14.4.09

Prêmio Vivo, melhor filme: Estômago




Mais filme!




A star is born



Aconteceu no sábado, num programa de calouros na Inglaterra, e pegou fogo no You Tube ao longo do fim-de-semana.

Eu queria trazer o vídeo para cá, mas infelizmente a incorporação foi desativada.

Cliquem AQUI... e apertem os cintos de segurança!

Susan Boyle -- esse é o nome da moça -- já está na mira das gravadoras. Ela tem 47 anos, nunca teve namorado, está desempregada e vive com um gato de 10 anos chamado Pebbles.

Em tempo

Eu nunca tinha ouvido falar do Adriano até ele declarar que era mais feliz na favela do que na Itália, e meio mundo lhe cair em cima. Pois achei muito bonito e sincero o que ele disse, e compreendo perfeitamente sua atitude. A Itália é um belo país para quem gosta do que a Itália tem a oferecer; para quem não gosta, é um inferno igualzinho a qualquer outro país estrangeiro. A questão é que nós não vivemos só na nossa casa. Vivemos, principalmente, no nosso país, na nossa língua, nos nossos costumes. Quem foi que disse que uma pelada entre amigos e um bom churrasco na laje valem menos do que as pompas do mundo?

13.4.09

Imperdível!

A VanOr está em Cusco; e quem não está lendo as suas aventuras pela América do Sul está perdendo, sinceramente.

Procura-se

Pessoas, com a perspectiva da vinda dos gêmeos, a Bia precisa mudar o esquema doméstico; de modo que procura uma empregada para serviço geral (que não durma no emprego) e uma babá.

Alguém tem recomendações?

Mais um DVD!




Camuflada




Eu tuíto, tu tuítas, eles estão por fora



E o Twitter continua sendo o grande assunto do momento na internet. Na verdade, "O" assunto: é praticamente impossível falar com gente conectada sem que a conversa não vá parar no “microblog”, termo que, por sinal, considero pouco adequado para descrevê-lo. O Twitter é tudo menos micro. Ele cresceu 700% em um ano, segundo pesquisa da comScore, e agora teria quase dez milhões de usuários, quatro milhões dos quais nos Estados Unidos. Segundo a IDG Now, no Brasil somos, por enquanto, menos de 500 mil -- mas eles não perdem por esperar.

Mal descobriu o Twitter, o Brasil já está pondo as manguinhas de fora. Semana passada, por exemplo, alguns usuários metidos a ixpertos causaram comoção ao usar um script para aumentar, de forma substancial e fraudulenta, o número de “followers”, ou “seguidores” -- outro termo infeliz, que remete a lideranças espirituais, mas, no fundo, serve apenas para designar quem lê o que o, hmmm... “seguido”... posta.

Pegos com a boca na botija, os ixpertos voltaram atrás e inventaram desculpas esfarrapadas, mas acabou pior a emenda do que o soneto. A brincadeira foi mais uma mancha na reputação do comportamento dos brasileiros online, que, desde o Fotolog, não é lá das melhores.

Quem imaginou que estamos diante de mais um bando de adolescentes indisciplinados, errou na mosca. Os usuários do script malsão são senhores e senhoras de meia-idade, perfeitamente encaixados nas estatísticas que informam que o Twitter faz mais sucesso entre o povo de 45/55 anos. Deviam ter mais juízo, mas juízo anda em falta em todas as faixas etárias.

Criar boa reputação na rede, onde ninguém sabe quem de fato está do outro lado, toma tempo mas é fácil: basta agir corretamente. Acabar com uma boa reputação adrede existente (gostaram?) é igualmente fácil, mas consideravelmente mais rápido. O nome do jogo é transparência. Nunca é demais lembrar que transparência a posteriori não vale: afinal, esse é o comportamento de dez entre dez políticos, que, depois de descobertos, devolvem o dinheiro roubado – de preferência, com grandes manifestações de honestidade.

A ixperteza dos compatriotas foi, sem dúvida, a coisa mais comentada e irritante da semana. A mais divertida, porém, foi o Pessach no Facebook, uma interpretação contemporânea da Fuga do Egito. Se você tem pelo menos uma idéia de como funciona o Facebook, dê uma olhada em migre.me/oLn.


(O Globo, Revista Digital, 13.4.2009)

Um lindo hino



Quando a India comemorou 50 anos de independência, em 2000, A. R. Rahman, um dos principais compositores de Bollywood, fez essa espetacular gravação de Jana Gana Mana, o hino nacional indiano, da qual participaram músicos de diversas partes do país.

