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No fim da tarde fui com a Heliana e o Tom àquele mirante do começo da Niemeyer para caçar umas fotos. O mar estava uma beleza, mas o que me chamou a atenção foram umas andorinhas lindas e ligeiras fazendo um lanche de mosquito antes de ir dormir.
Enquanto não eram lanchados, os mosquitos lanchavam em mim: hora do jantar é hora do jantar.
Entre uma picada e outra, vi este beija-flor miudinho no meio do mato, carregando material de construção.
As fotos ficaram meio granuladas, mas também foram feitas a 1600 ISO e, ainda por cima, levaram um recorte grande, vejam só:
Como sabe qualquer usuário, não existe um Twitter (como não existe um Orkut, um Facebook e por aí vai): existem tantos Twitters quantas pessoas que o utilizam, pelo simples motivo de que não existem dois perfis iguais. Como agregadoras de conteúdo, as ferramentas de mídia social são como pratos de restaurante a quilo, onde cada um põe o que quer. Mas, como num restaurante a quilo, o movimento varia ao longo do dia e, bem ou mal, o prato acaba refletindo o que está no buffê àquela hora.
O “meu” Twitter é o da noite. Na quarta-feira passada entrei lá de manhã, e estranhei tudo, do Timeline aos anúncios de cunho prático informando o fluxo do tráfico, a temperatura no Centro e as promoções do momento em lojas de eletrodomésticos. Bizarro.
No mesmo dia, mas no horário de hábito, participei de uma brincadeira inventada pelo meu colega e amigo Jorge Antonio Barros, o @reporterdecrime: uma entrevista coletiva, em que pergutas e respostas limitavam-se, claro, aos 140 caracteres regulamentares. Uma amostra do que rolou:
@ThalitaReboucas pra @cronai: Mac ou PC? @cronai: Nem Mac nem PC: Nokia ou Blackberry ou iPhone ou Droid... Brincando (um pouco). Na verdade, a máquina mais familiar para cada um.
@andreatardin Que tipo de e-reader vc prefere? @cronai: Vocês vão rir, mas eu prefiro livro mesmo, aquele objeto antigo, de papel.
@reporterdecrime: RT @robadey pra @cronai Acha que essa onda de tablet vai pegar? // Minha: Quais são as tendências digitais que podem ficar? @cronai: Tablet ainda é uma incógnita. Tendências definitivas são smartphones, mídias sociais, conectividade 24 x 7.
@reporterdecrime: A @LacraiaX9 gostaria de saber o que vc pensa sobre a internet gratuita para a população. @cronai: Sou inteiramente a favor. A internet é uma ferramenta de cidadania fundamental.
@vedimov: Que camera vc usa? Qual sua marca e modelo farorito, o que vc indicaria? @cronai: Tenho uma Nikon D5000 com algumas lentes e uma Lumix ZX1, mas o que mais uso é o Nokia N95. Das compactas, recomendo as Lumix, sempre.
@reporterdecrime: Do grande fotógrafo @mveras: A câmera digital banalizou ou democratizou a fotografia? @cronai: As duas coisas. Banalizou ao democratizar, mas isso não é necessariamente ruim. Boas fotos sempre serão boas fotos.
@blogdoharry: O Twitter é a grande sacada da internet pelo fato de aproximar famosos e anômimos? As relações mudarão? @cronai: O Twitter é a grande sacada pelo jogo rápido. Isso de "famosos" e "anônimos" é bobagem. Importante é Irã, China, Haiti, Cuba...
@lianamachada: Vislumbra algum controle legal efetivo para o meio digital? @cronai : Não, e espero jamais vislumbrar. A internet não pode ser controlada pelo estado, ponto.
Update, segunda-feira: Acrescentei mais fotos ao álbum. Agora só falta uma foto boa da Tutu, mas ela é muito difícil de fotografar, porque quando vê a camera acha que a idéia é se aproximar o máximo possível, e na maior velocidade.
Os versos desta música andam na minha cabeça por esses dias, nem preciso dizer por quê, né? Escolhi a gravação do Casuarina não só porque é ótima, mas porque sou fã de carteirinha do grupo:
Oh! Deus, perdoe este pobre coitado Que de joelhos rezou um bocado Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou E só por isso o sol arretirou Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho Pedir pra chover, mas chover de mansinho Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe, Eu acho que a culpa foi Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água E ter-lhe pedido cheinho de mágoa Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno Desculpe eu pedir para acabar com o inferno Que sempre queimou o meu Ceará.
Confesso: não estava com a menor vontade de ver Avatar. Tenho implicância com filmes que chegam cercados de tanta onda, gastei o que tinha de paciência com criaturas azuis já na época dos Smurfs e, ainda por cima, detestei Titanic. Nem a perspectiva do 3D me empolgava: não consigo imaginar um só dos meus filmes favoritos que ganhasse com o uso de uma tecnologia que, embora perfeita para games, pode ser insuportável no cinema.
Mas aí os críticos começaram a recomendar Avatar mundo afora. Colegas elogiaram Avatar. Amigos que viram o filme adoraram. Na internet discute-se há semanas, a sério, o que acontece naquele mundo imaginário. A bilheteria disparou. E, de um momento para outro, assistir Avatar virou obrigação cultural. Como sabiamente observa o Millôr, nada faz tanto sucesso quanto o sucesso.
No domingo, armada de paciência e resignação, decidi finalmente ver o motivo de tanto auê. O roteiro é primário, cheio de clichês e de, como se diz hoje, “homenagens” a outros filmes, de Matrix a Pocahontas. Os personagens são caricaturas – o comandante sem coração, o administrador sem escrúpulos, a cientista sem medo, o herói sem mácula, a selvagem sem maldade. O desfecho é previsível desde que as luzes se apagam. E o filme é sensacional.
