30.6.02



QUE DOMINGO!!!!!

Logo depois do jogo, a Bia e eu ficamos na maior dúvida: praia ou calçadão? Apesar do dia perfeito, optamos pelo calçadão. Afinal, a praia está lá todo dia, mas calçadão em ritmo de penta não é pra quem quer, é pra quem pode, né? (em Buenos Aires, por exemplo, não tem...) e lá fomos nós. Ótima escolha! A cidade INTEIRA estava na rua, dois terços, pelo menos, de camisa verde e/ou amarela, no maior astral. Ha!

Já uma escolha não tão boa foi passar pelo Clipper, onde a Bia queria encontrar uns amigos. Pode até ser que eles estivessem por lá, mas se a cidade estava INTEIRA na rua, o Leblon se concentrou TODO no Clipper. Resultado: a gente lá, entalada, sem conseguir ir nem pra frente nem pra trás... Quando conseguimos escapar do sufoco, procuramos um orelhão pra fazer uma transmissão ao vivo pra Mami, no sítio, da festa carioca.

Não conseguimos falar muito bem, com tantos decibéis pela cidade, mas o barulho deu o recado pela gente. Aliás, sinceramente: que coisa insuportável essas cornetas que andam por aí! Não há penta que justifique um som tão chato e, eventualmente, mal educado: até no Bar Lagoa, onde almoçamos, havia dois palhaços que não parávam com aquela praga, pra desespero do resto, que só queria almoçar e se divertir, vá lá, mas feito gente... Agora, quem é macho suficiente pra reclamar de comemoração de penta?! ARGH!!!

Em compensação, não faltaram bons momentos na comemoração no calçadão -- e acho que nunca me arrependi tanto de ter deixado a câmera em casa! De cara, encontramos um bloco de Hare Krishnas empolgadíssimos, carregando uma bandeira do Brasil enorme, fazendo a maior batucada. Hare Krishna, Hare Krishna, Penta Penta, Penta Penta... Eu, hein?! Bizarro! E os "cãopeãos"?! Quase todos os cachorrinhos de Ipanema saíram de camiseta, boné, saiote, bandana... Geralmente não gosto de bichos vestidos, mas desta vez achei fofos demais os quadrupinhos torcedores -- e adorei a criatividade dos bípedes que estavam com eles.

Voltamos para casa no meio da tarde, mortas de cansadas. Desmaiamos junto com os gatos, todos muito estressados com o resultado do jogo; e agora, bem descansadas, vamos pra rua de novo, pra comemorar o penta sem pensar no regime. Vamos caçar um sorvete!

Chaika, Mil Frutas, Alex -- lá vamos nós!




Bia, como a maioria dos jornalistas, detesta tirar foto ao lado de "fonte"; acha um mico completo. A única exceção taí... Consegui licença dela pra postar esta aqui, a duras penas, porque, afinal, pentacampeão é pentacampeão. Ela foi feita no camarote da Brahma, no último carnaval, e é a mais recente das que ela tem com o Ronaldinho.


27.6.02



Tá explicado!




A querida Gata das Pantufas explica, lá de Portugal, um mistério lingüístico que sempre me atormentou:

» » Os telhados das casas não tinham forro e as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais se aquecerem; cães, gatos e outros animais de pequeno porte como ratos e besouros. Quando chovia começavam as goteiras e os animais pulavam para o chão. Assim, a nossa expressão "está a chover canivetes" tem seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs". Para não sujar as camas, inventaram uma espécie de cobertura, que se transformou no dossel.

Agora eu só preciso descobrir por que, em português, nós dizemos que está chovendo canivete...



Gatiiiinho...

O Ismael Furtado deixou um comentário lá no Álbum de Visitas:

"Oi Cora, não entendi a presença do do Alf (ETeimoso) no blog. Você sabia que o prato favorito dele é gato?"

Não é que é mesmo?! Eu já tinha esquecido... Mas acho que no Alf eu perdôo até isso, ele é um dos meus personagens favoritos. E, depois, é só de mentirinha: aí pode. Eu mesma vivo dizendo pro Clarence, o hamster da Manoela, que um dia vou trazer ele aqui pra casa pra apresentar ele a certas pessoas que vão gostar muito dele...


Defendendo o que é nosso

Uma grande dica que o Mário Jorge me passou hoje: a Xiph.Org Foundation. Traduzo apenas a definição que eles fazem de si mesmos para vocês verem do que se trata; alegrem-se! Eu acho maravilhoso sempre que descubro tanta gente alerta e bem intencionada na rede...

"Uma instituição sem fins lucrativos, dedicada a evitar que a base multimidia da internet caia sob o controle de interesses privados. Nosso propósito é apoiar e desenvolver protocolos e programas livres e abertos, para servir aos mercados consumidor, desenvolvedor e de negócios."

Visitem a página. É muito legal.

26.6.02



Leis da Física Felina

Este site aqui é mal comportado a mais não poder. Tem música MIDI, um visual que deixa muito a desejar e, ainda por cima, sai largando pop-ups publicitários quando é fechado. Mas, em compensação, tem um texto MARAVILHOSO: Rules of Cat Physics, que nenhum ailurófilo angloparlante deve perder.


