada com a sua disciplina e capacidade de concentração: suas fotos extraordinárias não são fruto do acaso, mas de um know-how raro e de muito trabalho. E, nem preciso dizer, de um talento de todo o tamanho.


(O Globo, Segundo Caderno, 6.05.2010)

3.5.10

Fotos feitas com o N97 Mini

Twitter: caindo na real





Na última terça-feira, quem fosse desavisado ao restaurante de Roberta Sudbrack, no Jardim Botanico, corria o risco de levar um tremendo susto. Enquanto o térreo exibia os casais elegantes de sempre, sussurando educadamente entre um prato e outro, o segundo andar estava tomado por uma turma ruidosa e alegre, armada de câmeras e de celulares, que não tinha qualquer pudor em espiar o que acontecia na cozinha pela janela que a separa do salão, e tratava a grande Chef com desconcertante intimidade.

Um dos mais famosos templos da Alta Gastronomia carioca estava transformado em cantina popular – e, mais estranho ainda, a Chef parecia muito contente com aquela bagunça toda.

A explicação por trás da inusitada cena atende pelo nome de Twitter. Presença assídua na rede social, @RobertaSudbrack conquistou quase seis mil seguidores com as suas tuitadas espirituosas e animadas, que descrevem o dia-a-dia do restaurante, dos primeiros movimentos da manhã, quando a costelinha é reverentemente posta no forno para assar em fogo muito brando, até o frenesi da noite, quando os pedidos chovem na cozinha e celebridades povoam o salão.

Na amostra, uma pequena sequencia:

“Situação da cozinha nesse momento... bombolonis tirando a sesta... camarões secos curtindo o calorzinho da estufa...”

“...cogumelos (lindos!) saltitando pela cozinha... pargos de brilhantina na careca batendo na porta de entrada... leite maltado apurando...”

“...lentilhas verdes du Puy cantando La Marseillaise e brigadeirinhos cantando mais alto ainda: Brasil, um sonho intenso, um raio vívido... “

“Ou seja... tudo na maior normalidade!”

Uma viagem e tanto, pois não? Mas o melhor é que a Chef dialoga direto com os seus seguidores, às vezes em altos e animados papos. E há fotos pontilhando tudo, seja dos ingredientes, seja dos pratos lindamente arrumados, prontos para entrar em cena.

Resultado: na Terça (quase) Básica do Twitter, todos se sentiam em casa. A verdade é que, acompanhando Roberta, todos nós, de certa forma, fazemos parte daquela cozinha: vivemos juntos os mesmos perrengues e comemoramos as mesmas vitórias. E aqui vale abrir um parênteses para explicar que a Terça Básica é uma opção de preços módicos no restaurante, o que permitiu o comparecimento de$preocupado dos tuiteiros.

A festa não foi só de comida. Foi também de celulares, fotos e tuitadas contínuas noite adentro.

“Tensão nos bastidores... 30 @s pra serem servidas por nós!” tuitou a Chef, às 21h32m. “É muita @!”

“Quase lá... a galera fala viu... e como fala!”

“Nunca vi tanto celular junto!”

“Vixe... que silêncio...”

“Mandei começar a produção de brigadeirinhos e não parar até o sol raiar...”

“Brigadeiros sorridentes passaram por aqui e levaram todas as colheres da casa pra passear na mesa 20!”

“Ou seja... ninguém pede café hoje por favor!”

Graças ao Twitter, onde laços e amizades já haviam sido devidamente atados, e à comida deliciosa que foi servida, as 30 @s viveram uma noite inesquecível. Às 3h23m da quarta-feira, a Chef tuitou mais uma vez:

“Quanta emoção numa noite só... quem é que vai conseguir dormir hoje?”


(O Globo, Revista Digital, 3.05.2010)

2.5.10

Jantarzinho básico na Laura



Como blog é cultura, aí está a receita da Laura:

Camarão (2ks)
Arroz (1 ½, 2 xícaras)
3 ou 4 tomates, pelados e cortados em cubos (reserve a casca para fazer uma rosinha de enfeite)
Salsa e cebolinha (um molho)
1 alho poró cortado em rodelas (as folhas mais duras podem ser juntadas ao caldo de camarão)
Vinho branco
Cebola
Alho (2 dentes pequenos)
Azeite de oliva
Pimenta do reino em grão
Creme de leite (+ou - uma xícara)
4 ovos duros cortados em fatias

Descasque os camarões. Ferva as cascas e cabeças com sal a gosto, uma cebola cortada em quatro, talos de salsa, cebolinha inteira, grãos de pimenta. No final coe e acrescente vinho branco.

Refogue a cebola no azeite, junte o alho, depois o tomate e o alho poro. Deixe desmanchar um pouco. Junte um pouco mais de azeite, tempere com sal, acrescente o camarão, refogue bem pouco (só até perder a translucidez; se quiser, pode depois juntar mais molho de tomate - preparado à parte). Junte o creme de leite. Salpique com bastante salsa.

Enquanto isso, prepare o arroz como risoto, juntando aos poucos o caldo do camarão até chegar no ponto certo. Sirva o arroz no prato, regado com o molho, generosamente.

Enfeite com os ovos duros e uma flor feita com a casca do tomate e uns raminhos de salsa.

Sirva com parmesão, se quiser.

Bipes & quadrupes



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