23.10.01





E se o vôo 93 foi abatido?

Esta é especial para quem é chegado a uma teoria conspiratória da história -- mas o pior é que a especulação do colunista Harley Sorensen, do SF Gate, ainda que improvável (em todos os sentidos), não é totalmente impossível:

"O NOSSO GOVERNO MENTIRIA PARA NÓS?" -- perguntou ele na edição de ontem do jornal. -- "Imagine, apenas imagine, que o vôo 93 da United, o dos heróis, que ia de Newark para São Francisco, não tenha se espatifado na Pennsylvania por causa dos seqüestradores mas tenha, em vez disso, sido abatido por caças americanos. Fogo amigo.

"O nosso governo admitiria uma tragédia dessas ou tentaria acobertá-la?"

Sorensen alinha as dúvidas que deram origem à sua desconfiança:

1) Os aviões de combate, naquele momento convocados há mais de uma hora, já estavam na área, com a missão de defender a Casa Branca "a todo custo", e sabemos que um dos possíveis alvos deste avião era, justamente, a Casa Branca;

2) A caixa preta do avião foi encontrada logo, mas até agora o governo não divulgou o seu conteúdo;

3) O governo também não divulgou os nomes dos pilotos dos caças que participaram da missão, o que torna impossível entrevistá-los. Se não fizeram nada demais, por que não dizer quem são?

4) O homem que assumiu o comando do dia, o vice Dick Cheney, está sumido desde então. Dizem que é por razões de segurança -- mas se é, porque o presidente George W. Bush não sai da mídia?




Pula a palavra no colo.
Confissão de afeto
em dialeto de gato.


(escrito por Sara Fazib, descoberto pelo Fabio -- cujo blog, aliás, também está de {linda} roupa nova, by Nancy)

22.10.01






Mais um Tourist Guy chique, este à la Warhol, feito pelo Mario AV -- é, exatamente, o craque que fez o novo layout deste blog que vos tecla!




"Ai, você não vai acreditar! Tive que interromper o papo agora mesmo porque acabamos de ter um pequeno terremoto aqui em Los Angeles. Que susto! O apto. (em Westwood, três quadras de Century City) tremeu por uns sete segundos, o centro da tremedeira muito perto daqui, em Beverly Hills, mediu 2.9. Mas a conexão internet não caiu!"

(Trecho de um e-mail que acabo de receber da minha amiga Scarlett)




A guerra contra o terror foi perdida há muito tempo

"Não se trata de uma nova ordem mundial, ainda não, e não é a guerra de Deus. Antes, trata-se de uma operação de polícia atroz, necessária, degradante, visando a compensar a falência dos nossos serviços de informação e a cegueira política com a qual armamos e utilizamos os fundamentalistas islâmicos para que eles lutassem contra o invasor soviético, para abandoná-los em seguida num país devastado e sem governo. Em conseqüência, cabe a nós, infelizmente, encurralar e punir um bando de fanáticos religiosos neomedievais que obterão dessa morte com a qual os ameaçamos uma dimensão mítica."

um artigo imperdível de JOHN LE CARRÉ; íntegra AQUI!




A RIAA mostra a que veio



Entre os seres mais desprezíveis da face da terra estão aqueles tipos pestilentos que se aproveitam da miséria alheia para faturar algum: o crápula que tira a carteira do bolso do sujeito que acabou de morrer no meio da rua, por exemplo, ou o biltre que saqueia o apartamento de vítimas de terremoto. Ou a RIAA, a famigerada Recording Industry Association of America, que, sem qualquer espécie de escrúpulo, tentou se aproveitar da legislação antiterrorismo em trâmite no congresso americano para se garantir, por lei, o direito de hackear nossos computadores e apagar arquivos.

Para quem vem acompanhando a atuação desta abjeta associação, isso não chega a ser surpresa. Em todas as etapas do caso Napster ela sempre jogou da forma mais suja possível, sempre brandindo o lábaro dos direitos autorais para se passar por ilibada defensora da classe artística.

Mas para quem achava que os usuários de MP3 eram — como a RIAA sempre fez questão de pregar — um bando de piratas sem noção de bem ou de mal, a última manobra de Hilary Rosen & Cia. foi um choque. Até David Coursey, o AnchorDesk da ZDNet (com quem nunca simpatizei e a quem parei de ler depois do 911 para não me irritar além do estritamente necessário) ficou abalado. E olhem que ele é pró-establishment, pró-Microsoft, anti-Napster e anti-PGP:

“Num momento em que a nossa nação precisa tomar sérias decisões em relação à restrição das liberdades civis no combate ao mal, a RIAA devia ter tido o bom senso de ficar quieta”, escreveu ele na quinta-feira passada. “O Napster e similares, ainda que fora da lei, saíram da pauta de preocupações. Usar esta dramática mudança de prioridades como ocasião para inserir parágrafos egoístas na lei antiterrorismo chega a ser inacreditável”.

Sorry, baby, mas só é inacreditável para você, que sempre acreditou nas boas intenções não só da RIAA, mas de toda a parafernália legal que vem se armando nos EUA contra os usuários e a internet, em nome de “boas causas” (como o combate à pedofilia ou a defesa dos direitos autorais), mas servindo, na verdade, a interesses totalmente escusos.

Nisso é que dá não usar a cabeça para pensar, e achar que tudo o que é legal é legal. Sinto, mas não é não. O AI-5 era legal; o apartheid foi lei nos EUA e na África do Sul até outro dia; e o próprio Holocausto estava solidamente amparado pela legislação nazista.

Claro que quem levantou a bola das más intenções da RIAA não foi David Coursey, mas sim Declan McCullagh, da Wired. Ele saiu com a notícia bombástica na segunda-feira, apoiado numa cópia da emenda que a RIAA queria, assim como quem não quer nada, atochar no USA Act. De acordo com a emenda, detentores de direitos autorais (aí incluídos filmes e e-books) sequer poderiam ser responsabilizados civil ou criminalmente pelos danos que viessem a causar em equipamentos alheios ao hackeá-los, ou invadí-los de qualquer outra forma, no intuito de “razoavelmente impedir ou prevenir a pirataria eletrônica”.

Não é o suprassumo do mau-caratismo, para me ater a uma expressão permitida em casas de família?! Possivelmente inspiradas em 007, que tinha licença para matar (ainda que errasse o alvo e liquidasse a pessoa errada) a RIAA, a MPAA e outras instituições malsãs passariam a ter licença legal para invadir nossas máquinas, delas apagando todos os MP3 e/ou outros arquivos que porventura lhes desagradassem. Se com isso mandassem para o espaço a tese de doutoramento ou a planilha da empresa, bom, que diabos, isso seria, apenas — para usar o jargão do momento — collateral damage.

Afinal, não se faz uma omelete sem quebrar uns ovos.

(O Globo, 22.10.01)

20.10.01





Caramba!



Geeeeente, a coisa tá ficando cada vez mais sofisticada...


Olhem só que Tourist Guy MARAVILHOSO o Marcos Fontes fez: não está o máximo?

(Acho que este o próprio Escher assinaria embaixo!)








Echelon Jam: é hoje! <==(já foi)


Eu ia comentar este assunto, mas o Cat, que é o teclado mais rápido do Oeste, saiu na minha frente -- e, como sempre, mandou muito bem:

O dia 21 de outubro foi escolhido como dia internacional para congestionamento do Echelon, um sistema que até há poucos anos era considerado secreto e cuja função era, ou ainda é, interceptar todas as comunicações eletromagnéticas do planeta, incluindo rádio, TV, pager, telefone, celular, email, satélite, microonda, telex e cabo submarino. Os grupos ativistas pró-privacidade obviamente lutam ferozmente contra a existência do Echelon e, uma vez que o sistema se baseia na filtragem de palavras-chave, tiveram a idéia de anualmente congestioná-lo com milhões de emails contendo palavras as mais cabeludas possíveis, daquelas que certamente chamariam a atenção de um programa de grande porte para detecção e captura de informações suspeitas.

Quem quiser participar sem grande trabalheira, basta acessar uma página da Cipherwar/Echelon-Jam onde se pode enviar email para qualquer pessoa com texto escolhido numa biblioteca de mensagens propositalmente suspeitas. No entanto, para os que preferem uma atuação mais efetiva, recomenda-se baixar uma das várias listas de palavras echelonáveis e enviar seus próprios emails para amigos e conhecidos. Qualquer dia em que você decida mandar essas mensagens, já servirá ao propósito da Cipherware, mas se puder ser no dia 21 de outubro, ainda melhor.(Carlos Alberto Teixeira)


Querem ver uma outra LINDA família gato? Cliquem aqui! Achei lá no blog da Lu.


Outro departamento


Coisa muito bonita e comovente: tatuadores trabalhando de graça, dia e noite, perto do Ground Zero, fazendo tatuagens "patrióticas" nos bombeiros para quem levar o 911 só na cabeça, até o fim da vida, não basta. Na BBC, é lógico.

Se vocês quiserem assistir ao programa todo -- um ótimo trabalho do correspondente Robert Nisbet -- ele está disponível online, em duas partes, aqui e aqui.




Quem viu essa foto primeiro foi a Dominique...


Bioterrorismo da pesada


Sabe o que é país civilizado? É país onde o sistema público de saúde dá Reductil de graça pros gordinhos necessitados! Enquanto isso a gente, aqui, gastando meio salário mínimo por mês na poderosa droga (que aliás, no meu caso, nem se mostrou assim tão poderosa...).

Pensando bem: os Estados Unidos estão em polvorosa (vale o trocadilho) por causa do anthrax (ou antraz; ou carbúnculo -- um nome mais feio do que o outro!) que, até agora, contaminou exatamente sete pessoas numa população de 276,2 milhões de habitantes. Mas -- e aquela epidemia de obesidade que eles têm por lá, e que afeta mais de 39 milhões de americanos, não é muitíssimo pior? Bioterrorismo por bioterrorismo, o anthrax (que, pelo menos, responde a antibióticos), me parece menos letal, a médio e longo prazo, do que um Big Mac.




A diferença, honra seja feita, é que o Big Mac se identifica.
A roupa nova do blog acaba de repercutir... na Alemanha! Eu avisei, gente, vou acabar insuportável...



Buda 2.0


Todo mundo lembra, é claro, daquele gigantesco Buda que os Talibãs detonaram: se mais não tivessem feito, ali o mundo devia ter posto as barbas de molho, mandando alguma organização supra-partidária, digamos assim (até podia ser a ONU, por que não?), ter uma conversa séria com os barbudinhos.

Mas isso são águas (e pedras) passadas. Agora, o interessante é que Bernard Weber, da New 7 Wonders Society, está propondo a reconstrução da estátua em três etapas: a primeira, virtual, a partir de um conjunto de imagens 3D que, no momento é tudo o que sobra do Buda; depois, seria feito um modelo em escala 1/10, com quase seis metros de altura, a partir do qual seriam estudados materiais e métodos para possibilitar, finalmente, a reconstrução, in loco, dos 53,4m de arte que aqueles fanáticos ensandecidos mandaram pelos ares.


