20.4.10

Jantar com amigos

Um folgato perfeito...

Emergência felina!

Recebi este apelo lá no jornal:



"Este lindo siamês foi encontrado em fins de março num terreno no canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, atrás do condomínio Golden Green. Pelo que conseguimos descobrir, a ex-dona resolveu abandoná-lo quando teve um bebê.

O gato passou vinte dias apavorado dentro de uma manilha de escoamento de água. Não tinha coragem de sair nem para comer. Depois de várias tentativas, e após um longo período de medo, finalmente está saindo para se alimentar.

Ele é extremamente dócil e carinhoso, e deve ter uns sete anos. Não tem condições de continuar vivendo ali. É um gato de apartamento.

Alguém se candidata a ficar com ele? Será um excelente companheiro.

Para maiores informações, é só falar com a Renata ou com a Lidia (também nos telefones 2295.0680 ou 8203.5555)"

19.4.10

O apartamento vazio

Nem sempre a mesma vista é a mesma vista

Um aparelhinho matador

Responda depressa: o que é que as pessoas querem em época de Copa do Mundo?

a) Editor do Word

b) Leitor de PDF

c) Wi-fi

d) TV Digital


A Vivo aposta que acertou quem marcou a última opção, e apresentou, na última quinta-feira, o seu grande trunfo para a temporada: o ZTE N290, um celular leve, simpático e jeitoso que, embora sem características de smartphone, tem tudo para roubar a cena. Afinal, reúne no mesmo pacote TV Digital e preço muito acessível – R$ 199 no plano Vivo Você 200, ou R$ 399 no pré-pago.

Seu concorrente (legal) mais próximo é o Samsung Star TV i6220, que sai a R$ 649 na versão pré-paga; fora dos camelôs e dos importabandeados, o ZTE N290, com sua boa tela de 3”2, passa a ser, aliás, uma das opções mais baratas de TV digital do mercado, fazendo frente até à TV digital portátil de 3.5" da Tectoy, vendida pelos mesmos míticos R$ 399 nas boas casas do ramo.

Como celular, o N290 é simples, mas muito bem resolvido. Tem o formato clássico dos touch-screens, uma interface agradável, com widgets que podem ser arrastados para a tela ou para fora dela, e os features básicos da espécie: rádio FM, capacidade de expansão da memória de 50Mb para 8Gb através de cartão micro SD, Bluetooth, câmera de 2Mp.

Ele se dá até ao luxo de ter uma canetinha embutida, para quem prefere um touch-screen à antiga; nas horas vagas, ela faz o papel de antena. Não é a peça mais resistente do planeta, mas como bossa é interessante.

Como telefone o N290 é ótimo, e a vida da bateria é boa: segura três horas seguidas de TV, o que garante que ninguém vai perder detalhes dos jogos. Ele pode ser carregado também através do cabo USB, o que é uma salvação no trabalho para quem vive perto de computadores.

A câmera é apenas razoável, embora com luz diurna faça até um bonito, mantendo fidelidade às cores e detalhes: aí na página estão alguns exemplos do seu comportamento. Ela pode ser usada também como filmadora, mas é claro que tudo isso é detalhe, já que o ponto de atração do aparelho é mesmo a TV, que funciona em mono com o áudio externo e estéreo com headphones.

Apesar de tantos predicados, Eliandro Ávila, presidente da ZTE no Brasil, reconhece que a empresa precisa vencer o preconceito contra os produtos chineses, agravado pelos xinglings de camelô que funcionam uma semana e depois morrem. A estratégia, porém, é a mais simples possível: deixar que os produtos falem por si mesmos.

Pois o N290 é um excelente porta-voz.


(O Globo, Revista Digital, 19.04.2010)

15.4.10

Imperdível. Mesmo!



O Yannis, nosso amigo violinista francês, mandou o link para um sensacional programa da da France 3: um concerto juntando o Sirba Octet (um grupo klezmer fantástico) e a cantora Isabelle Georges.

O repertório -- que vai de "Yiddische Mama" a "Over the rainbow", de "Rozhinkes mit Mandlen" a "My funny Valentine" -- é engraçado, eclético e inesperado; não deixem de assistir.

É muito bom!

(Aqui no blog, o video vai dedicado à Monca, desejando-lhe toda a felicidade do mundo na casa nova.)

