15.1.04



Eu era assim...
e continuo igual


Depois de 30 anos de dietas milagrosas, cronista recusa-se a perder a fé


Uma vez, O GLOBO fez uma reportagem com os dez principais médicos de regime do Rio. Não necessariamente os melhores, notem bem, mas os mais conhecidos, autores de best-sellers e de métodos especiais de dieta, favoritos de dez entre dez celebridades-prêt-à-porter. Algumas repórteres marcaram consultas, foram devidamente examinadas e receberam receitas de fórmulas “alternativas” — todas, em tese, inofensivas. As receitas foram em seguida apresentadas a médicos sérios, que as traduziram para os leitores.

Pois ali, disfarçadas em remedinhos básicos de manipulação, estavam bolas da pesada, capazes dos piores estragos. Se bem entendi os doutores do bem, tomar uma delas ou formicida na veia dava mais ou menos na mesma.

* * *


A reportagem me chamou a atenção por um curioso detalhe: eu já havia feito dieta com oito (!) daqueles médicos. Só não fiz com os dez porque o tratamento de um era à base de injeções, e tenho pavor de injeção, e o outro só poderia me atender em agosto — e quando eu quis consultá-lo estávamos, para variar, no começo de janeiro, essa época terrível em que saímos direto dos panetones e das rabanadas para a luz inclemente da praia.

Comentei o fato com os colegas que estavam fechando a matéria e eles ficaram escandalizados:

— Você?! Nesses picaretas?! Uma mulher inteligente...!

Pois é. Inteligente, sim, mas magra, não — e vivendo numa sociedade em que todos os excessos são permitidos... menos o excesso de peso. Pelo contrário: a imagem da mulher ideal vendida pela publicidade, pela moda e pelos meios de comunicação é tão afastada da (excessiva) realidade que dizer a uma amiga que ela emagreceu é sempre um elogio — ainda que, na verdade, ela melhorasse muito se engordasse uns dez quilos. Mas fazer uma observação dessas, hoje, nem pega bem.

Conheço mulheres de 50 anos que vivem à custa de anfetaminas, há décadas não fazem uma refeição digna do nome, se orgulham de comprar roupas em lojas para adolescentes e são, para todos os efeitos, consideradas bonitas. E, pasmem, normais.

Também conheço mulheres perfeitamente bonitas (e, para todos os efeitos, normais) que há tempos não conseguem comprar roupa aqui no Rio — a menos que se conformem em apelar para lojas de gordinhas. Onde, em geral, nada se encontra de elegante e as vendedoras atendem com tão eufórica simpatia, que nem se lhes nota a comiseração.

Enfim: a pressão é tão grande que a gente topa qualquer negócio, mesmo sabendo, de antemão, que aquilo não vai dar certo. E, assim que aparece um novo pajé milagroso na praça, corre para marcar consulta.

* * *


Alguns desses senhores sequer são médicos; a maioria sequer é alfabetizada. Todos cobram uma fortuna, e quase todos atendem em consultórios luxuosíssimos, onde, como sói, não há uma só peça de bom gosto.

Nas salas de espera, mulheres até muito magras, que provavelmente fariam mais negócio se estivessem num bom terapeuta. Talvez também estejam.

* * *


A relação com qualquer desses médicos é sempre baseada em desprezo mútuo. Nós os desprezamos porque são picaretas; eles nos desprezam porque temos mais de 40 quilos e, obviamente, porque não é possível ter respeito por quem freqüenta picaretas. Apesar disso, como precisamos uns dos outros, há sempre uma cortesia falsa e excessiva no ar, pontuada de elogios e diminutivos. Hipocrisia, teu nome é dietética.

No filme da minha vida, aquele que vai passar inteirinho pela minha cabeça segundos antes do fim, apareço numa sucessão desses consultórios. Sempre com a certeza (confirmada) de estar sendo otária e a esperança (frustrada) de vir a ser magra.

* * *


A essa altura, é lógico que sei que as boas dietas (existe isso?) não dependem de fórmulas milagrosas; já cansei de ouvir falar em reeducação alimentar e na importância do exercício físico para a beleza e para a saúde; virei especialista em calorias, fibras e gorduras. Em suma, conheço a teoria como ninguém. Afinal, são 30 anos de tentativa e erro. Bota erro nisso!

Mas tudo bem, um dia eu acerto. Dizem que tem um cara ali na Barra que receita uns remédios à base de algas dos Alpes Marítimos que secam a pessoa em duas semanas.

Sem dieta e sem ginástica.

Tô dentro!


(O Globo, Segundo Caderno, 15.1.2004)

14.1.04





Começo a voltar ao mundo conectado!

Ihuuuuuuuuuuu!!!

Já estou na minha própria mesa, teclando o meu bom e velho teclado, com o meu maravilhoso monitor Samsung SyncMaster (tá, é de 15" -- ninguém é perfeito) piscando para mim.

A máquina nova ronrona ao meu lado, suavemente. É um Celeron 2.30GHz com 512 de RAM (novamente: ninguém é perfeito); o HD ainda é o velho Maxtor de 40Gb, dando conta do recado enquanto a maravilha Seagate de 120Gb agoniza na loja safada que não quer trocá-lo.

Uma alegria particular dessa máquina: doze (!!!!!!!!!!!!) saídas USB.

Adeus, hubs... :-)

Agora tchauzinho, que estou tendo que reconfigurar praticamente tudo, e ainda tenho algumas horas de trabalho pela frente até poder considerar a máquina 100%.

Tou feliz! :-)




O notebook está se portando valentemente para quem já estava na UTI. É mais silencioso do que as máquinas grandes, e o barulho que não faz permite que eu ouça barulhos mais engraçadinhos: os roncos e pequenos miados dos gatos adormecidos no escritório.

13.1.04



Não alimentem os animais

Quando a gente vai ao zoológico, encontra essa placa. Eu, pessoalmente, fico passada: adoro dar comida pros bichos, e me sinto frustrada em não poder paparicá-los. Mas faz sentido. A gente dá a comida e vai embora; e quando eles passam mal, quem tem que cuidar de tudo e limpar a porcaria que fica é o tratador que está lá.

Para que, no dia seguinte, as pessoas encontrem o zoológico legalzinho de novo, caprichado, gostoso de visitar.

Num blog não é muito diferente. Às vezes aparecem uns cretinos na área de comentários, absolutamente insensíveis a qualquer espécie de argumento. Querem provocar e criar caso, não querem realmente expor idéias. Tipicamente, são anônimos, covardes e, apesar disso, tentam passar por Heróis da Opinião Independente e, no caso deste internETC., vítimas da minha terrível intolerância.

Normalmente deixo pra lá, vou capinando o mato e limpando as jaulas, mas no momento estou, conforme vocês leram uns posts abaixo, com sérios problemas de máquinas. Tenho perdido um tempo insano com isso, e só estou atualizando o blog por teimosia.

Enquanto isso, um mané mal educado, cujos comentários grosseiros já apaguei seguidas vezes porque prefere agredir pessoas a trocar idéias, me aparece aqui dizendo para eu reservar um bom espaço da minha agenda para apagar os seus (dele) comentários...

*sigh*


Como estou com outras prioridades na agenda, e a minha paciência também não anda lá aquelas maravilhas, peço a todos, por favor, que não caiam em provocações bobas. Discutam idéias à vontade, como sempre fizeram aqui, mas por favor não alimentem os animais: estou tão sem tempo para limpar a jaula!

A administração agradece... :-)


Amo isso...



Inventário do caos

A questão das máquinas aqui em casa está tão escalafobética que, a essa altura, até eu já me perdi e não sei mais o que há de errado com quem.

Recapitulando:

  • Eu tinha duas máquinas, um Pentium IV e um Pentium III, da Bia; no Pentium IV havia um HD novinho de 120Gb e um mais antigo com 40Gb; no Pentium III, um de 34Gb e outro de 12Gb.

  • O Pentium IV estava OK mas, depois da instalação do XP, lento demais com apenas 256Mb de RAM. O Pentium III estava com um problema de fonte que volta e meia se manifestava não permitindo a ligação da máquina; a gente tinha que tentar várias vezes até ela pegar no tranco.

  • Resolvi instalar mais memória no Pentium IV. O Abel olhou a máquina, disse que a placa não estava lá aquelas maravilhas e que a memória era um daqueles tipos que aparecem de vez em quando para sumir em seguida. Mais jogo seria mudar logo a placa mãe, indo para um processador mais rápido e memórias novas; e passar este Pentium IV para a máquina da Bia, no lugar do Pentium III. Com o Pentium III, eu poderia montar um computador básico para a mamãe acessar a internet, ver o blog e o fotolog, trocar email com os netos, etc.

  • Até a semana passada, as coisas estavam assim: o Pentium IV funcionava. O Pentium III, na sua nova encarnação de computador básico, estava no chão, num gabinete menor, em tese OK, esperando apenas ser configurado; a seu lado, um gabinete com a nova placa, novo processador e novas memórias, esperando apenas que passasse aqui em casa o Carlos Eduardo, amigo do Abel, para transferir para ela o HD, a placa gráfica e o drive de DVD do Pentium IV. Os meus dados seriam reunidos no HD de 120Gb, e o de 40Gb ficaria sozinho no Pentium IV, compondo a máquina da Bia.

  • Na segunda-feira passada, o disco de 120Gb começou a fazer barulhos estranhos. Na quarta, antes que o Carlos Eduardo chegasse, ele subiu no telhado: deu uma travada geral e não foi mais reconhecido.

  • O Carlos Eduardo retirou o disco. Eu poderia ter continuado a trabalhar com o Pentium IV e seu HD de 40Gb se, nessa de abre máquina, fecha máquina, a fonte (e/ou placa) do Pentium IV também não tivesse ido pro espaço. Essa era a tal placa a respeito da qual o Abel já havia me alertado.

  • Tentamos pôr o micro básico -- o velho Pentium III, que era a máquina da Bia e seria a máquina da mamãe -- no ar. Nada feito. Lá voltou ela para o estaleiro de novo.

  • Tudo estaria mais ou menos OK e eu poderia estar trabalhando mais ou menos feliz, se o HD de 120Gb estivesse bem, e finalmente instalado na nova máquina. Mas a loja que o vendeu recusa-se a trocá-lo, alegando que, pelos testes lá deles, este HD está funcionando. Não está, mas vão ficar afirmando isso por mais um mês, suponho, até que vença a garantia dessa bomba.

  • Hoje, segunda, o Carlos Eduardo trouxe a máquina básica, o velho Pentium III, para quebrar um galho. Por algum motivo misterioso, a máquina não topou instalar o XP (que já rodava nela antes) e, assim, o Carlos teve que instalar um Windows 98 (temporário). O problema com ela havia sido, aparentemente, de memória. Com dois módulos de 128 dele, de teste, tudo estava OK -- até ele sair daqui.

  • Fui jantar, voltei e vim trabalhar um pouco; e nisso estava quando a máquina desligou, de livre e espontânea vontade, e não mais voltou ao ar.

  • Neste momento, escrevo do ThinkPad 560Z, que ora liga, ora não liga; que está sofrendo dos nervos e só aceita ser carregado quando está desligado. Temo que a qualquer momento dê seu último suspiro e saia do ar de vez.

    Em suma:

  • Pentium IV = Placa (e/ou fonte) ferrada.

  • Pentium III = Tudo ferrado.

  • Notebook = Tudo prestes a se ferrar.

    Como criatura tranqüila e fatalista que sou, estou aceitando tudo isso como uma prova de paciência.