Rahman foi o responsável por trilhas que marcaram época, como as de Lagaan e Rangeela, de filmes que circularam fora da Índia, como a trilogia de Deepa Mehta (Fire, Earth, Water) e Elizabeth, e do já clássico Omkara, uma adaptação de Otelo, da qual, inclusive, foi tirada a música de abertura de Caminho das Índias. Também é dele a trilha de Slumdog Millionaire, pela qual ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e dois Oscars (melhor trilha e melhor canção original).

No momento, há nada menos de onze filmes em produção com música sua.

O Hino da Índia, composto por Rabintranath Tagore em 1911, é um canto em louvor a Deus, embora alguns ingleses sem noção achassem que era homenagem ao rei George V (!). Por causa disso, o pobre Jana Gana Mana foi alvo de grandes controvérsias ao ser oficialmente adotado, no ano de 1950.

Há maiores informações sobre essa gravação histórica na Wikipedia.

10.4.09

Cirque du Soleil



Gostei do título -- Ovo -- e da idéia do espetáculo da Deborah Colker.

A estréia mundial é no próximo dia 23, em Montreal.

Esse eu quero muito ver.

Felicidade


Foi impossível fotografar o tropel; tive que esperar sossegarem.

Estava quietinha lendo quando ouvi um tropel de gatos no corredor. Fui ver o que era: Lucas e Lolita correndo feitos loucos, um atrás do outro.

Acho lindo ver o meu gatão véinho brincando feito criança!

O Irineu é o principal companheiro de farra da Porcaria Pequena, mas a paixão da vida dela é mesmo o Lucas.

Os dois brincam, dormem juntos e se lambem, na maior felicidade.

Bom, muito bom isso!

9.4.09

Barulhinho bom

Essa é para geeks nostálgicos, e foi divulgada pelo Inagaki: The Dial Up Kid.

Morri de saudade.

(Nós éramos pioneiros passando por estradas de terra batida, cheias poeira e de buracos onde, mais tarde, se abririam auto-estradas.)

Praça General Osório




Escada é sempre irresistível...




Jânio, Millôr e Hélio




Nenhum deles presta, mesmo!





E esse é dos "honestos": quando foi descoberto, pagou a conta.

É nessas horas que eu descubro que dentro de mim mora um pequeno neandertal com instintos assassinos.

A Fuga do Egito no Facebook

A Sheila Leirner postou um lance genial: como seria a Fuga do Egito narrada do Facebook. Todos os personagens estão presentes, fazem posts, mandam coisas uns pros outros, respondem a quizzes e usam aplicativos.

Quem não tem familiaridade com o Facebook vai, provavelmente, achar muito chato. Mas para quem usa o dito Facebook, é uma das coisas mais divertidas dos últimos tempos.

Estou aqui dando risada sozinha, para perplexidade dos gatos...

Notícias da Famiglia Gatto




Quando comecei a escrever crônica aqui no Segundo Caderno, em janeiro de 2003, o Merval me deu um conselho: evitar falar de gatos e de internet. Levei um susto. Como é que eu poderia evitar meus dois tópicos favoritos?! A questão da internet era menos grave, já que, como editora de informática, eu tinha um caderno inteiro para especular sobre o assunto. Mas o que fazer a respeito dos gatos?

-- Deixa no “Info etc.” também, -- recomendou o Merval. -- Lugar de gato é na informática.

Não, não era maluquice dele. Desde que nasceu, em 1991, ainda como “Informática etc.”, o caderninho se prestava a todo tipo de excentricidade. Na época, tecnologia só interessava a meia dúzia de leitores, o que nos dava a paradoxal sensação de produzir um suplemento clandestino dentro de um dos maiores jornais do país. Além de mandar recados uns para os outros nas nossas respectivas colunas, entravamos sem a menor cerimônia pelas colunas alheias, que enchíamos de parênteses e de observações; vivíamos brincando entre nós e envolvendo os leitores na brincadeira, como se estivéssemos juntos na hora do recreio. Era muito divertido. Pena que, tirando os iniciados, ninguém mais lesse o que escrevíamos.

E onde entravam os gatos? Simples: por viverem em cima dos monitores e das impressoras, eles apareciam frequentemente como personagens. Catia.cat, minha gata sênior, chegou a assinar a resenha de um jogo pré-Tetris. Era capaz de passar horas observando o vaivém das bolinhas que, de vez em quando, tentava pegar no bote. A resenha fez muito sucesso. Ao mesmo tempo, como a antiga interface de caracteres não se prestava a ilustrações objetivas, não era incomum encontrar a imagem de um gato numa matéria sobre, digamos, sistemas operacionais. Mais tarde, quando as câmeras digitais se popularizaram, eles continuaram na parada, fazendo o óbvio papel de modelos. Por acaso, quase toda a equipe tinha gato em casa, o que deu origem à lenda de que, para ser contratado pelo “Info etc.”, ter gato era pré-requisito mais importante do que falar inglês. Pura maldade: B. Piropo, o mais querido e ilustre colaborador do caderno, sequer gostava de bicho.

