13.1.04



Inventário do caos

A questão das máquinas aqui em casa está tão escalafobética que, a essa altura, até eu já me perdi e não sei mais o que há de errado com quem.

Recapitulando:

  • Eu tinha duas máquinas, um Pentium IV e um Pentium III, da Bia; no Pentium IV havia um HD novinho de 120Gb e um mais antigo com 40Gb; no Pentium III, um de 34Gb e outro de 12Gb.

  • O Pentium IV estava OK mas, depois da instalação do XP, lento demais com apenas 256Mb de RAM. O Pentium III estava com um problema de fonte que volta e meia se manifestava não permitindo a ligação da máquina; a gente tinha que tentar várias vezes até ela pegar no tranco.

  • Resolvi instalar mais memória no Pentium IV. O Abel olhou a máquina, disse que a placa não estava lá aquelas maravilhas e que a memória era um daqueles tipos que aparecem de vez em quando para sumir em seguida. Mais jogo seria mudar logo a placa mãe, indo para um processador mais rápido e memórias novas; e passar este Pentium IV para a máquina da Bia, no lugar do Pentium III. Com o Pentium III, eu poderia montar um computador básico para a mamãe acessar a internet, ver o blog e o fotolog, trocar email com os netos, etc.

  • Até a semana passada, as coisas estavam assim: o Pentium IV funcionava. O Pentium III, na sua nova encarnação de computador básico, estava no chão, num gabinete menor, em tese OK, esperando apenas ser configurado; a seu lado, um gabinete com a nova placa, novo processador e novas memórias, esperando apenas que passasse aqui em casa o Carlos Eduardo, amigo do Abel, para transferir para ela o HD, a placa gráfica e o drive de DVD do Pentium IV. Os meus dados seriam reunidos no HD de 120Gb, e o de 40Gb ficaria sozinho no Pentium IV, compondo a máquina da Bia.

  • Na segunda-feira passada, o disco de 120Gb começou a fazer barulhos estranhos. Na quarta, antes que o Carlos Eduardo chegasse, ele subiu no telhado: deu uma travada geral e não foi mais reconhecido.

  • O Carlos Eduardo retirou o disco. Eu poderia ter continuado a trabalhar com o Pentium IV e seu HD de 40Gb se, nessa de abre máquina, fecha máquina, a fonte (e/ou placa) do Pentium IV também não tivesse ido pro espaço. Essa era a tal placa a respeito da qual o Abel já havia me alertado.

  • Tentamos pôr o micro básico -- o velho Pentium III, que era a máquina da Bia e seria a máquina da mamãe -- no ar. Nada feito. Lá voltou ela para o estaleiro de novo.

  • Tudo estaria mais ou menos OK e eu poderia estar trabalhando mais ou menos feliz, se o HD de 120Gb estivesse bem, e finalmente instalado na nova máquina. Mas a loja que o vendeu recusa-se a trocá-lo, alegando que, pelos testes lá deles, este HD está funcionando. Não está, mas vão ficar afirmando isso por mais um mês, suponho, até que vença a garantia dessa bomba.

  • Hoje, segunda, o Carlos Eduardo trouxe a máquina básica, o velho Pentium III, para quebrar um galho. Por algum motivo misterioso, a máquina não topou instalar o XP (que já rodava nela antes) e, assim, o Carlos teve que instalar um Windows 98 (temporário). O problema com ela havia sido, aparentemente, de memória. Com dois módulos de 128 dele, de teste, tudo estava OK -- até ele sair daqui.

  • Fui jantar, voltei e vim trabalhar um pouco; e nisso estava quando a máquina desligou, de livre e espontânea vontade, e não mais voltou ao ar.

  • Neste momento, escrevo do ThinkPad 560Z, que ora liga, ora não liga; que está sofrendo dos nervos e só aceita ser carregado quando está desligado. Temo que a qualquer momento dê seu último suspiro e saia do ar de vez.

    Em suma:

  • Pentium IV = Placa (e/ou fonte) ferrada.

  • Pentium III = Tudo ferrado.

  • Notebook = Tudo prestes a se ferrar.

    Como criatura tranqüila e fatalista que sou, estou aceitando tudo isso como uma prova de paciência.

    Só espero que o banco tenha a mesma visão das coisas quando essa brincadeira chegar ao fim.
  • 12.1.04



    Mulheres apaixonadas


    Quem diria: há um caso de amor entre as mulheres e os computadores, que até outro dia eram brinquedinhos essencialmente masculinos. Vejam só: a agência Conte com Elas, das publicitárias Maria Célia Salgado e Helena Lopes, que estuda o comportamento do público feminino, encomendou uma pesquisa sobre o universo delas, em que foram entrevistadas 600 cariocas.