    Só espero que o banco tenha a mesma visão das coisas quando essa brincadeira chegar ao fim.
  • 12.1.04



    Mulheres apaixonadas


    Quem diria: há um caso de amor entre as mulheres e os computadores, que até outro dia eram brinquedinhos essencialmente masculinos. Vejam só: a agência Conte com Elas, das publicitárias Maria Célia Salgado e Helena Lopes, que estuda o comportamento do público feminino, encomendou uma pesquisa sobre o universo delas, em que foram entrevistadas 600 cariocas.

    Uma das descobertas mais interessantes foi que o curso que elas mais têm vontade de fazer é o de informática. Disparado! Para 32% das entrevistadas, ele é o must do momento. O inglês, num modestíssimo segundo lugar, conta com a preferência de apenas 7,6% das mulheres. As demais 60,4% estão interessadas num mundo pulverizado de assuntos: culinária (4,5%), cabeleireiro (3,8%), corte e costura (2,9%), pós-graduação (2%), decoração (1%), fotografia (0,9%), espanhol (0,7%)... É. Definitivamente, foi-se o tempo em que pintar porcelana era o máximo da aspiração extra-curricular feminina.

    * * *


    A preferência pela informática faz todo o sentido. Primeiro, há uma noção muito clara, hoje, de que saber usar computador é fundamental para progredir no trabalho. Depois, mesmo para as poucas mulheres que não trabalham, ele é importante no relacionamento com os filhos. Finalmente, há tempos as máquinas deixaram de ser caixas pretas exclusivas para iniciados e viraram fontes de informação, lazer e comunicação.

    Boa parte do interesse pode ser atribuída à internet. Não estar conectado hoje equivale a não ter televisão há algumas décadas; a percepção de que a rede é uma poderosa aliada do conhecimento e do entretenimento já é, felizmente, geral.

    A cada dia ouço mais e mais histórias de mães e avós que “não sabem nem programar o videocassete” e que, de repente, descobriram as alegrias da vida online. Compreendo perfeitamente. Eu também não tenho nenhuma paciência com o videocassete, mas não troco minha banda larga por nada...

    Trrrim... trrrim... zapt!

    Enquanto parte dos 45,5 milhões de usuários de telefones celulares no Brasil nunca chegou a ter telefone fixo (40 milhões de aparelhos), nos Estados Unidos muita gente está desistindo das linhas fixas, e adotando o celular como única alternativa da casa. 3.1% dos lares em que as duas tecnologias conviviam cortaram o fio de vez no ano passado. Motivo? Uma conta a menos para pagar, e custos bem mais razoáveis para as chamadas de longa distância: em 2003, 43% de todas as ligações interurbanas feitas no país foram proveniente de telefones móveis — e esse percentual tende a crescer. A informação é de pesquisa do Yankee Group.

    Inferno zodiacal

    Passei uma semana horrível, às voltas com uma epidemia de problemas nas máquinas. Um HD de 120Gb da Seagate morreu com menos de três meses de uso (!), uma fonte — já velhinha — subiu no telhado, um drive se recusou a ler CDs e até uma placa-mãe resolveu se portar como placa-madrasta.

    Enquanto isso, o notebook velho de guerra se cansou de vez das misérias do mundo e desistiu de tudo. Pode parecer engraçado no papel, mas garanto que, na vida virtual real, não tem nada de divertido.

    No momento, me sinto em suspenso, tentando juntar os cacos hi-tech para poder começar o ano direito.

    A RIAA parte para a luta (quase) armada

    Depois de protagonizar centenas de batalhas judiciais em torno do download de músicas, a RIAA (Recording Industry Association of America) resolveu partir para a luta (quase) armada. No final do ano passado, espalhou esquadrões de ex-policiais vestidos a caráter para caçar piratas nas ruas da Califórnia. Usando uniformes em que as siglas da polícia de verdade são substituídas pela abreviatura da associação, os rapas da RIAA têm tido extraordinário sucesso em fichar vendedores de CDs piratas e em fazê-los entregar a mercadoria “voluntariamente”.

    Pudera não: imaginem que resistência podem opor àqueles armários com cara de polícia, jeito de polícia e roupa de polícia os mexicaninhos que habitualmente vendem a muamba em Los Angeles...

    Embora seja questionável a criação de uma polícia paralela por uma associação civil, o problema é do Schwarzenegger. Ainda que a forma escolhida para fazê-lo seja no mínimo esquisita, dessa vez, pelo menos, a RIAA está indo em cima de quem deve, ou seja: do povo que lucra com pirataria, faturando em cima do trabalho alheio. Antes isso do que correr atrás de estudantes ou de fazer pressão sobre provedores de acesso.

    Até hoje, passado tanto tempo, continuo achando que a RIAA fez a maior besteira da história da internet ao fechar o Napster. Em vez de se unir ao sistema então incipiente, em que teria tido uma das mais fabulosas ferramentas de marketing de todos os tempos, fez um escarcéu, pôs o Napster nas manchetes, chamou a atenção do mundo inteiro para as péssimas relações entre artistas e gravadoras e para o MP3 (até então um barato de iniciados), recusou acordos, gastou uma fortuna incalculável em custos judiciais e, finalmente, dispersou a turma, até então reunida num único ponto, por dezenas de sistemas P2P espalhados pelo mundo.

    Haja talento.


    (O Globo, Info etc., 12.1.2004)

    11.1.04





    Saudades

    O notebookzinho que estou usando, infelizmente, está mais pra lá que pra cá. Não dá mais para usar. Nele, porém, achei umas fotos de 2002, da última temporada que passei em São Francisco com Lynn, um dos meus amigos mais queridos.

    Apenas dois anos, e a vida já mudou tanto...

    A duras penas, subi várias desses fotos para o Fotolog.

    9.1.04



    Bush em 30 segundos

    Paulinho acaba de me mandar: diz que é imperdível mas, infelizmente, na máquina do jornal, da qual posto essas mal traçadas, não tenho som; e, em casa, não tenho máquina!

    O meu sistema doméstico está inteiramente avariado, e só volta ao ar na semana que vem... :-(


    Quem espera sempre alcança

    Depois de muito suar a camisa e dar murro em ponta de faca, o sensacional Homem Chavão viu seus esforços reconhecidos: agora, para bem de todos e felicidade geral da nação, tem seu próprio domínio, onde promete envidar esforços para que a sinergia com o leitor seja ainda melhor em 2004 do que foi em 2003. Não deixem de conferir, aqui!

    8.1.04



    Mais uma da capivara

    Meu colega Bruno foi passear de bicicleta e...
    "Tediosa manhã de domingo. E o dia ainda por cima lindo. O sol como se estivesse ali para lembrar o absurdo de ficar em casa olhando o tempo passar. Um disco, a TV, um livro, o jornal, o que mais? Um telefonema para avisar que a praia está boa. "Vamo? De repente a gente nem desce pra areia. Toma uma água de côco. No quiosque do pão de queijo. Leva o celular."

    Será?, pergunta a si mesmo, cabeça inchada da cerveja da véspera, nada a fazer a não ser nada. Um passeio de bicicleta não pode fazer mal. Só pode fazer bem, o ciclista se convence, suspirando e admitindo enfrentar uma corrida de obstáculos na pista da Lagoa, entre triciclos, patins, patinetes, uma frota diversa. Pouco tempo depois, a tranqüilidade com que pedalara pelas ruas internas dá lugar ao ritmo irregular na calçada movimentada à beira do espelho d`água.

    O ciclista prefere não olhar quem passa, ou pelo menos finge para si mesmo que não vê. Óculos escuros, boné, disfarça o humor instável e segue em frente, prendendo a respiração antes de atravessar o trecho do parque, de onde exala o cheiro acre da comida dos quiosques onde as pessoas falam, comem, bebem, observam e pedem ao tempo para passar.

    O ciclista prefere achar que passa pelo tempo. Alcança o Jardim de Alá e segue para a praia, chegando a uma ciclovia exclusiva, onde a frota é menos diversa. Só dá bicicleta e gente que insiste em correr ali, embora toda uma pista da rua esteja fechada aos carros. Será mais fácil para esses corredores conviver com rodas do que com pernas desaparelhadas como as deles? O ciclista de aborrece. Maldição dominical.

    No chegada ao quiosque, os amigos, merecido prêmio para a corrida de obstáculos. Meia hora de conversa fiada, água de côco, "vamo pra areia?"... o ciclista reflete um pouco e declina. É preciso achar um lugar para estacionar a bicicleta (impossível, tudo tomado), a areia vai estar quente, a água do mar suja, as pessoas suando... ele pede desculpas. Pensa na sombra, na rede, no sono e se despede.

    Na volta, pensa que até valeu a pena sair para ver o dia, encontrar os amigos, mas não tem muita certeza. Enquanto pedala, vê meia dúzia de pessoas paradas diante da Lagoa observando alguma coisa. Mal contém o espanto e freia bruscamente ao olhar para o lado e dar de cara com um quadrúpede absolutamente bizarro e inusitado naquela paisagem. Uma capivara.

    Capivara? É, responde alguém já no tom de quem se acostumara com a visão daquele verdadeiro apocalipse animal. Tamanho de porco, mas cara de rato. Não. Cara de anta. Mordiscando mato à beira da Lagoa e absurdamente alheio à platéia. O ciclista ri. De onde veio? Os palpites pululam. Talvez por um rio que desce encanado da floresta. Será que o bicho entrou pelo cano? Ou será que o prefeito do factóide achou por bem homenagear os políticos e soltar uma capivara na Lagoa?
    O ciclista observa mais alguns minutos o animal e segue seu rumo, o humor ridiculamente recuperado pela presença daquela criatura, admite, rindo de si mesmo. Enquanto pedala, planeja assim que chegar em casa telefonar para contar a novidade. Depois, sim, finalmente descansar e sonhar com um monte de capivaras passeando no calçadão." (Bruno Casotti)





    Reciprocidade é bom e a gente gosta, mas...


    O ano de 2004 começou com uma ótima surpresa: a intempestiva decisão do juiz Julier Sebastião da Silva de mandar a Polícia Federal fichar todos os americanos que chegam ao país. Tá. Eu sei que a maioria dos que ficam na fila tem pouco ou nada a ver com a xenofobia paranóica do governo Bush — mas que me deu uma alegria perversa ver americanos sendo, uma vez na vida!, oficialmente chateados por autoridades brasileiras, lá isso deu.

    Como todo mundo, sei que a medida tem mais a ver com retaliação do que com reciprocidade; que é uma tremenda infantilidade tirar retratos e digitais de velhinhas do Wisconsin; e que estamos, como tão bem escreveu o Luiz Garcia na terça-feira, agindo como uma capivara que ruge.

    Mas a questão é que, como tanta gente, eu também já estava por aqui com a indiferença do nosso governo perante a arrogância e a truculência com que os agentes de imigração tratam, rotineiramente, os brasileiros. Ver uma autoridade do meu país tomar uma atitude em relação ao assunto — por destrambelhada que tenha sido — foi, sim, uma grande felicidade.

    * * *


    Isto, no primeiro momento. Passada a onda de euforia patriótica, contudo, a gente pára para pensar. Vi na televisão os turistas sujando os dedos e sendo fotografados, e fiquei perturbada. Não é assim que se deve receber quem vem nos visitar! Fiquei com pena deles e com um certo constrangimento por nós, pobres capivaras tão mal equipadas. Que eles demonstrem total desprezo pelas diferenças culturais e sociopolíticas do planeta é problema deles; que a gente tente superá-los em ignorância é problema nosso.

    Bem ou mal, é preciso reconhecer que eles têm razões de sobra para andarem histéricos. Se vêm ou não buscando mais sarna para se coçar são outros quinhentos.

    Por outro lado, por mais compreensão e paciência que se tenha, é impossível aceitar, em paz, a grosseira hipocrisia de um sistema de segurança que só considera suspeitos os cidadãos de países do Terceiro Mundo.

    Aí é que a coisa pega.