19.10.01

Tá, mas quem embrulha o peixe?


Imaginem isso: algumas centenas de páginas de papel eletrônico, com um chip separado em cada página e, embutidos na lombada, chips de memória suficientes para arquivar o equivalente a toda uma Library of Congress...

Esta visão do Livro Final é um sonho de Joseph Jacobson, do MIT e da E Ink, que trabalha no desenvolvimento de papel eletrônico, um projeto futurista que pode chegar antes do que se pensa e se tornar realidade dentro de alguns anos.

Eu adoro este tema! Gosto muito de imaginar as mil possibilidades oferecidas por um papel assim, embora, por enquanto, ainda não acredite que o fim dos jornais ou dos livros esteja tão próximo. Há dois grandes pontos a se considerar em relação a isso.

O primeiro é o aspecto econômico: o papel impresso ainda é a forma mais barata de armazenar dados (e, eventualmente, transportá-los por aí). O jornal é a mídia descartável por excelência. Não sei quando teremos um papel eletrônico tão simples de levar para a praia quanto um jornal.

O outro ponto diz respeito à anatomia do olho humano. Para ele (olho) ainda não há uma tecnologia de informação tão calma quanto a palavra ou a imagem impressas. De preferência, preto no branco. Qualquer outra forma de informação, do melhor dos monitores à tela do cinema, passando pela televisão, pelo neon, pelos luminosos à la Times Square -- vocês escolhem -- é cansativa, e pouco convidativa a um olhar demorado.

Ah, sim, quase esqueço: comecei a escrever este post para avisar que o papel eletrônico é um dos protagonistas da edição de novembro da Scientific American, que publica a seu respeito um daqueles artigos maravilhosos, gigantescos, que esgotam o assunto. Se você prefere tecnologia calma, corra para as bancas. Se não se incomoda com páginas eletrônicas, clique aqui. Mas prepare-se, porque a versão online da revista usa o equivalente digital daqueles zilhões de papeluchos que caem hoje de qualquer revista analógica que a gente abra, arghhh.

Tecendo a rede

Um blog que acho sensacional é o da GT (Grande Tecelã) Jackie Miller. Pra começo de conversa, a idéia que ela teve foi ótima; mas não ficou só nisso. A Jackie virou referência no mundo blog porque, além de ralar pra caramba, tem estilo próprio, e um senso de humor afinado e impecável. A verdade é que, graças àquela peneirada prévia, todos nós acabamos economizando um tempão nas nossas blog-vidas...



Lar, doce lar




Fazemos progressos!

O chão da sala já está todo colocado, agora é só rejuntar as cerâmicas e cuidar da pintura.
Amanhã eu tiro uma foto procês conferirem; por hoje, fiquem com a Tutu, fiscalizando o que anda acontecendo lá no alto...





18.10.01

A trama se adensa!


Ponto final


A autora deste texto, Ivone C Benedetti, é uma das maiores autoridades em tradução no Brasil. Acho que, com estas observações, enviadas para uma lista de tradutores, ela resolve, de uma vez por todas, a dúvida lingüística do momento: antraz ou carbúnculo?


"Na verdade já estamos convencidos de que, cientificamente, é melhor usar carbúnculo, mas existem outros dados, outras realidades que precisam ser considerados numa lista de tradutores de ciências humanas e literatura.

O que deu origem à confusão não é exatamente uma questão médica. Quem trabalha com medicina sabe direitinho do que está falando, e diz que os jornais estão "errando". Do ponto de vista da história da medicina, porém, os jornais não estão "errando" no sentido de confundirem sentidos de "cognatos", como quem traduz eventually por eventualmente. Eles estão apenas perpetuando uma ambigüidade que já vem de longuíssima data, ou seja: a isso que se dá o nome de carbúnculo também se dá tradicionalmente o nome de antraz.

Quer dizer, tradicionalmente sempre houve dois nomes para uma mesma doença (a provocada pelo tal Bacillus anthracis): carbúnculo e antraz. No entanto, existe só um nome para a doença provocada pelo tal Staphylococcus aureus: antraz. Logo, existem três nomes para duas doenças, e um desses nomes é comum às duas, sempre segundo a tradição (cheguei a enviar à lista o título de um livro de 1811 que ensina como curar o "carbúnculo ou antraz"). A distinção clara e científica, não sei por quê (já que é antiga), nunca se impôs para valer em termos lingüísticos. Provavelmente porque foram doenças surgidas e "catalogadas" em meios populares, antes de chegarem aos laboratórios; provavelmente porque houve grande interação entre os termos (fatores de imigração etc. etc.); provavelmente porque "anthracis" é "do antraz".

É interessante notar que essa ambigüidade não existe só em português. Ela existe também em italiano e em francês. Em suma, não se pode deixar de constatá-la. Por que não? Porque não podemos chamar de "ignorantes" aqueles que nela incorrem. Aí a questão se põe em termos de optar de vez por transferir para o plano lingüístico a distinção que parece já estar consolidada no plano científico. Só que, embora ela esteja clara no plano científico, não está clara no plano lingüístico. Vai dar trabalho convencer os jornais de que não devem usar a palavra antraz se ela é encontrada em vários compêndios respeitáveis como sinônimo de carbúnculo. Considerando-se então que a palavra antraz é bem mais curta... está feita a festa". (Ivone C Benedetti)



Deu no New York Times


Acabo de ler no venerando matutino que uma das minhas publicações favoritas, a Lingua Franca, mó-rreu. A revista, que existia há 11 anos, cobria essencialmente o mundo acadêmico, mas de uma forma totalmente diferente daquela que a gente está acostumada a encontrar em revistas universitárias: era séria, engraçada, provocante e, sobretudo, jornalística. Tinha uma tiragem de 15 mil exemplares, com nove edições ao ano, e nunca chegou a dar lucro. Agora, infelizmente, os patrocinadores tiraram o time de campo e Jeffrey Kittay, o editor, se viu obrigado a tirá-la de cena. Mas ele avisa que sua outra empreitada, o excelente Arts & Letters Daily, continua no ar.


Audiogalaxies, é com vocês...


Ah, sim, só mais uma coisinha -- acabo de receber um e-mail muito interessante, vocês vão gostar:

Esse site funciona como um assistente pro Audiogalaxy. Ao invés de ter aquele trabalho porco, de selecionar música por música de um disco, você só coloca o nome do disco no search do site e ele adiciona todas as músicas referentes ao disco na sua lista de downloads. Nota 10. Era tudo o que eu precisava!

Aviso: o site não estava no ar quando tentei ir até lá, mas vou deixar o post por aqui mesmo. Vai que ele esteja em manutenção, ou o quê, e a gente perde essa chance...


Há um excelente post, cheio de links muito instrutivos, no 8080, chamado Wireless Freenets - steal this bandwidth. Eu, que queria ir dormir cedo hoje... Bom, fica para amanhã.

Help!


Um vizinho deste blog me mandou uma mensagem gracinha. Ele é muito tímido e nem queria sair da concha, mas está com um problema estranho -- e eu não tenho a menor idéia do que pode estar acontecendo! Será que algum de vocês pode ajudar? Diz ele:

Eu não consigo abrir os comentários dos seus posts. É agoniante não poder participar daquela conversa gostosa que os comentários produzem. Será que você poderia me dar uma ajuda com isso? Toda vez que tento acessar o comentário recebo de volta a mensgem "Cannot Find Server -- The page cannot be displayed".


Confissões íntimas: eu e o vírus


Só a Lu já deve ter perguntado umas três vezes aí pelos comentes, isso pra não falar no povo lá da redação, na família e nos gatos: como foi que eu peguei este vírus?!

A resposta oficial é: Hoje em dia, ninguém está livre de ataques inesperados. Vide o WTC!

A resposta honesta e sincera é: Marquei bobeira.

Acontece que, nas duas máquinas "de verdade", tenho uma conexão banda larga. Elas são máquinas vivas, que ficam no ar 24 horas por dia e, assim, podem ter sua rotininhas de atualização automáticas. Eu não me preocupo com antivirais há séculos, no máximo clico um yes quando o NAV me pergunta qualquer coisa.

No notebook a que estou reduzida por causa das obras, porém, preciso me lembrar de baixar as novas definições de vírus já que, em geral, tou sempre às carreiras e em conexões discadas. O NAV bem que me avisa, coitado, mas eu sempre digo "ah, daqui a pouco": afinal, uso Eudora, e essas pragas em geral vão em cima de quem usa Outlook, certo?

Errado. O W32.Magistr.39921@mm é uma variante do W32.Magistr.24876@mm, que ataca Eudoras também.

Além disso, fiz uma besteira de todo tamanho: abri um executável atachado, vindo de um amigo. Cuja máquina está bichada... mas eu não sabia! O pior é que sempre vou repetir essa besteira (que, por obrigação profissional, recomendo calorosamente a todos que evitem): eu não resisto às gracinhas que os amigos me mandam.

Quanto ao progresso na remoção do biltre, sinto dizer que vou mal. Inúmeros arquivos (os do sistema) têm que ser overwritados, mas pra isso preciso do drive de CD-ROM externo pra rodar o Windows. Mas... eu lá sei onde está este drive, no meio dessa confusão?! Por outro lado, encontrei o Zip Drive, que vai me permitir, pelo menos, fazer backup dos zilhões de fotos e dados que estão aqui. Para isso só me faltam agora os zips -- que, naturalmente, não estou conseguindo encontrar. Mas isso é o de menos. Logo mais clico pro Jairo e encomendo uns dois ou três.

E é isso. Aí têm vocês o relato de uma sucessão de asneiras digna de um CEO de multinacional. A diferença é que ele pode jogar a culpa no gerente de TI.


Olheleaí, gente!

Capturei esta imagem lá no Gato Bandini, que tem um blog ótimo.
(Não, é claro que eu não estou dizendo isso só por causa do nome dele, que idéia...!)



Adendo em 19.10.01: O Alexandre d'Albergaria, responsável por um dos blogs mais originais do pedaço, informa: o touristguy da idade da pedra é de autoria da Ana Pow, do Flor de Obsessão, um outro blog da pesada. Valeu a dica, Calvin!


Tecendo a rede


Quer saber o que é internet, como é internet, como se faz internet? Simples: leia o que o Hernani Dimantas escreve e/ou recomenda. He gets it.

17.10.01

E aí, que tal?!


Eu não disse a vocês que ia valer a espera? Não está simplesmente LINDA a minha roupa nova?

Também, é o seguinte: foi feita por um craque de primeiro time, o Super Mario AV, a quem este blog jamais conseguirá agradecer o suficiente pela trabalheira e pelo carinho.

Valeu mesmo, Mário, você é um amor.

