12.9.01

Fiz esta foto num fim de tarde, em março deste ano, quando estive pela última vez no Windows on the World, o restaurante do 107 andar do World Trade Center. Ele tinha, mesmo, uma das vistas mais bonitas do mundo. Aos poucos começam a ser atualizados os sites da web que apontam para lá, e por toda a parte repetem-se as fotos terríveis do dia de ontem. Aqui, porém, ainda está sendo possível fazer um tour em realidade virtual pelas duas torres.
Bom, o Pedro Doria, do no.com, acertou na mosca, para variar... E, enquanto isso, em circular para os amigos intitulada "Remember the Reichstag", John Perry Barlow dá o alerta: a tragédia de ontem pode ser tudo o que os extremistas americanos precisavam para cercear de vez a já assaz cerceada liberdade de um país que, cada vez mais, ignora o verdadeiro significado da palavra liberdade.
"Não deixem que os terroristas ou (seus aliados naturais) fascistas triunfem, -- escreve ele. -- "Lembrem-se de que uma das metas do terrorismo é paralisar, de forma cada vez mais totalitária, o governo que ataca. Não vamos lhes dar essa satisfação. Nada temam. Vivam em liberdade".
Grande Barlow! O texto está em inglês. Eu sei, eu devia traduzir para vocês, mas já é tarde paca (vejam a hora da postagem!) e eu estou bem cansada, acreditem. Se sobrar um tempinho, faço a tradução logo mais, OK?
Ao povo, unido, jamais faltará informação
A internet enfrentou o seu primeiro grande teste em 31 de agosto de 1997, quando a princesa Diana morreu. Na ocasião, os grandes portais de notícias deram um show, ganhando disparado dos jornais, da televisão e mesmo do rádio na velocidade da transmissão de notícias.
O segundo grande teste da internet aconteceu ontem. Para quem acompanhou os dois fatos pela web, o contraste foi impressionante. Os mega-portais entraram em colapso, até porque ainda é técnica e humanamente impossível atender à demanda de uma rede que, dos menos de 20 milhões de usuários globais daquele 1997, passou para os mais de 400 milhões deste 2001 — todos, naturalmente, querendo saber das mesmas coisas ao mesmo tempo. Resultado: as notícias “oficiais”, digamos assim, só voltaram a fluir com certa normalidade passadas cerca de quatro horas dos atentados.
Mas a gigantesca, imensa internet — aquela, a verdadeira, composta de milhões de vozes espalhadas ao redor do mundo — deu uma das mais surpreendentes provas de vitalidade jamais vistas. As notícias que estavam indisponíveis nos portais voavam nas mensagens e listas que habitualmente desaguam nas mailboxes dos usuários; os blogs serviam simultaneamente à informação dos leitores e à manifestação de perplexidade dos autores; e a melhor e mais ágil cobertura de todas foi ao ar, previsivelmente para quem “mora” na rede, no slashdot.org, clássico boletim de geeks e nerds — no fundo, um grande blog coletivo — e um dos poucos websites preparados para enfrentar a inquietação universal do dia. Estranhamente, o Google, ferramenta favorita de busca na internet, que devia conhecer melhor a sua gente, preferiu ignorar o real poder da rede, recomendando aos que lá chegavam que buscassem notícias no rádio e na TV. Perdeu muitos pontos entre os internautas com esta atitude impensada.
A velocidade e competência com que se organizaram os blogs, porém, compensou o faux pas do Google. Listas de links para fotos, vídeos e notícias individuais brotaram feito cogumelos em dia de chuva, numa fabulosa rede de pasmo e solidariedade.
O GLOBO, 12.09.2001
"Ninguém escapa ao terror, -- escreveu o Millôr ontem, num artigo publicado à tarde na edição extra do JB, e na edição normal de hoje (houve edição de jornal normal, hoje, no mundo?) -- [Terror] que só tende a aumentar e se ampliar todos os dias, se ainda houver cotidianos."
11.9.01
Concordo com o que postou o Danilo esta tarde, às 2h50:
Todos os portais de notícias estão congestionados...
A cobertura que a Deb está fazendo em seu blog diretamente de Nova York está melhor que qualquer portal de notícias, são relatos reais de quem está vivendo de perto esta loucura...
Mas não foi só a Deb, embora ela tenha feito mesmo um trabalho sensacional. A ampla e variada cobertura dada pelos blogs mundiais aos atentados nos EUA deu de dez a zero na cobertura dos mega-portais de notícias, e demonstrou, de forma inequívoca, que a grande força da rede está nos seus usuários. É uma pena que justamente o Google não tenha percebido isso.
