12.3.08

Sebastião Salgado




Ministro Joaquim Barbosa




Prêmio Faz Diferença

Grrrrrrr, que ódio! Subi um monte de fotinhas lá do Copa, mas parece que a Tim estava de birra comigo: as três que entraram eram as piores. Daí que apaguei todas. Logo mais eu passo as fotos todas para o computador, faço uma seleção decente e posto aqui.

Até já!

Update, às 16h37m: Aí, sem mais nem por quê, elas começaram a entrar ainda há pouco, totalmente fora de ordem. Assim, qual é a graça?

11.3.08




Olha ele aqui... :-)



(Em Budapest, há coisa de dois anos)

Parabéns, Bipe!

Hoje é aniversário da Bia.

Eu pensei em escrever alguma coisa bem bonita, mas certos sentimentos são muito difíceis de traduzir em palavras.

Quem acompanha este blog sabe como me orgulho dela, como é companheira, como é querida, como é essencial à minha vida.

Se a gente pudesse escolher filho sob medida, eu teria escolhido a Bia exatamente do jeitinho que é -- batalhadora, engraçada, bonita e inteligente, sempre atenta a bichos e pessoas.

Em suma: mandando a modéstia de mãe às favas, ela é o máximo!

Parabéns, Bipe do meu coração!

Toda a felicidade do mundo ainda é pouco para você.

6.3.08

O Cláudio achou, a Laura recomendou: taí!

Se todos fossem iguais a você... :-)








Foto de Lucas Landau, arte (e joelho) de Cora Rónai

Vida nova

Colunista volta do “spa” forçado,
e leitora desabafa sobre a dengue



No dia 29 de fevereiro fui à redação pela primeira vez desde que fui atropelada. Foi uma sensação esquisita, complexa, difícil de descrever. Nunca me passou pela cabeça, naquela outra sexta-feira, dia 20 de outubro, que eu ia passar tanto tempo longe do Globo. O que eu previa, na verdade, era ficar dez dias sem ir ao jornal -- aproveitaria um resto de férias para fazer uma palestra em Florianópolis, para participar de um evento sobre mobilidade (ha ha ha) em Buenos Aires e para, ufa!, ir ao Festival de Cinema da Amazônia onde, além de me divertir muito, esperava colher umas crônicas.

Esperava também que sobrasse um tempinho para resolver uma quantidade de pendências de banco e de casa, aquelas coisas chatas que a gente vai empurrando com a barriga, e para as quais nunca encontra tempo no dia-a-dia. O abacaxi maior daquela outra encarnação eram as novas estantes do escritório, já encomendadas: eu precisava supervisionar a retirada dos livros e das estantes velhas. E aí aconteceu o que aconteceu. Encontrei de forma inesperada um rapaz numa moto, e a vida nunca mais foi a mesma.

* * *

Se isso fosse um filme, eu faria um corte aqui, e pularia para a Rua Irineu Marinho, na porta do Globo, onde, semana passada, desembarquei, como sempre, de um taxi. A diferença visível estava na muleta; as invisíveis, no joelho e na alma. Para mim, uma volta cheia de significados. Muitas etapas vencidas e muitos momentos decisivos reunidos no caminho aparentemente trivial que repeti ao longo dos últimos -- imaginem! -- 17 anos.

Fiquei comovida (agora dei para essas coisas); e, apesar das saudades e da alegria de rever os amigos, fiquei só um pouquinho, porque não tem nada mais estressante para quem está trabalhando do que quem chega em pleno fechamento querendo saber de tudo o que é novidade antiga.

Muitos notaram que emagreci. Alguns até me acharam com a aparência mais descansada, o que, afinal, era o mínimo que eu podia esperar da experiência radical, monótona (e caríssima!) do Wounded Knee Spa.

* * *

No tempinho que passei na redação, a mesa me saudou com a bagunça habitual e a cadeira com a habitual ausência; um dos momentos rotineiros da vida de trabalho, desde que me tenho por jornalista, é procurar pela cadeira sumida. Me senti em casa. Tudo está exatamente como estava, ou quase: agora já dá para ver que a Elis Monteiro não está sozinha, e que um projeto de gente chamado Guilherme ocupa um espaço e tanto na barriga da mãe.