W32.Magistr.39921@mm


Contabilidade: 39 arquivos bichados, muitos deles no C:\Windows\System; uma máquina mais instável e estressada do que qualquer dos gatos (eles, pelo menos, não têm tela azul); meia hora de choro, mas choro mesmo, ao descobrir a mão de obra que vou ter pra consertar o estrago. Detalhe: o Thinkpad 560Z, valente maquininha a que estou reduzida por causa da obra, usa um drive de CD-ROM externo... que, por causa da obra, eu não sei onde está. É pra chorar ou não é?

Tecendo a rede


O Estraviz descobriu uma forma muito curiosa de catalogar os seus (dele) links; onde esta cronista que vos tecla exausta e à beira de um ataque de nervos a (ainda) essas horas (por causa da máquina bichada) entra como sinarca. Não sabem o que é? Eu também não sabia, mas agora que sei vou ficar insuportável. É muuuiiito chique!

Nunca houve jogo como o Pac-Man


Esqueçam o Tetris, o Mário e o Doom. O game mais jogado — e, posso garantir, mais viciante — de todos os tempos chama-se Pac-Man. Isso não é a afirmação leviana de uma jogadora apaixonada; é um fato. Nos seus vinte anos de vida, a pizza gulosa da Namco abocanhou US$ 100 milhões, acumulados em moedinhas de 25 centavos ao longo de mais de dez bilhões de jogadas.

Só em 1981, ano do seu lançamento, foram vendidas mais de cem mil máquinas de Pac-Man. E, ainda assim, como podem testemunhar, ainda hoje, os antigos aficionados, nunca havia máquinas suficientes para todos nos fliperamas. Eu mesma devo ter passado mais tempo esperando a minha vez do que jogando — pelo menos no começo, até pegar o jeitinho. Mais tarde, naturalmente, era eu quem chateava a fila.

Apesar desta quantidade de jogadas e de jogadores, o Pac-Man já era quase maior de idade quando, finalmente, alguém conseguiu fazer o número máximo de pontos: 3.333.360. O autor desta invejável façanha foi Billy Mitchell, da Flórida. Para atravessar as 256 telas comendo todos os pontinhos, frutas e fantasmas com uma única vida, gastou um quarter ... e seis horas consecutivas de concentração e astúcia. Na época (julho de 1999), assim que soube da notícia, imaginei que ele fosse um adolescente desocupado; fiquei espantada quando descobri que tinha 34 anos e todo um negócio para cuidar.

Ele é o presidente da empresa da família, Rickey's Hot Sauce, que fabrica molhos e, aparentemente, é também muito bem sucedido neste lado “sério” da vida. Tanto que, há uns dois anos, instituiu um prêmio de US$ 100 mil para o jogador que consiga ultrapassar a tela dividida que aparece depois da famosa tela 256. Esta tela é um dos grandes mistérios do Pac-Man: enquanto um dos lados do monitor continua mostrando o labirinto, o outro desaparece e, em seu lugar, entram cubos coloridos e números sem sentido. Alguns jogadores se gabam de ter ultrapassado esta tela, mas Billy Mitchell é categórico ao falar sobre o assunto:

— Eu alcancei a tela 256 centenas de vezes e nunca consegui passar dela, — declarou numa entrevista à revista Twin Galaxies, afirmando que os jogadores que alegam ter truques para ultrapassá-la nunca conseguiram demonstrar os tais truques. — O primeiro que aparecer com uma estratégia que funcione leva os US$ 100 mil.

Tim Balderranos, que foi campeão mundial de Pac-Man em 1983, diz que vai ser difícil alguém levar a grana, já que o que acontece depois da indigitada tela é que a ROM acaba. Quando o jogo estava sendo escrito em finais do anos 70, memória era coisa cara e escassa, e não passou pela cabeça de ninguém que alguém pudesse chegar tão longe. O que não impediu que, em 1982, o presidente Ronald Reagan mandasse um telegrama de congratulações a um garoto de oito anos, de São Francisco, que alegava ter feito mais de 5 milhões de pontos — uma impossibilidade teórica, ao menos, já que para isso ele teria que ter ido bem além da tela 256. A mágoa que este telegrama suscitou nos meios Pac-Man até hoje não passou de todo.

Mas Billy, que tem espírito esportivo e, já se viu, ama games (ele é o recordista mundial de Donkey Kong, também), instituiu outros prêmios de US$ 10 mil para jogadores que consigam alcançar um milhão de pontos nos jogos Ms. Pac-Man, Tutankham, Donkey Kong, Frogger, Rally-X, Berzerk, Hypersports e Carnival, e mais prêmios de mil dólares para quem consiga bater os recordes mundiais de quinze diferentes games. Isso sim, é apoiar a categoria!

(O Globo, 15.10.01)



Pique-esconde


Desde que a Al Jazeera divulgou o vídeo do bin Laden fazendo a sua pregação de Paz & Amor de algum vago lugar do Afganistão, os geólogos perderam o sono: estão todos tentando, desesperadamente, descobrir, através daquelas rochas que aparecem como pano de fundo, quê vago lugar no Afganistão será aquele. O mais seguro de todos os que se manifestaram até agora foi John Shroder Jr., da Universidade de Nebraska, em Omaha.

Shroder trabalhou em campo no Afganistão nos anos 70 quando, com uma bolsa do Departamento de Estado americano, levantou um mapa da região. Para variar, foi dado por espião pelo governo local, que o trancafiou por três meses. Ele garante que, pela cara das pedras, o famigerado bin Laden está numa ravina em Paktia, uma província no Sudeste do país, e território tribal Pushtun.

Mais preciso do que isso, só mesmo olhando uma foto batida ali na esquina e lendo as placas Avenida Visconde de Pirajá e Rua Vinícius de Moraes. O único problema é que nem todos os geólogos concordam com essa "leitura", e o pau está comendo solto entre a categoria:

-- Como, Vinícius?! Tá na cara que é Farme!

-- Vocês estão doidos. Isso aí não é Ipanema, é o Baixo Gávea, não enxergam?

-- Arghhhh, mas que burros são vocês todos, não?! É óbvio que o homem está na Avenida Atlântica, esquina com Presidente Vargas!!!

Enquanto isso, na dúvida, os aviões continuam bombardeando a Tijuca e o Andaraí.


16.10.01

A Emília tem um irmãozinho...


Pessoal, este blog orgulhosamente apresenta à comunidade o minúsculo bípede Joseph, irmão da Emília, filho do Paulinho e da Kelyndra, bisneto da Nonna, sobrinho da Bia, sobrinho-neto da Laura (ha!), primo da Julia e da Manoela e... meu neto! (Pois é, essas coisas acontecem nas melhores famílias...).Ele nasceu ontem, às 22h49, com 49,5cm e 3,400 quilos, em Austin, no Texas.

Como diz o Millôr, mais um interneto, que, por enquanto, a gente só conhece pela rede! Esta é uma das primeiras fotos dele e, conforme vcs podem ver, ele já se porta com extraordinária naturalidade perante as câmeras: em suma, um artista nato.

















Lar, doce lar

Pelo menos já dá pra ver que vai ficar bem bonito, né? Jantando ontem com a Danuza (Leão), fiquei muito impressionada com uma coisa que ela disse: ela a-do-ra obra! Pode?! Gosta de tu-do, da bagunça, do cheiro de cimento, da renovada geral. Contei pros gatos e eles estão chocados até agora - e mortos de medo de que isso seja contagioso!

O que é que você estava procurando, hein?


Como todo mundo que tem blog, eu também fico muito intrigada com algumas pesquisas que levam as pessoas a dar com os costados neste internETC. Tudo bem que o povo chegue até aqui quando vai ao Google e digita Cora, internet, jornalismo, gato -- por exemplo, há três dias alguém queria "gato pulando torto gifs", e a máquina de busca indicou este blog. Isso é o que se espera, embora não, sinto muito, aqui não haja (por enquanto!) gifs de gatos pulando torto. Mas bater aqui procurando... "É o tchan"?! Que decepção, não? Outras pérolas que capturei no meu contador nos últimos dias:

antrax cutânea
processo decisório
adolescentes de 14 a 18 anos
zero hora (imagens dos atentados)
escandalo ribeirao fotos url
fotos de corpos no WTC
perguntas e respostas feitas em pesquisas sobre a privatização
windows media player nao funciona no msn explorer.
cartão virtual- terrorismo

Uma galera anglo-parlante criou até um blog dedicado a pedidos de pesquisa esquisitos; é um blog coletivo, de modo que se alguém tiver alguma coisa suficientemente bizarra em inglês pode postar lá. Mas até que era uma alguém fazer um para as buscas em português.



15.10.01

Enquanto isso, no Brasil...


Vamos reconhecer: desde o dia 11 de setembro, só pensamos nos problemas dos Estados Unidos, do Afganistão, da Palestina, dos Talibãs... enquanto isso, a vida continua à nossa volta, e nem sempre às mil maravilhas. Leiam a carta que recebi do meu amigo Rodrigo Belchior, ele mesmo uma pessoa que muito lutou (e ainda luta) para viver com dignidade:

"Conheci o Marquinhos, hoje com 13 anos, mais uma criança pobre na favela Dona Marta, morando com sua avó tão velha quanto doente. O que me chamou a atenção naquele moleque foi a sua alegria, a meiguice daquele olhar grande e puro, tudo isso numa criança órfã e ainda tendo a responsabilidade de cuidar de sua única família -- a avó.

Perguntei-lhe, um dia, se gostaria de tocar flauta. E aí começa a história.

Como, naquela época, eu estudava nos Seminários de Música Pró-Arte, em Laranjeiras, não foi difícil conseguir uma bolsa de estudos para ele. É claro que isso só não bastava, então, durante algum tempo, junto com uma amiga que se prontificou a me ajudar, paguei seus estudos em uma escola particular. Com o passar do tempo percebi que, além de estar ficando com o bolso vazio, pois tinha todos os meus compromissos financeiros para arcar, a escola deixava muito a desejar. Com esta mesma determinação que me leva a escrever esta carta, levei Marquinhos para fazer prova para o colégio Pedro II, e, com a ajuda de Papai do Céu, Marquinhos estuda até hoje nesse colégio. Na Pró-Arte? Vai muito bem, já toca flauta transversa e começa a estudar trompete, com o professor Nailson Simões, fazendo parte dos Flautistas da Pró-Arte, cuja apresentação de fim de ano aconteceu dia 12 deste mês de Outubro no Teatro Villa-lobos, e durante os próximos dois meses vão apresentar-se ainda por outros teatros do Rio.

O que me leva a escrever?

É que esse menino com tanto talento e tanta dedicação mora num barraco de madeira, sem cozinha, sem banheiro, sem janela, sem televisão. Foi lá que o encontrei esta semana, sem TV, sem aparelho de som, como qualquer garoto normal de sua idade teria, estudando sua flauta e seu trompete (doados por amigos) com o afinco e a seriedade de sempre. Revolta? Nenhuma, ao contrário, leva sua vida no morro com a mesma simplicidade com que convive com adolescentes de classe média com os quais estuda na escola de música.

