12.10.09

Laura acaba de mandar :-)




Grandes mudanças!



Ontem foi o dia da mudança da Mamãe. Passei por lá com a Bia e com os Tatuís porque, como todos sabem, dois bebês pequenos são exatamente o que se precisa ter por perto durante uma mudança.

O que era para ser um pulinho rápido acabou sendo a tarde inteira, porque qualquer coisa que tenha a Laura no meio é, invariavelmente, uma festa: como todo mundo já estava sabendo da mudança, a quantidade de amigos que apareceu para ajudar, dar um alô ou simplesmente completar a bagunça foi uma grandeza.

No meio disso tudo, nem preciso dizer, os Tatuís acabaram se integrando às mil maravilhas: sempre havia um colo disponível.

Ver a Laura em ação numa confusão dessas é sensacional. Diante daquele monte de caixas, móveis, livros e cacarecos eu sentaria no chão e começaria a chorar. Pois ela ataca as caixas para que fique claro quem manda na situação, separa as coisas, distribui tarefas, tudo com uma energia que me cansa só de olhar.

Assim é que, milagre dos milagres, quando Mamãe foi dormir na casa nova, tudo já estava praticamente no lugar, da TV e dos eletrodomésticos, todos positivos e operantes, às suas roupas no armário e comidinhas favoritas na geladeira.

Vale destacar que a companhia de mudanças fez um serviço absolutamente perfeito. A Laura descobriu a empresa na internet, enquanto checava preços, e acertou em cheio.

Anotem, porque a gente nunca sabe quando pode precisar:
TRANS-SILVA
R. Alecrim, 561 - Vila da Penha
Tels. 3457-7147 " 3013-6284
9759-5691 " 9135-1003

Email: trans.silvamudancas@uol.com.br

A Laura conta:

"O dono é (óbvio) o Sr. Silva. A secretária executiva, a Edna, é mulher dele. Firma hiper-familiar. Seis homens trabalhando, tudo embalado muito bem, nível de barulho zero, rapidez total, os vizinhos nem perceberam que houve mudança. Não demonstraram um pingo de irritação ou impaciência com o entra e sai de gente, deram palpite na hora de decidir a localização dos móveis, enfim, foram fofos.

Não houve NADA quebrado, nem um copo de geléia. Incrível!!!"

Dia das crianças

 

 
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Nokia N97

O começo de uma bela amizade


Na coluna passada, depois de tecer umas considerações sobre o touchscreen, fiquei devendo minhas impressões sobre o Nokia N97. Ando com ele há duas semanas e, se tivesse que defini-lo numa única palavra, esta seria “confusão”. Explico. Há aparelhos que se compreendem e se amam à primeira vista. Sem retroceder muito, volto ao N95 que, em algumas horas de convívio, me deixou convencida de que aquele era o melhor celular que eu jamais vira ou usara. O tempo só fez reforçar esta primeira impressão: tudo nele é lógico, simples e muito bem resolvido. De meados de 2007, quando comecei a usá-lo, testei vários celulares, de diversos fabricantes, e nenhum me deu vontade de substitui-lo. Isso não é dizer pouco: não me lembro de ter passado tanto tempo com um mesmo aparelho, ainda que em diferentes encarnações (hoje um 8Gb).

O N95 foi o ápice da evolução de uma linha de smartphones em que as telas ainda eram para ser vistas, e não dedilhadas. O N97 é pioneiro de uma revolução que casa telas e teclas. Os dois estão, portanto, em pontos evolucionários opostos; isso é importante para situar o N97.

Sólido, lindamente construído e bom de pegar, ele é um animal híbrido, meio touchscreen, meio teclado. Fechado é um bloquinho liso com botões nas laterais (inclusive uma excelente trava) e uma única tecla na frente. Aberto de lado, apresenta um teclado qwerty. É uma máquina poderosa, com todos os recursos que um smartphone pode oferecer. Quando se abre o teclado, as informações da barrinha traseira dão o recado respeitável e sucinto: 32Gb / AF 5MP Carl Zeiss / A-GPS / Bluetooth 2.0 / WLAN / 3G HSDPA / USB 2.0 / FM RDS. O browser e a navegação são maravilhosos, o GPS uma delícia e a câmera, como já é tradição na linha N, muito boa. Acrescente-se o fato de que é excelente como telefone, e que o som do player é ótimo, mesmo sem headphones.

Entre as muitas qualidades do N97, contudo, não está a facilidade de uso. Depois de duas semanas, ainda me confundo ao manuseá-lo: teclado ou touchscreen? Um ou dois toques? Arrasto ou clico? A interface, ainda que bastante personalizável, tem informação demais, e os ícones são positivamente bisonhos quando comparados ao elegante design que a Apple tornou padrão. Este não é um aparelho pelo qual a gente se apaixone à primeira vista, ou que nos convença, de imediato, que é o estado de arte da indústria. Muita coisa pode ser melhorada nele, e não tenho dúvida de que será.

E, no entanto... Pois é. A despeito da interface complicada e do desafio que lança ao usuário disposto a domesticá-lo, o N97 é a primeira ameaça séria que encontro para o N95. Ao contrário do N95, ele não é perfeito dentro do que se propõe; mas a sua proposta é tão interessante que voltar para o N95 seria agora, de fato, um passo atrás.

O Nokia N97 não é um celular que eu recomende para pessoas impacientes, que querem apenas telefonar e sincronizar o aparelho com o Exchange. Já quem acredita que, para uma boa relação, é preciso um tanto de empenho, tem tudo para ser feliz com ele -- até que um próximo lançamento os separe.


(O Globo, Revista Digital, 12.10.2009)

11.10.09

Voltou a ficar caidinho... :-(






Está sem apetite, com carinha de quem sente dor e voltou a se esconder debaixo do sofá. Forcei a comer AD diluído com uma seringa, porque por vontade própria não quis saber de nada: ofereci atum, presunto, carne moída, Whiskas...

* suspiro *

10.10.09

Hoje esta' quieto e chato para comer




Update

Nosso gato comunitário passou a sexta um pouquinho pior do que a quinta: ficou mais quieto e cabisbaixo, talvez até pelos excessos do dia anterior, quando chegou a atacar uma rosquinha integral de aveia e mel.

Vê-se que ainda está fraquinho, mas não quer mais saber de se esconder pelos cantos. Ao contrário, pede carinho, comida, elevador para a pia, a escrivaninha e os pontos elevados de que gosta. Como todo mundo é bem treinado na casa, não precisa pedir nada duas vezes.

O Allecx está muito otimista, e diz, com essas palavras, que ele "é outro gato".

