24.12.06

Nada de cavalo branco,
a onda agora é salvar com viatura!

Aconteceu com a minha sobrinha Manoela, de 17 anos. Pedi que escrevesse; depois me digam se não é um típico conto de Natal carioca...
"Sempre me disseram que não era prudente sacar dinheiro depois de um certo horário. Sempre me disseram que os bandidos nunca têm, de fato, cara de bandido. Sempre me disseram muitas coisas sobre como me manter em segurança no Rio de Janeiro: bolsas nunca devem ser levadas nas costas, sentar em ônibus só se for no corredor e todos os cartões de crédito na bolsa? Nunca!

Não é que eu não tenha ouvido os muitos avisos sobre a violência crescente na cidade, mas nunca se acredita que vai acontecer com a gente. Ou simplesmente não se pensa muito no assunto antes de ser imprudente. O fato é que, apesar de tudo, fui depois de anoitecer ao Banco do Brasil tirar dinheiro. Não era tão tarde. Ou pelo menos eu pensei isso. Ao entrar no banco um homem segurou a porta para que eu passasse. Não era nem perto o tipo de pessoa de quem você desconfia. Loirinho, nos seus trinta e poucos anos, bonito e bem vestido.

Assim que passei pela porta ele segurou minha cintura e pôs uma arma entre nós. "Vamo tirar dinheiro comigo baby?". O "baby" me deixou especialmente irritada. Não havia nada que eu pudesse fazer. Pensei em repetir a senha três vezes errado, mas vai que o cara se descontrola? Melhor obedecer e deixar ele contente, afinal, ele tinha uma arma apontada para as minhas costas.

Depois de entregar o celular, que ele pediu, começamos verificando o saldo da conta, eu tremendo dos pés à cabeça, tanto que quase não conseguia digitar a senha. Ele me ditando as instruções ao pé do ouvido, aparentemente tranqüilo. Cada segundo se estendendo. Estava tentando me manter atenta às suas características físicas, naquela ilusão de que depois a gente vai à polícia e faz um retrato falado. Acho que só em filme americano mesmo.

Quando chegamos à tela que me perguntava o valor que eu desejava sacar imaginei que não havia mais jeito, eu ia mesmo perder o dinheiro, e não ia ser pouco. Foi aí que a minha história começou a parecer coisa de filme, um bom filme de aventura que peca talvez por ser um pouco surreal demais.

"A mocinha não quer te dar o dinheiro, senhor".

Ouvi isso antes de ver o que estava acontecendo. Não queria me mexer, não queria fazer nada que pudesse ser mal interpretado pelo assaltante. Havia um homem com uma arma apontada para a cabeça do infeliz atrás de mim. "Você quer tirar esse dinheiro, meu bem?". Ele teve que repetir a pergunta e ainda assim não obteve resposta, o nervosismo me impedia de falar qualquer coisa.

Apertar "cancelar", explicar que era policial e mostrar o distintivo não foram tão efetivos para me acalmar como se poderia imaginar. Eu continuava tremendo e sem fala. Foi só depois que a arma do assaltante estava no chão e suas mãos algemadas que eu comecei, aos poucos, a retomar meus sentidos.

Estava excessivamente nervosa, e esqueci de perguntar ao meu cavaleiro sem cavalo branco qual era seu nome e todas essas coisas que tornariam uma homenagem mais fácil. O que eu sei é que ele esperou que eu tirasse dinheiro, me levou em casa e disse que era simplesmente o trabalho dele quando eu agradeci muitas vezes por tudo.

"Não é todo mundo que faz simplesmente o trabalho que se propôs a fazer, obrigada".

"Tem que começar em algum lugar", ele disse.

E tem mesmo. A gente tem que começar a acreditar que esse país está, sim, indo para frente. Temos que dar mais atenção as histórias bonitas. Temos que ter orgulho de ter nascido aqui.

A minha aventura mostra, é claro, um aspecto ruim desse lugar, que é a violência, mas mostra também que existe gente boa tentando fazer o certo. Tentando dar o máximo de si para fazer com que as coisas melhorem, tentando mudar o que não as agrada.

Tem que começar aqui, na vontade de mudar.

Eu voltei a acreditar na polícia do Brasil.

Estava há muito tempo com uma impressão de que todo policial é corrupto. Não é verdade. Um ladrão foi preso na quinta feira passada para nos provar isso.

