30.1.09


Muito felizes!










Haroldo está indignado!










Os gatinhos exploram o novo lar










Uma fila de presentes na porta do quarto










Está muito maneiro!










Vivo Summer House










Vivo Summer House










Joe, o meu gatinho bípede



Modéstia de vó à parte, está lindo ou está lindo?






Flagrante de assassinato de bolinha de papel

 
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A TIM está uma tragédia!

Entre ontem e hoje mandei uma penca de fotos pra cá. Chegaram? Pois; no entanto, o celular lhes dá status de enviadas.

Daqui a três dias vão entrar, em quatro vias cada.

Só pode ser vingança italiana contra a indizível decisão do Tarso Genro de dar guarida ao assassino Battisti.

Ah, falei.

E o pior é que eu nem estava querendo tocar nesse assunto, que me faz ferver o sangue e que me mata de vergonha, como brasileira.

ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!






29.1.09


Adora uma água!









A edição especial de "o rei e o saltimbanco"


Pelos caminhos do mundo


Na semana passada, falei de Bollywood, uma das minhas taras cinematográficas secretas – isto é, secreta até então, porque agora todo mundo sabe. Mas tenho outras. Volta e meia passo noites e noites na internet, caçando DVDs exóticos -- menos na acepção de esquisitos ou bizarros do que na de estrangeiros, distantes de onde se habita. Às vezes, os dois sentidos se sobrepõem, e de repente me vejo diante de um filme cabeça de kung-fu malaio com legendas em japonês simplificado – mas, felizmente, isso é raro. De modo geral, pode-se confiar na descrição dos fornecedores. Agora mesmo, por exemplo, recebi o islandês “Nói” numa edição tailandesa baratinha, com legendas em chinês e inglês, despachada via Hong Kong. Depois eu conto que tal essa celebração da globalização a domicílio.

(Como é que eu entendo os menus? Não entendo, é claro! Mudo linguagem e subtítulos a partir do controle remoto, onde essas funções têm teclas específicas. Funciona assim no mundo todo, menos, aparentemente, nos Estados Unidos. Basta um passeio rápido pelos fóruns para ver que a maior causa de devolução de DVDs estrangeiros pelos americanos, pouco familiarizados com legendas, é que se enrolam quando saem da zona de conforto “play”, “pause” e “stop”. Um vendedor russo de quem comprei uns filmes vietnamitas até se deu ao trabalho de produzir uma pequena bula de tradução de menus – muito mais complicada, diga-se, do que os atalhos do controle remoto.)

Essas vias tortuosas de compra tem lá seus motivos, o principal sendo que a minha curiosidade é inversamente proporcional à minha conta bancária. Eu poderia ter encomendado “Nói” na amazon.com ou na fnac.fr – mas aí, entre filme, postagem e taxa de importação, acabaria pagando uma pequena fortuna. Nos países asiáticos, com exceção de Coréia e Japão, DVDs de toda origem saem a preços bem razoáveis, frequentemente mais baratos, com postagem e tudo, do que pagariamos aqui. Além disso, me divirto com a busca, altamente instrutiva, que me leva a trocar idéias e filmes com gente do mundo inteiro.

Nos fóruns de maníacos por DVDs, aliás, o Brasil é tido em altíssima conta, sobretudo agora, com a alta do dólar: nossas edições são boas, autênticas e muito baratas para quem vive lá fora. Era essa farra multicultural que as distribuidoras americanas queriam evitar quando dividiram o mundo nas famigeradas regiões para DVDs. No Brasil, região 4, quem não tem player aberto só pode recorrer às Américas Central e do Sul, ao México, à Nova Zelândia e à Austrália; nos Estados Unidos e Canadá funcionam apenas DVDs da região 1; e assim por diante. Em alguns países, como a Nova Zelândia acima citada, essa divisão foi declarada ilegal, por lesiva aos consumidores; mas a verdade é que em nenhum lugar está escrito que a vítima dessa divisão arbitrária é obrigada a manter seu player travadinho, do jeito que os chefões de Hollywood mandaram. O que não falta na internet é receita de liberdade audiovisual: uma busca de 0,14 segundos no Google me trouxe à tona 177.000 entradas para a expressão “destravar DVD”.

