13.11.06


Boa tarde!










Laura









12.11.06


Bia










Ju










Mam�e










Arqueologia urbana: quem se lembra?










Parab�ns, gatinho!!!

Hoje � anivers�rio do Eduardo Stuart, o anjo-da-guarda que resolve os problemas tecnol�gicos de todos n�s e, sobretudo, pepinos de diversas categorias de dificuldade aqui do blog -- sempre com o sucesso, a gentileza e a boa-vontade que s�o suas marcas registradas.

Como dizem por a�, gatinho, "Obrigada por voc� existir"!

Parab�ns hoje e sempre. Tenho muito orgulho em ser sua amiga.






Mais efeitos especiais










Estou adorando os efeitos do Nokia N80










Quem ele pensa que �?










Lucas capturou a janela da Keaton...










Um fradinho bo�mio










Aldo









11.11.06


Nelsinho, Van e Tom










Van, Tom, Lucas










Na cozinha do Tom: Nelsinho e Arminda










Lucas e VanOr










Uma loja quase pronta









10.11.06


A mesa da Elis










� hora do lanche...










Estou viciada nessa trilha sonora!










Em frente � minha casa










Emerg�ncia felina!

Lucky e Julia s�o irm�os e foram abandonados quando eram beb�s num dia de chuva. Julia tem pavor de ficar sozinha e fica desesperada quando n�o encontra Lucky.

Os dois precisam ser adotados juntos.

Algu�m sabe de quem esteja precisando de dois jovens gatos muito saud�veis e cheios de personalidade?






Gostei disso!

"De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, n�o ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa et�so, a �ncia csioa iprotmatne � que a piremria e �tmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma b�guana ttaol, que vco� anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso � poqrue n�s n�o lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo."

(Valeu, Jayminho!)





9.11.06


Para onde vai o meu dinheiro :-(










Eu amo a minha cidade!










Da nova cole��o Francesca Romana Diana










Um ap� simp�tico... ;-)










Retrato de fam�lia









Est� tudo acabado entre n�s!

Cronista discute a rela��o
com cart�es de cr�dito



-- Estou falando com a senhora Cora?

A voz do rapaz era bem educada, mas meu sistema imunol�gico entra em alerta m�ximo quando algu�m me pergunta se est� falando com a "senhora Cora". Ainda assim, sendo, efetivamente, a senhora Cora, disse que sim, que ele estava falando comigo mesma. Que ventos o traziam?

-- Bom dia, senhora Cora. Meu nome � Rafael, sou do departamento de preven��o contra fraudes e estou ligando porque notamos algumas despesas que fogem ao padr�o habitual de gastos do seu cart�o de cr�dito.

Depois da protocolar troca de identifica��es, o Rafael listou as despesas: mais de mil reais no Walmart (onde jamais pus os p�s), pequenas fortunas em postos de gasolina (n�o tenho carro), gastos rid�culos em lanchonetes (das quais a dieta me obriga a manter dist�ncia). Al�m disso, no hor�rio em que foram realizadas, estou invariavelmente dormindo. Como pode algu�m que vai para a cama �s 5h, na Lagoa, detonar um cart�o de cr�dito �s 9h30, no Walmart?!

Meu cart�o foi clonado, e tudo estaria resolvido se eu soubesse onde ele est�. Mas n�o sei. Este cart�o, especificamente, vive na gaveta da escrivaninha, de onde sai apenas em viagens ou emerg�ncias. Foi comigo para Helsinki, disso estou certa e dou f�; se foi perdido por l� e n�o reparei, estaria sendo detonado na Stockmann, e n�o no Walmart.

Tudo estaria resolvido, tamb�m, se o indigitado cart�o tivesse seguro contra perda e roubo; mas, de todos os meus sei l� quantos cart�es, este tinha que ser, naturalmente, o �nico sem seguro. Ora, eu nunca, jamais, em tempo algum, liguei para uma administradora para pedir pedir seguro. Para mim, o seguro vinha com o cart�o, automaticamente. Pelo menos, � assim que acontece com os outros.

No auge do estresse, ainda sem solu��o � vista para o impasse que pode levar o meu d�cimo-terceiro embora, tomei uma decis�o de Ano Novo adiantada: em 2007, vou dar jeito na minha financeira -- e este jeito vai come�ar pelos cart�es de cr�dito. N�o quero mais cart�es de cr�dito! Chega de cart�es de cr�dito! J� me livrei de v�cios piores; agora est� na hora de tomar ten�ncia e vergonha na cara, e equilibrar o or�amento. Afinal, sou mulher ou sou perua?!

