31.8.04


O dente unido jamais ser� vencido...

Acabo de ver no Toplinks: h�, nos Estados Unidos, um movimento de Usu�rios de Bluetooth Contra Bush.

Adorei a id�ia!





30.8.04


Ufa.

S� para ficar registrado: hoje eu dei uma volta de bicicleta na Lagoa e fiz uma aula de spinning. Ah, e quase vi a capivasca! Quando passei por l� ela estava dando adeus e indo embora...






Injusti�a

As Olimp�adas podiam ter ido dormir sem a inacredit�vel falha de seguran�a que permitiu o ataque ao maratonista brasileiro. N�o entendo nada de maratona, mas acho uma tremenda injusti�a que o Wanderlei Lima tenha ficado com o bronze.

Ou se cancelava o raio da prova ou se descontavam os segundos perdidos (o que ainda seria pouco; imaginem o estrago causado pelo susto) ou qualquer outra coisa, mas essa solu��o de dar uma medalha especial ao nosso her�i � simplesmente rid�cula.

No m�nimo ele devia ter recebido uma medalha de ouro junto com o "vencedor".







29.8.04


Texto de Tom Taborda, especial para o blog



(Des)amor aos animais


Tom Taborda
(Especial para o internETC.)


Sim, sabemos que o amor aos animais, sobretudo aos bichinhos de estima��o, faz um enorme bem � sa�de f�sica e psicol�gica dos seus donos. Sim, sabemos que demonstrar amor pelos demais seres vivos � prova e pr�tica de melhor estado de esp�rito e de uma alma mais elevada, capaz de amar.

No entanto, preparem-se: afirmo que a maioria -? repito -- a maioria dos que possuem animais de estima��o amam na verdade a proje��o de si pr�prios nos bichinhos. N�o amam os animais pelo que s�o e suas necessidades, mas pelo que projetam neles.

Nada me deixava mais desconcertado, quando levava meus gatos aos veterin�rios, que perceber o indisfar�ado e tateante empenho do profissional em tentar adivinhar quais as minhas car�ncias e expectativas. Ou seja, o que me satisfaria no tratamento. Muitas vezes, tive que deixar bem claro que fizesse seja l� o que fosse necess�rio para tratar o animal. Nem que receitasse, por exemplo, uma dieta de baratas, por mais revoltante que me parecesse: n�o era para mim, mas para meu gato.

Pense bem: a maioria dos produtos das pet shops � desenhada justamente para suprir as necessidades e prioridades dos donos dos animais e n�o destes. Assim, temos snacks sabor artificial bacon, pois o b�pede que o compra provavelmente saliva ao pensar no toucinho, independente do fato que bacon n�o seria nada saud�vel para um c�o. � quase como se os b�pedes pensassem, dissessem e agissem: ?amo voc�, meu gatinho, contanto que n�o seja um gato, mas o qu� eu quero que seja?. E tasca um vestidinho, real ou simulado, em cima.

Se ra��o para gatos fosse realmente para gatos, ter�amos nos sabores ?camundongo?, ?barata? ou ?pombo?. Todos os bons manuais de donos de gatos descrevem o correto procedimento quando um gato nos trouxer um rato ou inseto morto: aceite com defer�ncia e jogue fora depois, disfar�adamente. Nunca demonstre nojo ou, muito menos, brigue com o animal. Afinal de contas, ele � um felino, com todos os seus instintos. No entanto, no min�sculo universo de amantes de gatos que freq�entam o blog da Cora, a maioria posicionou-se revoltada com tais ?presentinhos?. N�o amam um gato sendo... gato.

Amar de verdade os animais, a rigor, seria amar pelo que s�o, cuidando das necessidades e prioridades deles. Mas na pr�tica, como eu disse, a maioria dos donos de animais projeta neles suas necessidades e prioridades. Suas car�ncias.

Pensando bem, esta � uma (m�) caracter�stica generalizada do ser humano: pouqu�ssimos pais, m�es, parentes, irm�os, amigos e colegas sabem apreciar e valorizar aquilo que � ?felicidade? para o outro. Poucos amigos e amigas sabem compartilhar a felicidade quando o outro est� amando, por exemplo, ou contente com uma mudan�a de cidade.

A grande maioria pensa em si mesmo, ou projeta -- ou imp�e (dependendo da hierarquia) -- aquilo que acredita ser o melhor para o outro. N�o amamos o outro ou o animal pelo que �, mas pelo que gostar�amos que fosse. Amar de verdade, no entanto, seria intuir e desfrutar o bem-estar do outro.

Os pobres animais de estima��o apenas melhor se encaixam, sem revoltas ou bate-boca, no papel de alvo-de-proje��o das car�ncias dos seus b�pedes. Coisa que filhos ou amigos nem sempre aceitam passivamente. No final das contas, n�o deixa de ser comovente o grau de abnega��o e sacrif�cio dos bichinhos em nosso benef�cio: muitas vezes sacrificam sua pr�pria animalidade (para n�o dizer sa�de), s� para que tenhamos a ilus�o de saber amar, e durmamos tranq�ilos, psicologicamente auto-reconfortados.





28.8.04


Pobre JB!



JB agonizante

Ontem foi um dia horr�vel para os jornalistas, sobretudo os jornalistas cariocas. O JB, que j� estava pra l� de capenga, demitiu 64 pessoas. A Editoria de Economia foi simplesmente varrida do mapa; a id�ia de Nelson Tanure, dono do JB e da Gazeta Mercantil, � que o material produzido pela Gazeta passe a ser utilizado no JB -- como se n�o houvesse uma diferen�a abissal entre os dois jornais. A Editoria de Esportes ser� detonada assim que terminarem as Olimp�adas.

Dora Kramer, a meu ver a maior estrela do JB, tamb�m est� saindo do jornal, onde fica at� o fim do m�s. Ela n�o foi v�tima do passaralho, mas acha que o JB de hoje tem muito pouco a ver com o de 1984, quando foi trabalhar l�. Indeed.

Ainda volto a este assunto, que me deixou muito abatida. Pelos colegas demitidos, � l�gico, pelo triste fim que est� tendo o jornal que eu tanto amei mas, sobretudo, pela situa��o cada vez mais cr�tica do nosso mercado de trabalho.






Humanos, todos...



B�pedes imperfeitos

Um grupo de mulheres indignadas criou um blog para denunciar canalhas de plant�o nos sites de relacionamento. � uma esp�cie de Procon sentimental, que parte de uma boa id�ia. Na pr�tica, por�m, a teoria tem suas complica��es, a primeira delas sendo, claro, a mais �bvia: como distinguir alertas importantes de den�ncias geradas por rejei��es perfeitamente normais?

As autoras do blog me mandaram um email l� pro jornal assim que puseram o site no ar; hoje voltei l� para ver como est� evoluindo a coisa. Alguns homens atacados entraram reclamando, algumas mulheres entraram defendendo alguns dos homens atacados, alguns nicks sa�ram da lista negra.

Parece que, bem ou mal, o povo est� se entendendo por l�. Entre mortos e feridos salvam-se quase todos -- menos a l�ngua portuguesa, massacrada de alto a baixo, sem d� nem piedade.

� impressionante como se escreve mal neste pa�s -- mas isso, claro, s�o outros 500.

De todos os barracos e perrengues, o que achei mais engra�ado foi o post de um camarada que veio agradecer os resultados milagrosos de uma queixa contra ele. Fui atr�s da queixa:
Venho denunciar a pessoa que se intitula ****. Insinuante, educado, gentil, cheiroso, invariavelmente nos leva ao piano bar do Rio�s no Aterro ou no Alcaparra na Praia do Flamengo... n�o mede despesas... Consegue nos levar ao apartamento dele em Copacabana, onde nos sentimos mais seguras ainda, pois fica provado que � livre, desimpedido e com razoaveis recursos.

No sexo � maravilhoso, � carinhoso, nos satisfaz plenamente, n�o sei se ingere algum rem�dio ou subst�ncia, no meu caso teve uma 2� vez...

Mas a� vem a decep��o! Ele some! N�o atende telefonemas! Quando � pego ao telefone d� desculpas! Isso faz nossa auto estima descer at� o ch�o!

Antes fosse grosseiro... mas nunca o �... Na realidade achamos que encontramos o homem ideal, mas estamos diante de um farsante! Um homem que nos leva a ter vergonha de sermos mulheres!

Me senti como um peda�o de carne que estava pendurada num a�ougue!

Cuidado! Creio ser o mais perigoso do homens de meia idade!

Saiam fora!

Estou rindo at� agora. Se isso n�o foi ele mesmo quem escreveu, o mundo est� muito esquisito...






26.8.04


Coment�rios

H� algo errado com os coment�rios, que est�o fora do ar. O Blogger oferece uma op��o de coment�rios "nativa" que acabo de habilitar como quebra-galho; vamos ver se funciona...

Por outro lado, os anunciozinhos do Google parecem ter tomado ju�zo: pela primeira vez em semanas estou vendo algo al�m dos gen�ricos Google. Mandei email para eles h� algum tempo reclamando, e me disseram que era assim mesmo, mas que estava esquisito estava.

Update: o sistema de coment�rios precar�ssimo do Blogger est� no ar. Funciona assim: voc� clica a� embaixo, ele abre o template do blog inteiro novamente (!) mas mostrando apenas o post que se deseja comentar. Para voltar pra c�, � s� fechar o semi-blog aberto.

N�o acredito que o sistema seja t�o ruim!

Deve ter algo que n�o entendi, um macete qualquer que me escapou, mas agora estou com pressa e n�o posso estudar isso direito. H� algum usu�rio que j� passou por isso na casa?

Update: como todo mundo j� percebeu, os coment�rios est�o de volta. Grande F�bio! Muito obrigada! Sem voc�, este blog n�o seria o mesmo.








Eu preferia estar lendo:
agruras de uma vida nova


Tudo come�ou quando eu estava de f�rias em Riccione, acompanhando o Campeonato Mundial de Masters de Nata��o. Humilhada pela disposi��o e pela resist�ncia da Mam�e e das suas amigas, um grupo de imbat�veis sereias vintage, decidi que n�o podia continuar com a minha vida de nerd, perpetuamente colada ao computador. At� porque, em Riccione, o hotel n�o tinha computador. Em compensa��o, tinha bicicletas, que os h�spedes podiam usar � vontade. De modo que l� fiquei pedalando, enquanto as sereias se encarregavam de conquistar medalhas para o Brasil.

Dez dias depois, quando segui para Veneza, estava com tal preparo f�sico que nem reclamei quando soube que meu quarto ficava no terceiro andar. N�o posso dizer que subir e descer escadas tenha virado segunda natureza para mim, mas, no fim da temporada, eu j� conseguia chegar ao quarto sem que a trilha sonora de "Carruagens de fogo" me viesse automaticamente � lembran�a.