E a grande novidade é, como vocês já viram, que Mamãe está de apartamento novo. Apareceu um muito bonitinho e bem cuidado no mesmo prédio da Laura, as negociações necessárias deram certo e ontem foi assinada a escritura.

Ela se muda no fim-de-semana.

Além das óbvias vantagens da proximidade com a Laura, o novo apê é, literalmente, meio caminho andado para o Guanabara, onde Mamãe nada.

8.10.09

Vejam só como está bem! :-)

 
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Retratos de famiglia

 

Irineu, nosso gatinho comunitário, está milagrosamente melhor: voltou a se lamber, pede carinho descaradamente e está até comendo bem. Continua um pouco fraco, mas isso é de se esperar, para quem vem de uns dias tão ruins. A casa está numa felicidade só!

 

 

Keaton quebrou metade dos bigodes e está meio ridícula; não tenho idéia de como isso aconteceu.

 

Lucas continua morto de ciúmes do Irineu, e muito contrário em não ser o centro das atenções...

Um ursinho carinhoso :-)







Ri muito com isso; achei AQUI.

O Twitter devora a esfinge



Certas coisas são mais previsíveis do que desculpas de senadores. O site da Carla Bruni, por exemplo: mal entrou no ar, caiu, derrubado pela curiosidade planetária. Todo mundo interessadíssimo em ver o que Mme Sarkozy levou para a internet (embora aquelas fotos tenham ficado de fora). Entre os milhões de acessos, um veio do outro lado do Canal da Mancha, do número 10 de Downing Street, onde Sarah Brown, mulher do primeiro ministro Gordon Brown, surfava na rede, como de hábito.

“love Carla Bruni Sarkozy's new website though bit bemused by illustration of me”, tuitou (adorei novo website da Carla Bruni Sarkozy, mas meio perplexa com meu retrato). Ninguém resiste a uma celebridade de verdade, mesmo tendo na conta mais de 800 mil seguintes, como Mrs Brown, estrela do firmamento tuiteiro tanto pela visibilidade do cargo do marido quanto por mérito próprio. Tive prova disso quando repassei seu comentário para a minha galera, e ela se apressou em responder: “perplexa no bom sentido – achei muito legal”. Pois eu achei muito legal tuitar com Mrs Brown.

Enquanto isso, pouco antes de entrar no centro cirúrgico para um procedimento de última geração numa válvula cardíaca, Dame Elizabeth pediu: “Apreciaria muito qualquer oração que vocês tenham sobrando por aí. Aviso quando tiver acabado. Amo vocês, Elizabeth”. Dame Elizabeth, que se comunica com cerca de 160 mil tuiteiros, atende, no mundo off-line, por Elizabeth Taylor. Um amigo sarcástico me perguntou, na caixinha de mensagens particulares: “Será que, se ela morrer, vai tuitar também?”. Sem sombra de dúvida! Ao contrário de Mrs. Brown, que põe a mão na massa, Dame Elizabeth tem todo o jeito de tuitar por interpostas pessoas, quem sabe uma acompanhante ou secretária, que anota seus comentários de modo randômico. Tuiteiros de verdade não assinam seus próprios recados. Isso talvez explique porque, sendo tão mais conhecida do que Sarah Brown, Elizabeth Taylor tenha uma turma tão menor.

* * *

Um dos pontos fortes do Twitter é o seu lado vitrine. Nada interessa tanto as pessoas quanto outras pessoas, especialmente quando não há hierarquia e todos encontram-se na mesma praça comum de 140 caracteres, um terreno rico para revelações e descobertas. Quem diria que a mulher do Primeiro Ministro também comete erros de ortografia? Vai ver, é porque foi alfabetizada em inglês. O fato é que escorregou numa palavra que é casca de banana para muitos anglo-parlantes, definitely (com certeza), que insiste em sair pelo mundo como definately. Mrs. Brown foi imediatamente corrigida por incontáveis tuiteiros, saiu-se com graça e nisso ficamos. Ou, melhor dizendo, ficaram, porque aquela é uma praia exótica que não freqüento muito.

* * *

O TwitterBr também teve seu momento erro de ortografia essa semana: um inocente “ia” acentuado no i, cometido pelo William Bonner (que atende, online, por @realwbonner). Bonner foi corrigido por uma ex-BBB, voltou fazendo piada e, com isso, disparou no ranking das celebridades brasileiras mais faladas da internet, saltando do 453 lugar para o 16, sem escalas. Se a Ivete não tivesse tido bebê e a Dilma não estivesse ensaiando para lavar as escadarias do Bonfim, teria ido muito mais longe. Para quem se interessar, o ranking fica em www.celeb.com.br.

Acompanhar o Bonner no Twitter tem sido, aliás, uma aventura fascinante, uma experiência sócio-psicológica que daria uma grande tese acadêmica (tai a dica: aproveitem!). Como todo mundo que vem da televisão, ele também teve uma ascensão meteórica online, e não duvido que em breve bata o milhão de seguidores do Luciano Huck. Até aí nada demais. O que torna o caso único é a própria natureza da sua celebridade, que não se apóia no que ele é, mas no que representa. Assim, enquanto outros mega-tuiteiros levaram para a internet apenas uma extensão mais acessível daquilo que o público já conhecia, Bonner trouxe algo absolutamente inédito – e, claro, roubou a cena.

De um momento para o outro, a turma descobriu, por trás da figura impecável de todas as noites, o cara comum que não se leva a sério, que faz dieta mas não resiste a um chocolate, que sai cedo de casa para deixar as crianças na escola, que viaja para um lado e para o outro e acaba o dia exausto, que se diverte cutucando os demais e se revela afetuoso e grato diante do carinho que recebe online. Um ser humano de verdade, em suma, com quem é possível se identificar. A presença da pessoa por trás da esfinge da bancada é tão surpreendente que ainda há quem não acredite que o @realwbonner do Twitter seja mesmo o William Bonner do Jornal Nacional. Pois sosseguem. É.

* * *

Esta crônica foi escrita com trilha sonora. Há dias não sai do meu player o som de “Dez cordas do Brasil”, de Jaime Alem: era o que eu queria e precisava ouvir agora. É muito, muito bonito. As treze músicas foram compostas à medida em que iam sendo gravadas, o que dá a impressão de que ele está logo ali, improvisando a seresta na viola caipira. Em cima da mesa, uma coisinha qualquer de comer e o café coado num bule de ágata, com gosto de que tudo vai ficar bem novamente. Valeu, maestro, muito obrigada!

