13.7.09


Twitter: arrumando o espaço

Quando me inscrevi no Twitter, há muitas e muitas luas *, marquei a opção de seguir automaticamente a quem me seguia. O Twitter era uma novidade, todo mundo estava testando as águas e a retribuição era apenas justa entre aqueles poucos amigos que se aventuravam por ali.

O tempo passou. Deixei o Twitter pra lá; não é o meu pedaço favorito da rede.

Mas, no ínterim, aconteceu que, onde havia meia dúzia de gatos pingados, surgiram milhares de usuários. Por muito que eu tentasse domesticar a lista de “seguidos”, quando vi estava na cola de quase três mil pessoas – e é virtualmente impossível viver no meio de um barulho desses.

Dá-se que, em algum ponto do calendário, o Twitter desabilitou a famigerada opção de Follow automático. Isso significa que o Unfollow automático também desaparecera, o que acabou de vez com minha vontade de passear por lá. Para início de conversa, eu teria que reduzir a lista gigantesca apagando “seguido” por “seguido”.

Mas de que adiantaria todo o esforço se a lista crescia sozinha?

Tinha que existir uma forma de contornar o problema. E existe mesmo. Na verdade, existem várias, mas a maioria não resolvia o meu problema, já que só corta “seguidos” que não nos seguem. Depois de muito revirar, encontrei o Refollow, melhor ferramenta de gerenciamento de conta do Twitter entre todas as que experimentei.

O Refollow permite que se cortem “seguidos” infiéis ou que se escolham as pessoas a serem cortadas ou mesmo bloqueadas, que se arrumem os amigos por últimos twits, que se veja quem não tuita há tantos e tantos dias e assim por diante. Tudo de forma rápida e simples.

É uma mão na roda e, em alguns minutos, zerou a minha lista, que pude recomeçar do zero.

Na busca por algo como o Refollow, encontrei um prático programinha para mostrar quem seguimos e não nos segue, ou vice-versa. É o Friend or Follow, de ótimo layout e também muito fácil de usar.

Já a questão do Follow automático resolvi através de uma ferramenta menos amistosa, mas ainda assim útil, o site socialtoo.com. Lá pode-se controlar alguns parâmetros do Facebook e do Twitter, entre os quais Follow e Unfollow automáticos.

Em tempo: eu detesto, mas realmente detesto, esse papo de followers, ou “seguidores”! Será que não havia uma palavra menos antipática e presunçosa no dicionário?


* Março de 2007 -- como o tempo voa!


(O Globo, Revista Digital, 13.7.2009)





12.7.09


Quase OK

Depois de um trabalhão danado, a salinha de video ficou finalmente pronta. Alguns DVDs foram fáceis de arrumar -- as coleções, os seriados, os generos mais evidentes e os trabalhos dos diretores de quem eu tenho tudo, ou quase tudo, para não falar nos filmes coreanos e sobretudo indianos, que talvez por país sejam maioria.

Ainda há umas áreas confusas, onde há DVDs de todos os tipos, e que eu ainda não sei exatamente como arrumar: muitos filmes clássicos, muitos russos, muitas comédias românticas, muitas bobagens compradas nas Americanas a dez real.

Se vocês clicarem na foto, dá pra ler onde está o quê.

O Irineu não foi etiquetado porque achei que seria rapidamente reconhecido.



Já essa outra foto não tem rótulos, mas dá para ver o outro lado da salinha:



Ela é um quarto comum, de uns dez ou doze metros quadrados, não sei ao certo, mas com a lente 10-20 parece até grandinha... :-)






Quem lê tanta notícia?!









11.7.09


Parte dos indianos










Nisso é que dá voar United!



O grupo canadense Sons of Maxwell teve a má idéia de voar pela United para Nebraska. No caminho, a guitarra Taylor de Dave Carroll -- um brinquedo de 3.500 dólares -- foi quebrada; a voadora não negou a culpa mas, depois de passar um ano enrolando o coitado, recusou-se a pagar pelo instrumento.

A vingança maravilhosa de Carroll é um videoclipe que está bombando no You Tube. E é só o primeiro de uma série!

Bem feito para a United, outra companhia aérea pavorosa.

(Valeu pela dica, Marcela!)






Que trabalheira!









10.7.09


O que não faz o ser humano por uma boa foto!



Achei uma série de fotos muito engraçadas de fotógrafos em ação AQUI.





9.7.09


Pete Seeger conta como compôs Turn!Turn!Turn!: em 1959 seu editor escreveu pedindo que compusesse algo novo, diferente das músicas de protesto que eram sua marca registrada e que eram difíceis de vender. Seeger chiou, mas pegou um trecho do Eclesiastes, juntou duas linhas... e o resto é História.