Diante de t�o not�vel progresso, resolvi manter o ritmo na volta para casa. Tirei a bicicleta da garagem e me matriculei numa academia, disposta a encontrar algum exerc�cio que combinasse comigo. As amigas que freq�entam a academia vieram em meu aux�lio:

-- H� uma aula de alongamento �tima que voc� faz praticamente deitada no ch�o!

Parecia perfeito -- mas s� parecia. Descobri m�sculos que eu nem sabia que existiam, e logo cheguei � conclus�o de que a vida era bem mais suport�vel na ignor�ncia anterior.

-- Por que voc� n�o faz Pilates? A aula � �tima e f�cil, h� senhoras de 80 anos que fazem Pilates direto, todos os dias.

Fui � aula e constatei que era verdade, que h� mesmo; mas, depois do campeonato em Riccione, eu devia ter apreendido que certas senhoras de 80 anos s�o capazes de coisas que nem duas de 40 fazem.

-- Tenta y�ga : o professor das quartas e sextas � tudo de bom...

Y�ga?! Como assim, y�ga?! Sou do tempo da y�ga com acento agudo, e n�o consigo me imaginar fazendo y�ga com circunflexo. Mas o fato � que as possibilidades de encontrar um exerc�cio compat�vel com meu estado de esp�rito diminu�am rapidamente. Antes que algu�m me recomendasse golf sem e, perguntei � Bia o que ela sugeria.

-- Que pergunta, m�e! Spinning, � claro.

Para quem n�o sabe o que � spinning, explico: � uma aula coletiva de bicicleta ergom�trica, em que v�rias pessoas pedalam simult�nea e freneticamente. Elas obedecem �s instru��es do professor que, l� na frente, alterna ordens desumanas com palavras de est�mulo, na esperan�a de ser ouvido acima do volume ensurdecedor do som bate-estaca.

Pensem numa daquelas gal�s de desenho animado ou de filme hist�rico, com um capataz estalando o chicote nas costas dos remadores ao ritmo dos tambores de selvagens ex�ticos, e voc�s ter�o uma id�ia bastante aproximada do que � o spinning.

Nem preciso contar as conseq��ncias funestas da primeira aula; mas uma colega me empurrou at� a segunda, um dos professores me arrastou at� a terceira e, � quarta, fui de livre e espont�nea vontade. Hoje, dez aulas depois, posso afirmar, com absoluto conhecimento de causa: spinning � um horror! As amigas da academia tentam me estimular e garantem que logo me acostumo.

-- Voc� j� n�o est� se sentindo superbem depois de fazer uma aula?

Honestamente? N�o, n�o mesmo. J� n�o fico mais dolorida, mas os �nicos sentimentos que o spinning me desperta -- como, ali�s, qualquer exerc�cio -- s�o um t�dio inenarr�vel e um cansa�o miser�vel. E, v� l�, uma grande paz na consci�ncia, que compensa o resto. Mas que resto!

-- N�o estou conseguindo ajustar este banco, est� todo escorregadio, cheio de �leo.

-- �leo?! Isso n�o � �leo, n�o, � suor.

Aaaaaaaaaaaaaaaaargh.

* * *

Oqu�i, estou sendo injusta. O spinning n�o � t�o tenebroso assim. Os professores s�o simp�ticos e atenciosos e, honra seja feita, se n�o fosse justamente a sensa��o de estar nas gal�s, eu nunca faria exerc�cio t�o puxado. Hoje, a maior dificuldade que encontro no spinning � ir at� a academia -- sob todos os pontos de vista. � que vou de bicicleta.

Andar de bicicleta em Riccione era moleza. Imaginem que ciclovia, na Europa, � uma pista exclusiva para bicicletas! S� bicicletas! Enquanto o Brasil n�o importa este conceito revolucion�rio, vou me virando como posso. � duro, mas tenho feito progressos.

No come�o, achava quase imposs�vel dar uma volta na Lagoa. Ficava perturbad�ssima quando cruzava com b�pedes ou quadr�pedes, e descia da bicicleta sempre que passava por algu�m. N�o mais. Depois de dois meses de dedicado esfor�o, j� sei desviar de cachorro, j� ultrapasso corredores e j� aprendi at� a andar devagar o suficiente para seguir grupos de pessoas passeando de bra�os dados, fam�lias dispersivas e carrinhos de beb� emparelhados.

Sobretudo, aprendi que tocar a sineta na ciclovia n�o pega bem: os pedestres ficam muito contrariados.


(O Globo, Segundo Caderno, 26.8.04)







Repostando: convite

Publiquei na semana passada; � hoje, logo mais...

Acabo de receber uma pilha de convites para distribuir aos amigos. � que a Comiss�o Permanente das Mulheres Advogadas, da OAB/RJ, acha que mere�o ser homenageada como uma das mulheres cariocas que se destacaram ao longo do ano.

Eu me senti muito honrada com a distin��o, � l�gico, mas fico sem gra�a de mandar convites para os amigos; acho que fica parecendo intima��o, tipo "Olhe l�, estou sendo homenageada, n�o me falte!". Por outro lado, n�o quero ser estraga festa e n�o avisar a ningu�m: afinal, o gesto das advogadas � uma prova de simpatia e de carinho.

Ent�o fa�o o convite aqui, geral, para todo mundo. Assim fico tranq�ila por retribuir a aten��o da Comiss�o, ningu�m se sente obrigado a ir e todos ficaremos felizes -- a Comiss�o, eu, os que forem e os que n�o forem.

A cerim�nia, em honra ao Dia Internacional da Mulher, vai ao ar no pr�ximo dia 26 de agosto, �s 17hs, na Av. Marechal C�mara 150, no plen�rio do quarto andar.






25.8.04



Iu-huuuuuuu!!!

Lembram da promo��o do site do azeite espanhol, que prometia livros de receitas para os 200 primeiros internautas a responderem ao quiz?

Pois o meu livro chegou hoje!

� lindo, muito bem editado e impresso, um luxo s�.

Fiquei toda feliz... :-D

Ah, por falar nisso: ontem, quando eu estava brincando com as webcams de Veneza (agora h� um link para uma delas na barra da esquerda, bem embaixo) achei uma cole��o de 130 receitas t�picas do Veneto, com alguns dos meus pratos favoritos, do Fegatto alla Veneziana � Sarde in Saor.

Para quem gosta de cozinhar e fala italiano, � uma �tima fonte de del�cias.





24.8.04


O sentido da Hist�ria

Escrevi este texto como colabora��o para o blog do Noblat; a data � virtual, 24 de agosto de 1954.

Se o impacto dos suic�dios pudesse ser medido pela escala Richter, o gesto do ex- presidente Get�lio Vargas certamente ultrapassaria os 6.8 pontos do terremoto verificado �s 5h51m de hoje em Stillwater, EUA. N�o h� nada na mem�ria recente do Brasil que se compare ao abalo que, neste momento, sacode o pa�s.

Ainda que seja dif�cil avaliar no calor da hora e no epicentro da trag�dia a magnitude da sua repercuss�o, � inquestion�vel que o suic�dio de Get�lio �, desde j�, um dos pontos de maior destaque da Hist�ria do Brasil. Uma hist�ria que -- para nossa poss�vel felicidade -- carece de bons elementos dram�ticos.

A despeito de qualquer opini�o que dele se fa�a, cumpre reconhecer que o ex-presidente teve, como poucos, o sentido dessa Hist�ria. Seu �ltimo gesto reveste-se de tal carga emocional que, daqui para a frente, ser� imposs�vel avaliar com serenidade qualquer aspecto da sua heran�a.

O suic�dio n�o deu fim apenas � sua vida, mas tamb�m � objetividade da mem�ria coletiva. Assim, a not�cia que ouvimos cedo no r�dio e que logo estaremos lendo nos jornais continuar� ecoando ao longo dos anos, repetida -- e reinterpretada -- em centenas de livros, pe�as de teatro, filmes e novelas de r�dio, para sempre gravada no imagin�rio popular.

N�o ser� de admirar se, daqui a 50 anos, os brasileiros ainda estiverem falando deste 24 de agosto de 1954 como se fosse hoje.


Agora, em 24 de agosto de 2004, acho lament�vel, sinceramente, que isso seja assim. Acho pat�tico que se estejam erguendo memoriais para o Vargas, inclusive aqui no Rio -- como se j� n�o houvessem suficientes bustos e monumentos, e ruas, avenidas e pra�as Get�lio Vargas espalhados pelo pa�s.

A �nica coisa que me consola � olhar para a Argentina, e ver que a coisa podia ser bem pior.






Por falar em Fal...

� raio de mulher que escreve bem! Roubei de l�:
PAFT

De vez em quando o passado, que tava quietinho no canto dele, vem at� onde vc est�, d� um tapa na sua cara e sai, antes que vc possa esbo�ar rea��o. Ui.








Maratona hist�rica



Maratona hist�rica

Voc�s v�o achar que eu estou me repetindo, mas... n�o percam o Noblat! O que ele est� fazendo � simplesmente espetacular: 24 horas de blog, relembrando passo a passo os acontecimentos de 24 de agosto de 1954. Um show de criatividade, pesquisa, bom texto e, �a va sans dire, resist�ncia.

At� eu, que sou do ramo (noturno!), estou impressionada com os hor�rios dos posts.

Olhem que fiquei acompanhando a maratona at� �s quatro, fui dormir, acordei, tomei caf�, li o jornal, brinquei com os gatos -- e ele l�, sem deixar a peteca cair.

Sensacional.

A �rea de coment�rios � um espet�culo � parte. H� uma turma de habitu�s que me lembrou o povo da Fal -- um traz cafezinho, o outro conta piada, sabem como � -- que manda muito bem; Palm�rio D�ria, outra coruja jornal�stica, passou horas numa �tima tabelinha, dando interessantes informa��es de bastidores.

O diabo mesmo � aquele sistema do Blig, que j� tirou do ar tudo o que aconteceu antes das 8h45. Melhor seguir o link l� de cima (AQUI, de novo) que vai direto para o arquivo.

Em tempo: eu n�o gosto de Get�lio Vargas.






Blig? Bleargh...

Est� o m�ximo a m�quina do tempo do Noblat, realmente muito interessante! N�o deixem de ir l�.

Mas acabei de perceber uma coisa rid�cula do Blig, que � onde mora aquele �timo blog: o formul�rio da caixa de coment�rios s� permite fazer links para... outros bligs! Pode?!

Acho pat�ticas essas tentativas de segurar usu�rios dentro de portais, sistemas, curraizinhos. Ser� que o povo que cria esses mecanismos n�o percebe que a internet � (ou deveria ser) justamente o contr�rio disso?!





23.8.04


Mais convites do GMail!



Mais convites do GMail!

Nada como a concorr�ncia, n�? Tenho sete convites pro GMail! Aos interessados: nome, sobrenome e email aqui nos coment�rios, t�?