    Ao exigir reciprocidade, algo perfeitamente legal e aceitável, o juiz agiu como bom brasileiro indignado. Nós, demais brasileiros indignados, aplaudimos seu gesto. Mas imagino que nem uma coisa nem outra teriam acontecido se, ao longo dos anos em que os Estados Unidos vêm espezinhando e deportando brasileiros, nosso governo tivesse se manifestado com suficiente energia.

    É óbvio que os americanos dariam de ombros e continuariam agindo como sempre agiram; mas pelo menos nós, cidadãos peripatéticos, não nos sentiríamos tão desamparados. Espero estar errada, mas em nenhuma das inúmeras histórias de maus tratos infligidos a brasileiros no exterior me lembro de ter ouvido do Itamaraty mais do que expressões de irrelevante formalidade; não me recordo de qualquer chanceler protestando, de qualquer sinal de real indignação em Brasília.

    Muito antes pelo contrário. Ao tirar obedientemente os sapatos nos aeroportos de três cidades americanas, em janeiro de 2002, o então ministro Celso Lafer deu o primeiro passo, descalço, para que, em janeiro de 2004, um juiz do Mato Grosso tomasse a originalíssima decisão de fazer política externa pelas próprias mãos.

    * * *


    O diabo é que as relações entre os impérios e suas colônias são sempre muito complicadas. Os romanos pintaram, bordaram e foram muito felizes até o dia em Átila foi a Roma exigir reciprocidade.

    * * *


    “Acupuntura urbana”, de Jaime Lerner, é um livrinho pequeno e despretensioso, pelo qual você provavelmente passará batido na livraria se não estiver atento às novidades. Meu conselho é: fique atento! O livro é uma jóia, inteligente, engraçado, comovente. Uma delícia de ler, sobretudo para quem vive intensamente a vida urbana.

    A premissa básica é que, a exemplo das pessoas, as cidades também podem recuperar a saúde por meio de toques em pontos doentes. Assim que as áreas em torno desses pontos ganham energia, as cidades sentem que algo de bom aconteceu e tomam alento, desenvolvendo reações positivas em cadeia.

    É um grande achado, daqueles capazes de mudar a nossa percepção das coisas: agora ando pelo Rio atenta a pontos de acupuntura, daqueles que deram certo — como os quiosques, que revitalizaram a Lagoa — aos que precisam de atenção urgente.

    Usando essa idéia como fio condutor, Lerner passeia pelos lugares do seu coração, fazendo de “Acupuntura urbana” um curioso híbrido de livro de viagem, tratado de urbanismo e declaração de amor.

    * * *


    Parece incrível, mas essa coluna faz um ano hoje! Está sendo bom para vocês também?

    (O Globo, Segundo Caderno, 8.1.2004)

    7.1.04



    GATOS!

    Uma das melhores coleções de links felinos que já vi, reparem só.


    Papo de PDA e figurinha

    Na segunda quinta-feira de cada mês, às 20hs, vai ao ar, no auditório do Senac Barra, o PDA Rio Fórum. Essa semana, o tema do evento (que reúne Palms e PDAs em geral e seus admiradores e usuários) é “PDA e câmeras digitais”, e quem faz a palestra é a blogueira que vos tecla.

    O Senac Barra fica no Marapendi Shopping, na Av. das Américas 3.959, cobertura. A entrada é grátis. Maiores informações: 3328-0380.




    Mãos para o Irã

    Depois de um Natal cheio de gentilezas e de desejo de comunicação, o Fotolog mergulhou, de cabeça, numa linda proposta do fotógrafo Frederico Mendes. Um dos vários profissionais encantados com o jeitinho de hora de recreio da comunidade, ele sugeriu que todos estendessem uma simbólica mão às vítimas do terremoto iraniano.

    Resultado: em menos de 48 horas, mãos pipocavam por toda a parte, num empolgante show de criatividade vindo de todas as partes do mundo. Minha amiga Karin Faulkner, por exemplo, que mora em Xiamen, na China, e não tem câmera digital, não se deu por vencida. Foi para o scanner, estendeu a mão junto com a pena de um pássaro e... voilá, criou uma imagem linda e poderosa.

    Convidei o próprio Frederico para fazer a seleção das fotos que aparecem aqui (quer dizer, lá no jornal: aqui capturei uma seleção do Broccoli). Como no Natal, a dificuldade de escolha foi enorme: o espaço do jornal é sempre pequeno para dar sequer uma amostra do mundo que existe na rede.

    (O Globo, Info etc., 5.1.2003)

    6.1.04



    BarlowBlog!







    Dúvida: alguém sabe que pássaro é esse? Volta e meio encontro alguns na Lagoa, mas não sei quem são.

    A outra foto está aí só porque achei bonita, mesmo: foi feita num dos últimos dias de sol do ano passado, no mesmo fim de semana em que topei com a manada de carros na Vieira Souto:

    5.1.04



    FLOG!





    Não sei até que ponto pode servir de exemplo da qualidade que se consegue com impressão, porque só mesmo vendo na mão; de qualquer forma, essa foto digital foi impressa numa Canon CP300. Escaneei a cópia impressa e, tal como veio, trouxe pra cá, apenas diminuindo o tamanho. Vejam o grau de detalhe no tapete, as variações do vidro...




    Você tem uma digital. E agora?


    As câmeras fotográficas digitais foram o presente mais cobiçado deste Natal. Se você teve prestígio suficiente com Papai Noel para ganhar uma delas, prepare-se: você está prestes a embarcar numa grande aventura. E, por estranha que possa lhe parecer a máquina sem filme, dentro de algum tempo você estará se perguntando como alguém ainda consegue usar câmeras que não mostram imediatamente o resultado do clique, não permitem que se apaguem as fotos mal sucedidas e precisam de rolinhos tão caros para registrar imagens.

    Mas o melhor de tudo é a versatilidade das fotos digitais. Você pode gravá-las em CDs, mostrá-las na televisão para a família, enviá-las por email, postá-las na internet para que os amigos tenham acesso aos seus álbuns virtuais e, até, fazer cópias em papel iguaizinhas às das fotos que nasceram em negativo. Com um detalhe: tudo isso tanto pode ser feito em casa, por você mesmo, quanto nas lojas especializadas que começam a aparecer, como a pioneira Data Pixcell, onde há soluções para todo e qualquer problema digital. Para não falar nas boas e tradicionais casas do ramo, como a De Plá ou a All Photo, por exemplo, que, cada vez mais, se aparelham para atender aos artistas dos pixeis.

    A Grande Aventura Digital, porém, apenas começa na câmera. É no computador que ela pode, realmente, alçar vôo. Há, basicamente, duas formas de se transferir as fotos: através de um cabinho que vem com a câmera (e que todo mundo vive perdendo) e através de pequenos leitores de cartão, que funcionam como drives de disquete e se conectam ao PC via USB. A minha opção favorita é o leitor de múltiplos formatos. Como uso diferentes câmeras e, conseqüentemente, diferentes tipos de cartão, o leitor quebra um grande galho ao estar sempre à mão, e permanentemente conectado.

    Essa opção não funciona, é claro, com câmeras que usam memória interna para armazenar imagens. Nesse caso, todo o cuidado com o cabinho é pouco; ainda assim, se você perdê-lo ou se esquecer de levá-lo em viagem, vá com a câmera a uma boa loja de fotografia onde, provavelmente, poderão resolver o seu problema, passando as fotos para um CD.

    Câmera e computador: dupla imbatível na caça às boas imagens

    As impressoras fotográficas, espécie cada vez mais popular, conectam-se diretamente às máquinas e/ou vêm com slots para leitura de cartões. A impressão direta é uma boa solução para quem tem pressa ou não quer saber de computador, mas boa parte da diversão se perde com ela. A dobradinha câmera digital/computador não tem rival na obtenção de boas fotos.

    As câmeras e impressoras de boas marcas vêm com excelentes pacotes de software, que permitem ajustar cores e contraste, melhorar definição e fazer mil e uma gracinhas com as fotos, acrescentando texto, molduras, balões de legenda e assim por diante. Para mim, as campeãs nesse quesito são Canon e Kodak, que desenvolveram programas excelentes para acompanhar suas máquinas. Na área das impressoras, então, a Canon é imbatível, oferecendo infindáveis recursos para quem gosta de brincar com fotos — inclusive aquelas miudinhas, feitas com câmeras de celulares.

    Além disso, há, na internet, excelentes programas para tratamento de imagem que podem ser baixados gratuitamente. Não tenha receio de experimentar: uma das grandes vantagens das fotos digitais é que sempre se podem salvar cópias dos originais antes das brincadeiras. Entre os meus programas gratuitos favoritos estão o IrfanView e o XnView. Ambos começaram a vida como simples visualizadores, mas hoje são muito poderosos. O IrfanView é o programinha mais rápido para visualizar, cortar ou converter imagens, embora tenha incontáveis outros recursos; o XnView é um dos melhores catalogadores de imagens que conheço, e um editor sensacional para tarefas simples.

    Clique: A diversão está apenas começando...

    Hoje há tantos bons programas para edição de imagem que a sua escolha é quase torcida: fale num deles, e logo alguém dirá que há outro melhor. O campeão indiscutível da modalidade continua sendo o Photoshop, usado — por justa causa — por todos os profissionais, mas com preço infelizmente proibitivo para o usuário que apenas quer retocar as fotos dos gatos ou da família. A cerca de US$ 1 mil, é mais caro do que a maioria das câmeras digitais do mercado. Uma excelente e divertidíssima alternativa é o Paint Shop Pro 8, da Jasc, lançado no Brasil em português pela Xpress Soft a cerca R$ 500.

    Nem o Photoshop nem o Paint Shop, contudo, resolvem bem a visualização de miniaturas (thumbnails) e a catalogação das fotos. Para isso, além do já citado XnView e dos produtos que vêm com as câmeras, há excelentes alternativas, do clássico ACDSee, que inclui ótimos recursos de tratamento de imagens e custa cerca de R$ 400, em português, ao Picasa, que sai a US$ 29 no website da produtora. O bom é que todos esses programas podem ser baixados da rede para teste gratuito.

    Para a maioria dos usuários de longa data de foto digital, a imagem em papel passa a ser quase desnecessária; mas dificilmente a gente consegue escapar dos pedidos de amigos e familiares, que querem cópias “de verdade”. Para mim, a melhor solução é ou mandar as imagens por email ou em CD para um laboratório, ou usar uma impressora especial para fotos 10 x 15, como as que se vêem acima (isso se refere, claro, ao jornal: as impressoras da página são Canon, Kodak e HP), que freqüentemente produzem resultados tão bons, ou melhores, do que as cópias feitas em lojas a partir de negativos.

    Essas pequenas cópias “made in casa” não são baratas (saem a cerca de R$ 3 cada) mas dão amplo retorno em satisfação. Elas são a prova de que as câmeras digitais já podem substituir, à perfeição, as câmeras convencionais.

    — Muita gente ainda pensa que foto digital só serve para website, mas a mentalidade está mudando — diz Fabio Nagel, um dos autores da linda foto da capa de hoje. Junto com a mulher Jaqueline Joner, ele mantém um dos fotologs mais populares, o Zipper, e conduz o projeto Zipper Estradeiros, dedicado a mostrar as maravilhas do Brasil em multimídia total. — Hoje, fazer foto digital só tem vantagem, o aproveitamento é muito maior. A gente só imprime as fotos de que gosta.

    Da câmera para o mundo

    O grande barato da foto digital está, é claro, na internet — da facilidade de enviá-la por email para os parentes e amigos à possibilidade de se divulgá-la para o mundo em álbuns virtuais ou fotologs.

