29.1.11

Toró brincando com o iPad: adora!


Entre maçãs e conselhos














Como já contei aqui, este ano, pela primeira vez, fiz uma viagem de trabalho sem levar notebook. Fui à CES com dois tablets (o iPad e o Samsung Galaxy), mais um teclado Apple Bluetooth, para ver se a vida sem computador tradicional é viável quando há textos e prazos a serem cumpridos.

Por que levei os dois tablets? Porque queria tirar a prova do meu relacionamento com eles, que aqui no Rio funciona de forma distinta: o iPad é o companheiro doméstico, ao passo que o Galaxy vai para a rua e não me larga (ou vice-versa). De modo geral, o que percebo é o seguinte: uso o Galaxy para registrar as coisas, e o iPad para ler. No meio de campo, o Evernote, indispensável.

Em Las Vegas, minha reação automática foi levar o Galaxy na bolsa ao invés do iPad (o peso e o tamanho fazem diferença) mas, por causa da quantidade de gente e da confusão geral, quando eu precisava fazer anotações rápidas recorria mesmo ao bom e velho bloquinho. O Galaxy era útil na sala de imprensa, para passar a limpo as anotações, conferir horários e acessar websites de companhias que me interessavam.

À noite, no hotel, o iPad entrava em cena como processador de texto, fazendo uma dupla dinâmica com o tecladinho da Apple. Consegui escrever a coluna que vocês leram aqui na semana da CES, mas ficou óbvio, para mim, que o iPad ainda não substitui um notebook, nem mesmo com teclado à parte, porque não dispensa algumas operações em touchscreen. Misturar comandos no teclado e na tela é um atraso de vida.

Agora sou a feliz proprietária de um Mac Book Air de 11”. É o meu primeiro computador da Apple e, claro, estou sofrendo com as diferenças de ambiente; mas não resisti ao seu charme, tamanho e leveza. Também, reconheço, a familiaridade com o iPhone e com o iPad me fez ter maior simpatia pela marca. Ainda não li estudos a respeito disso, mas desconfio que o marketshare de computadores da Apple deve ter aumentado desde o lançamento do iPhone, usado indistintamente pelas turmas do Mac e do PC.

Se a minha impressão estiver correta, não deixa de ser curiosa a idéia de que a Apple, que durante anos manteve uma fatia de mercado mais ou menos estável com suas máquinas, esteja em vias de conquistar um público crescente a partir do lançamento de um celular, produto aparentemente inocente e dissociado do universo dos notebooks e desktops.

O mundo Apple cresce a cada CES – para a próxima edição do evento, em 2012, os cinco mil metros quadrados do espaço iLounge, primordialmente dedicados à família de gadgets da Grande Maçã, foram vendidos a exibidores no tempo record de duas horas -- e ainda sobrou muita gente chorando do lado de fora pedindo para entrar. Pudera não: o iLounge foi um dos pontos mais interessantes da CES.

* * *

Por falar em Apple, e respondendo a uma dúvida freqüente entre os leitores. Os carregadores do iPad e do resto da família são iguais por fora, mas diferentes em poder. O do iPad tem 10 watts, o do iPhone (e do iPod) tem 5 watts: não é perigoso misturá-los? Pode-se viajar levando apenas um deles para alimentar diferentes aparelhos?

Perigo nenhum: cada aparelho usa a energia que consegue absorver. Essa diferença de watts existe para acelerar o tempo de carregamento do iPad, lento demais com um carregador de 5 watts. Portanto, se você quiser viajar com seu iPad e seu iPhone mas optar por levar um só carregador, leve o do iPad.

* * *

Dica de site para pais, professores e crianças: o www.internetresponsavel.com.br, desenvolvido pela GVT, empresa de banda larga, em parceria com o CDI, nosso velho conhecido. O site é simpático e extremamente útil, ensinando o uso responsável da internet e de equipamentos, alertando para armadilhas e dando sugestões muitas vezes simples, mas nem sempre óbvias para quem tem crianças e internet sob o mesmo teto.

Uma das novidades do site é um joguinho, “Edu e o uso consciente da internet”, em que o nosso herói, ajudado por super-agentes que aparecem aos poucos, precisa descobrir e solucionar situações de risco online contra um relógio que marca o tempo para a solução da tarefa.

Edu e o Cãopanheiro percorrem diferentes ambientes entre casa, lanhouse e escola e, no caminho, encontram situações complicadas, de pirataria a cyberbullying. Os superagentes entram em cena para ajudá-los a resolver os problemas, dando conselhos em relação a cada um deles.

A dupla GVT e CDI vem lançando há três anos cartilhas muito bonitinhas com o mesmo propósito educativo. Taí um bom serviço prestado à garotada e, sobretudo, a seus pais por vezes bem intencionados, mas nem sempre equipados com as respostas e os conselhos necessários.


(O Globo, Economia, 29.1.2011)

Os meninos começam a se entender


28.1.11

Notícias da Serra

Escreve a dra. Sabina Veras:

Relato de nossa visita aos abrigos de animais e da entrega das doações:

Tudo começou na última quinta-feira, 20/jan. Acordei muito incomodada por não estar fazendo nada pelos que sofreram com a catástrofe da chuva na região serrana do RJ. Por ser veterinária e por saber que os animais também foram vitimados por esta tragédia, decidi tentar ajudar por aí. Liguei para outros amigos veterinários e montei um grupo para subir a serra e ser voluntário no abrigo de animais.Escrevi um e-mail pedindo por doações e enviei para os meus contatos.

No dia seguinte, eu, um amigo e duas veterinárias fomos ao abrigo de cães de Teresópolis. Levamos algumas doações e passamos o dia ajudando. Eram mais de 400 cães e outros continuavam chegando. Difícil manter tudo limpo e organizado - mas o pessoal estava se esforçando. Fiquei surpresa em ver a enorme quantidade de doação que já tinha chegado - nada material faltava no abrigo. Faltava um espaço mais adequado, faltava arrumar novos lares para todos aqueles animais, faltava um pouco de chefia e organização - mas não faltava doação. Foi bonito ver o dono reencontrando o seu labrador perdido na noite da enchente, todos felizes, choro. Triste ver alguns animais doentes - em especial uma mestiça de poodle que sofreu um traumatismo em coluna e que tinha perdido a movimentação dos membros posteriores e ainda sentia bastante dor. Bonito ver tantos tentando ajudar. Triste ver tanto animal perdido.