Ainda não dá para voltar de verdade, com todo o gás. Ainda tem um joelho no meio do caminho que dói, que fica inchado, que precisa de gelo várias vezes por dia. Mas rever a parte da minha vida que estava faltando me deu ânimo renovado para a fisioterapia, para ver se consigo, o quanto antes, voltar a ter uma vida normal, daquelas em que a gente sai de casa, vai aonde tem de ir e faz o que tem de fazer, sem pensar quando ou como vai, sem pensar se tem ou não tem escada, sem ter de planejar tudo com antecedência, nos mínimos detalhes.

Há grandes novidades pela frente, há um ano de venturas e aventuras à minha espera, e o que eu sinto é que estou recomeçando -- agora, como nem podia deixar de ser -- com o pé direito.

* * *

A felicidade nunca é completa, porque há um mundo muito imperfeito à nossa volta. Leiam o que me escreveu a Maria Helena Nascimento:

“Escrevo com ódio. Ódio mesmo, simples e claro. Minha filha de 11 anos acaba de se recuperar de uma dengue hemorrágica muito grave, que causou a ela um sofrimento enorme, durante mais de dez dias, vinte e quatro horas por dia, sem descanso, sem alívio, fora o risco que ela correu. Imagine o que é ver uma criança assim. Agora no Globo.com vi que um menino da idade dela morreu de dengue hemorrágica em São João de Meriti. Eu mesma já tive a doença duas vezes (a primeira há nove anos) e nada me autoriza a pensar que estamos livres de tê-la outras vezes. Evito me perguntar quantas vezes um organismo agüenta ter dengue. Não devemos estar longe de descobrir.

Sei que ser brasileiro é aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, mas que raio de cidade é essa? Por que é que ninguém faz nada? Essa negligência é maldade, sadismo, ou uma incompetência além de todos os limites? Como é que em 2008 podemos estar reféns de um mosquito que já tinha sido erradicado há décadas? A maioria das pessoas toma todas as providências a seu alcance para evitar a proliferação do aedes em suas casas, mas a cidade não é só feita de casas, e alguma coisa me diz que saúde pública não se resolve com ações individuais descordenadas. Alguém deveria estar cuidando disso e não está. A única ação que se vê é o eterno e nauseante jogo de empurra das autoridades, enquanto pessoas vão morrendo por nada, por uma coisa que se resolve se houver vontade.

Do fundo da minha impotência, então, só me resta desejar, com toda força e com os piores sentimentos de que sou capaz, que os irresponsáveis que deixaram esta situação chegar onde chegou sintam na pele – e no estômago, na cabeça e nos ossos – todo sofrimento que estão proporcionando à população. De preferência repetidas vezes.

E se alguém souber de alguma coisa que possa ser feita para pressionar essas pessoas a cumprir sua obrigação – processo, ação popular, sei lá, o que for – me avise, eu faço tudo que estiver ao meu alcance.”


(O Globo, Segundo Caderno, 6.3.2008)

5.3.08

Quai de brumes




O pior é que (visto de fora!) é muito engraçado

De volta com a caça




De olho na bolinha




Fala, VanOr!

No outro dia, a VanOr mandou bem demais (ó, novidade!) lá no blog. Estou para comentar desde então, mas há uma aparente incompatibilidade de gênios entre o Haloscan, sistema de comentários que ela usa, e o meu browser.

Pois hoje cansei de ficar pendurada no Haloscan e parti pra ignorância: roubei o post inteiro, no maior descaramento, e trouxe pra cá, pra poder repetir, em alto e bom som, que sou fã de carteirinha assinada da moça. Assim, pelo menos, quem ainda não sabe por quê fica sabendo.

