12.2.03



Cut&Paste

Desta vez, do Observatório da Imprensa:

CENSURA TOGADA

Mordaça em você

Alberto Dines



É isso mesmo: a nova incursão da censura não foi contra os leitores da revista Você S/A, não foi contra a Editora Abril e seus jornalistas,foi contra você, nós, todos os cidadãos que imaginam viver num Estado de Direito, republicano, democrático e justo.

Há três anos assistimos inermes e apáticos a uma escalada da violência judiciária, pseudamente legal. Alguns casos provocam alguma resposta da imprensa, outros quase nenhuma.

O cidadão brasileiro acredita piamente que a censura foi banida formalmente com a Constituição de 1988. Está redondamente enganado. Esta caricatura forense chamada liminar está comprometendo a confiança da sociedade brasileira no Poder Judiciário, o poder dos poderes, aquele que deveria legitimar-se pelo uso da razão.

Ao invés de defender uma cláusula pétrea da Constituição – a liberdade de informação – alguns magistrados enredam-se em formalidades processuais ignorando que desta forma superficial aceitam o mérito de que a censura é justificada.

A imprensa, como instituição, não tem sabido reagir a esta homeopatia censórea que está minando nossa capacidade de resistir. Se a reação fosse forte, coletiva, determinada, os magistrados afoitos pensariam duas vezes antes de nos inocular com nova dose autoritária.

Na Alemanha, 1933, quando os nazistas tiraram os disfarces e começaram a escalada de terror, os poupados diziam "não é comigo, é com os outros". Esta resignação e esta incapacidade de enxergar as grandes ameaças fazem parte de um fenômeno chamado "não-me-importismo". Enquanto não são vítimas todos seguem suas vidas. Depois é tarde demais.

Prova da progressão da perversa terapia são as duas últimas incursões da censura togada. No Correio Braziliense, ano passado, o magistrado determinou que o advogado de uma parte fizesse a censura prévia do jornal escolhendo o que poderia ser publicado. Agora, outro magistrado dá um passo à frente: determinou como a matéria deve ser editada.

Como este Observatório já disse mais de uma vez: breve teremos nas redações no lugar de redatores e editores, advogados e juízes.

Quem pagará por isto? Você.


Magister dixit.


Xexéo, sobre Lewgoy

11.2.03













Adeus, amigo



desGraziano!

E, por falar nele -- João Ubaldo, um nordestino, diz tudo o que eu queria dizer a respeito do ministro da Segurança Alimentar: um sujeito que acha que "temos" -- quer dizer, eles, o governo -- de dar trabalho e condições de vida a "eles" -- quer dizer, os nordestinos -- , caso contrário "eles" virão para e "nós" -- que dizer, eles, o governo -- "vamos continuar tendo que andar em carro blindado".

O nível de estupidez e preconceito desta declaração é estarrecedor.

Não adianta o senhor ministro depois tentar dar o dito por não dito: este tipo de coisa ninguém diz por acaso.


Vamos salvar uma locadora?

Recebi este email do João Ubaldo, que o recebeu do Domingos de Oliveira.
Repasso a todos os amigos cariocas:

A melhor, mais prática e econômica locadora de video e DVD para quem gosta realmente de cinema e procura filmes que não se encontram nas Blockbusters da vida está prestes a fechar.

A Polytheama, citada por Domingos Oliveira no filme "Separações", vai encerrar suas atividades caso não consiga pelo menos mais 20 novos clientes, pois os custos de manutenção estão levando a isso.

VEJA ALGUMAS DAS VANTAGENS DE SER SÓCIO DA POLYTHEAMA

-- Você paga R$ 5 por UMA SEMANA de locação do DVD ou VHS. Este valor inclui entrega e busca em domicílio! Ou seja, você consulta o catálogo na internet ou em disquete, telefona e encomenda os filmes, que são entregues na sua casa e buscados uma semana depois, com toda a comodidade.

-- Entre os mais de 5.000 títulos do acervo, encontram-se quase todos os filmes nacionais já lançados, europeus raros jamais lançados em video no Brasil, muitos com legendas em inglês, além de obras quase completas de todos os grandes nomes da história do cinema. Em que outra locadora é possível encontrar os filmes de Leni Riefenstahl, por exemplo, ou 15 filmes de John Cassavetes? Isso sem falar nos Truffaut, De Palma, Scorsese, Welles, etc.

Enfim, o casal Julio Cesar Miranda e Lucia, que tocam sozinhos essa empreitada, não têm verba para publicidade, só para adquirir mais filmes. Por isso estou dando essa força e torcendo, como usuário assíduo da Polytheama, para que ela não feche as portas e deixe os cinéfilos na mão.

