8.11.09

  • Trouxe tênis, sandália chique, sandália de caminhada e Birkenstocks. Tudo o que precisava era das Birkis e de Havaianas.

  • Trouxe protetor solar e repelente de mosquitos. Em vez disso, devia ter trazido um kit de pedicure super reforçado. Em lugar algum do mundo as minhas patinhas ficaram tão detonadas.

  • Chai é ótimo, assim como todas as espécies de pão que se encontram por aqui.

  • Nunca se deve acreditar num indiano quando ele diz que a comida não leva muita pimenta. O conceito deles de "muito", aplicado à pimenta, é completamente diferente do nosso.

  • O melhor antídoto para pimenta é iogurte.

  • Iogurte, aliás, é usado em tudo. E fica delicioso numa bebida chamada lassi, espécie de milk-shake, que pode ser feito puro ou com frutas. O lassi pode também ser salgado, mas a minha curiosidade gastronômica tem limite.

  • Acabo de perceber que há uma lagartixa inteligente dentro do lustre, só esperando os insetos atraídos pela luz.






  • Cheiros

    Quando o sol se pôs no dia seis de novembro eu estava sentada numa pedra em frente a um lago na província de Deogarh, no Rajastão, ao lado de Devarth Singh, de 21 anos, sobrinho dos meus anfitriões no Deogarh Mahal, palácio do século XVII hoje convertido em hotel. Conversávamos sobre filmes indianos, câmeras fotográficas e os seus projetos de vida, enquanto o garçom que veio conosco no jipe nos servia chai e biscoitinhos.

    Não se via vivalma num raio de quilômetros.

    Assim como o negócio do turismo na região, o lago estava quase seco. A falta de chuvas decentes há mais de dois anos está fazendo um estrago horrível, só comparável às ameaças de atentados terroristas e à crise financeira, que afugentaram os firangs. Pássaros iam e vinham, se arrumando para dormir, e, no céu, apareciam as primeiras estrelas.

    Nesse canto deserto do mundo ainda se vêem estrelas.

    O ar fresco cheirava a terra, feno e estrume, e de repente me ocorreu que esse sempre foi o aroma natural do planeta, antes que o cobríssemos de cimento e de asfalto.

    * * *

    A única coisa que me assustava de fato em relação à Índia, antes de vir para cá, eram os cheiros. Não sou enjoada em relação a nada e tenho poucos medos, mas sou muito sensível a cheiros. Visitar a Jama Masjid em Nova Delhi foi um programa desagradabilíssimo, menos pela roupa ridícula que me fizeram vestir do que pela fedentina generalizada, misto de lixão com vala negra e gente porca. Perfeitamente nauseabundo!

    Fiquei preocupada achando que aquilo era só uma amostra do que me esperava em Varanasi mas, graças aos 33 milhões de deuses do panteão hinduísta, estava enganada.

    O cheiro predominante em Varanasi é o de incenso, queimado por toda a parte em oferendas e rituais. Não é ruim, e combina com o ambiente. Aqui e ali alguns cheiros se sobrepõem, sobretudo o das frituras, o de especiarias e o de algum viajante com o desodorante vencido.

    O próprio Ganges, poluído como está, não cheira, assim como não cheiram os ghats onde mortos são cremados dia e noite. A população local atribui o fato a um milagre de Shiva, mas a lógica dá o crédito a um santo mais banal chamado vento. Como não vi nenhum dos famosos cadáveres deslizando correnteza abaixo, não posso falar da cidade no seu pior.

    * * *

    Em Nova Delhi, tirando a mesquita, não passei por nenhuma grande aflição olfativa. Chandni Chowk tem cheiro de escapamento de automóvel, curry, suor e incenso, muito incenso, usado para espantar as moscas; no Qutab Minar reinam as plantas, entre elas magníficas damas-da-noite.

    Udaipur tem um estranhíssimo cheiro de água no deserto. Não me perguntem o que é isso, porque não há nada mais difícil de descrever do que um cheiro. A julgar pela quantidade de mangueiras, acho que, no verão, o ar deve ser com o de Belém do Pará, com a diferença que a água, lá, é molhada mesmo.

    O sertão do Rajastão, que tenho percorrido nos últimos dias, cheira a campo. O esterco é onipresente, inclusive como combustível e material de construção. Não gosto nem desgosto, acho absolutamente normal e nem esperaria outra coisa.