Percalço mais complicado é a velha questão dos padrões NTSC e PAL, que impede aparelhos de TV mais antigos de exibir filmes gravados num ou noutro deles. Se você quiser seguir a rota dos DVDs globalizados, certifique-se, antes de sair em campo, se a sua televisão lê os sistemas de cor PAL-M/N e NTSC. Em caso positivo, mande ver: o mundo está à sua espera!

* * *

Nisso tudo, um capítulo à parte é a cultura do DVD na Coréia do Sul. Até outro dia, eu tinha uma tremenda má vontade com os filmes coreanos, que achava violentos demais; ignorância minha, porque da virada do milênio para cá o país tem feito maravilhas em todos os gêneros. Inexplicavelmente, tirando um festival aqui ou uma sala de arte ali, este cinema competente e extraordinário não chega aos grandes circuitos de exibição mundiais.

Os coreanos tem tudo: diretores para todos os gostos, do personalíssimo Kim Ki-duk, autor do deslumbrante “Primavera, verão, outono, inverno e... primavera”, que pode ser encontrado em algumas locadoras, ao festejado Park Chan-wook, de “Oldboy”, o rei da pancadaria que tanto me estressa; tem comédias românticas e dramas quase latinos, como “My sassy girl”, de Park Chan-wook, e filmes de monstro impressionantes, como “O hospedeiro”, de Joon-ho Bong; tem uma guerra civil que dividiu o país e é material para obras-primas como “A irmandade da guerra” (Taegukgi), de Je-gyu Kang; e um passado que rende épicos como “O rei e o saltimbanco”, de Jun-ik Lee, de contornos quase shakespeareanos. Tem atores fantásticos, técnicos de primeira, uma cinematografia espetacular. Para coroar, tem também os DVDs mais bem produzidos do planeta: em parte alguma se fazem edições especiais tão caprichadas quanto as coreanas, avidamente disputadas por colecionadores. Além de transcrições impecáveis, extras, comentários e making ofs, há CDs com trilha sonora, cartões postais e livrinhos, tudo nas mais lindas embalagens que se possam imaginar. Até a Criterion perde.

Depois de, em menos de 20 anos, desenvolverem uma das mais criativas e avançadas indústrias tecnológicas a partir da clonagem sistemática de aparelhos americanos e japoneses, os coreanos viraram professores: pirataria se combate com preço e qualidade.


(O Globo, Segundo Caderno, 29.1.2009)





28.1.09

Chamando todos os fotógrafos!

No blog do Errol Morris, no NYT, há um ótimo post sobre o, digamos, legado fotográfico da era Bush. Ele pediu aos editores de três agências -- Vincent Amalvy (AFP), Santiago Lyon (AP) e Jim Bourg (Reuters) -- que escolhessem e analisassem as fotos que consideram marcos do período.

Muitas se sobrepõem, é óbvio -- como a clássica cena em que Bush, lendo para crianças numa escola primária, fica sabendo do atentado ao WTC -- mas, como o próprio Morris observa, apesar de aparentemente iguais, elas são bem diferentes.

Está em inglês, é meio comprido, mas vale cada minuto da leitura.

Altamente recomendado!






Obras completas










Chove chove chove...










Sempre ao meu lado... :-)

 
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27.1.09

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão."

Veio pela internet, atribuída a Eça de Queiroz. Não tive tempo de checar se é mesmo; mas, seja lá de quem for, é perfeita...








A Famiglia









26.1.09


Keaton e a vã instabilidade da matéria





"É, Keaton, são as dualidades ontológicas do Ser, é a não-luz (ainda tem hífen?), é a insustentável leveza de Ser, que despe da vida o sentido...

Enfim, sob uma perspectiva existencialista, há que destruir a cortina, mas como?

A Keaton é adepta da filosofia nietzscheana, sabe que tudo pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura, não sentem isso no olhar profundo dela?"

Matilda, claro, quem mais havia de ser?