Tinha deixado o celular em casa. Na volta uma surpresa; muitas ligações de pessoas querendo doar. Meu e-mail, não sei bem como (marido diz: Internet é assim mesmo, tá achando que é brincadeira!?), tinha sido publicado no blog da Cora Ronai e a divulgação foi enorme. Mas não foram somente os seguidores da Cora Ronai que doaram - amigos, família, clientes, vizinhos - todos foram muito receptivos ao meu apelo. Muitíssimo obrigada a todos!!!

O próximo passo foi tentar identificar outros abrigos de animais que pudessem estar com necessidades maiores que o de Teresópolis, já visitado. Localizamos, então, o abrigo de São José do Vale do Rio Preto, região muito acometida pela chuva - cenário daquelas imagens chocantes do resgate de uma mulher com seus três cachorros. Ela sobreviveu, os animais foram levados pela correnteza.

As doações foram chegando ao longo do final de semana e já na segunda-feira conseguimos lotar uma pick-up de donativos que seguiu direto para o abrigo de São José. Continuamos recebendo doações ao longo da semana e ontem, quinta-feira, subimos eu, um amigo e duas veterinárias para lá, levando dois carros repletos de donativos - incluindo uma carga especial solicitada pelas veterinárias responsáveis pelo local e comprada com o dinheiro arrecadado das doações: vacinas para todos os animais do abrigo e alguns medicamentos de custo mais elevado. Sobraram, ainda, oito sacos grandes de ração, que estão subindo hoje para o abrigo de Teresópolis no carro de um veterinário amigo.

Para chegar a São José, passamos por áreas muito acometidas e vimos a destruição de perto - a chuva levou tudo o que tinha próximo ao rio... casas pela metade, barreiras, carros retorcidos... cenário de guerra...

O abrigo de animais de São José foi criado e está sendo mantido pelo esforço de duas veterinárias locais, Dra. Renata e Dra. Giselle, e dos voluntários que aparecem diariamente. Ontem estavam com pouco mais de 40 cães e 10 gatos - mas o trabalho de resgate continua e novos animais vão chegando. Por ser menor que o de Teresópolis, está sendo possível oferecer um cuidado mais individualizado a cada animal resgatado e o esquema está funcionando bem. A maioria está bem de saúde, alguns estão feridos e com miíase (bicheira) - mas já em tratamento e bem melhores. Cada animal de lá tem sua história, todo animal de lá busca um novo lar. Claro que não resistimos e voltamos trazendo duas queridas adoções! Eu peguei uma linda gatinha branca para presentear minha mãe e a Ana Claudia uma cadela filhote amarela para presentear a filha.

Hoje eu entro de férias e saio de viagem no início da próxima semana. Já estava planejado antes de tudo isso. Retorno 14/fev. Aos que quiserem continuar contribuindo, favor fazer contato diretamente com os abrigos:


São José do Vale do Rio Preto: http://sosanimaisdesaojose.blogspot.com/ (dêem uma olhada neste blog - sempre que possível elas atualizam com as histórias dos animais e do dia-a-dia do abrigo - disseram que vão postar fotos nossas lá).

Soube que o abrigo de Nova Friburgo também tem necessidade: http://www.combina.org.br/

O abrigo de Teresópolis pede doação de material para a construção de canis: tubo galvanizado industrial 3/4, tela ondulada, 1/2 de polegada de fio10, alambrado Gerdal 1.57, trinco com tramela...

O abrigo de São José precisa de Frontline spray.
Todos os abrigos precisam de voluntários, pessoas para adotar os animais e gente para resgate com carro que entre nas áreas atingidas.

Muito obrigada a todos, beijos,

Sabina

27.1.11

Toró, o resgatinho




A minha idéia não era adotar ninguém; era só dar uma olhada na feirinha de cães e gatos resgatados das enchentes, para ver o encontro entre bichos carentes e bípedes de bom coração, sempre um lindo momento. Além disso, uma feirinha de animais que teve divulgação nos jornais e na televisão podia até dar uma crônica, quem sabe?

De modo que, no sábado, combinei com a Bia e com o Sérgio de irmos no dia seguinte ao Parcão.  Os dois passaram aqui em casa, e lá fomos nós, basicamente atravessar a rua.

-- Você está pensando em adotar alguém? – perguntou a Bia, no caminho.

-- Não, só quero olhar, mesmo. Ainda sinto muito a falta da Pipoca, que também foi um abalo na vidinha dos gatos. Eles estão reestruturando a hierarquia familiar, e acho que se entrar alguém agora são capazes de ficar muito tensos.

-- Ahã, -- disse a Bia, e não consegui perceber se ela estava concordando comigo ou zombando de mim.

* * *

A feirinha estava bombando.  Havia uma multidão, dezenas de pessoas fotografando e sendo fotografadas, muita gente entrando com doações e saindo com bichos nos braços na maior alegria, autêntico clima de festa. 

Os cães, em geral, estavam contentes com a atenção e com os carinhos recebidos. Já a meia dúzia de gatos que restava estava em estado de choque. Gatos detestam ficar em gaiolas, não simpatizam com cachorros e odeiam multidões; imaginem o triplo estresse!

No meio da confusão toda, porém, um frajolinha permanecia calmo e alerta, entretido com um prato de ração. Olhei para ele, chamei, e ele me olhou de volta com um olhar castanho e inteligente. Pedi ao Tony, que cuidava das gaiolas, para me deixar pegá-lo um pouco. Ele veio para o colo sem criar caso, e ronronou quando fiz carinho.

Amor à primeira vista acontece.

A Roseli me emprestou uma caixa de transporte, e levei o gatinho.

-- Eu sabia que isso ia acontecer, -- disse a Bia, e tenho a impressão de que estava feliz.

-- Ele podia ter um nome que fizesse referência às suas origens, -- sugeriu o Sérgio.

No caminho entre a feirinha e a nossa casa fomos pensando em várias alternativas, mas nenhuma funcionava bem. Assim que entramos, me veio o estalo:

-- Toró!