    O jardim do hotel de onde escrevo é perfumado por dezenas de pés de jasmim. Ouvem-se a água de uma fonte e os pios de pássaros noturnos. O efeito geral é paradisíaco.

    * * *

    Os indianos gostam de perfumes fortes e, pelo que tenho cheirado, usam muito essências puras: rosa, jasmim, sândalo, por aí. A sorte é que os fixadores, se é que os há, não funcionam, de modo que o que tonteia qualquer um numa loja de perfumes acaba se perdendo no ar ao longo do dia.

    Não percebi distinções de sexo no uso dessas essências; vários homens se perfumam com rosas.

    * * *

    Dizem que as favelas em Calcutá e Bombaim fedem pavorosamente, mas não está no meu programa visitar favela alguma. Deixo isso para antropólogos, assistentes sociais e pessoas sem noção: tenho a maior bronca desse turismo da miséria, que acha pitoresco freqüentar a desgraça.






    There goes the neighbourhood...







    Que tal esse cantinho pra trabalhar?







    Um outro tipo de tranca







    Quero ficar espichada no ar refrigerado







    Banheiro







    Quarto...







    Varanda...







    O novo lar é um hotel boutique







    Uma piscina para a Mami







    Tem româ!






    7.11.09


    Alguns preços

    Um copo de chai: 5 rupias
    Um quilo de pimenta: 80 rupias
    Uma corrida de tuc-tuc para indianos: a partir de 30 rupias
    Uma corrida de tuc-tuc para firangs: a partir de 50 rupias
    Uma garrafa de água: 60 rupias
    Um mapa de Udaipur: 20 rupias
    Uma vaca: 6 mil rupias
    Uma galinha: 200 rupias
    Um camelo: no mínimo 30 mil rupias
    Uma cabra: 3 mil rupias
    Uma búfala: 15 mil rupias
    Uma bicicleta: 3 mil rupias
    Cinco cartões postais: 100 rupias
    Uma miniatura baratinha: 350 rupias
    Uma miniatura vendida para mim: 3500 rupias

    --
    Enviado do meu celular







    Essa moça dança sobre facas!







    Outro take







    A pedidos, o banheiro







    O oleiro da aldeia







    Quem lembra?







    Hora do chai







    Esqueci: o quarto tem varanda







    Outra companheira







    A paisagem







    Viajando à indiana, sentada na porta







    Companheiro de viagem







    Vou andar de trem







    Trilha sonora: papagaios!







    Café da manhã







    Para vocês terem uma idéia da seca






    6.11.09


    Chama-se Deogarh Mahal







    Um apartamento num palácio!







    Hoje estou aqui







    A Europa pode me esperar sentada...







    This is no country for old knees







    Khumbalgarh







    Trânsito II

     

     

     
    Posted by Picasa






    No Jagat Niwas e aqui, as portas se fecham assim






    5.11.09


    Lest I forget

    Paixão Segundo São Mateus nas caixas do Vaio: talvez nunca tenha
    sido ouvida por aqui.

    O Ocidente tem o seu valor.

    --
    Enviado do meu celular







    Tem dança típica na beira da piscina







    Minha varandinha







    Trânsito

    Falam-se barbaridades sobre o trânsito da Índia e, em termos ocidentais, é tudo verdade.

    Acontece que o trânsito é uma invenção humana, um conjunto de códigos desenvolvido a partir de certas necessidades. Depois de uns dias observando o que acontece aqui, cheguei à conclusão de que não há nada de muito errado com o trânsito local; apenas, ele segue um conjunto de códigos diferente, tão incompreensível para a nossa mentalidade quanto, digamos, a relação com a religião ou o uso ensandencido de pimentas e especiarias e a onipresença do coentro.

    Ninguém usa espelho retrovisor, acessório inexistente nas motos e nos carros mais velhos. Na maioria dos carros novos o pessoal deixa os espelhos dobrados, até porque, com a quantidade de fino que se tira, aquilo só atrapalha.

    É por isso que todos os ônibus, caminhões, tuc-tucs e veículos variados trazem escrito “Horn Please” na traseira; afinal, se você não avisar que está vindo, como é que eles vão saber?

    Em prol da comunidade internacional, a Índia fez algumas concessões às noções ocidentais de deslocamento automotor, mas está claro que, como todas as concessões feitas ao arrepio da alma nacional, essas também não pegaram. Mão e contramão é um estrangeirismo extremamente mal assimilado. A idéia de faixas para pedestras chega a ser ridícula, já que parte ponderável dos pedestres têm quatro patas e não está nem aí para essas bobagens. O mesmo vale para os semáforos.