Ligue para 2554-8017 ou 2551-6612, fale com Julio ou Lucia, e diga que fui eu quem indiquei. E repasse esse e-mail para quantas pessoas você achar que também vão querer ser sócios de uma locadora em que você paga R$ 5 e fica uma semana com o filme, entregue na sua casa. Vale muito a pena.

Saudações cinéfilas,

Marcelo Janot

10.2.03



Soulseek vive!

Ao contrário do que andou correndo por aí, o Soulseek, sucessor do Audiogalaxy de saudosa memória, não foi detonado pela RIAA. Ele foi apenas despejado da Verio, seu antigo provedor, depois que uma artista de nome Sapphirecut (alguém conhece?), brandindo o DMCA, se queixou de que suas músicas (alguém já ouviu?) estavam circulando por lá.

Felizmente, já foi encontrado um novo provedor. Falando em nome de Nir and Rosalind Arbel, fundadores do serviço, Sean Nelson, aka Proteus93, explicou, sábado passado, que, neste momento, tudo o que falta para o Soulseek voltar ao ar é completar a papelada legal.

Até lá, ele pede a todos que segurem a barra e não façam nada contra a tal Sapphirecut e/ou sua gravadora, já que isso prejudicará o Soulseek.

O comunicado oficial está aqui.

Dica importante para angloparlantes:

Não deixem de conferir o chillingeffects.org, linkado lá em cima no DMCA (Digital Millenium Copyright Act). Este projeto, desenvolvido pela Electronic Frontier Foundation em conjunto com os departamentos de direito das universidades de Harvard, Stanford, Berkeley, São Francisco e Maine, tem como objetivo explicar a todos os seus direitos online, traduzir correspondência recebida em linguagem legal para língua de gente, documentar o maior número possível de casos relativos ao direito online e, entre outras coisas igualmente indispensáveis, monitorar as condições climáticas para atividade na rede.


Ainda o caso UOL

Os pequenos e médios provedores de acesso descartados pelo UOL estão se mobilizando através da Abraafi, Associação brasileira dos provedores de acesso e afiliados, para ir à luta. Muitos escreveram para o jornal na semana passada, a respeito da nota que publiquei; suas histórias são, previsivelmente, bastante parecidas, e falam de empresas que nasceram em fundos de quintal e quartos de empregada, às custas de muito trabalho conquistaram a sua clientela, cresceram, tornaram-se cobiçáveis, assinaram contrato — e agora têm que recomeçar do zero.
“E nós que pensávamos que a força do projeto Afiliados UOL tinha um grande peso de consciência social por parte de quem o criou!” diz um deles, do interior. “Que terrível nossa agonia! Faz dez dias que não consigo fechar os olhos!”

Mas os ex-afiliados do UOL não estão sozinhos. Hoje, com a “internet grátis” oferecida por provedores pertencentes a empresas de telefonia, a maioria dos independentes está com a corda no pescoço.

“Os provedores, pequenos e médios, têm sofrido um verdadeiro massacre das teles e têm convivido com situações surrealistas como essa do UOL e de seus ex-afiliados, e o que é pior, sem nenhum respaldo efetivo da Anatel ou de qualquer instituição governamental”, escreveu Tânia Eberhart, da Annex Informática, que escolhi como “porta-voz” pela concisão da mensagem.

“Sou diretora de um pequeno provedor no interior do RS e tenho como principais fornecedores os meus maiores concorrentes, que não têm interesse em nossa permanência no mercado. Quando fazemos denúncias, temos como conseqüência as retaliações mal disfarçadas que se dão através de “problemas” nos serviços que nos são prestados — pelos quais pagamos preços acima do valor real de mercado, e que são essenciais ao nosso funcionamento — e um suporte moroso, o que invariavelmente compromete nossa imagem junto aos clientes. É uma competição completamente predatória, em todos os sentidos.

É uma lástima que se permita o que está acontecendo com esses 255 provedores, ex-afiliados da UOL; mas todos os demais também vêm padecendo, de uma ou de outra forma, convivendo com as disparidades que mencionei. Precisamos, e muito, que a imprensa especializada fale sobre isso e desperte tanto o cidadão como aqueles que têm responsabilidade de regulamentar o mercado.”