Memento mori

Death is not in life
(Wittgenstein)



Eu vi morrer três pessoas:
a uma acompanhei até ao fim,
no que seria talvez o que lhe restava de vida
ou porventura o que lhe sobrava de morte;
outra morreu quando eu dormia,
longe do hospital:
e tive que atravessar pela madrugada
uma cidade estrangeira
para chegar à sua morte;
e meu Pai, enquanto eu ia
comprar-lhe uma garrafa de oxigénio,
que nunca soube a quem serviu depois.

Nós nunca vemos ninguém morrer,
porque morrer é por dentro de cada um,
como talvez tudo o que tenha algum sentido,
como talvez o amor.

O que verdadeiramente importa
é opaco ao nosso olhar
e cada prova que vivemos
é só e única:
morrer ou ver morrer
e o amor também.


(Luis Filipe de Castro Mendes)



Não é só nos livros que eles se escondem, os grandes poemas portugueses: às vezes, moram em blogs com nomes despretenciosos e engraçados, como Tim Tim no Tibet...

Genesis

De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ... -- Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade... Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.


(Jorge de Sena)

O que faz um bípede com dor nas costas?

Deita no chão, revira os livros e se queixa do mundo em geral.

Às vezes encontra um poema que diz "Epa!", e fica lá, martelando na cabeça, porque não é para ler só assim, costas no chão, mas com a máxima reverência.

Então.

14.4.10

Por que preciso de um iPad para ontem

Tutu não é a única sumida por essas bandas...

Eu também ando ligeiramente fora do ar; a tal ponto que amanhã, infelizmente, a coluna nem sai.

Pela primeira vez na vida estou com uma dor séria nas costas, que não só me impede de ficar muito tempo numa posição, como me desconcentra completamente.

Passado este desagradabilíssimo momento, vou fazer o que já devia ter feito há séculos, ou seja, uma crônica de gaveta para ser usada em emergências assim.

Tutu, a sumida (odeia tirar retrato)

Tiziu

12.4.10

Nossos classificados



Fala, Laura!
"Tenho aqui, paradas e novas, 4 capinhas de silicone para Ipod classic 80 GB (encomendei para a Ma, mas veio o modelo errado).

Os modelos são bem bonitinhos. 2 pretas com desenho branco e outra lisa transparente

Fico com pena de elas estarem aqui à toa. Alguém precisa? Troco por qualquer coisa útil para mim, como um saco de jujubas..."

10.4.10

Os meus vizinhos da floresta

 
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O matinho da pedra, atrás do prédio, anda cheio de micos. Do meu andar são difíceis de fotografar -- a pedra é longe, e eles ficam no alto das árvores, ao passo que eu vejo melhor a parte de baixo -- mas hoje consegui pegar esses aí em flagrante.

Enquanto escrevo, ouço os seus chiados lá fora.

Parece até provocação!

8.4.10

Rio: um estado de calamidade pública




Os astros deviam estar mesmo completamente desalinhados na última terça-feira, quando o mundo veio abaixo. O presidente e o governador não só estavam de passagem pelo Brasil como, ainda por cima, encontravam-se ambos no Rio. Aproveitaram para tirar da gaveta as suas caras mais compungidas, deram uma espanada e uma mão de óleo de peroba, e prontamente puseram-se a desfiar o óbvio, como se fosse súbita e espantosa revelação:

“Não é mais possível permitir que as pessoas ocupem áreas irregulares, -- pontificou Lula, cujos conceitos de regularidade e irregularidade até hoje não ficaram claros. “É preciso que os administradores públicos antevejam isso.”

Concordamos todos. Teria sido muito bom para o Rio de Janeiro se o governo federal, em algum momento, tivesse antevisto isso. Talvez tivesse sido melhor ainda se tivesse destinado verba um pouco mais generosa do que o 1% dos recursos federais para a prevenção de enchentes que veio para cá.

O governador Sérgio Cabral, capaz de chorar lágrimas de crocodilo em defesa dos royalties do petróleo, não viu, porém, necessidade de tocar nessa cobrança desagradável com o visitante ilustre, e pos a culpa pelas mortes nos próprios mortos:

“Não é possível a construção irregular continuar. Se você pegar essas pessoas que morreram, quase todas estavam em áreas de risco.”