* * *

Minha rela��o com os cart�es de cr�dito come�ou em 1983, quando voc�s ainda n�o eram nascidos. Foi quando ganhei do falecido Banespa meu primeiro cart�o, um American Express. Ter cart�o no Brasil, naquela �poca, n�o era nem muito comum nem muito f�cil, e fiquei encantada com as facilidades que me proporcionava aquele lindo ret�ngulo de pl�stico.

Cheguei a desenvolver uma rela��o afetiva com o meu American Express, que informava a quem o visse que eu era "associada desde 83". Vejam voc�s como � f�cil iludir uma alma simples: "associada"! Eu acreditava sinceramente naquilo, e na correspond�ncia cheia de salamaleques que a American Express enviava -- e, como o cart�o n�o tinha limite de gasto, acreditava tamb�m que aquele dinheiro era todo meu. Fiz compras extravagantes e maravilhosas e fui muito feliz, ainda que ficasse tenebrosamente endividada.

Essa linda rela��o terminou de maneira brusca a� pelos idos do ano 2000, se n�o me engano, quando fiquei doente, tive que ser operada, entrei em depress�o e me esqueci de pagar a conta, paradoxalmente baix�ssima, por dois meses. Pois n�o � que, justo nesse momento de desamparo, o American Express que eu tanto amava cancelou meu cart�o e me mandou o nome, sem qualquer cerim�nia, para o servi�o de prote��o ao cr�dito?!

Fiquei t�o magoada, mas t�o magoada, que nem d� para descrever. Pois n�o �ramos associados desde 1983?! E, ao longo daqueles anos, eu n�o tinha torrado uma quantia consider�vel naquele cart�o?! Sei que guardar m�goa de cart�o de cr�dito � t�o pat�tico e rid�culo quanto ter raiva de geladeira -- mas n�o consegui superar o desgosto e, at� hoje, fico sentida quando, por acaso, dou de cara com alguma correspond�ncia antiga perdida pelas gavetas. Sou muito sentimental.

* * *

N�o cheguei a desenvolver nenhuma rela��o t�o intensa com qualquer outro cart�o. Com a minha atual cole��o, os motivos de fidelidade s�o pragm�ticos, e est�o relacionados, todos, � milhagem oferecida. Quando preciso de um pouco mais de milhas na Varig uso um, quando preciso de mais milhas na American uso outro; o Diners me oferece salas vip em diversos aeroportos, o que � uma m�o na roda quando a Ponte A�rea atrasa.

Mas eu posso viver sem isso, caramba! Eu posso viver sem financiar tudo em muitas vezes sem juros, eu (acho que) posso viver sem milhagens e, sobretudo, posso viver sem sustos como a clonagem de que fui v�tima. No ano passado, estabeleci como meta de Ano Novo voltar � forma; de l� para c�, perdi 12 quilos e j� estou no meu peso certo. Se consegui fazer isso, vou conseguir, tamb�m, cortar os cart�es da minha vida. Me aguardem! Relato completo na cr�nica do dia 27 de dezembro de 2007!

* * *

Reparem, na foto, na quantidade de algas na Lagoa. J� j� os peixes come�am a morrer, e a� as autoridades (ainda as h�?) reagir�o com o espanto de quem n�o sabia de nada...


(O Globo, Segundo Caderno, 7.11.2006)






Subiu na geladeira e n�o sabe descer...









8.11.06


Eu amo a minha cidade










Dizem que � pra ser o Otto










Adorei esse efeito!










Voltando a p�










Reuni�o de editores










J� vai?










A caminho de casa









7.11.06


Aposentados










T�nis novo... :-)










Tirem os card�acos da sala!

Vejam a quantas anda a nossa vida tribut�ria...

(Obrigada, Pablo!)






Boa pergunta!

O Alexandre Carvalho quer saber uma coisa que, ali�s, muito me intriga tamb�m:
"Esse post (o do tombo da bicicleta) me fez lembrar de algo que sempre me intrigou: Por que raios um machucado de v�rios cent�metros de di�metro n�o costuma doer tanto, mas um m�sero machucadinho, do tamanho de uma formiga, parece reunir ali todas as termina��es nervosas de seu corpo, de modo que voc� passa a sentir uma dor insuport�vel?"




