30.4.09


Para curtir no feriado



Essa imagem é só um pedacinho de um imenso painel pintado na China entre 1085 e 1145. Ele tem 5m28 de largura por 24,8 cm de altura, e é considerado um dos grandes tesouros do país.

Recentemente, foi exposto no Museu de Arte de Hong-Kong; havia filas imensas para vê-lo, e por justa causa.

Recomendo clicar nos quadradinhos da parte debaixo, ou nos quadrados brancos que aparecem ao longo do "passeio": eles levam a uma linda interpretação do mundo do painel.








Olha o baianinho mais bonitinho que estreou no outro dia!






Voltando ao assunto



Recebi, ao longo da semana, 228 emails a respeito da crônica da última quinta-feira. Todos – absolutamente todos – de acordo comigo, ao escrever que o congresso nacional está dominado por traíras irresponsáveis. Nunca vi disso! Em geral, quando uma crônica desperta esse grau de resposta, é porque toca num tema polêmico; e, consequentemente, a manifestação dos leitores tende a ser dividida. O consenso absoluto, nesse caso, é mais uma prova de como estamos, todos, indignados com os crimes e a pouca vergonha das excelências.

Entre tantas expressões de apoio, houve muita manifestação de desânimo com o país e com a nossa incapacidade de reagir a “tudo isso que aí está”. Não concordo inteiramente porque, bem ou mal, a grita geral na internet e nas seções de cartas de leitores dos jornais e revistas teve lá o seu peso na hora da aprovação das novas regras para viagens de deputados. O que essas regras propõem ainda é muito pouco – para que um deputado precisa viajar tanto? e para que um deputado de Brasília precisa de quase quatro mil reais mensais em passagens? – mas já é alguma coisa. Ficam faltando ainda o fim do auxílio moradia, o fim da semana de trabalho de três dias, a moralização das cotas de telefone, a redução das inúteis cotas de correios e do desperdício de papel da gráfica do senado e a redução do número absurdo de funcionários, entre outros etceteras.

* * *

Os panelaços dos argentinos foram mencionados como exemplo de saudável cidadania por diversos leitores. Eu também invejo a disposição física dos nossos hermanos, mas não consigo deixar de me perguntar de que vale bater panela na rua para depois eleger o Menen ou o casal Kirchner... De qualquer forma, é importante lembrar que os panelaços acontecem sobretudo em Buenos Aires, capital da república. Acho que, se a capital ainda estivesse no Rio, nós teríamos, igualmente, a nossa cota de manifestações; é possível até que os níveis de corrupção fossem um pouco menores, já que, no Rio, nenhuma excelência escaparia do convívio forçoso e cotidiano com a população. Ao mesmo tempo, não existiria a idéia perversa da necessidade de compensação salarial, instituída para atenuar o “sacrifício” de morar em Brasília. Será que a cidade continua inabitável até hoje?!

Acho compreensível que ninguém se anime a ir à rua nas grandes cidades brasileiras. Fazer barulho a centenas de quilômetros de distância não é a mesma coisa do que fazer barulho no focinho dos corruptos. Bem mais difícil de compreender, porém, é por onde anda a população de Brasília, que não se manifesta. Será que todos os seus dois milhões e meio de habitantes são funcionários públicos, ou parentes de funcionários públicos? Será que todos têm tanto medo assim de gritar umas verdades em frente ao congresso nacional? Ou será que, conhecendo melhor as excelências do que nós, sabem que não adianta exigir compostura de quem desconhece a palavra?

* * *

Mudando de assunto, mas continuando no mesmo endereço: apesar de parecer contrário da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, ainda tramita pelo congresso o projeto de lei 4.548/98, que propõe que seja removida da Lei de Crimes Ambientais a criminalização de atos de maus-tratos a animais domésticos ou domesticados. Essa pérola do retrocesso saiu da cabeça do deputado Jose Thomaz Nono, do PFL de Alagoas. Em caso de aprovação, maltratar bicho passará a ser comportamento aceitável, livre de sanções legais; e o Brasil, mais uma vez, estará na vanguarda do atraso. Entidades de proteção animal estão recolhendo assinaturas para levar ao congresso a opinião dos cidadãos brasileiros a respeito dessa barbaridade. O abaixo-assinado está em http://migre.me/Luh.

* * *

Enquanto isso, aqui no Rio, sobra mais uma vez para os gatos do Parque Lage, vítimas do desentendimento entre humanos. A dra. Preci Grohmann, sua protetora, e Ricardo Calmon, chefe do Parque Nacional da Tijuca, disputam a Casa Amarela, onde os animais que estão doentes ou passaram por cirurgias encontram abrigo, e os que foram abandonados ficam de quarentena. Quando escrevi aqui sobre Ricardo Calmon eu não o conhecia, e fui injusta; nós nos encontramos depois e ele me causou a melhor impressão. Está genuinamente preocupado com o PNT, e é querido pelos funcionários e pelos quatis da Floresta da Tijuca. Pena que a relação entre ele e a Dra. Preci esteja tão ruim, porque, mesmo sem querer, Ricardo elogia o trabalho dela. Num documento judicial, ele reconhece que há mais de dez anos a Dra. Preci alimenta e cuida dos gatos do Parque Lage, e que, nesse período, “a população de felinos permaneceu praticamente a mesma, em torno de 50 gatos”.

Ora, qualquer pessoa familiarizada com os problemas dos animais de rua sabe que, para evitar o crescimento desordenado de uma população saudável, é preciso muito trabalho e muito empenho; manter uma comunidade no mesmo tamanho ao longo de dez anos, então, é quase um milagre.

Pois espero de coração que outro milagre aconteça agora, e que os dois, Ricardo e a Dra. Preci, venham a se entender, em prol dos gatos: eles só querem levar suas vidinhas em paz.


(O Globo, Segundo Caderno, 30.4.2009)





29.4.09


Um mundo de línguas

Recebi uma nova leva de filmes indianos. Na capa de um deles (Dil Chahta Hai) há uma observação. Diz o seguinte:
Legendas em inglês, gujarati, tamil, telugu, kannada, malayalam, bengali, assamese e oriya.
Todas essas línguas -- e mais algumas -- são faladas na Índia. Fico zonza só de imaginar!






Iuhuuuuuuu!!!

Vocês se lembram daquele papo de aposentadoria que rolou aqui há uns tempos? Pois. Acabei ficando com a impressão de que antes dos 60 anos não rolaria nada, e deixei estar. Pois hoje ligou a Jussara, com a informação de que, tendo trabalhado mais de 30 anos, eu não precisaria esperar até os 60.

O despachante que cuidou da aposentadoria dela e de um monte de jornalistas amigos meus já conferiu a situação no INSS e amanhã mesmo entra com a papelada; de modo que, muito em breve, vocês terão uma blogueira oficialmente aposentada.

Em tempo: sim, eu sei que é possível resolver tudo pessoalmente no INSS, mas prefiro que uma pessoa tarimbada na burocracia me dê a mão...

Estou feliz. Vai ser uma graninha muito oportuna!






Gato é tudo doido...

video

Muito esquisito! Subi esse video para testar como funcionam videos no blogger; não entendo o que está fazendo a imagem ao lado, até porque não há nenhuma tag visível a seu respeito...






Pensando na vida










Dormiu com a língua de fora... :-P









28.4.09


HA!!!



Deu no Neatorama, que comenta um estudo publicado no Science: uma pesquisa realizada com madrugadores e corujas num laboratório do sono revelou que as pessoas que ficam acordadas até tarde conseguem se concentrar melhor no trabalho do que as que acordam cedo.

Numa pesquisa informal, o blog pergunta quem fica acordado até tarde e quem acorda cedo. Por enquanto, de 2.249 leitores, 1.870 (ou seja, 83%) são corujas, comparados aos 379 madrugadores (17%).

Como observa um leitor nos comentários, isso confirma uma antiga suspeita: corujas gostam muito da internet.






David Klein



Comprei este poster para a salinha de video. Cheguei nele porque queria alguma coisa com elefante para combinar com o quadro que fica atrás do sofá; tendo a India como tema ficou melhor ainda, já que a salinha é o meu tugúrio bollywoodiano.

Mas, nisso, acabei descobrindo David Klein, o autor.

São as maravilhas da internet: eu conhecia os seus posters há séculos, porque são verdadeiros marcos visuais, mas nunca soube quem os fez...






Adoro a minha Arca de Noé!










GRRRRRRRRRRRRRRRR...

O Velox está fora do ar. Liguei para o suporte: a área está em manutenção e só volta ao ar às sete!!!

Estou me conectando do notebook, com VivoZap, mas não é a mesma coisa.





27.4.09


Cheguei.










E agora? Como é que eu SAIO de casa?!










Como é que eu vou pra casa?










Alagou tudo!