* * *

Lembrei disso tudo enquanto procurava uma boa foto da Lolita para ilustrar a crônica de hoje. Mais novo membro da Famiglia Gatto, Lolita estava abandonada na Lapa quando foi encontrada, no começo do ano, por um amigo que passava uma temporada aqui. Era um projetinho de gato, coberto de pulgas e de sujeira, mas já era descolada e cheia de atitude. O Lee levou-a para casa, deu-lhe banho, carinho e comida, e, depois do carnaval, quando voltou para Nova York, deixou-a comigo. Aí ela já era a linda gata que se vê na foto, apenas em tamanho um pouco menor.

Lolita veio fazer companhia ao Irineu, aquele gatinho preto e branco que apareceu no estacionamento, e que já saiu do jornal batizado pelo Nelson. Aproveito para informar aos leitores que escreveram pedindo notícias que ele não podia estar melhor. Simpático e humilde, integrou-se rapidamente à Famiglia. Infelizmente, nunca teve com quem brincar: a turma daqui de casa, entre 10 e 17 anos, é uma ala geriátrica, sem paciência para crianças. Depois de levar uns passa-foras dos véinhos, decidiu me adestrar, no que foi, alías, bastante bem sucedido. Seu passatempo favorito era pegar no ar as bolinhas de papel que eu jogava e, compenetrado, afogá-las uma por uma no bebedouro. Depois, trazia os “cadáveres” para mim, deixando uma trilha de papel ensopado pelo caminho.

Os verbos estão todos no passado porque, desde a chegada da Lolita, o interesse do Irineu pelas bolinhas diminuiu drasticamente. Os dois se deram às mil maravilhas, e passam o dia juntos. Lolita, que inicialmente se chamava Lola, por causa do filme “Corra, Lola, corra”, já saiu da caixinha em que veio para cá como dona do pedaço. Cumprimentou os gatos, não teve qualquer medo das suas demonstrações de valentia e descobriu onde fica a cozinha em tempo recorde. Adora colo e cafuné, e ronrona muito alto, mas não sabe miar; tem apenas um fiapo ridículo de voz, que mal se ouve. É tão engraçadinha que conseguiu o que nem o Irineu havia conseguido – acabar com a dignidade do Lucas, o siamês, que perto dela abandona a pose de alfa cat e se atira com gosto nas brincadeiras, sempre tomando o maior cuidado para não machucá-la. É lindo de se ver. A casa anda tão movimentada, por sinal, que até os objetos, que já tinham aprendido a ficar no lugar, voltaram a se atirar das estantes. Antes que algum cometesse um gesto tresloucado, tive uma conversa séria com eles, e passeio-os lá para o alto. Agora reina a paz; estamos todos felizes.

* * *

Como a maioria dos viralatas, Lolita é extremamente inteligente. É também única. Como acontece com os malhados, não há gato no mundo com design igual ao seu. Olho para ela e para o Irineu, outra figura sem par, olho para a Famiglia inteira, composta de refugiados, e penso por que ainda há quem compre gatos, quando se pode ter companheirinhos tão maravilhosos de graça. Mais que isso; a felicidade que eles nos trazem vem, de quebra, com o bônus extra da boa ação de tirar um animal da rua.

Adotar é mesmo tudo de bom.


(O Globo, Segundo Caderno, 9.4.2009)

6.4.09

Ódio ódio raiva raiva GRRRRRRRRRRRRR!!!



Da série "Tenho horror a gente ixperta": um bando de engraçadinhos vem usando scripts para inflacionar, artificialmente, as suas bases de seguidores no Twitter (para quem não sabe do que estou falando: "seguidores", ou "followers", são as pessoas que "assinam" os seus posts, ou seja, que optam por ler o que você escreve por lá). Vai daí que qualquer mané consegue alcançar, em uma semana, dez, quinze mil seguidores.

O resultado dessa corrida de egos vazia é um sistema imprestável.

Como, infelizmente, a maioria dos ixpertos é brasileira, lá se vai, mais uma vez, a nossa reputação na rede.

Que ÓDIO disso!

Meu amigo Mario Amaya já até fez um distintivo de protesto:


Guardem esta URL!

As cem músicas mais ouvidas no Brasil a cada ano, de 1935 a 2003. O melhor é que os links levam a gente direto para clipes no You Tube: AQUI.

As listas anteriores a 1935, que vão até 1904, não estão linkadas e, em alguns casos, não chegam a 100 músicas; mas valem pela referência.