    Uma das descobertas mais interessantes foi que o curso que elas mais têm vontade de fazer é o de informática. Disparado! Para 32% das entrevistadas, ele é o must do momento. O inglês, num modestíssimo segundo lugar, conta com a preferência de apenas 7,6% das mulheres. As demais 60,4% estão interessadas num mundo pulverizado de assuntos: culinária (4,5%), cabeleireiro (3,8%), corte e costura (2,9%), pós-graduação (2%), decoração (1%), fotografia (0,9%), espanhol (0,7%)... É. Definitivamente, foi-se o tempo em que pintar porcelana era o máximo da aspiração extra-curricular feminina.

    * * *


    A preferência pela informática faz todo o sentido. Primeiro, há uma noção muito clara, hoje, de que saber usar computador é fundamental para progredir no trabalho. Depois, mesmo para as poucas mulheres que não trabalham, ele é importante no relacionamento com os filhos. Finalmente, há tempos as máquinas deixaram de ser caixas pretas exclusivas para iniciados e viraram fontes de informação, lazer e comunicação.

    Boa parte do interesse pode ser atribuída à internet. Não estar conectado hoje equivale a não ter televisão há algumas décadas; a percepção de que a rede é uma poderosa aliada do conhecimento e do entretenimento já é, felizmente, geral.

    A cada dia ouço mais e mais histórias de mães e avós que “não sabem nem programar o videocassete” e que, de repente, descobriram as alegrias da vida online. Compreendo perfeitamente. Eu também não tenho nenhuma paciência com o videocassete, mas não troco minha banda larga por nada...

    Trrrim... trrrim... zapt!

    Enquanto parte dos 45,5 milhões de usuários de telefones celulares no Brasil nunca chegou a ter telefone fixo (40 milhões de aparelhos), nos Estados Unidos muita gente está desistindo das linhas fixas, e adotando o celular como única alternativa da casa. 3.1% dos lares em que as duas tecnologias conviviam cortaram o fio de vez no ano passado. Motivo? Uma conta a menos para pagar, e custos bem mais razoáveis para as chamadas de longa distância: em 2003, 43% de todas as ligações interurbanas feitas no país foram proveniente de telefones móveis — e esse percentual tende a crescer. A informação é de pesquisa do Yankee Group.

    Inferno zodiacal

    Passei uma semana horrível, às voltas com uma epidemia de problemas nas máquinas. Um HD de 120Gb da Seagate morreu com menos de três meses de uso (!), uma fonte — já velhinha — subiu no telhado, um drive se recusou a ler CDs e até uma placa-mãe resolveu se portar como placa-madrasta.

    Enquanto isso, o notebook velho de guerra se cansou de vez das misérias do mundo e desistiu de tudo. Pode parecer engraçado no papel, mas garanto que, na vida virtual real, não tem nada de divertido.

    No momento, me sinto em suspenso, tentando juntar os cacos hi-tech para poder começar o ano direito.

    A RIAA parte para a luta (quase) armada

    Depois de protagonizar centenas de batalhas judiciais em torno do download de músicas, a RIAA (Recording Industry Association of America) resolveu partir para a luta (quase) armada. No final do ano passado, espalhou esquadrões de ex-policiais vestidos a caráter para caçar piratas nas ruas da Califórnia. Usando uniformes em que as siglas da polícia de verdade são substituídas pela abreviatura da associação, os rapas da RIAA têm tido extraordinário sucesso em fichar vendedores de CDs piratas e em fazê-los entregar a mercadoria “voluntariamente”.

    Pudera não: imaginem que resistência podem opor àqueles armários com cara de polícia, jeito de polícia e roupa de polícia os mexicaninhos que habitualmente vendem a muamba em Los Angeles...

    Embora seja questionável a criação de uma polícia paralela por uma associação civil, o problema é do Schwarzenegger. Ainda que a forma escolhida para fazê-lo seja no mínimo esquisita, dessa vez, pelo menos, a RIAA está indo em cima de quem deve, ou seja: do povo que lucra com pirataria, faturando em cima do trabalho alheio. Antes isso do que correr atrás de estudantes ou de fazer pressão sobre provedores de acesso.

    Até hoje, passado tanto tempo, continuo achando que a RIAA fez a maior besteira da história da internet ao fechar o Napster. Em vez de se unir ao sistema então incipiente, em que teria tido uma das mais fabulosas ferramentas de marketing de todos os tempos, fez um escarcéu, pôs o Napster nas manchetes, chamou a atenção do mundo inteiro para as péssimas relações entre artistas e gravadoras e para o MP3 (até então um barato de iniciados), recusou acordos, gastou uma fortuna incalculável em custos judiciais e, finalmente, dispersou a turma, até então reunida num único ponto, por dezenas de sistemas P2P espalhados pelo mundo.