Enquanto isso, na Argentina...

(Obrigada, Aldo!)





6.11.06


Argh!!!!!!!

Estou meio afogada de trabalho, e preciso me concentrar. Mas est� muito dif�cil, porque estou subindo parede de costas com o tenebroso projeto de controle da internet que o nosso dign�ssimo congresso vota essa semana.

Dessa vez, por incr�vel que pare�a, o PT n�o tem culpa: a cabe�a privilegiada da qual saiu a brilhante id�ia � do senador Eduardo Azeredo, do PSDB.
(A autoria do projeto � do senador Delc�dio Amaral, do PT; o senador Eduardo Azeredo, do PSDB, � o relator. Que ardam juntos no inferno das p�ssimas inten��es.)
A �nica coisa que me consola � que, se conhe�o os h�bitos da tribo, a essa hora n�o h� hacker digno do nome que n�o esteja empenhado em tentar detonar os computadores dos imb..., digo, nobres parlamentares.

N�o se controla a internet!!!

Mas quando � que essa gente vai aprender isso?!

Vivem no s�culo XXI com a cabe�a na Idade M�dia!!!

E n�s ainda lhes pagamos sal�rios para inventarem mer..., perd�o, projetos de lei dessa natureza.

* suspiro, grande suspiro *






Olha como est� essa �gua... :-(










Isso � que � vida!










Nasce um lindo dia










A lua por tr�s das nuvens










Ju










No Da Silva









5.11.06


Keaton









4.11.06


Pombos levando um lero










Godri e Kiko










Keaton









Um dia sem a Zelite

Uma vez assisti a um filme chamado "Um dia sem mexicanos". A id�ia era �tima: um belo dia, os americanos, que vivem reclamando dos "ilegais" que v�m do M�xico, acordam sem nenhum mexicano � vista. N�o h� mais ningu�m para cuidar das crian�as, fazer faxina, servir nos restaurantes, tocar as obras e assim por diante.

Infelizmente a execu��o da id�ia, como cinema, n�o era l� aquelas maravilhas; mas o recado contra o preconceito e a estupidez foi dado com gra�a e veneno.

Depois de ver a asquerosa postura petista "contra as elites" e a calma do presidente que descansa de barriga pra cima na Bahia, porque afinal prometeu um governo para os pobres e problemas de aeroporto s�o, como se sabe, coisa de rico (e de quem n�o tem Aerolula) fiquei imaginando se n�o estava na hora de algu�m fazer um filme parecido: "Um dia sem a Zelite".

Um belo dia, o Brasil acordaria exatamente de acordo com os sonhos do pai do Ronaldinho das Telecomunica��es: a elite, que tanto o sabota, teria sumido toda.

N�o haveria mais professores nas escolas, m�dicos nos hospitais, pilotos nos avi�es, engenheiros, arquitetos, qu�micos, f�sicos. As lojas n�o abririam. N�o haveria previs�o do tempo, nem gera��o de energia, nem internet. Os telefones ficariam mudos. R�dio, televis�o e jornais desapareceriam -- t� vendo que beleza, ningu�m mais criticando o governo!

Nem preciso dizer que toda e qualquer opera��o banc�ria estaria suspensa; e que, em desaparecendo a Zelite, desapareceriam tamb�m os impostos.

A�, finalmente, o Brasil estaria "arrumadinho para crescer", sem ningu�m para atrapalhar...

E agora tchau, que a Zelite aqui tem trabalho esperando.

Bom fim-de-semana para todos!






Bom dia!






3.11.06


A escada precisa um trato...









2.11.06

H� mais coisas no ar al�m dos avi�es de carreira

Uma das maravilhas da internet � que, reunindo uma quantidade infinita de pessoas, soma uma quantidade igualmente infinita de conhecimento num s� lugar. � por isso que eu gosto tanto de projetos como o imdb, que tem tudo sobre todos os filmes e come�ou como um modesto banco de dados da universidade de Cardiff, o Foldoc, ou a Wikipedia.

Mesmo aqui no blog, min�scula gota d��gua no oceano da rede, temos especialistas em tudo: ainda est� para aparecer pergunta que fique sem resposta. Agora mesmo, o nosso Wilson Cavalcanti, piloto de larga experi�ncia, acaba de escrever um coment�rio excelente, sobre a greve dos controladores de v�o.