* * *

Estou saindo de férias. Desculpem os montes de emails que não respondi. Não foi falta de atenção, mas falta de tempo, mesmo. Em novembro a gente se encontra de novo.


(O Globo, Segundo Caderno, 8.10.2009)

7.10.09

Hoje comeu um tiquinho!






Update: Finalmente o Irineu se animou e resolveu comer umas coisinhas por conta própria. "Por conta própria" significa que preciso segurar a tijela na frente dele, mexer a comida com uma colher, louvar a qualidade e o sabor dos ingredientes e fazer-lhe carinho ns costas enquanto come, mas já é um progresso enorme porque, em vez de piorar e piorar e piorar, ele deu enfim uma melhoradinha.

O que me deixou mais contente ainda é que, embora tenha comido pouco pelos seus padrões habituais, ele se deu ao trabalho de lavar as patas e a cara quando acabou.

Não é ótimo?!

Igualmente ótimo é que chegou o resultado do exame de sangue da Lolita, que deu negativo para FeLV/FIV.

O Allecx vem ver Irineu novamente nessa quinta, e algo me diz que vai ficar bem satisfeito...

Mais uma vez, agradeço muito, mas muito mesmo, toda a torcida pelo nosso gatinho. Digo "nosso" porque, embora ele more aqui, este é apenas um detalhe: a essa altura, Irineu é um bicho comunitário.

6.10.09

Mais um logo Google -- ou quase logo



A leitura do código de barras, patenteado em 7 de outubro de 1952, é um exemplo de aplicação prática do trabalho desenvolvido pelos vencedores do Prêmio Nobel de Física Charles Kuen Kao, George Smith e Willard Boyle.


A situação é crítica: há três dias o Irineu se recusa terminantemente a comer. Tentamos dar de tudo, ele eventualmente lambe uma coisinha aqui outra ali, mas não come.

Ontem forcei-o a tomar AD com uma seringa, mas depois me arrependi muito, porque o coitadinho ficou terrivelmente estressado.

Está muito fraco, praticamente pêlo e osso.

Dos gatos, Lolita é a que mais se ressente com a situação e, volta e meia, se aproxima dele, faz carinho, lambe a cara e as orelhas; mas a casa toda está uma tristeza.

Update: O Allecx saiu daqui agora. Deu soro, vitaminas e uma dose de antibiótico; também forçou-o a comer um bocado de AD. Na quinta-feira, repete a dose, pelo menos do soro, das vitaminas e do antibiótico.

5.10.09

Touchscreen

Divertido, sim; perfeito, não



É impossível negar o impacto do iPhone no mundo dos celulares. Não apenas pela quantidade de usuários que conquistou, mas também, e especialmente, pelo efeito sobre os produtos produzidos pelos demais fabricantes. Está ficando monótono olhar vitrine de operadora: não há empresa que não tenha pelo menos um “iPhone”, quando não linhas inteiras de variantes sobre o mesmo tema. Todos pretinhos, básicos, touchscreen.

Muito touchscreen.

O touchscreen permite a criação de aparelhos minimalistas e elegantes e, em alguns casos, como apontar e arrastar, é intuitivo e fácil de usar. Ao mesmo tempo, tem algo de mágico. Carregam-se coisinhas pra cá e pra lá com as pontas dos dedos, ampliam-se imagens, rolam-se telas. Não esquecer o fator hype: é chique tomar café no shopping fazendo floreios digitais sobre o aparelho. Quem olha logo vê que ali está uma criatura não só bem de vida como antenada com o seu tempo.

Em alguns casos, a criatura antenada acima descrita está bem servida. A interface do iPhone matou a charada do touchscreen, criou um padrão de excelência e uma área de lazer sensacional no espaço de uma tela.

O calcanhar de Aquiles do touchscreen, porém, está no que se precisa teclar. O próprio verbo, teclar, conspira contra uma superfície onde não há teclas.

Entrar o número de um telefone num tecladinho convencional é coisa que se pode fazer no escuro e de olhos fechados; na tela touchscreen, por mais prática que se tenha, é preciso prestar atenção. A margem de acerto que se consegue nas teclas é incomparável. Mesma coisa para escrever. Para quem é fluente em T9, a “linguagem automática” dos teclados numéricos, mandar um torpedo não tem mistério algum, e é coisa que se pode fazer com uma mão só. Aliás, já levei muito esbarrão de gente que tem mania de mandar SMS enquanto anda: como também faço isso, fica difícil evitar o encontrão quando somos dois andando e teclando. Escrever em touchscreen é atividade mais demorada, com índice de erro maior. Não bom.

Outro problema do touchscreen é a tela eternamente suja. Por mais cuidado que se tenha, por mais que se lavem as mãos, há sempre gordura suficiente na pele e poeira bastante no ambiente para tirar do cristal o brilho imaculado que apresenta nas vitrines e propagandas.

Num mundo ideal, celulares viriam com touchscreen e com teclados, e nós poderíamos escolher quando usar uns e outros. Não descobri nenhuma novidade: a indústria sabe disso e tem trabalhado com alguns híbridos. Estou justamente testando um deles, o Nokia N97.

Que tal? Muito interessante, mas...

Bom, semana que vem volto ao assunto. Até lá!


(O Globo, Revista Digital, 5.10.2009)

Peixes amestrados
(não falta mais nada!)

Para Márcia Amaral e Marcela


3.10.09

Fábio




Brincadeirinha de iPhone




Rio 2016



O Google foi tão rápido que acho que tinham um logo pronto pra cada cidade...

Mas bacana mesmo está a foto 360 graus do Ayrton, feita durante a comemoração ontem na praia, AQUI.

Notícias da Famiglia

 

 

Essas fotinhas, feitas de manhã, mostram o ponto alto do dia do Irineu: assim que abriu um solzinho, nós o levamos para a janela, onde a Lolita lhe fez companhia. Depois cansou, voltou pra cozinha e não saiu mais do seu canto.

Passou a maior parte do tempo em cima da caixa do fogão novo (que até hoje não foi pro lixo); agora eu o trouxe para o escritório e ele está dormindo em cima da escrivaninha, ao meu lado.

Não foi um dia bom.

Ele continua caído e, apesar de tomar remédio para abrir o apetite, tem comido muito pouco. Vanessa e eu nos revezamos, eu durante a noite e ela durante o dia, tentando dar bocadinhos de tudo o que possa interessá-lo: frango, atum, Whiskas, AD... Preparamos a receita que nos deram aqui (coração, músculo e fígado, misturados com beterraba, cenoura e inhame), cozinhamos frango com arroz, oferecemos carne moída, e nada.