Há um link para este poema do Yehuda Amichai logo ali embaixo, mas o dia hoje não está facilitando o ir-e-vir entre links. A tradução é do Millôr.
Eu, que eu possa descansar em paz
Eu, que ainda estou vivo, digo;
Que eu possa ter paz no que tenho de vida.
Eu quero paz agora mesmo, enquanto ainda estou vivo.
Não quero esperar como aquele piedoso que almejava
Uma perna do trono de ouro do Paraíso. Quero uma cadeira
De quatro pernas, aqui mesmo, uma cadeira simples de madeira.
Quero o resto de minha paz agora.
Vivi minha vida em guerras de toda espécie: batalhas dentro e fora,
Combate cara a cara, a cara sempre a minha mesmo,
Minha cara de amante, minha cara de inimigo
Guerras com velhas armas paus e pedras, machado enferrujado, palavras,
Rasgão de faca cega, amor e ódio,
E guerra com armas de último forno metralha, míssil,
palavras, minas terrestres explodindo, amor e ódio.
Não quero cumprir a profecia de meus pais
De que vida é guerra
Eu quero paz com todo meu corpo e em toda minha alma.
Descansem-me em paz.
Eu, que eu possa descansar em paz
Eu, que eu possa descansar em paz
Eu, que ainda estou vivo, digo;
Que eu possa ter paz no que tenho de vida.
Eu quero paz agora mesmo, enquanto ainda estou vivo.
Não quero esperar como aquele piedoso que almejava
Uma perna do trono de ouro do Paraíso. Quero uma cadeira
De quatro pernas, aqui mesmo, uma cadeira simples de madeira.
Quero o resto de minha paz agora.
Vivi minha vida em guerras de toda espécie: batalhas dentro e fora,
Combate cara a cara, a cara sempre a minha mesmo,
Minha cara de amante, minha cara de inimigo
Guerras com velhas armas paus e pedras, machado enferrujado, palavras,
Rasgão de faca cega, amor e ódio,
E guerra com armas de último forno metralha, míssil,
palavras, minas terrestres explodindo, amor e ódio.
Não quero cumprir a profecia de meus pais
De que vida é guerra
Eu quero paz com todo meu corpo e em toda minha alma.
Descansem-me em paz.
Palavras, palavras, palavras
Não li tudo o que foi escrito sobre o dia de hoje; ninguém jamais conseguirá ler os milhões de artigos, pensatas, posts e reportagens em que um mundo perplexo tenta entender-se a si mesmo (sem muito sucesso, diga-se de passagem). Mas do que li -- e só tenho lido sobre isso desde que acordei -- nada se compara ao comovente depoimento do Jon Katz, no /. No mesmo Slashdot, por sinal, está rolando a melhor cobertura online dos atentados, até porque, em toda a rede, pouca gente têm o know-how deles para manter os assuntos atualizados -- e, principalmente, os servidores funcionando.
A X10, aquela webcam que vem, há meses, infernizando a vida de todo mundo na rede com seus pop-ups onipresentes, avisa que suspendeu o "serviço" em solidariedade às vítimas dos atentados. Não sei o que é pior; se é fazer pop up descaradamente comercial, ou hipocritamente humanitário.
DISSE TUDO
Nemo Nox: "Manhã de poucas palavras. Mudou a paisagem física, mudou a paisagem política, mudou a paisagem humana."
A internet começa a voltar ao normal, se é que qualquer coisa pode voltar a ser normal a essa altura do campeonato. O /. está fazendo uma cobertura de gente grande.
Assustador é pouco
Olhem o tipo de mensagem que já está circulando:
"Hello everyone,
This is Nicholas Longo, the CEO of CoffeeCup Software.
As you may have heard the World Trade Center and Pentagon
were attacked about 45 minutes ago.
The Team at CoffeeCup would like to send our heart felt
sorrow to those that perished in these attacks.
We would like to also say on record that if any country
is found responsible for these attacks, we call for that
country's complete destruction and annihilation.
Do not let terrorism which is designed to create fear
and stop production, halt your life or work.
Stay focused and do not stop what you are doing.
-May God bless us all and the decisions we must make.
Nick-"
E isso vem de gente pacífica, que faz software para a web...! Imaginem agora aqueles fanáticos do interior americano, beligerantes e arrogantes ao extremo, armados até os dentes contra os próprios vizinhos, ignorantes de qualquer coisa que não sejam os versículos da Bíblia e o número de cartuchos comportados pelos diversos tipos de automática.