Por exemplo: peguei essa aqui na lista dos Anos 80. Quem se lembra?



Valeu, Heringer!

O lançamento é depois de amanhã




Um release interessante

Redes de relacionamento e blogs são agora a quarta atividade online mais popular, acima de e-mail pessoal

São Paulo, 06 de abril de 2009 - Visitado por mais de dois terços (67%) da população on-line mundial, os ‘Member Communities’ que englobam as redes de relacionamento e blogs se tornaram a quarta categoria on-line mais popular – à frente do e-mail pessoal. O crescimento é duas vezes maior que qualquer outro dos quatro maiores setores (busca, portais, software para PC e e-mail), de acordo com um abrangente relatório da The Nielsen Company “Global Faces and Networked Places” (faces globais e lugares plugados) disponibilizado recentemente, documento que revela a nova marca global das redes de relacionamentos.

“Redes de relacionamento tem se tornado uma parte fundamental da experiência on-line mundial” afirma John Burbank, CEO da Nielsen Online. “Embora dois terços da população on-line global já acessem os sites community member, a vigorosa adoção e migração de tempo não mostra sinais de redução. As redes de relacionamento irão continuar a alterar não só o cenário on-line mundial mas a experiência do consumidor. Este estudo mostra como.”

De acordo com o relatório da Nielsen, o Facebook – a rede de relacionamento mais popular no mundo – é acessado por três em cada 10 pessoas on-line por mês, em nove mercados onde a Nielsen pesquisa o uso da rede de relacionamento. O Orkut no Brasil possui o maior alcance on-line doméstico (70%) que qualquer outra rede de relacionamento nestes mercados.

O relatório fornece insights sobre a constante mudança no tamanho e composição da audiência da rede de relacionamento global e sobre a crescente participação do tempo na internet que isto representa. O estudo também analisa como os principais provedores estão convivendo e o que os publicitários e editores podem fazer para tirar vantagem deste fenômeno de rede de relacionamento.

Outras descobertas chaves incluem:

- Um em cada 11 minutos on-line no mundo é decorrente dos sites de redes de relacionamento e blogs;

- A audiência das redes de relacionamento e blogs está se tornando mais diversificada em termos de idade: o maior aumento nos visitantes dos sites Member Community no mundo vem do grupo com 34-49 anos de idade (+11.3 milhão);

- Celulares estão tendo um crescente e importante papel nas redes de relacionamento. A Nielsen descobriu que a rede de celulares na Inglaterra possui a maior propensão de acessar as redes de relacionamento via seus aparelhos portáteis, com 23 % (2 milhões de pessoas), comparado com 19% nos EUA (10.6 milhões de pessoas). Estes números representam um grande aumento desde o ano passado – 249% na Inglaterra e 156% nos Estados Unidos.

“As redes de relacionamento não estão apenas crescendo rapidamente, mas também evoluindo em abrangência de audiência assim como adquirindo novas funções,” diz Alex Burmaster, autor do estudo e Diretor de Comunicações através da EMEA para a Nielsen Online. “ Nos sentimos obrigados a analisar o status do mercado global das redes de relacionamentos e considerar quais as implicações que isto traz para nossos clientes, editores e publicitários.”

Entre os mercados que a Nielsen mensurou, a penetração das visitas as redes de relacionamentos e blogs foram maiores no Brasil, onde 80% da audiência on-line acessa tais sites (veja Figura 1). A participação do tempo geral na internet nas redes de relacionamento e blogs também foram maiores no Brasil, onde quase um em quatro (23% minutos gastos on-line são usados nestes tipos de sites (veja Figura 2).

A Alemanha foi o país com maior aumento em penetração nas redes de relacionamento e blogs durante 2008, com 39% de audiência on-line em Dezembro de 2007 a 61% em Dezembro de 2008 – um crescimento relativo de 39%.

Às vezes ela sossega...




Chega de foto!!!




Redes sociais


“Ou você tuíta ou você feicebuca”

Quando foi a última vez em que você ouviu falar do Second Life? Pois é: a killer app que ia mudar radicalmente a forma como usamos a rede teve os seus 15 meses de fama e swish!, sumiu no limbo das idéias perdidas. Em compensação, não se passa um dia sem que o Twitter ou o Facebook não sejam alvo de reportagens, discussões e infinitos posts... no Twitter e no Facebook. Os dois são os darlings da web e, a meu ver, têm tudo para durar bem mais do que o Second Life, que era engraçadinho, mas não tinha nenhuma utilidade real, nem supria qualquer necessidade que já não fosse atendida, e melhor, por outras redes sociais. Isso para não falar do grave pecado original de usar muuuuita banda e, logo, de não funcionar bem com a maioria das conexões.