Não quero forçar alimentação, porque, de todos os gatos da famiglia, Irineu é o que fica mais estressado quando tem que tomar remédio -- e, paradoxalmente, temos de poupá-lo de qualquer estresse. Cada dose de antibiótico ou do Cobavital correspondem a uma luta tão feroz, que ele fica inteiramente prostrado depois.

A notícia boa é que, graças a essas batalhas, a infecção respiratória foi controlada.

Minha esperança agora é que o interferon, que começou a tomar na segunda-feira, faça efeito e dê uma reforçada na sua resistência.

Os outros estão bem, mas sorumbáticos, porque percebem que algo está muito fora da ordem. Lolita é a que mais se ressente, porque os dois passavam o dia brincando e, agora, o amor da sua vida faz fzzzzzzzz quando ela chega perto.

A FeLV é uma doença contagiosa, de modo que todos, em tese, correm risco. Os manuais de veterinária recomendam tirar o gato doente do ambiente em que vivem os demais, mas essa é uma solução teórica que não funciona na prática, ou não, pelo menos, na prática aqui de casa. O Irineu veio com FeLV da rua, convive há dois anos com os demais e não faria qualquer sentido tirá-lo daqui justo agora, que está tão mal.

Lolita, que corre o risco maior por viver colada com ele, foi vacinada no começo do ano, antes de vir para cá; as vacinas dos outros, que têm mais tempo, serão reforçadas.
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Vale a pena ver de novo

2.10.09

Agora sim!



Fiquei devendo para vocês uma foto da Manoela, no post de aniversário. Hoje a Laura me mandou essa. Agora eu pergunto: como é que é que alguém que tem uma foto tão fofa da filha manda uma foto meio fora de foco, feita assim de qualquer jeito, tendo como fundo uns armários de cozinha?

Eu, hein...

Sobre o Irineu


Depois de passar um dia ótimo -- aquele em que traçou toda a lata de AD -- o Irineu teve um dia ruim, sem apetite e com dificuldade de respirar.

Ontem melhorou e, de manhã, até subiu em cima da geladeira. A respiração melhorou, mas o apetite ainda deixou a desejar; à noite estava mais quietinho. O Allexc, que esteve aqui, disse que isso, de dias melhores e piores se alternarem, é normal.

Mas, para mim, é totalmente anormal ver um gato alegre e brincalhão todo murcho.

Enquanto isso, no Twitter...

Grande frase do @EdsonAran:
Guerra religiosa é um monte de gente se matando pra ver quem tem o amigo imaginário mais bacana.

Gandhi nas paradas



O Mahatma faria hoje 140 anos.

O Google comemora com este ótimo logo; já a Montblanc, que começou a vida como fabricante de excelentes canetas, confirma seu posto de liderança no ramo das canetas ridículas, comemorando a data com o lançamento de uma caneta Gandhi que custa a bagatela de U$ 23 mil.

1.10.09

Vida de menina




Uma crônica puxa outra. Isso é quase inevitável quando se levanta a poeira de certas histórias, e espanam-se cantinhos delicados. A caixa postal amanhece cheia de acréscimos, contestações, pingos nos iii, casos iguaizinhos ou completamente diferentes. É muito difícil resistir à tentação de continuar num assunto que dá panos para as mangas; às vezes, é impossível. Foi o que aconteceu há duas semanas, quando a crônica sobre “Budapeste 1900”, de John Lukacs, despertou as lembranças da Edith Elek, tão parecidas com as minhas; e é o que acontece hoje. Ao escrever sobre Thrity Umrigar e as relações entre patrões e empregados que atravessam alguns de seus livros, tirei a Lucia Latorre na sorte grande.

Leiam o que ela conta, e depois me digam se não seria uma injustiça tremenda deixar o seu texto escondido entre os comentários do blog:

“Eu não sei quem é Thrity Umrigar, mas vou procurar saber e até, talvez, comprar o livro dela. Quanto às empregadas domésticas, aos 12 anos, em 1969, comecei na profissão. Fui trabalhar na casa de uma familia portuguesa. Eu era bem tratada, comia na mesa com eles, recebia sobras de frutas para levar para casa e isso me deixava muito satisfeita. Meu turno era de oito às duas, e às três ia para a escola.

Realizava tarefas que hoje ninguém faria: naquele tempo o marido português fazia uso do urinol noturno, e eu tinha que esvaziá-lo pela manhã. Desculpe se estou enojando alguém. Mas eu fazia sim essa tarefa, não com prazer, mas fazia, e recebia um salário pequeno mas que me fazia feliz. O salário, claro. Depois fui trabalhar como babá de uma garotinha doente, cuja mãe já estava enfadada de cuidar. A criança tinha uma doença no rim, eu tinha que fazer a coleta da urina da criança diariamente para ser realizado o exame. Eu tinha 13 anos, e realizava essas obrigações com muita responsabilidade.

Quando a criança sarou, fui trabalhar na casa da professora de português que, no primeiro dia de aula, pediu que as alunas preenchessem um formulário, que era na verdade uma pesquisa para achar uma doméstica. Então, com 13 anos e meio, fui trabalhar na casa da professora de português, onde era bem tratada, mas tinha vergonha, por ser minha professora. Quase não falava com ela. Nunca consegui tomar um gole de café na frente dela. Mas como eu amei trabalhar ali. E como eu odiei.

Logo que cheguei na casa, vislumbrei o chão mais lindo que jamais havia visto na minha vida. Um assoalho de tacos lindos, perfeitamente rejuntados, prontos para serem encerados. Tinha fixação por chão encerado. E pensei: tai um serviço que vou fazer com o maior prazer. Ledo engano. A professora não queria encerar o chão. Alegava que o sinteko era novo e não precisava de cera.

Eu não me conformava. Como podia alguém ser dono de um assoalho daqueles e não querer que ele estivesse brilhando? Em que mundo vivera essa mulher, que não sabia que os assoalhos foram feitos para encerar? Que a casa só estava limpa depois do chão brilhando? Aquilo era uma heresia.

Eu não aguentei. Um dia comprei uma lata de cera liquida, brilho instantâneo (já não usava mais os tabletinhos Santo Antonio), esperei ela sair para dar aula (ela saia às três e eu ficava até as seis cuidando da criança até o marido chegar) e encerei primeiro um pedaço do quarto. Só de um lado da cama. Para ela não perceber. No outro dia mais um pedaço. Depois um pedaço da sala, depois mais outro. Até que o chão começou a brilhar. Ela era tão desligada que nunca percebeu que eu encerava o chão. O meu chão. Porque aquele chão que brilhava era meu.

