24.1.06



Ecce Gobbo




Pronto, fim do suspense: eis o único, autêntico e inimitável Gobbo!

O curioso é que se a gente estivesse elegendo um Gobbo no voto popular, o resultado teria sido o mesmo: para 33,87% dos 124 leitores que votaram na enquete, o Gobbo é a pessoa que mais se parece consigo mesma dentre as aqui apresentadas.

Num distante segundo lugar -- 16,13% dos votos -- ficou o Anônimo Número 2; mas o Anônimo 4 também foi bem votado, com 14,52%.

Agora só nos resta descobrir o telefone do Anônimo 1 para a Bia Badaud... ;-)

É que hoje a Regina só podia vir cedo...




Good day, sunshine!




23.1.06



O Mistério do Gobbo II, ou
Tutto scientifico!

Pronto, vocês pediram uma pesquisa em forma de enquete, e o que é que a gente não faz para manter o nível do serviço?!

Aqui está, portanto, uma enquete para descobrir, de forma mais simples do que contando os votos abaixo, quem vocês acham que é o Gobbo.

Vale um voto por pessoa, numa única opção -- o que acaba, portanto, com a dúvida cruel "será o X ou o Y?".

Agora é preciso deixar a indecisão de lado, ser firme e... cravar num dos números!

Vamos lá, galera!


Quem é o Gobbo?

1
2
3
4
5
6
7
8
9





Em tempo:

A revelação do mistério está numa quadrinha que o próprio Gobbo fez ontem à noite. Lendo-a com atenção, fica óbvio quem ele é:
Já que ando pela bola 7, com o 6 vêem, é af8mente que neste 1 minuto de publicidade, 3noitado, 2me conta que nestes quadros me en4, ou 5padamente, 9s fora, nado.

O Mistério do Gobbo



Para os incréus que ainda duvidam da real existência do Gobbo, aí vai, enfim, uma prova incontestável: a foto do Nosso Herói, diretamente da aprazível e aconchegante cidade de Helsinki, Finlândia.

Claro que, sendo o Gobbo quem é, não faria o menor sentido postá-la assim, sem mais nem menos. Assim a Van Or recolheu aleatoriamente, pela internet, fotos de oito outros cavalheiros; eu as misturei; e aí está o enigma, pronto para ser desvendado por vocês.

Façam suas apostas: quem é o Verdadeiro Gobbo?

22.1.06



Até à vista, queridos!

A essa altura, nossos amigos TeAmo e Miguel já estão de volta à terrinha, cuidando dos ataques de carência do Caetano. Os dois passaram a temporada brasileira às voltas com parentes, amigos e, ça va sans dire, com a lua-de-mel: porisso andaram sumidos do blog.

Antes de viajar, TeAmo ligou e mandou um beijo muito grande para todos. Diz que já podemos até começar a organizar um encontro pro ano que vem, pois voltam ao Brasil no Natal.

Pois podem deixar, meninos: nossa Diretoria Social cuidará do caso.


Alguém sabe resolver este problema?

Pergunta o Truda:
"Minha barra de endereços não desce, nem no iExplorer nem no Mozilla. Alguém sabe como se conserta isso?"
A gente agradece, antecipadamente...


Há algum doador de sangue na área?! É urgente!

Escreve o nosso Andre Arruda:
Um amigo meu, Felipe Bonan, está precisando URGENTE de sangue A+.

Ele foi vítima de um acidente ridículo, e que revela o estado atual da nossa cidade: uma árvore, na Lapa, caiu sobre ele! Poderia ser com qualquer um de nós. Ele sofreu fratura de fêmur e ferimentos internos GRAVES.

Felipe está no hospital Quinta D'or há semanas e teve uma hemorragia séria ontem; corre risco de vida!!

o local da doação:

Hematologistas Associados

Rua Conde de Irajá, 183

Botafogo

das 8h às 16h

A- em nome de FELIPE DAVILA BONAN

-- Pode ser qualquer tipo de sangue também --

o importante é que as doações sejam feitas às 8h porque o sangue, por razões técnicas, só chegará à noite para o Felipe.

No Orkut, um pouco mais do Phil, como os amigos o chamam.

21.1.06

Final Feliz



Uma ótima notícia: vocês se lembram do Chamin, aquele gatinho que se refugiou na papelaria da Gávea? Pois foi adotado pela Mary, do Grajaú, que é super do bem, e que lhe deu o nome de Juanito.