    Haja talento.


    (O Globo, Info etc., 12.1.2004)

    11.1.04





    Saudades

    O notebookzinho que estou usando, infelizmente, está mais pra lá que pra cá. Não dá mais para usar. Nele, porém, achei umas fotos de 2002, da última temporada que passei em São Francisco com Lynn, um dos meus amigos mais queridos.

    Apenas dois anos, e a vida já mudou tanto...

    A duras penas, subi várias desses fotos para o Fotolog.

    9.1.04



    Bush em 30 segundos

    Paulinho acaba de me mandar: diz que é imperdível mas, infelizmente, na máquina do jornal, da qual posto essas mal traçadas, não tenho som; e, em casa, não tenho máquina!

    O meu sistema doméstico está inteiramente avariado, e só volta ao ar na semana que vem... :-(


    Quem espera sempre alcança

    Depois de muito suar a camisa e dar murro em ponta de faca, o sensacional Homem Chavão viu seus esforços reconhecidos: agora, para bem de todos e felicidade geral da nação, tem seu próprio domínio, onde promete envidar esforços para que a sinergia com o leitor seja ainda melhor em 2004 do que foi em 2003. Não deixem de conferir, aqui!

    8.1.04



    Mais uma da capivara

    Meu colega Bruno foi passear de bicicleta e...
    "Tediosa manhã de domingo. E o dia ainda por cima lindo. O sol como se estivesse ali para lembrar o absurdo de ficar em casa olhando o tempo passar. Um disco, a TV, um livro, o jornal, o que mais? Um telefonema para avisar que a praia está boa. "Vamo? De repente a gente nem desce pra areia. Toma uma água de côco. No quiosque do pão de queijo. Leva o celular."

    Será?, pergunta a si mesmo, cabeça inchada da cerveja da véspera, nada a fazer a não ser nada. Um passeio de bicicleta não pode fazer mal. Só pode fazer bem, o ciclista se convence, suspirando e admitindo enfrentar uma corrida de obstáculos na pista da Lagoa, entre triciclos, patins, patinetes, uma frota diversa. Pouco tempo depois, a tranqüilidade com que pedalara pelas ruas internas dá lugar ao ritmo irregular na calçada movimentada à beira do espelho d`água.

    O ciclista prefere não olhar quem passa, ou pelo menos finge para si mesmo que não vê. Óculos escuros, boné, disfarça o humor instável e segue em frente, prendendo a respiração antes de atravessar o trecho do parque, de onde exala o cheiro acre da comida dos quiosques onde as pessoas falam, comem, bebem, observam e pedem ao tempo para passar.

    O ciclista prefere achar que passa pelo tempo. Alcança o Jardim de Alá e segue para a praia, chegando a uma ciclovia exclusiva, onde a frota é menos diversa. Só dá bicicleta e gente que insiste em correr ali, embora toda uma pista da rua esteja fechada aos carros. Será mais fácil para esses corredores conviver com rodas do que com pernas desaparelhadas como as deles? O ciclista de aborrece. Maldição dominical.

    No chegada ao quiosque, os amigos, merecido prêmio para a corrida de obstáculos. Meia hora de conversa fiada, água de côco, "vamo pra areia?"... o ciclista reflete um pouco e declina. É preciso achar um lugar para estacionar a bicicleta (impossível, tudo tomado), a areia vai estar quente, a água do mar suja, as pessoas suando... ele pede desculpas. Pensa na sombra, na rede, no sono e se despede.

    Na volta, pensa que até valeu a pena sair para ver o dia, encontrar os amigos, mas não tem muita certeza. Enquanto pedala, vê meia dúzia de pessoas paradas diante da Lagoa observando alguma coisa. Mal contém o espanto e freia bruscamente ao olhar para o lado e dar de cara com um quadrúpede absolutamente bizarro e inusitado naquela paisagem. Uma capivara.

    Capivara? É, responde alguém já no tom de quem se acostumara com a visão daquele verdadeiro apocalipse animal. Tamanho de porco, mas cara de rato. Não. Cara de anta. Mordiscando mato à beira da Lagoa e absurdamente alheio à platéia. O ciclista ri. De onde veio? Os palpites pululam. Talvez por um rio que desce encanado da floresta. Será que o bicho entrou pelo cano? Ou será que o prefeito do factóide achou por bem homenagear os políticos e soltar uma capivara na Lagoa?
    O ciclista observa mais alguns minutos o animal e segue seu rumo, o humor ridiculamente recuperado pela presença daquela criatura, admite, rindo de si mesmo. Enquanto pedala, planeja assim que chegar em casa telefonar para contar a novidade. Depois, sim, finalmente descansar e sonhar com um monte de capivaras passeando no calçadão." (Bruno Casotti)





    Reciprocidade é bom e a gente gosta, mas...