A vista da Monca










Bobby



Se certos filmes são culturalmente intransponíveis, Bobby é o caso mais ilustrativo que conheço. Maior sucesso de bilheteria na India em 1973, e popularíssimo no país até hoje -- está na lista dos 25 melhores filmes de Bollywood do Indian Times, e em todas as listas de clássicos indianos -- é, pelo ridículo, incompreensível como fenômeno para a maioria dos espectadores ocidentais

As músicas, porém, são boas, e algumas coreografias muito divertidas. A do video, minha favorita, é o ponto alto do filme.





26.4.09


MUITAS HORAS para ler tudo isso... ufa!









25.4.09


Coreografia espetacular!



As duas lindas dançarinas principais são Madhuri Dixit e Aishwarya Rai; o filme é Devdas.






Ipanema










Keaton










Devdas






(E um teste do Nokia N85)





24.4.09


Emergência na Operação Iguabinha

Escreve a Valéria:
Povo amigo

Conseguimos uma família maravilhosa para adotar um dos filhotes de Iguabinha. Estava tudo acertado pra hoje, mas o rapaz lá de Iguabinha que ia fazer o transporte por 50 reais deu pra trás, e ficamos na mão. Consegui uma garota que poderá fazer o transporte só na semana que vem, mas por 120 reais! Bom, se cada gato que a gente trouxer custar esse preço, o bicho vai pegar, né?

Então estamos pedindo os esforços de todos para encontrar alguém, algum amigo ou conhecido, ou amigo do amigo etc. , que esteja passando por aquelas bandas, ou more por lá, ou esteja por perto, e esteja vindo pro Rio, pra trazer esse bebezinho de um mês, e me entregar, pois eu vou levar até a família que quer adotá-lo.

Amigos, isso é urgente, não podemos perder uma adoção tão boa!

Se não puder ser esse fim de semana, que seja outro dia. Conto com a ajuda de vocês.

Beijos, Valeria






A parede listrada










Pipoca










Luta livre










Morreu de quê?

Recebi ainda agora, achei tão engraçado...
Zé: Bença padre.

Padre: Deus o abençoe meu filho.

Zé: Padre, o sr. lembra do João Pintor?

Padre: É claro, meu filho!!!

Zé: Pois é Padre, o João veio a falecer.

Padre: Que pena, morreu de quê?

Zé: Olha, Padre. Eu moro numa rua sem saída e minha casa é a última. Ele desceu com o carro e bateu no muro lá de casa.

Padre: Coitado, morreu de acidente?

Zé: Não, ele bateu com o carro no muro e voou pela janela. Caiu dentro do meu quarto e bateu a cabeça no meu guarda-roupa de madeira.

Padre: Que pena, morreu de traumatismo craniano?

Zé: Não Padre, ele tentou se levantar pegando na maçaneta da porta que se soltou e ele rolou escada abaixo.

Padre: Coitado, morreu de fraturas múltiplas?

Zé: Não Padre, depois de rolar a escada ele bateu na geladeira, que caiu em cima dele.

Padre: Que tragédia, morreu esmagado?

Zé: Não, ele tentou se levantar e bateu as costas no fogão que tombou derramando a sopa que estava fervendo em cima dele.

Padre: Coitado, morreu queimado?

Zé: Não Padre, no desespero saiu correndo, tropeçou no cachorro e foi direto na caixa de força.

Padre: Que pena, morreu eletrocutado?

Zé: Não Padre, morreu depois d'eu dar dois tiros nele.

Padre: Filho, você matou o João?

Zé: Uai, o miserável tava destruindo a minha casa toda...!





23.4.09


Duas figuras II










Duas figuras










Em toda casa tem um quadro de São Jorge...







Bando de traíras irresponsáveis!




Desde quando legalidade e moralidade são sinônimos?


Na entrevista que deu à Veja esta semana, Michel Temer, a excelência mor, disse que, no Congresso Nacional, há “confusão entre o que se pode fazer e o que não se pode fazer”; disse ainda que “há falhas no controle”, e que “os erros de poucos não podem contaminar a instituição”. Como contribuinte às voltas com o assalto do imposto de renda, de um lado, e, do outro, o noticiário simplesmente obsceno da política, tive que respirar fundo e contar até dez -- várias vezes -- para não ter um ataque de fúria. Não basta ter cara de pau para dizer isso; é preciso também subestimar, em altíssimo grau, a inteligência dos leitores. Prevarique, excelência, já que ninguém lhe disse que prevaricar não se pode fazer, mas, por favor, não me chame de burra!

Qualquer criança razoavelmente educada sabe, muito bem, o que pode e o que não pode fazer. Vai me dizer agora que um bando de marmanjos não sabe?! O fato de não existir regulamentação proibindo congressistas safados de levarem a família de férias às custas do contribuinte não significa, em absoluto, que qualquer congressista safado esteja automaticamente autorizado a fazê-lo. É mais do que evidente, para qualquer pessoa com um mínimo de dignidade e de boa fé, que verbas públicas não podem ser usadas para fins privados. Qual é a regra que está faltando para que a politicalha entenda isso?

Em que mundo levitam as excelências que não percebem que os seus gastos nababescos custam o suor de brasileiros que trabalham de verdade? Em que mundo vivem as excelências que acham normal que seus filhinhos mimados torrem dezenas de salários mínimos em conta de celular, só assim? Em que mundo vivem as excelências que, não contentes em alugar jatinhos às nossas custas, ainda têm a petulância de posar como partes ofendidas?! Em que mundo, afinal, se homiziam essas excelências que, pegas em flagrante, reagem afirmando que “faltam regras claras”?! Ora, o que falta, excelências, é apreço à democracia, é amor pelo país, é compaixão pelo povo que trabalha de sol a sol e não tem escola, não tem hospital, não tem nada. O que falta é vergonha na cara.

* * *

Pior do que a roubalheira interminável que assistimos, se é que pode haver algo pior, é o seu leque malsão de efeitos colaterais. Eles podem ser ouvidos em qualquer lugar, nos cabeleireiros, nos ônibus, nos botecos, nos escritórios; eles podem ser lidos nas seções de cartas de leitores e na internet, das caixas postais que rosnam com abaixo-assinados e textos indignados aos blogs e caixas de comentários do noticiário. O mais deletério à nossa auto-estima é o argumento, repetido à exaustão, de que o congresso é a cara do país, e que a canalha que lá está nos representa à perfeição.

Não é verdade. O Brasil é muito melhor do que os seus políticos. Olhem ao seu redor, na sua casa, entre os seus amigos e conhecidos: a maioria dos brasileiros é gente correta e batalhadora, ocupada em ganhar a vida. Essa maioria só sai no jornal como vítima: de assalto, atropelamento, bala perdida, burocracia, erro médico. A questão é que a política anda tão nojenta, mas tão nojenta, que causa repulsa às pessoas decentes.

Outro péssimo efeito colateral da safadeza generalizada é a idéia de que não sabemos votar, e que não fizemos direito o nosso dever nas eleições: afinal, a maioria dos políticos está na vida pública graças aos votos dos seus eleitores. O problema é que só se pode votar bem quando há opções que permitam fazê-lo. E, pelo visto, não há opções.

* * *

O efeito mais perigoso de todos, porém, é que mais e mais se ouvem pessoas a favor do fechamento do Congresso: se ainda não perceberam, conversem um pouco na rua, leiam os fóruns na internet, prestem atenção. Vocês vão ver como esse sentimento se generaliza (sem trocadilho!). Não se pode nem falar em saudades da ditadura. Muitos jovens que nem eram nascidos naqueles maus tempos não entendem para que o país precisa de um legislativo que custa tão caro, dá tão mau exemplo e só legisla em causa própria. Do jeito que as coisas vão, está cada vez mais difícil defender o Congresso e, consequentemente, a democracia.

É isso, sobretudo, que não devemos, nem podemos, perdoar a essa corja de traíras irresponsáveis. O Congresso não é a casa da mãe Joana, nem pertence aos camatas e sarneys da vida; ele pertence a todos nós, e o seu funcionamento, em plena liberdade, foi conseguido com muito sacrifício para ser, agora, tornado irrelevante em troca de seis dinheiros.

* * *

Para nós, cariocas, que tanto nos orgulhavamos de ter um parlamentar como Fernando Gabeira, e tanto nos empenhamos na sua campanha à prefeitura, fica, além de tudo, o gosto amargo da decepção. Nunca pensei, aliás, que pudesse usar essa palavra – decepção – em relação a um político, mas aí está. Continuo achando que, apesar de tudo, existe uma grande distância entre ele e a maioria dos seus pares; mas não há como negar a mancha na sua biografia, ou a dúvida entre o seu eleitorado. O que mais ele fez que apenas ainda não veio à tona? Do que mais vai se arrepender depois do flagra?


(O Globo, Segundo Caderno, 23.4.2009)

Update: Até agora, quatro da manhã de sexta, recebi 127 emails só na mailbox do jornal. TODOS concordando comigo, o que é inédito e, acho, um recorde... Passei o dia no computador e consegui responder a 75. Ufa.





22.4.09


Três pessoas trabalhando









21.4.09


Foi bonita a festa, pá...