Feliz Natal para vocês.

Eu termino esse ano com esperanças renovadas e começo o próximo ainda mais patriota do que já era." (Manoela Rónai Porto)

Com Nega






Ah, em tempo: a foto foi feita pela Júlia!

Bom dia!




23.12.06

Não ficou bonitinha?




Nós também temos um anão de jardim!




Castanhas fracassadas




...




A casa vista do jardim




Castanhas!




Os castanheiros




Thiago e os peludos




O sítio




Nega




Há 19 peixes novos no laguinho




Para a Leila, com carinho




Chegamos!

Depois de enfrentar uma estrada ligeiramente engarrafada, chegamos sãs e salvas ao sítio, que está LINDO -- vocês vão ver amanhã.

Mamãe e os cachorros nos receberam com uma festa e tanto!

Agora há um pequeno banquete na mesa.

Com licença que eu vou jantar... :-)

22.12.06


BOAS FESTAS!

Viajo logo mais pro sítio, para passar o Natal com a Laura, as meninas e a Sábia Coruja das Highlands.

O dia promete ser tumultuado, e tenho mil coisas para fazer; com certeza vou postar algumas fotinhas, mas não sei se vai dar para me despedir direito antes de viajar, assim como não sei se vai dar pra me conectar direito de lá.

Ficam aqui, então, ainda que um tiquinho adiantados, os meus votos de Boas Festas -- para os que já encontrei, os que conheço dos comentários, os que não comentam mas aparecem todos os dias, as visitas eventuais.

A presença de vocês por aqui é o meu melhor presente ao longo do ano. Acreditem: este blog não teria graça nenhuma se não fosse tão bem frequentado.

Desejo a todos, do fundo do coração, um ótimo Natal, cheio de paz e carinho.

Oração de Natal

Esta prece, que funciona lindamente como um resumo do ano, foi escrita pelo arquiteto Hugo Hamann, sem maiores pretensões. Ele a enviou para alguns amigos, que enviaram para outros amigos, que por sua vez...

Enfim: caiu na rede, onde circula, por enquanto, como texto anônimo. O próprio Hamann já a recebeu em diversas variantes na sua mailbox.

Pelo que a gente sabe da web, já já ganha a assinatura do Jabor ou do Veríssimo...
Pelo projeto político do deputado Clodovil
Pelo "espetáculo do crescimento" que até hoje ninguém viu
Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil

Senhor, tende piedade de nós

Pelo jeitinho brejeiro da nossa juíza
Pelo perigo constante quando Lula improvisa
Pelas toneladas de botox da Dona Marisa

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela casa de praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural

Senhor, tende piedade de nós

Pelo nosso Delúbio e Vandomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis

Senhor, tende piedade de nós

Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha

Senhor, tende piedade de nós

Pela importante missão do astronauta brasileiro
Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro
Pelo Freud que "não explica" a origem do dinheiro

Senhor, tende piedade de nós

Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do "nosso guia"
Pela desculpa de que "o presidente não sabia"

Senhor, tende piedade de nós

Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar

Senhor, tende piedade de nós

Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel

Senhor, tende piedade de nós

Pelas opiniões sensatas do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na praia

Senhor, tende piedade de nós

Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam
Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan
Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"

Senhor, tende piedade de nós

Pela Heloisa Helena nua em pêlo
Pela Jandira Feghali e seu cabelo
Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo

Senhor, tende piedade de nós

Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho

Senhor, tende piedade de nós

Pela volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"

Senhor, tende piedade de nós

Pela máfia dos vampiros e sanguessugas
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga

Senhor, tende piedade de nós

Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança

Senhor, tende piedade de nós

Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta

Senhor, tende piedade de nós

Pela invejável cultura da Adriana Galisteu
Pelo "picolé de xuxu" que esquentou e derreteu
Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna desculpa da "herança maldita"
Pela fama do "chefe" abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita

Senhor, tende piedade de nós

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana

Senhor, tende piedade de nós

Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha

Senhor, tende piedade de nós

Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela

Senhor, tende piedade de nós

Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy

Senhor, tende piedade de nós

Por fim
Para que possamos festejar juntos os próximos natais

Senhor, dai-nos a Paz.

Outro grande sucesso da temporada