Foi diante desse quadro que me veio a idéia de mobilizar pessoas que de alguma forma se sintam sensibilizadas e motivadas a ajudar outras menos favorecidas a crescerem e se tornarem cidadãos de bem. Sonho ver esse menino morando num lugar decente, onde ele possa ter seu espaço para guardar seus livros, partituras, etc, e estudar com privacidade. Espero idéias que, de alguma forma, façam este sonho ficar próximo da realidade.

Desde já agradeço a simples leitura desta carta e a divulgação da mesma.

Abraços do amigo Rodrigo Belchior (Cel. 021 9956-0475)
"



Tsk, tsk, tsk


Mais duas vítimas da falecida Nova Economia: a Brill's Content, uma espécie de Revista Imprensa americana, e o Inside.com, site de fofocas e notícias sobre a mídia. Acontece que o casamento entre Steven Brill, proprietário dos veículos, e a Primedia, feito para teoricamente garantir a sua sobrevivência (da revista e do site,claro!; o Brill é daqueles que se garantem de qualquer jeito) não funcionou. Não vou sentir muita saudade da Brill's Content, de que nunca gostei, mas o Inside.com vai fazer falta.

14.10.01

Eyes wide open


"Na primavera de 2001, fotografei campos minados em Moçambique e, no verão, viajei com a minha filha, durante cinco semanas, pelo Sul da India. Ao longo das duas viagens, vi apenas um ou dois americanos. Há 25 anos, havia muitos americanos viajando pela África e pela Ásia Central. Como é que os EUA podem dar conta das inevitáveis responsabilidades do poder se o seu povo não viaja e aprende o que está de fato acontecendo no mundo lá fora?"

Esta observação foi feita pelo fotógrafo americano Luke Powell, autor de algumas fotos simplesmente deslumbrantes de um mundo hoje provavelmente desaparecido: o Afganistão dos anos 70, ainda poupado dos piores ataques russos e do vandalismo dos Talibãs, ainda aberto a estrangeiros que podiam ir até lá e, bem, voltar com os tesouros que Powell trouxe consigo. Imperdível!

PAZ



Lar, doce lar


Não, a Keaton, conforme se pode nitidamente observar na foto, não está achando a menor graça.

Aliás, nenhum dos membros da Família Gato está apreciando as obras; eles continuam conferindo os trabalhos diariamente, mas num estado de espírito semelhante àquele com que o prefeito Ruddy Giuliani confere os trabalhos de remoção de entulho do WTC:

Mas por que aqui?! Por que conosco?!

Todos estão extremamente irritadiços, vomitando e perdendo pêlo a mais não poder; e estão, todos, mais carentes do que nunca. Tirando isso, aqui em casa vamos todos muito bem, obrigado.
















Mundo blog


Estou tentando (sem qualquer sucesso, diga-se) botar a correspondência em dia. Entre a mailbox do jornal e a daqui de casa há msgs demais, e entre uma e outra há, ainda, aquela coisa que se chama por aí de vida normal, isto é, trabalhar, almoçar e jantar, tomar banho, escovar os dentes, encontrar os amigos, namorar, ouvir música, brincar com os gatos, ler... (não necessariamente nessa ordem). E isso para não falar na OBRA!!!

Resultado: só agora encontrei uma msg super gracinha da Yasmin Li, enviada logo depois que o Roda Viva com o Steve Ballmer foi ao ar (e que, aliás, eu perdi, não tendo, portanto, a mínima idéia de como foi).

Escreve ela: "Acabei de assistir a entrevista do presidente da Microsoft, na TV Cultura. Engraçado esse negócio de blog, quando vi você entre os entrevistadores senti o maior orgulho e fiquei o tempo todo torcendo para que tudo desse certo. Era como se fosse alguma amiga minha, apresentando-se no meio de tanta gente importante. A única representante feminina!"

Ela tem toda a razão: o lance dos blogs é mesmo curioso. Há uma sensação de intimidade ou, no mínimo, de comunidade entre nós. Para um blogueiro, um outro blogueiro a quem ele lê não é apenas um nome, mas, de fato, uma pessoa. A relação é completamente diferente da que existe entre os leitores e colunistas de um jornal, por exemplo (que conheço das duas pontas) mas, como devem se lembrar os mais antigos, bem parecida com a que existia entre os membros de um BBS ou de um grupo de discussão da Usenet (que nada mais era do que um gigantesco BBS universal). Afinidades eletivas se estabelecem rapidamente, e logo temos a nossa turma, os nossos amigos.

(Por exemplo: um querido amigo designer, de quem eu nunca tinha ouvido falar até começar este blog, e que ainda nem conheço em pessoa, está tendo um trabalhão danado para fazer um layout personalizado para o internETC... tchan-tchan-tchan-tchan! Ainda não sei quando vou estrear a "roupa" nova, mas posso adiantar uma coisa: é show!)

De qualquer forma, este blog fica feliz em reportar à comunidade que não desapontou a amiga Yasmin: Você estava bonitinha e suas perguntas eram feitas de uma maneira doce mas afiadas como uma lâmina. Valeu, obrigada!


Orientem-se!


O Eduardo Etcheverry, de Porto Alegre, me mandou uma msg tão boa, e tão cheia de boas dicas, que achei que seria um grande egoísmo mantê-la só para mim. Portanto, meninos, cliquem aqui e aproveitem.

13.10.01

Tecendo a rede


Achei esta msg da Mila Ramos no blog do Fábio Marchioro:

Eu também choro quando vejo essa imagem de gente como nós, de olhos fundos de fome, de ossos expostos e de barriga túmida! Mas eu preciso perguntar uma coisa: onde estão as fortunas dos orientais, do petróleo, das tâmaras e dos grãos mais caros do mundo? Onde está o dinheiro que eles multiplicam nos mercados ocidentais? O que fazem com os petrodólares? Será que não daria pra mudar um pouquinho que fosse, o quadro da indigência de seus irmãos, criar alguma forma de trabalho, mesmo as mais rudimentares, para que os mais pobres tivessem como sustentar seus filhos de olhos fundos e barrigas famintas, que tanto nos comovem? Será que a eles, aos donos das maiores fortunas do mundo, não comove? Será que a herança deixada pelo pai de bim Lader, tão potencializada nas bolsas dos países ricos, somada às doações dos magnatas escusos do terrorismo, não daria para mudar um pouco o cenário que nos está sendo exposto, buscando nossa piedade, provocando nosso ódio, como se os EE.UU e nós, ocidentais, fôssemos os únicos responsáveis por esse quadro..? E eles? O que fazem pelo seu próprio povo, segundo eles, em nome de Allah? Deus deve estar muito chateado por causa disso! A riqueza deles serve para derrubar torres. Matar a fome e salvar vidas é assunto nosso. (Mila Ramos)


Quesito emoção


No New York Times começa a aparecer, aos poucos, uma tocante colcha de retalhos sobre os mortos do 911. Ela está num site chamado Remembering the Victims, para o qual as pessoas podem mandar fotos e textos sobre os seus entes queridos. Lá estão os pequenos detalhes das vidas interrompidas, as pequens manias, gracinhas e gestos que fazem, de cada um de nós, um bípede especial. Pobres pessoas. Todas: as mortas e, sobretudo, as vivas.

Morituri te salutant


Há poucas coisas mais tristes no universo dos atentados do que ouvir os recados que as pessoas que estavam nos aviões ou no WTC deixaram nas secretárias eletrônicas de maridos, mulheres, pais, amigos. Com a cobertura asséptica que a mídia optou por dar aos ataques, eles são os raros vislumbres de humanidade que temos, mais ou menos como os patéticos cartazinhos espalhados por Nova Iorque com os retratos dos desaparecidos; mas os cartazinhos são vistos apenas en passant, como pano de fundo de matérias mais ou menos genéricas. Numa ânsia hipócrita de não chocar o público ("somos decentes, não estamos faturando em cima da miséria alheia"), as redes de televisão e mesmo os jornais furtaram-se de mostrar os resultados mais grotescos e pungentes do massacre, o sangue, os corpos despedaçados. Se a mídia popular sempre exagerou na vulgaridade, ao exibir detalhes mórbidos dos piores crimes e acidentes, desta vez a chamada grande imprensa exagerou na... elegância.

Foi uma decisão questionável, que deixou ao espectador ou leitor a difícil tarefa de chegar ao varejo através do atacado: tivemos que extrair da visão espetacular das torres moribundas os milhares de tragédias individuais que aconteciam naquele exato instante. Ficamos chocados com o horror e perplexos com as dimensões da grande tragédia, mas só nos sentimos genuinamente emocionados e tocados como seres humanos quando vimos ou ouvimos as pequenas tragédias, quando conseguimos identificar, em meio aos escombros, os nossos semelhantes, os nossos irmãos.

Esta foi, também, uma decisão que pode custar muito aos Estados Unidos em termos de apoio emotivo, digamos assim. Neste momento, pela primeira vez desde o dia 11 de setembro, o Taliban convida a imprensa estrangeira a entrar no Afganistão. O Guardian estima que 19 equipes de TV estejam a caminho de Karam, uma aldeia a 80 quilômetros de Kabul, onde o bombardeio americano teria matado cerca de 200 pessoas; nenhum representante da mídia impressa foi autorizado a entrar no país. Esta é, claramente, uma guerra de imagens e de relações públicas.

Não há nada sequer remotamente parecido com o WTC em Karam; o que as câmeras vão encontrar desta vez serão as ruínas de casas paupérrimas e, com certeza, pelo menos algumas criancinhas mortas ou mutiladas. Sem escolha, as emissoras serão obrigadas a nos mostrar cenas que vão cortar nossos corações, que vão nos ferir a alma de forma mais dolorosa do que um Boeing cinematográfico atingindo um dos edifícios mais altos do mundo.

E o que é que a CNN ou a NBC vão fazer quando o estrago estiver feito? Tirar do arquivo as imagens verdadeiramente chocantes do ataque? Esqueçam. Ou eu muito me engano, ou estamos a ponto de ver mais um gigantesco gol contra dos EUA nessa guerra suja, em que só há bandidos e perdedores.

Pronto, Bia!


Foi assim: num comente, a Bia perguntou se já havia foto do Tourist Guy em frente ao Corcovado.
Pois prontamente o João Marcos Turnbull fez com que houvesse.
Aí está o resultado.
Que eu saiba, é a primeira aparição do Tourist Guy em solo (virtual) brasileiro.
Valeu, João Marcos, ficou muito legal!



Um grupeto bizarro se diverte no Rio... e faz umas fotos ótimas!