E pronto.
Parentesco e criminalidade
Vanessa Ornella

Com as obras de reforma do canil do IJV, em curso desde dezembro passado, eu estou tendo a oportunidade de ter acesso a coisas estranhas que eu, talvez por ingenuidade, talvez por pura preguiça, jamais tive na vida. Uma delas é a trabalheira que dá fazer uma obra: nada é o que parece numa obra. O que aparentemente é só um muro bolorento por causa de telhas mal posicionadas revela-se um vazamento subterrâneo deveras sinistrinho oriundo de uma tubulação de ferro centenária que se esconde junto a esqueletos de dinossauros e tesouros de piratas. Há mais entre um projeto e uma obra finalizada do que supõe nossa vã filosofia, por isso eu tenho minhas reservas antes de fuzilar os responsáveis por obras que nunca acabam, como a da Cidade da Música, porque, de maneira bastante estranha, pode até ser que eles estejam agindo de boa fé. Vai que lá também haja um cano de ferro centenário cujos vazamentos hexagenários abastecem todo o lençol freático da cidade. Até que o MP desça o martelo e prenda alguém, e desde que os juízes, policiais e parlamentares não estejam todos mancomundados em torno de cartões corporativos, no Brasil, nunca se sabe. Mesmo correndo o risco de parecer antipática, somos todos ladrões em princípio. A arma usada pela maioria é justamente a passividade.

O IJV, meu trabalho, é vizinho de muro com a favela da Mangueira. Na verdade, os nossos muros de quase 90 anos são usados por nossos vizinhos, às vezes, para compôr um quartinho aqui, uma sala acolá ou um puxadinho no quintal. Até aí, tudo bem: não vamos brigar por causa de um cadinho de tijolo e cimento que pode perfeitamente ser compartilhado, já que a gente só usa o lado de cá e eles o de lá. Seria tudo lindo se fosse só isso, mas a vizinhança também usa nossa água e energia. Quando o pessoal da obra tentou entender de onde vinha o vazamento, descobriram dezenas de ramificações de nossas tubulações aéreas para o lado de lá. Eu olhava aquelas evidências fantásticas de furto e imaginava: como foi que eles conseguiram fazer isso sem ninguém perceber? Imaginava quanta água não devia ter sido derramada, quantos cães não teriam sido afogados para que alguém sem acesso ao registro de nossa cisterna conseguisse enfiar um joelho de nossos canos pro além-muro. Até que um funcionário antigo me elucidou: "Ô, dôtora, o pessoal não precisa ter esse trabalho todo, não. É só dar um troco pra firma da obra, que eles mesmos colocam os gatos." Meu deus, eu disse: "Então um colega meu de prefeitura enfiou uns trocados no bolso há 16 anos para que nossos bolsos fossem sangrados em 3 vezes esse valor todos os meses por todo esse tempo?!? E enquanto isso, quantas vezes não tivemos de cancelar cirurgias porque ficamos sem material? Isto é horrível!" Nem preciso dizer que todos me olharam com a compaixão típica que se sente por pessoas inaptas à vida de uma forma ou de outra. Na verdade, todo mundo acha um absurdo, mas parece haver um consenso nacional sobre a nossa impotência diante do absurdo. De certa forma, todos nós achamos que fechar o bico e não se envolver é a única atitude sensata a se adotar.

O sobrinho de uma conhecida, funcionário da Light, foi enviado a um bairro humilde com a tarefa de subir num poste e cortar uns gatos que de lá saíam. Estava o gajo lá no alto, com a dignidade exposta, quando surge um grupinho de pessoas humildes lá de baixo, que lhe perguntam: "O que você está fazendo?". "Cortando umas ligações clandestinas", ele semi-responde com o coração na garganta. Os amigos dos amigos sugeriram que se ele cortasse alguma coisa ali, ele também seria cortado. Se os funcionários da Light pudessem voltar pra casa de helicóptero, ele teria pedido o resgate naquele instante, mas achou melhor ficar ali por mais duas horas, no alto, apavorado, para que seus prezados amigos pudessem constatar que nada havia sido cortado, exatamente como tinham acordado de forma tão amistosa.

Voltando ao meu trabalho, para resolver esse tipo de impasse, temos um funcionário que mora na comunidade há décadas e é, digamos assim, uma espécie de Itamaraty no IJV: ele faz a ponte entre nós e a favela, é ele quem possibilita que o tênue limite do muro não seja profanado por um dia de fúria e mal entendidos, como esse do corte de gatos. Ai de nós querer cortar a água gratuita da vizinhança! Nós também não voltamos pra casa de helicóptero e nossos ônibus coletivos não são blindados. Minha inaptidão à vida me faz achar que não custa nada tentar explicar pra galera do além muro que roubar água não tem nada a ver, que a gente precisa dessa grana pra salvar vidas, mas o embaixador comunitário me pede, mão sobre meu ombro, que eu tenha cuidado com as palavras que uso.