Quando tive que pedir demissão do emprego, descobri que ela tinha feito uma poupança em meu nome. E que eu possuia uma quantia considerável para meu padrão financeiro. E que cobria em muito os gastos com a cera que comprara. Foi uma grata surpresa, já que eu estava mudando de cidade, de estado e não sabia o que viria pela frente. Depois a vida me levou por outros caminhos e, já na vida adulta e casada, tive várias empregadas domésticas. Todas que passaram pela minha casa incentivei a estudar, e ensinei as crianças a tratá-las com respeito.

Hoje não tenho nem empregada, nem faxineira. Por opção. Estou economizando para viajar de novo. Mas mesmo quando tenho alguém para me ajudar, encerar o chão continua sendo a minha tarefa.

Ah, e não tenho nenhum constrangimento em contar para meus filhos que fui empregada doméstica, e das boas.”

* * *

Não é a primeira vez que vocês lêem a Lucia Latorre aqui. Há uns tempos, quando a Bia trouxe a foto de uma humilde casinha de madeira em Xanxerê, onde tudo brilhava na mais perfeita ordem, Lucia escreveu sobre a sua infância numa casinha igual. Até hoje encontro leitores que me falam daquela crônica. Tenho a maior admiração por essa amiga que não conheço, pela sua fibra, sua sensibilidade e o seu jeito despretensioso de tocar o coração da gente.

* * *

Esta não foi uma semana feliz para a Famiglia Gatto. Descobiru-se que Irineu, o frajolinha da foto, que me conquistou há dois anos no estacionamento do jornal, é portador de FeLV, o vírus da leucemia felina. A doença, que não tem cura, destrói os mecanismos de defesa do organismo, e abre caminho para uma série de infecções secundárias. Tudo o que se pode fazer é tratar dessas infecções, dar remédios para reforçar a sua resistência e torcer por ele. É o que estamos fazendo.


(O Globo, Segundo Caderno, 1.10.2009)

30.9.09

Ainda agora, me ajudando




Ontem o Irineu não se escondeu nem um instante. Passou o dia entre o seu posto de observação habitual, inspecionando a vista, e a bancada da cozinha.

Vanessa, que é apaixonada por ele (e plenamente correspondida), mimou-o de tudo o que é jeito. Assim, conseguiu que traçasse uma lata de AD inteirinha.

Ele está melhor, mas ainda fraquinho e bem jururu.

Bandeiras comestíveis!



Campanha para um festival gastronômico: muito bem bolada!

29.9.09

Tsk, tsk, tsk...

Eu sou mesmo uma criatura perdida no tempo e no espaço: ontem foi aniversário da Manoela, a minha sobrinha querida que mora looooooooooonge!

Uma desculpa esfarrapada: Ma, como eu ainda não fui dormir, para mim, hoje ainda é ontem.

Portanto...

Parabéns, muitas felicidades!


Aproveite bem o dia, a semana e a vida toda, que apesar de uns perrengues aqui e ali é boa e bonita.

Beijos e muito carinho dessa tia tonta e esquecida.

Tatuís farristas

 

Detalhe das super camisetinhas geek:



Já estão dando voltinhas por aí -- e dormem que é uma beleza!

Só choram quando voltam para casa...
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28.9.09

Está um pouco melhor...

 

Irineu continua escondidinho, caído e sem muito apetite, mas aos poucos melhora. Não consegue comer nada em pedaços, mas já traçou quase toda a lata de AD, mais caldinhos e carne moída.

Hoje saiu do seu canto, foi até a cozinha e está bem atento ao que acontece na casa.

Os remédios, pelo visto, estão fazendo efeito; para não falar na torcida e no carinho dos amigos, que agradecemos de coração.
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A festa de Babette

Na quinta passada, depois da inauguração do Fest-Rio, Jeanne Moreau foi jantar no restaurante de Roberta Sudbrack. Quem estava na sala viu a eterna musa do cinema francês, seus acompanhantes e as flores que enfeitavam a mesa; ouviu trechos de conversa, o tilintar de copos e talheres (tilintam eles, pois não?), a música suave. E, mais importante, comeu as delícias servidas. Mas quem estava em casa, brincando no Twitter, teve a experiência também excepcional de acompanhar ao vivo as emoções de uma chef cinéfila cozinhando para um monstro sagrado.

Roberta, que têm alma de contadora de histórias, carregou para a cozinha do RS toda a sua turma do Twitter. Posta no papel, a aventura perde um pouco da graça porque lhe falta o suspense do tempo real; mas vejam que ótima reportagem tuitou a Chef, entre um prato e outro:

Daqui a pouco vou para a concentração... a noite hoje promete ser emocionante... transmitiremos ao vivo... aguardem notícias!

Direto da cozinha... esperando alguém muito especial...

Daqui a pouco receberemos uma visita antológica para a história do RS...

Senhoras e Senhores... Jeanne Moreau na mesa do RS!

Muita, muita emoção!

Começando a servir Jeanne Moreau... pas de menu... ela quis ir no confiance! Mon Dieu...

É por essas e outras que eu amo os franceses.

Acaba de sair o aspargo branco em caramelo picante!

De Jeanne,

“Eu jamais comi um aspargo assim... acho que vamos morrer! Assim que acabar, claro!”

Saiu o lagostim em lâminas de chuchu e leite de amendoim! Viva o chuchu! Le chayotte! Viva o Brasil!

Estamos muito emocionados e muito pilhados!!!

Eu nunca tomei droga nenhuma, sou careta, careta... mas a cozinha me leva ao delírio!!!

Tá lindo... Jeanne come tudo e limpa o prato com pãozinho da casa...

Saindo a codorna com escarola defumada e polenta de licuri!!! O licuri para o mundo!!!

Jeanne Moreau comendo a polenta de licuri de colher como se fosse danoninho! Demais, demais, demais.

Gargalhadas ecoam no salão e Ella canta I only have eyes for you... lindo!

Voltamos no tempo e estamos nos sentindo da equipe do Escofier em plena Place Vendôme...

Agora To canta o samba de Maria Luiza para Jeanne Moreau e nós preparamos a sobremesa...

Momento de stress... sempre acontece...

Chef furiosa... pequeno atraso... não pode!

E a casa tá cheia no andar de baixo... mas não tem desculpa, não pode desconcentrar 1 minuto...

Assando o canelone de maçã para Moreau na hora...

O prato de Jeanne Moreau chegou na área de lavagem... limpo! A gente ama essa mulher!

Sobremesa pronta para sair... tem cerimonial!