Sonhar não custa nada


O Relatório Alfa chama a atenção para o lançamento, no próximo dia 26, de um carro movido a ar comprimido, super econômico e, melhor ainda, absolutamente não-poluente. Ele é um projeto da francesa Motor Development International, MDI, com sede em Luxemburgo e representação em toda a América Latina (baseada em Barcelona), que procura sócios no Brasil. Não, não é hoax; mas vocês acham que as empresas de petróleo vão deixar uma maravilha dessas dar certo? Ou que as montadoras de veículos tradicionais vão ficar quietinhas enquanto ele conquista o mercado, a 130km por hora? É ruim!

12.10.01


Imperdível!


Nós estávamos nos divertin... digo, trabalhando, aqui na redação, quando a Mariana descobriu uma galeria sensacional na Poynter.org, com as capas dos principais jornais do mundo nos dias 11 e 12 de setembro. É imperdível para qualquer jornalista, lógico, mas muito interessante também para qualquer um que goste de ver variações sobre um mesmo tema. Agora estou fechando o caderno de segunda e não tive tempo de ver metade delas, mas acho que vai ser difícil encontrar uma tão eloquente quanto a do San Francisco Examiner -- até aqui a minha favorita, disparado.

Dinheiro fácil, mas...


Se você fala árabe, farsi ou pashto, esta pode ser a sua grande chance! O FBI está procurando linguistas experientes nesses idiomas, pagando entre US$ 27 e US$ 38 por hora. Mucha plata! É claro que o Bureau tem lá as suas exigências: o elemento deve ser cidadão americano com residência permanente nos Estados Unidos; deve estar disposto a fazer um teste de polígrafo e permitir investigação completa da sua vida nos últimos dez anos. Que pena que para o cargo de presidente não se fazem tantas exigências!

PS -- Aproveite a ida até a página do FBI para ver quais são as características de uma correspondência suspeita. Eu fiquei impressionada, há detalhes que nunca teriam chamado a minha atenção. O problema é que, no fundo, somos todos muito inocentes.

Bia, olha só: não é que já fizeram até uma página?!

Então beleza não põe mesa, é? Tá, vai nessa.

Sonhos desfeitos


Estou odiando o noticiário. Qualquer noticiário de guerra me irrita ao extremo, por lembrar que animal idiota é o ser humano, que criatura primitiva e desprovida de compaixão e sensibilidade social. Mas o noticiário desta guerra, particularmente, está tendo um efeito deletério sobre uma parte fundamental dos meus sonhos: Islamabad, Kendahar, Kabul -- desde criança, esses sempre foram nomes mágicos para mim, cidades de mistério e intriga, onde aconteciam os melhores enredos do mundo. Passei muitas e muitas horas refugiada em romances de aventura onde cada uma delas era mais bonita e resplandescente do que a outra, todas cheias de metafísica, tapetes, tâmaras e objetos de cobre, numa sensação não muito diferente da que tomou Álvaro de Campos, aka Fernando Pessoa:

(....)
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...
(....)

Ou ainda este outro eco do Oriente exótico e altamente refinado de Baudelaire:

(....)
Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre ;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
(....)

Pois é. As minhas cidades mágicas nunca mais serão possíveis.

PS -- Aos não-francófonos, perdão pela citação, mas não achei nenhuma tradução do poema. E não, não se preocupem, este blog não tem a menor intenção de fazer citações em grego, latim ou farsi. Digamos que o Baudelaire foi uma extravagância ditada pela melancolia. Pronto. Já passou.



A Sabena, companhia aérea da Bélgica, está sendo o grande assunto econômico da BBC esta noite. Fico aqui ouvindo essas notícias sérias a respeito de uma pobre empresa moribunda, e tudo o que consigo pensar é no que significa Sabena: Such A Bloody Experience Never Again.

11.10.01

Não há de ser uma guerrinha lá na esquina que vai desviar a Amazon.com do seu poderoso mix de criatividade, serviço e maus negócios, certo? A nova novidade da melhor livraria online do (ainda) planeta é o livro folheável, ou seja: em vez de comprar um livro de arte ou figurinhas no escuro, apenas pela capa, o cliente pode agora ver também um certo número de páginas da obra em questão. Para quem tem banda larga e/ou está na captura de livros ilustrados, é uma grande pedida.


Anthrax ou Antraz?


Uma mensagem enviada pelo tradutor Guilherme Basílio esclarece um ponto importante. Escreve ele:

"ANTHRAX (inglês) não é ANTRAZ, e sim CARBÚNCULO em português; para complicar,

ANTRAZ (português) não é ANTHRAX. É, imagine, CARBUNCLE em inglês.Como disse o esquartejador, vamos por partes:

ANTRAZ é português (em inglês, a doença chama-se CARBUNCLE): uma furunculose, infecção cutânea normalmente por Stafilococus aureus caracterizada pela presença de vários furúnculos no mesmo ponto da pele. Como qualquer furúnculo, é incômodo mas de evolução benigna.

ANTHRAX é inglês (em português, a doença chama-se CARBÚNCULO): doença infecciosa bacteriana zoonótica causada pelo Bacillus anthracis ou seus esporos que, ocasionalmente, se transmite ao homem por contato acidental com a pele, por ingestão ou por inalação.

A infecção humana mais comum é o carbúnculo cutâneo (pele) que geralmente se cura de forma espontânea embora, raramente, possa progredir para um acomentimento sistêmico, comprometendo as meninges com alto índice de letalidade.

A forma gastrintestinal adquire-se pela ingestão de carne contaminada mal cozida, e também tem letalidade importante.

Por fim, a infecção pulmonar, adquirida pela inalação, que rapidamente evolui para uma infecção sistêmica que quase sempre é fatal.

O CARBÚNCULO, tradicionalmente, é doença ocupacional, posto que praticamente só é contraído por quem manipula carcaças, peles ou couros de animais contaminados. Em inglês, além de ANTHRAX, tem os nomes de WOOL SORTER ou RAG SORTER DISEASE - doença do separador de lã (wool) ou doença do separador de couros (rag).

É este último, o Bacillus anthracis, que vem sendo modificado em laboratório para fins de guerra bacteriológica, visando à disseminação pandêmica do CARBÚNCULO.

Lamentavelmente, até o Aurélio errou e define o verbete ANTRAZ como a infecção causada pelo Bacillus anthracis, o que é frontalmente desmentido pela literatura médica. A palavra ANTRAX não existe em português."

Fontes:
Dicionário Médico Dorland, Editora Manole (18a edição)
Dicionário Médico Stedman, Editora Koogan


Um Nobel para Sir Vidia


V(idiadhar) S(urajprasad) Naipaul, ou Sir Vidia para todo o establishment literário inglês, levou o Nobel de literatura deste ano. De família indiana, mas nascido em Trinidad (aquela ilhota do Caribe que fica ao lado de Tobago), ele é, disparado, um dos grandes escritores de livros de viagem deste século, digo, do século passado -- neste, acho que ainda não publicou nada do gênero -- talvez um dos maiores de todos os tempos. Por outro lado, dizem (mais especificamente: diz Paul Theroux, que escreveu um livro chamado Sir Vidia's Shadow, com o único propósito de esculhambá-lo -- e muita gente concorda com o dito livro) ele é um osso duro de roer, uma pessoa difícil, metida, cheia de não-me-toques. Pode se dar a esse luxo, porque escreve bem pra caramba -- mas, sobretudo agora, depois do Nobel e do seu nada desprezível milhão de dólares, pode fazer o que bem entender. Ele é um chato insuportável? Who cares? A gente não tem mesmo que conviver com ele...

Segundo Per Wastberg, o membro da Academia sueca que normalmente dá essas notícias à imprensa, Naipaul "considera a religião o flagelo da humanidade, que acaba com as nossas fantasias e o nosso desejo de pensar e experimentar". Tá certo. E taí o recado político deste ano da Academia. Bota político nisso: um dos livros de Naipaul disponíveis aqui no Brasil é "Entre os fiéis", lançado pela Companhia das Letras -- uma visão do islamismo a partir da Teerã dos aiatolás. Eu não li este livro, especificamente, mas li alguns outros, e inúmeros artigos e ensaios do Naipaul. Recomendo A Bend in the River, que descobri no início dos anos 80 e me causou, então, uma fortíssima impressão: nada acontece na história, mas o clima de tensão só é comparável, a meu ver, ao de "Under the Volcano", de Malcolm Lowry.

Flagrante de uma tarde amena nas colinas do Afganistão, onde um membro do esquadrão técnico tenta, pacientemente, desmontar uma bomba americana não explodida.









Ich bin ein link!


O mundo é vasto e variado e coisas curiosas nele acontecem todos os dias. Por exemplo: este blog tem um leitor alemão -- que faz, aliás, um excelente blog, o Schockwellenreiter (pelo menos assim me parece: o meu alemão não dá nem para a saída, mas o Kantel salpica uns posts em inglês e fala de assuntos caros ao meu coração, tudo isso dentro de um layout clean e inteligente). E como é que eu sei que ele me lê? Ah, porque ele acaba de me linkar pela segunda vez! Aliás, recomendo fortemente essa lista de links: há maravilhas, e boa parte em inglês.

Agora eu pergunto: tem coisa mais chique do que a gente ser linkada numa língua que nem fala? Ha!

Oops, sorry...


Sabem aquele encontro secreto da RIAA com grupo de altos executivos da indústria e políticos americanos noticiado pelo The Register ontem, para o qual chamei a atenção de vocês aqui? Pois pasmem: não passou de um hoax! A turma espertíssima do Register caindo num... hoax?! Mas foi isso mesmo: hoje Tony Smith, que soltou a matéria acreditando no conteúdo de um e-mail que recebeu, reconhece, contrafeito, o tamanho da mosca que comeu, e pede desculpas aos leitores. Eu as repasso a vocês e, de quebra, acrescento as minhas.
Um dos meus sites favoritos é o Arts & Letters Daily, que traz um pequeno resumo dos principais artigos do dia no mundo anglófono. Mistura de clipping eletrônico com coleção de links, ele é muito bem feito, e é um dos meus pontos de parada diários.


10.10.01

RAWA

(Revolutionary Association of the Women of Afghanistan)

Sem comentários.


Tecendo a rede


Cito o Hernani, citando o Estraviz:

O Estraviz mandou muito bem no tipuri -- "não quero ser conivente nem cúmplice. não admito que um governo estabeleça a morte de forma institucional. não concordo, soycontra um governo assim. seria o mesmo que a espanha destruir o país vasco porque lá tem terrorista. ou a irlanda ser dizimada porque o ira fica lá. terrorismo é uma grande e fedida merda. mas são alguns loucos outsiders, chagas de um sistema estranho. uma dura realidade moderna, que mostra que admirávelmundonovo nem é novo nem é admirável. quando um governo declara guerra, estabelece um contrato onde a cláusula é: aceitamos a morte por vingança. quando uma sociedade é favorável, o ciclo vicioso se amplia, transformando a vida em migalha, a morte em piada. quando a mídia broadcast se posiciona, mostrando umas coisas e outras não, está incitando o circo, ampliando o vício do ciclo." e continua aqui.


