7.6.10
Saudades do N95

Um dia, em Manaus, encontrei Olli-Pekka Kallasvuo, presidente e CEO da Nokia, e perguntei como fariam para superar o N95. Apresentado em fins de 2006 e lançado em 2007, o N95 foi, para muita gente – esta cronista incluída – o melhor celular de todos os tempos. Olli-Pekka sacou o N95 do bolso, olhou, virou na mão, olhou mais um pouco:
-- Vai ser difícil mesmo. Ele poderia talvez ser um pouco mais fino, a bateria devia durar mais... e...
-- E?
-- Não sei. Está tão bom assim, né?
Não estava bom, estava ótimo. A tal ponto que, até hoje, acho que não foi superado. O iPhone é mais bonito, mas em termos de funcionalidade continua perdendo; LGs e Samsungs variados têm um design mais chamativo, mas só; os Androids da Motorola são campeões, mas nenhum pode ser usado com uma mão só – para não falar nas câmeras. Os únicos aparelhos que se comparam aos Nokia em termos de imagem são alguns Sony-Ericsson. Em suma: como conjunto de obra, o N95 continua sendo o tal, apesar do sistema operacional já antiguinho e do look fatigado da interface.
Continua, não: continuaria. Porque, por uma dessas infelicidades da tecnologia, ele já não pode ser encontrado em lugar nenhum, exceto em sites de leilões como o eBay e o Mercado Livre. Semana sim semana não recebo email de algum desconsolado usuário de N95 que procura um novo aparelho para comprar, e não sei o que responder, porque eu mesma ando atrás de um substituto à altura e não encontro. O N97 mini é muito simpático, tem uma câmera excelente e roda os mesmos aplicativos, mas, como tantos outros aparelhos, trocou o T9 por teclado qwerty. Como usuária de longa data de T9, prefiro escrever palavras nas teclas numéricas. É mais rápido e, como eu disse antes, pode ser feito com uma mão só.
Produtos bem sucedidos como o N95 não deveriam sair de cartaz; eles têm fãs que estão muito satisfeitos com sua forma & função, não exigem de um celular nada além do (muito) que o aparelho oferece e não estão dispostos a aprender tudo de novo com modelos que, pelo menos por enquanto, lhes oferecem menos... por mais.
Mas aí está, justamente, o X do problema. A indústria não vive de repor velhos telefones quebrados, e sim de inventar novidades e novas necessidades. Num encontro ainda mais antigo com um CEO da Nokia, este em Helsinki e com o legendário Jorma Ollila (o antecessor de Olli-Pekka Kallasvuo, que decidiu descartar todos os demais negócios da empresa e concentrar seu foco em tecnologia móvel), fui apresentada ao 7650, primeiro celular com câmera integrada. A idéia, na época, era apenas engraçada.
-- Daqui a pouco você não vai mais encontrar um aparelho sem câmera no mercado, -- disse Ollila, profeticamente.
Estávamos em 2002 e, durante um bom tempo, celulares com câmera foram vistos como excentricidades de nerds. Mas não duvidei porque, quando os sábios falam, a gente escuta.
No momento, sou toda ouvidos – mas ainda não ouvi nenhuma boa resposta ao N95, nem por parte da Nokia, nem por parte de ninguém na indústria.
Continuo esperando.
(O Globo, Revista Digital, 7.6.2010)
6.6.10
5.6.10
Fala, Thiago!
Um bebêzinho recém-nascido, que está na UTI neonatal, precisa doações de sangue.
Vamos ajudar?
"O sangue do meu guri é B+ mas é válido também o O+ (não pode ter tomado a vacina H1N1). Os endereços estão abaixo e eles ficam abertos de segunda a sexta, das 8h00 às 15h00, e aos sabados das 8h00 às 11h00.
Rua Santa Luiza, 206 - Centro - Santa Casa
Rua Conde Irajá, 183 - Botafogo - Hematologistas Associados
Quem for fazer a doação por favor identifique-a para Arthur Eloy Barbeita, recém-nascido de Roberta Eloy e Leandro Barbeita, no Hospital Barra D´Or."
Vamos ajudar?
Nada de novo no front

Ou será "O dia em que a Terra parou"? Só isso explica que em tantas séries diferentes o jornal seja sempre o mesmo...
A descoberta foi do The High Definitive e eu, por minha vez, descobri tanto a sacada quanto o blog lá no Twitter, ainda agora.
4.6.10
Fala, Priscila!
“A ONG Orquestrando a Vida, através da Academia de Orquestras e Coros Sinfônicos de Campos atende 1180 crianças e jovens entre coros e orquestras sinfônicas. Partindo-se da premissa de que todas as pessoas possuem habilidades, talento e potencial que necessitam ser despertados e/ou desenvolvidos, o projeto aposta na educação e na cultura como o mais importante instrumento de socialização e inclusão dos indivíduos na sociedade. Temos como maior objetivo prepará-los para uma futura profissão através da música, oportunizando o ensino da prática instrumental, coral, orquestral e teórica.”
A Orquestra Jovem Mariuccia Iacovino é onde estão os alunos mais velhos e mais experientes da ONG. São jovens entre 14 e 19 anos e todos são muito talentosos.