Alguns usuários escreveram também. Uns indignados com a situação, leais aos pequenos provedores locais; outros queixando-se da rasteira, porque foram diretamente afetados pela ação do UOL. O “porta-voz” que escolhi entre eles é o Martinho Santos, de Miguel Pereira (que, no fim da mensagem, me disse que foi colega de planador do Paulinho, meu filho, na época em que morava em Brasília; um abraço grande, Martinho!):

“Li sua coluna de hoje e acrescento a informação que a UOL, com sua inopinada atitude, está causando outras vítimas, usuários que, como eu, acessavam a internet através de DDD para cidades mais próximas, no caso Vassouras e Barra do Pirai, pois resido em Miguel Pereira.

Com o novo número de acesso, tornou-se impossível discar para essas cidades, já que a única alternativa oferecida pelo UOL é acessar pelo Rio de Janeiro. Isso, obviamente, inviabiliza o nosso acesso, por causa do elevado valor da tarifa.

Já enviei àquele provedor inúmeros emails e fiz vários contatos telefônicos, sem qualquer êxito, sendo que agora nem respondem mais aos meus emails, ou sequer confirmam, automaticamente, seu recebimento. Tenho uma assinatura anual do UOL, inteiramente paga, vigorando até o próximo dia dez de agosto. Apesar disso, estaria sem acesso à internet se não tivesse entrado em funcionamento nesta cidade, no mês passado, um provedor local (MPlink), de que passei a ser cliente em emergência.

Estou próximo a apelar para o Procon e para a Anatel, pois minha paciência está no fim. Será que seriam os órgãos adequados? O que me aconselha a fazer para que adotem conduta de gente séria e honesta?”


O Procon e a Anatel são, sim, os órgãos adequados; infelizmente, nenhum tem demonstrado suficiente agilidade neste caso. Não posso fazer nada para que empresa alguma mude de conduta. A única coisa que posso aconselhar, ao Martinho e a todos, é, além de se armar de muita paciência, reclamar, reclamar, reclamar.

Um dia, talvez, alguém ouça o barulho.

(O GLOBO, 10.02.2003)


Atenção: no-breaks defeituosos!

A APC informa que, por uma questão de segurança, está fazendo o recall de dois dos seus modelos de no-breaks Back-UPS® CS. A operação é referente a dois modelos específicos, o 350 e o 500, em 120V e 230V, produzidos entre novembro de 2000 e dezembro de 2002. O problema? Superaquecimento, e conseqüente risco de incêndio. Se você tem um desses no-breaks, veja maiores detalhes no site da APC.

(O GLOBO, 10.02.2003)


Como é que eu vivia antes?

Admito: sou Palm-dependente há alguns anos. Uso a agenda de telefones, a máquina de calcular, alguns programas sensacionais para quem viaja (do Sabre, que traz todas as informações sobre os vôos a pequenos utilitários que fazem conversão de pesos, medidas e moedas), já usei uma dieta (mas nem dieta hi-tech funciona comigo), leio o noticiário via Avantgo, escolho filmes e eventualmente restaurantes via Hands, carrego os sonetos de Shakespeare (que podem ser lidos e relidos mil vezes sem que a gente se canse deles) para me distraírem em filas e engarrafamentos, rabisco alguns emails rápidos e, uma vez, escrevi uma coluna inteira usando o Grafitti, a escrita do Palm OS. Viver sem Palm é possível, mas bem mais complicado, sobretudo para quem já sabe o quanto um PDA facilita a vida.

Vale, contudo, fazer uma advertência; cuidado com os games. Alguns são extremamente viciantes — e, como todo vício, pegam a gente pela amostra grátis. Foi o caso do “Bejeweled”, uma variante bonitinha do “Tetris” que veio no Clié, e que me deixou obcecada durante meses. Depois alguém me deu o “Bounce Out”, da mesma Astraware, que passo horas jogando. O preço dos dois é o mesmo, U$ 15, mas eles podem ser baixados para teste gratuitamente. Se você não tem cartão de crédito internacional, estenda o período de teste voltando à tela inicial do Palm e, de lá, pulando para o joguinho.

(O GLOBO, 10.02.2003)

7.2.03



Leilão legal!

O Dudi doou esta aquarela para um blog-leilão beneficente. A idéia é arrecadar recursos para uma família carente que a Rossana, do Wumanity, está ajudando.

Vamos nessa?


Arial ou Helvetica?

(achei no Boechat)


Ooops!

Caramba, que cabeça, a minha! A essa altura todos já estão sabendo do Repórter X, não? O ótimo concurso bolado pela Suely e pela Civana? Bom, se alguém ainda não sabe, por favor, saiba: é uma idéia e tanto! Sou madrinha, mas como ele nasceu quando o blog estava congelado, o batismo aqui no internETC. acabou atrasado...