É dura a vida da bailarina






Não dava pra dispensar o guarda-chuva, porque a camera estava ficando molhada (para não falar nos pingos d'água na lente, que atrapalham tudo); mas fotografar com uma mão e segurar o guarda-chuva com a outra é MUITO DIFÍCIL!!!






O pior é que tem muita gente!










If you burn them, they will come...










Leonard Cohen no Rock'n Roll Hall of Fame



Eu AMO Leonard Cohen!

Escrevendo como escreve, nem precisava ter essa voz; tendo essa voz, não precisava ter esse charme; tendo esse charme e essa voz, nem precisava escrever como escreve...






Deu chabu

O tal "Encontro da água com o fogo", que abriria as comemorações do ano França-Brasil, periga se tornar o "Encontro da água com a água".

Chove cada vez mais, e o entorno da Lagoa está encharcado!






Lá vai o feriado por água abaixo...










Coisa mais fofa!!!



Valeu, Tomzinho! Pena que a turma aqui de casa já está muito grandinha para isso -- até a Lolita é maior do que o gatinho do video.






O que é isso, companheiro?

Em todo esse escândalo das passagens, minha única decepção foi com o Gabeira.

Eu achava -- e apesar de tudo continuo achando -- que ele é mais correto e mais decente do que 99,9% dos seus pares, um bando de primitivos sem escrúpulos e sem noção de cidadania.

A questão não é se existiam ou não existiam regras para o uso de passagens no Congresso. A questão é que é óbvio que certas coisas se fazem e certas coisas não se fazem, ponto.

Claro que ter dado passagens da sua cota para terceiros não o põe, automaticamente, no mesmo nível dos demais, nem o transforma, da noite para o dia, no ladrão de galinhas em que os adversários querem transformá-lo.

Ainda vejo uma grande distância entre Gabeira e Inocêncio, Sarney, Camata e a quadrilha em geral; mas que isso é uma mancha na sua biografia, e uma enorme decepção para o seu eleitorado, nem se discute.

Fora a dúvida cruel que agora não se dissipa: o que mais ele não fez e que apenas não veio à tona?

Não tem jeito.

A política brasileira está caindo de podre.





20.4.09


A ala jovem









Susan Boyle: a estrela sobe

SUSAN
CONQUISTOU o
mundo com
seu jeito
gauche de tia
desajeitada
porém
simpática,
sua escolha
de repertório
e sua voz de
anjo: não é
exagero dizer
que ela é,
hoje, a
pessoa mais
querida da
internet.


Mesmo quem mora na internet volta e meia se surpreende com o seu poder avassalador. No sábado à noite, uma moça chamada Susan Boyle apresentou-se num programa de calouros em Glascow, Escócia. Feiosa, gordinha, grisalha, despenteada, vestida sem qualquer pretensão de glamour, ela tinha tudo para pagar o mico da noite e voltar para o anonimato — mas, como a essa altura sabem até as pedras da rua, Susan Boyle tem a voz de um anjo e, em menos de dois compassos, já havia conquistado o juri, a platéia e quem quer que, a partir daquela noite, tenha ido ver as novidades no You Tube. O retumbante sucesso da sua apresentação se espalha no ar como um rastilho de pólvora.

Susan, que está na contramão de tudo o que prega a nossa cultura de endeusamento da beleza e da juventude, pegou a humanidade literalmente de surpresa — e deu, de quebra, um tapa de luva universal em quem fez pouco da sua aparência. Ou seja: todo mundo. Eu mesma, que ao começar a ver o vídeo ainda no sábado, achei que estava diante de mais um exemplo de baixaria do You Tube, acabei indo às lágrimas quando ela soltou a voz.

Hoje faço parte da sempre crescente legião de fãs de Susan Boyle e, como boa fã, percorro a internet em busca de notícias suas. Não tenho do que me queixar. Se há algo fácil de achar online, hoje, é notícia de Susan Boyle, que virou o grande fenômeno da rede dos últimos tempos. Ela já deu entrevista para inúmeros jornais ingleses, para a emissora da sua cidadezinha, para a BBC; parece que nem consegue mais sair de casa sem que alguém não a fotografe e logo poste a foto.

É normal. Todos querem saber mais a respeito da improvável estrela, e todos tem opinião sobre o caso, de Demi Moore, que confessou no Twitter ter se emocionado com a sua apresentação, a Whoopi Goldberg, que rodou a baiana em sua defesa. Já existe um fã-clube de Susan Boyle, um verbete na Wikipedia, uma coleção de fotos. Enquanto isso, o video dispara no ou Tube. Até a noite de quinta-feira, quando vossa cronista digitava essas mal tecladas, apenas as dez primeiras cópias do “Britain's got talent” já haviam sido vistas quase 20 milhões de vezes! Um comentário feito ontem resume o espanto:

— Quase 14 milhões de espectadores em menos de seis dias!!! Que maluquice! E que máximo!

Acompanhar os comentários, aliás, virou tarefa impossível: eles entram mais rapido do que se consegue ler. E o melhor é que, ao contrário do ambiente geralmente hostil e cheio de brigas a que já nos acostumamos no You Tube, o tom geral é de admiração, respeito e carinho — mesmo quando exprime revolta:

“Como é que gente como Madona ou Britney Spears ganha milhões por músicas pré-fabricadas de quinta categoria entre uma temporada e outra na reabilitação, essa mulher passou 47 anos desapercebida?! Meu Deus do céu!!! É bom que a Susan ganhe esse troço ou, no mínimo, feche um contrato de dez milhões de dólares, ou o povo vai se rebelar (or else people will riot)!!!”

Com a popularidade da moça em alta, acho que ninguém precisará ir às barricadas tão cedo...


(O Globo, Revista Digital, 20.4.2009)

Update: Há quem estime que, a essa altura, a participação de Susan em "Britain's got talent" já tenha sido vista cem milhões de vezes. Verdade ou não, o fato é que Susan Boyle já é muito, mas muito mais famosa do Elaine Paige, a cantora que ela mencionou no programa como modelo de estrelato.






Não se pode dormir?!





Com tanto lugar bom na casa para uma soneca, dá para entender isso?





19.4.09


Caiu um garçom no Malzbier da Mami!








Hmmmmmmmmmmmm!!!




Salsichão com chucrute; mas o chucrute estava meio azedo demais.






Um casal conectado








Vou viajar... poderia me fazer um favor?

Poderia molhar as plantinhas para mim?

Não vai dar tanto trabalho, vai?

Obrigada pela gentileza.




(Isso fica de rolar de rir em PPT, que foi como eu recebi, abrindo uma tela de cada vez...)





18.4.09


Deu no JC-online (PE)

"Por volta das 3h deste sábado (18), um carro preto com vidro fumê, que não teve cor e placa anotados, chegou ao Motel Horizonte, na Rua Nossa Senhora dos Prazeres, mais conhecida como Alto da Maré, em Sucupira. Três horas depois, funcionários ouviram tiros. Os assassinos teriam aproveitado a saída do carro de outro
cliente para fugir."

O achado foi do nosso atento m v m, que há poucos meses encontrou lá, também, o inesquecível caso das pedras anti-submersão.

Gostei muito também do nome da rua, que não podia ser mais adequado a motéis & similares.






Eles não gostaram do filme









17.4.09


Estúdio










Na Índia










Dois gatinhos amigos










Dois gatos chiques










Muita atitude...










Tudo o que aparece do cena é pensado










Gabriela!










É lindo!










Na Lapa










Vai rolar um desfile da Daspu










Projac: camarim











16.4.09


Já estava com saudades...










Vamos dormir!










* suspiro *

"Just met two german travellers, they arrived 3 hours ago in Rio and were already robbed by 4 youngsters armed with knives." (Bart Lapers, fotógrafo belga, via Twitter)






As delongas da lei



A manhã de sexta-feira mal tinha começado quando o interfone tocou, com incômoda insistência. Era o Zé, avisando, nervoso, que estava lá embaixo uma oficial de justiça para me entregar uma intimação. Sou pessoa tranqüila e respeitadora da lei, mas bastou saber disso para levar um susto. O que é que eu tinha feito?! Alguns minutos depois, tudo se explicava: eu estava sendo intimada como testemunha. Pelo visto a polícia conseguira prender o assaltante que, em dezembro passado, levara todos os pertences meus e da minha irmã num arrastão em Botafogo. Meno male!

A ida à justiça, cinco dias depois, acabou sendo uma experiência antropológica e sociologicamente interessante. Para mim, o mais impressionante foi ver como um bandido dá trabalho: depois da queixa que prestamos logo após o arrastão, voltamos à delegacia, a Laura e eu, para reconhecer o elemento em fotos. Foram mais duas tardes perdidas. Investigadores investigaram, ordens de prisão foram emitidas, policiais prenderam. Depois foram emitidas as intimações, e os oficiais de justiça foram à casa das pessoas – que, já na qualidade de testemunhas, acabaram vendo mais uma tarde ir para o brejo.