Adeus, xará!

Como vários de vocês já sabem pelos comentários, minha linda xará do Bosque da Barra, a Cora capivara, foi encontrada morta na terça-feira, dia 20; na sexta anterior, quando a Layla foi visitá-la, estava ótima e contente com a numerosa família.

Fiquei arrasada; nunca conheci capivara mais dócil e gentil, e me lembro com muita ternura, e orgulho também, dos encontros que tivemos, em que cheirou com interesse a minha cara, e me deixou acariciar seu focinho.

Conversei muito rápido com a Layla, pelo telefone; estavamos as duas a ponto de cair no choro, e eu sou da escola antiga, que não chora em público, ainda que "em público", no caso, fosse só a minha querida amiga.

Decidi passar o dia fora de casa, em parte para me distrair, em parte para não deixar os gatos aflitos. Eles percebem perfeitamente quando estou triste, e ultimamente a Famiglia já teve motivos de tristeza de sobra.

Desde que cheguei estou ouvindo Mozart, um santo remédio.

Algo estranho está acontecendo no Bosque da Barra, onde várias capivaras tem aparecido mortas de uma hora para a outra, sem que aparentassem manifestar qualquer tipo de doença. Não acredito que tenham sido mortas por pessoas, primeiro porque o Bosque é bem policiado, e depois, porque, se assim fosse, teriam sido levadas para virar churrasco.

Layla me disse que há jararacas por lá. É uma possibilidade, mas cobras tem medo de bichos maiores do que elas, e mordem para se defender; elas preferem ficar quietas, em lugares escondidos. Não me parece provável um ninho de cobras justamente no caminho das capivaras.

Por outro lado, a vida dos bichos silvestres tem tantos mistérios...

Aqui está parte do que a Layla escreveu:
"Hoje, cheguei no bosque às oito da manhã, para ter certeza. Gostaria tanto que não fosse verdade. Chamei e logo vieram uma Corinha, uma Corita e as quatro caçulinhas (pois uma partiu também); eram cinco, lembram? Vieram correndo ao meu encontro, mas a maior era a Corinha, e não a Cora, e ela assumiu o papel da mãe cuidando das irmãzinhas menores.

Estava com um machucado (parece um corte) grande no lombo e com bicheira. Coloquei um comprimido de capstar na banana e ela comeu na minha mão. Acho que vai acabar se chegando como a mãe dela. Uma das bebezinhas mamou nela. Não sei se ela foi estimulada a produzir leite, ou se a pequena estava só mamando sem conseguir nada, mas fotografei isso.

Vou continuar dando atenção às filhas da Cora-capi como sempre cuidei dela. Também consegui jogar povidine no machucado dela (felizmente acertei a pontaria, pois dei o jato de longe e foi direto dentro do corte). Espero que quando eu for lá na terça-feira, este ferimento esteja secando...

Não sei mais o que dizer... só agradeço a Deus a oportunidade de ter conseguido esta amizade tão bonita com a Cora-capi... e a continuidade com suas crias. Terei imensa saudade dela sempre."

Há muitas e muitas fotos da Cora e de sua família, uma mais linda que a outra, no Flickr da Layla.




Terabytes de bolso

Todos nós temos algumas empresas de estimação, digamos assim, que gostamos de acompanhar. Uma das minhas favoritas é, estranhamente, a EMC. Digo estranhamente porque poucas empresas poderiam ter perfil mais corporativo do que a gigante dos sistemas de armazenamento de dados, e o mundo corporativo está longe de ser atraente para quem, como eu, curte gadgets e ferramentas para usuários finais; por outro lado, poucas coisas são mais emocionantes no mundo da tecnologia do que a armazenagem de dados, sem a qual nada do que estamos vivendo hoje seria possível. Para mim, pois, sempre foi motivo de frustração ver a EMC tão longe da temática do velho Info etc.; mas isso mudou em junho passado, quando ela comprou a Iomega, fabricante de discos externos.