Ele foi embora da papelaria muito faceiro e tranqüilo no carro, como se tivesse certeza de que, finalmente, estava indo para casa.

A Mary tem uma linda família gato, e Juanito logo se entrosou com seus novos parentes.

Bom domingo para todos!

Disse tudo!

Desde que morreu aquele pobre cão que se atirou do viaduto, desesperado, ao ser perseguido por uma equipe da prefeitura, venho indignada com o assunto: com a morte do bicho, com a incompetência de quem foi resgatá-lo, com as barbaridades ditas pelas "otoridades" responsáveis.

O fato de ninguém ter se lembrado de chamar a Sepda (suposta secretaria de defesa e promoção do animal) mostra o quão irrelevante ela se tornou para todos, embora o senhor secretário Victor Fasano continue mamando, e mais do que qualquer de nós jamais imaginaria, nas tetas do nosso riquíssimo município.

(Aliás: o Globo descobre que o cara levou 260 mil por duas jacutingas, vai levar mais de 800 mil por nada... e até agora... nada. A administração do senhor Cesar Maia anda tão corrupta, mas tão corrupta, que já não se mexe por acusações de "pequeno montante").

Estou pra escrever sobre isso desde então, mas ainda estou às voltas com o meu, digamos, "intensivo"; assim, descaradamente, roubo o que a Rosana escreveu no A propósito... são vidas!:
"A Secretaria de Defesa dos Animais promete que incidentes como o que tumultuou o trânsito no Rebouças (então seria esta a finalidade da Secretaria de defesa dos Animais, se preocupar com tumultos no trânsito) serão mais raros, a partir de fevereiro, quando for inaugurado o centro de triagem para animais encontrados em vias públicas (ponto onde os animais deixarão a terra para encontrar com anjos no céu, em outras palavras, morrerão esquecidos). O centro ficará na Fazenda Modelo (modelo de campo de concentração), em Guaratiba (para quem não sabe, a fazenda modelo recebia em seu passado mendigos recolhidos das ruas do Rio de Janeiro).

Os animais serão recolhidos por veículos da Prefeitura, mas a secretaria garante que não serão exterminados (apenas morrerão de fome e sem cuidados, nada demais. Quantos Veterinários seriam necessários para cuidar de um abrigo de um Município com uma população canina e felina estimada em 800.000 animais domiciliados, sem contar os abandonados? Cinco? Seis?).

-- O centro funcionará como abrigo (abrigo, o que significa proteção e amparo, neste caso quer dizer depósito de lixo) para cães, gatos e outros animais recolhidos. Será aberto ao público e os animais ficarão lá até serem adotados (uma espera rápida, pois são apenas milhões de animais, o que torna a adoção muito fácil. Sem contar que a divulgação é ampla e todas as famílias cariocas estão realmente disponíveis e em condições de adotar um animal).

Atualmente, O Centro de Controle de Zoonoses é o órgão encarregado de recolher animais feridos, agressivos ou doentes das ruas do Rio. Os animais são levados para o canil (depósito) da Instituição, em Santa Cruz."

(Reportagem de "O Globo" de 18 de janeiro de 2005, primeiro caderno, página 12.)

Até quando a população será enrolada e não educada?

Quanto mais se apreende animais, mais animais são abandonados. A volta da carrocinha é uma satisfação para quem acha que animais não têm valor, ou seja, aqueles que os abandonam. Os grandes e magníficos pensadores "Seres Humanos".

Obs: As palavras em negrito não fazem parte da reportagem... infelizmente. (Rosana Monteiro)

Foi uma farra...




20.1.06



O que acontece com o Flickr

Muita gente não está conseguindo ver as imagens do Flickr. Curiosidade: toda esta gente acessa através do Virtua. O Mario deixou um recadinho no Flickr que a Jussara trouxe pros comentários, mas não sei se todos viram este comentário:.
"Não estava "vendo nada" porque a Virtua RJ não "enxerga" as imagens do Flickr. Com umas ajudas do Forum "Bugs" de lá resolvi e se algum frequentador Virtua RJ te pedir help é fácil:

tem que colocar no browser ou no sistema o WEB PROXY (HTTP) que é:

195.39.170.102 : 80

No Mac OS X botei direto no sistema. Vale para todos os browsers. No Windows o pessoal está botando nas Tools do Explorer e por aí vai.