Saiu o canelone de maça e farinha de pistache trés chaud!

Saindo o petit fours para Madame Moreau...

Jeanne Moreau deixa o RS ao som de sem vc meu amor eu não sou ninguém na linda voz de Paula Morelenbaum

A gente ama muito tudo isso... exaustos de emoção. Obrigada por nos aguentarem... bjs!


Enquanto a Roberta tuitava para os amigos, os amigos tuitavam de volta (para @robertasudbrack). A intrometida aqui, querendo ensinar padre a rezar missa, recomendou (como se fosse preciso!) que não deixasse de caprichar no brigadeiro de colher. Ela me respondeu já de casa:

Ela comeu um brigadeiro de colher quando estava saindo, Cora! Lindo, lindo... emocionante essa noite... Tô um caco!


Ah, sim: entre o primeiro tuite e o último passaram-se cerca de oito horas. Muita adrenalina na cozinha, e muita diversão no computador.


(O Globo, Revista Digital, 28.9.2009)

27.9.09



As notícias sobre o Irineu, infelizmente, não são boas.

O resultado de um novo exame de sangue feito no sábado confirmou a suspeita do Allexc: ele é portador de FeLV, o vírus da leucemia felina.

Esta doença, que destrói os mecanismos de defesa do organismo, não tem cura nem tratamento; o que se pode tratar são as infecções secundárias que vêm no seu rastro, e fazer o possível para reforçar as defesas do bichinho.

É isso que nós estamos fazendo agora: o Irineu está tomando um protetor hepático e um antibiótico para debelar a infecção. Amanhã, começa a tomar Interferon, que pode melhorar a sua resistência.

Nesse momento está aqui em cima da escrivaninha, me fazendo companhia.

Está caidinho, perdeu peso e praticamente não tem apetite, mas felizmente gostou de A/D, uma ração super-calórica e, entre ontem e hoje, com alguma insistência da minha parte, comeu meia latinha. Também tomou um pouco de caldo de carne, e aquele molho que vem nos sachês de Whiskas.

O clima da casa está péssimo, como vocês podem imaginar. Os outros estão sérios e sorumbáticos, e o pior é que nem consigo disfarçar para alegrá-los -- como se fosse possível tapear um gato!

Não sei o que dizer a vocês; ainda estou tentando descobrir o que dizer a mim mesma.

26.9.09

Continua caidinho...

 

Está com um princípio de hepatite e umas ziguiziras estranhas.

Já está medicado (e odiando ser medicado), mas está sem apetite e sem vontade de brincar.

Felizmente deu esse solzinho hoje que ele gosta, e que só pode fazer bem, né?
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Nunca vi tanto papel!

Comecei a escrever sobre o mundo da tecnologia da informação em 1987, quando ele ainda nem atendia por esse nome. Dizíamos apenas “informática”, e o termo englobava tudo, até visões opostas do que estava em jogo. Para a maioria, informática era a definição de um universo habitado por nerds e máquinas, inenarravelmente chato; para a minoria que habitava o tal universo, era uma coleção de maravilhas e de possibilidades que mudariam o mundo. O tempo se encarregou de mostrar que estávamos certos. E embora a idéia do que é ou não é chato seja altamente subjetiva, o fato é que mesmo quem não suportava (e ainda não suporta) computadores, hoje tem uma vida mais divertida graças ao que se cozinhava naquele caldeirão.

O que ninguém poderia ter imaginado, porém, era quanto e como o mundo mudaria.

Era impossível, na época, prever o impacto planetário da internet. Por outro lado, muitos estavam convencidos de que caminhávamos, a passos largos, para uma sociedade sem papel. Teríamos pequenos computadores de bolso, extensões dos desktops de casa, que usaríamos para carregar nossos dados, fazer anotações e mesmo pagar as contas via IFRD (infravermelho) com aparelhos universalmente espalhados pelo comércio. Adeus dinheiro de papel, recibos, papelada! O Palm foi, até certo ponto, a materialização dessa idéia, mas nunca tomou o lugar dos cartões de crédito. Os celulares, que vieram correndo por fora, começam agora a apontar nessa direção.

Todas as necessidades de comunicação, leitura e arquivamento se resolveriam eletrônicamente. Na sociedade sem papel, as escrivaninhas seriam tão limpas que dariam aflição: nada de livros, bloquinhos, revistas, calhamaços diversos. Pessoalmente, eu não levava a menor fé nessa visão. Comungava do credo oposto – até porque nunca antes, na história desse planeta, se vira tanto papel. Bastava ver o tamanho dos manuais publicados a cada nova versão de software. Além disso, como os manuais eram invariavelmente ruins, os updates davam filhotes nas livrarias, onde sólidos tomos de centenas de páginas tentavam explicar o que os engenheiros de software não conseguiam.

Ao mesmo tempo, a popularização dos computadores trouxe, na sua esteira, a disseminação das impressoras. Criava-se, aí, um cenário de calamidade, que unia a facilidade de produzir toda a espécie de, vá lá, “conteúdo” -- de trabalhos escolares a planilhas e memorandos -- à inédita possibilidade de reproduzi-lo ao infinito. Cansei de ver executivos que começavam o dia de trabalho lendo os emails... caprichosamente impressos pelas secretárias. E cansei, eu mesma, de guardar longos estudos e processos, que imprimia para ler na condução entre a minha casa e o jornal.

Fomos salvos da lenta morte por asfixia em montanhas de impressos pelo custo impraticável dos cartuchos de tinta. Estou certa de que, um dia, a humanidade saberá reconhecer este inestimável serviço prestado pelos fabricantes de impressoras.

Parte do mérito cabe também às telas, que aumentaram de resolução, tamanho, visibilidade. Um LCD com 20 polegadas, como o que eu uso e que já não é nada demais, oferece indiscutivelmente uma leitura mais confortável do que os velhos monitores de fósforo verde de 10 polegadas (alguém se lembra?). As próprias telinhas dos Blackberries e dos celulares já dão para o gasto. Tai uma tecnologia que evolui com velocidade muito superior à dos e-papers, diversos tipos de papel eletrônico que há tempos vêm sendo pesquisados. Neles, em tese, poderiam circular jornais e revistas, mas estou entre os que acham seu futuro mais certo na área dos cartazes e displays.

O Kindle e outros leitores -- cujos primeiros antepassados vieram ao mundo, sem sucesso, no início dos anos 90 -- prometem remover parte das montanhas de papel que ainda nos circundam. São o suporte perfeito para livros de referência e manuais que precisam de atualização, e para livros de leitura rápida como a maioria dos best-sellers; mas não conseguirão substituir edições caprichadas das obras que amamos, livros de arte ou, no outro extremo, livros de bolso baratinhos. Ou alguém se arriscaria a levar um Kindle para a praia?