    O ano de 2004 começou com uma ótima surpresa: a intempestiva decisão do juiz Julier Sebastião da Silva de mandar a Polícia Federal fichar todos os americanos que chegam ao país. Tá. Eu sei que a maioria dos que ficam na fila tem pouco ou nada a ver com a xenofobia paranóica do governo Bush — mas que me deu uma alegria perversa ver americanos sendo, uma vez na vida!, oficialmente chateados por autoridades brasileiras, lá isso deu.

    Como todo mundo, sei que a medida tem mais a ver com retaliação do que com reciprocidade; que é uma tremenda infantilidade tirar retratos e digitais de velhinhas do Wisconsin; e que estamos, como tão bem escreveu o Luiz Garcia na terça-feira, agindo como uma capivara que ruge.

    Mas a questão é que, como tanta gente, eu também já estava por aqui com a indiferença do nosso governo perante a arrogância e a truculência com que os agentes de imigração tratam, rotineiramente, os brasileiros. Ver uma autoridade do meu país tomar uma atitude em relação ao assunto — por destrambelhada que tenha sido — foi, sim, uma grande felicidade.

    * * *


    Isto, no primeiro momento. Passada a onda de euforia patriótica, contudo, a gente pára para pensar. Vi na televisão os turistas sujando os dedos e sendo fotografados, e fiquei perturbada. Não é assim que se deve receber quem vem nos visitar! Fiquei com pena deles e com um certo constrangimento por nós, pobres capivaras tão mal equipadas. Que eles demonstrem total desprezo pelas diferenças culturais e sociopolíticas do planeta é problema deles; que a gente tente superá-los em ignorância é problema nosso.

    Bem ou mal, é preciso reconhecer que eles têm razões de sobra para andarem histéricos. Se vêm ou não buscando mais sarna para se coçar são outros quinhentos.

    Por outro lado, por mais compreensão e paciência que se tenha, é impossível aceitar, em paz, a grosseira hipocrisia de um sistema de segurança que só considera suspeitos os cidadãos de países do Terceiro Mundo.

    Aí é que a coisa pega.

    Ao exigir reciprocidade, algo perfeitamente legal e aceitável, o juiz agiu como bom brasileiro indignado. Nós, demais brasileiros indignados, aplaudimos seu gesto. Mas imagino que nem uma coisa nem outra teriam acontecido se, ao longo dos anos em que os Estados Unidos vêm espezinhando e deportando brasileiros, nosso governo tivesse se manifestado com suficiente energia.

    É óbvio que os americanos dariam de ombros e continuariam agindo como sempre agiram; mas pelo menos nós, cidadãos peripatéticos, não nos sentiríamos tão desamparados. Espero estar errada, mas em nenhuma das inúmeras histórias de maus tratos infligidos a brasileiros no exterior me lembro de ter ouvido do Itamaraty mais do que expressões de irrelevante formalidade; não me recordo de qualquer chanceler protestando, de qualquer sinal de real indignação em Brasília.

    Muito antes pelo contrário. Ao tirar obedientemente os sapatos nos aeroportos de três cidades americanas, em janeiro de 2002, o então ministro Celso Lafer deu o primeiro passo, descalço, para que, em janeiro de 2004, um juiz do Mato Grosso tomasse a originalíssima decisão de fazer política externa pelas próprias mãos.

    * * *


    O diabo é que as relações entre os impérios e suas colônias são sempre muito complicadas. Os romanos pintaram, bordaram e foram muito felizes até o dia em Átila foi a Roma exigir reciprocidade.

    * * *


    “Acupuntura urbana”, de Jaime Lerner, é um livrinho pequeno e despretensioso, pelo qual você provavelmente passará batido na livraria se não estiver atento às novidades. Meu conselho é: fique atento! O livro é uma jóia, inteligente, engraçado, comovente. Uma delícia de ler, sobretudo para quem vive intensamente a vida urbana.

    A premissa básica é que, a exemplo das pessoas, as cidades também podem recuperar a saúde por meio de toques em pontos doentes. Assim que as áreas em torno desses pontos ganham energia, as cidades sentem que algo de bom aconteceu e tomam alento, desenvolvendo reações positivas em cadeia.