A audiência estava marcada para as 14hs. Combinando a ida com a Laura, propus chegarmos às 15hs, mas ela e Mamãe, sempre inocentes, me mandaram ter juízo e chegar na hora. Adiantou? Claro que não. A meritíssima só chegou bem depois, e isso porque a Laura, sempre tão calma, ficou uma fera com o atraso e ameaçou ir embora. Faz sentido. Um funcionário pago pelo público tem a obrigação de atender bem ao público que o paga – no caso dos juízes, aliás, regiamente. Se vamos ao dentista e ele nos dá um chá de cadeira, sempre temos a opção de mudar de dentista; mas ninguém tem a opção de mudar de juiz. Mais tarde, no longo debate que aconteceu lá no blog em torno do assunto, ela acrescentou uns ipsilones:

“Não fiquei passada só com o atraso da doutora, que acabou nem sendo tão grande quanto eu esperava, mas pelo fato de que, quando perguntei quanto tempo ainda ia levar até podermos prestar depoimento, a resposta ter sido a inevitável "não há previsão". Como assim?! Tem que haver previsão! Expliquei que tinha aulas para dar, e disseram: “Ah, mas com o atestado daqui, sua falta será abonada”. Quer dizer, cada um defende apenas o seu! E os alunos, esperando na sala de aula, alguns vindos de longe? O que interessa a eles se a falta foi ou não foi abonada? Eu não terei desconto no salário, mas e os autônomos que são convocados? Os taxistas, as costureiras, os camelôs -- alguém paga o prejuízo que eles têm quando passam uma tarde inteira esperando para depor?

É claro que um atraso pode ser inevitável. Mas telefones servem para avisar, e não doeria nada se recebessemos um pedido de desculpas. Aliás, logo que soubemos pela secretária que a doutora juíza estava perto e chegaria logo, pudemos decidir que, afinal, valeria a pena esperar. Mas só obtivemos a informação -- que deveria ter sido dada de livre e espontânea vontade -- devido à nossa insistência. Tem mais: quando uma pessoa se apresenta como testemunha e vítima de assalto, deveria ser tratada com a máxima gentileza pelas autoridades. Afinal, já passou por uma agressão. Expressões simples como "desculpe" e "por favor" (sem falar em "obrigado por virem dar seu depoimento") fariam toda a diferença. Nenhuma delas, porém, faz parte do vocabulário da 35ª Vara Criminal.

Depois a gente ainda tem que ouvir que a sociedade não quer fazer a sua parte, e que as pessoas reclamam da segurança, mas se recusam a denunciar os crimes à polícia... No entanto, a sensação que eu tenho, quando vejo que as autoridades estão se lixando para o meu tempo – depois de já ter ido à polícia duas vezes e prestado longos e detalhados depoimentos -- é a de que estou sendo assaltada novamente. E que, dessa vez, estão me levando um bem muito mais precioso.”

No mesmo bate-papo do blog, o Paulinho contou sua recente experiência com a justiça dos Estados Unidos:

“Eu sei que esse país tem fama de careta, quadrado e cheio de regras, para ficar só nos adjetivos “simpáticos”. Mas uma coisa dessas raramente aconteceria aqui. Noutro dia fui multado por, teoricamente, ultrapassar o limite de velocidade; mas eu sabia que não havia ultrapassado limite algum. Liguei para a corte, dizendo que gostaria de explicar ao juiz que a rua onde moro acaba de ter o limite de velocidade alterado. Recebi uma carta, com dia e hora marcados para comparecer diante do juíz e do policial que me multou. Cheguei com um pouco de antecedência, fui chamado pontualmente e nem precisei explicar a situação. O policial se desculpou perante o juíz por não saber que o limite havia mudado naquela área, e o juiz, por sua vez, se desculpou pelo estado, e por ter perdido o meu tempo. Dois dias depois, recebi uma carta do State of Texas, pedindo desculpas pelo mal entendido e agradecendo minha confiança no sistema jurídico. Quer saber? Achei muito civilizado.”

Pois.

* * *

Eu nunca tinha ouvido falar do Adriano até ele declarar que era mais feliz na favela do que na Itália, e meio mundo lhe cair em cima. Independentemente de qualquer outra consideração sobre o caso, achei bonito o que ele disse, e compreendo a sua atitude. A Itália é um belo país para quem gosta do que a Itália tem a oferecer; para quem não gosta, é um inferno igualzinho a qualquer outro país estrangeiro. Nós não vivemos só na nossa casa. Vivemos, principalmente, no nosso país, na nossa língua, nos nossos costumes. Quem disse que uma pelada entre amigos e um churrasco na laje valem menos do que uma Ferrari?


(O Globo, Segundo Caderno, 16.4.2009)





15.4.09


Olívia e Bianca










A Farsa da Boa Preguiça






Peça de Ariano Suassuna, em cartaz no Teatro Ginástico.






Operação Iguabinha



Este gatinho LINDO precisa de um lar, assim como seus irmãos e primos. Maiores informações aqui mesmo, nos comentários.

Fala o Paulo Afonso:
"Agradeço a todos que colaboraram para o sucesso da Operação Iguabinha. Os gatos já estão de volta e aprontando tudo o que podem. A nova geração já está aí, com mais três filhotes, nascidos no mês passado. Já estão compartilhando minha garagem. Ao todo estou com 12 gatos. Para quem não é gateiro, é um bom número...."

O gatinho da foto é um dos três filhotes.






Recomendação do DJ Leo

As 101 coisas que você deveria ter visto na internetBR.

Muito bom!

(Prepare-se para perder um tempo e-n-o-r-m-e)






Atenção atenção!

Laura avisa:
"Quinta feira, dia 16, às 18h30, tem concerto da Camerata Quantz (o grupo de música antiga que eu dirijo). É de graça, no Clube de Engenharia: Av. Rio Branco 124, 22º andar.

No programa, a música de J. S. Bach e seus contemporâneos: três árias de cantatas de Johann Sebastian (incluindo a minha favorita, da Cantata do Café), e peças lindas de Heinichen, Boismortier e Mancini. Duas sopranos, uma mezzo, flautas, flautas doces, violinos, contrabaixo, espineta, guitarra barroca, bandolim, fagote, cello, em combinações instrumentais e vocais surpreendentes e maravilhosas.

Vai ser (espero!) um programão.

Não deixem de vir!"






Ninguém merece...






Mas não foi o Irineu não, coitado: ele está só supervisionando o estrago.






A Historia da Música Ocidental em 10 minutos






14.4.09


Prêmio Vivo, melhor filme: Estômago










Mais filme!










A star is born



Aconteceu no sábado, num programa de calouros na Inglaterra, e pegou fogo no You Tube ao longo do fim-de-semana.

Eu queria trazer o vídeo para cá, mas infelizmente a incorporação foi desativada.

Cliquem AQUI... e apertem os cintos de segurança!

Susan Boyle -- esse é o nome da moça -- já está na mira das gravadoras. Ela tem 47 anos, nunca teve namorado, está desempregada e vive com um gato de 10 anos chamado Pebbles.






Em tempo

Eu nunca tinha ouvido falar do Adriano até ele declarar que era mais feliz na favela do que na Itália, e meio mundo lhe cair em cima. Pois achei muito bonito e sincero o que ele disse, e compreendo perfeitamente sua atitude. A Itália é um belo país para quem gosta do que a Itália tem a oferecer; para quem não gosta, é um inferno igualzinho a qualquer outro país estrangeiro. A questão é que nós não vivemos só na nossa casa. Vivemos, principalmente, no nosso país, na nossa língua, nos nossos costumes. Quem foi que disse que uma pelada entre amigos e um bom churrasco na laje valem menos do que as pompas do mundo?





13.4.09


Imperdível!

A VanOr está em Cusco; e quem não está lendo as suas aventuras pela América do Sul está perdendo, sinceramente.






Procura-se

Pessoas, com a perspectiva da vinda dos gêmeos, a Bia precisa mudar o esquema doméstico; de modo que procura uma empregada para serviço geral (que não durma no emprego) e uma babá.

Alguém tem recomendações?






Mais um DVD!










Camuflada










Eu tuíto, tu tuítas, eles estão por fora



E o Twitter continua sendo o grande assunto do momento na internet. Na verdade, "O" assunto: é praticamente impossível falar com gente conectada sem que a conversa não vá parar no “microblog”, termo que, por sinal, considero pouco adequado para descrevê-lo. O Twitter é tudo menos micro. Ele cresceu 700% em um ano, segundo pesquisa da comScore, e agora teria quase dez milhões de usuários, quatro milhões dos quais nos Estados Unidos. Segundo a IDG Now, no Brasil somos, por enquanto, menos de 500 mil -- mas eles não perdem por esperar.

Mal descobriu o Twitter, o Brasil já está pondo as manguinhas de fora. Semana passada, por exemplo, alguns usuários metidos a ixpertos causaram comoção ao usar um script para aumentar, de forma substancial e fraudulenta, o número de “followers”, ou “seguidores” -- outro termo infeliz, que remete a lideranças espirituais, mas, no fundo, serve apenas para designar quem lê o que o, hmmm... “seguido”... posta.