-- Ótimo nome! – disseram a Bia e o Sérgio, em uníssono.

* * *

Quando nos viram chegar com ele, os membros mais velhos da Famiglia me lançaram aquele olhar entre o desdém e a impaciência de quem diz “Ah não, vai começar tudo de novo!”; os mais novinhos, que nunca viram gato estranho na casa, reagiram mal. Tiziu ficou melancólico e amargurado, no fundo do poço; Matilda, furibunda, escondeu-se num grande tubo de brinquedo, e recusou-se a pôr o focinho de fora. Quando tentei uma festinha, fez “fuuuuuu!” para a minha mão, que estava com o cheiro do renegado.

* * *

Apresentei o novo membro da Famiglia no blog, e muita gente escreveu que o Toró ganhou na mega-sena felina; já eu penso o contrário, penso que, mais uma vez, tirei um bilhete premiado. Nunca dou sorte com loterias de verdade mas, em compensação, sou escolhida pelos melhores gatos do mundo. Ainda é cedo para que se saiba exatamente quem é o Toró, mas já dá para adiantar que é um gatinho singularmente bem-humorado e carinhoso.


Depois da visita do Allecx, ele foi liberado do banheiro e, imediatamente, sentiu-se em casa. Não saiu desconfiado pelos cantos, cheirando tudo, como seria normal; veio direto para o meu colo. Ainda fica meio aflito quando me perde de vista, mas pisa o chão como se fosse dele. E é.

* * *

Escrevo na terça à noite. Lucas e Keaton já não ligam muito para a presença do Toró. Tutu está escondida desde que ele chegou, mas como detesta gatos, essa reação era esperada; Lolinha já se aproxima, nem que seja para riscar fósforos; e Tiziu e Matilda continuam mais ou menos no mesmo estado de espírito.

Isso passa.

* * *

E, como o ano é novo e a vida também, voltei para a academia. Sou daquelas pessoas que, como diz o Riq Freire, subsidiam a malhação alheia: pago as mensalidades pontualmente... e nunca apareço. Agora, em vez de ir para uma academia grande, resolvi ir para uma miúda, chamada NB Fit, escondida ao lado de uma Body Tech.

-- E aí, está gostando? – perguntou a Kati, autora da descoberta.

Bom, “gostar” não é exatamente o verbo que eu usaria em relação a uma academia, mas estou me acostumando e, sobretudo, aprecio o esforço de todos em tentar me pôr nos trilhos, da recepcionista, que telefona para lembrar que tenho encontro marcado com os meus músculos, aos professores, que tentam tornar o encontro possível.

Pois ontem faltou Net em Ipanema, e em vez de fazer esteira assistindo ao Discovery, usei o iPhone. Passei quase dez minutos escutando músicas soltas, mas nenhuma me motivava a ir em frente, porque elas acabavam e eu tinha que continuar. Resolvi então escolher o repertório pela duração. Achei o Concerto para Piano e Orquestra № 5, de Beethoven, o “Imperador”, que não ouvia há séculos, e que na gravação que carrego comigo tem 20m29 no primeiro movimento, 8m04 no segundo e 10m18 no terceiro. Foi tiro e queda. Eu não me lembrava mais de como é maravilhoso esse concerto e, empolgada, fui aumentando a velocidade da esteira.

-- Então Beethoven compunha como um deus e você quer andar nesse passo de tartaruga? Maurizio Pollini dá um show desses e você vai ficar aí se arrastando? Vamos, vamos!

Está provado: a música é realmente a consolação dos aflitos. 


(O Globo, Segundo Caderno, 27.1.2011)

24.1.11

Toró e Lucas começam a se entender

Toró e a Famiglia Gatto


No sábado à noite combinei com a Bia e com o Sérgio irmos à feirinha de adoção aqui em frente de casa. A idéia geral não era adotar ninguém; era só dar uma olhada para ver como estavam indo as coisas. Afinal, nesse momento, felizmente, o que não faltam são adotantes. 

Como imaginavamos, a feirinha estava bombando. Cheguei a ver duas senhoras discutindo por causa de um simpático viralata -- uma já estava preenchendo o formulário, ao passo que a outra dizia que tinha uma senha para aquele exato quadrúpede. A Bia, que torcia por um cachorro preto mais velhinho, entrou na história e tentou convencê-las de que ali, sim, estava um animal e tanto... 

Enfim, muita gente, muita gente do bem, muitas doações de todo o tipo.

Quando chegamos já havia poucos gatos, talvez meia-dúzia. E havia um, particularmente, que me chamou a atenção, porque conseguia se manter calmo no meio da bagunça, sem estar apático. Além disso, tinha a cara mais lindinha.

Foi amor à primeira vista.

Falei com a Roseli, pedi uma caixa de transporte emprestada e dez minutos depois ele estava confortavelmente instalado no banheiro de visitas, com água, comida, pipicat e uma caixa de papelão daquelas que eles tanto gostam; mais tarde, a Monca e a Heliana passaram aqui para conhecê-lo, e deram-lhe um banho muito bem dado.

Antes disso, ainda, o Sérgio, a Bia e eu concordamos que ele devia ter um nome que remetesse às suas origens. Passamos em revista todos os nomes dos bairros devastados, mas nenhum caiu bem. Até que pensei em Toró, e pronto: o nome pegou de primeira.

E como reagiu a Famiglia? Bom, os velhinhos Keaton, Tutu e Lucas, depois de cheirarem metodicamente a caixa e o espaço percorrido pelo novo hóspede, me olharam de banda, como quem diz "Te conheço!", e me deram um gelo durante a tarde; mas os mais novinhos, particularmente Tiziu e Matilda, ficaram de fato estarrecidos com a minha traição. Matilda faz Fuuuu! para a minha mão se ouso fazer carinho nela logo depois de pegar no Toró, e o Tiziu está com o ar mais amargurado do mundo.

Vai passar.

O Toró ficará um ou dois dias dormindo no banheiro, para evitar uma rebelião doméstica. E amanhã o Allecx vem vê-lo, para conferir que gato bacana veio nos fazer companhia.