    É um grande achado, daqueles capazes de mudar a nossa percepção das coisas: agora ando pelo Rio atenta a pontos de acupuntura, daqueles que deram certo — como os quiosques, que revitalizaram a Lagoa — aos que precisam de atenção urgente.

    Usando essa idéia como fio condutor, Lerner passeia pelos lugares do seu coração, fazendo de “Acupuntura urbana” um curioso híbrido de livro de viagem, tratado de urbanismo e declaração de amor.

    * * *


    Parece incrível, mas essa coluna faz um ano hoje! Está sendo bom para vocês também?

    (O Globo, Segundo Caderno, 8.1.2004)

    7.1.04



    GATOS!

    Uma das melhores coleções de links felinos que já vi, reparem só.


    Papo de PDA e figurinha

    Na segunda quinta-feira de cada mês, às 20hs, vai ao ar, no auditório do Senac Barra, o PDA Rio Fórum. Essa semana, o tema do evento (que reúne Palms e PDAs em geral e seus admiradores e usuários) é “PDA e câmeras digitais”, e quem faz a palestra é a blogueira que vos tecla.

    O Senac Barra fica no Marapendi Shopping, na Av. das Américas 3.959, cobertura. A entrada é grátis. Maiores informações: 3328-0380.




    Mãos para o Irã

    Depois de um Natal cheio de gentilezas e de desejo de comunicação, o Fotolog mergulhou, de cabeça, numa linda proposta do fotógrafo Frederico Mendes. Um dos vários profissionais encantados com o jeitinho de hora de recreio da comunidade, ele sugeriu que todos estendessem uma simbólica mão às vítimas do terremoto iraniano.

    Resultado: em menos de 48 horas, mãos pipocavam por toda a parte, num empolgante show de criatividade vindo de todas as partes do mundo. Minha amiga Karin Faulkner, por exemplo, que mora em Xiamen, na China, e não tem câmera digital, não se deu por vencida. Foi para o scanner, estendeu a mão junto com a pena de um pássaro e... voilá, criou uma imagem linda e poderosa.

    Convidei o próprio Frederico para fazer a seleção das fotos que aparecem aqui (quer dizer, lá no jornal: aqui capturei uma seleção do Broccoli). Como no Natal, a dificuldade de escolha foi enorme: o espaço do jornal é sempre pequeno para dar sequer uma amostra do mundo que existe na rede.

    (O Globo, Info etc., 5.1.2003)

    6.1.04



    BarlowBlog!







    Dúvida: alguém sabe que pássaro é esse? Volta e meio encontro alguns na Lagoa, mas não sei quem são.

    A outra foto está aí só porque achei bonita, mesmo: foi feita num dos últimos dias de sol do ano passado, no mesmo fim de semana em que topei com a manada de carros na Vieira Souto:

    5.1.04



    FLOG!





    Não sei até que ponto pode servir de exemplo da qualidade que se consegue com impressão, porque só mesmo vendo na mão; de qualquer forma, essa foto digital foi impressa numa Canon CP300. Escaneei a cópia impressa e, tal como veio, trouxe pra cá, apenas diminuindo o tamanho. Vejam o grau de detalhe no tapete, as variações do vidro...




    Você tem uma digital. E agora?


    As câmeras fotográficas digitais foram o presente mais cobiçado deste Natal. Se você teve prestígio suficiente com Papai Noel para ganhar uma delas, prepare-se: você está prestes a embarcar numa grande aventura. E, por estranha que possa lhe parecer a máquina sem filme, dentro de algum tempo você estará se perguntando como alguém ainda consegue usar câmeras que não mostram imediatamente o resultado do clique, não permitem que se apaguem as fotos mal sucedidas e precisam de rolinhos tão caros para registrar imagens.

    Mas o melhor de tudo é a versatilidade das fotos digitais. Você pode gravá-las em CDs, mostrá-las na televisão para a família, enviá-las por email, postá-las na internet para que os amigos tenham acesso aos seus álbuns virtuais e, até, fazer cópias em papel iguaizinhas às das fotos que nasceram em negativo. Com um detalhe: tudo isso tanto pode ser feito em casa, por você mesmo, quanto nas lojas especializadas que começam a aparecer, como a pioneira Data Pixcell, onde há soluções para todo e qualquer problema digital. Para não falar nas boas e tradicionais casas do ramo, como a De Plá ou a All Photo, por exemplo, que, cada vez mais, se aparelham para atender aos artistas dos pixeis.