    Há uma diferença importante entre eles. Os primeiros, gratuitos se estiverem vinculados a serviços de cópias, não têm limite de espaço ou número de fotos postadas. Em compensação, são fechados em si mesmos — ainda que ofereçam espaços para comentários. O meu favorito é o Fotki onde, a módicos US$ 30 anuais, mantenho diversos álbuns em que conservo o tamanho original das imagens, ou seja: elas podem ser baixadas e impressas em qualquer lugar, sem perda de qualidade. Já os fotologs funcionam em comunidade, das quais a principal é, ainda, a que deu origem a série, o Fotolog. Lá, pode-se subir apenas uma (sistema gratuito) ou seis (US$ 5 mensais) fotos por dia — mas a diversão é garantida.

    (O Globo, Info etc., 5.1.2003)

    AQUI: um complemento da Elis especial para cariocas, com preços e serviços.

    4.1.04



    Trilha sonora

    Hoje: Cesária Évora. Na veia.




    Filosofia de cozinha: acontece... :-)

    Hoje comprei um conjunto de panelas novo. Fiquei impressionada com o preço, relativamente barato para coisas tão úteis e que duram tanto tempo.

    Quando voltei para casa e me pus, toda contente, a arrumar os armários da cozinha, a visão das panelas velhas, em petição de miséria, me pôs uma dúvida -- melhor dizendo, uma perplexidade -- na cabeça. Se carro, que é aquela coisa caríssima, a gente troca a cada dois anos, porque espera as pobres panelas chegarem a esse ponto antes de tomar uma providência?

    O pior é que a gente esbarra todo o dia na ineficiência das velhas panelas: é aquele ovo frito que gruda no pedaço da frigideira onde o teflon já foi embora, é o cabo torto que atrapalha demais a vida, a tampa que caiu e amassou e não encaixa mais direito.

    Eu, hein.

    3.1.04



    Lembrança

    Madrugada do dia 31, no carro com Olivinha, João Nuno, Joaquim e Sílvia, felizes da vida, atravessando a cidade deserta rumo à Praia da Urca para ver o candomblé.

    No som, Zeca Baleiro:
    Baby i'm so alone
    Vamos pra Babylon
    Viver a pão-de-ló e Moet Chandon
    Vamos pra Babylon
    Vamos pra Babylon
    Gozar sem se preocupar com amanhã
    Vamos pra Babylon
    Baby baby Babylon
    Comprar o que houver au revoir ralé
    Finesse s'il vous plait mon dieu je t'aime glamour
    Manhattan by night
    Passear de iate nos mares do pacífico sul
    Baby i'm alive like a rolling stone
    Vamos pra Babylon
    Vida é um souvenir made in Hong Kong
    Vamos pra Babylon
    Vamos pra Babylon
    Vem ser feliz ao lado desse bon vivant
    Vamos pra Babylon
    Baby baby Babylon
    De tudo provar champanhe caviar
    Scotch escargot rayban bye bye miserê
    Kaya now to me o céu seja aqui
    Minha religião é o prazer
    Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
    Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
    Eu não tenho renda pra descolar a merenda
    Cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda
    Eu não tenho grana pra sair com o meu broto
    Eu não compro roupa por isso que eu ando roto
    Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça
    Ai morena viver é bom
    Esquece as penas
    Vem morar comigo em Babylon
    Às três e meia fechamos o Garota da Urca, comendo uns pasteizinhos deliciosos e, na saída, demos tchauzinho pros pais de santo nossos amigos.

    Tem jeito melhor de terminar o ano?!

    Olivinha tem que gravar essa música, é muito a cara da gente.

    1.1.04




    Uma capivara só não faz verão



    Na semana passada, vários leitores tiveram a gentileza de escrever para me garantir que sim, há gente que lê jornal no dia de Natal. Agradeço de coração: foi uma surpresa que me deixou contente e animada para escrever a coluna de hoje, outra data capciosa para cronistas.

    Afinal, é sempre complicado encarar as datas obrigatórias, tanto pessoalmente quanto por escrito. A crônica, no fundo, não passa de uma redação, como aquelas que a gente fazia no colégio — com a diferença que acaba publicada em jornal. Quando o tema é livre, a gente canta como o Zeca Pagodinho; quando é obrigatório, tudo se complica.

    — Eu prefiro tema obrigatório, — disse o Xexéo, quando comentei o assunto com ele.

    — Prefere?! Você gostaria de escrever sobre o Ano Novo?!

    — Não, claro que não. Não dou a menor pelota para datas. Estou falando em temas auto-obrigatórios. Quando me imponho um tema, escrevo melhor do que quando deixo a crônica me levar.

    — Ah, mas um tema auto-obrigatório, na minha cabeça, é um tema livre. Estou falando dos temas obrigatórios-obrigatórios, dos quais não há como fugir.

    — Como não há? Você pode escrever sobre o que bem entender, ora.

    — Não posso não. Fico pensando no mundo lá fora, totalmente antenado na data, e eu aqui, alheia...

    * * *

    A quantas coisas fiquei alheia aqui durante o ano? Fiquei alheia, por exemplo, a (quase) tudo o que aconteceu em Brasília — para não falar em tantos e tão variados destinos turísticos percorridos pelo presidente. Não escrever não significa, é claro, não sentir, não ter uma opinião. E, se eu fosse petista, estaria, a essa altura, profundamente desapontada. Como não sou, estou apenas pessimista.

    Há algo errado demais com um governo supostamente humanitário e teoricamente preocupado com o lado mais fraco da corda quando presidentes de banco dizem que este “foi um ano bom para o sistema financeiro”. Caramba! Há quantos anos a gente ouve isso?! Não estava na hora de inverter a equação, fazendo com que o setor produtivo se queixe menos e o setor financeiro se queixe mais?!

    * * *

    Também fiquei alheia ao que está acontecendo no Rio. Aqui, confesso, o nojo me paralisa. Não consigo mais nem me indignar. Fico quieta, sem me mexer, de olhos fechados, como uma criança que vive um pesadelo, uma dor ou um sentimento ruim, torcendo para que tudo tenha desaparecido quando abra os olhos.

    Assim passei o ano em relação a esse casal Garotinho, virando a cabeça, evitando o olhar, esperando que, por um passe de mágica, ambos tenham misteriosamente sumido no ar quando afinal eu me vire para ver. Pode ser uma infantilidade, uma forma escapista de lidar com a situação, mas foi a única que encontrei, como carioca apaixonada pela minha cidade, para não morrer envenenada de desgosto e amargura.

    * * *

    — Ano Novo... que bobagem! — exclamou o Xexéo. — Por que você não escreve sobre as capivaras? Diga aos leitores que, apesar da data, decidiu escrever sobre as capivaras, e pronto, qual é o problema?

    Ah, as capivaras... Eu amo as capivaras. Para mim, sua presença foi, indiscutivelmente, um dos pontos altos do ano, uma felicidade linda e inesperada. Ambas apareceram na Lagoa, filhotinhas, no começo de 2003. Foram separadas pela perseguição que lhes moveu um contingente de bombeiros, que tentou, em vão, capturá-las para o zoológico. Hoje vivem afastadas, a fêmea perto do Vasco, o macho ali pelo Cantagalo, ignorantes, ao que se saiba, da existência uma da outra. Estão gordas e saudáveis, mas não podem estar felizes. Capivaras são animais que vivem em bando, em grupos de dez a quinze indivíduos; uma capivara só não faz verão. Nem capivarinhas.

    No outro dia, uns palhaços andaram tentando caçar a fêmea. Foram gentilmente dissuadidos disso pelos bravos pescadores da colônia, que gostam das bichinhas e zelam pelo seu bem-estar, para alegria geral dos freqüentadores da Lagoa.

    Um dos meus desejos mais ardentes para este 2004 recém-nascido é que as capivaras voltem a se encontrar. Ou que, por algum acaso inexplicável, outras capivaras venham dar à Lagoa, para lhes fazer companhia e aumentar o nosso encanto.

    Fica aqui, portanto, o meu apelo a quem, porventura, tenha uma capivara sobrando em casa: faça uma boa ação e leve-a para a Lagoa! Se for macho, solte-a perto do Vasco; se for fêmea, no Parque do Cantagalo. Duas capivaras solitárias e incontáveis cariocas ficarão muito agradecidos.

    * * *

    A foto da coluna, feita há alguns dias em Copacabana, é uma espécie de exorcismo para a chuva. É sempre assim, vocês sabem: quando a gente tem que adiantar uma edição, como a de hoje, e publica uma foto de sol, é certo que vai chover no dia anterior.

    Pois eu estou apostando no vice-versa.

    (O Globo. Segundo Caderno, 1.1.2004)

    31.12.03





    Queridos: fiz essa foto hoje, na praia da Urca, às três da manhã, ouvindo os cantos para os Orixás, contemplando as oferendas para Iemanjá, molhando os pés na água e bebendo Sidra com a gente legal e cheia de energia positiva que lá estava.

    Vocês sabem: yo no creo en brujas, pero que las hay las hay.

    Também do bem.

    Desejei para todos nós um Ano Novo de paz, saúde, amor e prosperidade -- resumidas, essas coisas todas, na palavra FELICIDADE. Afinal, ninguém consegue ser plenamente feliz se lhe falta algo...

    Pois então, que nada nos falte em 2004, e que possamos, ao raiar de 2005, dizer que sim, que fomos muito felizes no ano que passou.

    Muitos beijos, carinho e tudo de bom!

    30.12.03





    "Quando eu relembro a minha infância, os invernos parecem ter sido sempre muito duros, com uma neve densa cobrindo tudo e batendo pela minha cintura. Mas talvez seja só uma questão de escala."(fotolog.net/htt)




    Pois é: eu ia reclamar do calor, mas aí caí, por acaso, no fotolog do HTT. Essa é uma ceninha banal do cotidiano islandês, que ele fotografou da janela da sala...

    27.12.03



    Hoax?!

    Não sei se estou ficando cínica demais, mas está rolando um drama humano lá no Fotolog que, para mim, tem toda a cara de hoax. Confiram aqui, por favor, e me digam o que vcs acham.

    Será que estou ficando muito desconfiada demais?

    Tudo é possível neste mundo, mas uma pessoa terminalmente doente começar um flog dez dias antes de morrer?! Sem postar uma foto sua, sem dar endereço de hospital, nem nada? Weird, weird, weird.

    Enfim, como estou batendo pino,vão lá ver e depois me digam, OK?

    Thanks!




    Bom fim de semana para todos!

    Estou meio sumida, desculpem, mas estou aproveitando o feriado para fazer -- isto é, tentar fazer -- duas coisas mais ou menos incompatíveis: descansar um tiquinho e botar o trabalho em dia.

    Lamento informar que, até aqui, a segunda parte do programa tem prevalecido sobre a primeira... :-/

    Ah, sim: hoje tem Família Gato no fotolog. E embora a gatinha da foto seja a Keaton, o astro lá é o querido da Meg, o Lucas.

    Ah, sim II: como é que um cano daquele tamanho da Cedae, que deixa uma cratera monstruosa quando estoura, é consertado em dois dias, e um mísero caninho com um vazamento de nada (que está acabando com a minha parede!) leva semanas para ser consertado?!

    Há alguma lógica nisso?!

    Ó céus, ó vida...



    26.12.03





    Já saiu em todo lugar (até no meu fotolog) mas... vocês já viram este Gingle Bells em ritmo de samba?

    É uma gracinha!


    O Natal visto de fora... e de dentro

    Terça-feira, 19h55 na redação semi-deserta do Globo. Metade dos colegas, que vai trabalhar na semana do ano novo, não veio; da outra, quase todos já foram embora, aliviados alguns, aflitíssimos os outros, que ainda têm compras de Natal por fazer. Eu me incluo no último grupo, com uma diferença significativa: continuo aqui dentro, ao passo que as compras ficam lá fora. Os ponteiros do relógio digital — que nem os tem — avançam inexoravelmente. A cada minuto o trânsito fica mais intransitável, os shoppings mais cheios, os vendedores mais neurastênicos. Virada de costas para mim, uma televisão alterna anúncios que falam em paz e felicidade com depoimentos de consumidores histéricos, desesperados em busca do inatingível — aquele presente bom, bonito e barato. Em suma: enquanto o clima natalino atinge seu ponto máximo, a tela do computador me olha branca, vazia, esperando que eu tome uma providência.