    Os capacetes para motociclistas são obrigatórios, com algumas excessões. Caronas não usam, mesmo porque enfileirar quatro capacetes um atrás do outro na mesma moto é difícil. Sikhs não usam porque é impossível pôr o capacete por cima do turbante. E mulheres também não, porque depois de gastar horas arrumando o cabelo faz algum sentido estragar tudo com aquela droga?

    Graças ao senso estético e à indignação de milhares de indianas, entre elas a ministra para assuntos femininos, a dispensa do capacete para mulheres virou lei; e estamos conversadas.

    O trânsito indiano é, a despeito das aparências, um balé de alta sofisticação, que leva em conta não só veículos e pedestres, mas vacas, camelos, carros de boi, charretes, tratores, burricos, bicletas, motos, cachorros, cabras, carneiros, búfalos, macacos, porcos, galinhas e o que mais resolva utilizar a via.

    Estou encantada com as nuances que este país inventou para uma atividade tão sem graça, e espero chegar ao fim da viagem tendo dominado, pelo menos, a arte de atravessar a rua sozinha.

    Por enquanto tudo o que eu faço é parar estatelada no meio da confusão, mugindo bem alto. Se eles acreditarem que sou uma vaca, estou salva.






    Aodhi Lodge







    Márcia, dá um help? É o templo jain







    São 1440 colunas, todas diferentes







    Estou num templo fantástico







    Surpresa: as estradas da região são ótimas!



    Pelo menos enquanto a gente fica nas vias principais; mas mesmo as estradinhas vicinais me surpreenderam. Pela fama, eu esperava coisa muito pior. É claro que todos os guias de turismo são escritos por ingleses e americanos...






    Zoom de celular quebra o galho







    Vista do restaurante






    4.11.09


    A fool and his money




    Udaipur é mesmo uma das cidades mais bonitas e agradáveis do mundo: o que vocês viram nas fotos é a ponta de um iceberg, que vai do pitoresco ao deslumbrante. As ruas da cidade velha, com suas incontáveis lojinhas de artesanato, lembram os nossos clássicos points de bixos-grilos, e podiam estar na Bahia ou no México.

    Só que aí passa um elefante e cai a ficha -- aqui é a matriz!

    O tempo está ótimo. Faz calor durante o dia, mas um calor que qualquer carioca tira de letra; à noite é fresquinho.

    Há turistas mas não muitos, apenas na conta certa para que a gente se divirta vendo os colegas do resto do mundo, e se sinta parte da onda de bípedes que não param quietos. Há pequenos grupos de turistas masters, há mochileiros, há japoneses que ainda têm dinheiro gastando quase mil dólares para ficar no hotel do lago.

    O simpaticíssimo Jagat Niwas parece uma sucursal da ONU.

    Neste momento, divido o cibercafé com uma dinamarquesa que, pelo visto, é habituée da casa: troca notícias da família e dos amigos com o rapaz da caixa. Tem cara de quem chegou e não vai mais embora. O casalzinho francês que procurava hotel em Jaisalmer saiu há alguns minutos.

    O grande problema de Udaipur é que seus habitantes passam o dia tentando separar os firangs das suas rúpias; e, diga-se, com notável sucesso. Não sei se isso acontece com todo mundo ou se sou presa particularmente fácil por estar sozinha, mas é impossível parar na rua sem que alguém venha nos oferecer alguma coisa.

    Ter um guia, como foi meu caso até o meio da tarde, não ajuda em nada; pelo contrário. Ele é o primeiro a tocar a vítima para o abatedouro.

    A certa altura cansei deste cabo-de-guerra com os nativos, e pulei dentro de um tuc-tuc para passear em paz pela cidade. O rapaz era muito simpático. Deu todas as voltas que eu quis e contou que dirigia o tuc-tuc como bico. No resto do tempo, contou, estuda arte.

    E, antes que eu pudesse dizer Are baba!, me levou para a sua "escola".

    Já cai neste golpe em Hong-Kong, quando um casalzinho me pescou no Bund e me carregou pela cidade até uma suposta exposição num daqueles lindos prédios do século XIX.

    Não me importo com isso.

    Eles passeiam comigo, me dão um monte de informações interessantes e me mostram coisas que eu não veria num tour tradicional; em contrapartida, compro umas pinturas bonitinhas por preços que para mim são baratos e, para eles, representam uma fortuna.