    A Grande Aventura Digital, porém, apenas começa na câmera. É no computador que ela pode, realmente, alçar vôo. Há, basicamente, duas formas de se transferir as fotos: através de um cabinho que vem com a câmera (e que todo mundo vive perdendo) e através de pequenos leitores de cartão, que funcionam como drives de disquete e se conectam ao PC via USB. A minha opção favorita é o leitor de múltiplos formatos. Como uso diferentes câmeras e, conseqüentemente, diferentes tipos de cartão, o leitor quebra um grande galho ao estar sempre à mão, e permanentemente conectado.

    Essa opção não funciona, é claro, com câmeras que usam memória interna para armazenar imagens. Nesse caso, todo o cuidado com o cabinho é pouco; ainda assim, se você perdê-lo ou se esquecer de levá-lo em viagem, vá com a câmera a uma boa loja de fotografia onde, provavelmente, poderão resolver o seu problema, passando as fotos para um CD.

    Câmera e computador: dupla imbatível na caça às boas imagens

    As impressoras fotográficas, espécie cada vez mais popular, conectam-se diretamente às máquinas e/ou vêm com slots para leitura de cartões. A impressão direta é uma boa solução para quem tem pressa ou não quer saber de computador, mas boa parte da diversão se perde com ela. A dobradinha câmera digital/computador não tem rival na obtenção de boas fotos.

    As câmeras e impressoras de boas marcas vêm com excelentes pacotes de software, que permitem ajustar cores e contraste, melhorar definição e fazer mil e uma gracinhas com as fotos, acrescentando texto, molduras, balões de legenda e assim por diante. Para mim, as campeãs nesse quesito são Canon e Kodak, que desenvolveram programas excelentes para acompanhar suas máquinas. Na área das impressoras, então, a Canon é imbatível, oferecendo infindáveis recursos para quem gosta de brincar com fotos — inclusive aquelas miudinhas, feitas com câmeras de celulares.

    Além disso, há, na internet, excelentes programas para tratamento de imagem que podem ser baixados gratuitamente. Não tenha receio de experimentar: uma das grandes vantagens das fotos digitais é que sempre se podem salvar cópias dos originais antes das brincadeiras. Entre os meus programas gratuitos favoritos estão o IrfanView e o XnView. Ambos começaram a vida como simples visualizadores, mas hoje são muito poderosos. O IrfanView é o programinha mais rápido para visualizar, cortar ou converter imagens, embora tenha incontáveis outros recursos; o XnView é um dos melhores catalogadores de imagens que conheço, e um editor sensacional para tarefas simples.

    Clique: A diversão está apenas começando...

    Hoje há tantos bons programas para edição de imagem que a sua escolha é quase torcida: fale num deles, e logo alguém dirá que há outro melhor. O campeão indiscutível da modalidade continua sendo o Photoshop, usado — por justa causa — por todos os profissionais, mas com preço infelizmente proibitivo para o usuário que apenas quer retocar as fotos dos gatos ou da família. A cerca de US$ 1 mil, é mais caro do que a maioria das câmeras digitais do mercado. Uma excelente e divertidíssima alternativa é o Paint Shop Pro 8, da Jasc, lançado no Brasil em português pela Xpress Soft a cerca R$ 500.

    Nem o Photoshop nem o Paint Shop, contudo, resolvem bem a visualização de miniaturas (thumbnails) e a catalogação das fotos. Para isso, além do já citado XnView e dos produtos que vêm com as câmeras, há excelentes alternativas, do clássico ACDSee, que inclui ótimos recursos de tratamento de imagens e custa cerca de R$ 400, em português, ao Picasa, que sai a US$ 29 no website da produtora. O bom é que todos esses programas podem ser baixados da rede para teste gratuito.

    Para a maioria dos usuários de longa data de foto digital, a imagem em papel passa a ser quase desnecessária; mas dificilmente a gente consegue escapar dos pedidos de amigos e familiares, que querem cópias “de verdade”. Para mim, a melhor solução é ou mandar as imagens por email ou em CD para um laboratório, ou usar uma impressora especial para fotos 10 x 15, como as que se vêem acima (isso se refere, claro, ao jornal: as impressoras da página são Canon, Kodak e HP), que freqüentemente produzem resultados tão bons, ou melhores, do que as cópias feitas em lojas a partir de negativos.

    Essas pequenas cópias “made in casa” não são baratas (saem a cerca de R$ 3 cada) mas dão amplo retorno em satisfação. Elas são a prova de que as câmeras digitais já podem substituir, à perfeição, as câmeras convencionais.

    — Muita gente ainda pensa que foto digital só serve para website, mas a mentalidade está mudando — diz Fabio Nagel, um dos autores da linda foto da capa de hoje. Junto com a mulher Jaqueline Joner, ele mantém um dos fotologs mais populares, o Zipper, e conduz o projeto Zipper Estradeiros, dedicado a mostrar as maravilhas do Brasil em multimídia total. — Hoje, fazer foto digital só tem vantagem, o aproveitamento é muito maior. A gente só imprime as fotos de que gosta.