Viagem no tempo



Viagem no tempo

Daqui a 15 horas Get�lio se matar� com um tiro no cora��o
Este � o t�tulo de um post que o Ricardo Noblat publicou no seu sensacional blog -- onde, a partir da meia-noite de hoje, come�a uma fenomenal viagem no tempo. N�o percam! Algo me diz que este vai ser um dos grandes momentos da internetBR.

Aqui est� o post do Noblat, na �ntegra, s� para ati�ar a curiosidade de voc�s:
Vai ser assim a partir da meia-noite: faremos de conta que esta ter�a-feira � a ter�a-feira 24 de agosto de 1954. E que o presidente da Rep�blica se chama Get�lio Vargas. E que ele est� sendo pressionado por generais, almirantes e brigadeiros para renunciar ao cargo. � medida em que os fatos forem se sucedendo, eles aqui ser�o postados mais ou menos na hora em que ocorreram. Get�lio encerrar� uma reuni�o de emerg�ncia com seus ministros em torno das 4 da madrugada. Em seguida ir� dormir. E dali a mais duas ou tr�s horas ser� acordado pelo irm�o. Dar� o tiro no peito por volta das 8h ? voc�s ficar�o sabendo detalhes disso 20 ou 30 minutos depois. E assim por diante.

L� pelas 10h, quando manifesta��es de protesto estar�o sendo registradas por todo o pa�s, come�ar�o a ser postados aos poucos depoimentos e artigos como se tivessem sido escritos logo depois do suic�dio de Vargas. A situa��o econ�mica do pa�s, por exemplo, ser� analisada pelo economista Raul Veloso. O jornalista J�nio de Freitas, ent�o rep�rter do Di�rio Carioca, contar� o que viu ao longo da madrugada de plant�o na porta do Pal�cio do Catete. Millor Fernandes narrar� seu encontro com uma amiga pouco antes de saber que Get�lio se matara. O Diretor de O Estado de S. Paulo, Ruy Mesquita, lembrar� que estava no Rio e que se reconciliara com Carlos Lacerda.

Pedro Simon era um estudante de 17 anos. E como tal refletir� sobre o impacto da morte de Get�lio no Rio Grande do Sul. O ministro Jos� Viegas, da Defesa, revelar� como a morte de Get�lio o livrou da pris�o. Em entrevista ao blog, um menino de 10 anos de nome Cristovam Buarque contar� o que se passou em sua casa no Recife. E muitas outras pessoas, famosas hoje ou n�o, tamb�m falar�o.
Quem quiser poder� ouvir o ent�o deputado Afonso Arinos, da UDN, discursando na C�mara em 13 de agosto de 1954 exigindo a ren�ncia de Get�lio. Foi um discurso que entrou para a Hist�ria. E tamb�m 10 m�sicas e comerciais de r�dio que fizeram sucesso em 1954.

Ent�o, o que � que voc�s ainda est�o fazendo aqui?!

Todo mundo l�!

Update: o Andre Decourt, que sabe tudo a respeito do Rio de Janeiro e tem uma cole��o de fotos da pesada, tamb�m est� postando uma s�rie especial sobre o 24.08.54 no Fotolog.






� beira de um ataque de nervos



� beira de um ataque de nervos

H� tr�s semanas, minha vizinha de porta, que mora sozinha com uma cadelinha linda chamada Carolina, fez as malas, deu tchau e foi se abrigar alhures. Eu, com uma estrutura dom�stica ligeiramente mais complicada, n�o posso fazer a mesma coisa. Infelizmente.

� que, no dia seguinte � partida dela, entrou em cena um time de oper�rios, que est� pondo a casa abaixo. Isto �: h� tr�s semanas eu sou acordada �s oito da manh� (volta e meia tendo ido dormir �s quatro) pelo mavioso som das marretas detonando as paredes.

Hoje a turma chegou ao quarto, de parede colada com o meu. O barulho � insuport�vel; � como se a turma estivesse trabalhando aqui em casa.

N�o h� borrachinha de ouvido que d� jeito.

Estou com uma dor de cabe�a monstruosa e um humor de c�o (opini�o dos gatos).

ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Eu ODEIO obra!!!







Usu�rios x Telemar x F�cil Internet



Usu�rios x Telemar x F�cil Internet



E, mais uma vez, os usu�rios de internet est�o �s turras com a Telemar. O motivo da indigna��o �, desta vez, a rescis�o unilateral do seu contrato com a F�cil Internet, �nico provedor gratuito que constava da grade do Velox. A F�cil alega que a medida � retalia��o contra um processo que move contra a Telemar em Minas Gerais, tentando garantir a manuten��o da gratuidade de provedor ADSL para o usu�rio ? que, na verdade, j� paga pelo servi�o recebido na conta da Velox, e n�o deveria ter a obriga��o de pagar, al�m disso, tamb�m a um provedor. Num comunicado oficial, a Telemar alegou irregularidades no contrato para justificar a rescis�o, e disse que foi imposs�vel negociar com a F�cil Internet ? que, por sua vez, garante jamais ter sido procurada pela Telemar nesse sentido.

* * *

A triangula��o banda larga/provedor/usu�rio � uma das quest�es mais enroladas da tradicionalmente enrolada �rea das telecomunica��es brasileiras. Acontece que as empresas que det�m os meios de transmiss�o de banda larga est�o proibidas, por lei, de oferecer o servi�o diretamente a pessoas f�sicas. Isso � feito pelos provedores de servi�o, cuja �nica tarefa, no caso, � autenticar os usu�rios, ou seja, manter seus cadastros, logins e senhas em ordem.

Este modelo bizarro existe porque, na �poca em que se decidiu como seriam os servi�os de banda larga no pa�s, existiam centenas de pequenos provedores que, supunha-se, seriam varridos do mapa caso se desse carta branca �s gigantes detentoras dos meios de transmiss�o. Criou-se para os provedores, assim, a ingrata fun��o de intermedi�rios.

O tempo passou, a banda larga n�o se alastrou com a velocidade prevista mas, ainda assim, a maioria dos pequenos foi varrida do mapa do mesmo jeito. Muitos comprados pelos grandes provedores, outros simplesmente engolidos por eles ou pelos tempos bicudos. De qualquer forma, sobrou ? como sempre sobra ? para o usu�rio, que hoje tem que pagar pela banda larga e pelo provedor que est� na porta.

O que a F�cil Internet prop�e na a��o contra a Telemar � que o Velox passe a pagar pelos servi�os dos provedores, em lugar dos usu�rios ? j� que, no seu entendimento, os provedores prestam servi�os aos donos da banda larga, e n�o aos usu�rios. Faz sentido. Mal comparando, � como se, para ir a uma casa noturna, voc� ? e n�o o dono do estabelecimento ? tivesse que pagar ao le�o-de-ch�cara, que decide se voc� pode ou n�o entrar. Ou como se, para usar eletricidade em casa, voc� tivesse que pagar, al�m da conta da Light, uma taxa mensal de servi�o para fabricantes de tomadas e interruptores. � claro que a maioria dos provedores oferece, al�m do acesso, uma s�rie de outros servi�os e conte�dos ? mas o usu�rio deveria ter liberdade de decidir se quer ou n�o esses servi�os.

A quest�o d� panos para as mangas. Usu�rios de banda larga de v�rios estados j� entraram na justi�a contra o pagamento a provedores e ganharam a causa. A Associa��o Brasileira de Usu�rios de Acesso R�pido (abusar.org) mant�m um excelente site dedicado aos v�rios abacaxis do setor. Detalhes do caso Telemar x F�cil em barraco.notlong.com.

(O Globo, Info etc., 23.8.2004)






Walla!



Walla!

�, parece que estamos mesmo na era do gigabyte b�sico, novo patamar dos servi�os de webmail: assim como o GMail, o Walla!, que entrou no ar no fim de julho, tamb�m nasceu oferecendo 1Gb de espa�o gr�tis para os usu�rios.

Na �poca, mobilizada pelo seq�estro da Pipoca e contente com o GMail, n�o prestei maior aten��o ao lan�amento. Ontem, por�m, o S�rgio Torres fez um coment�rio t�o positivo a seu respeito que n�o resisti e abri uma conta.

Pois est� me parecendo �timo -- melhor, ali�s, do que o GMail. � mais bonito, mais intuitivo e mais flex�vel, e o filtro anti-spam carrega o lixo (e algumas mensagens boas, diga-se) para uma pasta separada, automaticamente. Bem legal!

O Walla! est� aberto para a geral, � um sistema pronto (ao contr�rio do GMail, ainda em beta) e n�o precisa de convite.

� s� chegar, se registrar e sair usando.








Mandou bem

Coment�rio da Telinha:
ai.

realmente, escrever blog t� virando exerc�cio para budista. n�o se pode escrever uma opini�o sem um ex�rcito contra e outro a favor.

sim, gatos ca�am ratos desde o in�cio dos tempos. sim, � importante cuidar das pessoas desamparadas. sim, � importante cuidar dos animais desamparados. sim, at� ratos t�m direito a uma vida digna e uma morte indolor. e sim, isso tudo pode conviver em harmonia.

infelizmente o que eu leio nos coment�rios deste blog � que a grande maioria das pessoas s� concebe o mundo do jeito delas.

a toler�ncia, pelo visto, � o artigo mais raro da blogosfera.





22.8.04




Barulhinho bom

Voc�s conhecem o DJ Windows? � um som perfeito para animar festinhas de nerds...





21.8.04






Pipoca

Quem s� conhece a Pipoca das fotos diurnas pode ficar com a impress�o de que ela � uma perfeita lady. � noite, quando todos os gatos s�o pardos, ela continua branquinha; mas o seu lado selvagem vem � tona.

Pois este blog tem o prazer de comunicar aos amigos que a gatinha mais paparicada deste lado da Lagoa j� se recuperou completamente do seq�estro, e voltou a ser o tigre em miniatura das madrugadas da Epit�cio Pessoa.

A prova disso foi dada ontem, quando ela ca�ou DOIS ratos, para inenarr�vel orgulho de todos n�s. Como costuma fazer com os bichos que ca�a, brincou bastante com os coitados, depois arrancou fora as cabe�as e deixou o resto na porta da garagem, como presente para os seus b�pedes.


(As fotos foram feitas � noite, na garagem, logo que ela voltou para casa, quando ainda estava sem a coleira)






GMail

Parece que ter um endere�o no gmail.com, onde s� se entra com convite e h� 1Gb limpinho � espera do fregu�s, � o que h� de bom no momento.

No GMail Swap, pessoas oferecem as coisas mais curiosas em troca de uma conta: eu gostei particularmente da proposta de um cara que promete tocar o concerto de Haydn para trompete pelo telefone, mas como ele mora nos Estados Unidos, eu ia sair num preju�zo louco. Tamb�m gostei da proposta da mo�a canadense que oferece a ado��o de um bicho � escolha no zool�gico da cidade dela, mas algu�m chegou antes de mim.