O sucesso do Twitter e do Facebook deve-se a uma série de fatores, sendo o principal, provavelmente, a sua interface “trançada”, em que as falas de todos cruzam-se na mesma tela. Entretanto, apesar dessa semelhança essencial, os dois têm “vocações” distintas. O Twitter é, essencialmente, uma ferramenta de informação, ideal para uso em aparelhos móveis, como ficou provado durante os atentados terroristas de Mumbai: nenhum veículo publicou nada na velocidade com que os usuários do Twitter divulgaram os acontecimentos. O tamanho máximo para uma mensagem é de 160 140 caracteres. Imagine, portanto, uma espécie de blog coletivo: você dá as suas notícias, e as pessoas e organizações que você segue dão as delas, sempre nesse tamanho. Na página de acesso, todas essas mensagens entram por ordem de chegada.

O Facebook também é, em última análise, um blog coletivo. Mas embora possa ser considerado, igualmente, uma ferramenta de informação, a sua vocação óbvia é para o lazer, e para trocas de figurinhas com os amigos. As mensagens tem qualquer tamanho, podem-se inserir fotos, vídeos e gráficos à vontade, e há mil brincadeirinhas disponíveis, de ótimos games online a “presentes” que se mandam aos amigos (imagens de flores, jóias e o que mais se quiser, desenhinhos de drinks, corações coloridos), passando por toda sorte de testes bobos e irresistíveis (“Que música dos Beatles você é?”, “Mais carioca ou mais paulista?”, “Hippie ou patricinha?”).

Evidentemente, rola muita informação pelo Facebook, assim como rola muito papo pelo Twitter; as águas estão misturadas, até pela novidade da coisa. Ninguém pode prever a evolução de uma rede social, mas o ideal seria que, aos poucos, Twitter e Facebook ficassem mais focados nos seus diferentes perfis. Ter duas excelentes ferramentas e vê-las como duplicatas uma da outra é contraproducente, até porque, como bem observou o filósofo Riq Freire, “Ou você tuíta ou você feicebuca”. Na falta de dias de 48 horas, ter tempo para as duas coisas é mais ou menos impossível.

Ah, sim -- Até agora, quem fez a melhor definição das principais redes sociais foi o bernardok, de São Paulo: “No orkut todo mundo é pobre. No facebook todo mundo é rico. No flickr todo mundo é cool. No twitter todo mundo é inteligente.”


(O Globo, Revista Digital, 6.4.2009)

Voy a salir pues ya estoy olvidando como se ve la gente en persona. (Samuel Sod, no FB)

Catarro Verde, no Twitter: Fui hoje lá no Facebook, não me deixaram entrar de tênis; fui entrar no Orkut, me assaltaram na porta...

3.4.09



Raj Kapoor, o Chaplin indiano, em Shree 420.

Essa música, um dos grandes clássicos de Bollywood, foi reproduzida em diversos outros filmes. Em "Casamento Indiano", por exemplo, toca no rádio de uma família.

Salman Rushdie fez uma tradução famosa para o estribilho. Diz assim:

My shoes are Japanese
My trousers English if you please
On my head, red Russian hat
But my heart is Indian for all that

Numa das versões que encontrei no YouTube, um dos comentaristas propôs um update da letra para os novos tempos:

Meus sapatos são chineses,
Minhas calças são chinesas,
Na cabeça levo um chapéu chinês,
Mas o coração continua indiano.

Faz sentido.

Lá veio ela atrapalhar o sono do Irineu




Dia de faxina




Demorou!




Uma rádio que só toca passarinho!

Os gatos ficaram interessados por alguns minutos, depois perceberam que era truque, e que desse computador não sai comida: Birdsong Radio

O Greenpeace pisou na bola

De modo geral, eu gosto do Greenpeace mais do que desgosto. Ainda assim, fica muito difícil concordar com o protesto de ontem, realizado às sete da manhã na Ponte Rio-Niterói, e que causou um engarrafamento monstro, prejudicando milhares de pessoas que precisavam chegar ao trabalho.

TUDO nesse protesto foi errado, da hora escolhida, que é exatamente a de maior movimento, ao banner, escrito em inglês. A língua oficial do Brasil ainda é português, e não faltam bons tradutores ao redor do mundo para traduzir o recado a líderes mundiais que porventura se interessem em saber o que é.

Como algo me diz que os líderes mundiais estão pouco se importando com recados pendurados na ponte Rio-Niterói, a única coisa que o Greenpeace conseguiu, infelizmente, foi angariar antipatias. E por justa causa: vai ser difícil convencer quem estava naquele engarrafamento de que ele merece respeito.