Globalização


Esta foi o Marcelinho quem mandou:

"Globalização é uma princesa inglesa, que estava com um playboy egípcio, num carro alemão com motor holandês, dirigido por um motorista belga embriagado com uísque escocês, capotando num túnel francês, perseguida por paparazzi italianos, e socorrida por um médico americano com medicamentos portugueses. No que é que deu? Mó-rreu..."

Internauta que não lê o Pedro Doria diariamente não sabe das coisas. Literalmente.



O bom combate


A gente sempre pode confiar nos hackers alemães! Desde que o saudoso Wau Holland criou o ccc eles demonstram ter uma das mais saudáveis interações com máquinas do planeta. Agora fiquei sabendo, por exemplo, de um cara chamado Kim "Kimble" Schmitz que teve uma grande idéia: criar um über time de hackers para separar os terroristas do mundo todo (aí compreendidos IRA, ETA & Cia.) do seu rico dinheirinho, rastreando contas e fazendo o serviço do qual, provavelmente, darão cabo muito melhor do que o FBI. Taí: neste tipo de combate eu ponho fé. O Kimble é um pouco radical demais pro meu gosto, sobretudo quando prega apoio ao governo (embora esta seja uma defesa a priori que ele faz bem em usar), mas a missão e as regras que ele criou para a YIHAT (Young Intelligent Hackers Against Terror) estão corretas. Pode ser uma!

Make love, not war


Não sei se é má vontade da minha parte, mas tenho sentido, na imprensa americana em geral, um movimento constante e sutil para desmoralizar os movimentos pacifistas nativos. Que os estrangeiros (sobretudo muçulmanos) se manifestem contra os ataques ao Afganistão e à Doutrina Bush, ainda vá lá; mas que um americano faça isso, só sendo doido, socialista ou desajustado -- o que, pensando bem, sob a ótica lá deles, dá na mesma.

Eu por acaso participei de uma passeata pela paz em Los Angeles, há cerca de dez dias. Esta passeata, em que havia gente de todas as idades, credos e nacionalidades unida em torno do mesmo ideal, com o mesmo entusiasmo, foi um dos momentos emocionantes da minha vida. De certa maneira ela fez, no meu coração, as pazes com um país que sempre olhei com ambivalência e, desde as últimas "eleições", com francas reservas.

Pois este movimento bonito e gentil, no qual encontrei tantas pessoas do bem, foi descrito, nos jornais do dia seguinte, como uma marcha de radicais, malucos e hippies velhos, que nunca saíram dos anos 70. OK, eu talvez me enquadre nessas três categorias, mas ainda assim, juro que o que presenciei não tinha nada, mas rigorosamente nada, a ver com o que disse a imprensa. Fiquei me sentindo traída como participante da passeata, e envergonhada como jornalista.

Estou falando nisso agora porque, remexendo nos papéis que trouxe da viagem, encontrei uma filipeta conclamando as pessoas a um novo encontro, no próximo sábado, dia 13, na praia de Santa Mônica, quando será formado um grande símbolo da paz humano. Pelo que vi e pelas conversas que tive, vai ter muita gente e vai ser muito legal, mas nós possivelmente nem vamos ficar sabendo. Se você está lendo esta nota em Los Angeles (na internet, tudo é possível) não deixe de ir: a manifestação está marcada para as 13hs, no Ocean Park Blvd. Para maiores informações, ligue para (310) 392-8558, e fale com a Marsha Straubing.


PS -- Ah, sim: eu subi as fotos que fiz do protesto para o Photo Island. Para vê-las, entre com o username cronai e a password antiwar.

PPS -- O Eduardo, arquiteto lá em Porto Alegre, mandou uma ótima coleção de links de sites pacifistas. Todos merecem pelo menos uma visita; e, se você quiser se manter bem informado(a), várias visitas.

Flora.org
Ruckus
Human Rights Watch
War Resisters
AntiWar
Non-Violence


Apenas uma fotografia na parede...


Desde que a fotografia digital se popularizou, a Polaroid se viu em maus lençóis. Seu grande apelo de consumo nunca foi a qualidade das fotos, na melhor das hipóteses medíocre, mas o fato de elas serem instantâneas, dando a fotógrafos e fotografados satisfação imediata. Isso, porém, as digitais de hoje fazem melhor e, no final das contas, mais barato. Há dois anos, a velha pioneira do clic miojo ainda tentou sair pela tangente, lançando uma câmera digital; mas nunca chegou a ser firmar neste campo, onde a concorrência é assustadora (para eles) e deslumbrante (para nós). Pois o inevitável, pelo visto, está para acontecer. Segundo o Wall Street Journal de hoje, a Polaroid deve entrar com um pedido de concordata (Chapter Eleven) para se proteger da falência: está no vermelho em mais de US$ 900 milhões. Analistas consultados pelo jornal acreditam que a empresa não terá grandes dificuldades em ser vendida.



Torres de Luz


Um ótimo artigo de Robert Knafo na Slate comenta as várias alternativas para o espaço do WTC, inclusive a idéia, inteiramente descabida a meu (e dele, e de mais um monte de gente, com exceção dos 63% de nova-iorquinos consultados pela Quinnipiac) ver, de reconstrução das torres, tais como eram. Já existem inúmeras propostas, naturalmente, mas o que veremos mais cedo no local, possivelmente, é o belo projeto Towers of Light, dos artistas Julian LaVerdiere e Paul Myoda, e dos arquitetos John Bennett e Gustavo Bonevardi: substituindo as torres falecidas, dois fachos de luz intensa, apontando para o alto como espectros. A idéia do projeto, que já tem o apoio da Sociedade de Arte Municipal e da Creative Time, uma espécie de ONG artística local, é funcionar como uma ponte entre o presente de ruínas e o futuro espaço, seja ele qual for.

Programaço!


Estou assistindo na RAI ao documentário (agora percebo, antiquíssimo: Réveillon de 2000!) gravado por um casal de turistas de meia-idade descobrindo a China. Eles são muito engraçados, gente! Chegando a Shangai, ele fica besta diante da quantidade de néons, lâmpadas, lampiões e lamparinas: "Meu Deus! Nunca vi tantas luzes na vida! Esses caras passaram direto do culto ao Grande Timoneiro pro culto ao Grande Eletricista!"

A RAI é um acontecimento. É caseira e gostosa como uma excelente macarronada, e igualmente enganadora na sua aparente simplicidade. Alguns dos melhores comentários sobre a atual conjuntura, digamos assim, ouvi aqui desses italianos, que tanto falam, tanto gesticulam e... tanto sabem. Auguri!
Novidade do dia: a pedidos, este blog agora tem um comente: depois de cada nota. Chique, não? Aliás: comentem!

9.10.01


Lar, doce lar









Mamãe me disse que toda obra acaba um dia. Não sei por que, estou com certa dificuldade em acreditar nisso, sobretudo quando tomo coragem de ir até o lugar onde antigamente ficava a sala.

Consumidor é pra consumir. Bem caladinho.


Tony Smith, do The Register, escreve que, na semana passada, a RIAA (Recording Industry Association of America) organizou um encontro secreto em Washington para estudar leis mais severas contra os sistemas de troca de arquivos digitais, provedores de acesso, usuários e quaisquer outros elementos inconvenientes que estejam no seu caminho para a distribuição de música enlatada. Teriam estado presentes a este encontro os pesos-pesados Andy Grove (Intel), Lou Gerstner (IBM), Michael Eisner (Disney), Jack Valenti (MPAA), Edgar Bronfman (Vivendi Universal), Gerald Levin (AOL Time-Warner), Ken Berry (EMI), Steve Heckler (Sony) e Strauss Zelnick (Bertelsmann), mais os CEOs da Toshiba e da Matsushita e os senadores Fritz Hollings e Ted Stevens. Liderando os trabalhos, a indefectível Hillary Rosen, da RIAA.

E qual era o seu objetivo ao reunir toda essa gente? Simples: convencer a indústria a instalar em todas as máquinas mecanismos que impeçam os usuários de transpor o conteúdo de CDs, ainda que legitimamente comprados, para seus discos rígidos (ou tocadores de MP3), os provedores a impedir o livre tráfego de arquivos pela rede, os legisladores a criar dispositivos legais que não só penalizem de forma mais severa os usuários porventura acusados de pirataria, mas também os provedores que os servem y otras cositas más. Há algumas semanas, esta seria uma batalha dura de encarar; agora, com os Estados Unidos paranóicos e distraídos pela guerra, pode ser uma moleza.

Duas frases da reportagem do Register são particularmente sinistras. Uma, de Michael Eisner, que reclama do desagradável fato de, entre a indústria e o contrôle total do que os consumidores poderão ou não fazer com suas músicas, estar o problema da privacidade; e outra do CEO da Sony, que diz que, uma vez que não possam mais obter música de graça, os usuários terão de comprá-la "nos formatos que nós decidirmos".

Ei, você -- páre de reclamar e vá passando a grana.



Numa ótima Parabólica do Cat (ei, cara, não era procês estarem em lua-de-mel? ou hoje em dia isso não se usa mais?) o site do departamento de engenharia civil da Universidade de Sydney, onde a galera destrincha, em pormenores, a queda das torres do WTC.

8.10.01

As pessoas inventam cada coisa... Aqui há fotos dos dez finalistas para o concurso de sofá mais feio dos Estados Unidos. Só posso dizer que o páreo é duro, muito duro. (Achei esta dica no blog da Nancy.)

Angloparlantes, atenção: não deixem de ler o que o Dan Gillmor escreveu hoje! É da maior importância.

Um país chamado Samsung


Quando alguém nos pergunta se o Brasil não é aquele país da América Central cuja capital é Buenos Aires, ficamos indignados e, sobretudo, estarrecidos com o nível da ignorância alheia. Mas como é que alguém pode desconhecer fatos tão elementares?!

A nossa própria cultura geográfica, no entanto, quando posta à prova, não se revela lá muito superior. Até vir para Seul, capital da Coréia do Sul, eu não sabia muita coisa sobre o país. Continuo não sabendo, mas pelo menos já consigo avaliar as dimensões abissais da minha ignorância. E consegui, até, perceber algumas coisas muito interessantes.

A mais inesperada, para mim, foi constatar que os coreanos são, guardadas as devidas proporções, os latinos do Extremo Oriente. Eles são simpáticos, afáveis e tranqüilos, e lidam com o tempo de uma forma elástica, quase baiana. Quando marcam alguma coisa para as nove, por exemplo, isso não quer dizer que, necessariamente, vamos nos encontrar no exato momento em que os relógios estiverem marcando a hora, mas apenas que esta talvez seja uma boa base inicial de trabalho.

Não cheguei a discutir a teoria a fundo com nenhum dos meus novos amigos coreanos, mas suponho que o encontro real dos corpos não seja tão importante, dado que, em espírito, estaremos mesmo juntos quando constatarmos que horas são. E, afinal, somos todos espírito — exceto, naturalmente, quando somos todos eletrônica. O que, lá, acontece com razoável freqüência.