Pegos com a boca na botija, os ixpertos voltaram atrás e inventaram desculpas esfarrapadas, mas acabou pior a emenda do que o soneto. A brincadeira foi mais uma mancha na reputação do comportamento dos brasileiros online, que, desde o Fotolog, não é lá das melhores.

Quem imaginou que estamos diante de mais um bando de adolescentes indisciplinados, errou na mosca. Os usuários do script malsão são senhores e senhoras de meia-idade, perfeitamente encaixados nas estatísticas que informam que o Twitter faz mais sucesso entre o povo de 45/55 anos. Deviam ter mais juízo, mas juízo anda em falta em todas as faixas etárias.

Criar boa reputação na rede, onde ninguém sabe quem de fato está do outro lado, toma tempo mas é fácil: basta agir corretamente. Acabar com uma boa reputação adrede existente (gostaram?) é igualmente fácil, mas consideravelmente mais rápido. O nome do jogo é transparência. Nunca é demais lembrar que transparência a posteriori não vale: afinal, esse é o comportamento de dez entre dez políticos, que, depois de descobertos, devolvem o dinheiro roubado – de preferência, com grandes manifestações de honestidade.

A ixperteza dos compatriotas foi, sem dúvida, a coisa mais comentada e irritante da semana. A mais divertida, porém, foi o Pessach no Facebook, uma interpretação contemporânea da Fuga do Egito. Se você tem pelo menos uma idéia de como funciona o Facebook, dê uma olhada em migre.me/oLn.


(O Globo, Revista Digital, 13.4.2009)






Um lindo hino



Quando a India comemorou 50 anos de independência, em 2000, A. R. Rahman, um dos principais compositores de Bollywood, fez essa espetacular gravação de Jana Gana Mana, o hino nacional indiano, da qual participaram músicos de diversas partes do país.

Rahman foi o responsável por trilhas que marcaram época, como as de Lagaan e Rangeela, de filmes que circularam fora da Índia, como a trilogia de Deepa Mehta (Fire, Earth, Water) e Elizabeth, e do já clássico Omkara, uma adaptação de Otelo, da qual, inclusive, foi tirada a música de abertura de Caminho das Índias. Também é dele a trilha de Slumdog Millionaire, pela qual ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e dois Oscars (melhor trilha e melhor canção original).

No momento, há nada menos de onze filmes em produção com música sua.

O Hino da Índia, composto por Rabintranath Tagore em 1911, é um canto em louvor a Deus, embora alguns ingleses sem noção achassem que era homenagem ao rei George V (!). Por causa disso, o pobre Jana Gana Mana foi alvo de grandes controvérsias ao ser oficialmente adotado, no ano de 1950.

Há maiores informações sobre essa gravação histórica na Wikipedia.





12.4.09


Padre Marcelo Rossi: ridículo.










BBB: ridículo.










Literatura especializada










Na Laura










Isso é que é vida...



Vejam em que ótima companhia está o meu compadre Gravatá!

Ele está fazendo um cruzeiro lá pela ponta do continente; o diário de viagem está no blog.





11.4.09


Livraria da Travessa










Ser gato de costas quentes é uma maravilha!






(Negão, em foto da Heliana)





10.4.09


Cirque du Soleil



Gostei do título -- Ovo -- e da idéia do espetáculo da Deborah Colker.

A estréia mundial é no próximo dia 23, em Montreal.

Esse eu quero muito ver.






Felicidade


Foi impossível fotografar o tropel; tive que esperar sossegarem.

Estava quietinha lendo quando ouvi um tropel de gatos no corredor. Fui ver o que era: Lucas e Lolita correndo feitos loucos, um atrás do outro.

Acho lindo ver o meu gatão véinho brincando feito criança!

O Irineu é o principal companheiro de farra da Porcaria Pequena, mas a paixão da vida dela é mesmo o Lucas.

Os dois brincam, dormem juntos e se lambem, na maior felicidade.

Bom, muito bom isso!





9.4.09


Barulhinho bom

Essa é para geeks nostálgicos, e foi divulgada pelo Inagaki: The Dial Up Kid.

Morri de saudade.

(Nós éramos pioneiros passando por estradas de terra batida, cheias poeira e de buracos onde, mais tarde, se abririam auto-estradas.)






Praça General Osório










Escada é sempre irresistível...










Jânio, Millôr e Hélio










Nenhum deles presta, mesmo!





E esse é dos "honestos": quando foi descoberto, pagou a conta.

É nessas horas que eu descubro que dentro de mim mora um pequeno neandertal com instintos assassinos.






A Fuga do Egito no Facebook

A Sheila Leirner postou um lance genial: como seria a Fuga do Egito narrada do Facebook. Todos os personagens estão presentes, fazem posts, mandam coisas uns pros outros, respondem a quizzes e usam aplicativos.

Quem não tem familiaridade com o Facebook vai, provavelmente, achar muito chato. Mas para quem usa o dito Facebook, é uma das coisas mais divertidas dos últimos tempos.

Estou aqui dando risada sozinha, para perplexidade dos gatos...






Notícias da Famiglia Gatto




Quando comecei a escrever crônica aqui no Segundo Caderno, em janeiro de 2003, o Merval me deu um conselho: evitar falar de gatos e de internet. Levei um susto. Como é que eu poderia evitar meus dois tópicos favoritos?! A questão da internet era menos grave, já que, como editora de informática, eu tinha um caderno inteiro para especular sobre o assunto. Mas o que fazer a respeito dos gatos?

-- Deixa no “Info etc.” também, -- recomendou o Merval. -- Lugar de gato é na informática.

Não, não era maluquice dele. Desde que nasceu, em 1991, ainda como “Informática etc.”, o caderninho se prestava a todo tipo de excentricidade. Na época, tecnologia só interessava a meia dúzia de leitores, o que nos dava a paradoxal sensação de produzir um suplemento clandestino dentro de um dos maiores jornais do país. Além de mandar recados uns para os outros nas nossas respectivas colunas, entravamos sem a menor cerimônia pelas colunas alheias, que enchíamos de parênteses e de observações; vivíamos brincando entre nós e envolvendo os leitores na brincadeira, como se estivéssemos juntos na hora do recreio. Era muito divertido. Pena que, tirando os iniciados, ninguém mais lesse o que escrevíamos.

E onde entravam os gatos? Simples: por viverem em cima dos monitores e das impressoras, eles apareciam frequentemente como personagens. Catia.cat, minha gata sênior, chegou a assinar a resenha de um jogo pré-Tetris. Era capaz de passar horas observando o vaivém das bolinhas que, de vez em quando, tentava pegar no bote. A resenha fez muito sucesso. Ao mesmo tempo, como a antiga interface de caracteres não se prestava a ilustrações objetivas, não era incomum encontrar a imagem de um gato numa matéria sobre, digamos, sistemas operacionais. Mais tarde, quando as câmeras digitais se popularizaram, eles continuaram na parada, fazendo o óbvio papel de modelos. Por acaso, quase toda a equipe tinha gato em casa, o que deu origem à lenda de que, para ser contratado pelo “Info etc.”, ter gato era pré-requisito mais importante do que falar inglês. Pura maldade: B. Piropo, o mais querido e ilustre colaborador do caderno, sequer gostava de bicho.

* * *

Lembrei disso tudo enquanto procurava uma boa foto da Lolita para ilustrar a crônica de hoje. Mais novo membro da Famiglia Gatto, Lolita estava abandonada na Lapa quando foi encontrada, no começo do ano, por um amigo que passava uma temporada aqui. Era um projetinho de gato, coberto de pulgas e de sujeira, mas já era descolada e cheia de atitude. O Lee levou-a para casa, deu-lhe banho, carinho e comida, e, depois do carnaval, quando voltou para Nova York, deixou-a comigo. Aí ela já era a linda gata que se vê na foto, apenas em tamanho um pouco menor.

Lolita veio fazer companhia ao Irineu, aquele gatinho preto e branco que apareceu no estacionamento, e que já saiu do jornal batizado pelo Nelson. Aproveito para informar aos leitores que escreveram pedindo notícias que ele não podia estar melhor. Simpático e humilde, integrou-se rapidamente à Famiglia. Infelizmente, nunca teve com quem brincar: a turma daqui de casa, entre 10 e 17 anos, é uma ala geriátrica, sem paciência para crianças. Depois de levar uns passa-foras dos véinhos, decidiu me adestrar, no que foi, alías, bastante bem sucedido. Seu passatempo favorito era pegar no ar as bolinhas de papel que eu jogava e, compenetrado, afogá-las uma por uma no bebedouro. Depois, trazia os “cadáveres” para mim, deixando uma trilha de papel ensopado pelo caminho.