22.1.11

Redes solidárias






Acompanhar a onda de solidariedade que se formou em torno da tragédia da Região Serrana nas mídias sociais tem sido simplesmente emocionante; não há outra palavra. De todos os cantos, a todas as horas do dia ou da noite, notícias sobre parentes e amigos são transmitidas, pedidos de doações e de caminhões e carros grandes para levá-las às áreas atingidas são feitos (e respondidos), encontros de caravanas e de voluntários são convocados, informações sobre os itens mais necessários são transmitidas.

Não tenho dúvidas de que a população responderia da mesma forma sem o uso dessas ferramentas, mas ao mesmo tempo tenho certeza de que a ajuda não poderia ser tão rápida e eficiente sem o Twitter, o Facebook e o Orkut. Até o Flickr cumpriu seu papel, com incontáveis galerias de imagens da destruição e do trabalho dos voluntários.

O papel das redes não deve acabar aí. Acho que elas terão importância crucial ao longo dos próximos meses, desempenhando tarefa tão ou mais importante quanto a que desempenham agora: cobrar das autoridades responsáveis a reconstrução das cidades e o indispensável cuidado com seus habitantes.

* * *

Os animais que se perderam de suas famílias humanas, quando não as perderam de todo, foram muito beneficiados com a agilidade da rede. Normalmente esquecidos nas grandes campanhas que pedem auxílio para vítimas, ganharam espaço nas mídias sociais, onde há lugar para todos. Agora mesmo, no meu blog, está postado o apelo de uma veterinária que sobe amanhã e na próxima quinta para a serra e pede toda a sorte de materiais (http://bit.ly/fDRpku); há alguns dias, postei um cartazinho colhido no Facebook com os dados de três ONGs da máxima confiança, para quem quiser fazer doações em dinheiro (http://bit.ly/eetPia). Isso seria quase impensável na era pré Web 2.0, quando o espaço que havia na mídia convencional era dedicado, compreensivelmente, à prioridade humana.

* * *

Não é a primeira vez que se vê o uso das redes sociais em campanhas para amenizar o sofrimento das vítimas de grandes tragédias. O mesmo aconteceu na época da Tsunami, do terremoto do Haiti e nas enchentes do ano passado. Mas, dessa vez, seja por causa das dimensões da tragédia, seja por estarmos tão perto, a internet provou lindamente o seu valor, e deu a quem a freqüenta o orgulho de pertencer a uma espécie que não vale nada, que destrói o planeta e desrespeita a natureza – mas que, no fundo, tem bom coração e sabe se condoer com a sorte dos seus semelhantes.

* * *

A foto desta coluna não tem nada a ver com o assunto. Ela é só um preview do que tenho feito com um novo brinquedo, a Canon S95, de que falarei brevemente.

* * *

H
á tempos eu me perguntava por que pendrives de 128Mb ou 256Mb ainda são fabricados. Tive a resposta na CES, onde as empresas mais antenadas com o momento da tecnologia distribuíam seus press-kits nesses pendrives. Faz todo o sentido, nessa época em que nem todo subnotebook ou netbook tem drive de CD ou de DVD, mas todos têm entrada USB. O curioso é que acaba acontecendo uma gradação de status entre os press-kits, mais ou menos como acontecia no tempo em que o pessoal caprichava nas pastas de papelão e no papel cuchê: os mais vistosos vêm em formatos diferentes (o da Verizon numa ficha de poker, por exemplo, o da Sony-Ericsson uma pulseirinha) e têm espaço de sobra (tipicamente 1Gb) para serem “reciclados” para outras funções. É uma idéia inteligente. CDs e DVDs acabam no lixo, ao passo que os pendrives continuam pelos bolsos e bolsas da moçada por meses a fio, lembrando a empresa pelo logotipo.  



(O Globo, Economia, 22.1.2011)

Enquanto isso, de madrugada...


21.1.11

Duas gatinhas adormecidas

Posted by Picasa

Enquanto isso, na terrinha...

Achei muito comovente a mensagem:

O Município de Aljezur determina dia de luto municipal em solidariedade com o povo brasileiro!


O Município de Aljezur associa-se à iniciativa sugerida pela Associação Nacional de Municípios Portugueses, que determina o dia 21 de Janeiro (Sexta-feira) como dia de luto municipal, concretizado através do hastear da bandeira municipal a meia adriça.


Expressamos assim de forma efectiva e profunda, a solidariedade para com todos os nossos irmãos brasileiros, sobretudo os mais afectados.


Profundamente chocados com as imagens de horror da destruição indizível; incrédulos perante a realidade, brutal, que a todos nos afecta; vergados pela mágoa de tantos mortos e tamanhas perdas materiais, queremos assim enfatizar, agora na adversidade, este nosso sentimento de comunhão ditado pelos afectos que nos unem enquanto povos irmãos.



Mais um recado da turma dos resgates


Haverá uma grande feira de adoção montada especialmente para os animais resgatados na Região Serrana.

A maioria, filhotes e gatinhos.

Vamos tentar trazer os pequeninos também.

Os maiores não virão por falta de transporte; neste momento, ainda estamos priorizando os resgates.


Dia 22.01.2011
Bicho Bacana
R Paula freitas 61 - Copacabana - RJ
a partir das 9.00h


Dia 23.01.2011
Parcão da Lagoa - Próximo ao Corte do Cantagalo - RJ
a partir das 10.00h

Vamos ajudar!


A dra. Sabina Veras é uma das veterinárias mais queridas do Rio. Ela faz um apelo a todos nós, que gostamos de bichos:

"Amigas e Amigos,

Todos sabemos que a situação na região serrana do RJ é muito grave e que toda forma de ajuda se faz necessária.

Não são somente as pessoas que estão em situação desesperadora. A situação dos animais em Teresópolis e Nova Friburgo também é desesperadora!!!

Cães, gatos, e outras espécies sobreviventes ficaram para trás em casas trancadas sem água ou comida, ou presos em áreas isoladas, sem conseguir sair. Pessoas que precisaram ir para os abrigos, não podem levar seus animais, sendo forçados a abandoná-los. Existem milhares de animais feridos e famintos vagando sem rumo nas localidades atingidas pelas chuvas.
Como sou médica veterinária acho que o melhor que tenho a oferecer é atuar pelos animais que perderam suas casas, suas famílias e que se feriram durante a tragédia.