Espero que a Laura, que est� presa no aeroporto de Bras�lia h� quatro horas, esperando o v�o que n�o sai, s� leia isso quando voltar para casa... ;-)
"Controlador de tr�fego a�reo � profiss�o submetida a estresse cont�nuo, pois o sujeito controla ao mesmo tempo v�rios avi�es, v�rias vidas. Uma orienta��o errada, um vacilo e ele pode causar uma trag�dia prejudicando a muita gente que confia (at� sem saber) em seu trabalho.

Mas eles s�o assistidos por muita tecnologia, de forma que n�o acho que seja algo mais estressante do que, digamos, um plant�o m�dico em um pronto-socorro como o Souza Aguiar a� no Rio.

O problema que somente agora veio � tona -- e que, concordo, aumenta as suspeitas de alguma influ�ncia do nosso controle de tr�fego a�reo no acidente da Gol -? se deve muito mais a cortes de investimentos (os tais "contingenciamentos") que foram tornados evidentes ao se reverem as atas do Conselho Nacional de Avia��o Civil quando ainda era ministro da Defesa o Jos� Viegas.

V�rios alertas foram feitos.

S� existem duas escolas de qualifica��o de controladores no Brasil, uma em Guaratinguet�, SP (militar) e outra aqui onde moro, S�o Jos� dos Campos, SP, este sendo um instituto que admite civis e militares e promove reciclagens de pessoal, al�m de servir de base tecnol�gica para o chamado "servi�o de prote��o ao v�o", que engloba tudo o que se chama em geral de "controle". Portanto, a forma��o de controladores � limitada e tem de ser bem equacionada, para assegurar a exist�ncia de uma quantidade m�nima em atividade. N�o se rep�em controladores de uma hora para outra.

Mas vejam bem: os controladores s�o a "ponta da linha" do sistema, imaginem tudo o mais que est� por tr�s: radares, sistemas de comunica��o, computadores, forma��o cont�nua de todo o pessoal, etc. S�o a ponta que somente agora est� vis�vel ao grande p�blico. Nos anos (19)70, por diversas raz�es, entre as quais a economia de escala e a defesa a�rea nacional, o nosso pa�s optou por um modelo h�brido de controle de tr�fego a�reo, que serve tanto �s For�as Armadas como � avia��o comercial. Esta nunca foi "onerada" pelo fato de os militares estarem a controlar o espa�o a�reo. Mais recentemente, algumas fun��es menores do sistema foram passadas � Infraero (uma empresa estatal), mas o n�cleo principal, onde est� de fato o cora��o do sistema, � ainda da Aeron�utica.

Tudo funcionou sempre muito bem (eu sou piloto militar da reserva e fui examinador de pilotos do antigo DAC, portanto, fui um usu�rio do sistema) e a deteriora��o, ao que sei, vem acontecendo desde o governo Collor, coincidentemente a partir de quando se passou a considerar "desprez�vel" tudo o que se relaciona ao Servi�o P�blico (civil e militar).

H� algum tempo troquei id�ias com algu�m aqui neste blog sobre este tema, o servi�o p�blico, defend�amos seriamente a sua revaloriza��o. Pois bem, assim como os hospitais p�blicos sofrem hoje com falta de pessoal, equipamentos desatualizados e mal mantidos, podem todos fazer uma analogia e transplantar tudo o que todos conhecem sobre esse desmantelamento do servi�o p�blico para essa �rea que poucos ainda conhecem, o sistema de controle do espa�o a�reo brasileiro.

Saibam que nessa �rea o Brasil, como todos os demais pa�ses do mundo, � constantemente auditado por diversos organismos internacionais (em especial a Federal Aviation Agency dos EUA) e quando as coisas n�o v�o bem em algum pa�s, este � "rebaixado" nos rankings, sofrendo restri��es s�rias. Sempre tivemos grau m�ximo e se as coisas agora n�o v�o bem (o que poder� levar a algum rebaixamento nessas auditorias), acho que o problema n�o � dos t�cnicos nem do fato de ser a Aeron�utica a controlar esse sistema.

Essas queixas dos controladores civis contra os militares me parecem muito mais "ajustes de contas" pessoais, e em qualquer pa�s s�rio n�o seriam levadas em conta. Se a decis�o for por tornar civil todo o sistema, a conta ser� alta. E essa decis�o tem de ser embasada em crit�rios amplos, n�o essas queixinhas de (alguns) controladores.