De modo que, mais uma vez, aqui v�o tr�s contas de GMail para voc�s. Elas ser�o distribu�das pela ordem de pedido aqui nos coment�rios, OK?





20.8.04


Antes e depois



Antes e depois...

Achei l� na Helenice este interessante discurso do Lula. Antes das elei��es, ele dizia o seguinte:

Nosso partido cumpre o que promete.
S� os n�scios podem crer que
N�o lutaremos contra a corrup��o.
Porque, se h� algo certo para n�s, � que
A honestidade e a transpar�ncia s�o fundamentais
Para alcan�ar nossos ideais.
Mostraremos que � grande estupidez crer que
As m�fias continuar�o no governo, como sempre.
Asseguramos sem d�vida que
A justi�a social ser� alvo de nossa a��o...
Apesar disso, h� idiotas que imaginam que
Se possa governar com as manchas da velha pol�tica.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
Se termine com os maraj�s e as negociatas.
N�o permitiremos de nenhum modo que
Nossas crian�as morram de fome.
Cumpriremos nossos prop�sitos mesmo que
Os recursos econ�micos do pa�s se esgotem.
Exerceremos o poder at� que
Compreendam que
Somos a nova pol�tica.

Agora, continua dizendo a mesma coisa... mas a gente precisa ler de baixo para cima.








Eu quero!!!



Eu quero!!!

O Tom Taborda, que tem um faro incr�vel para novidades, acaba de descobrir o meu mais novo sonho de consumo.

Vejam que brinquedo maravilhoso...






Ponte a�rea



Ponte a�rea

Ontem, quando fui a S�o Paulo, levei um susto. Sa� de casa �s 8h30, hor�rio que definitivamente n�o � o meu forte, peguei um Santos Dumont sem teto e s� consegui embarcar �s 10h30.

Nem preciso dizer que estava mais morta do que viva.

Estava t�o feia a coisa pro meu lado que recusei o lanche -- comida de avi�o! aquela coisa que tanto amo! -- e dormi durante o v�o todo; quando acordei, o avi�o j� estava se ajeitando num daqueles tubos que saem direto no aeroporto.

Fiquei em estado de choque: est�vamos em Guarulhos?! Era s� o que me faltava...!!!

Mas n�o era Guarulhos. Era Congonhas, mesmo: as obras ficaram prontas. O aeroporto est� chique a mais n�o poder, cheio de m�rmores lustrosos e port�es de embarque. Muito mais moderno e mais pr�tico, claro, sobretudo nos dias de chuva.

Fiz v�rias fotos de telefone deste novo look; algumas ficaram at� bonitinhas.

S� que, como boa rom�ntica do Caribe, come�o a ter uma saudade enorme dos velhos aeroportos como o nosso Santos Dumont, em que a gente anda pela pista e sobe no avi�o de escadinha.

O bom e velho estilo Casablanca, com os dias contados.

* suspiro *





19.8.04


Joguinho!





Joguinho!

Dica da Florisbela: uma maldade s�...

Tem que clicar no Yeti para derrubar o pinguim, e depois clicar de novo para arremess�-lo.

Detalhe: o Ribondi j� fez 325ms!!!





18.8.04








Capivara para ingl�s ver:
uma tarde na Lagoa


Macho reaparece e cumprimenta as visitas, mas
f�mea anda sumida, preocupando os f�s



Vi a sombra suspeita ainda da bicicleta: menos que uma sombra, um deslocamento de �gua, como se um grupo de c�rculos conc�ntricos, depois de adquirir vida pr�pria, tivesse decidido passear pela Lagoa. A tarde estava linda. As folhinhas novas das amendoeiras brilhavam na contra-luz, enquanto os Dois Irm�os e a Pedra da G�vea iam perdendo o relevo e se fundindo no mesmo bloco de sombra. Minha id�ia inicial era ir at� a col�nia de pesca, onde mora uma gar�a azul que h� meses tento fotografar direito; mas aquela ondula��o da �gua, t�o familiar, me fez saltar da bicicleta rapidinho. Quando tirei a c�mera da bolsa, a cabe�a retangular, de orelhas pequeninas, j� estava de fora. Um casal de ingleses, ao meu lado, se espantou: o que diabos era aquilo?!

Resisti � tenta��o de dizer que era o Monstro do Lago Ness gozando merecidas f�rias no Rio, e expliquei que era uma capivara. Capybara, na l�ngua deles; mas era �bvio que n�o conseguiam ligar o nome � pessoa. Nunca tinham ouvido falar no bicho e, nem preciso dizer, jamais tinham tido o prazer de ser formalmente apresentados a um indiv�duo da esp�cie. Quando a capivara saiu da �gua, gorda e lustrosa, ficaram empolgad�ssimos.

-- Que lindo! � uma esp�cie de porco?

-- N�o, � um roedor, o maior roedor do mundo -- respondi, cheia de orgulho. -- Comum em toda a Am�rica do Sul, mas encontrado sobretudo no Brasil, embora os uruguaios o chamem de carpincho e achem que � uma especialidade local.

-- Onde mais podemos v�-lo por aqui? -- perguntou o ingl�s.

-- Hummm... n�o sei, talvez no zool�gico.

-- Ah, s�o nativas dessa lagoa?

-- N�o, n�o exatamente.

Era uma longa hist�ria, mas uma longa hist�ria que adoro contar, ainda que em ingl�s. De modo que repeti mais uma vez a saga das capivaras da Lagoa, explicando, de quebra, que, a esta altura, as duas eram animais c�lebres, que n�o s� j� haviam sa�do em jornal, como estrelado um curta-metragem. Pois l� est�vamos os tr�s, embevecidos, fotografando e trocando impress�es a respeito da nossa popstar quadr�pede, quando apareceu uma americana empurrando um carrinho de beb�. Ela deu um grito de alegria quando viu a capivara.

-- Por favor, ser� que voc�s podem me dizer que bicho � esse?

-- Uma capivara! -- responderam os ingleses em un�ssono, felizes com a cultura rec�m-adquirida. -- � um roedor. O maior roedor do mundo. Comum em toda a Am�rica do Sul...

-- Ah�! -- cortou a americana. -- Eu sabia! Vi centenas de capivaras no Pantanal, mas no outro dia, quando encontrei esta aqui pela primeira vez e contei para o meu marido, ele n�o acreditou. Disse que eu provavelmente estava confundido com outro animal, porque n�o existem capivaras urbanas.

Ato cont�nuo, pegou o celular e ligou para o marido descrente -- que, depois dessa, jamais vai duvidar de novo da exist�ncia de bichos ex�ticos em locais inesperados. Sobretudo se, � noite, assistiu ao Jornal Nacional, com algumas das cenas de baleia e arraias mais lindas dos �ltimos tempos.

A capivara n�o demonstrava nenhum constrangimento com a nossa presen�a, e nenhuma pressa de ir embora. Olhava para a gente com o caracter�stico olhar altaneiro das capivaras, comia capim e rolava na terra. Depois nos deu as costas, voltou para �gua e nadou, calma e elegantemente, at� o Parque do Cantagalo. Fui seguindo o percurso da margem, e notei que alguns peixes saltaram da �gua � sua passagem. Eu nunca tinha reparado nisso antes.

O sol ia se pondo quando ela saiu da �gua novamente. Dessa vez, v�rias pessoas interromperam a caminhada para observ�-la. Algumas, �ntimas, conheciam seus h�bitos em detalhes. V�rias j� encontraram tamb�m a f�mea, que � maior, mais escura e mora em frente ao Vasco mas, neste momento, existe certa inquieta��o em rela��o ao seu paradeiro, j� que n�o � vista h� algum tempo. Se algu�m tiver not�cias ou fotos recentes, por favor avise.

Quanto ao macho, esperou a noite cair para abandonar seu f�-clube. Brincou um pouco com um coco e deu uma corrida num bem-te-vi antes de mergulhar, silenciosamente. Quando os c�rculos conc�ntricos reapareceram na superf�cie da �gua, logo seguidos pela cabe�a engra�ada, ele ia longe, na dire��o dos pr�dios chiques da pedreira. N�s b�pedes sorrimos uns para os outros, nos despedimos e tomamos o rumo de casa em estado de gra�a, felic�ssimos com o encontro inesperado.

* * *


Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, aquele estado elegante, culto e supostamente civilizado, os bichos acabam de ser v�timas de um golpe legislativo particularmente sinistro. Em nome da "liberdade de culto", o deputado Edson Portilho prop�s -- e o governador Germano Rigotto aprovou -- uma ligeira altera��o do C�digo Estadual de Prote��o aos Animais; de forma que a lei, que antes proibia a crueldade contra os animais, agora permite, explicitamente, que os ga�chos os sacrifiquem � vontade em "cultos e liturgias das religi�es de matriz africana".

Ta�: numa hora dessas, tudo o que eu queria era um culto ou liturgia, de qualquer matriz, que exigisse o sacrif�cio ritual de pol�ticos.


(O Globo, Segundo Caderno, 19.8.04)






ONG do bem



ONG do bem

At� o sequestro da Pipoca, eu n�o prestava aten��o na pol�cia -- ou, se prestava, era para criticar, como faz quase todo mundo. A quest�o � que, para a minha gera��o, que passou pela ditadura militar, pol�cia � uma coisa da qual se quer dist�ncia.

Depois da acompanhar o trabalho dos inspetores que descobriram o paradeiro da gatinha, fiquei amiga deles -- e fui, atrav�s dessa amizade, descobrindo uma s�rie de policiais excelentes, do melhor n�vel.

H� uma nova gera��o a� que, sinceramente, traz algum alento � gente; � uma gera��o de rapazes e mo�as idealistas e dedicados que, apesar da suprema humilha��o de trabalhar com o atual secret�rio de seguran�a, n�o esmorecem e fazem o melhor que podem.

Descobrir este lado bacana da pol�cia foi uma grande e grata surpresa. A gente �s vezes acha que, aqui no Rio, tudo est� perdido; mas, quando eu penso nesta banda boa da pol�cia, tenho esperan�as.

Pois hoje est� nascendo uma ONG chamada "Viva a Pol�cia". Ela est� sendo criada para apoiar o policial civil, federal, militar e rodovi�rio, o bombeiro e o guarda municipal. A id�ia b�sica � defender os seus direitos e os de seus familiares, e resgatar a confian�a da popula��o no seu trabalho.

Esta �ltima parte n�o vai ser f�cil. O filme da pol�cia est� muito queimado, e os bons, como acontece, pagam pelos maus.

De qualquer forma, ser�o criadas comiss�es para avaliar cada atribui��o, defender direitos, cobrar deveres, ministrar cursos, fiscalizar e, muito importante, aparecer na m�dia mostrando o outro lado da pol�cia, aquele que quase nunca aparece j� que boa not�cia, em geral, n�o � not�cia.