Essa mesma orquestra foi convidada a representar o Brasil no grande Festival Internacional da Música em La Paz – Bolívia, em setembro deste ano. O Festival se responsabiliza por todos os gastos internos advindos da presença da Orquestra: hospedagem, alimentação e translado interno. Porém, a ONG terá que arcar com as despesas de translado aéreo Brasil x Bolívia.
Serão necessários aproximadamente 900 Reais por integrante na única operadora aérea que executa esse trecho, e não há essa disponibilidade de fundos no momento na ONG.
Os integrantes da Orquestra Jovem, sabendo dessa dificuldade, não esmoreceram: dividiram-se pelos naipes e estão, à sua maneira, tentando levantar os fundos necessários. Eles estão organizando rifas, festas, pedindo patrocínio em empresas locais.
Por ser um montante considerável, venho a público neste blog pedir ajuda financeira. Como estudante de viola, estou representando este naipe, mas a Orquestra só poderá viajar se todos os integrantes puderem participar. Sendo assim, toda doação excedente será encaminhada para a Direção da ONG alocar em algum naipe que não tenha alcançado seu objetivo.
É importante frisar que não sou representante legal desta ONG, mas me responsabilizo social e judicialmente com relação a qualquer problema relacionado às doações feitas por meu intermédio.
Duas formas de doações podem ser feitas:
Dinheiro: Qualquer valor faz uma diferença imensa. Os depósitos podem ser feitos diretamente na conta da ONG e eles estão totalmente disponíveis pra mandar comprovantes, pros que precisam disso pra Imposto de Renda e tal. A ONG é idônea e tem toda a papelada legal pra receber (e comprovar) doações e eles estão inteiramente à disposição pra qualquer pergunta que seja necessária. Para receber o número da conta, entrem em contato comigo no e-mail informado abaixo;
Passagens: essa é a opção ideal pra quem não puder ajudar com dinheiro e /ou tem milhas que estão pra vencer, mas não poderão aproveitá-las. 10.000 milhas rendem um trecho da passagem (20.000 milhas garantem a ida e volta) e pode-se retirar essa passagem diretamente no nome dos integrantes da Orquestra, sem maiores complicações, segundo a operadora do trecho.
Em qualquer um dos casos, a conta de correio para contato é violistasojc@gmail.com. Sou eu, pessoalmente que atenderei qualquer pessoa que tenha interesse em nos ajudar.
Ah! Os (as) Violistas prometem um presente de agradecimento para todos que derem uma forcinha!
Muito obrigada!
Priscila Braga (futura violista).
3.6.10
Ruim com ela, pior sem ela

Depois de escrever sobre a Suipa, na semana passada, recebi diversos emails, todos mais ou menos do mesmo teor. Resumindo, eles diziam mais ou menos o seguinte: “Ruim com ela, pior sem ela”. Faz sentido. Quem conhece a situação dos bichos abandonados do Rio de Janeiro e o trabalho da Suipa sabe que, apesar da superlotação e da desorganização geral, ela ocupa um espaço absolutamente vital na cidade.
Entraram em contato comigo associados e amigos da Suipa, voluntários antigos e atuais, protetores de cães e gatos. Alguns chegaram a questionar os motivos da promotora que abriu fogo contra a instituição, mas houve consenso em relação aos vereadores que ocuparam os holofotes da mídia pedindo uma CPI: eles não passam de bactérias oportunistas, que só querem aparecer. Também houve gente de pé atrás com a creche subitamente construída ali ao lado, de onde partem, agora, queixas em relação aos cães, ao barulho, ao mau cheiro. Ora, vai dizer que, antes de construírem a tal creche, seus proprietários não sabiam onde estavam?
De tudo o que me foi escrito e contado, porém, o mais importante foi o email enviado pelo dr. Renato Campello Costa, presidente da Comissão de Clínica e Bem Estar Animal do Conselho Regional de Veterinária. Coube a ele fiscalizar e avaliar as denúncias na esfera da medicina veterinária, para apuração dos fatos.
“Para melhor avaliação da Suipa nós a separamos em duas, a clínica veterinária e o abrigo.“ escreveu o dr. Renato. “Na clínica veterinária que ali funciona não encontramos nenhum sinal de maus tratos aos animais de forma deliberada, ao contrário do que foi amplamente divulgado na imprensa. Observamos, isso sim, médicos veterinários capazes e dedicados, exercendo sua profissão com dignidade. Já o abrigo é outra história, que pormenorizamos no relatório anexo, mas que deve, ainda assim, ser analisada com muito cuidado.”
O dr. Renato me pediu que lesse o relatório que encaminhou ao presidente do CRMV, dr. Romulo Spinelli, “para que possamos trazer à baila a realidade dos fatos, isenta de opiniões parciais ou desprovidas de veracidade, com intuito de fazer justiça aos profissionais que ali trabalham dignamente e também para ajudar, de fato, os animais abandonados.”
Nem precisava ter pedido. Li o relatório com o maior interesse. Também liguei para o dr. Renato, que me contou uma coisa curiosa:
-- Eu tenho uma clínica na Barra da Tijuca. Trabalho, como você pode imaginar, num universo radicalmente oposto ao da Suipa. E, quando fui para lá, influenciado pelo que tinha lido nos jornais, achei que ia cair numa sucursal do inferno, num autêntico campo de concentração para bichos. Pois, quer saber? Apesar de todos os problemas que encontrei, fiquei surpreso com o que vi lá.