UFA !!!!

E agora, que a Pátria está salva, vou dormir. Boa noite!

(Os gatos, coitados, estão odiando o resultado do jogo: fogos, gritaria, buzinas, cornetas. Sobretudo fogos. Impossível explicar futebol para eles.)


Considerações da Nancy sobre o mundo blog: irretocáveis.



Blog!

(Detalhe: não deixem de clicar em Info / Quem sou eu no cantinho, à direita)

Aliás: é muito curioso este círculo virtuoso da rede. Uma pessoa vem aqui, deixa um recado, faz um link; eu vou lá, deixo um recado, faço um link; alguém aparece de passagem, pega um link daqui e outro dali; no fim, não importa quantos sejam os blogs espalhados por aí, alguma coisa sempre teremos em comum.

Por exemplo: não tenho idéia por quê, mas um dia o Jörg Kantel, do Der Schockwellenreiter, veio dar com os costados aqui. Ele é alemão e não fala português. Mas gostou de alguma coisa e fez um link. E eu fui lá. E eu sou brasileira e não falo alemão, mas gosto muito do blog que ele faz e, volta e meia, linko ele aqui. E às vezes ele me linka lá. E alguém me linka a partir de lá, ou alguém linka ele a partir daqui, e vamos todos nos conhecendo nessa imensa Babel.

Assim um dia, quem sabe, a gente acabe se entendendo...


Nuvens passageiras

O Hiro acaba de postar um artigo muito interessante que analisa se os blogs são apenas um modismo ou se vieram para ficar, chamado Is Blogging a Fad?. Gostei do artigo -- mas na minha cabeça está tão clara a questão dos blogs que este tipo de discussão já me parece até supérfluo.

Para mim os blogs são, hoje, ao mesmo tempo modismo e tendência -- como acontece, aliás, com todas as tendências. Estamos vivendo atualmente o momento fad dos blogs: só se fala nisso e todo mundo quer ter um, assim como, há alguns anos, todo mundo queria ter um website. Hoje, a maioria dos websites pessoais morreu; ficaram no ar os essenciais, aqueles que são, de uma forma ou de outra, informação que precisa ser compartilhada.

Com o tempo, à medida em que os blogs forem se incorporando ao ambiente (o que já começa a acontecer), eles vão passar a ser vistos com naturalidade. Aí, além dos usos óbvios e, digamos, corporativos dos blogs -- empresas jornalísticas, comunicação empresarial, essas coisas -- só vai ter blog quem tiver mesmo algo para dizer, seja este algo o que for; enfim, só terão blog aquelas pessoas que têm uma necessidade vital de se comunicarem umas com as outras.

Acho que a publicação de um blog pessoal não é inteiramente diferente, como impulso, de se praticar corrida ou natação, coisas que muita gente começa a fazer ou porque se empolgou com uma reportagem interessantíssima numa revista, ou porque quer entrar em forma, ou porque tem amigos que fazem, ou ainda porque o médico mandou.... O fato é que todo mundo começa com muito gás -- mas, passados uns meses, só continuam correndo e nadando as pessoas que não podem viver sem correr e nadar. E pronto.

25.6.02



No clima




Foto descaradamente roubada do Dudi (Maia Rosa), que faz um dos blogs mais bonitos e originais que eu já vi.




Hoje, quando acordei, encontrei 89 msgs no MailWasher (onde limpo os emails antes de baixá-los pro Eudora). 76 eram spam.


Queimando em público

Quem chama a atenção para esta notícia é o Slashdot: serão inaugurados em setembro, na Austrália, quiosques para queimar CDs. O fato foi divulgado com tons sensacionalistas pelo Herald Sun (tipo "Pirataria legalizada!"), mas este é, obviamente, um caso a ser observado.

O funcionamento das máquinas, que poderão ser encontradas em locais públicos, como shoppings e cibercafés, foi autorizado pela Australian Mechanical Copyright Owners Society, a associação local de defesa de direitos autorais, através de um acordo que prevê o pagamento de uma percentagem não divulgada sobre o preço de cada CD queimado. Não se sabe ainda, porém, o que a ARIA (a correspondente australiana da infame RIAA) tem a dizer a respeito do assunto, já que seu presidente está viajando e não foi localizado pelo jornal.

Eu, pessoalmente, acho que os australianos estão cobertos de razão. Para início de conversa, a cópia de CDs é uma atividade perfeitamente legal. Quem diz que todo CD é de música? Quem diz que todo CD de música deve, obrigatoriamente, direitos às RIAs da vida? Finalmente, quem diz que, ainda que o CD seja de música, e que uma das RIAs da vida detenha direitos sobre ele, eu não posso copiá-lo?

Quando eu ainda tinha CD player no carro (bons tempos aqueles, em que nós, cariocas, podíamos ter CD players nos carros!) não sei quantas vezes me levaram discos que nunca mais consegui repor; mas, naquele tempo, eu ainda não tinha queimador de CD em casa. Hoje, se eu ainda tivesse player, não ia um CD original pro carro.