    Da câmera para o mundo

    O grande barato da foto digital está, é claro, na internet — da facilidade de enviá-la por email para os parentes e amigos à possibilidade de se divulgá-la para o mundo em álbuns virtuais ou fotologs.

    Há uma diferença importante entre eles. Os primeiros, gratuitos se estiverem vinculados a serviços de cópias, não têm limite de espaço ou número de fotos postadas. Em compensação, são fechados em si mesmos — ainda que ofereçam espaços para comentários. O meu favorito é o Fotki onde, a módicos US$ 30 anuais, mantenho diversos álbuns em que conservo o tamanho original das imagens, ou seja: elas podem ser baixadas e impressas em qualquer lugar, sem perda de qualidade. Já os fotologs funcionam em comunidade, das quais a principal é, ainda, a que deu origem a série, o Fotolog. Lá, pode-se subir apenas uma (sistema gratuito) ou seis (US$ 5 mensais) fotos por dia — mas a diversão é garantida.

    (O Globo, Info etc., 5.1.2003)

    AQUI: um complemento da Elis especial para cariocas, com preços e serviços.

    4.1.04



    Trilha sonora

    Hoje: Cesária Évora. Na veia.




    Filosofia de cozinha: acontece... :-)

    Hoje comprei um conjunto de panelas novo. Fiquei impressionada com o preço, relativamente barato para coisas tão úteis e que duram tanto tempo.

    Quando voltei para casa e me pus, toda contente, a arrumar os armários da cozinha, a visão das panelas velhas, em petição de miséria, me pôs uma dúvida -- melhor dizendo, uma perplexidade -- na cabeça. Se carro, que é aquela coisa caríssima, a gente troca a cada dois anos, porque espera as pobres panelas chegarem a esse ponto antes de tomar uma providência?

    O pior é que a gente esbarra todo o dia na ineficiência das velhas panelas: é aquele ovo frito que gruda no pedaço da frigideira onde o teflon já foi embora, é o cabo torto que atrapalha demais a vida, a tampa que caiu e amassou e não encaixa mais direito.

    Eu, hein.

    3.1.04



    Lembrança

    Madrugada do dia 31, no carro com Olivinha, João Nuno, Joaquim e Sílvia, felizes da vida, atravessando a cidade deserta rumo à Praia da Urca para ver o candomblé.

    No som, Zeca Baleiro:
    Baby i'm so alone
    Vamos pra Babylon
    Viver a pão-de-ló e Moet Chandon
    Vamos pra Babylon
    Vamos pra Babylon
    Gozar sem se preocupar com amanhã
    Vamos pra Babylon
    Baby baby Babylon
    Comprar o que houver au revoir ralé
    Finesse s'il vous plait mon dieu je t'aime glamour
    Manhattan by night
    Passear de iate nos mares do pacífico sul
    Baby i'm alive like a rolling stone
    Vamos pra Babylon
    Vida é um souvenir made in Hong Kong
    Vamos pra Babylon
    Vamos pra Babylon
    Vem ser feliz ao lado desse bon vivant
    Vamos pra Babylon
    Baby baby Babylon
    De tudo provar champanhe caviar
    Scotch escargot rayban bye bye miserê
    Kaya now to me o céu seja aqui
    Minha religião é o prazer
    Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
    Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
    Eu não tenho renda pra descolar a merenda
    Cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda
    Eu não tenho grana pra sair com o meu broto
    Eu não compro roupa por isso que eu ando roto
    Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça
    Ai morena viver é bom
    Esquece as penas
    Vem morar comigo em Babylon
    Às três e meia fechamos o Garota da Urca, comendo uns pasteizinhos deliciosos e, na saída, demos tchauzinho pros pais de santo nossos amigos.

    Tem jeito melhor de terminar o ano?!

    Olivinha tem que gravar essa música, é muito a cara da gente.

    1.1.04




    Uma capivara só não faz verão



    Na semana passada, vários leitores tiveram a gentileza de escrever para me garantir que sim, há gente que lê jornal no dia de Natal. Agradeço de coração: foi uma surpresa que me deixou contente e animada para escrever a coluna de hoje, outra data capciosa para cronistas.

    Afinal, é sempre complicado encarar as datas obrigatórias, tanto pessoalmente quanto por escrito. A crônica, no fundo, não passa de uma redação, como aquelas que a gente fazia no colégio — com a diferença que acaba publicada em jornal. Quando o tema é livre, a gente canta como o Zeca Pagodinho; quando é obrigatório, tudo se complica.

