31.8.03



Do Partner...

Este é mais um post insólito, escrito de local estranho -- para escrever posts, claro! Estou debaixo das cobertas, com os jornais espalhados, a Tutu enroscadinha em cima da minha barriga e o Mosca ao lado.

Nas minhas mãos, a maquininha faz barulhinhos bons: ping, zip, ting...

Em suma: um domingo perfeito!

29.8.03



YACCS fora do ar

Os comentários estão fora do ar: os servidores da YACCS foram a nocaute. Voltam a funcionar dentro de 24/48 horas.

Lá no Fotolog, porém, tá tudo OK. Aproveitem para ver que brincadeira legal o Bruno Sampaio fez com a minha foto dos garis!



Sempre alerta

Vocês repararam lá embaixo que eu fiz um post do meio do engarrafamento? Pois é. Estou testando um Partner da Gradiente, que é aquele misto de PDA e celular que vem sendo anunciado nos jornais e que, até aqui, eu só conhecia de foto.

Quando recebi o bichinho, achei bonito e bem acabado, ainda que um pouco pesado na comparação com o Palm. Isso sem falar que é Pocket PC e eu sou da facção Palm, uma questão quase religiosa entre usuários de handhelds. Comecei a andar com ele ontem, ainda que enroladíssima com os comandos, completamente diferentes dos do Palm.

Agora, confesso, está tudo perdoado à maquininha. Ela se conecta à internet através de uma linha GPRS da Oi, de uma estabilidade à toda prova. Fazer aquele post foi a minha primeira experiência pessoal satisfatória de internet móvel.

Eu já vi protótipos fantásticos de internet móvel em banda larga em carros adaptados pela Qualcomm (em San Diego) e pela Siemens (em Monte Carlo), mas essas foram demonstrações em ambientes controlados, digamos assim. Usei umas poucas vezes o wap do meu celular, que só serviu para que eu comprovasse a sua total inutilidade, pelo menos para mim.

O acesso à web pelo Partner, porém, é web de verdade, conforme a gente conhece. A tela é grandinha, brilhante e legível; acessei o blog, o Globo e até o Fotolog. As páginas entraram rápido e, importante, bastante bem adaptadas pelo browser.

Grande sucesso com a galera que ficou para a pizza depois do papo no Rio Design.

Estou apaixonada! Acho que não consigo mais viver sem isso, mas é bom que tire essa idéia rapidinho da cabeça: a máquina custa R$ 4 mil. Quanto ao acesso, pago por banda, nem quero pensar; ainda não tive estrutura emocional para fazer o cálculo.

O pior é que, pelo que estou sentindo, essa é só a ponta do iceberg. Imaginem quando eu tiver descoberto como equacionar o despropósito da minha mailbox à realidade do PDA...


Sonho 6

"sonho com uma casa alta e velha, com uma galeria, muito parecida com esta
(ando sempre a fotografar os sonhos, e só agora dei por isso)"

Luisa Cortesão que, lá em Portugal, faz fotos de uma ternura que só vendo.


Nojo

Luiz Garcia e Marcito Moreira Alves falam do mesmo assunto: o desastroso loteamento da saúde. É o assunto mais nojento do momento.

28.8.03



Estou chegando...

Pessoal, estou num taxi, em pleno engarrafamento, agua por todos os lados, mas a caminho.

Usando um Partner da Gradiente que estou testando.

Teja!


A bunda explícita e a intimidação estética

De todo o auê gerado em torno da montagem de “Tristão e Isolda” no Teatro Municipal, o que mais me surpreendeu foi a atitude do delegado Álvaro Lins, cioso funcionário público, que imediatamente deu início a investigações para saber se a bunda exibida pelo diretor tinha “correlação com o evento artístico”, ou se foi mesmo um “desrespeito aos espectadores”. Por pouco não pediu um hábeas-corpus localizado.