O problema est� certamente na �rea financeira do nosso governo federal, que ultimamente tem tido a obsess�o de pagar as contas externas em detrimento dos problemas internos.

O meu candidato derrotado, Geraldo Alckmin, falou muito sobre isto na campanha, o pov�o fez vista grossa. Lamentavelmente, o pov�o somente agora come�ava a viajar de avi�o, com o aparecimento das empresas "low cost" (BRA / Gol)... E, mais lamentavelmente, os controladores somente fizeram a sua greve tartaruga ap�s as elei��es..." (Wilson Cavalcanti)






N�o � espa�osa nem nada...









"Que queda foi aquela, companheiros!"

(Shakespeare, Julio Cesar, discurso de Marco Ant�nio)

Na maioria das vezes, o pior do
tombo de bicicleta � o tamanho do mico



Existem dois tipos de ciclistas: os que caem e os mentirosos. Levar tombo da bicicleta faz parte da vida sobre duas rodas, mais ou menos como ser assaltado faz parte da vida brasileira: voc� pode ter tido sorte e estar inc�lume at� agora, mas n�o se fie -- mais cedo ou mais tarde, voc� tamb�m ser� uma estat�stica. N�o � quest�o de se, � apenas quest�o de quando.

Tudo isso me foi dito por um amigo centauro, meio homem, meio bicicleta, daqueles que compram cada parte da magrela separadamente, inventam seus pr�prios quadros e guid�es e, claro, j� se estabacaram de todas as formas poss�veis e imagin�veis. E, nem preciso dizer, pertencem ao primeiro grupo.

Ele estava me consolando do tombo monumental que tomei semana passada, e do qual sa� com o bra�o e o joelho esquerdos esfolados e uma marca de oito dentes em semic�rculo na batata da perna direita, resultado de uma mordida cavernosa da catraca da corrente.

N�o sou boa ciclista, s� sei andar sem as m�os em retas e fico ro�da de espanto e inveja quando vejo alguns prod�gios de equil�brio: surfistas carregando pranchas, pais com uma crian�a na frente e outra atr�s, carregadores diversos levando as mais estranhas mercadorias.

A simples vis�o de algu�m pedalando e usando guarda-chuva ao mesmo tempo, incomum aqui mas freq�ente na Europa, j� basta para me encher de admira��o.

Sempre que caio, acho que n�o fui talhada para a coisa, que mais seguro seria mesmo comprar uma daquelas bicicletas ergom�tricas que n�o saem do lugar e todas as besteiras em que pensam os maus ciclistas quando se ferram. Ouvir daquele bamba das duas rodas que cair � a coisa mais normal do mundo foi, portanto, um b�lsamo para a minha alma ainda contundida: afinal, no tombo de bicicleta, muito pior do que os arranh�es � o tamanho do mico que se paga.

Sob este aspecto, meu pen�ltimo tombo foi uma tranq�ilidade. Eu estava num parque na Alemanha, ainda durante a Copa do Mundo, e freei abruptamente para fotografar um esquilo que almo�ava. O ch�o, de areia, era o que h� de menos prop�cio para freadas abruptas -- e de mais prop�cio a arranh�es perversos.

A bicicleta dan�ou, deu um pinote, e l� fomos n�s: ela para um lado, eu para o outro e o esquilo �rvore acima, espantado com o estr�pito. Tirando ele, por�m, n�o havia ningu�m nas redondezas, de modo que pude recolher os caquinhos do meu orgulho sem testemunhas. At� voltar ao hotel, no entanto, o machucado do joelho grudara no jeans: al�m da dor, uma afli��o s�.

Mas passa.

Passou.

Semana passada n�o tive tanta sorte. Os pneus estavam baixos e rumei para o posto; o sinal fechou na Vinicius, resolvi aproveit�-lo, acelerei e, ainda por cima, fiz uma curvinha estrat�gica para pegar a rampa do meio-fio. Pronto: diante dos carros todos parados, a bicicleta ganhou vida pr�pria e voou para a direita, enquanto eu despencava para a esquerda.

N�o vou dizer que a vida passou num flash diante dos meus olhos, mas o tombo aconteceu em c�mera t�o lenta na minha cabe�a que foi quase como se me visse de fora: os pneus ao alto, o guid�o ao ch�o, a catraca assassina na perna. Ai!