Neste domingo e na próxima quinta feira eu irei a um galpão em Teresópolis para onde estão sendo levados os animais em necessidade. A situação por lá é muito precária, abaixo uma lista do que mais estão precisando:

- Jornal velho

- Panos (toalhas, panos de chão, lençol...)

- Produtos de limpeza (água sanitária, Lisoforme, sabão de coco, detergente, esponja...)

- Produtos para curativo (gaze, atadura, esparadrapo, algodão, povidine, água oxigenada...)

- Remédios em geral

- Ração

- Produtos Pet (guias, coleiras, potes de alimento – serve pote de plástico- caminhas de animal - serve almofada, travesseiro...)

Além disso, o que estes animais mais precisam é de um novo lar e a maior ajuda que uma pessoa poderá oferecer é adotar um animal desabrigado. Tem cães, gatos, adultos, filhotes, com raça, sem raça, pequenos, grandes...
Quem puder colaborar, peço para entrar em contato ou para deixar os donativos na minha casa (Rua Eugênio Hussak, 22/302 – Laranjeiras. Cel:9385-8554).
Conto com a compreensão de todos e espero, sinceramente, que não se incomodem por estar pedindo pelos animais. Não tem nenhum órgão oficial que olhe por eles, estão esquecidos e sequer sabem se defender. Desde quando foram domesticados, dependem do homem para sobreviver.

Beijos, Sabina."

20.1.11

Pois é...




O sítio fica logo depois de Conselheiro Paulino. A vista dá para um vale e, em frente, mas bem longe, uma outra montanha. Quando nos mudamos, havia uma linha de estrada de ferro que cortava essa montanha e, volta e meia, via-se (e ouvia-se) passar um trem. Tirando isso, verde por toda a parte, e uma única casinha isolada.

Um dia, quando o Pois é ainda estava em construção, os moradores dessa casa lá longe vieram num jipe inspecionar a obra e descobrir quem eram os novos “vizinhos”.  Aposto que, quando viram os primeiros sinais de atividade do lado de cá, pensaram “There goes the neighbourhood!” – sim, eram ingleses, chamavam-se Mumford e, para grande alívio de ambas partes, as famílias deram-se às mil maravilhas. Não que estivéssemos propriamente tropeçando uns nos outros, mas para eles, que passaram a vida profissional numa ilhota perdida onde se fazia a conexão de cabos da Western Telegraph Company, outra casa na Mata Atlântica devia corresponder a uma terrível invasão de privacidade.

Quando se fala em Friburgo, fala-se sempre nos suíços, mas nós estavamos cercados de ingleses. Os vizinhos do lado, cujo terreno vinha até o nosso (mas cuja casa nem se via, e ficava a uma boa caminhada), chamavam-se Smith. Eram pai, filha, muitas garrafas de gin e grandes doses de amizade. Mr. Smith, de ombros largos, sempre nos saudava erguendo os braços para o céu. Até hoje, quando penso nele, me lembro de uma forma de pudim que tínhamos na época, mais larga em cima do que embaixo, com dois braços que se abaixavam para prender a tampa, e se levantavam para abri-la. Coisa de criança.

* * *

Os Mumford eram velhinhos, e não viveram para ver a degradação da região. O trem deixou de ir e vir e, aos poucos, a floresta foi posta abaixo. Em seu lugar, surgiram casas, casas e mais casas. Construídas de qualquer jeito, a maioria, e feias, muito feias, como costumam ser as casas de baixa classe média brasileiras. Nosso país, que teve as casas mais lindas desde o período colonial, perdeu, em algum momento do século passado, o bonde da estética. No caso, nem se pode alegar falta de recursos, já que, com o mesmo dinheiro que se gasta para construir uma casa feia, se pode construir uma casa bonita. O que é preciso acrescentar: um tanto de capricho, um gosto pela beleza, um olho cultivado.  Por outro lado, onde é que o brasileiro médio vai cultivar o olho? Nos horrores da Avenida Atlântica? Em São Paulo? Na Barra da Tijuca?

* * *

Não me lembro mais como se chegava no lado dos Mumford, mas com certeza era pela outra margem do rio Bengala. Quando eles ainda eram vivos e a floresta mais ou menos intacta, o rio seguia seu rumo solitário, com a estrada para Conselheiro (e Bom Jardim, e mais adiante Sumidouro) ao lado. Muito espaço vazio e, a seis quilômetros de Friburgo, a nossa aldeia miúda, de poucas casas e comércio precário.


Um dia alguém construiu um barraco literalmente pendurado no rio; logo apareceu outro barraco, e outro e outro. Em alguns anos, os barracos deram lugar a casas. Nunca, nesses anos todos, se soube de governo que tivesse tomado qualquer espécie de providência em relação a isso, sendo que alguns conseguiram ser ainda piores do que a péssima média. O ex-prefeito que acaba de morrer soterrado, por exemplo, foi um dos principais responsáveis pela favelização geral.

Ao contrário das áreas elegantes de Mury, Friburgo cresceu, lá para os nossos lados, como costumam crescer as cidades brasileiras: ao Deus dará. Planejamento urbano? Respeito ao meio-ambiente? Cuidados com a população? Ora, por quem sois.

* * *

Esqueci de dizer que, quando eu era criança, o Bengala era um rio limpo, onde se podia pescar. Deu o azar de nascer brasileiro, coitado, e de virar, como viram os nossos rios, um misto de latrina e lata de lixo. Depois nós falamos do Ganges.

* * *

Em julho do ano passado, o Paquistão enfrentou as piores enchentes da sua história, numa tragédia de impacto humano semelhante à tsunami do Oceano Índico. Um quinto da superfície do país ficou submersa, o número de desabrigados contou-se em milhões e ocorreram quase duas mil mortes. O Paquistão é um país pobre e desorganizado (US$ 2.942 per capita versus os nossos US$ 10.200), vítima de governos desastrosos, de movimentos terroristas e de um permanente confronto com a Índia; seus índices de corrupção são ainda piores do que os nossos, se é que isso é possível. Mas, na contabilidade macabra da falta de planejamento e do descaso das autoridades, eles perderam relativamente menos gente do que nós.