“No atendimento de rotina da clínica trabalham 28 médicos veterinários realizando atendimento clínico, cirurgias, exames laboratoriais e exames complementares, como ultrassonografia e eletrocardiograma,“ diz o relatório oficial. “Na recepção é feita uma triagem dos cerca de 150 animais atendidos a cada dia para encaminhamento aos consultórios, que se encontravam em boas condições de higiene, assim como a sala de cirurgia, o laboratório e as salas de hidratação. Algumas salas estão em construção e reforma, assim como um novo canil de recebimento de animais. Talvez em função das obras e do elevado número de animais atendidos, é clara uma necessidade de melhor organização e arrumação das salas, mas nada que deponha contra as condições dos médicos veterinários que ali prestam os atendimentos clínicos.”
O problema é o abrigo: “Esta área encontra-se em condição realmente caótica, com grande número de animais abrigados juntos. Há também gaiolas para os doentes que necessitam de cuidados especiais e não podem ser alojados junto aos demais. O espaço é insuficiente. Alguns ficam apenas presos em coleiras, pois não há gaiolas para todos. Não observamos em momento algum “maus tratos” aos animais, mas, indubitavelmente, as condições para tratá-los não são as ideais. Pudemos, inclusive, verificar o momento em que foi recebido um cão abandonado em situação crítica, com lesões desfigurantes na face e com alterações neurológicas evidentes. Tal animal, mesmo em condições ideais, provavelmente teria pouca chance de sobreviver. A Suipa funciona em situação precária para abrigar os animais sem dono, mas qual outra instituição o faz?”
“Ficou claro que as notícias veiculadas nos últimos dias, dando conta de que a mortalidade de animais abandonados estaria em alarmantes 98 %, não procedem. Certamente muitos desses animais abandonados morrem, mas é preciso notar em que estado chegam (e são aceitos!). São animais sem dono ou animais cujos donos não têm condição ou vontade de tratá-los, e que não têm outra opção.
Em resumo, eu diria que a clínica da Suipa funciona em condições satisfatórias diante do que se propõe a oferecer. Já em relação ao abrigo para animais abandonados, as condições são, sim, insalubres, mas são melhores do que se eles fossem deixados do lado de fora, para perecer sem qualquer assistência.”
(O Globo, Segundo Caderno, 3.06.2010)
2.6.10
Parabéns! Parabéns!

A vossa blogueira é uma criatura tão lesada que, por pouco, não perde não um, mas DOIS aniversários familiares: hoje, quer dizer, na escassa hora e tanto que ainda qualifica como dia 2 de junho, tanto a Julia quanto o Sergio fazem anos!
Fica então o meu carinho atrasado (quase um tradição da casa...), com votos muito interesseiros para que, em breve, alguém faça uma festa de verdade, com bolo, brigadeiro e tudo o mais a que a gente tem direito.
Parabéns, Ju!
Parabéns, Sergio!
Tudo de bom para vocês, muita felicidade e que os próximos 365 dias saiam exatamente conforme os seus melhores planos.
Nota de esclarecimento da Suipa
Rio de janeiro, 31 de maio de 2010
Em razão de informações infundadas e distorcidas, publicadas pela imprensa na última semana sobre o nosso trabalho, a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa) se manifesta publicamente em defesa de seu trabalho construído com base na transparência e no amor pelos animais e em respeito aos seus associados e comunidade.
Ressaltamos que somos uma associação civil, portanto sem fins lucrativos. Possuímos 13.000 associados que contribuem com doações e que não recebemos qualquer tipo de verba da esfera pública para a manutenção da SUIPA.
Esclarecemos:
1. Sobre a superlotação
Atualmente, a Suipa abriga 3500 animais, entre cães e gatos e outros animais. Todos os dias acolhemos cerca de 40 animais carentes que nos são entregues nas mais diversas condições de saúde. A entidade se recusa a parar de receber os animais carentes, deixando os desabrigados em uma situação ainda pior. Por sua filosofia e por força do seu estatuto, a Suipa jamais se dará ao luxo de definir o destino de um animal, negando-lhe abrigo e comida, largando-os à própria sorte.
Nossas instalações necessitam de reformas e de ampliações que, por sua vez, dependem de doações e trabalho voluntário.
A questão da superlotação é conhecida pelo Ministério Público desde 2004, que reconheceu a Suipa como “... uma entidade privada, cuja atividade deveria apenas complementar o serviço que deveria ser prestado pelo governo.”, assinalando ainda que (a Suipa): “Exerce relevantes funções para o desenvolvimento da saúde pública e tratamento de animais, como atendimento clinico e cirúrgico, raio-x, laboratório de análises clínicas, canis de internação, cremação de animais mortos, castração e vacinação gratuita. Assim, exerce papel fundamental na cidade do Rio de Janeiro que possui elevado número de cães e gatos abandonados em vias públicas.”