    — Como é, essa coluna sai ou não sai? — parece dizer. Na verdade diz, agora que escrevi a pergunta.

    — Calma, não é tão fácil assim! — respondo, esperando que ninguém note que agora dei de falar com monitores de 17 polegadas. — Essa coluna é para 25 de dezembro, e tenho sérias dúvidas a respeito da utilidade de se escrever qualquer coisa para o dia de Natal. Sempre acho que esse é um dia em que ninguém vai ler jornal. Todos vão estar tão empolgados com os brinquedos novos, tão bodeados da festa... Quer saber? Só tem uma coisa pior: dia 1º de janeiro.

    — Data da sua próxima coluna — informa a tela, quando, invadida por uma certeza cruel, clico no calendário.

    Fico desmotivada demais quando penso que posso estar escrevendo algo que ninguém vai ler: não seria melhor ir à praia? O pior é que, hoje, como não sou católica, nem ao menos posso escrever sobre o profundo significado religioso da data. Não, não adianta. Essa crônica é uma missão impossível.

    A tela, que não entende a minha angústia, continua parada, me olhando.

    — Calma! Eu vou escrever.

    — Estou calma. Muito calma. Há poucas coisas tão calmas quanto uma tela em branco.

    * * *

    Na semana passada, a essa hora, eu não estava diante de um monitor pouco compreensivo. Estava lá fora, bem longe da redação, vivendo uma grande aventura. A bordo de um rebocador, debaixo de uma chuva que só vendo, ia, intrépida, em direção à árvore.

    “A” árvore, sim — aquela, da Lagoa, que mora em frente à minha casa e que, a cada ano, se supera em altura, beleza e... quilômetros de engarrafamento.

    Abre parênteses: sei que quem enfrenta trânsito pesado todos os dias não acha a menor graça no meu ponto de vista mas, sinceramente, apesar do transtorno, não consigo ter antipatia por esse engarrafamento. Acho bonito constatar que, num mundo tão revirado e violento, ainda há tanta gente que se movimenta para ver uma árvore de luz flutuando na água — por bobo que isso possa parecer. Fecha parênteses.

    * * *

    Enfim, como eu ia dizendo, lá estava eu, singrando a Lagoa rumo à árvore. Ela é mais bonita vista de longe, mas infinitamente mais impressionante vista de perto. De longe, é só uma escultura iluminada; de perto, um navio fulgurante, uma perfeita embarcação.

    Isso não é figura de retórica, mas a realidade da árvore, que, solidamente assentada em 11 flutuadores e ocupando uma área de 700 m², é uma complexa obra de engenharia naval, parente de barcos e de plataformas flutuantes. Ao seu redor, além dos pedalinhos, nadam cardumes de peixes atraídos pelas luzes e pequenos caranguejos, hipnotizados.

    * * *

    Os cinco profissionais que dão plantão no oco da árvore passam o tempo resolvendo eventuais problemas, vendo televisão, espiando pedalinhos. Pablo Hernandez, técnico em luzes móveis e, digamos, “comandante” da nau, que já leu oito livros desde sua inauguração, estava devorando, muito apropriadamente, “Fogo interior”, de Carlos Castañeda.

    Faz muito calor dentro da árvore, que tem 2,8 milhões de microlâmpadas (daquelas que a gente usa para enfeitar a casa), 26 mil metros de mangueiras luminosas para formar os desenhos de anjos, notas e estrelas, e oito holofotes. A energia necessária para fazer tudo isso brilhar a contento daria para o gasto de 150 apartamentos de dois quartos — e quando tudo de fato se acende, naquele momento em que a árvore fica iluminada da cabeça aos pés, em toda a sua glória, quem está lá dentro passa a entender, literalmente, o sentido da expressão “banhado em luz”.

    É um momento mágico, e a metáfora é irresistível: que 2004 seja assim iluminado, flutuando em águas calmas, trazendo alegria e encanto para todos nós.


    (O Globo, Segundo Caderno, 25.12.2003)

    24.12.03





    Pessoal, eu gostaria de ter feito uma mensagem caprichada, com uma foto especial e umas palavras mais bonitas, mais bem cuidadas -- mas, para fechar o ano com coerência, estou numa correria doida! São 18h40 e ainda nem terminei de fazer as compras de Natal...

    Então, fica valendo mesmo o bom e velho

    Feliz Natal!

    É pouco original mas, acreditem, é de coração.

    Mesmo.

    Update, antes de sair correndo pra casa da Laura: a fotinha especial eu arranjei... :-)


    Acabo de voltar do jornal, onde estava escrevendo a coluna de quinta-feira.

    Os feriados na redação são péssimos, mas não de todo ruins: há um sentimento até bacana de solidariedade na miséria, provavelmente comum a tantas profissões que dão plantão enquanto o resto da humanidade se diverte.

    Eu fico comovida com os enfeitezinhos e pequenas árvores patéticas que os amigos espetam nos terminais, como vagas lembranças do artigo genuíno.

    23.12.03



    Ping pong

  • As crianças são ímpias? Então por que Deus não as poupou da sua ira em Sodoma e Gomorra?

    Porque em Sodoma e Gomorra, como aqui, elas assistiam programas da Xuxa e gostavam.

  • Por que um passarinho pode voar e eu não?

    Porque não tens asas.

  • Quem é e por que é o cirurgião plástico de Michel Jackson?

    O cirurgião plástico do Michael Jackson chama-se Dr. Steven Hoefflin e tem entre seus clientes, Elizabeth Taylor, Janet Jackson, Don Johnson, Zsa Zsa Gabor, Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen, Princesa Salima Aga Khan, Tina Sinatra, Pamela Anderson, Ivana Trump e o Sultão do Brunei, só para citar alguns. A associação médica da Califórnia tentou processá-lo mas não conseguiu reunir provas. E ele processou vários de seus detratores por difamação. Mais aqui, em inglês. E ele é o cirurgião do astro porque topa qualquer parada e tem soluções que ele acha revolucionárias para os pedidos mais bizarros de seus clientes. Como, por exemplo, fixar parafusos às laterais do crânio para "evitar que a pele do rosto desabe".

  • Há uma coleção dessas pérolas no blog da Teruska; as respostas são do Cesar Valente.

    Confiram!

    22.12.03



    Leia o livro, faça a foto!

    Se você ainda não terminou de fazer as compras de Natal, e tem usuários de câmaras digitais na lista — ou candidatos a usuários — a solução é simples: há, nas livrarias, uma ótima safra para os aficcionados da fotografia digital, time que aumenta exponencialmente a cada ano.

    Dois deles — “Guia prático da fotografia digital”, da National Geographic, e “Fotografia digital: da compra da câmera à impressão das fotos”, de Julio Preuss — estão, apesar de parecidos no conteúdo, em pólos distintos da Escala de Presentes de Natal: o guia da NG é um livrinho pequeno, mas denso e bem ilustrado. Custa R$ 27 e parece com uma revista, do detalhe de trazer anúncios na contracapa, nas capas internas e em algumas páginas, a ser vendido em bancas de jornais. Já o livro do Julio — que tem prefácio meu — e é um belo álbum de capa dura da Axcel, tem preço de gente grande: R$ 69 (por enquanto, em oferta de lançamento no Submarino, por R$ 49).

    * * *

    Julio Preuss é jornalista de informática, trabalha em “O Dia” e sabe tudo de informática e fotografia digital. Seu livro, atualizadíssimo, é a melhor referência brasileira sobre fotografia digital como um todo; ele escreve com clareza, tem ótimas dicas, explica muito bem todos os pontos que aborda e — importante! — vê tudo a partir do nosso ponto de vista. Ou seja: este é o livro ideal para quem mora no Brasil e vive em reais.

    Agora, prepare-se para retocá-la

    Quem tem câmera digital acaba, cedo ou mais tarde, caindo no feitiço do Photoshop — que ainda é, indiscutivelmente, o melhor programa para tratamento de imagens. É, também, um dos mais difíceis de dominar, com uma curva de aprendizado para montanhista nenhum botar defeito. É por isso que ele é um dos alvos favoritos dos autores de manuais e tutoriais: entre em qualquer livraria e você vai se espantar com a quantidade de títulos existentes a seu respeito.

    * * *

    A Editora Campus publica alguns dos melhores desses títulos, de “Photoshop 7: a biblia”, de Deke McClelland — alentado volume de 896 páginas, a R$ 219 — a “Adobe Photoshop Elements 2.0”, de Edson Tanaka, 336 páginas, por R$ 65.

    Este último é excelente para quem recebeu o “Photoshop Elements” como parte do software da câmera digital. Edson Tanaka, outro brasileiro que brilha nas paradas dos livros técnicos, é autor, ainda, de “Adobe Photoshop 7”, um manual de 520 páginas, a R$ 89, também da Campus.

    * * *

    Um lançamento interessante para quem curte o Photoshop, mas gostaria de aprender uns macetinhos de forma indolor, é “Desvendando o Adobe Photoshop”, da Digerati Books. O livro segue mais ou menos a mesma linha do guia da “National Geographic”, quer dizer: tem alma de revista. No caso, a “Computer arts”, sensacional publicação inglesa que, infelizmente, tantos de nós deixamos de comprar por causa do preço, salgadíssimo.

    Pois no livro (que custa R$ 89, e é outra boa oferta do Submarino, a R$ 66) estão alguns dos melhores tutoriais publicados pela revista, com sua imprescindível versão em video nos três CDs anexos.

    Tudo o que você sempre quis saber...

    ...para entender o maravilhoso mundo da tecnologia e dos gadgets, mas ficava encabulado de sair por aí perguntando aos outros: firewire, interpolação, LED, hiperlink, chroma-key, shareware...

    Tudo isso está na “Enciclopédia básica da mídia eletrônica”, de Ricardo Pizzotti, publicado pela Editora Senac São Paulo. O livro, que custa R$ 55 e tem 296 páginas com cerca de 2.100 verbetes, cobrindo o vasto universo da multimídia, é útil até para profissionais tarimbados do setor, como a escriba que vos tecla, já que não há quem consiga absorver toda a sopa de letrinhas em que vivemos mergulhados.

    Ricardo Pizzotti é publicitário, escreve sobre tecnologia de televisão para a revista “Audio e vídeo” e fez um excelente trabalho.

    O Natal entre amigos

    Coisa bonita de se ver vai ser o Natal do Fotolog! Já começou: é deslumbrante a diferença entre os fotologs tropicais, de bracinhos de fora, e os lá de cima, enregelados, mostrando neve, cristais de gelo e bípedes encasacados. Está todo mundo curtindo, encantado, a diversidade do planeta — que a gente sempre soube que existe, mas nunca acompanhou assim, passo a passo.

    Já começaram a aparecer os votos e as saudações nos álbuns de visita, e até eu, que detesto festas de fim de ano, fico comovida em ver como, no fundo, a maioria das pessoas só deseja isso, paz e tranqüilidade, para tocar a vida como ela vem. Paz e tranqüilidade, portanto, é o que desejo a todos que acompanharam o caderninho ao longo do ano, deram sugestões e palpites, xingaram e elogiaram. É muito bom ter vocês como leitores, acreditem.


    (O Globo, Info etc., 22.12.2003)




    A fera é o Bruno, que tem um ótimo site sobre BMX: o BMX4u.com.