Tenho tanto cuidado, que outro dia fiquei chocada quando um vizinho do lado de lá chamou minha chefe ali, perto de sua janela com vista pro nosso canil: "Aí, tia, como é que eu tiro essa grade aí de vocês pra poder subir meu muro?" Ele estava se referindo ao nosso muro: ele queria tirar a grade sobre nosso muro para subir o "seu" um pouco mais. Minha chefe, que é pelo menos 10 anos mais jovem que aquele senhor, foi gentil e sugeriu que ele consultasse a administração do instituto. Quando nos afastamos, eu perguntei: "Impressão minha ou esse marmanjão barbado te chamou de tia?" Ela me explicou que "tia" é gíria de favela. Meu deus, eu pensei, pessoas adultas chamando outras pessoas adultas de "tia"... isto é horrível! Pior que isso, imagino, é saber que independentemente de sermos tias ou tios, mães ou pais, irmãos ou irmãs de quem quer que seja, somos todos responsáveis pelos roubos cometidos por políticos, servidores públicos, reitores e vizinhos. Enquanto não desativarmos o Itamaraty que existe em nós para mostrar nossas armas, enquanto não tomarmos partido, as notícias de roubos cometidos contra o erário nunca deixarão de parecer um rol de anúnicos sem qualquer importância exibidos num classificado de horrores.

* suspiro *




Quase abstrato




4.3.08

Enquanto isso, na casa da Ju...




Carácoles!

Está tão bom!




A vida é bela...




Acho que deu para perceber, ao longo das últimas fotos, que comer na Roberta Sudbrack não é exatamente "almoçar" ou "jantar"; é uma aventura gastronômica completamente diferente de tudo o que se conhece, uma experiência sui generis, em que a gente faz a festa alegrando os olhos e tentando adivinhar o que é o quê, enquanto brinca com sabores e texturas diferentes na boca.

É óbvio que não é coisa para todo dia; ninguém come assim na vida real. Uma refeição dessas tem um ritmo próprio, e uma tal quantidade e variedade de inflexões, que precisa de um espaço no tempo.

Mal comparando, eu diria que é como uma observação sagaz e espirituosa entre parênteses, que fica perfeita como surpresa ao longo de um texto, e que assim deve ser mantida.

Ao contrário do que parece, é MUITA comida! As porções são minúsculas, bocadinhos de delícias, mas de bocadinho em bocadinho...

Eu acho que a Roberta gosta de perturbar a gente com isso. Lá vem UM aspargo. Depois, UMA colherada de uma outra maravilha qualquer. Está achando pouco? Espera, pra ver o que é bom! O pior é que, no fim, é assim que tem que ser, se a gente quiser curtir o parque de diversões todo.

Outro prazer perverso dela, estou convencida, é assustar as pessoas. Da última vez em que comi lá, por exemplo, um dos pratos tinha jiló. Como quase todo mundo, eu odeio jiló, e fiquei na maior aflição: jiló?! Bom, o raio do jiló aparecia em fatias fritas tão fininhas e tão suaves que levei o susto à toa. Dessa vez, ela resolveu tirar da manga o maxixe, outro legume de má reputação. Nem preciso dizer que também odeio maxixe, né? Pois foi o que se viu. Eu teria lambido o prato, se não pegasse meio mal em local público.

Não conheço, em nenhum lugar do mundo, nada que se compare a um jantar na Roberta. Nada mesmo. O que ela inventa é sempre originalíssimo, e no mínimo muito interessante. Quase sempre, é emoção pura em forma de comida, e vocês sabem que eu sou um bípede muito sensível a essa forma de felicidade.

A toda hora fico com vontade de ir lá na cozinha dar um abraço nela.

Enfim.

Madrugada vai alta, vou dormir e vou sonhar com os anjos, se é que já não os comi todos, com asinhas e tudo.