Os verbos estão todos no passado porque, desde a chegada da Lolita, o interesse do Irineu pelas bolinhas diminuiu drasticamente. Os dois se deram às mil maravilhas, e passam o dia juntos. Lolita, que inicialmente se chamava Lola, por causa do filme “Corra, Lola, corra”, já saiu da caixinha em que veio para cá como dona do pedaço. Cumprimentou os gatos, não teve qualquer medo das suas demonstrações de valentia e descobriu onde fica a cozinha em tempo recorde. Adora colo e cafuné, e ronrona muito alto, mas não sabe miar; tem apenas um fiapo ridículo de voz, que mal se ouve. É tão engraçadinha que conseguiu o que nem o Irineu havia conseguido – acabar com a dignidade do Lucas, o siamês, que perto dela abandona a pose de alfa cat e se atira com gosto nas brincadeiras, sempre tomando o maior cuidado para não machucá-la. É lindo de se ver. A casa anda tão movimentada, por sinal, que até os objetos, que já tinham aprendido a ficar no lugar, voltaram a se atirar das estantes. Antes que algum cometesse um gesto tresloucado, tive uma conversa séria com eles, e passeio-os lá para o alto. Agora reina a paz; estamos todos felizes.

* * *

Como a maioria dos viralatas, Lolita é extremamente inteligente. É também única. Como acontece com os malhados, não há gato no mundo com design igual ao seu. Olho para ela e para o Irineu, outra figura sem par, olho para a Famiglia inteira, composta de refugiados, e penso por que ainda há quem compre gatos, quando se pode ter companheirinhos tão maravilhosos de graça. Mais que isso; a felicidade que eles nos trazem vem, de quebra, com o bônus extra da boa ação de tirar um animal da rua.

Adotar é mesmo tudo de bom.


(O Globo, Segundo Caderno, 9.4.2009)





8.4.09


IMS










Hoje seria assim...


Boa Páscoa!







Mais uma tentativa

Pessoas, por acaso alguém tem uma bicicleta ergométrica sobrando que queira dar ou vender? Resolvi tentar mais uma vez entrar em forma (hahahahaha!), mas já estou escolada e não quero investir numa zero quilômetro...






É uma intelectual










Hoje tá fraco...









7.4.09


Ela é impossível de fotografar!







Adivinhem quem são essas gatas ENORMES... :-)



Uma pista...







Gato

Um cachorro
com autoestima

Gregório Duvivier





6.4.09


Ódio ódio raiva raiva GRRRRRRRRRRRRR!!!



Da série "Tenho horror a gente ixperta": um bando de engraçadinhos vem usando scripts para inflacionar, artificialmente, as suas bases de seguidores no Twitter (para quem não sabe do que estou falando: "seguidores", ou "followers", são as pessoas que "assinam" os seus posts, ou seja, que optam por ler o que você escreve por lá). Vai daí que qualquer mané consegue alcançar, em uma semana, dez, quinze mil seguidores.

O resultado dessa corrida de egos vazia é um sistema imprestável.

Como, infelizmente, a maioria dos ixpertos é brasileira, lá se vai, mais uma vez, a nossa reputação na rede.

Que ÓDIO disso!

Meu amigo Mario Amaya já até fez um distintivo de protesto:








Guardem esta URL!

As cem músicas mais ouvidas no Brasil a cada ano, de 1935 a 2003. O melhor é que os links levam a gente direto para clipes no You Tube: AQUI.

As listas anteriores a 1935, que vão até 1904, não estão linkadas e, em alguns casos, não chegam a 100 músicas; mas valem pela referência.

Por exemplo: peguei essa aqui na lista dos Anos 80. Quem se lembra?



Valeu, Heringer!






O lançamento é depois de amanhã










Um release interessante

Redes de relacionamento e blogs são agora a quarta atividade online mais popular, acima de e-mail pessoal

São Paulo, 06 de abril de 2009 - Visitado por mais de dois terços (67%) da população on-line mundial, os ‘Member Communities’ que englobam as redes de relacionamento e blogs se tornaram a quarta categoria on-line mais popular – à frente do e-mail pessoal. O crescimento é duas vezes maior que qualquer outro dos quatro maiores setores (busca, portais, software para PC e e-mail), de acordo com um abrangente relatório da The Nielsen Company “Global Faces and Networked Places” (faces globais e lugares plugados) disponibilizado recentemente, documento que revela a nova marca global das redes de relacionamentos.

“Redes de relacionamento tem se tornado uma parte fundamental da experiência on-line mundial” afirma John Burbank, CEO da Nielsen Online. “Embora dois terços da população on-line global já acessem os sites community member, a vigorosa adoção e migração de tempo não mostra sinais de redução. As redes de relacionamento irão continuar a alterar não só o cenário on-line mundial mas a experiência do consumidor. Este estudo mostra como.”

De acordo com o relatório da Nielsen, o Facebook – a rede de relacionamento mais popular no mundo – é acessado por três em cada 10 pessoas on-line por mês, em nove mercados onde a Nielsen pesquisa o uso da rede de relacionamento. O Orkut no Brasil possui o maior alcance on-line doméstico (70%) que qualquer outra rede de relacionamento nestes mercados.

O relatório fornece insights sobre a constante mudança no tamanho e composição da audiência da rede de relacionamento global e sobre a crescente participação do tempo na internet que isto representa. O estudo também analisa como os principais provedores estão convivendo e o que os publicitários e editores podem fazer para tirar vantagem deste fenômeno de rede de relacionamento.

Outras descobertas chaves incluem:

- Um em cada 11 minutos on-line no mundo é decorrente dos sites de redes de relacionamento e blogs;

- A audiência das redes de relacionamento e blogs está se tornando mais diversificada em termos de idade: o maior aumento nos visitantes dos sites Member Community no mundo vem do grupo com 34-49 anos de idade (+11.3 milhão);

- Celulares estão tendo um crescente e importante papel nas redes de relacionamento. A Nielsen descobriu que a rede de celulares na Inglaterra possui a maior propensão de acessar as redes de relacionamento via seus aparelhos portáteis, com 23 % (2 milhões de pessoas), comparado com 19% nos EUA (10.6 milhões de pessoas). Estes números representam um grande aumento desde o ano passado – 249% na Inglaterra e 156% nos Estados Unidos.

“As redes de relacionamento não estão apenas crescendo rapidamente, mas também evoluindo em abrangência de audiência assim como adquirindo novas funções,” diz Alex Burmaster, autor do estudo e Diretor de Comunicações através da EMEA para a Nielsen Online. “ Nos sentimos obrigados a analisar o status do mercado global das redes de relacionamentos e considerar quais as implicações que isto traz para nossos clientes, editores e publicitários.”

Entre os mercados que a Nielsen mensurou, a penetração das visitas as redes de relacionamentos e blogs foram maiores no Brasil, onde 80% da audiência on-line acessa tais sites (veja Figura 1). A participação do tempo geral na internet nas redes de relacionamento e blogs também foram maiores no Brasil, onde quase um em quatro (23% minutos gastos on-line são usados nestes tipos de sites (veja Figura 2).

A Alemanha foi o país com maior aumento em penetração nas redes de relacionamento e blogs durante 2008, com 39% de audiência on-line em Dezembro de 2007 a 61% em Dezembro de 2008 – um crescimento relativo de 39%.






Às vezes ela sossega...










Chega de foto!!!










Redes sociais


“Ou você tuíta ou você feicebuca”

Quando foi a última vez em que você ouviu falar do Second Life? Pois é: a killer app que ia mudar radicalmente a forma como usamos a rede teve os seus 15 meses de fama e swish!, sumiu no limbo das idéias perdidas. Em compensação, não se passa um dia sem que o Twitter ou o Facebook não sejam alvo de reportagens, discussões e infinitos posts... no Twitter e no Facebook. Os dois são os darlings da web e, a meu ver, têm tudo para durar bem mais do que o Second Life, que era engraçadinho, mas não tinha nenhuma utilidade real, nem supria qualquer necessidade que já não fosse atendida, e melhor, por outras redes sociais. Isso para não falar do grave pecado original de usar muuuuita banda e, logo, de não funcionar bem com a maioria das conexões.

O sucesso do Twitter e do Facebook deve-se a uma série de fatores, sendo o principal, provavelmente, a sua interface “trançada”, em que as falas de todos cruzam-se na mesma tela. Entretanto, apesar dessa semelhança essencial, os dois têm “vocações” distintas. O Twitter é, essencialmente, uma ferramenta de informação, ideal para uso em aparelhos móveis, como ficou provado durante os atentados terroristas de Mumbai: nenhum veículo publicou nada na velocidade com que os usuários do Twitter divulgaram os acontecimentos. O tamanho máximo para uma mensagem é de 160 140 caracteres. Imagine, portanto, uma espécie de blog coletivo: você dá as suas notícias, e as pessoas e organizações que você segue dão as delas, sempre nesse tamanho. Na página de acesso, todas essas mensagens entram por ordem de chegada.