Essa compra fez muito sentido. Antigamente, a maior massa de dados era produzida por pessoas jurídicas; hoje, com a quantidade de fotos digitais, filmes, arquivos de música e outros devoradores de megabytes, ninguém produz nem armazena tantos dados quanto os usuários finais, responsáveis por estonteantes 70% do volume total do planeta. É para eles, pois, que a EMC volta as suas atenções.

Na última terça-feira, Joel Schwartz, vice-presidente mundial da EMC, encontrou-se com a imprensa, em São Paulo, para falar sobre algumas mudanças de estratégia no Brasil, que ainda não é um grande consumidor de discos externos. A questão é menos cultural do que logística e financeira. Schwartz a atribui aos preços, quatro vezes mais caros do que nos Estados Unidos, em parte por causa de uma cadeia de distribuição ineficiente. É aí que a EMC pretende mexer uns pauzinhos, eventualmente fabricando alguma coisa Iomega aqui, mas, sobretudo, fazendo acordos diretos com as grandes redes de varejo. Com isso, os preços devem cair entre 25% e 45% nos próximos três, quatro meses.

Conversando com o simpático vice-presidente na hora do almoço, descobri alguns fatos interessantes:

-- Você conhece a Lei de Moore, não conhece? – perguntou ele, referindo-se ao axioma de Gordon Moore, segundo o qual o poder de processamento dos chips dobraria a cada dois anos. – Ela se aplica, em certa proporção, ao mundo da armazenagem de dados, onde a cada ano se produzem 60% a mais de dados, armazenados a um custo 35% menor. Isso tem sido uma constante na indústria. O resultado é que, hoje, prevemos que, em cinco anos, uma residência média terá cerca de 10 Terabytes armazenados. Isso é mais do que os maiores bancos tinham há cinco anos!


(O Globo, Revista Digital, 26.1.2009)

Subi um álbum com fotos de alguns modelos dos drives Iomega; está AQUI.





25.1.09


O Rio é cheio de formosuras










Centro Cultural da Justiça










Cineminha básico









24.1.09


Detalhe










Problema resolvido (Keaton aprovou)










A vista que os gatos tanto amam










Ninguém tasca esse jornal!










O point da Keaton









23.1.09
Pessoas, acabei me rendendo finalmente ao Facebook, que por enquanto me parece bem mais interessante do que o Orkut, e estou testando alguns dos seus features.

Quem já estiver no Facebook pode, segundo entendi, acompanhar o blog por lá; não sei ainda como funciona isso, se é que funciona. Por isso, peço ajuda a quem já faz parte da comunidade: vocês me ajudam a testar a coisa?

É só clicar em "Venha para a rede!" no quadradinho abaixo, e em "Follow" na próxima janela.

Antecipadamente agradeço.






22.1.09


Uma Cora na Índia

Tenho uma xará blogueira em Mumbai, que conta, com muita graça e muitas fotos, as aventuras do seu dia-a-dia. Confiram!






Simpsons em Bollywood
(Dica da Mari: valeu, querida!)






Piove, governo ladro!










Que máximo, né?






Eu nem comentei a posse, porque achei que o mundo está numa overdose de Obama -- mas a verdade é que não há como não ficar feliz ao ouvi-lo e, finalmente!, vê-lo na Casa Branca, doing the right thing.






O outro caminho para as Índias


De todos os países que não conheço, a Índia é, disparado, o que mais me fascina; há anos faço planos mirabolantes, traço roteiros e imagino por onde começar e terminar a viagem dos meus sonhos. Da parede em frente à escrivaninha um enorme Ganesh em cores estrepitosas, cercado de flores e pontilhado de lantejoulas douradas, faz as honras do escritório, dando a falsa sensação de que o mundo é pequeno e cabe no bolso. “Não no seu, Cora Rónai!”, chia o talão de cheques de dentro da gaveta. Como o Ganesh é gentil e silencioso, e o talão de cheques é dado a violentos ataques de nervos que precisam ser apaziguados, os planos acabam adiados, e a Índia continua onde sempre esteve: no mundo dos sonhos.

