21.12.06

Quero uma gondola!




Chove, que alívio!




Estou morrendo de calor!




Daqui não saio, daqui ninguém me tira




(A gente improvisa!)




Exercício: pular corda





Seus problemas acabaram!

Uma lista para quem ainda tem compras de Natal a fazer


Faltam quatro dias para o Natal -- e, no meu caso, uma pilha de presentes. Ainda não providenciei nada, estou em estado de Máxima Ansiedade Natalina e, provavelmente, vou terminar as compras em Friburgo, no sábado à tarde, sob protestos da minha Mãe e da minha irmã, duas criaturas altamente eficientes e organizadas que não entendem como alguém deixa para a última hora algo que sabe que vai se repetir, ano após ano, na mesmíssima data.

Para facilitar a vida dos meus colegas de imprevidência, fiz um apanhado dos melhores livros que li ultimamente. A lista é tão eclética em preço quanto em temática, adapta-se a diversos tipos de presenteados e permite que se matem vários coelhos numa livraria só. Em última instância, se alguém não gostar do que ganhar, vocês sempre podem jogar a culpa em mim: "Mas a Cora disse que era ótimo!" Assumo a responsabilidade: a safra que aí está é das melhores em muito tempo.

Um dos meus clássicos favoritos, A cavalaria vermelha, de Isaac Bábel, ganhou nova tradução, edição esmerada da CosacNaify (chega a ser pleonasmo dizer isso) e o título do original russo, O exército de cavalaria; outro, O quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, foi, finalmente, traduzido para o brasileiro. Agrupados pela Ediouro num estojinho caprichado, esses quatro volumes do Quarteto foram uma leitura tão marcante para mim que cheguei a dar os nomes dos personagens Balthazar e Mountolive a dois gatos da minha estima.

A distância entre nós, de Thrity Umrigar, é, ao contrário, um romance recente. Publicado pela Nova Fronteira, tem sido muito badalado, coisa que em geral atiça a minha desconfiança, quando não antipatia; mas dou o braço a torcer. A história de duas mulheres indianas, separadas pela classe social mas iguais na desesperança e na impotência, é perturbadora e fascinante.

Outra história indiana, esta real, é Paixão Índia, de Javier Moro, em edição recheada de fotos da Planeta. Em princípios do século passado, o marajá de Kapurthala apaixonou-se por uma beldade espanhola chamada Anita Delgado. O romance entre os dois, fantástico em si mesmo, abre, ainda, uma ampla janela para o mundo extravagante dos marajás.

Esta improvável princesa, que poderia ter saído de um conto de fadas, teve, apesar de eventuais contrariedades, uma sorte muito diferente da jovem Maria Leopoldina de Habsburgo, arquiduquesa do império austríaco que, um dia, foi dada em casamento ao príncipe de um exótico país ao Sul do Equador. Nas cartas escritas ao longo da curta vida de 29 anos, acompanhamos a transformação da menina em mulher, e da criança cheia de esperanças num coração amargurado, destruído pela distância da família, pela infidelidade e pelo descaso do marido e por toda sorte de vissiscitudes. D. Leopoldina -- Cartas de uma imperatriz, da Estação Liberdade, relato em primeira mão da vida dos ricos & famosos do século XIX, é um livro primorosamente editado, indispensável para quem se interessa pela História do Brasil.

O mundo, aliás, não era um lugar amável naqueles tempos. Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro, de Pascoe Grenfell Hill, pequeno livro da série Baú de Histórias, da José Olympio, é, como se pode imaginar, um relato horripilante. Não é bem escrito, mas é chocante, na antiga acepção do termo; e surpreende por revelar que, das muitas misérias que podiam suceder aos desgraçados capturados como escravos, uma das piores era cair nas mãos de "libertadores" ingleses.

Muito triste para o Natal? Não seja por isso: Os botões de Napoleão, de Penny Le Couteur e Jay Burreeson, da Jorge Zahar, é a deliciosa história de 17 moléculas que mudaram a História. O título não ajuda, eu sei, mas garanto -- este é o presente perfeito para aquelas almas inquietas que se interessam por tudo.

Por que sou gorda, mamãe?, de Cíntia Moscovich, publicado pela Record, é outro livro que, a meu ver, não tem um título à altura. Alternando amargura e ironia, misto de acerto de contas com Deus e a mãe judia (que, afinal, são mais ou menos a mesma entidade), ele tem, como fio condutor, a ingrata luta contra a balança que tantos e tantas de nós conhecemos; mas é,antes e acima de tudo, um relato admiravelmente bem escrito sobre a condição humana.

Outro escritor maravilhoso, que também não tem medo de cutucar publicamente micos e inseguranças, é David Sedaris. De veludo cotelê e jeans, da Companhia das Letras, é um delirante conjunto de crônicas autobiográficas: muito, muito bom!

Finalmente, uma dica de cunho prático: Organize-se, de Donna Smallin, da Editora Gente, auto-ajuda básica muito sensata, que estou lendo aos poucos. Pode ser que, se eu obedecer direitinho às instruções da autora, no ano que vem consiga terminar as compras de Natal antes de julho.

Não vai ser o máximo?!


(O Globo, Segundo Caderno, 21.12.2006)

19.12.06

No Copa




O brinquedo




Vale a pena baixar de novo

Escrevi isso em algum momento do ano passado. Não sei o que os filhosdaputa ladrões aprontavam na ocasião, mas achei que valia a pena republicar o post.

Com uma ressalva: não sendo tão educada quanto o Eugenio, recomendo -- vivamente! -- o uso de palavras de baixo calão.

Peço apenas que poupem os animais. Vacas, burros, ratos, cascavéis e cachorros não mnerecem ser comparados a esses filhosdaputa biltres.
Enquanto muita gente cruza os braços e diz que não adianta nada reclamar porque este país é assim mesmo, meu amigo Eugenio Vilar foi à luta, e criou um utilíssimo programa que define como "coisa de programador se expressando politicamente com suas próprias armas".

Indignado com as barbaridades que saem da Câmara dos Deputados, Eugênio desenvolveu um pequeno utilitário de opinião pública que facilita enormemente a tarefa de enviar mensagens aos deputados.

Com ele, você não precisa mais consultar o site da Câmara ou sequer abrir seu programa de email para mandar o recado para Brasília!

O Galera -- assim se chama o inteligente programa -- funciona com dois formulários: num, que só precisa ser configurado uma vez, entram os seus dados, já que ele não manda mensagens anônimas; no outro, há campos para assunto e conteúdo da mensagem.

O email pode ser enviado a todos os parlamentares, ou àqueles escolhidos por partido, estado ou sexo (o mulherio é o único lobby reconhecido).

Em seguida, basta clicar no íconezinho de envelope, e logo cada deputado receberá uma carta individual, sem cópia para os demais. O programa usa a planilha distribuída pela própria Câmara dos Deputados, e assim está sempre atualizado.

Como utilitário bem educado que é, o Galera inclui em cada email a saudação 'Exmo. Senhor Deputado' ou 'Exma. Senhora Deputada', seguida do nome de guerra do parlamentar, e termina sempre com 'Atenciosamente', mais nome e endereço completo do remetente.

Eugênio Vilar, perfeito cavalheiro, desaconselha o uso de expressões de baixo calão. Está distribuindo o programa gratuitamente, desde que os usuários se comprometam a não compactuar com qualquer pedido de aumento de verbas de gabinete, atos de nepotismo explícito e por aí vai.

Este autêntico must da vida cidadã pode ser encontrado aqui.

Façam bom uso dele!

Lucas e o presente de Natal