As sobremesas





Canelone de beterraba com pistache




Fanfarra

Codornas defumadas com batatas bravas




Filé curado com maxixe e cebolinhas




3.3.08

Verduras com sal do Himalaia (!)




Tataki de atum com feijão verde




Atum com maxixe




Roberta, muito concentrada




Chantilly de batata




Flor de abóbora com broa de cacau




Aspargo caramelado




Caviar nacional




Promete... :-)




Verdade.




As caixas da Amazon.com são melhores!




Sobre os comentários: atenção!


Pessoas, o nosso querido Falou & Disse voltou ao ar. Eu não desativei ainda o Yaccs por causa da quantidade de comentários que foram feitos lá; estou transferindo aos poucos o que posso de um lado pro outro.

Peço então, por favor, que abram a caixa de comentários à esquerda, OK?

Muito obrigada.

Dos comentários

Fala Maria Helena Nascimento; eu assino embaixo.
" Antes de mais nada, desculpe por postar meu desabafo aqui, mas não descobri como escrever para você de outro modo e preciso passar isto adiante pra nao adoecer.

Escrevo com ódio. Ódio mesmo, simples e claro. Minha filha de 11 anos acaba de se recuperar de uma dengue hemorrágica muito grave, que causou a ela um sofrimento enorme, durante mais de dez dias, vinte e quatro horas por dia, sem descanso, sem alívio, fora o risco que ela correu. Imagine o que é ver uma criança assim. (agora no Globo.com vi que um menino da idade dela morreu de dengue hemorrágica em S. J. de Meriti) Eu mesma já tive a doença duas vezes (a primeira há nove anos) e nada me autoriza a pensar que estamos livres de ter outras vezes. Evito me perguntar quantas vezes um organismo aguenta ter dengue.

Não devemos estar longe de descobrir.

Sei que ser brasileiro é aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, mas que raio de cidade é essa? Por que é que ninguém faz nada? Essa negligência é maldade, sadismo, ou uma incompetência além de todos os limites? Como é que em 2008 podemos estar reféns de um mosquito que já tinha sido erradicado há décadas? A maioria das pessoas toma todas as providências a seu alcance para evitar a proliferação do aedes em suas casas, mas a cidade não é só feita de casas, e alguma coisa me diz que saúde pública não se resolve com ações individuais descoordenadas. Alguém deveria estar cuidando disso e não está. A única ação que se vê é o eterno e nauseante jogo de empurra das autoridades, enquanto pessoas vão morrendo por nada, por uma coisa que se resolve se hover vontade.

Do fundo da minha impotência, então, só me resta desejar, com toda força e com os piores sentimentos de que sou capaz, que os irresponsáveis que deixaram esta situação chegar onde chegou sintam na pele – e no estômago, na cabeça e nos ossos – todo sofrimento que estão proporcionando à população.

De preferência repetidas vezes.

E se alguém souber de alguma coisa que possa ser feita para pressionar essas pessoas a cumprir sua obrigação – processo, ação popular, sei lá, o que for – me avise, eu faço tudo que estiver ao meu alcance. Muito obrigada."

Maria Helena Nascimento

O caçador de bolinhas




2.3.08

Blog!

Há um excelente post do Emerson (redundância; todos os posts dele são excelentes) sobre explosão demográfica aqui.

Back from The Wounded Knee Spa

Na sexta passada fui à redação pela primeira vez desde que fui atropelada. Foi uma sensação esquisita, complexa, difícil de descrever.

Nunca me passou pela cabeça naquela outra sexta-feira, dia 20 de outubro, que eu ia passar tanto sem ir ao Globo. O que eu previa, na verdade, era ficar dez dias sem ir ao jornal -- aproveitaria um resto de férias para fazer uma palestra num evento da Goodyear, em Florianópolis; para participar, como expositora, de um evento sobre mobilidade em Buenos Aires; para ir ao Festival de Cinema da Amazônia, em Manaus, onde, além de me divertir, colheria algumas crônicas.

Eu esperava que sobrasse um tempo, também, para resolver uma quantidade de pendências de banco e de casa, essas coisas que a gente nunca tem tempo para fazer no dia-a-dia.
O abacaxi maior daquela minha outra encarnação é que as estantes novas já estavam encomendadas, e eu precisava supervisionar a retirada dos livros e das estantes velhas.