Eu, ingênua que sou, achava que a polícia carioca tinha mais o que fazer. Até porque, por ofensiva que seja, uma bunda exposta, a mais ou a menos, não vai fazer a menor diferença no nosso panorama cultural — se ainda podemos chamá-lo assim. O delegado deve andar meio afastado da cena artística, o que talvez seja até louvável.

Teatro não é lugar para a polícia em ação, nem supostos desrespeitos a espectadores se resolvem com inquéritos. Nós já vimos filmes parecidos com esse e não acabaram bem.

* * *


Dito isso, esclareço ao delegado, apenas a título de colaboração “artística”: não só a bunda, também grande parte da montagem e das reações subseqüentes na mídia por parte dos mentores e feitores do espetáculo foi, sim, um desrespeito aos espectadores. Sobretudo aos que o vaiaram.

A vaia é direito sagrado do público, uma forma absolutamente legítima e democrática de protesto. Não cabe a quem ofende julgar se ofendeu e quanto; o ofendido é que sabe onde lhe dói a estética, e quanto lhe encheram o saco. Se o diretor tem o direito de fazer o que quer no palco, deve aceitar que o público, na platéia, mande ver. É seu direito manifestar-se a respeito do que viu, sem ser imediatamente rotulado de conservador, ignorante ou — absoluto e ridículo golpe baixo — nazista.

* * *


O que assistimos ao longo de toda a semana foi, mais uma vez, o velho jogo da intimidação estética, que esmaga qualquer dissidência. Não há mais produção cultural — ou mero entretenimento — ruim; o que há é gente que não chegou lá, que não está na onda, não é “cabeça” suficiente para perceber o lirismo da cena da masturbação na abertura (sem trocadilho), a grandeza poética da suruba da Cena XXV ou o retrato da índole descontraída e folgazã dos brasileiros na dança da boquinha da garrafa.

Alguém com desagrado e coragem para dizer que a “Egüinha Pocotó”, por exemplo, não é propriamente uma boa canção infantil, ou que a moral da televisão, de modo geral, deixa a desejar, é logo jogado na lata de lixo da genial ignorância muderna.

* * *


Aliás: alguém que ouse simplesmente pronunciar a palavra “moral” nos dias de hoje é, claro, uma criatura sem o menor poder de discernimento, incapaz de entender até o comportamento de Bush e Blair. Pois a moral é, como ninguém ignora, um conceito pequeno-burguês inteiramente ultrapassado, do qual nos livramos em meados do século passado.

Reagir contra a baixaria e a pobreza mental generalizadas em que estamos mergulhados é receber, automaticamente, um atestado indelével de caretice — que, na geléia malsã das nossas idéias semidigeridas, equivale a uma postura “de direita”, ou seja: à mais primitiva forma de vida do planeta.

* * *


Quando se fala em censura, todos nós reagimos contra, ainda traumatizados com os anos de violência da ditadura; mas ninguém parece perceber — ou têm, todos, medo de perceber — a censura constante e opressora que vem, há tempos, sendo imposta ao público pelos produtores culturais, apoiados numa mídia que lhes faz eco.

Pois ando cheia disso tudo. Não agüento mais a indigência mental e a vulgaridade escancarada que se ouve no rádio, se assiste na televisão e, com já lamentável freqüência, se encontra no teatro.

Não tenho nada a ver com isso, assim como não tenho nada a ver com o subproduto mais triste para mim dessa calhordice toda — a cafajestagem descontrolada que assumiu o lugar antes ocupado pela liberação feminina, em que a falta de inteligência e de elegância é cultivada como grande conquista intelectual da “nova mulher”.

Eu fecho com quem sai no fim do primeiro ato, com quem desliga a TV e se refugia nas livrarias. Sei que sou (somos) voto vencido: o mercado não está interessado em idéias, mas em números. A qualidade do que se apresenta é irrelevante diante da “polêmica”, já que não faz sucesso necessariamente quem tem algo a dizer, mas quem ganha “espaço na mídia” — uma medida de aferição acima de qualquer discussão num mundo em que a máxima aspiração artística é mostrar a bunda.