Depois pede a alguém do Info Etc. para explicar o que é isso. A Virtua (que eu adoro e ainda mais com 2 Mega de Megaflash) pisou na bola e os atendentes não sabem de nada e um já me disse que é problema da Embratel...

C'mon...

A não ser que Embratel seja o apelido de proxy... sei lá"
Valeu, amigo!

(Eu estava toda cheia de certezas em relação à Virtua e ao Flickr, agora não sei de mais nada; e os neurônios, tadinhos, continuam todos ocupados com outros circuitos... ó céus, ó vida!)


Fashion Rio: quando a crônica se faz de retalhos

O mundo gira, a Lusitana roda e a Fashion Rio, que durante uma intensa semana parece o centro do universo, ou pelo menos do Rio de Janeiro, some na poeira das estrelas, entre top models que voam para os próximos desfiles e roupas que, cumprido o seu destino, vão para cabides, gavetas, araras e vitrines, já retalhos do passado na cabeça dos seus criadores -- estressadíssimos, todos, com a próxima estação, e o que será a nova novidade daqui a seis meses.

Para quem teve que escrever a crônica de quinta-feira na terça em que o fuzuê mal começara, como é o caso da vossa escriba, a Fashion Rio ainda é algo vivo e real, dando voltas na cabeça e pulando corda com Tico e Teco, entre pontos de exclamação e, sobretudo, de interrogação.

* * *

Mesmo agora, por exemplo, que já sou quase uma veterana, com quatro Fashion Rios no currículo, não consigo entender a lógica dos comerciais que antecedem os desfiles. Sim, eu sei que um evento deste porte não se faz sem patrocinadores; e sim, sei também que patrocinadores patrocinam eventos para expor a marca e para mostrar que, ora, são os patrocinadores da coisa.

A marca do patrocinador deve ser vista, naturalmente, pelo maior número possível de pessoas. O patrocinador faz questão de deixar claro que, sem o seu patrocínio, nada daquilo seria possível -- fato pelo qual, supõe-se, o maior número de pessoas possível passará a olhar para a marca do patrocinador com olhos cheios de gratidão pela generosidade que permitiu a realização de tão arrebatador evento.

Até aí o meu raciocínio vai.

Acho natural que nas tendas onde se realizam os desfiles, nos impressos e em cada canto para o qual se olhe se vejam os logotipos e marcas dos patrocinadores. É justo e, como pessoa que muito se encanta pelas belas coisas realizadas na sua cidade, só tenho a agradecer às empresas que permitem que, a cada seis meses, eu possa me divertir com as modas.

Só não entendo por que as pessoas que já viram as marcas dos patrocinadores espalhadas por toda a parte são obrigadas a assistir, antes de cada desfile, ao replay do mesmíssimo comercial de cada um dos patrocinadores. No primeiro desfile a gente ainda agüenta; no terceiro, quer cortar os pulsos. Agora imaginem como não se sente quem, por obrigação profissional, tem que assistir a 40 desfiles?!

Imaginem, se forem capazes, o ódio que cresce até no coração da mais meiga criatura à quadragésima repetição do mesmo anúncio, no curto espaço de cinco dias?!

* * *

Senhores patrocinadores da Fashion Rio, por favor, tenham piedade dos jornalistas, dos profissionais da moda e do público em geral que tanto ama o evento pelos senhores patrocinado! Garanto que as suas marcas estão vivas nos nossos corações, e creio que não exagero ao dizer que somos todos infinitamente gratos pelo patrocínio, mas acreditem: mais ainda seríamos se fôssemos poupados dos filminhos que, como curtas obrigatórios, nos são impingidos a cada desfile.

Nunca vi moda em Paris, Londres ou Nova York, mas amigas sofisticadas que já viram de tudo no mundo me garantem que isso não acontece em nenhum outro lugar. O que posso asseverar, por ter visto, é que até ali na esquina, em São Paulo, o pessoal já se tocou para esta bobagem provinciana e poupa o distinto público de tal perrengue.

Certa de vossa compreensão, antecipadamente agradeço qualquer consideração da questão para as próximas edições da nossa linda festa.