(O Globo, Prosa e Verso, 26.9.2009)

25.9.09

Tatuís na Vó

 

 

 


Hoje foi um dia movimentado aqui em casa. O Allexc veio ver o Irineu, que não está passando bem, e os Tatuís trouxeram a Bia e a d. Marlene para uma visitinha.

Não cresceram, esses dois?

Há um álbum com mais fotos AQUI.
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Não está bem não, coitado...




24.9.09

Olha como esta isso!




Um equilíbrio delicado



Quando descobri Thrity Umrigar, perto do Natal de 2006, ela já estava no alto da lista de mais vendidos, com um romance excepcional chamado “A distância entre nós”. Curiosamente, o livro vendeu mais no Brasil do que nos Estados Unidos, onde foi lançado, e arrisco o palpite de que isso se deve ao universo doméstico indiano, mais próximo de nós do que dos norte-americanos. As personagens principais são Sera e Bhima, patroa e empregada, e embora o mundo em que vivam seja infinitamente mais cruel e esmagador do que qualquer cenário contemporâneo brasileiro, o convívio entre as duas nos é familiar. Isso confere ao romance um nível de realismo e de credibilidade que talvez escape aos leitores de um país onde, há tempos, mesmo os mais abastados têm que se virar sozinhos.

* * *

Já pensei nisso bastante porque, durante anos, um dos meus melhores amigos foi um americano muito, muito rico, que morava numa casa digna de capa de revista de arquitetura. No Brasil, teria no mínimo duas empregadas e um jardineiro; lá, tinha uma faxineira que vinha duas vezes por semana e um jardineiro que aparecia quando necessário. Nunca entendi esse arranjo, que deixava uma carga gigantesca de serviço nas suas costas. Um dia, perguntei por que não contratava pelo menos uma empregada fixa, já que dinheiro não faltava. Ele me respondeu com outra pergunta:

-- Como é que vou viver com alguém dentro de casa?

Reação compreensível para quem preza a sua solidão, mas ali havia espaço suficiente para que pelo menos meia dúzia de pessoas convivessem sem se encontrar nunca.

-- Eu não sei como lidar com uma empregada que viva em casa, não tenho a menor idéia de como espera ser tratada, -- explicou. -- Quando alguém vem fazer um trabalho fixo é diferente, a relação é apenas comercial.

A situação se repetia nas casas de todos os seus conhecidos. À primeira vista, parecia sinal de grande desenvolvimento: ninguém precisava mais trabalhar para ninguém naquele oceano de prosperidade. Os ricos que se virassem, cozinhassem suas próprias refeições e lavassem seus próprios banheiros. A verdade, como sempre, era mais complexa. A faxineira mexicana tirava um dinheiro bom no fim do mês, mas me contou que preferiria mil vezes trabalhar fixo numa casa só. Poderia dividir as tarefas com mais calma ao longo da semana em vez de se esfalfar feito louca todos os dias. Economizaria aluguel, eletricidade, telefone, alimentação e combustível. Não precisaria acordar tão cedo para atravessar o engarrafamento. Moraria melhor. Teria de lidar com um só patrão, em vez de lidar com cinco ou seis. Estava certa, claro.

O fato é que, com o tempo, acabei com pena daqueles milionários que, com tanto dinheiro, não tinham sequer o conforto singelo que nós temos de acordar e não precisar fazer a cama. Fiquei imaginando uma espécie de agência de empregadas que funcionasse também na mão inversa, ensinando aos patrões como tratar as empregadas, e, ao mesmo tempo, aproximando pessoas compatíveis. Foi a única idéia de negócios que jamais tive, com exceção da óbvia livraria em Paris, sonho de dez entre dez pessoas que, como eu, amam livros e amam Paris e, aos 20 anos, não têm dinheiro nem para uma coisa nem para a outra.

* * *

Na semana passada, fui jantar com Thrity Umrigar, que veio ao Rio para a Bienal. É uma pessoa adorável. Inteligente, perspicaz, com um senso de humor maravilhoso e um olhar agudo para os pontos incongruentes da vida. Esqueçam as indianas de sári da novela; ela não usa jóias nem maquiagem, e veste-se como a jornalista que é. Thrity nasceu em Bombaim, onde viveu até os 21 anos. Depois, mudou-se de vez para os Estados Unidos. Mora em Cleveland, Ohio – e, embora eu nunca tenha estado em Bombaim, estive em Cleveland, e garanto que é difícil imaginar duas cidades mais diferentes. Considerando a presença constante da Índia nos seus livros e o seu olhar crítico em relação à sociedade americana, imaginei que sofreria do banzo mais incurável; pois errei.

-- Aqui no Rio, porém, está me acontecendo uma coisa estranha: tenho sentido uma saudade enorme de Bombaim! As duas cidades não são parecidas, mas têm alguma coisa misteriosa em comum, um jeito de ser, o mar, o gosto das frutas. Você vai ver. Quando estiver na Índia e for a Bombaim, vai morrer de saudade do Rio.

Apesar disso, distante do conceito bizarro dos BRIC que o noticiário nos martela sem parar, ficou perplexa quando leitores que lhe pediam autógrafos apontavam supostas semelhanças entre o Brasil e a Índia. Entendo bem. Eu teria caído das pernas se em Shanghai, por exemplo, alguém comentasse comigo como a China e o Brasil se parecem.

Seu novo livro, “O tamanho do céu” (Nova Fronteira, 380 páginas, tradução de Paulo Andrade Lemos), gira, justamente, em torno de diferenças, quase sempre insuperáveis – culturais, sociais, emocionais. De um lado a Índia, de outro um casal americano que quer curar, longe de casa, a dor da perda do filho; de um lado um vilarejo pobre parado no tempo, de outro a insensibilidade da globalização; de um lado empregados, de outro patrões. Acima de tudo, de um lado um homem, de outro uma mulher. Entre os dois, a impossibilidade da comunicação e um menino indiano.

“A distância entre nós” continua sendo, para mim, a obra-prima de Thrity Umrigar. “O tamanho do céu” é mais floreado e menos sutil. Mas não há como negar que a moça com quem passei umas horas tão divertidas sabe como contar uma história.


(O Globo, Segundo Caderno, 24.09.2009)

23.9.09

Sumi não...

É que estou toda enrolada aqui com um texto; daqui a pouco apareço.