(O Globo, Segundo Caderno, 28.8.2003)


Virundum

Gente, que coisa: tou aqui ouvindo Johnny Cash, Ghost Riders in Sky. O diabo é que o que me bate na cabeça é Ghostwriters in the Sky...

Deve ser deformação profissional.

(Aliás: o Tom Paxton tem uma versão genial dessa música, que se chama Yuppies in the Sky e foi gravada, além dele, por Peter, Paul e Mary)

27.8.03



Abel!
Oliby!


(Mais a Gaiola das Loucas; e clique AQUI para ver uma ótima foto que a Laura fez ontem da Mamãe, lá em Friburgo!)



Flash blog!

Acaba de acabar lá na Angela, com absoluto sucesso, o Primeiro Flash Blog.

Cheguei no finzinho, mas ainda a tempo de dar um alô: felizmente resolvi passar aqui antes de encerrar os trabalhos na redação, e achei os bilhetinhos da Áurea e do Matusca me lembrando, nos comentários. Valeu, queridos!

Essa múmia tem cada uma!!!

26.8.03









Tem fotinhas novas... e, agora, a Bia tem um fotolog também!


Parque de diversões

Acompanhar a Photo Image, feira de fotografia e imagem que se realiza em São Paulo há mais de uma década, tem sido uma aventura emocionante. Até outro dia, esta era uma pequena feira, voltada basicamente para fotógrafos e comerciantes do ramo, curiosos em conferir os últimos lançamentos em filmes, fundos para estúdios, microlabs, álbuns, molduras e as boas e velhas câmeras de sempre. De repente, com a popularização da fotografia digital, a Photo Image passou a ser um dos eventos mais interessantes do calendário; na semana passada, concorria com a Comdex e, pelo menos no quesito “Nossa, que maravilha!” ganhou de goleada. A tal ponto que, ano que vem, estará aberta, durante um de seus quatro dias, ao chamado “público em geral”.

Claro: há poucas áreas passando por momento de inovação tão intenso quanto a fotografia digital. Mesmo aqui no Brasil, com a crise comendo solta e índices de taxação tão absurdos que só servem mesmo para estimular o mercado negro, o setor cresce a olhos vistos. Em 2001, havia 110 mil câmeras digitais no país; no ano passado, já eram 250 mil. Ao mesmo tempo, essa é uma tecnologia em plena transformação. É impossível acompanhar todos os lançamentos, ou mesmo ter idéia de quem são todos os fabricantes: até na Comdex apareceram novidades, como as oito câmeras da Benq, de Taiwan.

* * *


A quantidade de megapixels, fundamental para quem pretende imprimir as fotos, já deixou de ser problema: até a máquina descartável de que o B. Piropo falou na semana passada já tem dois megapixels. Embora eles ainda continuem sendo referência e ponto de definição de preço, os usuários buscam, agora, os detalhes que tornam uma câmera diferente da outra.

As lentes passaram a ter lugar de destaque, como desde sempre na fotografia “convencional”. A Sony navega na renomada Carl Zeiss, a Olympus criou um website para as suas Zuiko e até a Kodak, campeã das boas câmeras descomplicadas, passou a adotar a Schneider-Kreuznach Variogon no seu topo de linha. Ora, convenhamos: com um nome desses, não há consumidor que não se impressione...

O design (que, honra seja feita, sempre chamou a atenção nas digitais mais sofisticadas) tem peso cada vez maior. Vide a acrobática Nikon Coolpix SQ — que, junto com a espartana Leica D-Lux foi, a meu ver, a mais linda câmera em exibição. As duas (SQ e D-Lux) têm pouco mais de 3 megapixels e zoom 3x, que se encontram hoje em qualquer “xereta” de US$ 300; no entanto, não falta quem se disponha a pagar o dobro e o triplo de tal quantia, respectivamente, para conviver com essas pequenas jóias.