Como seus vizinhos japoneses (com quem, por sinal, pouco têm a ver) os coreanos são fascinados por gadgets de todos os tipos. Se um aparelho tem pilha ou tomada, pisca, canta ou se movimenta, fará sucesso certo. E embora os cartazes comerciais das fachadas de Seul ainda sejam, em sua maioria, simples ideogramas pintados, sem os exageros de luz e movimento dos néons de Hong Kong, o cenário quase constante da vida coreana é um monitor — ou, de preferência, uma coleção de monitores — em permanente ação. Isso vale do taxi, passando pelo ônibus e pelas lojas de roupas íntimas, aos bons hotéis, onde, me parece, uma TV de 20” daquelas que consideramos normais é tão inaceitável quanto um travesseiro de espuma.

Quando se fala em monitores, em qualquer parte do mundo, o nome Samsung vem imediatamente à cabeça. Mas imaginem na Coréia! Sendo que, lá, tudo é Samsung, de monitores e eletrodomésticos dos mais variados a automóveis — hoje fabricados pela Renault, mas sempre conservando a marca que é sinônimo do país.

A Samsung é uma presença tão constante na vida coreana quanto a Nokia na Finlândia. As duas são as principais empresas de seus respectivos países, e motivos de orgulho nacional. Curiosamente, ambas disputam, neste momento, corações, mentes e fundos dos países latino-americanos, cujas operadoras de telefonia celular terão de optar, em breve, pelos equipamentos que as conduzirão à 3G, famosa terceira geração de telefonia móvel que, até aqui, tem sido mais papo do que realidade.

Outro paralelo curioso é que tanto a Coréia quanto a Finlândia são países modelo para a apresentação de sistemas desta nova etapa; mas enquanto na Finlândia defende-se o GSM, utilizado principalmente nos países europeus, na Coréia prega-se a cartilha do CDMA, campeão na Ásia e nos EUA. Os dois lados têm vantagens, e ambos levam, essencialmente, ao mesmo lugar — um ponto qualquer do futuro em que estaremos todos nos conectando à internet, em banda larga, através dos nossos celulares.

Se depender da Samsung, porém, eles serão bem mais do que simples telefones. Park Sang Jin, vice-presidente da empresa e seu diretor geral de marketing, lembra que, hoje, o relacionamento entre o usuário e o celular é extremamente pessoal, e vai bem além do gesto utilitário de se pegar o aparelho para falar com alguém. Seu papel não é inteiramente diferente daquele dos relógios, que há muito deixaram de ser reles marcadores de horas.

— Quando a gente acorda, toma banho, se veste, bota o relógio no pulso e pega o celular, — diz Park Sang Jin. — Este é um aparelho que vai nos fazer companhia durante o dia inteiro, está integrado à nossa rotina e faz parte de toda uma imagem que criamos.

Verdade. Os celulares são brinquedinhos com que nos divertimos, objetos que gostamos de olhar e de tocar. E isso quando somos adultos! No mundo infantil e adolescente, eles têm papel ainda mais relevante.

Esta percepção orienta o design dos Samsungs mais avançados que, na Coréia, são mesmo de dar água na boca: há telefones que tocam MP3, funcionam como PDAs, tiram fotos digitais (e podem enviá-las imediatamente), captam sinais de emissoras de TV e exibem programas em telinhas supreendentemente claras. Perfeitos objetos de desejo, simplesmente irresistíveis.

Mesmo para os mais radicais, que acham que telefone é apenas um instrumento de comunicação, há uma margem incrível de escolha, de aparelhos tão leves e pequenos que podem ser carregados no pescoço, como jóias eletrônicas, a outros tão fininhos que podem ser guardados na carteira sem fazer muito volume.

Mas também em Seul, como no resto do mundo, é difícil manter uma conversa sem cair no assunto do momento. Para a indústria de celulares, como um todo, o ataque terrorista aos EUA teve um efeito positivo nos negócios. As vendas dispararam depois do papel dramático desempenhado pelos aparelhinhos, cuja imagem como elo de ligação familiar e dispositivo de segurança foi consideravelmente reforçada.

Nem preciso dizer, claro, que este não é assunto fácil de se discutir por aqui: o tema é extremamente delicado, e qualquer palavra mal traduzida pode gerar grande constrangimento. Park Sang Jin confessa, quase consternado, que as vendas de celulares deram, de fato, um grande salto. Mas ele não gosta de falar em números e, de qualquer forma, acha o quadro todo ainda muito confuso para que se possa chegar a qualquer conclusão definitiva.

O Globo, 8.10.01


As fotos que fiz durante a viagem estão no Photo Island. Se vocês quiserem dar uma olhada, é só clicar aqui e entrar com a senha samsung.

Não percam o Millôr de hoje.

Enfim, uma grande notícia!


Ontem, os amigos do Cat e da Laiz comemoraram o casamento deles, realizado na última sexta-feira pela incansável juíza Maria Vitória. A unidade de carbono responsável por este blog não pode, infelizmente, comparecer -- mas isso não significa que não esteja festejando, do fundo do coração.

Acontece que o Cat (Carlos Alberto Teixeira, para os íntimos) é uma das pessoas de quem mais gosto no mundo. Ele é engraçado, curioso e surpreendentemente criativo, um dos raríssimos originais verdadeiros que jamais encontrei; mas, acima de tudo, é uma criatura cem por cento do bem.

Já a Laiz, que conheço há pouco tempo, tem, obviamente, as duas qualidades essenciais para fazer a felicidade do Cat: é uma doçura, com um espírito de aventura à toda prova.

Olhem para a cara deles: não é óbvio que vão ser super felizes juntos?

Chamando todos os Compaq


Se você é o feliz proprietário de um notebook Compaq, atenção: está em curso um gigantesco recall para substituição de 1.400.000 adaptadores AC (aquelas caixinhas pretas com um fio de cada lado, que conectam o computador à corrente elétrica). A iniciativa foi tomada depois do superaquecimento de cinco desses adaptadores; a Compaq, sabiamente, tomou a decisão certa, e está cuidando do problema antes que atinja maiores proporções.

O recall envolve adaptadores para os notebooks Armada M300, 110, M700, E500s, E500, V300, 100s e 3500, e Prosignia 170 e 190. Nem todos eles, porém, estão defeituosos. Os que devem ser trocados podem ser identificados pelo número de série e modelo que está na etiqueta, abaixo do nome Compaq Computer Corporation: PPP003SD, PPP003 e PP2012 (apenas para o Armada 3500). A troca será feita, é claro, sem nenhum ônus para os proprietários.

Na nota distribuída ontem à imprensa, a Compaq recomenda aos clientes que suspendam o uso dos adaptadores AC sujeitos ao recall, e que solicitem sua pronta substituição. Para maiores informações, ligue para a Compaq nos telefones 11 3046-7400 (Grande São Paulo) ou 0800-55-6404 (outras localidades), ou consulte o website especialmente criado para o caso.


7.10.01

Sacudindo o esqueleto


Na última quarta-feira, John Perry Barlow, um dos ciber-cidadãos mais ativos do planeta, comemorou 54 anos com uma das suas famosas Barlowfests, desta vez no Granite Room, clube de jazz em pleno Ground Zero, em Nova York. Convencido de que não se pode negar a vida aos que (ainda) estão vivos, e de que os comerciantes da área estão mais do que precisados de uma força, ele conseguiu reunir 200 almas roqueiras e destemidas que comemoraram até altas horas. Várias coisas curiosas aconteceram, inclusive a presença de meia dúzia de bombeiros, loucos para dar um tempo no funesto trabalho que vêm fazendo, sem parar, há quase um mês. Foram recebidos como heróis e, garante Barlow, se deram bem.

Mas, diz ele, é impossível esquecer o horror -- até porque, no Ground Zero e em suas imediações, não se pode fugir do cheiro:

"Depois de alguns dias de calor e de excavações intensas nos escombros, aquele cheiro enorme e triste se tornou tão pungente que, às vezes, fica difícil respirar até no meu apartamento, na esquina de Grand e Mott, três vezes mais longe do Ground Zero do que o lugar da festa. Lá, é tudo. A imprensa não consegue transmitir este odor, porisso fala tão pouco nele, embora -- tirando o luto em Nova York, a histeria no resto do país e uma alteração de paisagem que, em Manhattan, é como se os Tetons desaparecessem de Jackson Hole -- o cheiro seja a lembrança mais constante e emocionalmente penetrante do massacre. Eu também não vou conseguir descrevê-lo.

Ele é uma mistura, em partes iguais, do pior com que a química e a biologia podem atingir o seu nariz. Do lado químico, podem-se detectar os gases que os plásticos liberam quando queimam, vapor de mercúrio, poeira de asbestos e, provavelmente, a maior variedade de moléculas inorgânicas jamais reunida. E o componente biológico é, bem... a bio-massa aquecida e morta há vinte dias de uns seis mil dos nossos semelhantes".

Ugh.

A íntegra da carta de John Perry Barlow (em inglês) está aqui.

Quanto pior, melhor


Em poucos ramos da atividade humana o velho axioma "quanto pior melhor" funciona tão bem quanto no tele-jornalismo. O ser humano é uma espécie esquisita que, aparentemente, não gosta de boas notícias; quando o mundo está relativamente calmo, os telejornais têm que disputar a audiência ponto a ponto com qualquer filmeco ou novela em cartaz. Em tempos agitados como os que estamos vivendo, porém, não há notícia que baste -- e nem a gente quer outra coisa. Desde o ataque aos Estados Unidos, a humanidade (ou, pelo menos, aquela parcela da humanidade que tem televisão) não consegue se afastar das notícias. Ninguém agüenta mais ouvir falar sobre o assunto mas, paradoxalmente, ninguém consegue mais falar sobre outra coisa.

Para a CNN, que andava mal das pernas e chegou a apelar para o redesenho do seu visual e a contratação de uma modelo como âncora, o 911 foi uma injeção de ânimo: de repente, o mundo inteiro estava novamente interessado em notícias, apenas notícias. Mas, entre as emissoras estrangeiras, a grande vitoriosa na América Latina está sendo a BBC que, com correspondentes permanentes espalhados pelo mundo inteiro (são 58 sucursais internacionais, com um total de 250 jornalistas), está dando um show de bola na cobertura. Do dia 11 para cá, a emissora estima que novos 300 mil espectadores latino-americanos passaram a assistir regularmente ao BBC World, seu noticiário 24 horas, e principal concorrente dos noticiários da CNN.



6.10.01

Troféu de viagem


Quando um vôo da gente é cancelado em Los Angeles, o que é que a gente faz? Vai às compras, é lógico: o destino não pode ter outro propósito ao nos dar, ao mesmo tempo, um dia à toa nos EUA e alguns cartões ainda não detonados na bolsa...