* * *

E, por falar em linda festa, fica aqui o meu protesto, entre tantos, pela destruição do esplêndido gramado do MAM. Sei que a Fashion Rio não teve nada a ver com a barbárie, herdada do TIM Festival, que armou uma tenda exatamente em cima do gramado com o desenho das pedras portuguesas de Copacabana, obra tombada de Burle Marx -? mas, santos céus, em que mundo estamos?!

OK, ninguém precisa responder, a pergunta é apenas retórica; mas o que é que passa pela cabeça de alguém para detonar daquela forma um dos jardins mais bonitos da cidade?! E que prefeitura insensível é esta que autoriza semelhante loucura?! Em nome de que se manda para o espaço um gramado que é cara do Rio?!

Aliás, pensando bem, a resposta a esta pergunta está na sua própria formulação.

* * *

Do ponto de vista positivo, palmas para o lounge do Sebrae, sempre inovador, desta vez com o look da periferia bem-humorado do Gringo Cardia e um espaço bacana para as criações da Daspu. Ao contrário da Daslu, que só teria a ganhar abraçando a ONG da valente Gabriela Leite -- mas preferiu abrir fogo contra moças humildes feridas pela vida -- o Sebrae provou que tem coração, coragem, compaixão e solidariedade.

(O Globo, Segundo Caderno, 19.1.2006)

18.1.06



Love is a many splendored thing

Estou impressionada com a quantidade -- e a qualidade -- dos comentários lá da crítica que escrevi sobre 2046. Como o Nelsinho observou, taí um assunto que rende...

Um dia, com calma, ainda escrevo um post sobre o amor.

Agora vou voltar pro trabalho -- que é, também, pensando bem, uma forma de amor, quando se gosta do que se faz.

Em tempo: eu amo todos vocês, que me tanto me ajudam a fazer do internETC. um botequim virtual de boas vibrações.

Da janela da Laura






O ano promete...

O ano, que mal começou, promete grandes novidades: Macs rodando Intel, Palms movidos a Windows e, ao que tudo indica, mais um capítulo que se encerra na história da fotografia. Na quinta-feira passada, a Nikon anunciou que deixará de produzir praticamente toda a sua linha de câmeras e lentes tradicionais, para se dedicar com mais ênfase à produção de câmeras digitais.

Trocando em miúdos, dos sete modelos de câmeras para filme que ainda fabrica, e da infinidade de lentes para essas câmeras, a empresa, que é referência no fotojornalismo, manterá apenas dois aparelhos em produção.

Os porta-vozes da Nikon não revelaram quais modelos serão eliminados, mas o fim do filme é, aparentemente, uma tendência irreversível. Hoje fotógrafos que ainda se mantém no velho paradigma já se ressentem da falta de variedades de filmes e papéis para revelação, mais ou menos como aconteceu com seus antecessores que trabalhavam com formato 6 x 6 e, antes disso, em chapas de vidro.

A verdade é que, resolvidas as barreiras iniciais da resolução, do preço do equipamento e da capacidade de armazenagem, a fotografia digital é super campeã: não é poluente, é infinitamente mais barata em termos de produção e oferece a vantagem imbatível da conferência instantânea.

Este promete ser também um grande ano em termos de lançamentos de câmeras, cameraphones e toda a espécie de produtos de tratamento e exposição de imagens: afinal, é ano de Copa do Mundo, e há um mercado gigantesco de torcedores espalhado pelo planeta prontos a registrar os jogos na Alemanha, as viagens, as festinhas caseiras e o que mais cerca um evento esportivo desta magnitude.

* * *

O N90, um dos grandes trunfos da Nokia em termos de celular com câmera, acaba de chegar ao mercado brasileiro. Já recebi um para teste e em breve trago notícias (e fotos!); já a Sony Ericsson promete para meados do ano o lançamento de um aparelho com uma câmera melhor ainda do que as extraordinárias câmeras do K750i e do W800. Taí uma coisa que eu quero muito ver... e usar!

* * *

Para quem está começando o ano com um celular com câmera na mão e nenhuma idéia na cabeça, aí vai uma sugestão: que tal abrir uma conta no Flickr, em www.flickr.com?

Tocado com extrema competência, o sistema acabou sendo comprado pelo Yahoo no ano passado e, a despeito do medo inicial dos usuários, temerosos de ver uma reedição da ascenção e queda do Fotolog, a fórmula não desandou.