A música chegou ao primeiro lugar do hit-parade com The Byrds em 1965, mas foi gravada inúmeras vezes antes e depois.

Para mim, que cresci ouvindo as grandes canções de protesto americanas dos anos 60/70, será sempre uma referência emocional.







Quente, mas muito bonito!










Final de um dia de verão










Tom Paxton sempre soube de tudo



Essa semana lembrei demais de uma grande música do Tom Paxton, que se chama... Forest Lawn! Foi composta há uns 30 anos, e está precisando ser atualizada com urgencia: o que ela propõe é muito singelo para os tempos atuais.

(Levei um susto visitando o site do TP: Pete Seeger acabou de fazer 90 anos! E Billy Bragg já é um senhor de cabelos brancos. Ó céus.)

Forest Lawn
Tom Paxton

Oh lay me down in Forest Lawn in a silver casket
Put golden flowers over my head in a silver basket
Let the drum and bugle corp blow taps while the cannons roar
Let sixteen liveried employees pass out souvenirs from the funeral store

I want to go simply when I go
They'll give me a simple funeral there I know
With a casket lined in fleece
And fireworks spelling out "Rest In Peace"
Oh take me when I'm gone to Forest Lawn

Oh lay me down in Forest Lawn they understand there
And they have a heavenly choir and a military band there
Just put me in their care
I'll find my comfort there
With sixteen planes and a last salute
Dropping a cross in a parachute

I want to go simply when I go
They'll give me a simple funeral there I know
With a hundred strolling strings
And topless dancers in golden wings
Oh take me when I'm gone to Forest Lawn

Oh, come, come, come, come,
Come to the church in the wild wood
Kindly leave a contribution in the pail
Be as simple and as trusting as a child would
And we'll sell you the church in the dale

To find a simple resting place is my desire
To lay me down with a smiling face comes a little bit higher
My likeness done in brass
Will stand in plastic grass
And weights and hidden springs
Will tip its hat to the mourners filing past

I want to go simply when I go
They'll give me a simple funeral there I know
I'll lie beneath the sand
With piped in tapes of Billy Graham
Oh take me when I'm gone to Forest Lawn

Rock of ages cleft for me
For a slightly higher fee
Oh take me when I'm gone to Forest Lawn






Entrevista com a Vaca



Ela é jovem, bonita, contracena com Tony Ramos e ganha um dinheirão. Está com tudo e não está prosa: apesar de ter conquistado a fama no horário nobre, continua com a mesma personalidade descomplicada de sempre. A sua agenda, contudo, está cada vez mais concorrida. Quando fui ao Projac para entrevistar a Vaca, levei um bolo.

-- Mas hoje é sábado! – exclamou Débora Bloch, com quem me encontrei no estúdio de “Caminho das Índias”. – Hoje você só encontra aqui gente como a Juliana Paes, como o Rodrigo Lombardi, como eu... A Vaca é uma diva, não trabalha fim-de-semana.

Como o verdadeiro jornalismo investigativo não se deixa abalar por contratempos, depois de mais uma rodada de telefonemas e emails voltei ao Projac. Dessa vez dei sorte. Encontrei a Vaca na cidade cenográfica, do lado de fora do set do Rajastão, onde são filmadas todas as cenas de rua indianas da novela. Fazia um lanche rápido na grama enquanto não era chamada para a sua cena.

-- Bom dia, Vaca.

-- Muuuuuuuuuuuuu – respondeu ela, cordialmente.

-- Muuuuuuuuuuuuu?

-- Muuuuuuuuuuuuu!

Ela sente-se à vontade sob os refletores. Acostumou-se com as câmeras e com as atenções e, como toda estrela, faz mistério em relação ao cachê. Fala-se, nos bastidores, que ela não sai de casa por menos de 350 reais, mas ela desconversa. Falam também que comeu o prestigioso crachá da Globo, mas ela nega indignada o episódio, que teria sido inventado por uma revista de fofocas.

A vaca vem de uma família de artistas, e nasceu há dois anos no set do“Sítio do pica-pau amarelo”. Foi batizada de Emília. Sua mãe, de nome Onça, tem uma longa trajetória televisiva, e também trabalha em “Caminho das Índias”, mas as duas nunca atuam juntas: a presença da mãe intimida Emília.

Para entrevistar a Vaca é preciso falar com Douglas Barros, animalier (uma espécie de sommelier de animais) do Rancho do Nori, em Guaratiba. Lá vivem a vaca e dezenas de outros bichos que brilham na televisão: carneiros, cabritos, patos, cavalos, porcos, cachorros, gatos, cobras e até capivaras.

Eu, para a Vaca:

-- O que você acha da sua personagem em “Caminho das Índias”?