* * *

Procurei em vão por notícias recentes sobre os desabrigados do Paquistão. Deixaram de ser interessantes há tempos, assim como os desabrigados de Niterói do ano passado. Daqui a algumas semanas a região serrana sairá das manchetes; os sobreviventes tentarão, como os que vieram antes deles, reconstruir sozinhos os seus lares e as suas cidades, à sombra das promessas descumpridas, longe dos holofotes da mídia.


Quanto aos sucessivos governadores e prefeitos responsáveis pela tragédia, os demagogos que nada fizeram e tudo permitiram, bem, esses continuarão levando as suas vidas safadas de sempre, correndo, entre uma viagem e outra, atrás de aposentadorias obscenas e benesses vitalícias.


(O Globo, Segundo Caderno, 20.01.2011) 

16.1.11

Notícias do sítio

A Laura escreveu uma circular para os nossos amigos:



Pessoal


Muitos de vocês têm telefonado e escrito, com preocupação carinhosa conosco, diante das recentes tragédias na região serrana. Dada a impossibilidade de telefonar ou escrever a cada um de vocês, peço desculpas por escrever uma carta-circular. Mas vocês podem ter certeza de que o afeto de cada um foi importante e valorizado individualmente.


Primeiramente, vale tranquiliza-los (ate certo ponto) em relação à mamãe: ela já estava no Rio de Janeiro, pois anda adoentada e precisava fazer exames médicos de vários tipos. Assim escapou de ficar isolada, e nós não precisamos adicionar a preocupação da distância à preocupação com seu estado físico. Caso típico de "há males que vêm para o bem".


Depois de muitos dias de angústia, finalmente tivemos notícias de Nova Friburgo. A casa do sítio foi muito bem construída (mamãe é arquiteta, e o projeto é dela), com inúmeros muros de contenção feitos com grandes pedras, e obras estruturais que visavam dar segurança à casa e à biblioteca. Todos estão de pé. A floresta atrás da casa nunca foi desmatada, e assim os danos foram pequenos. O Dirceu (nosso caseiro) está bem, assim como a Jandira (empregada da mamãe) e sua família, que por sorte, lá em Olaria, nada sofreram. Os cachorros nem perceberam que houve um cataclisma verdadeiro, por lá.  Toda a comida que estava no freezer, evidentemente, se estragou, pois falta luz há dias. 


Já o bairro de Conselheiro Paulino (onde fica o loteamento em que nossa casa foi construída) foi serissimamente afetado. Segundo a Jandira, "acabou tudo. A gente olha para o Rio Bengala e não acredita, está cheio de carros, ferros retorcidos, caminhões, lixo e lama, pedaços de árvore, cadáveres boiando. Para todo o lado a gente vê gente correndo, bombeiros atarefados, lixeiros aí do Rio, voluntários, gente atarantada que perdeu tudo. Acima, no céu, helicópteros dão rasantes. Parece cenário de filme de ficção científica, ou pior, de terror."


O sítio de nossa amiga Sula também está a salvo, ainda bem. O d'Artagnan me contou que a casa de sua mãe também foi poupada, e que meus ex-alunos Larissa e o Leandro, que haviam se mudado para NF recentemente, perderam tudo, mas conseguiram escapar com os dois filhos. 


Nosso vizinho Leo me escreveu o seguinte: 


"Conseguimos nos comunicar com o pessoal lá de Cabubo! Estão todos bem!!! Os sítios estão intactos, 'Cabubo' e 'Pois é'. A familia da tia Nilza toda está bem, nosso jardineiro perdeu a casa mas ele e sua familia escaparam. As casas daquele terreno ao lado ou em frente ao Pois é desmoronaram, acho que da Dona Eva. Me disseram que uma pessoa dali debaixo faleceu."

 Bem, é isso. Mais uma vez, obrigada pela amizade, pela gentileza e solidariedade de vocês todos

laura


15.1.11

Ecos da CES

Wallpapers da Gelaskins.com, Super Hero da Iomega e o Galapagos da Samsung.

Ao longo dos anos, várias formas de PC-TVs e TV-PCs foram tentadas, com a intenção de transformar os dois num único aparelho. Nenhuma deu certo porque, ergonomicamente, esses são dois aparelhos que se usam de forma muito diferente. A TV é coletiva e, à sua frente, ficamos relaxados; o computador tende a ser individual e, de modo geral, quando o estamos usando, estamos a trabalho. De modo que a idéia de juntá-los numa só engenhoca foi, aos poucos, ficando pelo caminho, ajudada pelos preços cada vez mais acessíveis dos componentes. Hoje os computadores têm muito de TV e os aparelhos mais sofisticados de TV já têm bastante de computador; mas uma coisa continua sendo uma coisa, e outra coisa continua sendo outra coisa.

O TV with Boxee + Storage, lançamento da Iomega na CES que chega ao Brasil ainda nesse semestre, propõe-se a fazer uma espécie de ponte entre os dois. Com capacidade de armazenagem de 1Tb ou 2Tb, ele é um media player que permite ao usuário ter, na TV, acesso à sua coleção digital de fotos, músicas e vídeos, onde quer que ela esteja: é que o Boxee é wi-fi e “fala” com toda a rede doméstica, do computador ao smartphone. Como é um animal conectado, também oferece acesso a qualquer conteúdo web, como os filmetes do You Tube, por exemplo, ou as estações de TV internet. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, onde as emissoras disponibilizam seriados e filmes, e locadoras funcionam na banda larga, a escolha vai ao infinito.   

O TV with Boxee + Storage  se destaca pela capacidade de armazenagem e pela possibilidade de conexão às redes sociais: ele já “nasce” com atalhos para o Twitter e para o Facebook, e seu controle remoto tem tecladinho Qwerty e touchpad. Um modelo mais modesto, o TV with Boxee, não tem armazenagem interna. Os dois, porém, têm saídas USB... para mais conexão! Os preços de lançamento nos EUA estão entre US$ 230 e US$ 350; aqui, evidentemente, a conversa será outra.

* * *

Da nossa série Números Curiosos: em 2Tb cabem cerca de 500 mil músicas, 800 mil fotos ou 770 horas de vídeo.