Desculpem, meninas!


Wotzik viu a week

Meu amigo Eduardo Wotzik é homem de teatro mas, volta e meia, escreve um artigo -- e escreve muito bem. Hoje, por causa da coluna do Segundo Caderno, me mandou um texto que escreveu quando viveu a sua (dele) experiência fashion. Vejam que ótimo:
"Uma vez fui assistir a um desfile desses, de moda e beleza, um Fashion Rio. Então, estacionei. Um evento. Sentei. Outro evento. Apagaram-se as luzes. E o que vi: Minha gente, o que era aquilo?! Achei que ia ter um pesadelo. Aquelas mulheres daquele jeito, andando daquele jeito, sob um som alucinante, uma após outra, de biquini e salto alto, desfilando, definhando, ali na minha frente, sem parar. Eu estava sentado bem na ponta da passarela, e elas vindo na minha direção, como um exército. Meu Deus, que susto! Eu não gosto mais de mulher. Quem que mandou elas andarem daquele jeito?! E de biquini. Se elas forem a praia andando daquele jeito, de sapato alto, serão abatidas a tiros. Daquele jeito é que vende? Não é possivel. Elas devem estar de castigo. Alguma coisa elas fizeram durante a semana pra colocarem elas ali com aquela luz branca e chapada que mostrava toda as dobras das pernas, todas as marcas dos pancakes, todas as deformações, coitadas. E a sem gracice que ostentavam? Tá certo que elas fotografam lindo, que filmam melhor ainda, para lentes são deusas, mas ali ao vivo foi das coisas mais feias e assustadoras que já vi em vida. Ideal de beleza? Gente, ali ao vivo. Elas são deformadas. Deformadas no rosto, deformadas no peito, deformadas nas pernas, nas não bundas, deformadas e reformadas, já não sei a diferença. Aquilo é doença! E deformadas na cabeça também, pelo que andam declarando por aí. Alguém tem de dizer que isso não é ideal de beleza. Que isso é nada. Vazio. Magreza. Falta de tudo. Ode ao cabide. É a maior demonstração de falta de alimento em todos os sentidos. Enfim, se é pra falar de beleza: Viva Tônia Carrero!" (Eduardo Wotzik)


FRAUDE!!!

Atenção, ALL: o Mario AV do Fotolog não é o Mario AV de verdade!
"Hoje recebi pelo mail várias mensagens falando do meu "Fotolog" -- um blog só de imagens, exibindo as minhas fotos mais recentes, essas mesmas que aparecem aí pra baixo. Só que tem uma coisa: eu NÃO botei no ar essa página. Alguém criou um usuário e uma senha e deu uma de "curador" por mim. Seria suficientemente bizarro, não fosse por dois comentários postados aqui, respectivamente às 18:23 e 18:25 de hoje (terça), com dois apelidos diferentes ("Marcelo" e "Aguilar"), a partir do mesmo número IP - 200.241.212.27. Os dois comentários falam do Fotolog, que nem fora linkado aqui. Isso já é o mesmo que spam. Mario AV"

Na verdade, é bem pior: parece que o falso Mario AV anda postando por aí, divulgando o Fotolog. Por favor espalhem este post do Mario AV (o verdadeiro) -- e não linkem um serviço que se utiliza de expedientes tão rasteiros para se promover.

Era só o que faltava...


Será possível?!

Alguém não identificado -- pô, gente, o que custa? -- deixou este comentário no post abaixo:
Cora Urgente!
O relatório da Inteligencia Britanica, elogiado por Collin Powell, que provava a existencia de um Arsenal Iraquiano É PLAGIO de um trabalho de graduação de 1991. A historia foi exposta pelo channel 4, confere AQUI. O link oficial do relatório da Inteligência Britânica e o link do trabalho de graduação plagiado.

Não tenho tempo de ir mais fundo nisso agora, mas, contestando o meu próprio título, depois que Bush & Co. tomaram o poder na marra, tudo é possível. La Fontaine já escreveu sobre isso numa fábula chamada "O lobo e o cordeiro", muito embora chamar Saddam de cordeiro seja tão inapropriado quanto chamar o Silveirinha de ingênuo.

A moral, porém, permanece incontestável: contra a força não há argumento.


Fora do ar

Este blog informa que, por falta do Velox -- que hoje não deu as caras -- e lentidão insuportável da conexão discada, vai aproveitar para ir domir cedo.

Boa noite a todos!