A "Viva a Pol�cia" tamb�m pretende protestar sempre que as "autoridades" disserem coisas como a �ltima p�rola do senhor secret�rio, que declarou ao Dia que "os policiais s�o esquizofr�nicos".

Em suma: ta� uma ONG que vai ter muito, mas muito trabalho -- mas que conta, desde j�, com o meu maior apoio.

At� porque, sinceramente, estou cheia de ONGs que s� sabem defender bandidos.






Copacabana sob as lentes de seus moradores





Andre Decourt convida

Acabo de receber este convite do Andre Decourt, sem favor o maior expert em Rio de Janeiro que conhe�o. O hor�rio n�o � l� essas maravilhas, mas a exposi��o estou certa que �...






Momento Ol�mpico



Momento Ol�mpico

Bruno Bozzeto, o sensacional animador italiano, est� de volta. O tema, como n�o podia deixar de ser... bem, confiram!

� muito engra�ado.





16.8.04


Capivara!





Capivara!

Hoje � tarde, quando sa� para dar uma volta de bicicleta, vi uma sombra se mexendo na �gua; alguma d�vida de quem era? Quando tirei a m�quina da bolsa, a sombra j� estava de cabe�a de fora...

Passei quase uma hora observando a capivara. H� muito tempo n�o rolava um encontro desses na minha vida: Cora, capivara e... c�mera!!!

Postei algumas fotos aqui, mas tem mais; aos poucos eu subo o resto.






Crescei e Multiply-vos



Crescei e Multiply-vos!


E, quando a gente achava que o Orkut estava vivendo os seus quinze minutos de fama, l� veio o Multiply, correndo por fora, arrebatando cora��es, mentes e muitas e muitas e muitas horas do povo conectado. A pr�pria colunista que vos tc est� se divertindo com o novo brinquedo, e gastando parcela consider�vel do seu tempo destrinchando as mil e uma utilidades da nova novidade: afinal, o Multiply re�ne num mesmo pacote tudo o que um internauta atualizado precisa para ser feliz.

Crie uma conta no Multiply e voc� ser�, automaticamente, o orgulhoso propriet�rio de um blog, um fotolog, uma agenda para manter os compromissos em dia, uma lista de contatos, um livro de receitas, um espa�o para desenvolver o seu esp�rito cr�tico e resenhar filmes, livros, CDs e o que mais quiser, e last but not least, uma esp�cie de Mercado Livre particular, um pequeno bazar onde poder� negociar o que quiser, de figurinhas do Homem Aranha a apartamento em Florian�polis (da �ltima vez que chequei, as figurinhas j� haviam sido vendidas, o ap� ainda n�o).

O Multiply n�o � uma c�pia ou, sequer, uma evolu��o do Orkut. � outro conceito de software de comunidades, a meu ver bem melhor, at� porque resolve o grande problema (ou o grande vazio?) do Orkut: o do recado. Quando voc� entra no Orkut, v� quais dos seus amigos andaram por l�, mas n�o tem id�ia do que fizeram ou est�o fazendo. As p�ginas pessoais s�o est�ticas; falta um espa�o de express�o individual mais concreto, como, digamos, um blog ou um fotolog.

O Multiply � menos intuitivo, mas muito mais �til. N�o � uma ferramenta de encontrar gente t�o boa quanto o Orkut, e seu sistema de comunidades (ou grupos de discuss�o) � mais complexo, mas, por outro lado, ele permite que, ao achar seus amigos, voc� ache tamb�m as fotos e opini�es desses amigos -- e o que mais houver nas suas p�ginas, de receitas a quinquilharias a pre�o de ocasi�o.

Ningu�m precisa de convite para entrar no Multiply, que oferece o generoso espa�o de um gigabyte para a armazenagem dos tais textos, fotos, receitas, cr�ticas e mensagens, um endere�o f�cil de achar -- eu, por exemplo, estou em cronai.multiply.com -- e, pelo menos at� aqui, uma navega��o e um desempenho bem melhores do que os do Orkut, que t�m deixado a desejar.

Outra coisa pr�tica oferecida pelo Multiply � a possibilidade de importar as listas de contatos do Orkut e do Friendster, o que significa que ningu�m precisa come�ar tudo de novo ao entrar no sistema. As opini�es dos usu�rios que tiveram paci�ncia para dar a olhada mais atenta que o Multiply exige para um bom rendimento t�m sido praticamente un�nimes: est� na hora de cometer Orkutic�dio...


Um util�ssimo filhote do Inform�tica etc.

Como converter a sua rica cole��o de LPs, fitas cassete e MP3 em CDs de alta qualidade? A pergunta, que foi base de uma reportagem aqui no caderninho, acabou rendendo um livro e tanto, obra do nosso Andr� Machado, jornalista de larga experi�ncia na �rea, e do f�sico Aroaldo Veneu, um dos pioneiros na t�cnica de transposi��o de musicas de m�dia anal�gica para digital e criador do m�todo LPemCD. Como fazer CDs de alta qualidade (Editora Campus/Elsevier, 312 p�ginas, R$ 45), que acaba de chegar �s livrarias, � um guia passo a passo para a confec��o de CDs: l� est�o todos os macetes que voc� sempre quis saber mas nunca teve paci�ncia de procurar na internet, explicados de forma clara, simples e bem humorada. De quebra, o livro traz uma vers�o trial do Nero, um excelente software para cria��o de CDs.

(O Globo, Info etc., 16.8.2004)







Comunidades fotogr�ficas



Comunidades fotogr�ficas


Quer exibir suas fotos online? Pois nem s� de Fotolog vive o mundo. Vejam quantas comunidades fotogr�ficas interessantes existem na rede...





15.8.04


Mais filminhos!



Mais filminhos!

Blog n�o � s� cultura, � tamb�m divers�o e arte: a sugest�o do dia � uma s�rie de filminhos curtos, muito bons, que voc� pode assistir de gra�a no conforto do seu pr�prio micro.

Todos s�o cria da Fim de Semana Pictures, produtora de brinquedo que o meu orkut-amigo Bruno Pinaud criou para se divertir nas horas vagas.

Um dos super-curtas, Mindinho, j� ganhou at� men��o honrosa em festival; mas acho que o meu favorito � Motoboy. Digo "acho" porque � dif�cil escolher, s�o todos muito simp�ticos.

Confiram!





14.8.04


Filmete



Filmete

Janj�o mandou: bem bonitinho, mas s� tem gra�a para quem fala ingl�s (e, de prefer�ncia, curte Woodie Guthrie).





13.8.04


Promo��o legal!



Promo��o legal!

A Casa do Azeite Espanhol, que mant�m o �timo site do azeite, est� fazendo uma promo��o bacaninha: os primeiros 200 internautas que acertarem as dez quest�es de um quiz sobre as Olimp�adas ganham o livro Molhos com Azeite de Oliva Espanhol, uma cole��o de 365 receitas: uma para cada dia do ano.

� s� clicar aqui, fazer o cadastro e responder �s perguntas, que s�o facinhas e t�m at� cola. Eu j� garanti o meu exemplar... :-)






Absurdo



Absurdo

Acabo de ler que a delega��o de atletas americanos foi vaiada por parte da plat�ia que assistia � abertura dos jogos ol�mpicos. Mas o ser humano n�o falha, mesmo!

Coitados desses rapazes e mo�as, que como os seus colegas de outros pa�ses, est�o l� para participar de uma festa pac�fica. O que � que eles t�m a ver com os desmandos do Bush?!

Confundir povo e governo � dose, sinceramente.







Sexta-feira 13



Sexta-feira 13

A cantora Ivete Sangalo � uma mo�a supersticiosa. Acha que gatos pretos d�o azar. E diz:

-- Se eu ver um gato preto, mando matar.

Eu tamb�m sou supersticiosa, mas acho que o que d� azar mesmo � contribuir para a sobreviv�ncia de gente burra, insens�vel e covarde.

Ir a show de Ivete Sangalo, comprar CD de Ivete Sangalo ou ouvir Ivete Sangalo, por exemplo, s�o tr�s coisas que d�o um azar miser�vel, daqueles que nem banho de sal grosso limpa.





12.8.04


Emerg�ncia felina!




Emerg�ncia felina!

Essas duas gatinhas, que est�o no no CCZ de Santa Cruz, no Largo do Bodeg�o, precisam encontrar lares urgentemente. As duas t�m cerca de um ano e ser�o doadas j� esterilizadas. Informa��es com Rosely, no 9962-1526.







Ent�o t�



Ent�o t�

Penas mais brandas para crimes hediondos; penas mais pesadas para pirataria.

* sigh *







Help!





Help!

Pessoal, estou com um problema: uma infiltra��o no corredor que j� foi "consertada" tr�s vezes ao longo dos dois �ltimos anos. N�o tenho mais confian�a em nenhum dos bombeiros que "cuidaram" do caso.

Pergunto: algu�m aqui do Rio conhece um bombeiro que realmente entenda do assunto?

Fico doente s� em pensar em mais um quebra-quebra in�til...






Isso sim, � boa not�cia



Isso sim, � boa not�cia

Acaba de nascer, mas j� est� entre os meus sites favoritos: O Eco, feito por uma turma da melhor qualidade -- Marcos S� Correa, Kiko Nascimento Brito e S�rgio Abranches, entre outros -- que resolveu abrir espa�o para o meio-ambiente.

Pela sua pr�pria defini��o, O Eco "se interessa particularmente pelas pessoas que falem pelos bichos, as plantas e outras criaturas que n�o tem voz na pol�tica e nos meios de comunica��o".

N�o � tudo o que a gente queria?






Fale com o motorista apenas o essencial





Fale com o motorista apenas o essencial


Mas -- o que n�o � essencial entre
as quatro portas de um taxi carioca?



N�o, apesar daquele dia lindo l� fora, as coisas n�o estavam indo nada bem. De manh�, a namorada havia telefonado e dito que estava de mudan�a para Curitiba, transferida pela empresa.

� Profissionalmente � bom para ela, com certeza. Mas como � que eu fico? Tudo bem, n�o � como se ela estivesse indo para outro pa�s, mas � muito chato. Quando a gente namora, quer a pessoa ali, pertinho.

Concordei com ele. Namorar � dist�ncia � um horror. E se ele fosse junto?

� Ah, � muito dif�cil! Primeiro porque eu adoro o Rio, nasci aqui, cresci aqui, n�o consigo me imaginar vivendo em outro lugar. Depois porque a gente est� namorando h� pouco tempo, entende? Se fosse uma rela��o mais antiga, mais estabilizada... Mas se eu for para Curitiba agora vira casamento. Eu me divorciei h� dois anos, n�o quero casar de novo, passar por tudo de novo, quero dar mais um tempo. O pior � que eu gosto muito dela, muito mesmo. Tenho a sensa��o de que as coisas poderiam dar certo entre n�s dois, mas n�o assim, no grito... Sinceramente, estou t�o angustiado com esta situa��o que at� liguei para a minha terapeuta. Parei com a terapia no ano passado, mas hoje tive que ligar. N�o estou sabendo lidar com isso direito, n�o mesmo... Olha, estou achando este tr�nsito ruim demais, a senhora n�o prefere pegar o Santa B�rbara?