O Flickr continua rápido, ágil, cheio de novidades -- e aceita muito bem fotos enviadas de celulares, que pode reenviar, automaticamente, para os blogs dos usuários.

O segredo do bom uso disso tudo é um só: muito uso. Quanto mais se usa uma ferramenta, melhor se usa esta ferramenta.

Simples assim.


(O Globo, Info etc., 15.1.2006)

17.1.06

Como os olhos de um bandido...









Emergância felina!

Escreve Ana Yates:
Um gato adulto, macho, castrado, tigrado cinza e
branco, manso adentrou uma pequena papelaria no início da Rua Marquês de São Vicente, Gávea. E é claro, com minha fama já ultrpassando fronteiras, já me acionaram em busca de solução! O pessoal da papelaria é muito legal. Tanto assim, que quando entrei (fui conduzida) para ver o gato, já tinha uma caixa com areia sanitária e potes pequenos com ração e água.

Segundo os funcionários com quem estive, o dono do local a princípio tentou enxotar o bichano, mas ele lutou para não ser retirado da loja e está sendo aceito, temporariamente, desde que não crie transtornos. A papelaria é um cubículo! E o gato fica lá nos fundos num espacinho onde guardam estoque (1.5mX1.5m). Não tem porta, mas segundo eles, o o gato não passeia pela loja. Não há outro buraquinho de ventilação a não ser a porta de entrada, que após às 19h é fechada em dias de semana e após 13h aos sábados, para só reabrir na segunda às 8h.

Além de extremamente quente, um forno,o local em que o gato permanece nos fundos da lojinha é escuro.

O gato é mansinho e carinhoso e já chegou castrado.Quando toquei nele, empurrou a cabecinha para receber afago. Aliás, os funcionários me mostraram vermífugo que deram a ele e colírio que estão usando porque os olhinhos estavam infeccionados quando chegou lá.

Apesar tolerância do dono e da hospitalidade recebida, o local é inadequado para a permanência do bichano. Já tive visões apavorantes, pensando na possibilidade de abrirem a loja pela manhã e só encontrarem papel picado!!! Por enquanto, ele está muito bem comportado. Mas, por favor,se souberem de alguém que queira um gatão carente, já castrado e de personalidade dócil já estabelecida, por favor, entrem em contato comigo.

Gratíssima,

Ana

16.1.06



Da impossibilidade de amar amando,
e da falta de coragem da entrega

2046 -- Os segredos do amor


Quando o último dos últimos créditos de "2046 -- Os segredos do amor" rolou na tela, eu ainda não havia conseguido juntar os cacos do coração e reconectar as sinapses. Mesmo agora, passados três dias desde que vi o filme de Wong Kar-Wai, não estou inteiramente certa de ter conseguido ligar os fios corretamente e colado os pedacinhos todos; a sensação predominante é de que alguma coisa mudou para sempre em mim, algum sentimento profundo e oculto demais foi revirado e nada voltará a ser como antes.

As grandes obras de arte têm este poder, o de modificar radicalmente a forma como vemos o mundo ou confrontamos as nossas angústias; "2046" teria esta capacidade, mesmo que ficasse apenas na superfície, na sua gloriosa estética de sonho, perdida num ponto tão imaginário quanto aquele que dá título ao filme e que é, ao mesmo tempo, número de um quarto de hotel e título do romance escrito pelo jornalista Chow (Tony Leung), que conhecemos há cinco anos em "Amor à flor da pele". Um tempo onde tudo permanece imutável e, em tese, nada dói.

A questão é que tudo dói nesta Hong Kong dos anos 60, em que a Hollywood dos anos 30, seus galãs de bigodinho e brilhantina e suas mulheres impossivelmente bonitas se encontram na esquina com "Blade Runner".

Corpo e alma: idiomas diferentes

Hospedado no quarto 2047, Chow envolve-se com Jing (Faye Wong), filha do dono do hotel, e Bai Ling (Zhang Ziyi), uma garota de programa. Outras mulheres vêm e vão; aliás, tudo vem e vai, todos estão em constante movimento, indo ou vindo de países e cidades diferentes, ainda que sempre fechados em espaços claustrofóbicos e decadentes.