Isso é extremamente contraproducente, porque afeta não só a credibilidade do Greenpeace como a de todos nós que nos preocupamos com o meio-ambiente: uma besteira dessas dá munição de sobra para quem acha que somos eco-chatos, eco-xiitas ou outros termos do mesmo calibre.

Hoje, no GreenBlog, há um post sobre o assunto. Está AQUI. E, sinto dizer, ficou pior a emenda do que o soneto.
"A atividade do Greenpeace na Ponte Rio-Niterói escancarou um dos principais problemas de todo grande centro urbano do país, que é a falta de um transporte público de qualidade. Cidadãos são praticamente incentivados a ter veículos particulares para poderem circular por aí, entupindo as ruas e avenidas, provocando acidentes, engarrafamentos e poluição do ar. O problema atinge a todos, democraticamente. É o “direito de ir e vir” baseado no transporte individual, consumista e poluente.

O episódio também revela que os brasileiros ainda não acordaram para a crise climática que vivemos. Não perceberam que estamos ficando sem tempo nem escolha para conseguirmos evitar os piores impactos das mudanças climáticas, que provocarão situações infinitamente mais drásticas e problemáticas do que um engarrafamento numa manhã de quarta-feira."

Tenho a impressão de que ninguém precisa do Greenpeace para escancarar o que já está arrombado: quem é que não sabe que não temos transporte público no Brasil, e que o trânsito é um inferno?!

Ao mesmo tempo, é muita pretensão achar que "os brasileiros" ainda não acordaram para a crise climática. Boa parte d'"Os brasileiros" acordou sim, mas tem que trabalhar e não pode se dar ao luxo de brincar de rappel na hora do rush.

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém.

Pedir desculpas à população pelos transtornos causados também não.

2.4.09

O ano 2000, visto de 1910



O Leonam postou essa ilustração no Facebook: era assim que, em 1910, o pessoal achava que nós estaríamos nos comunicando no ano 2000.

Jantar beneficente: a gente come bem e ajuda a Rosely a ajudar os animais!




Pessoas, vamos participar do jantar beneficente para os animais de Ramos/Bonsucesso? A Rosely, que convida, é super do bem: é presidente SOS Felinos e da Frente Brasileira para Abolição da Vivissecção. Ela resgata animais com frequência, e está precisando da nossa ajuda -- ficou desempregada recentemente. A comida do Restaurante Refeitório Organico, segundo me garantem a Bia e a Ana Yates, que são freguesas, é ótima.

O Bob's está bem legal






Este é o Bob's da Garcia D'Ávila; agora, como aquele de Copacabana, ele também tem os clássicos que haviam saído de cartaz. Pedi um sanduíche de salada de ovo (que nunca entendi por que saiu das paradas), e achei bem gostoso.

Um entulho de dez milhões


A piscina está atrapalhando?
Joga no lixo, que é barato

-- No último sul-americano realizado no Julio Delamare, quase morri de vergonha, especialmente diante dos argentinos, porque no sul americano de lá, as instalações eram decentes -- disse Mamãe, que no fim de semana participou da prova de natação dos Jogos Brasileiros Masters. – Desde o primeiro dia, nada funcionava. A pior parte eram os banheiros: privadas entupidas até a tampa, torneiras quebradas... Aliás, mesmo que não estivessem quebradas, não ia adiantar nada, porque não tinha água. Já a água da piscina de aquecimento tinha tanto cloro que ninguém conseguiu usá-la.

Para alegria dela e dos demais participantes dos Jogos, porém, o Julio Delamare que os recebeu dessa vez foi outro, inteiramente renovado. Agora há lockers à vontade nos vestiários, para que os atletas possam guardar seus pertences enquanto participam das provas; os banheiros não só funcionam impecavelmente, com água fria e quente nos chuveiros, como, ainda por cima, estavam limpos. As arquibancadas ganharam cadeiras. Na piscina de aquecimento, o cheiro de cloro era quase imperceptível; e a piscina olímpica foi dotada do que há de moderno em tecnologia de piscinas. Coisa, enfim, de primeiro mundo. E tudo, acrescente-se, intensamente aproveitado pela comunidade: há cursos de natação e de hidroginástica a semana toda.

-- É comum que equipes estrangeiras participem, como convidadas, de eventos como o dessa semana, -- continuou Mamãe. – No domingo, tivemos uma equipe chilena. E, ao contrário do vexame que passamos com os argentinos, ficamos todos prosas em poder oferecer a eles um parque aquático tão bom, tão simpático e tão bem localizado.