    O que me aborreceu, aqui, foi constatar que qualquer resistência é inútil. Nào há fuga possível.

    Tirando isso, fazem-se, sem dúvida, ótimas compras. As miniaturas características de Udaipur são lindas e, no topo da cadeia alimentar, incrivelmente bem acabadas. Os tecidos são maravilhosos, os bordados assombrosos.

    Adoro arte indiana, preciso de panos para o sofá por causa dos gatos (ó saudade!), quero fazer uma pequena galeria exótica no corredor...

    Os idiotas não sabem que eu gastaria o dobro, de bom grado, se não me chateassem tanto.


    (Valeu, querido Luis Filipe! Aquele Tintin sou eu, sem tirar nem pôr...)






    O hotel à noite







    Um dos jardins da cidade







    Um sonho impossível







    No tuc-tuc







    Bunty, o pintor de miniaturas







    Adorei o ventilador!







    O Palácio







    Sintam o drama







    O problema...

    ... não é nem o que eu quero comprar; é o que eu não quero, mas acabo
    comprando assim mesmo. Preciso aprender um mantra que funcione,
    urgentemente!

    --
    Enviado do meu celular







    Café da manhã







    A vista do restaurante






    3.11.09


    O problema...

    ...é que na minha testa está escrito "otária" em 30 línguas diferentes.

    --
    Enviado do meu celular







    Noticias de casa



    Gracas a internet, tenho me mantido bem a par do se passa em casa. Ontem, por exemplo, a Bia me mandou foto nova dos Tatuis, que comemoraram tres meses de vida.

    Modestia a parte: nao estao lindos?

    Ainda no capitulo da contacao de vantagens familiares: alguns de voces ja leram nos comentarios, mas repito aqui, para quem nao viu.

    Laura escreve sobre as aventuras da Mamae:
    "Corinha, noticias da Mami: foi ontem para Joao Pessoa, mas o voo (que deveria sair as 19hs) atrasou e a rota foi mudada. Depois de horas em varios aeroportos, sem nem conseguir jantar, finalmente chegou ao Hotel. Foi dormir as 5hs da matina, e teve que acordar as 7hs para a competicao. Nao teve nem tempo para o cafe da manha: foi, exausta, para o clube em que iria competir. E bateu o recorde SULAMERICANO de 400 metros, medley. Pode?

    Nos realmente fomos trocadas na maternidade!

    (....)

    Mais notícias da Mami: bateu outro recorde sulamericano, desta vez 100 metros borboleta..."
    Depois, quando digo que sou filha Mulher Maravilha, o povo acha que eu bebo.

    Em tempo: desculpem a falta de acentos. A internet do hotel fica num cibercafe.

    Ate' amanha!






    Palácio da cidade







    O meu hotel é o prédio branco







    Este lugar é indescritível!







    Almoço: x-naan







    O quarto é pequeno mas charmoso







    Jagat Niwas







    O novo hotel







    A mesa é incrível, não?







    No, Dorothy, this ain’t Kansas


    O casal de suiços que encontrei hoje no caminho viveu em Katmandu no final dos anos 70:

    -- Era um dos lugares mais bonitos da face da Terra! Uma cidadezinha parada no tempo, toda verde, de onde se avistava a cordilheira.

    Os dois voltam a Katmandu pela primeira vez em tantos anos na semana que vem. Recomendei que se preparassem para um choque daqueles.

    Eles viveram também na Índia. Passaram onze anos aqui, supervisionando o trabalho de ONGs (são do governo suíço). Falam hindi, comem pimenta como nativos e são muito simpáticos.

    * * *

    Apesar da pobreza, do caos e da feiúra generalizada, a viagem a Katmandu tem suas compensações. As stupas são lindas, a praça principal continua exatamente como era há centenas de anos, o artesanato é delicado e em geral muito bonito. Além disso, basta sair um pouco da cidade para encontrar o Nepal que se imagina: vastos campos de arroz, camponeses às voltas com a colheita e, na linha do horizonte, os picos do Himalaia em toda a sua glória.

    Para quem quer ver as montanhas de perto mas não tem tempo, preparo físico ou joelho para ir a pé, a Yeti Air faz vôos panorâmicos de uma hora por U$ 170. Saímos ao nascer do sol e vemos a cordilheira se iluminar aos poucos.