O começo do fim do mundo?
Quem ainda não ligou a televisão, ligue já, de preferência na CNN, na Globonews ou (minha favorita) BBC.
Mas esqueçam a internet, intransitável.
O mundo inteiro está querendo maiores informações sobre os atentados terroristas nos Estados Unidos; a imprensa toda está, é claro, fazendo o que pode. E TODOS estão conectados simultaneamente.
Quem estiver interessado no processo que o governo americano move contra a Morgan Stanley, porém, pode tentar conexão com o Wall Street Journal, que ainda agora, 12h52 horário de Brasília, dá este empolgante caso como primeira manchete, abrindo apenas a segunda manchete, em prova cabal de que tudo na vida é relativo, para a notícia de maior impacto do milênio.
Não sei o que é mais assustador, se as imagens de Nova York, ou o presidente Bush vindo à televisão para dizer que esta é uma grande tragédia, pedir um minuto de silêncio, ficar calado menos de 30 segundos e ir embora. Pensem: o maior arsenal do mundo está nas mãos DESTE homem -- que, ainda por cima, agora tem motivos de sobra para usá-lo.
Gatos!!!

Este gato lindo veio do bigcatheads, site de um camarada ótimo de traço chamado Bruce Andrew Mckay. Se você gosta de gatos vá até lá, ele merece a visita. Se não gosta vá também. Repito: ele merece a visita. Esta ótima dica eu contrei aqui.
Cuidando do que é deles
A revista Forbes é, quem diria, uma excelente leitura online. A edição, feita por gente do ramo, vai além da simples reprodução do material impresso, e tem sempre novidades pro povo conectado. Agora mesmo está no ar uma sensacional ferramenta para ajudar as empresas que estão pensando em fazer upgrade dos seus sistemas Windows para o ainda-nem-chegado-XP a calcular o prejuízo. Muito bem bolado!
Where do you want to go today?
Vocês se lembram? Essa pergunta foi feita urbi et orbi pela Micro$oft, quando do lançamento do Windows 95, em pleno surto esquizofrênico de agência de viagens. Mas há uma trip muito mais interessante aqui.
Esta página faz parte do site de Milo Vermeulen, um holandês de 22 anos que vive em Wateringen, e que descobriu um verdadeiro blog de Colombo: quanto mais gente apontar para a página, maior ela se tornará, e mais interessante. É um achado, mas não supreende. Quem se der ao trabalho de olhar o resto do site do garoto vai ver que ele é muito bom de bola.
Rede de (in)segurança
Uma dica especial para angloparlantes paranóicos com os crescentes perigos da vida digital: há uma excelente página no sítio do CERT sobre segurança em redes domésticas. Preparem-se para uma leitura alentada -- a página parte do beabá ("o que é segurança de computadores?") e desce a minúcias muito bem explicadas sobre os ataques de vírus mais recentes. Um detalhe curioso: a moral da história, se bem entendi, é Faça backup!
Quer dizer: tanta tecnologia pra lá e pra cá e acabamos caindo sempre na mesma coisa... ?!
Em tempo: o CERT é um dos mais respeitados centros de estudos e troca de informações sobre segurança de redes.
10.9.01
Um dos meus poetas favoritos se chama Yehuda Amichai. O Millôr já traduziu vários poemas dele; dois, emocionantes, estão aqui.
Cruzes!

Vocês têm que concordar comigo: nunca houve um ilustrador de informática como o Cruz! O rapaz, que ilustra a coluna do grande C@T, entendeu tão bem o espírito da coisa que, quando sai de férias, os leitores reclamam. Aliás, quando volta das férias, eles reclamam também: há sempre alguns que não conseguem perceber a profundidade da representação iconográfica dos conceitos abstratos em tecnologia da informação que ele tenta transmitir, e escrevem cartas pra redação reclamando do que não lhes parece, propriamente, um modelo de ilustração para jornal familiar. Felizmente o número de mentes iluminadas que consegue captar a sua real mensagem é bem maior, como comprova este recém-criado fã-clube. É preciso fazer inscrição, mas os desenhos, conforme se pode ver pela amostra, valem o esforço.
(Agora, sinceramente, acho que o Cruz deve ser um caso único na imprensa mundial. Eu, pelo menos, não conheço outro desenhista que consiga criar polêmica ilustrando matérias sobre algorritmos e formatos de arquivos, e fico muito contente e orgulhosa em tê-lo nas páginas do caderninho.)
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