    Fiz a foto ontem, quando, passeando com mamãe, parei para ver uma turma de esportes radicais praticando. Os meninos dão um show, coisa linda de se ver.

    21.12.03





    Fotologgers

    Aí está uma parte da galera que compareceu ao encontro de Natal dos fotologgers cariocas; a foto é do Frederico Mendes. Foi um encontro divertido, como têm sido esses encontros, em geral: só ainda não achamos o lugar ideal.

    Da última vez, sabe-se lá por quê, fomos parar no Lord Jim. Muito bonitinho, mas escuro e barulhento, sem serviço ou comida digna do nome. Um grupo dissidente, liderado pelo Fábio (do casal Zipper) partiu para a pizzaria em frente e se deu bem.

    Dessa vez, fomos para o Quiosque Hum. Seria ideal, se, lá para as tantas, não entrasse em cena uma banda até simpática, cantando músicas até legais... mas todas insuportavelmente alto!

    Se a gente estivesse lá para dançar, seria perfeito; mas para conversar ficou meio complicado.

    A garotinha na frente, segurando um objeto estranho, é uma vendedora de lanternas de fibra ótica: aquelas, que parecem fios de náilon com brilhos nas pontas. Apareceu com uma outra menininha, oferecendo a mercadoria cintilante numa mesa cheia de fotógrafos, e acabou se sentindo uma celebridade: nunca foi tão fotografada. De quebra, acabou vendendo algumas lanternas.

    Quem fez uma grande foto da outra menina foi a Sylvia Heilborn, que mantém um fotolog sensacional com um simples Palm Zire 71. As imagens dela provam que a sensibilidade do fotógrafo continua mesmo sendo muito mais importante do que qualquer equipamento.

    Vale conferir!




    Minha série da Viagem ao Centro da Árvore está quase completa; agora estou subindo umas fotinhas feitas com o Nokia 7650, que me acompanhou na aventura.

    19.12.03



    Ugh!

    Tem coisa mais chata, desinteressante e desenxabida do que a onda de cartões de Natal politicamente corretos que assola o país?!

    Vocês sabem, né: esses com fotos de criancinhas carentes beneficiadas por projetos sociais, desenhinhos feitos pelos filhos dos funcionários, e assim por diante?!

    Muita saudade dos tempos em que os cartões de Natal eram apenas cartões de Natal, cheios de dourados e purpurinas, desenhados pelos melhores artistas, e não tíquetes de lavagem de consciência social.

    Update: Esqueci de acrescentar um detalhe. É que 99% dos cartões que eu recebo vêm de empresas, e expressam tanto carinho quanto, digamos, uma cena romântica do Stalone.


    Ó cirandeiro, ó cirandeiro ó,
    A pedra do teu anel
    Brilha mais do que o Sol.




    Viagem ao Centro da Árvore

    Ontem eu estive num lugar muito especial: dentro da Árvore da Lagoa! Fui com a Elis (fazendo a matéria de capa do Info etc.) e o Teixerinha (fazendo as fotos para a matéria). Estou publicando as fotos que fiz dessa aventura lá no fotolog.



    Túnel do tempo

    Fim de ano: qualquer folguinha que sobra, a gente aproveita para arrumar coisas, jogar fora trambolhos, dar um jeito na casa. Fotos de papel têm isso: elas aparecem e desaparecem, e aí, nessas ocasiões reaparecem de surpresa.

    Essa foi feita na Cobal, há milênios, num sábado de manhã. Tom Jobim ainda era vivo e estava na mesa com a gente. E mais Lucinha Veríssimo, Chico e Eliana, José Lewgoy, Jaguar e Hugo Carvana (se não me engano).

    Nesse dia, um garçom perguntou pra Lucinha:

    -- E a Ava Gardner aí, o que vai querer?

    Ela ficou encabulada com o lance da Ava Gardner, mas o Millôr cortou:

    -- Lucinha, aprenda: não se discute com a oftalmologia alheia!

    Eu me lembro disso tudo por um motivo muito simples: é que os Veríssimos (por motivos geográficos) e o Millôr e eu (por questões de trabalho, dele, e de horário, minhas) praticamente não íamos à Cobal.

    A exceção é sempre mais fácil de lembrar do que a regra.

    18.12.03




    Laura Rónai, PhD

    Quase 50 anos depois da Mamãe fazer o seu (dela) doutorado em arquitetura, a família tem uma nova PhD: minha irmã Laura, que defendeu ontem, brilhantemente, a sua tese de música na UniRio.

    O "brilhantemente" aí não fui eu quem disse não: afinal, sou suspeita para falar. Foram os examinadores, mesmo.

    Aprovada com louvor.

    Viva, Laurinha!!!

    Parabéns!!!

    Estamos todos orgulhosos de você... :-)))


    O caso do cachorro iraquiano

    Amigo, inimigo, tanto faz: para os americanos, todos são descartáveis


    Tá. É muito bom o Saddam estar preso, neutralizado e coisa e tal, mas... os americanos não vão aprender nunca?! Não percebem que humilhar publicamente o monstro é, desde logo, diminuir a sua monstruosidade -- além de afrontar os sentimentos de meio mundo?! Por terrível que tenha sido sua ditadura, por mais mortes e miséria que tenha causado, Saddam é prisioneiro de guerra, e prisioneiro de guerra, todos sabem, deve ser tratado com dignidade. Caso contrário, quem o capturou a ele se iguala na barbárie.

    As fotos do tirano de boca aberta, sujeitando-se a um procedimento médico provavelmente desnecessário, são chocantes não só pela sua grosseria mas, sobretudo, pelo que revelam da falta de sensibilidade de quem as fez e distribuiu. É assustador imaginar que o mundo está à mercê dessa gente, incapaz de perceber o grau de repulsa gerado por imagens assim.

    Os americanos que estão no poder -- que me perdoem os americanos tão revoltados quanto eu -– parecem ter perdido, de vez, qualquer sentimento de humanidade. Não têm -- e nem parecem interessados em ter -- a mais vaga noção de como sente qualquer pessoa fora da sua abençoada América

    Naturalmente, ninguém ignora que Saddam fez muito pior com os seus prisioneiros. Não há mais o que discutir a seu respeito, ele é indescritível como ser humano. O problema não é o que acontece com ele, e sim o que lhe fazem: ainda estão nos nossos olhos as fotos dos seus filhos mortos, expostas em todos os jornais do mundo. A selvageria levada ao extremo, de todos os lados.

    Como diria o filósofo paulista, mata, mas não tripudia. Prende, mas não humilha.

    Pois então não aprenderam que não se chuta cachorro morto?!

    Não, é óbvio que não. Para eles, cachorro bom ainda é cachorro morto.

    * * *

    Para mim, as fotos de Saddam prisioneiro se equiparam, em impacto emocional, a uma pequena notícia que meu amigo Juan Carlos Castro y Castro descobriu, no fim de semana, no Orlando Sentinel, jornal da Flórida:

    "O regulamento não permite que soldados americanos no Iraque tenham animais de estimação, mas uma cadelinha preta e magricela que se aproximou da Guarda Nacional da Flórida, estacionada ao norte de Bagdá , se recusou a ir embora" -- escreveu o repórter Roger Roy. "Os soldados da Companhia Alfa do Segundo Batalhão do 124 Regimento de Infantaria a adotaram, dando-lhe o nome de Apache, em referência à identificação da companhia.

    (....) Apesar de afetuosa com os 130 soldados da companhia, Apache notava estranhos imediatamente, latindo e rosnando em tom ameaçador. (....) Fazia grande festa para os soldados que retornavam de patrulhas, mordiscando a mão dos homens e rolando no chão para que lhe fizessem carinho na barriga.

    Os soldados foram avisados que estavam violando as regras, e que teriam que livrar-se dela. (....) Levaram-na de carro a um lugar distante da base, na esperança de que alguém a encontrasse mas, em três dias, Apache achou o caminho de volta. Finalmente, perto do dia de Ação de Graças, os soldados levaram o seu animal de estimação a um veterinário, que a destruiu."

    * * *

    Quem é pior, o que dá uma ordem dessas ou o que a obedece?! Será que ninguém pensa mais, que ninguém sente mais nada?! Como é que se pode matar um animal inocente e amoroso, única alegria que se tem em meio ao horror?!

    Enquanto isso, um cão cenográfico cuti-cuti, mais artificial do que o peru de plástico que encantou os fantoches do refeitório militar em Bagdá, faz gracinhas para a imprensa, no vasto esquema de marketing que pretende assegurar a Bush a continuidade no poder.

    * * *

    Ah, dirão vocês, o que é um simples cão diante dos milhares de mortos do Iraque, antes e depois da guerra? Mais uma vez, digo que não é exatamente o cão o xis da questão, mas o que ele simboliza. A amigos e superiores todos tratam bem; mas pessoas (e países) revelam-se pela forma como tratam os inimigos, os mais fracos e os animais. Na última semana, os governantes dos Estados Unidos falharam redondamente em todos os quesitos. E o pior é que isso nem nos surpreende mais.

    * * *

    Enfim, para constar: que vergonha, o Saddam, tão despreendido em relação às vidas dos demais iraquianos, se deixando capturar vivo. Mais uma vez se comprova como a crueldade anda de mãos dadas com a covardia.

    * * *

    Atenção: vocês só tem mais dez dias para assistir a “O que diz Molero”, no Teatro Casa Grande! O espetáculo é longo, sim, mas é fenomenal. Imperdível.


    (O Globo, Segundo Caderno, 18.12.2003)

    17.12.03





    Gente, pelamordedeus, depois não se queixem de que não foram avisados com antecedência, olhaí:

    Vai rolar o Primeiro Encontro de Natal dos Fotologgers Cariocas. Promete ser ÓTIMO!

    É no próximo sábado, dia 20, a partir das 18h, no Quiosque Um. Na Lagoa, é claro, pertinho do Heliporto.

    Qualquer dúvida, é só deixar um comentário no fotolog da Angélica, Organizadora Mór de Encontros e Festejos.

    Ah, sim: na foto, do ano passado, o Mosca me ajuda com a decoração da árvore. Não foi uma boa experiência.

    Este ano, não teremos árvore.



    Plantão Capivara

    Mais um flagra! Esse, feito por uma turma simpática que ia voltando o Piraquê, e em que ia o Blu.

    A capivara da foto é a fêmea, que mora perto do Vasco.

    Aliás, aproveito para fazer aqui um pedido: se alguém tiver uma capivara sobrando em casa, por favor leve-a para a Lagoa! Se for fêmea, solte em frente ao Corte de Cantagalo; se for macho, na altura do deck de remo do Vasco.

    Essas coitadinhas da Lagoa estão sozinhas demais!

    16.12.03



    Blogger.com.br

    Os usuários do Blogger.com.br receberam um email da Globo.com a respeito de mudanças no serviço. Muitos têm escrito para mim, outros manifestaram preocupação aqui mesmo, nos comentários.

    Bom. Eu conversei com eles ontem, e a questão é muito simples.

    Quem já tem blog hospedado no Blogger.com.br não precisa se preocupar. Eles não vão cobrar nada de ninguém dentro de um limite muito razoável de uso: este internETC., por exemplo, que é bem heavy como tráfego e como armazenagem, caberia folgadamente nesses limites.

    Novos blogs em Blogger.com.br, só para assinantes da Globo.com.

    Por que isso? Aparentemente, porque, com o fechamento do Kit.Net grátis e de tantos outros sites de hospedagem gratuita, os pornôs que moravam por lá se transferiram em massa para o Blogger.com.br -- onde não há estrutura para se conferir cada novo blog criado, e muito menos grana para sustentar banda e hospedagem de site pornô.