O Facebook também é, em última análise, um blog coletivo. Mas embora possa ser considerado, igualmente, uma ferramenta de informação, a sua vocação óbvia é para o lazer, e para trocas de figurinhas com os amigos. As mensagens tem qualquer tamanho, podem-se inserir fotos, vídeos e gráficos à vontade, e há mil brincadeirinhas disponíveis, de ótimos games online a “presentes” que se mandam aos amigos (imagens de flores, jóias e o que mais se quiser, desenhinhos de drinks, corações coloridos), passando por toda sorte de testes bobos e irresistíveis (“Que música dos Beatles você é?”, “Mais carioca ou mais paulista?”, “Hippie ou patricinha?”).

Evidentemente, rola muita informação pelo Facebook, assim como rola muito papo pelo Twitter; as águas estão misturadas, até pela novidade da coisa. Ninguém pode prever a evolução de uma rede social, mas o ideal seria que, aos poucos, Twitter e Facebook ficassem mais focados nos seus diferentes perfis. Ter duas excelentes ferramentas e vê-las como duplicatas uma da outra é contraproducente, até porque, como bem observou o filósofo Riq Freire, “Ou você tuíta ou você feicebuca”. Na falta de dias de 48 horas, ter tempo para as duas coisas é mais ou menos impossível.

Ah, sim -- Até agora, quem fez a melhor definição das principais redes sociais foi o bernardok, de São Paulo: “No orkut todo mundo é pobre. No facebook todo mundo é rico. No flickr todo mundo é cool. No twitter todo mundo é inteligente.”


(O Globo, Revista Digital, 6.4.2009)

Voy a salir pues ya estoy olvidando como se ve la gente en persona. (Samuel Sod, no FB)

Catarro Verde, no Twitter: Fui hoje lá no Facebook, não me deixaram entrar de tênis; fui entrar no Orkut, me assaltaram na porta...






5.4.09


Rebanho também é arte



Este viral da Samsung já foi visto mais de cinco milhões de vezes, e por justa causa: é um exemplo radical do uso de ovelhas como arte, sem ferir ou maltratar as ovelhas.

Foi filmado no País de Gales para divulgar a tecnologia LED, hoje onipresente na nossa vida em incontáveis aplicações, de chaveirinhos de um real às super TVs do link acima.






Tem cada maluquice por aí...






Lar doce lar










Um ótimo dia para não fazer nada










Que sono!!!









4.4.09


Lolita trabalhando









3.4.09


Raj Kapoor, o Chaplin indiano, em Shree 420.

Essa música, um dos grandes clássicos de Bollywood, foi reproduzida em diversos outros filmes. Em "Casamento Indiano", por exemplo, toca no rádio de uma família.

Salman Rushdie fez uma tradução famosa para o estribilho. Diz assim:

My shoes are Japanese
My trousers English if you please
On my head, red Russian hat
But my heart is Indian for all that

Numa das versões que encontrei no YouTube, um dos comentaristas propôs um update da letra para os novos tempos:

Meus sapatos são chineses,
Minhas calças são chinesas,
Na cabeça levo um chapéu chinês,
Mas o coração continua indiano.

Faz sentido.






Lá veio ela atrapalhar o sono do Irineu










Dia de faxina










Demorou!










Uma rádio que só toca passarinho!

Os gatos ficaram interessados por alguns minutos, depois perceberam que era truque, e que desse computador não sai comida: Birdsong Radio






O Greenpeace pisou na bola

De modo geral, eu gosto do Greenpeace mais do que desgosto. Ainda assim, fica muito difícil concordar com o protesto de ontem, realizado às sete da manhã na Ponte Rio-Niterói, e que causou um engarrafamento monstro, prejudicando milhares de pessoas que precisavam chegar ao trabalho.

TUDO nesse protesto foi errado, da hora escolhida, que é exatamente a de maior movimento, ao banner, escrito em inglês. A língua oficial do Brasil ainda é português, e não faltam bons tradutores ao redor do mundo para traduzir o recado a líderes mundiais que porventura se interessem em saber o que é.

Como algo me diz que os líderes mundiais estão pouco se importando com recados pendurados na ponte Rio-Niterói, a única coisa que o Greenpeace conseguiu, infelizmente, foi angariar antipatias. E por justa causa: vai ser difícil convencer quem estava naquele engarrafamento de que ele merece respeito.

Isso é extremamente contraproducente, porque afeta não só a credibilidade do Greenpeace como a de todos nós que nos preocupamos com o meio-ambiente: uma besteira dessas dá munição de sobra para quem acha que somos eco-chatos, eco-xiitas ou outros termos do mesmo calibre.

Hoje, no GreenBlog, há um post sobre o assunto. Está AQUI. E, sinto dizer, ficou pior a emenda do que o soneto.
"A atividade do Greenpeace na Ponte Rio-Niterói escancarou um dos principais problemas de todo grande centro urbano do país, que é a falta de um transporte público de qualidade. Cidadãos são praticamente incentivados a ter veículos particulares para poderem circular por aí, entupindo as ruas e avenidas, provocando acidentes, engarrafamentos e poluição do ar. O problema atinge a todos, democraticamente. É o “direito de ir e vir” baseado no transporte individual, consumista e poluente.

O episódio também revela que os brasileiros ainda não acordaram para a crise climática que vivemos. Não perceberam que estamos ficando sem tempo nem escolha para conseguirmos evitar os piores impactos das mudanças climáticas, que provocarão situações infinitamente mais drásticas e problemáticas do que um engarrafamento numa manhã de quarta-feira."

Tenho a impressão de que ninguém precisa do Greenpeace para escancarar o que já está arrombado: quem é que não sabe que não temos transporte público no Brasil, e que o trânsito é um inferno?!

Ao mesmo tempo, é muita pretensão achar que "os brasileiros" ainda não acordaram para a crise climática. Boa parte d'"Os brasileiros" acordou sim, mas tem que trabalhar e não pode se dar ao luxo de brincar de rappel na hora do rush.

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém.

Pedir desculpas à população pelos transtornos causados também não.





2.4.09


O ano 2000, visto de 1910



O Leonam postou essa ilustração no Facebook: era assim que, em 1910, o pessoal achava que nós estaríamos nos comunicando no ano 2000.






Jantar beneficente: a gente come bem e ajuda a Rosely a ajudar os animais!




Pessoas, vamos participar do jantar beneficente para os animais de Ramos/Bonsucesso? A Rosely, que convida, é super do bem: é presidente SOS Felinos e da Frente Brasileira para Abolição da Vivissecção. Ela resgata animais com frequência, e está precisando da nossa ajuda -- ficou desempregada recentemente. A comida do Restaurante Refeitório Organico, segundo me garantem a Bia e a Ana Yates, que são freguesas, é ótima.






O Bob's está bem legal






Este é o Bob's da Garcia D'Ávila; agora, como aquele de Copacabana, ele também tem os clássicos que haviam saído de cartaz. Pedi um sanduíche de salada de ovo (que nunca entendi por que saiu das paradas), e achei bem gostoso.






Um entulho de dez milhões


A piscina está atrapalhando?
Joga no lixo, que é barato

-- No último sul-americano realizado no Julio Delamare, quase morri de vergonha, especialmente diante dos argentinos, porque no sul americano de lá, as instalações eram decentes -- disse Mamãe, que no fim de semana participou da prova de natação dos Jogos Brasileiros Masters. – Desde o primeiro dia, nada funcionava. A pior parte eram os banheiros: privadas entupidas até a tampa, torneiras quebradas... Aliás, mesmo que não estivessem quebradas, não ia adiantar nada, porque não tinha água. Já a água da piscina de aquecimento tinha tanto cloro que ninguém conseguiu usá-la.

Para alegria dela e dos demais participantes dos Jogos, porém, o Julio Delamare que os recebeu dessa vez foi outro, inteiramente renovado. Agora há lockers à vontade nos vestiários, para que os atletas possam guardar seus pertences enquanto participam das provas; os banheiros não só funcionam impecavelmente, com água fria e quente nos chuveiros, como, ainda por cima, estavam limpos. As arquibancadas ganharam cadeiras. Na piscina de aquecimento, o cheiro de cloro era quase imperceptível; e a piscina olímpica foi dotada do que há de moderno em tecnologia de piscinas. Coisa, enfim, de primeiro mundo. E tudo, acrescente-se, intensamente aproveitado pela comunidade: há cursos de natação e de hidroginástica a semana toda.

-- É comum que equipes estrangeiras participem, como convidadas, de eventos como o dessa semana, -- continuou Mamãe. – No domingo, tivemos uma equipe chilena. E, ao contrário do vexame que passamos com os argentinos, ficamos todos prosas em poder oferecer a eles um parque aquático tão bom, tão simpático e tão bem localizado.

O Júlio Delamare, vocês sabem, fica ali ao lado do Maracanãzinho. É importante ressaltar isso, porque a alternativa é o Maria Lenk, para lá do autódromo, fim de mundo para qualquer competidor que não tenha carro -- e para os que têm também. Sem falar que o Maria Lenk está inteiramente depenado. Terminado o Pan, todos os lockers, cabides, toalheiros, bancos, suportes de papel higiênico -- tudo, enfim, que era móvel -- foi levado embora. Participar de uma competição lá significa ter que ficar com um olho no cronômetro e outro na bolsa, porque não há onde deixá-la; pedir a amigos que segurem a toalha durante o banho, porque não há onde pendurá-la; sentar no chão para calçar o tênis, porque não há onde sentar; e, last but not least, virar repasto de mosquito. Aparentemente, a única coisa que tem de sobra no Maria Lenk é mosquito.