J� tive conversas de todos os tipos com motoristas de t�xi, mas esta foi a primeira vez que um deles veio discutindo a terapia comigo pelo t�nel.

* * *

Andar de t�xi no Rio � uma aventura sociol�gica surpreendente. A crise empurrou para a pra�a uma quantidade de profissionais liberais que, h� poucos anos, estavam empregados em grandes empresas ou tinham seus pr�prios neg�cios; n�o sei se algu�m j� fez a estat�stica, mas acho que o Rio deve ser, hoje, uma das cidades com maior percentagem de taxistas com n�vel superior no mundo. Esses profissionais educados, superqualificados para a atual profiss�o, est�o tirando o lugar daqueles motoristas mal-intencionados que, ainda outro dia, eram o terror dos passageiros. Eles sobrevivem, � claro, mas refugiaram-se nas zonas menos favorecidas, em algumas �reas de risco e, principalmente, no imagin�rio popular; a verdade � que, em termos de t�xi, somos, atualmente, uma das cidades mais civilizadas do planeta. E, certamente, a que tem a melhor rela��o custo-benef�cio.

* * *

Assim que come�ou a guerra do Iraque peguei um (bom) motorista das antigas. Um senhor paraibano, simp�tico, que mantinha o sotaque nordestino apesar de ter vindo para o Rio h� mais de 30 anos, e que me explicou que Saddam Hussein, �quela altura ainda fugitivo, era, mal comparando, uma esp�cie de Lampi�o das Ar�bias.

� Os meus av�s eram muito pobres, viviam numa rocinha no sert�o � disse ele. � Um dia, Lampi�o apareceu com uns cabras. A senhora sabe o que � um cabra?

� Sei, � claro.

� Ah, isso � porque a senhora � jornalista. Aqui no Rio, muita gente n�o sabe, n�o. Mas ent�o, como eu ia dizendo, Lampi�o chegou, cumprimentou o pessoal de casa e perguntou se podia almo�ar. Meus av�s n�o tinham comida que desse nem para eles, mas quem � que ia dizer a Lampi�o que n�o podia almo�ar? Assim minha av� matou a �ltima galinha, que guardava pelos ovos, preparou e serviu com farinha. Quando perguntou se estava bom, Lampi�o disse que sim, que estava muito bom; mas um dos cabras disse que ficaria melhor com sal. N�o � que a minha av�, no nervoso da hora, tinha se esquecido de salgar a galinha? Na mesma hora Lampi�o chamou um menino que estava por l�, mandou na venda buscar um litro de sal e fez o cabra que reclamou comer o litro inteiro, sem �gua nem nada, para reparar a desfeita. Dizem que ele morreu disso, mas n�o sei se � verdade, a senhora sabe como �: as pessoas gostam de exagerar nas hist�rias. O que eu sei � que, at� o fim da vida, a minha av� e o meu av� ficaram com o maior respeito por Lampi�o. N�o queriam outra visita daquelas por nada nesse mundo, mas respeitavam demais. Pois, ent�o, acho que � isso que acontece com o Saddam, o povo respeita.

Quando cheguei ao jornal, paguei apenas pela corrida. Injusti�a. Com uma conversa daquelas, o motorista tinha todo o direito de cobrar couvert art�stico.

* * *

Os jogos ainda nem come�aram, mas, sinceramente, n�o ag�ento mais ouvir falar em Olimp�ada. Nada contra os atletas, � claro, que aqui treinam freq�entemente em condi��es adversas e l� v�o dar o melhor de si; mas tudo contra essa overdose de especiais triviais, flashes sem brilho, ufanismo sem crit�rio. N�o h� esp�rito ol�mpico que sobreviva a massifica��o t�o acachapante e comercializa��o t�o desenfreada; � como se o �nico objetivo de todo o esfor�o individual e coletivo fosse apenas vender mais um par de t�nis. Argh!

* * *

O Rio de Janeiro � uma cidade t�o estranha, mas t�o estranha, que a melhor festa que a Zona Sul v� h� tempos � o anivers�rio de 40 anos do Cl�udio Gomes � aconteceu no s�bado passado... em Niter�i! Vai entender.


(O Globo, Segundo Caderno, 12.8.04)





11.8.04


Convite



Convite

Acabo de receber uma pilha de convites para distribuir aos amigos. � que a Comiss�o Permanente das Mulheres Advogadas, da OAB/RJ, acha que mere�o ser homenageada como uma das mulheres cariocas que se destacaram ao longo do ano.

Eu me senti muito honrada com a distin��o, � l�gico, mas fico sem gra�a de mandar convites para os amigos; acho que fica parecendo intima��o, tipo "Olhe l�, estou sendo homenageada, n�o me falte!". Por outro lado, n�o quero ser estraga festa e n�o avisar a ningu�m: afinal, o gesto das advogadas � uma prova de simpatia e de carinho.

Ent�o fa�o o convite aqui, geral, para todo mundo. Assim fico tranq�ila por retribuir a aten��o da Comiss�o, ningu�m se sente obrigado a ir e todos ficaremos felizes -- a Comiss�o, eu, os que forem e os que n�o forem.

A cerim�nia, em honra ao Dia Internacional da Mulher, vai ao ar no pr�ximo dia 26 de agosto, �s 17hs, na Av. Marechal C�mara 150, no plen�rio do quarto andar.





10.8.04


Que tristeza



Que tristeza

Morreu a baleia que estava encalhada em Niter�i. Torci tanto por ela... :-(






Mais um teste



Mais um teste

N�o � nenhuma Brastemp, mas � divertido... ;-)





9.8.04


Pequenas felicidades quadr�pedes





Pequenas felicidades quadr�pedes

Minha casa � uma casa tem�tica. H� fotos de gatos em porta retratos, esculturinhas de gatos dos mais variados tamanhos feitas em todos os materiais imagin�veis, uma cole��o de maneki nekos, gatos diversos pintados em lou�as, enfeites e no colo de cada uma das matrioskas que eu trouxe de Moscou. H� naturalmente um gato de porcelana, como no tango, e um gato de bronze, placidamente deitado sobre uns livros, para prender a porta. H� tamb�m uma prateleira inteira numa das estantes, exclusivamente dedicada a livros sobre gatos. Da �ltima vez que contei, eram mais de cem.

� l�gico que n�o decidi que a minha casa ia ser assim. Todos esses gatos decorativos e imagin�rios foram se juntando aos poucos ao meu redor, mais ou menos como se juntaram os sete gatos de pelo e osso que hoje me d�o o prazer da sua companhia. Muitos chegaram como presentes de Natal ou de anivers�rio, outros vieram de lembran�a na bagagem dos amigos, alguns me conquistaram em viagens ou na lojinha da esquina. Gatos t�m disso, mesmo quando n�o s�o de verdade.

De todas essas coisas felinas, grandes ou pequenas, poesia ou prosa, a que mais gosto, disparado, � um verso do Neruda:

�Tudo � imundo para o imaculado p� do gato.�

Nesta frase est�, para mim, a ess�ncia da sua eleg�ncia. Nada est�, jamais, � altura dos seus p�s delicados, das patas que tudo testam antes de pousar, cheias de cuidados � da grama do jardim ao m�rmore da mesa, do tapete oriental de 600 n�s por cent�metro quadrado ao capacho da entrada, passando pelo sof� (bege), pelas almofadas (brancas) e, l�gico, pela cama rec�m-arrumada que se dignam a dividir com a gente.

�s vezes, porque nem eles conseguem ser perfeitos, toda esta precis�o acaba numa cena c�mica. Poucas criaturas t�m tanto senso do rid�culo quanto os gatos, e � muito engra�ado ver como tentam se convencer � e nos convencer � de que nada demais aconteceu. Conviver com eles � uma constante li��o de observa��o e um encanto permanente; �, tamb�m, um aprendizado de bem querer, em que o grande segredo � o respeito �s diferen�as individuais.

Ao contr�rio do que imaginam as pessoas que n�o os conhecem, os gatos s�o extremamente amorosos e dedicados. Apenas n�o s�o subservientes -- no que, ali�s, est�o cobertos de raz�o. Subservi�ncia n�o � uma boa base para nenhuma rela��o.

Adoro a sua companhia, e me sinto honrada por me distinguirem com seu carinho, sua amizade e sua fenomenal intui��o: estou convencida de que aqueles bigodes todos s�o antenas para captar vibra��es. Quando percebem que estou triste, juntam-se ao meu redor e fazem o que podem para me alegrar; quando acham que j� dei aten��o demais ao computador, plantam-se em frente � tela ou d�o pequenos pux�es na minha roupa, para que eu me lembre de que h� coisas mais importantes para se olhar na casa. E h� mesmo.

O melhor � que, apesar de lindos (e vaidosos), eles sabem que beleza n�o � fundamental; fundamental mesmo � delicadeza, essa qualidade t�o em falta na vida humana.

(Revista Cl�udia, agosto de 2004)






Novo brinquedo



Novo brinquedo

Como seria de se esperar, h� uma enorme quantidade de Orkuts gen�ricos na rede. O mais interessante me parece ser o Multiply, que resolve o que �, a meu ver, um dos problemas b�sicos do Orkut: o recado.

Quando voc� entra no Orkut, v� quais amigos entraram por �ltimo, mas n�o tem id�ia do que est�o fazendo por l�. As p�ginas pessoais s�o est�ticas, n�o mudam; falta um espa�o individual mais concreto, como, digamos, um blog.

Pois o Multiply re�ne algumas das caracter�sticas do Orkut, junta com outras do Blogger e salpica umas pitadas de Fotolog. A partir das p�ginas pessoais se tem acesso a di�rios, fotos, cr�ticas (de filmes, livros, restaurantes, o que for) e at� receitas. � um conceito bem interessante.

Mal conhe�o o sistema, mas que ele leva jeito, l� isso leva. Como diz a Cris Carriconde, � mais uma coisa que n�o vamos ter tempo para fazer...






As �fotinhas� conquistam
novos territ�rios



As pequenas imagens feitas com telefones celulares, que eu gosto de chamar de �fotinhas� (apesar de saber que o diminutivo de foto � fotinho, como volta e meia me lembram os leitores) come�am, finalmente, a ganhar espa�os s�rios. Na quarta-feira passada, a Reuters divulgou a cena da pris�o de um suspeito de terrorismo em Londres, clicada por um vizinho que observava a cena da janela � de telefone em punho. A foto, bastante tratada para redu��o de pixels, foi publicada por diversos jornais no dia seguinte, entre os quais O GLOBO.