Fui para a 3rd St. Promenade em Santa Monica, comprei uma quantidade de incensos de diversos tipos e origens e este sapato que achei a minha cara. Ou pé. Ele estava de bobeira na Anthropologie, uma das minhas lojas favoritas.


Não é uma gracinha?



Recado à Central de Boatos: chega!


Daqui a cinco dias, os ataques terroristas ao WTC e ao Pentágono fazem um mês -- e a internet continua fervendo com bobagens a respeito do assunto. A falsa profecia de Nostradamus (em tempo: existe alguma profecia verdadeira? De Nostradamus, ou de quem quer que seja?) parece ter saído, felizmente, de circulação; mas não há dia que se passe sem que eu não receba ainda pelo menos meia dúzia de e-mails estarrecidos com os acontecimentos "sobrenaturais" cercando a tragédia, da sinistra mensagem oculta dos wingdings ao rosto de Satã visível na fumaça e na poeira dos escombros das torres, para não falar na foto do turista desavisado no alto do WTC exatamente no momento em que um avião se aproxima do edifício. Bom, galera, para tentar acabar de vez com esses papos (até porque eles já estão ficando chatos demais!), sugiro uma visita à página das lendas urbanas, que fez um especial com todas essas histórias, falsas ou verdadeiras. E vamos em frente. Pode ser?

5.10.01

É elementar, meu caro Watson


E, por falar em criptografia, o Register traz uma materinha com Phil Zimmermann em que, mais uma vez, ele comenta o absurdo que seria criar um sistema criptográfico com uma backdoor que permitisse aos agentes da lei acesso ao texto aberto. O argumento de Zimmermann é simples: não há usuário mal-intencionado que, sabendo disso, use um sistema assim. Ponto. Aliás, se a gente pensar bem, vai ver que, neste momento, os EUA & Cia. só não conseguem descobrir onde está Wally bin Laden porque o homem, que é louco mas talvez não seja burro, voltou à idade da pedra e nem telefone está usando mais.

Escrevam em húngaro!


O Kuja cantou esta pedra ontem no Samizdat: as msgs de e-mail trocadas entre os autores do 911 (como está sendo chamado o ataque terrorista pelos íntimos, isto é, os americanos) não estavam criptografadas. Elas foram, em sua maioria, enviadas de máquinas públicas localizadas em lojas Kinko's, e estavam escritas parte em inglês, parte em árabe -- o que, num país radicalmente monoglota, como os Estados Unidos, equivale a usar criptografia forte.

Isso, porém, não impede que a linha dura continue uivando contra os programas que oferecem a nós, usuários inofensivos e tementes a Deus, as ferramentas de que precisamos para nos defendermos do olho grande do Big Brother.

Lar, doce lar


Esta foi a cena desoladora que me recebeu assim que cheguei de viagem. Tinta, caliça, cheiros fortíssimos de coisas tóxicas pra todo lado... uma loucura!

O que seria de mim sem leite e sem polaramine? E o que está sendo dos meus quadrupes queridos? Pobres gatos!

Em compensação, já dá para se ter uma idéia de como vai ficar quando estiver pronto, e a minha impressão (modesta, ça va sans dire) é que vai ficar o máximo.

Só.








4.10.01

Sexo seguro


Se ser uma ponto.com antes do fatídico dia 11 de setembro já era difícil, imaginem agora: até empresas relativamente sólidas e bem estabelecidas, como Expedia e Travelocity, estão sentindo o tranco, e torcem, fervorosamente, para que este período de turbulência acabe antes de acabar com elas. Mas há um setor da vida online que prospera sem traumas e vai muito bem, obrigado: é o pornô, que, aparentemente, resiste a tudo. No Brasil, o campeão da modalidade é o sexyclube.com.br que, em um ano de vida, conseguiu atingir a invejável marca dos 153 mil assinantes -- e que, a cada semana, emplaca mil novos usuários.
Sei não, mas ou tá faltando mulher ou tá sobrando tempo, né não?

Adendo do coleguinha Nelson Vasconcelos: "Cora, eu diria que, à medida que falta mulher, sobra tempo."

Efeito AOL


Quem levanta a bola é o repórter John Lippman, do Wall Street Journal: desde que foram incorporados pela AOL na monumental fusão AOL-Time Warner, os tradicionalíssimos estúdios Warner Bros. não são mais os mesmos: eles estão deixando de investir diretamente nos filmes que fazem, terceirizando a produção e indo no popular. Só este ano serão lançados 26 filmes pelo que agora é pouco mais do que uma griffe, ou quase o dobro da produção dos outros estúdios. Mas, se a quantidade é animadora, a qualidade deixa muitíssimo a desejar.

Em suma: é a velha mentalidade AOL chegando a um cinema perto de você.

Hoje é aniversário da Emília!!!




Ela não está uma coisa linda?! (pergunta a avó-coruja)

Ítaca


Por incrível que pareça, estou de volta. A viagem foi ótima e, na etapa americana, em Los Angeles (com direito a vôo cancelado e tudo), teve até passeata contra Bush, racismo e guerra. Acabei enturmada com um grupo de chilenos mais ou menos da minha idade, e lá íamos nós, pelas ruas de Westwood, aos brados de El Pueblo, Unido, Jamás Será Vencido! Na minha cabeça, naturalmente, a trilha sonora era Volver a los 17, de Violeta Parra... Depois encontrei um grupo de estudantes árabes e comprei uns buttons pra ajudar na luta. Dizem: Being Arab is Not a Crime. Sugeri que eles colem um pequeno adesivo complementando a frase: YET...

Agora, de volta, descobri que só não sou uma sem-teto porque sou uma sem-chão. Meu lar doce lar já era; a reforma está no auge, a Família Gato está estressadíssima e soltando pêlo furiosamente e, se não bastasse, ainda recebi um e-mail do grande Naum Alves de Souza, repassado pelo não menos grande João Ubaldo Ribeiro, a cuja mailbox chegou graças ao empenho da Olivinha Byington para quem, depois que começou a correr e virou aquela coisa não só magra como definida, me recuso a ter adjetivos. Mas, enfim, antes desta frase enorme que mal consigo acabar, dizia eu que recebi um e-mail do Naum, que me deixou simplesmente arrasada. Este país nunca vai ter jeito enquanto aquela politicalha de Brasília estiver se esbaldando com o nosso dinheiro e um homem com o talento e a sensibilidade do Naum estiver numa pior dessas!

Leiam por vocês mesmos:

São Paulo, 2 de outubro de 2001

CAROS AMIGOS;

Pode parecer estranho mas isto é um pedido de ajuda. Para mim.
Aos 59 anos me encontro numa situação financeira extremamente difícil.
Não estive parado todo esse tempo. Trabalho sem parar.

Ano passado, no final de outubro, fui procurado por uma professora do MAE, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e convidado por sua diretora para conceber e realizar uma exposição denominada BRASIL - 50.000 ANOS que, pelo contrato assinado por mim e pela dita diretora, deveria ter sido inaugurada dia 20 de março de 2001, em Brasília, no Superior Tribunal de Justiça.
Fui, portanto, contatado em final de outubro de 2000, não aceitei nenhum trabalho a partir do início de novembro e utilizei esse período para realizar pesquisas de materiais, estudos, compra de livros, visita a um sítio arqueológico, reuniões e assistência a palestras de pesquisadores do referido museu.
O contrato foi assinado apenas dia 21 de dezembro e a primeira parcela foi paga com 35 dias de atraso. Em um texto que estou anexando a esta mensagem está bem descrita a forma de pagamento que foi efetuada. Breve estarei pondo em circulação um site com tudo que realmente aconteceu. Esse projeto foi inaugurado em versão simplificada no mesmo Superior Tribunal de Justiça no dia 3 de setembro último.
Já me perguntaram:
1 – POR QUE O CONTRATO FOI ASSINADO TÃO TARDE ?
2 – POR QUE VOCÊ NÃO PAROU NA OCASIÃO DO ATRASO DO PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA UMA VEZ QUE SEU CONTRATO ?
Respondo:
PORQUE SOU INFANTILMENTE AVESSO A COISAS PRÁTICAS E ME ENTUSIASMO FÁCIL COM CERTOS PROJETOS. EU GOSTAVA MUITO DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA, COMO MUITA GENTE.
FAZER ESSA MOSTRA PARECIA BRASILEIRAMENTE IMPORTANTE.

Quem leu a mensagem até aqui, por favor, tenha paciência e leia mais um pouquinho.

1 – Vendi um quarto de meu apartamento a um amigo. Mais ou menos 35.000 reais.
2 – Devo a colaboradores que não puderam ser pagos porque não recebi o que me devem.
3 – Devo 7 meses a minha analista que tem tido compreensão e paciência.
4 – Devo 7.500 reais ao Cartão Visa.
5 – Devo por volta de 10.000 reais ao RealMaster e ao Real parcelado.
6 – Tenho que pagar 7.000 à advogada que contratei para mover uma ação judicial contra a AMAE (Associação de Amigos do Museu de Arqueologia e Etnologia). O Fórum de São Paulo está em greve há meses. Com muita boa vontade, em 7 anos receberei com certeza o que me devem. Tenho quase 60 anos.
7 – Trabalhei quase inutilmente para vários projetos este ano; todos dependiam das leis de incentivo à cultura; muitos foram adiados ou cancelados e eu fiquei a ver navios.

Meu apartamento contém livros, cds, mobiliário básico - nada realmente vendável.
Só posso vender meu talento e é isso que pretendo oferecer.
Vou fazer desenhos e vendê-los: R$ 60 cada.
Papéis, lápis, aquarelas, guaches, crayons da melhor qualidade.

Peço-lhes um favor: passem esta mensagem para o maior número de pessoas que puderem. Peçam que a repassem para todos que constam de suas agendas.

Muito obrigado pela atenção e um grande abraço

Naum Alves de Souza


Não é revoltante?! Comprem os desenhos do Naum, vocês vão estar fazendo um ótimo investimento, garanto. É só clicar no nome dele, onde criei um "Mail to:".

(Por falar nisso: quando é que sai mesmo o próximo vôo para Seul?)

Salman Rushdie, o expert


John Perry Barlow chama a atenção dos amigos para um artigo simplesmente imperdível de Salman Rushdie, publicado pelo Washington Post. Se há alguém que entende de fundamentalismo islâmico e de convívio diário com o terror é Rushdie, condenado à morte pelo aiatolá Khomeini por seu livro "Versículos Satânicos". Desde 1989, data da fatwah do aiatolá conclamando os muçulmanos a matá-lo, Rushdie vive uma vida incerta entre sombras e seguranças. Angloparlantes, cliquem aqui; e vocês outros, que não falam inglês, cliquem aqui. Ou, de preferência, aqui.

2.10.01

Confissão


Este blog confessa, humilhado, a sua incapacidade de atualização momentânea. A unidade de carbono reponsável por tal atualização continua perdida em um vago ponto do mapa mundi, vítima de vôo cancelado e extremo cansaço.