    Restringindo o acesso a coisa fica mais fácil para a administração, e mais difícil para os pornógrafos. De cara, o pessoal XXX vai ter que procurar outras paragens. E, agora, a Globo.com vai em cima dos sites que têm milhares de acessos por dia, ocupam quaquilhões de Gigabytes, etc.

    Pelo que me disseram, podem ficar tranqüilos: é apenas uma medida de saneamento do sistema.

    Outra novidade é que estão trabalhando numa versão muito poderosa do Blogger.com.br. O novo sistema, que deve ser lançado dentro de três ou quatro meses, vai ser uma ferramenta de publicação completa, com recursos de fotolog e, vejam só, videolog.

    As conversas com a turma do Fotolog, mesmo, não deram em nada. Há uma incompatibilidade técnica entre o Fotolog e o sistema da Globo.com, que preferiu partir para o tal super blogger que vem aí.

    Nisso, sinceramente, fiquei com pena. O Fotolog não é a maravilha que é só por causa da ferramenta, mas também, e sobretudo, pela sua universalidade. Ainda que 70% dos usuários sejam brasileiros, há estrangeiros de sobra para que a gente se surpreenda com um gatinho no Japão, cristais de gelo na Suécia, crianças em Angola.

    Por outro lado, se a gente navegar um pouco pelos fotologs desses tais 70% de usuários brasileiros, vai ver que a maioria só quer mesmo postar fotos e mais fotos de si mesmos, para que os amigos possam escrever "huahauhauhauha" indefinidamente...

    Enfim. Estou curiosa com o que vem por aí.

    (Enquanto isso, na cadeira ao meu lado, a Tati dorme o sono dos justos... e ronca! Muito engraçado gato roncando...)




    Já foi pior. Foi?

    Meu pai achou este anúncio tão engraçado que guardou durante anos. Eu pus numa moldurinha. Fica no escritório, ao lado da minha mesa.

    15.12.03





    Matusca, quem mais? Só ele pra melhorar o humor da gente...

    Valeu, múmia querida!



    Perdoai-os, Pai... que eu não consigo!

    É muito bom que o Saddam esteja finalmente preso e coisa e tal, mas... será que os americanos não vão aprender NUNCA?!

    Será que não percebem que humilhá-lo publicamente é afrontar os sentimentos de meio mundo árabe -- e de meio mundo ocidental, de quebra?! Por mais terrível que tenha sido seu poder, por mais mortes e miséria que tenha causado, Saddam é um prisioneiro de guerra. Prisioneiros de guerra devem (deveriam) ser tratados com dignidade; ou quem os capturou e pretende julgar a eles se iguala na barbárie.

    Já não bastavam as fotos dos filhos mortos expostas em todos os jornais do mundo?!

    Será que os americanos ainda não aprenderam que não se chuta cachorro morto?!

    Não, é óbvio que não aprenderam.

    Até porque, para eles, cachorro bom é cachorro morto.

    Os americanos que estão no poder -- que me perdoem aqueles americanos que, eu sei, estão tão revoltados contra isso quanto eu -- perderam de vez qualquer sentimento de humanidade.

    Passei o fim-de-semana abalada com uma das notícias mais chocantes que já li. Foi um "presente" do Juan Carlos, que a descobriu no Orlando Sentinel e a traduziu no seu blog:
    "Para os soldados americanos no Iraque, é contra o regulamento ter animais de estimação, mas o magro filhote preto que achou os soldados da Guarda Nacional da Flórida numa base ao norte do Iraque recusava-se a ir embora.

    Então, os soldados da Companhia Alfa do 2º Batalhão do 124º Regimento de Infantaria adotaram a cadela e chamaram-na de Apache, em referência à identificação da Companhia no rádio.

    Mas o regulamento do Exército finalmente alcançou a Companhia Alfa e Apache.

    Membros de famílias dos soldados disseram quarta-feira (10/12) que os soldados foram forçados a obedecer ordens e matar a cadela."
    Quem é o monstro maior: quem dá uma ordem dessas ou quem obedece?! Como é que alguém pode matar um animal inocente, que caiu no enorme, estúpido erro de gostar de humanos, por causa de um regulamento?!

    Enquanto isso, o cão cenográfico cuti-cuti da gang Bush faz gracinhas nos jardins da Casa Branca diante da imprensa, para garantir a sua continuidade no poder.

    Eu não sei mais o que pensar da atual mentalidade americana.








    Flagrei essa ceninha legal no almoço de fim-de-ano da Vivo. O camarada que está falando é Francisco Padinha, CEO da empresa: gente fina.

    Ver e fotografar

    Cara Cora,

    o mundo não é o que se fotografa. A percepção subjetiva de duas capivaras não depende de fotografá-las ou não. A observação é que faz com que você trabalhe seu cerébro. A superutilização dos gadgets faz com que fiquemos como a maioria dos japoneses, que viajam o mundo todo e não vêem nada, só fotografam. Vão ao Louvre, em Paris, param 10 segundos em frente à Monalisa e tiram cinquenta fotos. Na verdade eles não viram a Monalisa. Eles não repararam em nada na Monalisa, apenas fotografaram. Eles viajam a Paris, tiram 500 fotos, mas não conhecem Paris. Eles só vão conhecer Paris, quando estiverem no Japão, e forem ver as fotos. Então, eles passaram a conhecer Paris, mas apenas através de fotos, como a maioria das pessoas.

    Mas o mundo Cora, não cabe em rolos de filme ou em memory cards. Por isso, a superutilização de gadgets é maléfica. Fotografa-se tudo, estamos sempre plugados, mas não percebemos o que é real. Não sentimos os cheiros, não ouvimos os sons ao nosso redor, vemos de tudo, temos todas as imagens, mas não percebemos nada.

    Abraços,

    Paulo Celso Pereira


    Salve, Paulo Celso.

    Não posso te responder em nome dos japoneses, mas no meu, posso garantir que as coisas não são assim tão distintas: ver ou fotografar. Entendo que para quem tem pouca intimidade com a máquina fotográfica, a complicação de ajustá-la se sobrepõe ao gozo do momento; por isso, aliás, não faço foto submarina. Nunca cheguei a dominar bem o equipamento, e preferi continuar curtindo os peixes e corais sem estresse.

    Mas aqui em cima d'água, a máquina é uma segunda natureza para mim. Ela não está agindo em lugar do meu olho ou dos meus sentidos; está apenas anotando o que eu vi. Fotografar bem uma capivara, como, de resto, qualquer coisa, envolve um mínimo de convívio com o animal. Pode ser que haja gente com "quilometragem" de capivara igual à minha, mas maior vai ser difícil. Sei os horários das bichinhas e de onde vêm quando aparecem, conheço as suas manhas, fui possivelmente a primeira pessoa a fotografar as duas. Conheço a sua voz e o seu cheiro (que não é dos melhores), sei até quando estão de bom ou mau humor.

    Não subestime todos os fotógrafos (ou todos os usuários de gadgets eletrônicos) -- que tendem a ser pessoas muito curiosas e interessadas pelo mundo.

    Um grande abraço,

    Cora

    Estava trabalhando na minha correspondência, acabei de escrever essa carta e fiquei pensando por que ainda existe
    este preconceito em relação às máquinas, por que ainda existe essa noção de que ou se vêem as coisas ou se fotografa. Para mim, é tão óbvio que fotografar aguça a percepção do mundo!

    Na quinta passada, escrevi meio de brincadeira a respeito da reação dos gregos à escrita em detrimento da memória. Agora me pergunto se a reação do Paulo Celso -- comum à maioria das pessoas que não fotografam -- não tem um pouco a ver com isso, ou não é uma versão revisitada da velha cisma.

    Num exercício de retórica, poderia haver algo a ser dito em favor da memória sobre a escrita ainda hoje. Se soubéssemos apenas o que conseguimos decorar, se ficássemos restritos ao âmbito das nossas mentes, estaríamos, como estamos, afogados no tal information overload?

    Sei lá.

    Só tou pensando em voz alta.

    12.12.03





    Nada a ver com o "Espírito Natalino", mas que é engraçado é, né?

    Achei no blog da Bia Badaud dia desses, depois perdi aqui na confusão de JPEGs; hoje, procurando umas figurinhas, dei com ele novamente...


    Coração de estudante

    "Qual é a importância do Vale do Paraíba?"

    "O Vale do Paraíba é de suma importância, pois não podemos discriminar esses importantes cidadãos, já que existem o vale-transporte, o vale-idoso, porque não existir também o vale-do-paraíba??!!!"







    Flog in Rio ou
    Encontro de fotologueiros cariocas


    As fotos estão, naturalmente, no Fotolog; sugiro um passeio pelos flogs de quem foi (lista completa lá também).

    Há muitos flagras engraçados!


    Gracinha.com

    Taí: garanto que a Lúcia Guimarães nunca recebeu um cartão tão simpático quanto este, em que o Guilherme deseja Boas Festas para mim... e para a turma do blog!

    Muito obrigada, Guilherme! Beijos para você. Está todo mundo na torcida pela recuperação da Maria, viu?

    11.12.03



    Ego.com

    A Angela Fatorelli, do Bloggete, mandou muito bem:
    A jornalista Lúcia Guimarães, uma das apresentadoras do “Manhattan Conection”, dispara, no próximo número da revista “Argumento”, sua pena sofisticada contra a mania de todo mundo ter um blog e nele expor sua intimidade e a dos amigos. “O blog é o novo trenzinho elétrico do ego”, metralha.

    Essa nota está no Globo de hoje.

    Eu gostaria de comentar que sim, claro, prezada Lúcia Guimarães, o blog é um trenzinho do Ego. A senhora -- ou senhorita? -- não tem ego? Ah, eu tenho. Tenho mesmo. Mas não sou apresentadora de nenhum programa na televisão e nem tenho amigos que publicam toda e qualquer coisa que eu escrevo em revistas e jornais de nome besta.

    Eu tenho que usar uma ferramenta gratuita de publicação para comunicar aos outros minhas opiniões sobre o mundo, sobre as pessoas, e quiçá sobre as exposições de ego alheias, sacou, dona Lúcia?

    ::Ângela F. desconhecida na imprensa, mas feliz da vida com seu mondo blog::



    As invenções bárbaras

    Acontece: às vezes um filme acaba dominando completamente o panorama, como se fosse uma espécie de tema obrigatório da temporada. Já aconteceu com “Beleza americana” e com “Tiros em Columbine”, por exemplo, com “Cidade de Deus” e até com “Amélie Poulain”; agora, está acontecendo com “As invasões bárbaras” — que, apesar de estar em cartaz há mais de um mês, continua dando pano para as mangas. Gostei do filme, como todo mundo, mas, ao contrário da maioria (como é que eu sei?), não achei que está com essa bola toda. Para mim, o bonequinho estaria aplaudindo apenas sentado, vagamente perplexo com a comoção à sua volta.

    Os atores são excepcionais, a direção é excelente, o roteiro é ótimo — mas a questão central do filme, ainda que bem conduzida, é muito antiga para quem discute o assunto desde o século passado (o Vinte), quando o manifesto do Unabomber causou tanta celeuma.

    Rémy, o intelectual, reencontra Sébastien, o filho yuppie que, mergulhado em tecnologia e dinheiro, ama tudo o que o pai detesta e sabe, direitinho, como é que a banda toca. A relação entre os dois se refaz aos poucos, lindamente, em meio a um confronto contínuo entre idealismo vencido e pragmatismo vencedor. Os gadgets de Sébastien e a sua noção de que o mundo cabe inteiro na tela de um notebook ou de um celular são os vilões do filme — embora garantam a Rémy um fim de vida compatível com os seus ideais românticos. Money talks mais alto.