Levantei-me o mais r�pido que pude, mas n�o o suficiente para evitar que um cavalheiro prontamente saltasse de um dos carros para me ajudar:

-- A senhora est� bem? N�o se machucou?

-- N�o me machuquei, n�o, obrigada.

-- Precisa de ajuda?

-- N�o, obrigada, est� tudo OK.

Morrendo de vergonha, dei duas mexidinhas na bicicleta para dar � plat�ia a impress�o de que estava mais preocupada com os preju�zos do que com os arranh�es, e sumi o mais r�pido que pude da cena. No posto, enquanto um atendente enchia os pneus, conferi os estragos e liguei para um amigo m�dico. Perguntei o que recomendava para os machucados. Anotem a�, porque nunca se sabe:

-- Lavar bem com �gua e sab�o, passar �gua oxigenada e, se for o caso, cobrir com uma gaze para n�o ficar ro�ando na roupa. Se a gaze grudar na ferida, �gua oxigenada.

Funcionou. Escrevo na ter�a-feira, uma semana depois do King-Kong, e tudo est� sarando como deve. Curiosamente, os ralados bobinhos doem mais do que a dentada da catraca, mas � assim mesmo. Mais dif�cil foi recompor o amor-pr�prio ferido -- mas saber que acontece com todo mundo muito me ajudou.

Por isso, inclusive, esta cr�nica, dedicada a todos que j� me disseram que n�o andam de bicicleta por medo de tombos. Fala uma sobrevivente: do ch�o n�o se passa.

* * *

Agora que as elei��es acabaram e que a vida volta a entrar nos eixos, fa�o tr�s pequenos registros que perderam a vez para a pol�tica. Come�o com a "Agenda Carioca", da Antonia Leite Barbosa, uma publica��o da editora Senac Rio que todo carioca deveria ter em casa. � uma mina de endere�os �teis e dicas inesperadas, que n�o canso de consultar.

Outro: "O menino que amava Anne Frank", de Ellen Feldman, da Editora Record, romance criativo e bem conduzido que, apesar do tema deprimente, � excelente leitura.

Finalmente, um viva � Alfaguara, editora com E mai�sculo, que vem lan�ando um livro maravilhoso depois do outro.


(O Globo, Segundo Caderno, 2.11.2006)





1.11.06


Respeito aos jornalistas profissionais

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Munic�pio do Rio de Janeiro reprova a histeria de inspira��o fascista dos militantes que, no Pal�cio da Alvorada e na base a�rea de Bras�lia, agrediram os rep�rteres que cobriam o dia seguinte da vit�ria de Lula. Foi uma mancha na bela festa da democracia e merece, ao nosso ver, uma manifesta��o contundente do PT e do presidente Lula para dissipar quaisquer d�vidas sobre sua voca��o democr�tica, diversas vezes provada ao povo brasileiro.

Cobramos tamb�m agilidade e efici�ncia nas investiga��es sobre a den�ncia de abuso de autoridade feita pelos rep�rteres da revista Veja contra o delegado da PF paulista Eduardo Ferreira. Ele teria constrangido os jornalistas no depoimento que prestaram sobre a hist�ria da compra do dossi�. No interrogat�rio, segundo os jornalistas, o delegado demonstrou desapre�o pelas liberdades individuais, questionando os profissionais sobre sua filia��o partid�ria e tecendo ironias e insinua��es incompat�veis com a isen��o exigida em sua fun��o de policial.

Qualquer cidad�o pode questionar a linha editorial dos ve�culos de comunica��o e o leitor tem todo o direito de cancelar sua assinatura quando considera que seu jornal ou sua revista n�o pratica um Jornalismo de qualidade. Pode tamb�m mudar de canal e lutar pela democratiza��o dos meios de comunica��o. Infelizmente, nem todos t�m educa��o ou informa��o suficientes para saber diferenciar os interesses dos donos da m�dia do trabalho profissional dos jornalistas. Os partidos pol�ticos e os agentes do poder p�blico n�o t�m direito a essa ignor�ncia. Eles t�m a obriga��o de zelar pelo respeito aos jornalistas profissionais.


Sindicato dos Jornalistas Profissionais
do Munic�pio do Rio de Janeiro






Quase l�










Tati










Mosca










Amanhece










Bar Lagoa










Bar Lagoa










Bar Lagoa