Não diga, governador! É mesmo?! Ainda bem que temos um líder dotado da sua sagacidade, capaz de identificar, com essa precisão cirúrgica, um problema que nenhum de nós jamais percebeu.

“É uma loucura, é uma irresponsabilidade!”, exclamou, ao ver – pela televisão, é claro -- os desabrigados que, desesperados, tentavam salvar seus poucos pertences em meio à lama. “Essas pessoas estão cometendo quase que um suicídio!”

É provável que o governador não tenha percebido antes a loucura e a irresponsabilidade que são a construção e a existência em “áreas irregulares” porque, quando as visita, vai a caça de votos, e aí, com aquela gente toda em volta, e mais galhardetes, cartazes, artistas e seguranças, não dá para ver nada direito. Além disso, em dias de sol, a loucura e a pulsão suicida evaporam junto com a água e os demais problemas. Agora então, que as casas nas favelas vão levar umas mãos de tinta, tudo vai ficar uma beleza.

Assim como o presidente, o governador também foi enfático ao lavar as mãos e ressaltar a responsabilidade das “autoridades”. Sobrou para o prefeito Eduardo Paes, que fez a única coisa possível: deu nota abaixo de zero à cidade. Um diagnóstico perfeito, do qual não há carioca que discorde. A diferença é que ele ganha para fazer com que essa nota melhore, mas tirando o famigerado convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral, não se tem notícia de qualquer providência de sua parte em relação a obras que poderiam aliviar o drama.

Estamos fritos.

* * *

Seria até tranquilizador ver todos os manda-chuvas (!) de acordo em relação ao absurdo que é a construção em “áreas irregulares” se, às palavras vazias, houvesse sido acrescentada alguma ação concreta em tempos secos e não-eleitoreiros.

Derrubar casas de classe média construídas em encostas perigosas é jogada demagógica para a platéia, e não resolve nada a longo prazo; derrubar casas pobres, além de não resolver nada também, é, anda por cima, politicamente incorreto, e leva à perda de votos -- algo pior, para esses cínicos, do que a perda de vidas.

Acontece que, enquanto a lei não for de fato respeitada, e enquanto cada um puder fazer o que bem entender onde bem não pode, tudo continuará na mesma.

Por outro lado, não adianta ameaçar com os rigores da lei quem não tem para onde ir. Ou se trata a periferia com dignidade, cria-se um programa sólido e permanente de habitações populares e dá-se jeito no deplorável panorama dos transportes públicos da cidade, ou o Rio será, entra ano sai ano, o eterno cenário de uma tragédia anunciada.

* * *

A melhor frase sobre a calamidade que vivemos foi da leitora Luisa Maria de Sant’Anna Cardoso, publicada na seção de cartas da edição de ontem:

“O governo do Rio cumpre promessa de campanha: levar água e esgoto a todas as casas do Rio de Janeiro!”.

* * *

Há alguns (muitos) anos eu estava em Congonhas, caminhando com outros passageiros em direção ao avião que me traria de volta para o Rio, quando o sujeito que ia à minha frente, tendo terminado de ler o jornal, atirou todas as suas folhas ao vento. Tenho testemunhas: o sujeito era o cultíssimo, elegantíssimo, refinadíssimo Mario Henrique Simonsen, e até hoje não consegui esquecer o seu gesto de absoluta barbárie.

Ora, quando até um Mario Henrique Simonsen acha normal jogar um jornal inteiro (!) na pista de um aeroporto (!!!), o que se pode esperar de pessoas menos sofisticadas? É evidente que temos uma grave falha cultural em relação ao lixo; ou o governo toma providências em relação a isso, criando campanhas de conscientização permanentes e multando os porcos, ou continuaremos na mesma, pois já ficou claro que, em casa, esta educação não está funcionando.

Impossível não é. O cigarro, com todo o lobby das companhias de tabaco por trás, passou a ser mal visto; a mesma coisa se poderia fazer com o lixo, que sequer emprega marqueteiros internacionais.

Já está provado: o ser humano pode ser treinado.

* * *

Cariocas, recortem esta foto. Guardem. Os que querem emagrecer podem até colar na porta da geladeira, porque dá engulhos e tira o apetite. Mas, sobretudo, lembrem-se dela no dia das eleições. É isso que dona Dilma acha que o Rio merece.