* * *

Ainda do estande da Iomega, dois outros lançamentos interessantes: a Personal Cloud, ou nuvem pessoal, que é um servidor trocado em miúdos para a compreensão simples das gentes, e uma das melhores invenções da CES, o Super Hero, um dock miúdo em que o usuário não só carrega o iPhone como faz backup automático do seu conteúdo, dispensando o computador (e o abominável iTunes) no dia-a-dia.

* * *

Na semana passada falei das minhas dúvidas em relação ao 3D. Depois de escrever vi, na feira, alguns produtos que me pareceram mais realistas do que as TVs: a sua aplicação em games e um smartphone da Sharp, o já famoso Galapagos, que trabalha com 3D sem óculos, e que funciona lindamente. Claro – quando o usuário consulta a tela de um celular, ele está sempre no local certo para ver a imagem em três dimensões. Esta gracinha, por enquanto, só no mercado japonês.

* * *

Dica: no site da Gelaskins, que faz “peles” lindas para celulares e computadores (e envia para o Brasil), os wallpapers para smartphones podem ser baixados de graça. Vale a pena chegar lá e fazer uma “colheita”. Fica em gelaskins.com.


(O Globo, Economia, 15.1.2011)

14.1.11

WSPA coordena ajuda aos animais

Quem quiser ajudar aos animais da região serrana, também pode fazer doações através da WSPA, a sociedade mundial de proteção animal.


O link está AQUI.

Precisa-se de um carro GRANDE!!!

O grupo de proteção de animais da UFRJ está organizando um mutirão com veterinária, protetores e o Tony, que é especialista em resgate de animais, para ir amanhã (sábado) a Teresópolis, levando mais de 100 kilos de ração, remédios e água. 

O problema é que precisam de um carro grande, tipo Doblô ou outro que caiba o material doado. 



A Karina paga o aluguel do carro se for necessário. Contatos com adoteumpeludorj@gmail.com ou no celular 9616-7871

Eles estão apoiando as três ongs mencionadas no cartaz; a coordenadora é a Babete Filpi.

Ajuda para bípedes

O Globo publicou uma lista de instituições que estão recolhendo doações para as vítimas da enchente; para ver, é só clicar AQUI.


E, em Ipanema, a Casa de Cultura Laura Alvim também abriu as portas para doações.

13.1.11

De uma sobrinha em Buenos Aires


Enquanto eu fazia as malas para voltar de Las Vegas, onde fui à peregrinação anual dos nerds para o CES (Consumer Electronics Show), minha sobrinha Julia mandava notícias de Buenos Aires, aonde vai, sempre que pode, para ter aulas de tango:

“Oi, tia! Aqui estou novamente, pela quinta vez. O negócio da freqüência é que a gente vai virando meio porteña. Por exemplo: quando estive em Buenos Aires pela primeira vez, achei o metrô o máximo. A passagem custa só 1,10 pesos, o equivalente a uns 50 centavos de real. Além de barato, muito bom, com cinco linhas que levam para todos os cantos da cidade. E os portenhos? Lindos, educados... tudo de bom.

Voltando agora, vários meses depois, já com aquela intimidade que permite criticar, desci no metrô com ganas de xingar todo mundo. É que a passagem é um bilhete de papel, e esse bilhete, em vez de ficar preso dentro da roleta, entra por um lado e sai pelo outro. A prefeitura espalha um monte de latas de lixo, para evitar a sujeira. Mas adianta? Indo pela 9 de Julio, e caminhando para pegar a linha D, passei por quatro latas meio vazias. O chão, em compensação, parecia coisa de brasileiro, com bilhete por todo canto!

A minha percepção mudou um bocado, é claro, mas infelizmente Buenos Aires mudou também. A pobreza aumentou a olhos vistos. Mais mendigos, mais lixo, cidade menos cuidada. Para você ter idéia, minha amiga Inês Bogado, campeã mundial de tango, voltou a dançar na praça em San Telmo. Quase todo mundo que conheço está em situação financeira pior do que estava em fevereiro. Sem falar na nuvem negra de luto pela morte do Nestor Kirchner, que continua pairando sobre a cidade. Ainda se podem ver, em frente à Casa Rosada, bilhetes do tipo “Força Cristina!” com flores, algumas meio murchas, outras agüentando o calor, que é menor do que o do Rio, mas mesmo assim existe.

A questão da morte do Kirchner, aliás, como tudo o que acontece em política, é coisa delicada. Rolam boatos de que ela teria um caso com o chofer, e que por isso não há que se ter pena da moça. Enquanto isso, os pró-Cristina ficam mais do que irritados com qualquer referência ao suposto love affair, e as discussões são medonhas... vai saber o que aconteceu! Caso com chofer ou não, acho que perder marido deve ser difícil e, de todo modo, isso é noticia velha.

Uma novidade que me parece muito bizarra é o pessoal medindo o preço das coisas pelo real, como nós fazíamos no Brasil com o dólar na época do cruzeiro. Eu era novinha naquele tempo, mas nunca vou esquecer que ganhava um dólar por semana de mesada... Ruim para eles, bom para nós, que estamos com moeda forte e, ainda por cima, ganhamos um reforço na auto-estima. Meus professores de tango, por exemplo, passaram a cobrar 230 pesos, no lugar dos 200 que se pagava em fevereiro passado, porque o valor equivale a cem reais.

Falando de tango, continuo super apaixonada, mas sempre me revolto um pouco. O tango aqui é uma das bases do turismo, empregando bailarinos, coreógrafos e dezenas de outros profissionais, além de manter abertas as várias casas de milonga e de shows. Quando me perguntam como comecei a dançar, respondo que comecei pelo samba de gafieira e fui caminhando pelas danças de salão. E ninguém nunca sabe o que é samba de gafieira! Ouvem a palavra “samba”, pensam no sambódromo, em mulatas e em purpurina, e não conseguem conciliar essas imagens com a criatura quase transparente e um tanto acima do peso que têm diante de si. A minha revolta é que nós temos uma dança tão legal quanto a deles, e não estamos mostrando isso para o mundo! Quando o samba por acaso aparece em competição americana de dança de salão, é uma mistura sem pé nem cabeça com uma salsa de permeio.  Nada contra o sambódromo ou contra as escolas, é só que o samba não é feito só disso, não.