    Para muita gente, meu querido Arnaldo Bloch inclusive, o ponto alto do filme, ou pelo menos um de seus momentos emblemáticos, acontece quando Nathalie, uma junkie do bem, atira o celular de Sébastien ao fogo. Para essa galera de late bixos grilos , é um instante de libertação: “Chega, nerds ! Vivam a vida! Olhem a natureza! Conversem com as plantas e com as pessoas que estão ao seu lado!”

    Ora, simbolismo por simbolismo, para mim a cena representa uma metáfora da inquisição, queimando na fogueira da ignorância aquilo que não compreende. Assim, o Nokia em chamas passa a ser um pequeno Jan Hus de plástico e silício, ardendo em sacrifício pelo conhecimento e pelo progresso — com tudo o que a palavra carrega hoje de pejorativo. Só não exclama “ Sancta simplicitas !” porque o latim saiu de moda e porque, afinal, os telefones celulares são humildes e se abstêm de fazer juízo sobre as pessoas. Mas não é de todo impossível que o último pensamento a cruzar seu chip tenha sido “Holy shit!”, o similar inculto da língua franca do nosso tempo.

    * * *

    Digo tudo isso mas, na verdade, não estaria aqui falando do filme (que, a meu ver, já foi discutido à exaustão: próximo assunto, por favor) se o Arnaldo não tivesse tocado no tema e trazido à tona, na sua crônica de sábado passado, velha discussão recorrente entre nós. Ele acha que devemos restringir o consumo da tecnologia a um mínimo, ao passo que eu acho que devemos explorá-lo ao máximo.

    Não há nem como, nem por quê, reverter o tempo e voltar a um mundo que já não existe. Nosso cordão umbilical está irremediavelmente ligado a saídas USB e fontes de energia.

    Quando digo que não sou ninguém sem as minhas máquinas, isso não significa que a minha identidade está nelas, mas sim que elas expandem a minha mente e as minhas ações para muito além do que pode ir a frágil estrutura de carne e osso que usamos para carregar nossos cérebros de um lado para outro.

    * * *

    Pergunto: para que limitarmos as nossas fronteiras? Como se isso fosse possível! As máquinas não nos afastam das pessoas ou da natureza, pelo contrário; elas ampliam a nossa compreensão do mundo e estendem o nosso afeto, mostrando aos amigos quem somos, onde estamos, o que vemos e o que sentimos.

    Cada ponto numa rede, cada website, cada blog ou fotolog correspondem, sem exceção, a pessoas como nós. Vivinhas, de carne e osso, talvez existindo como matéria em outra latitude mas, como espírito, muitas vezes mais próximas do que os nossos vizinhos de porta.

    Reconheço que lidar com essa abstração nem sempre é fácil para quem ainda vê as máquinas como um fim em si mesmas. É normal, isso. Sempre que a Humanidade muda de paradigma, há quem lamente o que se perdeu: já na Grécia antiga houve quem se revoltasse contra a escrita, aquela função vulgar de escravos que pôs a perder o belo hábito milenar de se trazer todas as histórias na memória.

    * * *



    Ainda outro dia discuti isso mais uma vez com o meu amigo, ao nos encontrarmos em plena Lagoa. Eu ia andando devagarinho, observando cada detalhe e fotografando aqui e ali; ele ia velozmente, pedalando a sua bike .

    — Deixa essa máquina para lá — admoestou. — Você está vendo o mundo através de uma lente!

    Taí: se estou, não tenho reclamações. Ando bem contente com essa lente, que já me mostrou lesmas, peixes variados, biguás, garças e socós — sem falar em duas lindas capivaras.

    Um dia, quando estiver a pé, ele ainda vê uma delas.


    (O Globo, Segundo Caderno, 10.12.2003)



    Brasil!

    Acabo de ver o video da música que venceu a Califórnia da Canção Nativa, no Rio Grande do Sul, um baita festival regional. Chama-se "Laçador de Barro", é da autoria de João e Borges e o video é da Santo Expedito Produções Possíveis, dos meus amigos Fábio e Jaq.

    Pode ter coisa mais brasileirinha, mais gostosa do que tudo isso?

    Eu amo este país! :-)

    Para ver e ouvir a música clique aqui e, ao pedido da senha, digite 7F9F67D3.




    Enquanto isso, no site Dirce, ao qual cedi minhas fotos...

    "Gerard Depardieu, sorria: você está sendo fotografado!"

    Huahauahuahauhauhauha!!!

    Alguém comentou lá no fotolog, e eu não posso concordar mais enfaticamente: se não tivessem proibido fotografar, eu não teria tido uma fração da diversão!

    10.12.03



    Meetup do Rio

    Hoje é dia de meetup, aquele popular encontro de fotologueiros que se realiza, na segunda quarta-feira do mês, em todas as cidades onde existem fotologueiros.

    O do Rio vai ser no Lord Jim.

    Estou saindo às carreiras, atrasadíssima. Peço por favor ao primeiro fotologueiro que aparecer por aqui e que tenha o endereço e horário que deixe esses "pequenos detalhes" nos comentários...

    É que o Fotolog propriamente dito está fora do ar e, portanto, não estou conseguindo chegar aos amigos que já postaram a informação para pescá-la para cá.

    Valew!

    FUI.

    E vou.


    Celebridade

    Gerard Depardieu está rodando umas cenas no Rio. Topei com a equipe de filmagem por acaso quando desci aqui, voltando de São Paulo.

    Uma moça grossa e pouco inteligente me proibiu de fazer fotos... mesmo à distância!!!

    -- Nem uma fotinha?! Isso é um espaço público! Faço uma foto e pronto.

    -- Não senhora, nem uma.

    Bom, não sei vocês, mas comigo o melhor convite para fazer qualquer coisa é dizer que está proibido. Assim, dei a volta, fui para trás do vidro e... clic, clic, clic.

    Infelizmente eu quase não tinha mais espaço no cartão. Apagava fotos do vôo e clicava o Depardieu quando ele aparecia.

    A certa altura ele percebeu que eu estava fotografando e fez um gesto obsceno para mim. O diretor começou a gesticular também e a tal moça foi chamada novamente.

    Antes que ela conseguisse dar a volta para me pegar, saí de fininho, peguei um taxi e mandei tocar pro Globo.

    É lógico que uma das fotos está na edição de hoje, na página 2... :-D


    Ninguém merece!

    É assim: você fica escrevendo coluna até às seis da manhã; vai dormir, aos trancos e barrancos, às 6h30; acorda às 9h30 para ir para São Paulo trabalhar; encara uma Ponte Aérea turbulenta e atrasada; vê o Depardieu filmando no Santos Dumont e se desentende com uma moça desagradabilíssima que proíbe fazer fotos; corre para o jornal; termina a coluna, resolve uns pepinos e abre a mailbox.

    Aí encontra um cretino desses.

    OK. Eu sei que não se amplia a voz dos imbecis. Mas, putz, tem hora que cansa, viu?!

    Como eu acabei de dizer lá no Fotolog também: ARGH!!!!!
    "Também sou jornalista e tenho uma produtora de vídeo. Li sua matéria dia 8/12/2003 sobre a câmera Kodak DX6490. Vi as duas fotos da inauguração da árvore da Bradesco que, segundo você foram tiradas da janela do quinto andar do seu apartamento na Lagoa.

    Muito estranho. Eu estava lá, no palco, gravando o coro das Meninas Cantoras de Petrópolis. Me desculpe, consultei outros fotógrafos e diretores de arte amigos e todos foram unânimes emafirmar o que vi na hora que olhei suas fotos: a foto menor - que seria o super zoom da Kodak, está num angulo que só poderia ser tomado ao nível do palco, e nunca do quinto andar! eu mesmo fiz tomadas que estão quase no mesmo plano.

    Repare que a foto maior revela o teto dos automóveis, da barraca... No mínimo, o coral apareceria no mesmo ângulo, a menos que, além de um zoom muito poderoso, a Kodak também venha equipada com uma grua... E ainda assim, infelizmente, as árvores ficariam na sua frente!

    Muito estranho...Se foi uma ilusão de ótica, seria legal você explicar. Tenho certeza que qualquer um que fotografe regularmente vai estranhar também.

    Grande abraço,

    Heber Lobato Jr."

    8.12.03





    Tutu, mandando uma mariposa covarde tomar vergonha na cara e descer lá de cima para enfrentá-la feito gente.




    DX6490: show de câmera!

    Até eu levei um susto: segundo o contador da máquina, em pouco mais de um mês fiz 3.743 fotos com a Kodak DX6490 (mais da metade, provavelmente, dos meus gatos...). A explicação é simples: ela é uma das melhores câmeras digitais que usei, e quando a experiência é tão compensadora, a gente tende a repeti-la. Dois detalhes combinados a tornam única — o sistema Easy Share, do qual falei no outro dia, e que realmente muda a relação da gente com as câmeras (e a delas com os computadores) e o fenomenal zoom óptico 10x, cuja performance vocês podem avaliar pelas fotos.

    As da festa da árvore foram feitas da minha janela, no quinto andar; as da praia, do 37 andar do Méridien. Ainda por cima, através de janelas escuras! (Para ver mais exemplos de fotos, e toda a seqüência do zoom, vá ao meu fotolog, em www.fotolog.net/cronai). Nos dois casos, além de toda a extensão óptica do zoom, usei também o zoom digital 3x, de que em geral não gosto, mas que aqui funcionou bastante bem.

    O segredo do espantoso zoom da Kodak DX6490 pode ser resumido em três nomes: Schneider-Kreuznach Variogon. Poucas câmeras podem se gabar de ter lentes com tal pedigree — inclusive, poucas câmeras até da Kodak, que as reserva para o seu topo de linha. É lógico que, com um zoom desses, ela não é uma câmera de bolso — mas, ainda assim, é pequena e leve o suficiente para caber na bolsa sem incomodar. Além de tudo, é um objeto muito bonito, com um design sóbrio e enxuto.

    Mas há outras coisas de que gostei muito nela, além do design e do zoom poderoso. A bateria, por exemplo, que segura as pontas com extrema galhardia; o LCD, que é grande, claro e tem ótima resolução; o visor eletrônico, que em casos de muita ou pouca luz, de fato funciona; os botões dos comandos mais usados ao alcance dos dedos.

    Como todas as Kodak, a DX6490 é facílima de usar, quer a gente trabalhe em modo automático, quer deseje ter maior controle sobre as funções; ao contrário das irmãs, porém, ela oferece uma alternativa menos “mastigadinha” do software, o que achei uma felicidade, e algo a ser incorporado às demais câmeras de primeira linha da “família”.

    A qualidade da imagem, que vai a 4 MP, é ótima em todas as circunstâncias, inclusive à noite, e até com flash. Ela usa cartões MMC ou SD, e custa R$ 2.997. Há muitas outras coisas interessantes a respeito dessa grande máquina; recomendo uma visita ao seu site, em wwwbr.kodak.com.


    (O Globo, Info etc., 8.12.2003)

    6.12.03





    Fiz esta panorâmica de Copacabana do alto do Hotel Méridien, no Leme.


    =^..^=

    TESTE!

    Você sabe distinguir um gato de uma gata?

    Estou falando em quadrúpedes, naturalmente... (a minha pontuação foi 11/16).

    Valeu, Rinatinha, muito obrigada... :-)))




    Keaton, pensando no sentido da vida...


    Haja pixel!

    Um amigo me mandou, há alguns dias, o link para uma foto extraordinária, que só tive sossego para ver agora: uma imagem do Bryce Canyon montada a partir da colagem de 196 fotos de 6 Megapixels cada.

    São 40,784 x 26,800 pixels no total, ou seja, cerca de 1.09 bilhão de pixels.

    É muito pixel!

    Mais uma façanha de Max Lyons, que vem se dedicando a fazer imagens digitais cada vez maores e mais detalhadas. Para quem gosta de foto digital e lê inglês, passear por lá oferece bem mais do que lindas figurinhas.