O Júlio Delamare, vocês sabem, fica ali ao lado do Maracanãzinho. É importante ressaltar isso, porque a alternativa é o Maria Lenk, para lá do autódromo, fim de mundo para qualquer competidor que não tenha carro -- e para os que têm também. Sem falar que o Maria Lenk está inteiramente depenado. Terminado o Pan, todos os lockers, cabides, toalheiros, bancos, suportes de papel higiênico -- tudo, enfim, que era móvel -- foi levado embora. Participar de uma competição lá significa ter que ficar com um olho no cronômetro e outro na bolsa, porque não há onde deixá-la; pedir a amigos que segurem a toalha durante o banho, porque não há onde pendurá-la; sentar no chão para calçar o tênis, porque não há onde sentar; e, last but not least, virar repasto de mosquito. Aparentemente, a única coisa que tem de sobra no Maria Lenk é mosquito.

-- Coitada da Maria, não merecia uma “homenagem” dessas, -- lamentou Mamãe, que, como a maioria absoluta dos colegas, odeia com fervor o famigerado conjunto.

* * *

Por tudo isso, o clima foi de consternação durante a competição no Julio Delamare. É que o lindo e acolhedor parque aquático, um dos maiores da América Latina, com 18.515m², piscina olímpica de 25m x 50m, piscina coberta para aquecimento de 10m x 25m, e tanque para saltos de 25m x 25m, com profundidade de cinco metros, reformado em julho de 2007 ao custo de RS$ 10 milhões – dados da Suderj -- está com os dias contados. O projeto do Comitê Olímpico Brasileiro para a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro prevê a sua demolição para que, no lugar, possa ser feito... um estacionamento!

Segundo declaração de Carlos Arthur Nuzman ao Globo Esporte, o Julio Delamare atrapalharia o público do Maracanã, principalmente durante as cerimônias de abertura e de encerramento de grandes eventos. Para tranqüilizar a Confederação Brasileira de Natação, o presidente do COB prometeu que um Julio Delamare novinho em folha será construído do outro lado da linha do trem, perto da Quinta da Boa Vista. Pode ser que a Confederação fique tranqüila com isso; os Masters, entretanto, estavam cuspindo marimbondo, e com toda a razão.

Afinal, num momento em que o mundo inteiro fala em economizar e em apertar o cinto, o COB entra pela contramão da História, disposto a desmanchar um ótimo conjunto desportivo só assim, para reconstruí-lo ali adiante, como um marajá entediado que muda a arrumação dos móveis da sala. É difícil acreditar que algo que merecia uma reforma de dez milhões há apenas dois anos tenha, subitamente, se convertido em elefante branco; mais difícil ainda é aceitar a leviandade com que o nosso dinheiro é tratado, e a tranqüilidade com que é posto fora.

O caso do Julio Delamare, que eu desconhecia por completo, me lembrou muito o do Santos Dumont, que conheço até demais. Um governo reforma tudo, gastando uma quantia inimaginável de dinheiro; o governo seguinte decide que aquilo não tem serventia e deve ser transformado em shopping ou estacionamento. Nos dois, fica no ar a certeza de que, mais uma vez, nos fizeram de trouxas. Ou nos roubaram quando foram feitas as reformas, ou estão nos roubando agora, ao se dar por inútil o que até outro dia era imprescindível.

(O Globo, Segundo Caderno, 2.4.2009)

O pior é que eu acho lindo!

1.4.09

Um que deu certo

Durante um tempo, a Laura manteve, junto com o Tom Moore, um blog sobre música chamado Mostly Music. E, num primeiro de abril, ela publicou uma notícia sobre a interferência das ondas sonoras no comportamento sexual.

A notícia foi escrita no melhor "academiquês", e foi reproduzida, como se fosse a mais pura verdade, por um monte de outros blogs sobre música.

Até um site especializado na Alemanha caiu na história!

Recent Advances in the Study of Sound Wave Interference in Sexual Behavior

According to recent studies by the Acoustics Department at the University of Seil, in Munchaus, Germany, the sound waves produced by a flute can naturally and inherently create an effect that had not been identified until now. This singular effect can be described in simple language as an enhancement of the psycho-physiological capacity for long-term sexual intercourse, through the expansion of both feminine and masculine resilience.

According to the Chilean specialist in Human Sexuality, Dr. Raila Maios, who has been researching on the short-range influence of wind instrument sound waves on sexual responses, this extraordinary effect has been known since antiquity, and it is no mere coincidence that the mythological god Pan, a satyr, played the flute. That is also the reason why this instrument has long been associated with sexual potency in all human cultures. For the appropriate testing of her theory Dr. Maios has created a resonance chamber, which amplifies sound modules to demonstrate how audio, when appropriately applied, enhances the usability and functionality of an application.