* * *


A Photo Image foi palco de alguns anúncios importantes. A Canon fez em São Paulo o lançamento mundial da EOS Digital Rebel, que indica para o “mercado amador avançado” mas é, na verdade, uma profissional mais leve e mais barata; a Olympus mostrou a SLR E-1, primeira câmera de um sistema chamado 3/4, desenvolvido junto com a Kodak e a Fuji como padrão para as digitais profissionais; e a Kodak apresentou a Easy Share DX6490, com zoom ótico de 10x, que chega ao mercado em outubro.

Por falar em Kodak e em Easy Share: uma bela novidade é a LS 633, com um visor de 56mm (enorme, pelos parâmetros atuais) de diodo emissor de luz orgânico (OLED), mais brilhante e menos pesado para a bateria do que o habitual LCD.


(O Globo, Info etc., 25.8.2003)

24.8.03



Hoje, no Fotolog, els gats


O que vêem os cegos?

Acabo de ler The Mind's Eye, um artigo sensacional que o neurologista Oliver Sacks escreveu para a New Yorker de 28 de julho, sobre o que vêem os cegos. É um assunto fascinante, porque, como a gente sabe, uma coisa é a visão em si mesma, outra a memória do que se viu e o que se imagina visualmente.

Sacks observa que há várias reações visuais à cegueira. A maioria das pessoas continua firmemente ancorada a um mundo de imagens, às vezes até mais intenso e colorido do que o dos que vêem; algumas, porém, perdem por completo essa referência, mergulhando no que John Hull, um professor inglês que ficou cego aos 48 anos, define como "cegueira profunda" (deep blindness).

Nos anos que se seguiram à perda da sua visão, Hull perdeu também todas as memórias visuais. Por exemplo, embora consiga perfeitamente escrever um algarismo traçando-o no ar com a mão, não tem mais idéia de como são os algarismos; guardou a lembrança motora, mas a imagem desapareceu.

Tornou-se, assim, muito semelhante aos que nascem cegos, ou ficam cegos antes dos dois anos de idade. Para essas pessoas, obviamente, não existe a noção de "visão" ou "cegueira", ou sequer a sensação da perda de um sentido.

Quando Sacks escreveu um ensaio sobre Touching the Rock, o diário de Hull, recebeu cartas de vários cegos contestando este mundo sem imagens. Um deles, Zoltan Torey, desenvolveu a tal ponto a sua capacidade de visualização, que passou a "enxergar" o movimento interno de motores e engrenagens.

Toreey usa o cérebro como, digamos, a tela de um computador, onde vai criando imagens. Quando a sua casa ficou com goteiras, por exemplo, refez, sozinho, todo o telhado. Agora imaginem só o susto dos vizinhos, vendo o ceguinho lá no alto, mexendo com as telhas -- e, ainda por cima, entrando com a tarefa noite adentro!

Torey e o telhado sobreviveram muito bem, obrigado. E, como Hull, ele também escreveu um livro sobre a vida sem visão, Out of Darkness -- que acaba de ser publicado com prefácio de, justamente, Oliver Sacks.

Para mim, o artigo da New Yorker é particularmente interessante quando levanta questões sobre a capacidade de visualização não de quem é cego, mas de quem enxerga -- até porque sou completamente destituída dessa capacidade, e penso muito a respeito disso.

Penso também sobre como penso, e este é outro ótimo ponto abordado em The Mind's Eye: Como pensamos? Em que medida nossos pensamentos se fazem de imagens? Ou será que a mente prefere palavras? Símbolos? Sons?

Enfim, taí uma boa pergunta de domingo:

Como é que vocês pensam?

Não esquecendo, é claro, que -- como sempre lembra o Inagaki -- pensar enlouquece. Pensem nisso...