(O Globo, Segundo Caderno, 8.4.2010)

6.4.10

Mas olha a pose...

Não é meigo?



Capturei o instantâneo do Givaldo Barbosa lá no site do jornal. Vem acompanhado de declarações do vosso presidente que só posso classificar como repulsivas, de tão cínicas.

Pequena amostra:

- É preciso que a gente seja definitivamente republicano nesse país. Que a gente passe para a sociedade a ideia de que é possível você ajudar um candidato, participar de um processo eleitoral, sem utilizar a máquina, como sempre se utilizou nesse país, para beneficiar um ou outro candidato. É possível. Aliás, é um teste, um teste importante para a democracia.

A chuva, da janela

 

Sou muito covarde. Não tive coragem de descer com a máquina, por medo de que ela se molhasse e morresse em consequencia disso. Como não estou podendo comprar outra agora, achei mais prudente ficar quieta em casa e clicar a chuva da janela.

Subi um álbum que não tem nada de especial, exceto pela Lagoa completamente transbordada, coisa que não se via, nesse grau, há algum tempo.
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Grande anguLAR

 
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Tiziu nunca viu nada igual. Nem eu.

5.4.10

Fiz um colarzinho pra Bia

 

Ela apareceu aqui em casa meio jururu, com conjuntivite, enquanto eu estava justamente arrumando as minhas pedras e continhas.

E aí juntei um botão antigo e duas contas e pronto.

Não é nada demais, mas como é o primeiro colar que faço na vida, fiquei muito prosa.
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Assessorias, tomem tenência!




Quando eram obrigadas a escrever cartas em papel, pô-las em envelopes, selá-las e levá-las ao Correio, as pessoas escolhiam o destinatário com um mínimo de critério, e pensavam duas vezes antes de escrever. Acho até que, em muitos casos, pensavam três, quatro, dez vezes. E, no fim, depurada a idéia, chegavam à conclusão de que o que tinham a dizer não era lá tão relevante, ou, ainda que o fosse, não merecia a trabalheira.

Ao mesmo tempo, por uma questão óbvia de economia, todos pesavam bem as suas palavras, e digo isso no sentido material – usava-se papel fininho, envelope aéreo e um mínimo de concisão.

Salvo as estrelas de Hollywood e a realeza do rádio, que precisavam de equipes inteiras para lidar com as toneladas de pedidos diversos e declarações de amor dos fãs, a maioria dos seres humanos dava conta da correspondência. Aliás, um tipo de foto bastante comum nos tempos pré-email era a de carteiros sorridentes carregando sacos de mensagens para a celebridade da hora.

Hoje, qualquer um de nós recebe o equivalente a um saco daqueles todo santo dia. É o suficiente para sair correndo, se embrenhar na floresta do Unabomber e nunca mais voltar à dita civilização.

Por que tudo isso, Cora Rónai?

Porque, mais uma vez, abro a minha mailbox do Globo e ela está trancada. Isso acontece dia sim e outro também. Caixas de correio de jornal, pelo menos deste jornal aqui, são espaços de tamanho limitado, longe do modelo o-céu-é-o-limite do Gmail pago, que me oferece 87,3Gb, dos quais 8,1Gb, ou 9%, já estão tomados, outro motivo bem justificado de pesadelo. Mas isso é outra história.

Como sofre a minha pobre mailbox profissional! Por mais que a limpe, mais ela lota. Tenho a sensação de cavar um buraco na praia bem perto do mar; mal abro um espaço, e as ondas trazem mais areia para tapá-lo.

Ultimamente decididi arrumar as mensagens por tamanho, para facilitar a limpeza. Tenho tido surpresas. Entendo que leitores que buscam desesperados por animais de estimação sumidos me mandem cartazinhos de 1Mb, mas não entendo como assessorias de imprensa, que deveriam, em tese, conhecer o drama do lado de cá, e ter um mínimo de know-how de rede, me mandem mensagens pesadas quando podem muito bem mandar um leve link para um hotsite.

A campeã do dia, hoje, é a assessoria da Positivo que, num único email, consumiu três (!!!) preciosos megabytes da caixa postal. O título da mensagem é “Positivo Informática apresenta nova versão do Kid Pix, o software de criatividade mais vendido do mundo” -- mas jamais saberei por que esta maravilha vende tanto, já que a msg foi para o lixo.