-- A Mãe Vaca foi um presente de Glória Perez. É um papel complexo, cheio de muuuuuuuuuuumuuuuuuuuuuuunhas. Para começo de conversa, preciso interpretar uma vaca mais velha e com mais vivência; depois, tenho de passar aquela coisa assim meio espiritual da Índia, entende? Também sou muito grata ao Marcos Schechtman, o diretor, que me deu essa oportunidade. Tenho aprendido muito com ele e com todo o elenco maravilhoso da novela.

-- Você fez laboratório?

-- Assisti a diversos episódios do National Geographic e do Animal Planet e a todos os filmes do Satyajit Ray.

-- Você sofreu alguma espécie de discriminação ou preconceito por ser uma vaca?

-- Pelo contrário! Todos me receberam de braços abertos, e me incentivaram com palavras de carinho.

-- Como é contracenar com Tony Ramos?

-- Fiquei meio nervosa quando nos encontramos pela primeira vez, é claro, mas o Tony é um verdadeiro lord, um parceirão. Ele logo me deixou inteiramente à vontade. Ele é um colega fantástico, que não se importa em dividir a cena com os outros. Mas o que eu mais gosto é que ele tem um estoque gigantesco de banana d’água guardado naquela loja.

-- Como você tem conciliado o trabalho na novela com a vida pessoal?

-- Desculpe, mas não falo sobre minha vida pessoal. Só falo sobre a minha carreira.

-- Mas você pode pelo menos adiantar o que vai fazer quando a novela acabar?

-- Bem, eu gostaria de me casar e de ter filhos.

-- Você gostaria que seus filhos seguissem a carreira artística?

-- Acho que eles devem seguir as próprias vacações, digo, vocações, mas daria força se algum quisesse vir para a televisão. O trabalho é fácil, ganha-se bem e come-se muitas frutas. Muita banana!

-- Quais são seus planos para o futuro?

-- Estou estudando vários projetos. Tenho paixão por teatro, e acho que também seria interessante fazer um filme.

Eu, para a Vaca:

-- Aqui entre nós, você é mesmo sagrada?

-- Não sei. Pergunta para a produção.



(O Globo, Segundo Caderno, 9.7.2009)





8.7.09


Tut freak


Howard Carter e Lord Carnarvon

Estou assistindo a uma produção da BBC sobre a busca ao Egito antigo.

Sou inteiramente viciada nisso, e nem me incomodo muito dessa série em especial (Egypt) deixar um tanto a desejar: é bem feita mas chatinha, exagerada e intercalada com trechos dramatizados do que seria a vida dos faraós.

Também é pedir muito ver Carter escavando de terno e gravata ou, na melhor das hipóteses, de (quase) impecáveis camisa e calça social com suspensórios.

Parece que, para a BBC, ninguém suava no Egito nos idos de 1922.

Tudo é perdoado, porém, porque fico arrepiada dos pés à cabeça ao imaginar o que Carter e Carnarvon sentiram quando viram, pela primeira vez, o túmulo de Tutancamon; e adoro que me contem essa história over and over again.

AQUI há um banco de dados precioso com todos os cartões que Carter fez catalogando os objetos encontrados na tumba, as fotos P&B de Harry Burton e fotos a cores de John Ross. É um trabalho fenomenal.

Valeu pelo link, Tom!





7.7.09


Anatomia de um desastre

Desde que o (já não tão) novo prefeito tomou posse, os protetores de animais vêm mantendo um diálogo de surdos com a Sepda.

Esperei um tempo para ver como ficavam as coisas, para não julgar precipitadamente um trabalho que, afinal, poderia estar sendo bem encaminhado, mas a verdade é que o mínimo que se pode dizer da política da prefeitura em relação aos bichos do Rio de Janeiro é que é um desastre.

A Secretaria de Proteção e Defesa dos Animais só tem protegido e defendido mesmo os animais humanos que emprega. Parece claro que, para o prefeito Eduardo Paes e seus "especialistas", bicho bom é bicho morto.

Lilian Queiroz, da ONG Oitovidas, acaba de enviar correspondência para o prefeito:
"Sr Prefeito Eduardo Paes,
Sr. Luiz e Dr. Leonardo

Tenho comparecido às reuniões e observado a atuação da Sepda.

Como contribuinte, que dedica o equivalente a cinco meses do meu trabalho em impostos e o equivalente a outros quatro meses com cuidados de animais abandonados, serviço esse que cabe ao Poder Público, me sinto bem à vontade para fazer esses comentários.

Todos vocês que estão ocupando cargos nessa secretaria, antes de caírem de para quedas aí, nunca tinham ouvido falar em "Proteção animal".