Quando a câmera se dá ao luxo de mostrar a cidade, o ambiente é escuro, chove, as paredes descascam. Não há conforto no mundo, como não há conforto na alma, exceto no trem imaginário que vem de 2046 -- mas nele as mulheres que poderiam fazer Chow feliz são andróides, não têm alma e não conseguem responder aos anseios que, afinal, ele consegue exprimir.

Na realidade paralela do filme, a sua incapacidade de amar é a tônica dominante de uma atmosfera de eterno desejo e perpétua solidão -- mesmo que, aparentemente, pessoas se encontrem, palavras sejam trocadas e supostamente compreendidas, e todos os sentimentos estejam à flor da pele -- nos olhos, nos gestos, nos corpos que se entendem a despeito da incomunicabilidade dos espíritos.

A tragédia de Chow e das mulheres que cruzam o seu caminho, no entanto, está menos na sua suposta incapacidade de amar do que na coragem que lhe falta para a entrega, menos na audácia desafiadora dos gestos do que no medo do amor: é preciso coragem demais para ser feliz.

(O Globo, Segundo Caderno, 16.1.2006)

13.1.06

Foto Ernani d'Almeida




A passarela




Acho que é a Giselle




A tropa em peso




Com vocês, isto é, comigo, o N90!




O canalha que mordeu a Tutu






Encantando platéias

A MARCHA DOS PINGÜINS

Todo ano, assim que começa o inverno na Antártica -- aquele continente onde mal se acredita que haja verão -- os pingüins iniciam uma longa jornada neve adentro. Deixam a relativa segurança do mar e andam em fila indiana, aos milhares, desengonçados e lindos, a caminho do lugar mais frio, desagradável e inóspito do planeta. Alguns abreviam a caminhada dando umas deslizadas de barriga, mas nem isso encurta a viagem de quilômetros através do gelo.

Quando finalmente chegam ao seu destino, o que fazem? Acasalam, claro: há poucos instintos capazes de levar alguém tão longe, exceto, em raríssimos casos, o de fazer um documentário.

Para a sorte de platéias encantadas ao redor do mundo, foi o segundo instinto, e não o primeiro, que levou o cineasta Luc Jacquet e sua equipe ao fim do mundo, onde o time de bípedes implumes gravou algumas das mais impressionantes imagens de bichos jamais vistas, do encontro inicial dos casais à independência final dos filhotes, gerados e criados em condições que desafiam qualquer lógica.

Ainda que pingüins sejam pingüins e que assim venham sobrevivendo há centenas de milhares de anos, é impossível deixar de imaginar que, se a natureza fosse mesmo sábia, daria um jeitinho de inventar uma forma mais simples de produzir novos pingüins. No fim do ciclo, os adultos, que chegam a passar por períodos de dois meses em jejum, perdem mais de um terço do peso.

O único defeito do filme é o roteiro, com atores fazendo as "vozes" das aves. Apesar de sua semelhança com homens em black-tie , pingüins, definitivamente, não são seres humanos. Qualquer tentativa de antropomorfizar animais e seus sentimentos é, na melhor das hipóteses, uma grave incompreensão da fenomenal biodiversidade do planeta. Na pior, é uma jogada sentimental barata para comover as massas.

"A marcha dos pingüins" ("La marche de l'empereur", no original) não precisa disso. Esta Bonequinha vai voltar ao cinema, mas vai levar o iPod para uma boa música de fundo.


(O Globo, Rio Show, 13.1.2006)

12.1.06

Almoço




Eu amo a minha cidade




Um casal




Eu amo a minha cidade




Oi, Lucas!




Cama de gato: Mosca, Lucas, Pips






Lembranças antigas e deslumbramentos novos


Recortes de Hong-Kong, um filme inesquecível e um desfile de sonho na Fashion Rio.


Sentada na beira da cama, no meio da madrugada, eu olhava o mundo lá fora: a chuva que caía sem parar, a baía vinte e tantos andares abaixo, o ir e vir de embarcações, o luminoso redondo e vermelho no prédio ao lado, néons de todas as cores e feitios nos outros prédios, todos cristaleiras como aquele em que me encontrava, hóspede do quarto 2504.