-- Coitada da Maria, não merecia uma “homenagem” dessas, -- lamentou Mamãe, que, como a maioria absoluta dos colegas, odeia com fervor o famigerado conjunto.

* * *

Por tudo isso, o clima foi de consternação durante a competição no Julio Delamare. É que o lindo e acolhedor parque aquático, um dos maiores da América Latina, com 18.515m², piscina olímpica de 25m x 50m, piscina coberta para aquecimento de 10m x 25m, e tanque para saltos de 25m x 25m, com profundidade de cinco metros, reformado em julho de 2007 ao custo de RS$ 10 milhões – dados da Suderj -- está com os dias contados. O projeto do Comitê Olímpico Brasileiro para a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro prevê a sua demolição para que, no lugar, possa ser feito... um estacionamento!

Segundo declaração de Carlos Arthur Nuzman ao Globo Esporte, o Julio Delamare atrapalharia o público do Maracanã, principalmente durante as cerimônias de abertura e de encerramento de grandes eventos. Para tranqüilizar a Confederação Brasileira de Natação, o presidente do COB prometeu que um Julio Delamare novinho em folha será construído do outro lado da linha do trem, perto da Quinta da Boa Vista. Pode ser que a Confederação fique tranqüila com isso; os Masters, entretanto, estavam cuspindo marimbondo, e com toda a razão.

Afinal, num momento em que o mundo inteiro fala em economizar e em apertar o cinto, o COB entra pela contramão da História, disposto a desmanchar um ótimo conjunto desportivo só assim, para reconstruí-lo ali adiante, como um marajá entediado que muda a arrumação dos móveis da sala. É difícil acreditar que algo que merecia uma reforma de dez milhões há apenas dois anos tenha, subitamente, se convertido em elefante branco; mais difícil ainda é aceitar a leviandade com que o nosso dinheiro é tratado, e a tranqüilidade com que é posto fora.

O caso do Julio Delamare, que eu desconhecia por completo, me lembrou muito o do Santos Dumont, que conheço até demais. Um governo reforma tudo, gastando uma quantia inimaginável de dinheiro; o governo seguinte decide que aquilo não tem serventia e deve ser transformado em shopping ou estacionamento. Nos dois, fica no ar a certeza de que, mais uma vez, nos fizeram de trouxas. Ou nos roubaram quando foram feitas as reformas, ou estão nos roubando agora, ao se dar por inútil o que até outro dia era imprescindível.

(O Globo, Segundo Caderno, 2.4.2009)






O pior é que eu acho lindo!






1.4.09


Um que deu certo

Durante um tempo, a Laura manteve, junto com o Tom Moore, um blog sobre música chamado Mostly Music. E, num primeiro de abril, ela publicou uma notícia sobre a interferência das ondas sonoras no comportamento sexual.

A notícia foi escrita no melhor "academiquês", e foi reproduzida, como se fosse a mais pura verdade, por um monte de outros blogs sobre música.

Até um site especializado na Alemanha caiu na história!

Recent Advances in the Study of Sound Wave Interference in Sexual Behavior

According to recent studies by the Acoustics Department at the University of Seil, in Munchaus, Germany, the sound waves produced by a flute can naturally and inherently create an effect that had not been identified until now. This singular effect can be described in simple language as an enhancement of the psycho-physiological capacity for long-term sexual intercourse, through the expansion of both feminine and masculine resilience.

According to the Chilean specialist in Human Sexuality, Dr. Raila Maios, who has been researching on the short-range influence of wind instrument sound waves on sexual responses, this extraordinary effect has been known since antiquity, and it is no mere coincidence that the mythological god Pan, a satyr, played the flute. That is also the reason why this instrument has long been associated with sexual potency in all human cultures. For the appropriate testing of her theory Dr. Maios has created a resonance chamber, which amplifies sound modules to demonstrate how audio, when appropriately applied, enhances the usability and functionality of an application.

Since physics essentially describes and quantifies the dynamic nature of elements around us, a physics experimental system should somehow capture the dynamics of physics. The sound module of the Seil Physics Education Laboratory relies heavily on voluntary flutists to achieve this goal. The intent is to continually remind the scientists that physics concepts represent live, active entities in the real world. Furthermore, six topic areas have already been effectively identified as primary to explain the sequence of elements that cause the phenomena: sound wave length, speed of sound, displacement and pressure variations in sound waves, sound intensity and decibel levels, and Doppler effect applied to sound.

One objective of the sound wave module is to supply as much user interaction as possible. It is the belief of this specialist that research is best served when musicians are allowed to explore and experiment with concepts rather than having them consume information in a dry, static manner. For example, if a physics law is presented, the researcher and his subject should be free to test the variables or parameters of the physics law to observe how the variables affect the results. Furthermore, demonstrations should also resemble or reflect real-world situations to orient the scientists in the context of a familiar or intuitive setting.

Dr. Xaoh Meti, Dr. Maios' assistant, declared that the only problem with this revolutionary idea has been that the musicians invited to take part in the experiment don´t want to leave the chamber, where they play Gluck's Dance of the Blessed Spirits uninterruptedly and only made insignificant rests in order to wait for the physical orgasmic spasms to subside.

(Quoted from the International Refereed Journal of the International Institute of Acoustics and Vibration -- IIAV)






Volta ao lar










No Fórum






Vocês se lembram do arrastão do ano passado, em que a Laura, a Mami e eu estavamos num taxi, e em que levaram tudo o que a Laura e eu estavamos carregando (menos os meus celulares, ha!)? Bom: a polícia prendeu o marginal, e na sexta-feira recebemos uma intimação para comparecermos como testemunhas.

Isso é que fui fazer lá.

E foi uma experiência interessante, sob vários aspectos.

O mais impressionante foi ver como um bandido desses dá trabalho: Depois da queixa que prestamos logo após o arrastão, voltamos à delegacia, Laura e eu, para reconhecer o elemento em fotos. A Laura, sempre cumpridora dos seus deveres, foi assim que chamaram. Eu demorei uma semana ou duas, nem lembro, mas acabei indo também. Imaginem agora que todas as outras pessoas que foram assaltadas fizeram a mesma coisa: quanto tempo perdido!

Investigadores investigaram, ordens de prisão foram emitidas, policiais prenderam -- nem sei exatamente quais são as etapas de um caso desses, e quantas pessoas envolve, mas não são poucas. Policiais levaram armas à casa da Laura para que ela identificasse o tipo que o canalha usava (era uma 45; não precisaram trazer aqui, porque eu identifiquei durante o crime).

Depois são emitidas as intimações (ô palavra mais desagradável!) para que as testemunhas compareçam, e oficiais de justiça vão à casa das pessoas. Se a testemunha não for, vai sob condução. Tenho a impressão de que isso é que antigamente se chamava sob vara, mas, se é isso mesmo, certamente mudou porque a expressão antiga não era das mais felizes...

Aliás, eu teria preferido essa opção -- a polícia vem te buscar em casa, você não paga táxi e ainda vai com escolta, de modo que dificilmente será assaltada de novo -- mas Laura e Mamãe me mandaram ter juízo. Não só isso, como ainda por cima me fizeram chegar na hora. Não adiantou nada, porque a doutora juíza só chegou beeeeeeeeeem depois.

Também foi interessante ver a reação da Laura. Ela, que é a calma personificada, ficou muito passada, indignada mesmo. É claro: um funcionário pago pelo público tem a obrigação de atender bem ao público que o paga. Se vamos ao dentista e ele nos dá um chá de cadeira, sempre temos a opção de trocar de dentista; mas ninguém tem a opção de trocar de juiz.

A Laura ficou igualmente indignada com o fato de a secretária se referir continuamente à juíza ausente como "doutora": "A doutora saiu ontem daqui às 11 da noite", "A doutora está a caminho", e assim por diante. Ela, que é doutora e professora de doutores, vira uma arara quando alguém que não é médico se faz chamar de "doutor" (ou, pior ainda, assina "professor doutor").

Eu, que nem o segundo grau terminei, acho apenas ridículo. Laura, porém, observa que isso é feito para intimidar os demais:

-- Imagina um taxista, uma vendedora de loja, uma doméstica... As pessoas humildes se sentem invariavelmente diminuídas diante de "doutores".

Tem toda a razão, claro. Eu é que não havia pensado nisso.

Várias outras coisas me chamaram a atenção; vou voltar a isso posteriormente.






Adiós, papel!


Depois de 188 anos de circulação, o Guardian deixa para trás papel e tinta e passa a ser publicado única e exclusivamente via Twitter.

Está AQUI.

O autor da reportagem é Rio Palof, um nome que fez História no jornalismo.