Since physics essentially describes and quantifies the dynamic nature of elements around us, a physics experimental system should somehow capture the dynamics of physics. The sound module of the Seil Physics Education Laboratory relies heavily on voluntary flutists to achieve this goal. The intent is to continually remind the scientists that physics concepts represent live, active entities in the real world. Furthermore, six topic areas have already been effectively identified as primary to explain the sequence of elements that cause the phenomena: sound wave length, speed of sound, displacement and pressure variations in sound waves, sound intensity and decibel levels, and Doppler effect applied to sound.

One objective of the sound wave module is to supply as much user interaction as possible. It is the belief of this specialist that research is best served when musicians are allowed to explore and experiment with concepts rather than having them consume information in a dry, static manner. For example, if a physics law is presented, the researcher and his subject should be free to test the variables or parameters of the physics law to observe how the variables affect the results. Furthermore, demonstrations should also resemble or reflect real-world situations to orient the scientists in the context of a familiar or intuitive setting.

Dr. Xaoh Meti, Dr. Maios' assistant, declared that the only problem with this revolutionary idea has been that the musicians invited to take part in the experiment don´t want to leave the chamber, where they play Gluck's Dance of the Blessed Spirits uninterruptedly and only made insignificant rests in order to wait for the physical orgasmic spasms to subside.

(Quoted from the International Refereed Journal of the International Institute of Acoustics and Vibration -- IIAV)

Volta ao lar




No Fórum






Vocês se lembram do arrastão do ano passado, em que a Laura, a Mami e eu estavamos num taxi, e em que levaram tudo o que a Laura e eu estavamos carregando (menos os meus celulares, ha!)? Bom: a polícia prendeu o marginal, e na sexta-feira recebemos uma intimação para comparecermos como testemunhas.

Isso é que fui fazer lá.

E foi uma experiência interessante, sob vários aspectos.

O mais impressionante foi ver como um bandido desses dá trabalho: Depois da queixa que prestamos logo após o arrastão, voltamos à delegacia, Laura e eu, para reconhecer o elemento em fotos. A Laura, sempre cumpridora dos seus deveres, foi assim que chamaram. Eu demorei uma semana ou duas, nem lembro, mas acabei indo também. Imaginem agora que todas as outras pessoas que foram assaltadas fizeram a mesma coisa: quanto tempo perdido!

Investigadores investigaram, ordens de prisão foram emitidas, policiais prenderam -- nem sei exatamente quais são as etapas de um caso desses, e quantas pessoas envolve, mas não são poucas. Policiais levaram armas à casa da Laura para que ela identificasse o tipo que o canalha usava (era uma 45; não precisaram trazer aqui, porque eu identifiquei durante o crime).

Depois são emitidas as intimações (ô palavra mais desagradável!) para que as testemunhas compareçam, e oficiais de justiça vão à casa das pessoas. Se a testemunha não for, vai sob condução. Tenho a impressão de que isso é que antigamente se chamava sob vara, mas, se é isso mesmo, certamente mudou porque a expressão antiga não era das mais felizes...

Aliás, eu teria preferido essa opção -- a polícia vem te buscar em casa, você não paga táxi e ainda vai com escolta, de modo que dificilmente será assaltada de novo -- mas Laura e Mamãe me mandaram ter juízo. Não só isso, como ainda por cima me fizeram chegar na hora. Não adiantou nada, porque a doutora juíza só chegou beeeeeeeeeem depois.

Também foi interessante ver a reação da Laura. Ela, que é a calma personificada, ficou muito passada, indignada mesmo. É claro: um funcionário pago pelo público tem a obrigação de atender bem ao público que o paga. Se vamos ao dentista e ele nos dá um chá de cadeira, sempre temos a opção de trocar de dentista; mas ninguém tem a opção de trocar de juiz.

A Laura ficou igualmente indignada com o fato de a secretária se referir continuamente à juíza ausente como "doutora": "A doutora saiu ontem daqui às 11 da noite", "A doutora está a caminho", e assim por diante. Ela, que é doutora e professora de doutores, vira uma arara quando alguém que não é médico se faz chamar de "doutor" (ou, pior ainda, assina "professor doutor").

Eu, que nem o segundo grau terminei, acho apenas ridículo. Laura, porém, observa que isso é feito para intimidar os demais:

-- Imagina um taxista, uma vendedora de loja, uma doméstica... As pessoas humildes se sentem invariavelmente diminuídas diante de "doutores".

Tem toda a razão, claro. Eu é que não havia pensado nisso.

Várias outras coisas me chamaram a atenção; vou voltar a isso posteriormente.

Adiós, papel!


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O autor da reportagem é Rio Palof, um nome que fez História no jornalismo.