Que eu me lembre, esta foi a primeira vez que uma ag�ncia noticiosa divulgou uma foto de celular no que se chama, em jarg�o, de �hard news�, ou seja, aquela not�cia quente, de primeiro caderno � e n�o em reportagens relativas � tecnologia em si. A televis�o, mais complacente com imagens menos-que-perfeitas, j� faz uso, h� algum tempo, de v�deos captados por celular; na BBC, eles s�o corriqueiros na cobertura de conflitos ou acidentes em locais remotos. Faz sentido: � sempre melhor ter uma imagem, por fraquinha que seja, do que ter apenas a voz do rep�rter ao telefone. Afinal, com todos os seus �defeitos�, as imagens do homem pisando na lua pela primeira vez est�o entre os �cones visuais de maior impacto do s�culo passado.

Ao mesmo tempo, do lado do mundo que se diverte, a Nokia informa que, no sonarsound S�o Paulo, vers�o brasileira do espetacular s�nar de Barcelona, haver� uma mostra chamada Life goes mobile, que far� parte da segunda edi��o do Nokia Trends. Nela os artistas usar�o tecnologia m�vel como parte das obras. N�o s� celulares, mas tamb�m seus acess�rios, como, por exemplo, o Image Frame, uma moldura conectada na qual se visualizam imagens que chegam pela internet. A id�ia b�sica � ampliar as fronteiras de atua��o e de aceita��o das novas plataformas. O que impede uma imagenzinha de celular de fazer parte de um conjunto art�stico, ou de ser, ela pr�pria, devidamente considerada arte? Tudo � quest�o de costume, de refer�ncia e, em �ltima inst�ncia, de olhar: tanto o de quem faz, quanto o de quem v�.

* * *

Come�a amanh�, em S�o Paulo, a PhotoImageBrazil (assim, em ingl�s, tudo junto) 2004, dirigida a lojistas e profissionais de fotografia, mas feita sob medida para f�s de c�meras digitais. Com os principais fabricantes entre os mais de cem expositores, a feira mostra o que vai chegar ao mercado at� o fim do ano. Ou seja: � uma oportunidade e tanto para namorar a pr�xima m�quina. Mas l� tamb�m, apesar da concorr�ncia das c�meras �de verdade� com cada vez mais features e megapixels, as fotinhas estar�o em destaque, no Forum de converg�ncia tecnol�gica, que acontece no dia 12. De 10 a 12 de agosto, a feira, que se realiza no Centro de Exposi��es Imigrantes, das 14hs �s 21hs, � aberta exclusivamente para profissionais. O p�blico em geral entra, gr�tis, no dia 13.

* * *

Com um curr�culo invej�vel, mas desempregado h� dois anos, Harding Leite, expert em telecomunica��es, embarcou ontem para a China, depois de oito meses de estudos intensivos de mandarim. Vai passar pelo menos tr�s meses l�, sozinho, tentando a sorte na marra. Est� deixando a mulher e os dois filhos aqui, e a sua saga seria semelhante a tantas outras se, antes de ir, ele n�o tivesse lan�ado uma s�lida �ncora online, o website chinadireto.com.br, onde oferece os seus servi�os e onde, assim que chegar a Pequim, se poder�o acompanhar as suas aventuras. Harding �, mal comparando, uma esp�cie de Amyr Klink do �espet�culo do crescimento� � que ele, escaldado, prefere procurar onde est�, realmente, acontecendo. Boa sorte, viajante!

(O Globo, Info etc., 9.8.04)





7.8.04





E olha s� quem estava me esperando hoje � noite, em cima de um carro branco... :-)

Update: Eu me esqueci de dizer, esta � uma foto de celular, tratada no Photoshop.





6.8.04


*sigh*

Ainda estou no jornal. Passei o dia atrapalhada com a porcaria de um pop-up porn� que se instalou na minha m�quina e n�o sai de jeito nenhum. Sou macaca velha nessas coisas e quase nunca abro emails suspeitos, mas neste ca� direto; o problema � que o assunto da mensagem era "Gatinhas".

Argh, que �dio!!!!






Gmail

Acabo de ver no Gmail que posso convidar cinco amigos para abrirem contas l�. Algu�m quer? O Gmail � o correio eletr�nico do Google, que estou usando e achando bom.

Ontem, ali�s, estava pensando no meu sistema de email. A quest�o � que n�o abro m�o da conta na Well, que tenho desde os tempos em que a internet tinha (relativamente) poucos usu�rios. Naquela �poca, ter uma conta na Well significava um certo estado de esp�rito, uma vis�o do mundo que era tudo o que, digamos, uma conta AOL n�o era. Hoje a Well � irrelevante e est� tecnologicamente defasada, mas tenho carinho por ela.

De l� fa�o forward pro Pobox -- que me atraiu h� coisa de dois anos com um filtro antispam bastante bom. Hoje h� filtros melhores (entre eles o do Gmail), mas como pago o servi�o por ano e ainda tenho uns meses sobrando, vou deixando como est�.

Do Pobox, enfim, fa�o forward para o Gmail e para o ISM, meu provedor favorito. O ISM tem um sistema de webmail bom, mas o do Gmail � melhor. Assim, l� do jornal, vejo a minha correspond�ncia pessoal pelo Gmail; j� em casa, baixo tudo do ISM para o Eudora, e pronto.

Afinal, para que fazer de forma simples o que pode ser t�o complicado?






Enquanto isso, no Centro...

Ontem tive que ir ao Forum e parei para comer uma empadinha no Avenida Central. Uma menina pequena, de uns cinco, seis anos, abordou uma mo�a que fazia um lanche ao meu lado. A mo�a ofereceu uma empadinha, a menina n�o quis; s� queria vender mariolas.

-- Onde est� a sua m�e? -- perguntou a mo�a.

-- Ali -- respondeu a menina, sem apontar para dire��o alguma.

A mo�a tentou descobrir, em v�o, onde, exatamente, era "ali"; depois perguntou por que a menina estava vendendo, em vez da m�e. A menina disse que a m�e n�o podia andar. Por que? Porque tinha quebrado a perna. A mo�a insistiu. Como foi que quebrou? Quando? Estava engessada? A menina respondia com monoss�labos inintelig�veis e insistia, por sua vez, para que a mo�a comprasse as mariolas.

Depois de v�rios minutos de interrogat�rio seguro mas sens�vel, a mo�a concordou em comprar -- desde que fosse da m�o da m�e. Onde estava a m�e? A menina recusou-se mais uma vez a mostrar a m�e e foi embora, oferecer a mercadoria a fregueses menos atentos.

Cumprimentei a mo�a e perguntei se ela era professora ou trabalhava com crian�as de rua.

-- Que nada, -- disse ela. -- Sou apenas uma m�e revoltada.







=^..^=

Felizmente a Fam�lia Gato n�o acompanha o blog, ou ter�amos cenas de ci�mes terr�veis com o Caso Pipoca!

Ali�s, � curioso como eles "conhecem" a Pipoca (que nunca viram). Quando chegamos em casa depois de brincar com ela, mal cheiram as nossas m�os; ao passo que, se tivermos feito carinho em algum outro bicho, ficam horas tentando decifrar com quem foi que os tra�mos.

A mesma coisa acontece com a Pipoca. Ela aceita a Fam�lia Gato, mas fica extremamente bolada com cheiros de bichos desconhecidos.

Por falar em Pipoca: ela ainda est� meio desconfiada da humanidade, e mal sai de perto do pr�dio (para sossego geral de todos). A ponta do rabo, mordida por algum bicho na casa dos sequestradores, est� quase sarada.

Ainda assim, acho que, no momento, o �nico problema grave da vidinha dela � a coleira, que continua estranhando...





5.8.04


Orkut... r�pido?! SIM!!!

Incr�vel, fant�stico, extraordin�rio: o Orkut pode ficar r�pido! Basta mudar o nome do pa�s, de Brasil para qualquer outro. Escolhi Saint Vincent and the Grenadines, e voil�: estou conseguindo navegar, n�o digo � velocidade da luz, mas bem rapidinho...

Agrade�o a dica ao Alexandre Carvalho, que por sua vez a recebeu do Centro Acad�mico da Engenharia da computa��o da Universidade Estadual de Campinas.







Pelo direito de ir e vir e, sobretudo,
pelo direito de parar no meio


A foto, que saiu aqui mesmo no GLOBO, pouco antes das minhas f�rias, mostrava o banco de uma pra�a no Leblon. Ou, melhor dizendo, restos do que, um dia, foi um banco: uma estrutura de ferro vazia, da qual haviam sido arrancadas todas as ripas de madeira. N�o liguei muito na hora mas, com o tempo, a imagem foi me incomodando cada vez mais � nem tanto pelo vandalismo retratado, que poderia acontecer em qualquer lugar, quanto pela inutilidade do banco, mesmo quando inteirinho e perfeito. E, nem preciso dizer, pelas melanc�licas implica��es de tal inutilidade.

Afinal, de que adianta um banco de pra�a se ningu�m tem mais paz para sentar-se nele? Quem vai ser louco de ler jornal, namorar, conversar com amigo ou simplesmente dar um tempo para pensar na vida, num banco de pra�a, numa cidade desgovernada como a nossa? De que adianta um banco puramente ornamental, como s�o, em princ�pio, todos os bancos de pra�a do Rio de Janeiro? O selvagem que arrancou as ripas do banco da foto estava, ainda que involuntariamente, prestando um servi�o de utilidade p�blica: vai que um turista desavisado acreditasse que ele estava l� para ser usado...

* * *

O pior � que a imagem do banco inutilizado continuou me assombrando ao longo das f�rias. Onde quer que houvesse uma pra�a e um banco � ou seja, por toda parte � eu me lembrava, com um aperto no cora��o, do nosso banco desmantelado. Em Riccione, onde as fam�lias alem�s em f�rias sa�am para aproveitar a brisa do fim da tarde; em Veneza, onde as m�es conversavam sossegadas enquanto as crian�as corriam soltas por todos os lados; em Barcelona, onde h� tantos casais apaixonados quanto turistas exaustos; enfim, em todos esses lugares, o malfadado banco me voltava � mente, e eu sentia uma tristeza enorme pela minha cidade, mais bonita do que qualquer outra cidade, mas onde ningu�m passeia mais, ningu�m mais joga conversa fora na rua ou namora na pra�a, sem ter a sensa��o (muito correta) de estar correndo um grave risco de vida.

Converso com amigos que tamb�m viajaram recentemente e descubro que o sentimento (ressentimento?) � geral. Antigamente volt�vamos da Europa falando de exposi��es, concertos, modas. Houve at� uma �poca, n�o muito remota, em que fal�vamos das compras, imaginem. Parece incr�vel, mas sou testemunha: n�s, brasileiros, privilegiados ma non troppo, consegu�amos viajar e, ao mesmo tempo, fazer compras. Em moeda forte!