Sem conhecimento de causa, começam a elaborar planos mirabolantes, a maioria das vezes com olhos nos votos da Proteção Animal, sem se inteirar do assunto, sem pesquisar as necessidades e reivindicações de pessoas que há anos fazem esse trabalho com os próprios recursos.

Marcam reuniões com um número enorme de pessoas e não ouvem nenhuma.

Elaboram projetos e se sentem injustiçados por não serem ouvidos e elogiados no que estão propondo.

Acontece que para nós, cansados de tanta promessa que não se realiza, só vale o que está pronto, o que está acontecendo. E do que está acontecendo, sinceramente, não estamos gostando.

O "vamos conseguir verbas", "nós estamos querendo fazer", para nós, sinceramente, já virou piada.

Por exemplo, a Fazenda Modelo:

Um elefante branco, com uma localização difícil para a maioria dos protetores, que não tem carro e tempo para se locomover até lá, e ainda tem que colocar os animais em risco, pelo stress da viagem.

Quem conhece gatos, sabe o que significa isso para eles.

A angústia que nos causa a possibilidade de "entulhar” inúmeros animais lá e a insegurança em relação à verba para mantê-los por muitos anos, bem como em relação às mudanças de governo, não têm tamanho.

A fome, a sede e a doença não esperam licitações, briguinhas por poder, ou novas ordens.

Além do mais, com o dinheiro que gastaram lá, poderiam estar montando vários quiosques de castração perto das favelas e bairros da Zona Norte, além de investirem na educação sobre posse responsável. Mas, entendo, isso não seria viável para fins políticos, pois não seria visto pelos eleitores.

Sei que aos olhos de vocês somos ingratos e só queremos brigar. Acontece que se estivessem do nosso lado, participando do nosso dia a dia, poderiam nos compreender e fazerem um serviço que realmente importaria para os animais.

Nada pior para nós, que conhecemos cada animal da colônia que cuidamos, que sabemos qual está adaptado, qual precisa ser castrado, doado, qual está correndo risco no local, por ser medroso, arisco, coisas que só quem cuida sabe, do que aparecer um "hiperporforizado" com um "projeto", querendo recolher, doar, levar para o CCZ, (com a Dra Eucy na direção!) ou para a Fazenda Modelo.

Vocês criam projetos para a doação de gatos quando não conhecem a colônia e muito menos quem cuida deles. Chegam sem a menor consideração, interferindo em trabalhos que estão sendo feitos há anos, sem ao menos ouvir o que foi e o que está sendo feito, sem saber das necessidades de cada um dos protetores.

Dão entrevistas falando idiotices, demonstrando total despreparo e dando às pessoas que não conhecem o assunto uma falsa imagem.

O trabalho da Dra Preci, por exemplo, é muito maior que cuidar e acomodar os poucos gatinhos da colônia do Parque Lage.

Para esses, ela não precisa da Fazenda Modelo ou de vocês, pois trabalhou durante muitos anos no local sem qualquer ajuda da Prefeitura ou de qualquer governo. Todas nós protetoras e suas amigas podemos cada uma ficar com um ou dois deles e eles ficariam muito bem cuidados.

O problema, entretanto, é muito maior que isso e vocês não conseguem nem enxergá-lo.

Quando a Dra. Preci sair do Parque Laje o abandono e a ignorância pública não vão acompanhá-la. Sendo assim, pergunto: quem vai doar os filhotes deixados lá todos os dias? Quem vai tirá-los da desidratação e inanição que eles apresentam na maioria das vezes, precisando ser alimentados e hidratados de 3 em 3 horas? Quem vai conseguir donos responsáveis para os adultos, muitas vezes velhinhos, doentes ou machucados que são abandonados ininterruptamente? Quem vai conversar com aos visitantes, dando informações importantes, como a de não alimentar silvestres com chocolates e batatas fritas, coisa que nem uma placa de aviso a prefeitura faz? Quem vai checar se no meio da mata estão agonizando animais, cheios de agulhas e velas pretas e vermelhas, depois das magias e macumbas? Quem vai fazer esse trabalho, que só quem ama faz com a dedicação e a competência que ela e os protetores fazem?

Difícil para políticos entenderem esse trabalho. O olhar dos políticos está dirigido para outro lugar: VOTOS e SALÁRIOS ALTOS.

Infelizmente, se existe alguma possibilidade de vocês se juntarem a nós, é preciso que aprendam a ter um olhar de compaixão, muito mais abrangente que o próprio umbigo.

Não adianta ser educado, simpático, sedutor, interessante.

Para a proteção só interessam competência, solidariedade, paixão e respeito pelos animais."

Lilian Queiroz de Sousa

Protetora e Presidente da Oitovidas.






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