2. Sobre maus tratos e mortandade
Os animais da Suipa não sofrem maus tratos, mas dependem, sim, da saúde financeira da entidade e das doações. Lutamos e fazemos o melhor que podemos para dar dignidade e alento aos animais que sofrem maus tratos a serem abandonados nas ruas, sendo que para muitos, conseguimos um lar. No entanto, infelizmente, outros não possuem tanta sorte em razão das péssimas condições de saúde e inanição que nos são entregues (82% deles).
Devido às más condições de saúde e estágio avançados de doenças, a mortandade entre os animais recém chegados à Suipa alcança, sim, a 90%, sendo que 50%, são de filhotes e recém nascidos. Estes são casos que não podemos reverter, independentemente de nossos esforços.
3. Sobre desvio de verbas
A Suipa desconhece o desvio de R$ 324 mil citados pela representante do Ministério Público nas entrevistas aos meios de comunicação. A entidade, inclusive, não compreende como a promotora chegou a este valor.
A Suipa, no entanto, reserva-se ao direito de realizar ações de emergência para salvaguardar seus animais. No dia 13.04.2009, registramos em cartório a necessidade de saque de R$ 112.000,00, valor destinado integralmente à compra de ração, medicamentos e dívidas com fornecedores.
4. Sobre as despesas
A despesa para a manutenção dos cerca de 3500 animais é enorme. Consumimos cerca de 37 toneladas de ração mensalmente, sem contar os gastos com medicamentos e materiais de limpeza. Cabe destacar que todos os 155 empregados da Suipa são assalariados e registrados em Carteira, tal qual determina a lei. Dentre estes, temos um quadro com 30 veterinários, nenhum deles em caráter voluntário.
Regularmente, faz auditoria interna com Auditores Independentes e, no dia em que foi efetuada a fiscalização na SUIPA pelo Ministério Público, a promotora ficou conversando com o auditor, particularmente, por cerca de trinta minutos.
Gostaríamos de agradecer o apoio e a confiança de nossos associados que, na última semana, nos enviaram mais de mil mensagens de apoio, por meio de telefonemas, emails e até pessoalmente.
A Suipa apoia o dever do Ministério Público de proteger a sociedade e reconhece sua seriedade. No entanto, também entende que a instituição não deve deixar-se levar por críticas pessoais e muito menos por informações infundadas, já que a SUIPA sempre esteve aberta ao diálogo e aos esclarecimentos que lhe foram solicitados.
Cordialmente,
Izabel Cristina Nascimento
Presidente da Suipa
(21) 3297-8777
www.suipa.org.br
1.6.10
31.5.10
BlackBerry no reino das tentações


Uma vez publicamos uma grande matéria no velho ”infoetc” sobre os smartphones, que começavam a conquistar público cada vez maior no Brasil. Ficou bonita e completa – tinha dados, preços e avaliação dos celulares, com fotos e o que mais fosse relevante à informação. Pois na própria segunda-feira em que circulou a edição, recebemos um telefonema muito sentido do assessor da Nextel, perguntando por que não havíamos falado sobre nenhum dos seus aparelhos. Expliquei que Nextel era um mundo à parte, uma espécie diferente de animal – e continuo pensando assim.
Isso foi antes de 2007, porque também não falamos sobre o Blackberry, que ainda não havia chegado ao país. E esta semana, brincando com dois simpáticos representantes da espécie – um Curve lilás engraçadinho e um Bold preto clássico – me lembrei da antiga matéria e me peguei pensando se incluiria os BBs num apanhado geral de smartphones, ou se daria um destaque separado para eles. Afinal, eles também são um universo paralelo na comunicação móvel, com seus teclados que convidam mais a digitar do que a discar, e os planos especiais de que precisam, complementares à conta habitual de voz, para que possam funcionar em toda a sua glória.
Não consegui chegar a uma conclusão definitiva, até porque, com o tempo, as diferenças entre os BlackBerries e o resto da tribo diminuiram muito. Sua grande vantagem, que era ter todos os emails recém-chegados à permanente disposição do usuário, deixou de ser exclusiva com a popularização de aparelhos com vocação internet, como os Androids e o iPhone.
Ao mesmo tempo, suas arestas corporativas foram bastante atenuadas. A Rim percebeu que mesmo no coração do mais feroz executivo pode bater um coração sensível, e dotou os aparelhinhos de ótimas telas, games interessantes, capacidade multimedia, lindas fotos para fundo de tela e câmeras que melhoram a olhos vistos. A do Curve ainda é uma pinhole que deixa a desejar, mas a do Bold, em boas condições de luz, já se porta razoavelmente bem, e pode até gravar vídeos (as fotos acimas foram feitas com ele).
O Bold é, por sinal, um aparelho interessante, mesmo para quem não professa o credo Blackberry. É rápido, tem uma tela excelente e um teclado fácil de usar. Como o resto da família, administra muito bem o uso de bateria.
Comparar o Curve com o Bold é injusto com o primeiro, bem mais barato. Dentro do que se propõe, o Curve tem excelente desempenho. Já o Bold, mais sofisticado sob todos os aspectos, tem, sobre o irmão miúdo, a vantagem de oferecer GPS, vídeo, gravador de voz, Blackberry Maps.