Por outro lado, música brasileira está bombando. Entrei em mais de uma loja onde se podia ouvir de musica ambiente uma boa MPB. Escutei Chico e Caetano na rua mais de uma vez. E até passei mais tempo do que pretendia numa loja de jóias de prata porque estava tocando aquela música da bailarina que não tem defeito. Péssimo para o meu cartão de crédito!

O baque financeiro, porém, não está sendo dos piores. O peso é barato mas, independente disso, as coisas são baratas em si. Quando o Gui esteve aqui fomos almoçar num lugar super chique e romântico. Uma gracinha chamada El Ultimo Beso. Pagamos menos de 200 pesos. No Rio, um lugar do gênero sairia por mais de 200 reais. As roupas, além de baratas, são também muito criativas. Se você fizer compras em Palermo, dificilmente achará uma peça que sirva a um propósito só. É saia que vira vestido, calça que vira saia... até blusa que vira bolsa eu vi. Só falta inventarem um biquíni que vire vestido de noiva, se bem que aqui quase não tem biquíni, uma vez que não tem praia. Pois é: não tem praia! Taí, apesar de quase portenha, meu coração carioca não corre riscos. Cidade maravilhosa mesmo é a nossa! Beijos da Ju”

* * *

Obrigada, de coração, a todos os leitores que me escreveram, semana passada, sobre a Pipoca: as suas palavras foram muito reconfortantes.


(O Globo, Segundo Caderno, 13.1.2011)

11.1.11

CES 2011: de tudo, muito -- sobretudo gente

(Desculpem o atraso na postagem, mas esta foi uma semana, como direi?... atípica, é isso.)




Quinta-feira, 21h30 de uma noite fria mas muito bonita em Las Vegas, Nevada; no Brasil são 3h30. Ao contrário da Europa, aqui o fuso horário conspira contra os jornalistas que precisam mandar as matérias e colunas em tempo para a redação. Cheguei às 11h30 (horário local) e fui direto para o Las Vegas Convention Center, menos para saber sobre o que escreveria hoje do que para descobrir sobre o que vou escrever pelos próximos meses. O CES (Consumer Electronics Show) é a maior feira de tecnologia do mundo ocidental, onde todos os fabricantes querem vender o seu peixe, seja ele um pendrive ou um telescópio que fotografa o céu e calcula sozinho as coordenadas dos corpos celestes identificados. 


Este ano, segundo se dizia por lá, foi batido o recorde de visitantes: cerca de 140 mil pessoas vieram à cidade só para participar da festa. Eu acredito, porque todas as 140 mil estavam no hall que visitei e queriam ver as mesmas coisas que eu; todas, também, queriam pegar taxi ao mesmo tempo, o que está tornando a "experiência CES" ligeiramente traumática.

Conforme previsto, as grandes estrelas são os tablets e as telas 3D. É fácil apostar as fichas nos tablets: há coisinhas lindas, que dão vontade de pegar no colo e ninar, como o Android com tela de 10" da Motorola, ou o Samsung que, como um smartphone na linha do Milestone ou do N97, esconde um teclado por baixo da tela touchscreen. Mais difícil, a meu ver, é levar o 3D igualmente a sério, a despeito do esforço monumental dos fabricantes. Não consigo imaginar uma família inteira tendo que por óculos 3D toda noite para ver televisão; e os modelos de TV 3D que dispensam óculos só funcionam quando nos sentamos exatamente em frente à tela. De qualquer forma, o 3D não é uma idéia nova -- volta e meia aparece, faz sucesso, depois some por mais uma temporada. Dessa vez, o que há de diferente, de fato, é a quantidade de fabricantes investindo na idéia.

Mais divertido do que enfrentar a explosão demográfica diante dos Grandes Projetos, porém, é fuçar pelos cantinhos menos movimentados para descobrir os pequenos gadgets e acessórios. Por exemplo: há uma quantidade de teclados para tablets, sobretudo para o iPad. Alguns modelos são muito engenhosos, e vêm integrados a capas protetoras. Outros permitem carregar o iPad enquanto são usados. Gosto deles -- eu mesma tenho um tecladinho Bluetooth da Apple, no qual, por sinal, digito essas mal tecladas -- mas, ao mesmo tempo, não consigo deixar de sentir na sua existência um certo contrasenso. Afinal, os tablets significam uma nova experiência sensorial, ou não? Se é para ter uma tela e um teclado, não faria mais sentido ter um notebook de uma vez? Sim e não; escrever de verdade em touchscreen evidentemente não dá certo, ou o CES não teria tal profusão de teclados. Mas a experiência da tela solta, mais leve e jeitosa, é um sucesso consagrado. Enfim, a tecnologia também tem suas contradições...

Ainda na onda dos tablets: é sensacional ver a quantidade e a variedade de suportes que já foram inventados para as engenhocas. Há bases com caixas de som, há simples apoios de alumínio levinhos, há objetos que giram em todas as direções e em todos os angulos, e outros que beiram o ridículo pelo trambolho que são. Há também toda uma nova leva de baterias e carregadores, muitos dos quais permitem o uso simultaneo de diversos aparelhos.

Os headphones também passam por um momento de singular criatividade. Há modelos de todos os tipos e todas as cores, inclusive uns muito engraçadinhos para crianças, com desenhos de flores ou joaninhas; e há um aparelho complicado e enigmático que produz earbuds personalizados, no modelo do ouvido do freguês.

E, por toda a parte, o que é que se vê nos sérios e intermináveis salões do CES? Os personagens de Angry Birds, o joguinho favorito de nove entre dez usuários de smartphones e tablets (o décimo não gosta de joguinhos). Eles estão em cartazes, em capas para smartphones e para iPads, em bichos de pelúcia, chaveiros e o que mais se imagine.

Ainda vou falar sobre as coisas interessantes que vi (e ainda vou ver), mas -- haja espaço! Só para vocês terem idéia, o catálogo oficial de expositores, do tamanho de uma revista grande, tem 377 páginas (em letra miúda). Agora, porém, nesse exato momento, vou ver se consigo enviar direitinho esta coluna: pela primeira vez me aventuro pelo mundo apenas com os meus tablets. 



Torçam por mim!


(O Globo, Economia, 8.1.2011)