Na sequência, me informam que “Maria Fernanda Cândido revela Romance”, num megabyte inteiro. Adoro a Maria Fernanda Cândido, que além de bonita é inteligente e simpática, mas, se depender deste release, vou morrer sem saber que espécie de romance é esse. Como começa com maiúscula, sei que não é nenhuma reviravolta na sua vida afetiva, mas nem desconfio se é livro, coleção de moda ou desodorante íntimo. Lixo.

Outro megabyte é consumido para me informar que “Trama lança Na Cidade, novo trabalho da Pata de Elefante, gratuita e legalmente”. A Trama é uma simpaticíssima gravadora, Pata de Elefante suponho que seja uma banda, Na Cidade será seu novo trabalho. Tudo suposição, porque email de um megabyte não é para ser levado em consideração em dia de faxina e, consequentemente, vai para o lixo também.

O quarto lugar na parada, em tamanho, fica com “COMISION OLIMPICA SE REUNE CON LA COMUNIDAD LUSO-HISPANA DE LONDRES”, assim mesmo aos berros, em caixa alta – e, considerando os exemplos anteriores, modestos 363Kb. Mas o que é que eu tenho a ver com essa notícia?! Nada, rigorosamente nada. É pela falta de critério de agências como a Minka News, que a mandou, que abro a minha mailbox com o bom humor de quem vai desarmar uma mina terrestre.

Vou lá. Ainda tenho um campo inteiro pela frente, cheio de notícias de igual relevância.


(O Globo, Revista Digital, 5.4.2010)

Cara de um, focinho do outro

2.4.10

Ipanema

Ipanema

O que eu faria sem a Matilda?

 

Ontem este dinheiro escapou da minha calça, sem que eu percebesse, quando a pendurei no cabide.

Ele já ia fugindo, se não fosse a Matilda, sempre atenta.

Mais tarde, quando eu estava na sala, ela trouxe o fujão de volta.

(Uma outra nota que caiu, de cinco real, ficou lá pelo quarto mesmo; vocês acham que a Matilda é boba?)
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1.4.10

Isso é calçada que se apresente?!

Noite Severina



"Vagabundo", o show do Ney Matogrosso com Pedro Luís e A Parede, foi um dos melhores shows do Ney que eu vi, e acho que assisti a quase todos que ele fez no Rio; a combinação desses talentos aparentemente desconexos foi de uma felicidade única.

Um dos melhores momentos era essa música, "Noite Severina", de Lula Queiroga e do próprio Pedro Luís. A letra é de arrepiar:
Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu deesejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar

O clip é do documentário "Vagabundo, o filme".

Antas S/A: e adianta?!




Um mês depois de ter publicado, aqui, as minhas confissões de anta, continuo encontrando antas por toda parte, muitas insistindo para que eu não deixe o assunto morrer. Essa semana mesmo recebi o abaixo assinado de 27 antas assumidas que agradeceram meu desabafo pelo coletivo, solidarizam-se comigo e com as demais antas do país, e sugeriram a criação de uma Associação Brasileira de Antas para desencadear um movimento contra os títulos de capitalização.

Longe de mim desestimular quem quer seja, mas acho mais prático criarmos logo um grupo de “investidores” anônimos que, partindo do princípio de que não entendemos nada disso, fará, contra saques imediatos em mercadoria, depósitos nos estabelecimentos comerciais que mais se adaptem ao perfil de cada um. O grupo poderia se chamar “Não adiAnta”.

Recebi também convites para dois seminários especialmente dedicados a mulheres, elaborados com o intuito de nos ensinar a manter um orçamento equilibrado e, na sequencia, descobrir os truques do mercado de capitais.

Até um livro veio nessa fornada. Chama-se “Clube do dinheiro das Smart Cookies” e explica a que vem logo na capa: “Saiba como cinco mulheres assumiram o controle de suas finanças sem abrir mão dos pequenos prazeres do dia a dia”. O livro, da Academia (208 páginas, R$ 25), é simpático e fácil de entender, e me parece bastante eficiente como auto-ajuda financeira, cheio de exemplos práticos que podem, sem dificuldade, ser transpostos para a vida de qualquer uma de nós.