Mas isso � outra hist�ria. Hoje, exce��o feita a correspondentes de guerra, nossas impress�es de viagem s�o singelas e semelhantes. A globaliza��o e a internet acabaram com o impacto das novas novidades; o que nos atrai, o que mais nos chama a aten��o �, justamente, o que antes t�nhamos em comum com os lugares que visitamos. Assim, n�o nos cansamos de comentar que coisa extraordin�ria � andar pela rua com tranq�ilidade, que maravilha � passear olhando vitrines, que del�cia indescrit�vel � sentar num banco de pra�a � qualquer pra�a � e se deixar ficar, vendo o movimento. Que perfei��o � a pra�a!

Fam�lias inteiras aparecem ao entardecer, para uma caminhada antes do jantar; amigos jogam xadrez; vizinhos chegam do trabalho e fazem uma social antes de subir para casa. Crian�as brincam � vontade, cachorros trazem seus donos para a rua e, aqui e acol�, um gato confere o seu territ�rio. N�o se ouvem tiros, n�o h� assaltos, a pol�cia n�o anda com fuzis e metralhadoras � vista. Ningu�m cai morto s� assim, de bala perdida ou pura maldade.

Passei um bom tempo das minhas f�rias curtindo as pra�as de Veneza e Barcelona, encantada de ver esta coisa aparentemente natural: o cidad�o em pleno usufruto da sua cidade. N�o precisaria ter ido t�o longe para isso. Montevid�u, logo ali na esquina, est� cheia de pra�as, que os uruguaios usam contentes, de cuia e bomba na m�o; em Buenos Aires, apesar de todas as crises, os portenhos continuam aproveitando os seus lindos espa�os p�blicos. Eles podem at� ter perdido para a gente no futebol, mas ganham, de goleada, em qualidade de vida � mesmo quando n�o t�m um peso no bolso. Entre outras coisas, eles t�m a grande vantagem de ter um governo que ama a sua cidade.

* * *

N�o sei quando perdemos o Rio. N�o sei quando deixamos de combinar encontros uns com os outros na pracinha, quando deixamos de parar na esquina para uma conversa sossegada, quando confinamos as crian�as aos shoppings e aos playgrounds � duas �reas t�o distantes da nossa alma latina que, at� hoje, continuam com nome em ingl�s. N�o sei quando a cidade deixou de ser a extens�o das nossas casas para se tornar esta terra de ningu�m, em que vivemos cada vez mais assustados e cada vez menos.

Toda a demagogia do casal que a� est� ser� in�til enquanto n�o reconquistarmos o Rio, o nosso direito de ir e vir e, sobretudo, o nosso direito de parar no meio, entre o ir e o vir -- para poder ver, com calma, como a cidade continua maravilhosa.

(O Globo, Segundo Caderno, 5.8.04 -- No jornal, o t�tulo desta cr�nica foi Mem�rias de viagem e de um banco quebrado)

Este � o post n�mero 3.000 do internETC.






Cad� os meus amigos?!

Algo estranho est� acontecendo no Orkut: os meus amigos sumiram todos...





4.8.04



=^..^=

Boa not�cia: Pipoca (que agora usa uma coleirinha vermelha) voltou, finalmente, a falar comigo! Quando sa� de manh� para dar uma volta de bicicleta, com todo o tempo do mundo, ainda me ignorava solenemente; mas � tarde, quando sa� atrasad�ssima para o jornal, me olhou das pedrinhas onde tanto gosta de ficar e miou alto, exigindo aten��o.

Foi a primeira vez que me dirigiu a palavra desde que voltou para casa. Fiquei t�o feliz que, atrasada ou n�o, fui l� conversar um pouquinho. Ela fez o n�mero completo: se esfregou na minha perna, virou de barriga pra cima, arranhou o tapete... uma coisa linda de ver!

De manh�, por acaso, fiz umas fotos dela, meio escondida debaixo das plantas. Estavamos nisso, olhando uma para a outra, quando, de repente, ela ficou em posi��o de alerta e z�s!, correu pra cima de um passarinho que eu nem tinha visto.

Felizmente est� fora de forma, e o passarinho escapou. Pipoca ficou muito sem gra�a, despistou, mordiscou a grama e foi rolar na terra do jardim, como se jamais tivesse tido outra inten��o...






Chamem o Maluf!

Mandar d�lar para fora do Brasil, como sabe quem acompanha o notici�rio, � o que h� de mais f�cil. Sobretudo quando � muito d�lar. Mas receber os suados caramingu�s dos anunciozinhos do Google virou um pesadelo para v�rios webmasters brasileiros: a Receita Federal resolveu reter os envelopes do Fedex, exigindo "explica��es".

Est�o nessa situa��o rid�cula o Alma Carioca, o Ueba e a Macmania, entre sei l� quantos outros.

Merecem.

Quem manda tentar ganhar a vida honestamente?!
















"O foco � um conceito pequeno-burgu�s"

Henri Cartier-Bresson, 22.8.1908-2.8.2004

E, claro:










3.8.04




� o bicho!

O filhote de tigre, hoje com dois meses, foi adotado por esta simp�tica cadelinha. N�o tenho a menor id�ia do que a tigresinha estava fazendo em Villeneuve-d'Asq, na Fran�a, mas gostei do nome que lhe deram: Cora... :-)

Quem descobriu esta not�cia (da AFP) foi o Ricky Goodwin. Valeu, querido!





2.8.04




Aliiiiiiiiicia!!!

Hoje a ruivinha da fam�lia completa um ano!

No ano passado ficamos todos na torcida, aqui em casa, para que ela nascesse no dia do meu anivers�rio; mas a Alicia � ainda mais descansada que a av�, e s� chegou para a festa dois dias depois... :-)

Parab�ns, bonitinha!

E parab�ns, Paulinho e Kelyndra: voc�s s�o os meus her�is.






A vida depois da morte

Est� na moda dizer que o Orkut � uma bobagem, um reposit�rio de vaidades em que o que conta � ter muitos amigos e muitas estrelinhas, mas onde pouca ou nenhuma intera��o emotiva acontece entre as pessoas; que o Orkut seria apenas um desfilar de egos, uma geladeira de almas, que s� se encontram, de verdade, nas mesas de botequim.

Pois a p�gina Orkut do Fernando Villela, o Fervil, transformado em triste estat�stica na semana passada, ao ser morto durante uma tentativa de assalto, mostra o oposto disso � e d� o que pensar.

Por ter tido uma intensa vida online, Fervil deixou de presente para sua fam�lia e para seus amigos um espa�o de encontro e de desabafo, um ponto para onde podemos conduzir a dor e perceber que nossa perplexidade � compartilhada. Deixou tamb�m muito material de reflex�o para aqueles que, como ele, n�o se cansam de estudar, curtir e admirar a internet e a conectividade.

No Orkut e, em menor escala, no blog do Fervil, amigos, conhecidos e at� desconhecidos, solid�rios na revolta, est�o extravasando sentimentos que, no mundo �real�, apenas encontrariam eco nos breves instantes de uma missa ou, digamos, numa eventual passeata contra a falta de seguran�a no Rio; mas essas situa��es exigem uma presen�a f�sica que a dist�ncia nem sempre permite. Eis que entra em cena a internet, desempenhando a fun��o fundamental de reunir e amparar pessoas que compartilham a mesma tristeza e a mesma indigna��o.

Sei, por experi�ncia pr�pria, como � importante ter com quem dividir as perdas. Quando Paulo Francis morreu, eu estava longe do Brasil, longe de telefones vi�veis e cercada por estrangeiros que n�o tinham a menor id�ia de quem ele era. Gentis, eles tentaram me consolar da morte do amigo � mas a verdade � que s� se encontra conforto entre quem divide a mesma dor. A ang�stia solit�ria que senti naqueles dias �, at� hoje, uma das piores lembran�as da minha vida.

* * *

Muita gente se esquece que, na internet, h� gente em todas as pontas. A superf�cie da tela � fria, mas os sentimentos que nela se manifestam nem sempre o s�o. Na p�gina Orkut do Fervil, amigos de todos os cantos t�m expressado sentimentos semelhantes. Nos rastros da passagem dos que l� estiveram antes encontram a prova de que n�o est�o sozinhos, e que outras pessoas espalhadas pela web entendem perfeitamente como se sentem. Isso faz bem.

Al�m dos que se manifestam, tenho certeza de que h� muitos mais que apenas l�em o que os outros escrevem e que permanecem �calados�; como estou certa de que voltam repetidamente ao blog em que o �ltimo post foi escrito poucas horas antes da morte do Fervil apenas para estar l�, para ter mais um pequeno contato com o amigo desaparecido e com a sua lembran�a.

* * *

�Nunca experimentei antes a sensa��o de entrar no blogue de algu�m que acabou de morrer�, observou o jornalista Cesar Valente na �rea de coment�rios do meu blog, sob um link que leva ao blog do Fervil . �� como entrar no quarto ou na casa de algu�m recentemente falecido: as coisas est�o ali, do jeito que foram deixadas. E no caso do Fervil (a quem n�o conhecia), o post sobre os planos de mergulhar, explorar novos mundos, organizar as prioridades, d� uma triste medida da nossa prec�ria exist�ncia.�

A sensa��o que o Cesar descreve � mesmo estranha mas, naturalmente, ser� cada vez mais comum com o passar do tempo. Alguns blogs �rf�os de seus criadores continuam vivos, atualizados por amigos ou familiares como mem�ria e lembran�a; outros permanecem congelados no ciberespa�o, lembrando, ainda assim, que por ali passou uma vez uma pessoa, com seus sonhos, seus ideais e suas bobagens triviais de pessoa.

No Orkut, a experi�ncia comunit�ria dilui o estranhamento e aumenta a sensa��o do encontro. Nos recados do Fervil h� at� comunicados sobre as missas e chamadas para a comunidade orkutiana �Fervil Vive�.

�N�o conheci Fervil, mas estava conversando com um amigo no msn na hora que ele recebeu o telefonema com a not�cia�, escreveu Luciana. �Na hora foi um choque, mas pior foi chegar aqui e ver a quantidade de amigos que ele tem. A quantidade de gente que est� sofrendo desde que soube o que aconteceu. Para mim, esse caso foi indigna��o, revolta. Para os amigos e familiares, que o amam, � dor, muita dor. N�o podemos deixar que isso seja mais um n�mero nas estat�sticas de viol�ncia! O que podemos fazer? N�o sei. No momento, s� podemos desabafar, e � isso que estou fazendo.�



(O Globo, Info etc., 2.8.04)






Nossos comerciais

A renda dos anunciozinhos do Google, que parecia t�o promissora assim que instalei o sistema, � bem desanimadora, e anda em queda livre desde abril, quando foi �queles espetaculares U$ 120,40. Em maio o blog faturou U$ 22,48, em junho U$ 10,50 e agora, em julho, U$ 9,19.