Os Blackberries continuam sendo, essencialmente, máquinas de trabalho. Não existe nada igual para quem depende de email e precisa ter um aparelho 100% confiável. Apesar disso, eles começam a ser, também, máquinas tentadoras. Nunca pensei que um dia eu usaria este termo em relação a eles, mas aí está.
Minha dúvida: mudaram os BlackBerries ou mudei eu?
(O Globo, Revista Digital, 31.05.2010)
29.5.10
Um drama, de verdade
Escreve a minha comadre Matilda, madrinha da gatinha homônima:
Matilda, eu sei que nunca vai ser a mesma coisa, mas olha só -- você não quer fazer uma lista do que se perdeu, ou pelo menos do que você mais sente falta? É que buscando daqui, buscando dali, pode ser que a gente consiga repor uns livrinhos procê.
"Ô meus santos todos, minhas santinhas, minha gente, povo da minha vida:
Estou desesperada, com a alma em frangalhos, lavada e enxaguada na dor pungente e lancinante, perdi, quer dizer, o "mofo deu" (o cacófato é verdadeiro e expressivo e eu endosso) em todos os meus livros, salvei uns dez por cento, todos meus livros de poetas, meu coração sangra, os poetas, meus versinhos de ler por toda vida, deu um vazamento no andar de cima e litros de água durante a noite e foram, morreram todos, a parede está preta de mofo e de luto, meu coração também, meu nariz quase sangra de alergia ao mofo, minha barriga se conforta com uma panela de brigadeiro, mas minha alma nunca mais será a mesma, sei que não...
Meus livrinhos morreram, conseguem captar isso? Nunca mais os verei ou terei eles de novo, foram comprados em outra fase da vida, quando podia, enfim, tragédias podem ter muitas faces, perder livros é uma delas..."
Matilda, eu sei que nunca vai ser a mesma coisa, mas olha só -- você não quer fazer uma lista do que se perdeu, ou pelo menos do que você mais sente falta? É que buscando daqui, buscando dali, pode ser que a gente consiga repor uns livrinhos procê.
O que fazer com macacos?
Escreve a Ana Luiza:
Pessoas, agradeço se alguém tiver resposta e puder dar alguma sugestão pra Ana Luiza. Eu não tenho a menor idéia do que fazer com esses peludos...
"Cora e amigos,
Moro no JB e tenho recebido a "visita" de vários macacos prego, alguns bem grandinhos. Ontem, eles entraram e reviraram gavetas e armários em busca de biscoitos. Hoje, ficaram só no jardim. Fiquei com pena porque pareciam famintos e dei várias bananas.
Moro aqui há 30 anos e isso nunca havia acontecido. Será que está havendo alguma coisa na mata que esteja forçando-os a descer e invadir as casas?
O que posso fazer para ajudá-los sem expor a minha casa e família?"
Pessoas, agradeço se alguém tiver resposta e puder dar alguma sugestão pra Ana Luiza. Eu não tenho a menor idéia do que fazer com esses peludos...
28.5.10
Fashion Rio

Quem passa pela Rodrigues Alves vê essa entrada entre os armazéns

Exposição fotógrafica com as calçadas de pedra portuguesa, do coleguinha Bruno Veiga

Algumas empresas, como a Oi, deram uma virada radical nos seus lounges. Antigamente tinham DJ e serviam bebida alcóolica, e ninguém conseguia entrar de tanta gente. Hoje servem refrigerantes, sucos e comidinhas, e oferecem atrações como sossego e computadores.

No lounge da Nivea você monta o seu mix de frutas secas e castanhas, e come jujuba e M&M. Amo!

Não há uma única folha de alface à vista em todo o evento. Acho que elas devem ser proibidas de sair dos bastidores. Em compensação, olha o que tem na sala de imprensa: sonho e brigadeiro. Não estou reclamando não!

Novo modelo da Melissa, customizável: a gente tira quantas rodelinhas quiser e transforma em sandália, sapatilha, o que der na telha. Chega às lojas em agosto.
27.5.10
Suipa: cão danado, todos a ele
Há um grande mal-estar entre os protetores e amigos de animais desde que apareceram nos jornais as primeiras denúncias contra a Suipa. Não são segredo para ninguém a super-lotação da instituição e a sua absoluta falta de organização administrativa, mas as denuncias de corrupção pegaram muita gente de surpresa. Todo mundo está andando na ponta dos pés e falando baixinho, mesmo porque criticar é fácil. Difícil mesmo é pegar no batente e ocupar um espaço que, há tempos, deveria ter sido ocupado pelo estado, que em relação aos quadrúpedes consegue ser ainda mais omisso do que em relação aos bípedes (se é que isso é possível).
A Suipa, para quem não sabe, é uma instituição particular, de utilidade pública e sem fins lucrativos, que há 67 anos se ocupa de animais abandonados. Ela é mantida pelos associados, e não recebe qualquer verba municipal, estadual ou federal; seus diretores e conselheiros fiscais são associados que trabalham voluntariamente, sem receber salário. Apesar disso, é considerada órgão público pela maioria das pessoas, inclusive por incontáveis juízes que, decidindo contra a permanência de animais aqui ou ali, automaticamente os encaminham para lá – sem procurar saber de onde virá o dinheiro para sustentá-los e, mais importante, se há ou não espaço para acolhê-los.