O único problema, do meu ponto de vista estritamente pessoal, é que não faço a menor questão de saber como funciona o mercado de capitais. Sei o que me basta de um ponto de vista genérico, suficiente para acompanhar o noticiário econômico, mas não quero entender dinheiro em detalhes, nem perder tempo mergulhada em números, vendo as possibilidades mirabolantes que o Pré-Sal trará para as empresas do Eike Batista.

Tempo, ao contrário do que diz o ditado, não é dinheiro. É um bem muito mais raro e precioso.

Tudo o que eu queria, se não fosse pedir muito, era não ser roubada, especialmente pelos bancos, instituições que, em tese, foram criadas para defender nossos caraminguás. E pronto, só isso, apenas isso, nada além disso.

* * *

O médico J.C. Mayall não é anta, mas escreveu hipotecando-nos a sua solidariedade e fazendo um cálculo assombroso. Eu juro que não queria mais voltar a esse assunto, até por consideração às não-antas, que não merecem suportar a antice alheia semana sim e outra também, mas acho que todos, sem exceção, devem ler isso. É um texto chocante, no antigo sentido da palavra. Tirem as crianças e os cardíacos da sala:

“Dei uma olhada no site do Itaú e vi o plano de R$ 50 por mês em 60 meses. Lá está escrito que no primeiro, segundo e terceiro mês são cobrados 90% do valor aplicado para os tais sorteios; no quarto mês cobram 30% e daí em diante, até o 60º mês, ficam com 9,41%. Isso dá um percentual global de 13,78% sobre os valores investidos, que em tese corresponderia ao valor da rifa.

E mais, por favor me acompanhe no cálculo: está lá escrito que são 500 mil títulos de R$ 3 mil cada um ( R$ 50 por mês durante 60 meses), o que nos leva a R$ 1.500.000.000,00 ( isso mesmo, R$ 1,5 bilhão). Ora, como eles cobram 13,78% para comercializar os títulos, pagar os prêmios etc., isso significa que arrecadam R$ 206.700.000,00 (R$ 206 milhões) com a brincadeira. Pasme você, no entanto, com o valor total dos prêmios pagos aos incautos “investidores”: apenas R$ 6 milhões! Isso está lá escrito no contrato do PIC do Itaú. Sobram, portanto, uns R$ 200 milhões para o banco.”

Viram só, antas? Aprenderam? É por isso que eles estão ricos e nós estamos pobres.

* * *

Eu sairia de casa, de livre e espontânea vontade, para ver um filme sobre Chico Xavier? Não, não sairia. Se tivesse que fazer uma lista de personagens que me interessam no mundo, ele não iria nem para o banco dos reservas. Não acredito em vida após a morte, não acredito em fenômenos paranormais e, pior, acho tudo isso um tédio. A título de comparação, também não acredito no Abominável Homem das Neves ou no Monstro do Lago Ness, mas acho ambos igualmente fascinantes.

Tendo, no entanto, vários amigos envolvidos com a produção de “Chico Xavier”, fiquei curiosa em relação ao filme; e não é que ele é muito bom?! Há ali uma ótima história, contada com direção segura, capricho e competência; há um time de atores excelentes, há lindas locações e um trabalho de câmera sensacional. De quebra, há também a descoberta de que Chico Xavier tinha senso de humor, coisa que eu jamais teria imaginado, e que oferece bom contraponto a um tema que, nas mãos de um time menos habilidoso, poderia ter descambado para o dramalhão.

O fato de “Chico Xavier” ser a biografia de um médium, ou de se acreditar ou não no que ele fazia, é praticamente irrelevante diante do ritmo e da qualidade do filme, que se propõe a contar a história de um brasileiro singular. Como já dizia o filósofo Luiz Severiano Ribeiro, cinema é a maior diversão, e “Chico Xavier” obedece, à risca, este sábio postulado.

* * *

Meu mundo caiu. OK, estou sendo dramática. Parte do meu mundo caiu. Mais especificamente, caiu o reboco da parede do corredor, vítima de uma infiltração vinda de uma obra dois andares acima. A foto de hoje faz parte de uma série em que registrei esta pequena miséria do cotidiano. O conjunto da obra, por assim dizer, que já mostrei em parte aos leitores da “Revista Digital”, está AQUI.


(O Globo, Segundo Caderno, 1.4.2010)