“A miséria é assustadora”, alerta um amigo mais viajado. “O trânsito é incompreensível”, diz outro. “O sistema de castas é uma barbaridade”, avisa um terceiro. Sim, sim, já li o suficiente sobre o país para saber disso tudo; e, convenhamos, o nosso Brasil também não chega a ser exatamente um paraíso de igualdade de onde o viajante volte de alma leve. Em contrapartida, a Índia tem uma constelação de cientistas, matemáticos e escritores de primeira grandeza, um passado riquíssimo e uma arte que, para todos nós que vivemos os anos 70, faz parte de um imaginário de paz e felicidade.

Além disso, ela é o único país que, ao que eu saiba, conseguiu desenvolver uma linguagem cinematográfica única e original, sem paralelos no resto do mundo. O que sai de Bollywood pode parecer cafona, exagerado e sem sentido à maioria dos espectadores ocidentais, mas, uma vez ultrapassada a estranheza inicial, abre-se à nossa frente uma janela para um universo em permanente encanto, tão rico em contrastes quanto em sons e cores.

Bollywood, como a essa altura sabem até as poltronas do UCI, é um rótulo para o cinema indiano feito em Mumbai, a antiga Bombaim, misturando o nome da cidade e o de Hollywood. Ele se aplica ainda ao principal gênero produzido na região, que mistura canto, dança e melodrama. Os filmes costumam ter umas três horas de duração, os roteiros nem sempre são lá aquelas maravilhas e, para quem olha de fora, é difícil explicar a escalação de certos atores para determinados papéis – assim como, imagino, deve ser difícil para o público que não vive no Brasil entender como alguns de nossos astros e estrelas continuam em papéis românticos que já deveriam ter abandonado há anos.

“Realismo” e “Bollywood” são palavras que não podem ser usadas na mesma frase – e nem precisam. Os filmes de Mumbai preocupam-se, sobretudo, em agradar à platéia, cuja idéia de um bom espetáculo é bastante filme, momentos de alegria e tristeza, dança e canto à vontade. Nem é necessário que os atores cantem; para que o fariam, se há cantores que dão conta do recado melhor? De modo que, para os nossos ouvidos ocidentais, há um choque inicial quando o ator que acabamos de ouvir num diálogo abre a boca e começa a cantar com voz totalmente diferente; mas logo nos acostumamos, até porque, em muitos casos, a música é o ponto alto dos filmes. Dois detalhes que me chamam a atenção: como os trajes tradicionais convivem com roupas ocidentais, até nas mesmas cenas, e como o inglês é tranquilamente misturado ao híndi. Tudo é muito família e muito romântico: não há cenas de nudez, sexo ou violência explícitos. Para quem não agüenta mais a invariável dieta de pancadaria, tiroteios e perseguições da maioria dos filmes americanos, como a vossa cronista, Bollywood é uma mudança de paisagem das mais agradáveis.

É curioso observar como, apesar da sua aparente inconseqüência, os filmes indianos conseguem, tantas vezes, ter um forte conteúdo social. Para ficar num exemplo recente: há alguns dias assisti a “Baabul”, que, na maioria dos fóruns bollywoodianos que freqüento na internet, não é sequer considerado um grande filme (ao contrário de "Baghban", do mesmo diretor). Pois não é que, ao cabo dos seus 169 minutos (é um filme curtinho pelos padrões locais) eu estava me desmanchando em lágrimas, tocada pela sorte das viúvas indianas? Se já não queimadas nas piras de seus defuntos maridos, como antigamente, as coitadas continuam sendo discriminadas até por suas próprias famílias: muito triste! O fato é que Bollywood conhece bem a força da dramaturgia como ferramenta de inclusão social e arma contra preconceitos, e a vem usando com maestria.

Onde encontrar esse mundo tão diferente aqui no Brasil? Para quem fala inglês, nada mais simples: a internet é uma fonte inesgotável, já que as legendas são praticamente universais. No site de leilões e-Bay, muito confiável, os preços são razoáveis: entre filme e postagem, gasta-se coisa de dez dólares, às vezes menos. No Mercado Livre, site de leilões brasileiros, aparecem de vez em quando exemplares com legendas em português. Há até um ou outro lançamento brasileiro, como “Saawariya” (Apaixonados), disponível em lojas e locadoras.