* * *
No mesmo jornal que, na segunda-feira, trouxe a notícia sobre a investigação do Ministério Público, a coluna Gente Boa publicava uma notinha a respeito dos pingüins do zoológico, mortos por cães de rua que os alcançaram por baixo da cerca. Para onde o zoológico mandou os cães? Ganha um pacote de ração quem responder “Para a Suipa”.Ora, faz sentido uma fundação especializada em animais, ligada à prefeitura, encaminhar cães para uma instituição particular cujos problemas de super-lotação são notórios? Na minha cabeça, não faz – mas pode ser que as esclarecidas cabeças dos vereadores, que agora uivam como lobos pedindo CPI para a Suipa, equacionem isso melhor.
* * *
Dizem as notícias que 99% dos bichos que vão para a Suipa morrem. Considerando que apenas 1% de todos eles consegue adoção, fico com a impressão de que faltaram duas informações importantes aí, a saber: em quanto tempo, e em que condições. Porque, como é sabido, o indice de mortalidade dos seres vivos é de 100%. Não estou aqui para defender a Suipa; só estou pensando em voz alta.* * *
Fui associada da Suipa por muito tempo e, há alguns anos, deixei de ser, por discordar da forma como é administrada. Vejo uma grande diferença entre um abrigo de animais e um depósito, e não concordo nem com a prática sistemática de super-lotação, nem com as exigências descabidas para adoção que ela faz. Vários amigos decentes e de bom coração que quiseram adotar animais por lá desistiram diante das dificuldades.Sei que muita gente mal-intencionada procura animais com os piores motivos, mas é preciso ter critério e bom-senso, sobretudo diante das condições que os coitadinhos enfrentam lá dentro.
Ainda assim, fico com um pé atrás quando, de repente, meio mundo corre para fazer justiça contra uma instituição que, em última instância, só existe por causa da irresponsabilidade com que se abandonam animais nesta cidade, e por omissão da prefeitura e do governo do estado, que deviam cuidar desses animais, mas não cuidam.
* * *
O governo do estado, por exemplo, pretende gastar R$ 180 milhões em publicidade. Esta é uma informação particularmente difícil de engolir nessa época do ano, quando comemoramos o Dia da Liberdade de Impostos, ou o fim dos meses que passamos trabalhando única e exclusivamente para dar dinheiro aos que nos tratam como os otários que somos.Se a publicidade do governo fosse honesta e voltada para o bem da população, ela deveria incluir, forçosamente, uma campanha regular de conscientização sobre o trato dos animais. Cães e gatos devem ser castrados, devem ser adotados de forma responsável e não podem ser abandonados.
O que parece óbvio para tantos de nós evidentemente não é verdade universal. Muita gente tem pena de castrar seus animais, mas não sente o menor remorso em abandonar os filhotes indesejados bem longe de casa. Sem uma campanha educativa eficiente, este comportamento continuará se repetindo até o fim dos tempos, causando sofrimento e morte de milhões de animais inocentes.
* * *
Independentemente das denuncias de corrupção, é certo que a Suipa está precisando de um bom sacode. As condições em que lá vivem os bichos e trabalham os humanos são insustentáveis; onde cabe um não cabem cinco, dez ou vinte. Ter um terreno a mais, velha reivindicação da instituição, não vai resolver nada – apenas vai ampliar as dimensões do drama. Administrar um abrigo daquele tamanho, que mexe com aquela verba, não é tarefa para amadores, por bem intencionados que sejam.* * *
Mas, mais do que a Suipa, todos os cariocas merecem uma chamada, a começar pelas autoridades, que só se lembram dos bichos para matá-los ou isolá-los em ambientes hostis e super-lotados, sem condições de acolhe-los com um mínimo de dignidade. A solução para o problema dos bichos abandonados não é fechá-los em depósitos, longe das vistas de todos; é evitar, em primeiro lugar, que sejam abandonados. Se a população fosse mais educada e mais responsável, a Suipa sequer precisaria existir.(O Globo, Segundo Caderno, 27.05.2010)
26.5.10
Mistério nenhum...
25.5.10
Memórias de um incansável

Durante seis meses, a primeira coisa que Sergio Britto fez ao acordar foi sentar à escrivaninha e pôr suas memórias no papel. Foram várias canetas Bic (ele não datilografa nem usa computador), muitas idas e vindas, correções e revisões. O processo foi acompanhado de perto, praticamente passo a passo, por Michelle Strzoda, a editora da Tinta Negra Bazar Editorial, que um dia bateu à sua porta com uma idéia na cebaça e um contrato na mão.
-- Foi um pedido inesperado, -- diz Sérgio, autor de “Fábrica de Ilusão”, publicado em 1996. – Eu já tinha contado alguma coisa no livro anterior, o que escreveria agora? A Michelle sugeriu que eu escrevesse na primeira pessoa, e assim que comecei, senti que poderia fazer o livro. As lembranças estavam todas lá, o texto veio com facilidade.