* * *
A história todo mundo já sabe: num futuro mais ou menos distante, uma megacorporação de terráqueos prepara-se para atacar o planeta Pandora, rico em depósitos de um mineral precioso que os nativos não estão interessados em negociar. A exploração desses depósitos significaria o fim da floresta em que vivem, e os na´vi são tão ligados ao meio-ambiente que chegam a fazer conexões diretas com árvores e animais, como se suas tranças fossem cabos USB primitivos.
A corporação e os nativos se comunicam através de avatares desenvolvidos com DNA meio na´vi, meio humano; e o filme começa quando um humano cai de paraquedas no projeto, substituindo o irmão gêmeo como condutor de avatar. As negociações diplomáticas, que nunca foram lá grande coisa, estão chegando ao fim, e logo os mercenários terrestres usarão contra os inocentes selvagens todo o seu poderio militar. Caberá ao recém-chegado justificar as quase três horas de filme.
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Acontece que Pandora é o lugar mais bonito que o cinema já inventou. Tem árvores descomunais, cachoeiras, rios e riachos, montanhas flutuantes, vegetação fluorescente. Tem cores lisérgicas, plantas incríveis e insetos luminosos com o movimento de delicados animais marinhos. O 3D não é gratuito; ele nos aproxima da floresta e dos seus habitantes, e nos sentimos como mergulhadores que, pela primeira vez, se vêem diante de um recife de coral. Simplesmente embasbacados.
Boa parte do sucesso de Avatar se deve à perfeição desta criação. Os diálogos são infantis e a carpintaria dramaturgica é aflitivamente transparente, mas ninguém precisa de palavras para se empolgar com tecnologia tão bem utilizada e natureza tão exuberante. O recado é visual: é evidente que aquilo não pode ser destruído, assim como é evidente que ninguém tem o direito de acabar com o mundo dos outros. O que vale para Pandora, ça va sans dire, vale também para a Terra. Pronto.
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Avatar é um pipocão cheio de mensagens. Além da defesa ambientalista, faz referências diretas à política externa dos Estados Unidos, e a corporação malvada que quer destruir os na´vi é, claramente, uma metáfora para a Haliburton. Susbtitua-se o unobtanium por petróleo, e o quadro anti-imperialista se completa.
Se não forem levados ao pé da letra, os mercenários podem representar qualquer civilização tecnologicamente avançada que, em qualquer ponto da História, deu cabo de tribos inocentes e despreparadas, dos conquistadores espanhóis do século XVI aos madeireiros e mineradores que insistem em ocupar terras indígenas na Amazônia. Da mesma forma, os na’vi podem ser qualquer etnia ameaçada por brancos de olhos azuis.
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Era de se esperar que, a essa altura, o mito do bom selvagem já fosse visto com, pelo menos, um mínimo de ridículo; mas James Cameron é despudoradamente maniqueísta, e faz todo o possível para poupar o espectador da terrível tarefa de pensar. Em outro filme, isso me despertaria instintos assassinos, mas Avatar é uma tal festa para os olhos, que tudo lhe pode ser perdoado.
Pesa nessa condescendencia, ainda, o fato de, em muitos aspectos, o filme combater o bom combate. Se uma ínfima parcela dos espectadores sair do cinema convencida de que nada justifica a forma como estamos tratando o nosso próprio planeta, Avatar terá cumprido lindamente a sua segunda missão. A primeira cumpriu com louvor no primeiro bilhão de dólares.
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Não faltam à política brasileira exemplos de idéias de jerico, mas trazer Tony Blair como consultor para as Olimpíadas está, com certeza, entre as campeãs. Será que não há um único brasileiro com a necessária competência? Será que temos de ir buscar, em libras esterlinas, um político universalmente desacreditado? Ou será mesmo a velha mentalidade colonizada vindo à tona?
Para não atrapalhar demais a sua cabeça globalizada, governador, assista Avatar. Como eu digo aí em cima, é um filme bonito, não vai exigir muito dos seus neurônios, e talvez o senhor consiga perceber, logo na primeira meia hora, a quantas anda a credibilidade de quem promoveu a guerra do Iraque. Indo na sessão das cinco ali no São Luiz, dá tempo de sobra para pegar o vôo para Paris.
Eu tinha escrito um post inteirinho sobre a minha aventura de hoje à tarde, quando sai do jornal, topei com o pior calor que já vi no Rio e, por curiosidade, decidi andar para ver até onde aguentava -- e aí o Lucas, que está deitado na mesa, deu uma espanada com o rabo, bateu sei lá em que tecla, e apagou tudo.
Capivara felina!
O resumo da história é que saí da Irineu Marinho, peguei a Rua do Santana, a Frei Caneca, desci pela Moncorvo Filho, dei meia volta no Campo de Santana e desisti da empreitada na Praça Tiradentes, antes de pegar uma insolação.
Nunca fui à África -- é uma falha que pretendo corrigir a$$im que puder -- mas andei pelas ruas que conheço tão bem como se estivesse num lugar exótico como Dakar ou Timbuktu.
Quando cruzava com outras pessoas, trocavamos aquele olhar de criaturas abestadas que dizia tudo: Como pode isso?!
Como experiência, foi interessante constatar uma coisa: o desconforto do calor era tão grande, mas tão grande, que nem me lembrei que tenho joelho.
O que prova que (quase) tudo tem um lado positivo.