E aí aconteceu o que aconteceu.

Num filme, eu faria um corte aqui e pularia para a porta do Globo na sexta passada, onde, como sempre, desembarquei de um taxi. A diferença visível estava na muleta; as invisíveis, no joelho e na alma.

Os colegas foram todos uns amores, fizeram festa, foram super carinhosos.

Fiquei comovida, porque agora dei para esss coisas; e fiquei só um pouquinho na redação, porque não tem nada mais estressante para quem está trabalhando do que gente que chega em pleno fechamento e quer saber de tudo o que é novidade antiga.

Muita gente notou que emagreci, e muita gente achou que estou com a aparência bem mais descansada.

Bom. Alguma vantagem eu tinha que ter tirado do Wounded Knee Spa, né? essa experiência radical que me segurou na cama por três meses. Se nem mais descansada eu estivesse, era para cortar os pulsos...

No tempinho que passei por lá, a mesa me saudou com a bagunça habitual e a cadeira com a habitual ausência; um dos momentos rotineiros da minha vida na redação é procurar pela cadeira sumida.

Me senti totalmente em casa.

Está tudo exatamente como estava, ou quase: agora já dá para ver muito bem que a Elis não está sozinha, e que o Guilherme ocupa um um bom espaço.

Ainda não dá para voltar com todo o gás. Ainda tem um joelho no meio do caminho que dói, que fica inchado, que precisa de gelo várias vezes por dia. Rever a parte da minha vida que estava faltando, porém, me deu ânimo renovado para a fisioterapia, para ver se consigo, o quanto antes, voltar a ter uma vida normal, daquelas em que a gente sai de casa, vai aonde tem de ir e faz o que tem de fazer, sem pensar quando ou como vai, sem pensar se tem ou não tem escada, sem ter de planejar tudo com antecedência, nos mínimos detalhes.

Há novidades pela frente, há um ano de venturas e aventuras à minha espera, e o que eu sinto é que estou recomeçando -- agora, como nem podia deixar de ser -- com o pé direito.

Saúde!

Habilidades obsoletas

No Boing Boing tem uma lista de habilidades obsoletas divertida e, ao mesmo tempo, ligeiramente melancólica: eu, por exemplo, já editei muito bem arquivos autoexec.bat e config.sys; já fui craque em trocar fita de máquina de escrever e sabia limpar cabeçote de VHS; e conhecia todas as marcas de revisão. Ah, sim, eu também tinha o código ASCII praticamente de cor.

* suspiro *

Comentários

O Falou e Disse, sistema de comentários bacaninha deste blog, com direito a smilies, matuscas e gatos, está temporariamente fora do ar; os comentários estão, por enquanto, no YACCS.

Enquanto isso, em Vancouver...

Meu amigo Jim, que passou por um transplante de pulmão há uma semana, melhora a olhos vistos!

Linda, sua mulher, informou há algumas horas no Flickr que ele já saiu da UTI, e já respira sem a ajuda de aparelhos. Aliás: vale a pena visitar o Flickr para ver como este homem é querido, e que bela torcida se reuniu virtualmente à sua volta.

Às vezes o cerumano surpreende.

Em tempo: o website do Jim, que linkei lá em cima, foi feito pela nossa Marcela de Seattle da Gávea. :-)


A Betty Gofman achou esses gatinhos na rua junto com a mãe deles, levou pra casa. Havia um terceiro irmãozinho que não resistiu, estavam todos muito fracos.

Os dois que sobreviveram foram adotados pelo casal que fez esse filminho delicioso; a mãezinha, que ainda ficou uns tempos com a Betty, também achou um lar.

Aproveito a carona do filminho, que achei bonitinho demais, para informar que há seis filhotes muito lindos disponíveis na casa da minha amiga Ediane: quatro meninas tricolores todas pintadas e dois meninos amarelos feito o Mosca.

Eles nasceram lá, são fortes e saudáveis, muito mansinhos.

Se alguém se interessar, por favor mande um email para ela.

Pips




Raimundo, Zé e Pipoca