Michelle foi digitadora, pesquisadora, psicóloga. Cada etapa do trabalho foi discutida em detalhes entre os dois, até ambos, igualmente exigentes, se darem por satisfeitos. O resultado, “O teatro e eu”, chega às livrarias nessa quarta, dia 26, com lançamento na Travessa de Ipanema. O autor, que aos 87 anos teria todo direito a sossegar e se recolher depois de terminada a tarefa, nem pensa nisso. Ao contrário, pretende atirar-se com gosto à roda-viva das viagens, lançamentos e entrevistas: na próxima segunda, dia 31, já tem outro compromisso marcado com o público, este na Livraria Cultura, em São Paulo.
“O teatro e eu” começa com mais “eu” do que “teatro”. Sergio Britto fala dos pais e da família, da descoberta da homossexualidade, dos primeiros amores.
“Para mim, se dizer bissexual é como esconder o homossexualismo que você não quer admitir, -- escreve. – Sempre me senti homem o bastante para assumir opções e atitudes na minha vida.”
Depois de uma tentativa de suicídio singularmente despida de drama, que terminou, de pulsos enfaixados, num baile carnaval, tudo passa a segundo plano. É quando ele recebe o convite para participar do Teatro Universitário – e começa a longa e bem sucedida carreira que, neste 2010, completa 65 anos.
“Eu compreendo que no aprendizado do ator existem várias fases: numa primeira, você pensa saber tudo e não sabe que não sabe tudo, nem mesmo sabe muito; numa segunda, você percebe o que não sabe; numa terceira fase, você começa a saber o que ainda precisa aprender e, às vezes, percebe também que existem coisas que não vai saber nunca, uma percepção terrível de suas limitações. Já passei por todas essas fases. Hoje, tenho a pretensão de saber quase tudo, mas nem por isso me sinto capaz de enfrentar qualquer texto, qualquer tipo de espetáculo. Esse saber me indica as limitações com as quais, como ator, ainda posso esbarrar.”
Comento com Sérgio Britto que seu livro será uma referência fundamental para quem quiser saber o que se fez em teatro no Brasil na segunda metade do século XX:
-- Quando a gente tem a sorte de envelhecer bem a gente vira uma espécie de ícone, -- observa, divertido. – Você acha que o livro daria uma peça?
Boa pergunta. As 416 páginas de “O teatro e eu” estão recheadas de observações sobre atores, atrizes, técnicos, autores – toda a densa humanidade que nos conta histórias sobre o palco desfila por lá, com suas angústias, suas dificuldades, suas alegrias. Há choques de egos e desavenças, aplausos e vaias. Fico pensando como seria possível encenar isso, mas a tarefa me parece totalmente impossível, não só pelo tamanho do elenco como pela falta de um fio condutor.
Mas aí, talvez, esteja a peça possível: velho ator, cercado de livros, DVDs e antigos programas, conta para os amigos como foi a sua vida. Afinal, este é o tom do livro que, apesar de divido em capítulos, foge de uma ordem cronológica rígida:
“Estou contando tudo na maior confusão, é que minha história é toda de idas e vindas, progressos e retrocessos.”
E isso, reparem só, está na página... 18!
E mais: “Escrevo minhas memórias pouco depois de ter completado 86 anos”, -- diz Sérgio, bem adiante. -- “Estamos, querendo ou não, no século XXI. E quem é esse ator com pretensões e ambições cada vez maiores? Vocês que já me leram até aqui sabem quem sou eu, mas ainda assim creio que me explicar mais para vocês vai me ajudar muito a me explicar para mim mesmo.”
Em certos momentos do livro, o autor chega a desaparecer por trás do seu trabalho. No capítulo dedicado ao teleteatro, por exemplo, a referência a peça após peça, elenco após elenco, tem um efeito estranhamente hipnótico, como um mantra repetido centenas de vezes. Ali, além dessa longa lista, não há aparentemente nada. Mas este nada, quem diria, conta tudo. As palavras têm seus truques, e Sérgio Britto está certo quando escreve que sabemos quem ele é. Na medida em que é possível saber quem é o outro, sabemos sim – e é impossível deixar de sentir certa vertigem diante do tanto que ele viu e fez ao longo dos anos.
A lista do teleteatro é material precioso. Ali está não só um retrato muito nítido da cena teatral brasileira, como o princípio da televisão no país, aquele momento em que o hardware já tinha sido inventando, mas ninguém sabia ao certo que software – vale dizer que programação -- rodar naquilo.
“O prefixo ‘Smile’, música de Chaplin para o filme ‘Luzes da cidade’, marcava toda segunda-feira o início do nosso programa. A verdade é que o início do programa é que não tinha hora tão certa assim. Diziam que o Grande Teatro começava às dez. Naquela época, o horário da televisão não era tão rigoroso como é hoje em dia. Era às dez, mas às vezes começava às nove e meia. Houve dias em que começou quase a uma da manhã. Fizemos 386 peças, quase nove anos no ar.”