    — Eu prefiro tema obrigatório, — disse o Xexéo, quando comentei o assunto com ele.

    — Prefere?! Você gostaria de escrever sobre o Ano Novo?!

    — Não, claro que não. Não dou a menor pelota para datas. Estou falando em temas auto-obrigatórios. Quando me imponho um tema, escrevo melhor do que quando deixo a crônica me levar.

    — Ah, mas um tema auto-obrigatório, na minha cabeça, é um tema livre. Estou falando dos temas obrigatórios-obrigatórios, dos quais não há como fugir.

    — Como não há? Você pode escrever sobre o que bem entender, ora.

    — Não posso não. Fico pensando no mundo lá fora, totalmente antenado na data, e eu aqui, alheia...

    * * *

    A quantas coisas fiquei alheia aqui durante o ano? Fiquei alheia, por exemplo, a (quase) tudo o que aconteceu em Brasília — para não falar em tantos e tão variados destinos turísticos percorridos pelo presidente. Não escrever não significa, é claro, não sentir, não ter uma opinião. E, se eu fosse petista, estaria, a essa altura, profundamente desapontada. Como não sou, estou apenas pessimista.

    Há algo errado demais com um governo supostamente humanitário e teoricamente preocupado com o lado mais fraco da corda quando presidentes de banco dizem que este “foi um ano bom para o sistema financeiro”. Caramba! Há quantos anos a gente ouve isso?! Não estava na hora de inverter a equação, fazendo com que o setor produtivo se queixe menos e o setor financeiro se queixe mais?!

    * * *

    Também fiquei alheia ao que está acontecendo no Rio. Aqui, confesso, o nojo me paralisa. Não consigo mais nem me indignar. Fico quieta, sem me mexer, de olhos fechados, como uma criança que vive um pesadelo, uma dor ou um sentimento ruim, torcendo para que tudo tenha desaparecido quando abra os olhos.

    Assim passei o ano em relação a esse casal Garotinho, virando a cabeça, evitando o olhar, esperando que, por um passe de mágica, ambos tenham misteriosamente sumido no ar quando afinal eu me vire para ver. Pode ser uma infantilidade, uma forma escapista de lidar com a situação, mas foi a única que encontrei, como carioca apaixonada pela minha cidade, para não morrer envenenada de desgosto e amargura.

    * * *

    — Ano Novo... que bobagem! — exclamou o Xexéo. — Por que você não escreve sobre as capivaras? Diga aos leitores que, apesar da data, decidiu escrever sobre as capivaras, e pronto, qual é o problema?

    Ah, as capivaras... Eu amo as capivaras. Para mim, sua presença foi, indiscutivelmente, um dos pontos altos do ano, uma felicidade linda e inesperada. Ambas apareceram na Lagoa, filhotinhas, no começo de 2003. Foram separadas pela perseguição que lhes moveu um contingente de bombeiros, que tentou, em vão, capturá-las para o zoológico. Hoje vivem afastadas, a fêmea perto do Vasco, o macho ali pelo Cantagalo, ignorantes, ao que se saiba, da existência uma da outra. Estão gordas e saudáveis, mas não podem estar felizes. Capivaras são animais que vivem em bando, em grupos de dez a quinze indivíduos; uma capivara só não faz verão. Nem capivarinhas.

    No outro dia, uns palhaços andaram tentando caçar a fêmea. Foram gentilmente dissuadidos disso pelos bravos pescadores da colônia, que gostam das bichinhas e zelam pelo seu bem-estar, para alegria geral dos freqüentadores da Lagoa.

    Um dos meus desejos mais ardentes para este 2004 recém-nascido é que as capivaras voltem a se encontrar. Ou que, por algum acaso inexplicável, outras capivaras venham dar à Lagoa, para lhes fazer companhia e aumentar o nosso encanto.

    Fica aqui, portanto, o meu apelo a quem, porventura, tenha uma capivara sobrando em casa: faça uma boa ação e leve-a para a Lagoa! Se for macho, solte-a perto do Vasco; se for fêmea, no Parque do Cantagalo. Duas capivaras solitárias e incontáveis cariocas ficarão muito agradecidos.

    * * *

    A foto da coluna, feita há alguns dias em Copacabana, é uma espécie de exorcismo para a chuva. É sempre assim, vocês sabem: quando a gente tem que adiantar uma edição, como a de hoje, e publica uma foto de sol, é certo que vai chover no dia anterior.

    Pois eu estou apostando no vice-versa.

    (O Globo. Segundo Caderno, 1.1.2004)