Lembro do número porque o anotei nas fotografias, mas acho que me lembraria do andar de qualquer forma, porque tenho uma certa fixação com a altura das escadas Magirus. Em caso de incêndio, não seria uma delas a me tirar de lá. Havia esquecido de conferir quantos andares me separavam do heliporto do terraço e estava vagamente inquieta -- não com medo de um improvável incêndio ou calamidade de qualquer sorte, mas talvez porque aquela fosse a forma de tornar real a angústia de um organismo que havia dado meia volta ao mundo e não sabia mais se o que sentia era fome de jantar ou de café da manhã, insônia ou, pura e simplesmente, vontade de acordar no devido tempo.

Eu estava em Hong Kong e havia acabado de me dar conta de que nunca estivera tão longe de casa -- e tão longe, também, de tudo o que me era familiar e conhecido, do idioma à comida, passando pela linguagem corporal das pessoas e pelos sons, cheiros e sinais ininteligíveis das ruas.

No dia seguinte, aproveitando uma brecha na programação que cumpria, fugi do grupo e saí sozinha pela cidade, munida de um mapa e de um cartão do hotel. À luz do dia a distância de casa não me perturbava tanto, mas Hong Kong continuava me angustiando. Não estava nem frio nem calor, caía uma chuva fininha que não incomodava, mas a quantidade de gente na rua e aquele mar de rostos essencialmente orientais me causavam uma estranheza difícil de decodificar, sobretudo porque a lenda de que todo mundo fala inglês na ilha já se havia desfeito na segunda esquina.

Eu precisava muito conversar com alguém sobre aquela cidade, sobre aquele ponto do globo em que, tendo o Rio como referência, estava de cabeça para baixo. A alguns quarteirões do hotel vi um minúsculo salão de cabelereiro com um cartaz em inglês e não pensei duas vezes. A cabeleireira, aleluia!, não só falava inglês como, ainda por cima, me explicou que eu tinha sorte, muita sorte, porque ela, por acaso, havia feito um curso especial de corte de cabelo ocidental. Segundo entendi, nossos fios de cabelo são redondos e os deles, oblongos, ou vice-versa, e se alguém não está treinado nesta sutil diferença as possibilidades de desastre são incomensuráveis. Ela havia sido boa aluna: saí com um lindo corte e com a sensação de, enfim, ter feito contato com alguém do lugar.

o O o


Antes de viajar, quando comentei com um amigo de São Francisco que iria a Hong Kong, ele me sugeriu ficar uns dias a mais para ir conhecer também a China. Observei que, para mim, que nunca tinha ido ao Oriente, Hong Kong já era China suficiente, obrigada; mas caminhando entre os hotéis, olhando a ilha do outro lado e comendo uns pêssegos deliciosos, me dei conta de que se aquela cidade estranha era a China, a China não era nada do que eu imaginara até então.

Pouco depois de sair do salão, esbarrei, por acaso, com um grupo de ingleses e dinamarqueses residentes. Fomos tomar um café juntos. Conversa vai, conversa vem, um deles me perguntou por que eu não aproveitava, espichava a viagem e ia conhecer a China. Repeti o que já havia dito ao amigo de São Francisco. O grupo todo ergueu os olhos para o céu, teatralmente, como quem implora, "Ó aí de cima, mande por favor uma luz para esta pobre criatura desorientada!"

o O o


Hong Kong é imensa, confusa, ruidosa -- e, nisso, é igualzinha à China que conheci dois anos depois, quando, finalmente, fui para o continente. Mas, vista em retrospectiva, tem muito pouco de China, e muito de... ora, Hong Kong. Uma espécie de terra de ninguém, um porto de passagem, um umbigo financeiro sem rosto onde o que importa é ter, gastar, ostentar. É assustadora e ao mesmo tempo muito atraente, e tenho uma vontade enorme de voltar; mas hoje, quando alguém me diz que vai para lá, eu também pergunto por que não aproveita e tira uns dias para conhecer a China.

o O o


Hong Kong e a China andam muito presentes no meu pensamento por esses dias por uma coincidência de felicidades: "2046 -- os segredos do amor", o extraordinário filme de Kar Wai Wong, e o desfile impecável da Marcela Virzi na Fashion Rio. Estou convencida de que estilistas, assim como desenhistas e pintores, criam à sua imagem e semelhança. Marcela, visceralmente chique e elegante, voltou o seu olhar sutil e original para a China.

As roupas que resultaram disso estão entre as mais lindas e preciosas da temporada.

(O Globo, Segundo Caderno, 12.1.2006)

Por hoje é só




Missão cumprida