Dá para imaginar isso? 386 peças?! Não há obra importante do repertório mundial que não tenha sido apresentada por aquela intrépida truque, que incluía, além de Sérgio, seu criador e diretor, tantos nomes que se tornaram grifes verdadeiras da arte. Do elenco fixo participavam Fernanda Montenegro, Nathália Thimberg, Zilka Salaberry, Ítalo Rossi. Sergio alternava a direção com Flávio Rangel e Fernando Torres. Infelizmente, tudo desapareceu: sobre as fitas da Tupi e, posteriormente, da TV Rio, foram gravadas e regravadas outras coisa. Já os 16 espetáculos realizados na Globo foram vítimas de um incêndio.
A memória prodigiosa de Sérgio Britto passeia pelos anos do TBC, do Maria Della Costa, do Teatro de Arena, dos Teatros dos 12, dos Sete e dos Quatro; como se estivesse conversando conosco (e na verdade está), ele se lembra de viagens e de espetáculos que assistiu no exterior, de filmes e de óperas. O retrato que fica, virada a última página, é, acima de tudo, o de um trabalhador incansável, que nem sonha em pendurar as chuteiras. Agora mesmo prepara-se para ensaiar “Recordar é viver”, de Hélio Sussekind, com direção de Eduardo Tolentino. E com algumas vantagens em relação ao passado:
“Não preciso buscar nas minhas memórias sentimentos parecidos com o dos personagens de cada texto. A memória na minha idade é muito presente, atuante, me perguntando que personagem novo é esse. Como é: frustrado? Sei o que é frustração, não preciso nem buscar imagens na memória. Frustração amorosa? Sei, sei demais. Frustração artística? Qual o ator com 65 anos de carreira que não sabe o que é isso?”
“Não sabíamos nada, hoje pensamos saber. Sabemos? Sabemos sim, estamos mais sábios em nossas vidas e na percepção da morte que se aproxima. E nos sentimos fortes ainda na luta pela vida.”
(O Globo, Segundo Caderno, 25.05.2010)
24.5.10
MMS: vida de caranguejo

Na semana passada, falei de uns pequenos tesouros com que tenho brincado – o Nokia N97 Mini, os Motorolas Dext e Milestone, o Blackberry lilás e bonitinho que parece um brinquedo. Todos são aparelhos cheios de qualidades e de potencial. Infelizmente, para que seus recursos possam ser plenamente aproveitados, dependem das operadoras de telefonia celular – e é aí que a porca torce o rabo.
No momento, por mais que tente, não consigo fazer algo simplíssimo, que fazia ainda outro dia sem qualquer dificuldade. Atualizar o blog com fotos, em tempo real, virou uma dificuldade sem precedentes; parece que, em vez de andar para a frente, a prestação de serviços das operadoras anda para trás.
Tenho dois simcards que uso regularmente, um da Claro, outro da Vivo. O da Claro mora no N97, o da Vivo no Milestone. A escolha não é aleatória. Prefiro o N97 como câmera, e preciso dele para enviar MMS. O Milestone, em compensação, é uma excelente ferramenta para acessar a internet, coisa que a Vivo faz, de fato, muito bem.
Bom – de uns tempos para cá, a minha conexão Claro simplesmente se recusa a enviar MMS. No começo isso acontecia randomicamente. De cada três imagens enviadas, uma, se tanto, seguia para o seu destino, embora o celular informasse que todas haviam, sim, sido enviadas. Agora nenhuma chega mais. Cheguei a duvidar da competência do telefone (o N97), e troquei os simcards. Também não consegui enviar nada pelo Milestone.
Tentei, na seqüência, usar a Vivo como transmissora de imagens. Fracasso ainda maior.
Vocês vão perguntar: mas há maior fracasso no mundo MMS do que não conseguir enviar a foto? Por incrível que pareça, há sim. A Vivo também não consegue transmiti-la – mas, para piorar a situação, transmite, sem qualquer problema, um letreiro enorme, amarelo: “Conteudo enviado do meu celular Vivo”.
Tem mais. O texto original, enviado pelo usuário e não pelo celular, sai inteiramente sujo, conforme vocês podem ver na foto. Para culminar, assim que chega ao Blogger, esta verdadeira onda de poluição simplesmente tira o resto do conteúdo do ar. Se alguém acessar o blog depois que uma mensagem Vivo for enviada, nada encontrará lá além do post esdrúxulo que informa que algo (que não se vê) foi enviado de um celular Vivo.
O que fazer?
Colegas blogueiros recomendam enviar fotos pelo Gmail. É assim que têm conseguido driblar a incompetência das operadoras. Mas isso, sinceramente, não é solução. O MMS – Multimedia Message System – foi desenvolvido para facilitar o envio de mensagens que vão além do texto. O custo é menor e a praticidade muito maior.
De qualquer forma, se fosse apenas este retrocesso, eu nem me incomodava tanto. Acontece que nem emails tenho conseguido enviar pela Claro. Pela Vivo, de cada dois enviados, chega um – embora a conta seja sempre inteira e redondinha.
Já fui usuária de Tim e de Oi. A Tim era ótima – mas não pegava dentro da minha casa. E a Oi, que pegava, não pegava, por sua vez, na metade dos cantos por onde eu andava.
Meu próximo passo será comprar uns pombos-correio e treinar os gatos no uso do Blogger.
Talvez seja difícil administrar os bichos num primeiro momento, mas será com certeza mais fácil do que resolver os problemas com as operadoras.
(O Globo, Revista Digital, 24.05.2010)
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