A verdade é que os quiosques australianos são uma ótima idéia, sob todos os aspectos, já que vão pôr ao alcance dos usuários recursos que, hoje, só se encontram nas máquinas mais modernas. Em outras palavras, eles são mais uma forma de popularização da tecnologia. E isso é bom.


Procura-se um gatinho amarelo (no Rio)

Recebi este email da Nájila; se alguém tiver um gatinho que preencha as condições necessárias...

"Sou uma das leitoras do seu blog e por saber que vc gosta de gato como eu, gostaria de saber se vc não sabe de alguém que tenha um gatinho para doar? Procuro um gato amarelo tigrado, venho sonhado direto com esse gato por isso percebi que não dá mais para adiar isso: tenho que ter meu gato amarelo para amar e dar muito carinho.

Venho pensando em ir na Suipa, só que fico com medo de ir lá pq sou muito apegada a gato e animal em geral, e sei que vou ficar mal em ver tanto bichinho largado lá sozinho.

Ha! Já ia me esquecendo: adoroooooooo o Mosca, esse seu gato é lindo lindo, procuro um gatinho como o Mosca. Dê um beijo no gato mais lindo da net por mim... Nájila Ramires."

Bom, está dado o recado (inclusive ao Mosca, que é mesmo um demolidor de corações). Mas não descarte a Suipa não, Nájila. Lá eles têm bichinhos de todos os tipos, cores, idades e temperamento, e precisam demais de gente que possa adotá-los para lhes dar o carinho que merecem. É verdade, é triste ver tantos animais abandonados; mas, em compensação, se você adotar um deles, estará melhorando um pouquinho este quadro, não acha? Beijos, e me avise quando achar o gatinho.




Capturei aqui.

24.6.02



Gente, o que é este blog?!

Para quem ainda acha que o pecado original dos blogs é serem apenas "diários", e vê nisso um fator negativo, uma lição de coisas: a vida é diária. E LINDA.



Não são FOFOS? O Lucas ganhou da Meg... :-)


Blog!



Filósofos em fúria

Este fim-de-semana, como vocês podem facilmente constatar pelas datas dos posts do blog, andei dando um tempinho no computador. Nada sério -- nem com ele nem comigo, felizmente -- mas aconteceram muitas coisas interessantes. Sobretudo, caí nas garras de um livro maravilhoso, Wittgenstein's Poker (Ecco, 340 páginas, US$ 24), de David Edmonds e John Eidinow, que comecei a ler e não consegui largar mais. Ele me chamou a atenção porque, em princípios dos anos 80, tive a sorte de conhecer e de entrevistar um de seus protagonistas, Karl Popper, então um dos Monstros Sagrados da filosofia -- e fiquei curiosa a respeito do que ele andara fazendo quando jovem.

A idéia central do livro é inteiramente maluca, e só podia mesmo ter sido levada a sério na Inglaterra. No dia 25 de outubro de 1946, numa sala em Cambridge onde se reunia um grupo de discussão de filosofia, Karl Popper e Ludwig Wittgenstein se encontraram pela primeira e única vez em suas vidas; Bertrand Russell também estava lá (!), mas não teve nada a ver com a história. O encontro durou dez minutos, o suficiente para, segundo a lenda, Wittgenstein subir pelas paredes, ameaçar Popper com um tiçoeiro e sair enfurecido, batendo a porta: para ele, que acreditava que a filosofia nada apresenta além de charadas e enigmas, a idéia de Popper, de que ela oferece, sim, problemas reais, era de uma estultice simplesmente impossível de engolir.

O entrevero causou comoção entre os presentes e, obviamente, uma semana depois, em todos os departamentos de filosofia de todas as universidades do mundo, o conto tinha ganho muitos e muitos pontos. Wittgenstein teria acertado Popper com o tiçoeiro; Popper teria se armado com outro tiçoeiro, e os dois se teriam atacado com os ferros em brasa; Bertrand Russell teria distribuído bengaladas a torto e a direito. Vocês conseguem imaginar uma cena melhor?!

Pois Edmonds e Eidinow, dois jornalistas da BBC, resolveram tirar a limpo o que de fato aconteceu naquela tarde. Leram os relatos publicados na época e a sua descrição nas várias autobiografias publicadas ao longo dos anos por filósofos presentes ao encontro, e foram atrás dos que ainda estavam vivos para saber o que houve. O resultado? Cerca de 300 páginas absolutamente deliciosas, em que se misturam jornalismo investigativo, filosofia, biografia, história e ótima literatura. Em suma: tudo o que a gente pode querer para atravessar um fim-de-semana chuvoso no Rio.

Não sei se este livro já está traduzido, ou se sequer foi comprado por alguma editora brasileira. É possível que sim, pois transformou-se num daqueles improváveis sucessos editoriais que, volta e meia, fazem com que a gente volte a acreditar na inteligência coletiva da humanidade. De qualquer forma, fica aqui a minha mais calorosa recomendação -- para as editoras, caso nenhuma tenha ainda se interessado pelo livro, e para os leitores angloparlantes.