Para complicar, o Irineu não quer papo. Perdeu uns pelinhos no cangote e perto da orelha por reação alérgica, e está odiando de tal maneira a pomada que cortou relações comigo, por tê-lo lambuzado com aquilo.

* suspiro *

21.9.09

Procura-se, urgente!

Amiga que está indo à loucura com a atual ajudante, procura, com urgência, empregada para serviços gerais, que não durma no emprego mas more perto da Zona Sul. Quem tiver alguma indicação pode deixar aqui mesmo na caixa de comentários.

DJ Leo no GNT

Agora, às 19hs, dando depoimento em programa sobre pessoas que têm medo de médicos.

Irineu, contrariado com a chuva

Pensata: Serão os blogs uma espécie em extinção?


Muita informação em pouco espaço: uma espécie de tuite primitivo

As várias formas de comunicação oferecidas pela internet são elementos em constante mutação. Esses elementos se sobrepõem uns aos outros e até convivem durante um bom tempo, mas a evolução natural do meio faz com que, aos poucos, a "paisagem" da rede se transforme.

O email, por exemplo, já é uma ferramenta no mínimo gasta, para não dizer ultrapassada. Vai desaparecer? Duvido, mas será cada vez menos relevante. Foi ferido de morte pelo spam e por gente que insiste em passar adiante qualquer sandice que recebe.

Parte considerável do movimento dos blogs tem migrado para as redes sociais, sobretudo o Facebook, que não tem a "amarra" de 140 caracteres do Twitter, permite comentários, brincadeiras e a inserção, na mesma página, de imagens e videos.

Pensando bem, o Facebook nada mais é do que um gigantesco blog, escrito simultaneamente a milhões de mãos.

O Twitter, por sua vez, definido como microblog, está mais para quadro de avisos, de onde se apontam os textos, filmes e fotos que chamaram a atenção dos usuários. Um lugar de passagem, imbatível para informações curtas e rápidas.

Um não anula o outro, pelo contrário: no Twitter a gente dá um alô apressado, no Facebook a gente senta para conversar.

O crescimento das redes, porém, vem sendo apontado como o fim dos blogs. Ainda que não concorde inteiramente com essa previsão, não tenho dúvidas de que, com a popularização do Twitter, do Facebook, do Flickr e de tantas ferramentas semelhantes, os blogs mudarão de estilo e de jeito de ser.

É provável que passem a funcionar como bases complementares das redes sociais ou, eventualmente, repositórios do "conjunto de obra" dos seus autores. Passarão, cada vez mais, a exercer o papel que antes cabia aos websites pessoais, que consultamos para saber com quem estamos falando.

Manter um blog complexo, com posts diários e caixas postais movimentadas, é uma trabalheira insana; manter um blog assim e, ao mesmo tempo, ter presença notável nas redes sociais, chega às raias da impossibilidade física.

Twitter e Facebook oferecem, em relação aos blogs, a vantagem do tempo parcial. Não são ocupações que tomam as 24 horas do dia e são, ainda assim, formidáveis canais de comunicação, capazes de atingir um número substancialmente maior de leitores.

Para quem está acostumado a acompanhar um ou outro blog e a trocar idéias com os demais habitués dos comentários, a mudança será sentida num primeiro momento, à medida em que o movimento das caixas de comentários for migrando para o Twitter, o Facebook ou o que mais vier. Logo, em vez dos pequenos blogtequins com meia dúzia de especialidades, eles também passarão a frequentar o grande Lamas virtual, um vasto espaço onde todo mundo se encontra e onde o cardápio é o mais variado possível.


(O Globo, Revista Digital, 21.09.2009)

OBS - Sim, vocês já leram algo parecido aqui no blog. Este texto é uma variante de um post que escrevi há algumas semanas.

Tango à indiana



A.R. Rahman, pra quem não se lembra, é o compositor que levou dois Oscars pela trilha sonora e melhor canção original por "Slumdog Millionaire". São dele, em geral, as trilhas dos filmes mais bem produzidos de Bollywood.

Este tango é material promocional de "Passage", um curta-metragem de Shekhar Kapoor, o diretor de "Elizabeth, The Golden Age". Clicando AQUI, vocês encontram mais material sobre o filme, todas as músicas (em áudio) e, sobretudo, um excelente texto de Kapoor sobre Rahman e o Oscar (em inglês).

Essencialmente, ele lembra que Rahman é genial há tempos, que a Índia inteira sabia disso, mas só o elevou às devidas alturas quando ele ganhou o Oscar -- sendo que Slumdog sequer é o seu melhor trabalho (no que concordo em gênero, número e grau).

Eu diria que a gente conhece bem essa história, né?

Tem uma gata aí...




20.9.09

Emergência felina!



Ontem (sábado) fui jantar com meu marido e, antes disso, passei no condomínio Novo Leblon para alimentar uns gatinhos que vivem ali. Aí vi que, simplesmente, alguém havia abandonado uma gatinha siamesa, com toda as suas coisinhas (ração, terrinha, potinhos, casinha, etc.) perto do local onde os gatinhos ficam. Amarraram com uma fita plástica o pescoço da gata na grade de ferro que separa os condomínios e ela ficou ali quietinha.

Quando passei por lá já eram umas 22h e o segurança do condomínio disse que viu uma senhora, por volta das 16h, colocando a gata ali, mas não fez nada. Quando cheguei a gatinha estava toda molhada de xixi. Ficamos com muita pena e resolvi trazê-la para casa, pois o segurança disse que o máximo que podia fazer era levá-la para a Suipa.

Conclusão: ela está no banheiro do quartinho de empregada, para não se misturar com meus gatos, mas não tenho como ficar com ela. Minha casa está em obras, pois acabei de me mudar e os pedreiros usam o banheiro do quartinho durante o dia. Não posso ter contato com ela, porque estou grávida e não sei se ela tem alguma doença, como toxoplamose, por exemplo. Só trouxe ela para casa porque meu marido estava comigo na hora que a achamos. Porém, segunda-feira nossa vida volta ao normal: eu dou aula na faculdade o dia inteiro. Não tenho nem tempo de levá-la ao vet.

Peço, por favor, que divulguem essa gatinha, pois preciso de um lar temporário, com urgência. Se tiver que dar alguma ajuda de custo para a pessoa que vai ficar com ela, eu dou. Não tem problema algum. Ela é muito dócil e devia ser gata de apartamento, pois em nenhum momento tentou fugir ou correr.

Obrigada, de coração!

Fernanda Lacombe

:-)



Fábio e Funguinho adoram este berço que balança sozinho...