    Há franceses e japoneses no aviãozinho, e muitas câmeras DSLR. Nikon reina suprema. Um japa simpático está usando a mesma lente que eu (18mm-200mm) e trocamos um sorrisinho bobo tipo alguma-coisa-a-gente-tem-em-comum.

    Dã.

    De repente, lá está ele, majestoso e inconfundível, coberto de neve, lindo acima de todos os outros.

    Os pelinhos do meu braço ficam eriçados e me apaixono à primeira vista pelo Everest. Mas assim: ele lá e eu cá, muito obrigada.

    * * *

    À noite falta luz em Katmandu. Para quem está de passagem, o perrengue é uma atração a mais. Ricardo e eu vamos para a praça central em plena escuridão. A luz que há é a do farol das motos, que não param, e das lanternas e lamparinas dos ambulantes, que vendem frutas, condimentos, grãos e legumes.

    Os mais safos e/ou ricos têm daquelas lanternas de luz fluorescente, e podem negociar com mais conforto, mas cortam completamente o clima medieval reinante.

    Em frente ao templo de Ganesha há também uma quantidade de velas e lamparinas de manteiga de iaque acessas: é dia de prestar homenagem à paquidérmica divindade. A multidão é tão compacta que mal se consegue passar. E, ao contrário da multidão indiana, a nepalesa empurra e usa os cotovelos com empenho.

    A multidão nepalesa, Pequeno Gafanhoto, é uma onda que dá caixote.

    * * *

    A 13 quilômetros da capital fica Bhaktapur, que é, mais ou menos, como eu imaginava que seria Katmandu: uma verdadeira cidade medieval asiática, onde ruazinhas estreitas desembocam numa grande praça pontilhada de templos e palácios.

    É sem dúvida um dos lugares notáveis do mundo e, louvado seja Krishna, fechado ao trânsito de automóveis.

    Como todos os pontos históricos do planeta, Bhaktapur vive hoje em função do turismo, e as lojas que circundam a praça (Durbar Square, assim meio nepalês e meio inglês) vendem artigos para estrangeiros: objetos decorativos entalhados em madeira, panos bordados, papel feito à mão, esculturas de bronze, jóias e bijuterias, delicadas pinturas em pano, casacos de cashmere e pashminas de todas as cores, umas poucas camisetas.

    Não é difícil imaginar o tempo em que as lojinhas eram casas ou em que abasteciam a população local, porque a cidade está viva e bem. Compadres conversam nas escadarias dos templos pitando cigarrinhos de palha, crianças voltam da escola fazendo algazarra. Um camarada grita da rua, outro responde da janela.

    Vacas, cachorros e cabras convivem pacificamente com os humanos.

    * * *

    Contando em quilômetros, Bhaktapur fica bem perto de Katmandu. Contando em tempo, fica muito longe. Não há trânsito na acepção literal da palavra em Katmandu, só engarrafamentos. Levamos mais de uma hora para cobrir o trajeto entre as duas cidades.

    Comemos poeira e respiramos emissões tóxicas. Os templos dão sua contribuição queimando incenso em quantidades industriais. Num deles, uma placa enorme informa, em inglês:

    “Smoking is strictly prohibited”

    Ahn?






    O café da manhã






    2.11.09


    Longe deste insensato mundo

    Estou com um post novo e várias fotos para subir, mas no hotel não há
    conexão internet. Não chega a ser um defeito porque, como vocês viram,
    o charme do estabelecimento é um jeito palaciano antigo. Não há
    telefone nem televisão nos quartos. O mais curioso é que também não há
    chave. Há trancas que se fecham por dentro e só.

    Os dois casais que estavam aqui foram embora hoje cedo, e virei a dona
    da casa. À tarde me perguntaram a que horas deveriam servir o jantar
    e, ao fim do jantar, a que horas devem servir o café. Estão me
    tratando com o maior carinho e sempre deixam baldes de gelo pro meu
    joelho no quarto.

    --
    Enviado do meu celular

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    Blog: http://cora.blogspot.com
    Twitter: @cronai







    Banana frita com mel e sorvete de limão







    O jantar







    O amendoim vem frito... e com colher







    Livin la vida mansa...







    Minha companheira de passeios







    Fazendo a siesta, que ninguém é de ferro







    Lá embaixo, a cidade de Dungarpur







    Eu era a única neste palácio







    Há poucos turistas aqui







    Bronze. E funciona! Pro Tom...