Com a estréia de “Caminho das Índias”, porém, aposto que, em breve, teremos uma boa seleção de filmes de Bollywood no mercado.

Deixem-se conquistar: vale à pena.


(O Globo, Segundo Caderno, 22.1.2009)





21.1.09

Um dos modelos de bolsas Havaianas


Nem preciso dizer por que essas são as minhas favoritas, né?


Duas Melissas bonitinhas, chiques e usáveis

Volver a los 37, ou
Mudou São Paulo ou mudei eu?

Antigamente, eu ia para São Paulo de manhã, encaixava duas coletivas, duas exclusivas e um jantar com amigos, corria para Guarulhos para pegar um avião que vinha não sei de onde e saía pro Rio a uma da matina, e chegava no Galeão suficientemente inteira para, em casa, copiar pro computador os principais trechos das matérias.

É verdade que, naquele tempo, tanto o trânsito quanto o meu joelho eram melhores.

Agora, é essa tristeza: fui a um único evento de tecnologia, decidi de última hora dar uma voltinha pela Fashion Week e cheguei exausta em casa.

É verdade que a SPFW é imensa e cheia de rampas e/ou escadas; mas, ainda assim...

O Lucas, a Francesca Romana, o Lula Rodrigues e mais meia dúzia de amigos ficaram me tentando a passar a noite por lá e assistir aos desfiles de hoje, mas quando viajo com a intenção de ir e vir no mesmo dia é como se eu setasse o meu computador interno: mudar os switches é quase impossível.

Na próxima FW, vou me programar especialmente para o evento. É impressionante como as feiras do Rio e de São Paulo são diferentes, como as pessoas se vestem mais lá, como o dinheiro é perceptivelmente maior em tudo, dos lounges aos desfiles; em compensação, há um jeito relax na nossa Fashion Rio que eu acho muito mais simpático.

Há diferenças de propósito também. A SPFW é agressivamente profissional em relação aos desfiles, mas a nossa Fashion Rio tem um lado que aparece pouco na mídia e, ainda assim, é da maior importância: o Fashion Business.

Enfim, para quem está de passagem, como eu sempre estou, as duas são divertidas, cada qual à sua maneira.

A única coisa constrangedora é que, no meio de todas aquelas roupas e invenções, o que eu gosto mesmo de ver, como sempre, são os novos modelos de Havaianas. Também gosto das Melissas, e fico boba com a quantidade de cores e formas que se podem dar a sapatos de plástico; mas como elas em geral me machucam, fico, literalmente, de pé atrás com os modelos mais esdrúxulos.

Pedi fotos das duas coleções para as assessorias de imprensa e subi dois álbuns para vocês verem as novidades (Havaianas / Melissa). A Havaianas, que inaugura hoje uma loja conceito na Oscar Freire, agora tem também uma linha de bolsas práticas e bonitas.






Tá tudo parado...










Por que aquele inseto covarde não desce?









20.1.09


Foi um longo dia!










Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...










Essa já é mais baratinha










No aeroporto










Exposição Carmen Miranda










Uma geral










Havainas










Corredor










Perto da sala de imprensa










Desfile










Passarela










Um lounge










SPFW










Hotel Unique










Em toda casa tem um quadro de São Jorge










Saindo










Chegando










A caminho, ou quase










Tem uns modelitos que eu não entendo










Fim de festa









19.1.09


Zoom de celular não é lá essas coisas...










Pontualidade britânica!










Tem gente à beça!










Esperando Elton John










Que seria da globalização sem legendas?










Chegaram todos juntos!










Da próxima vez quero uma caixa maior...









N95 & Picasa 3:
uma boa dupla

Dessa vez, deixei as câmeras em casa e fui ao Fashion Rio “armada” apenas de um celular, o meu xodó Nokia N95. É claro que o aparelho deixa a desejar como câmera, especialmente num evento em que os detalhes são importantes, a luz nem sempre é ideal e velocidade no clique é fundamental. Mas a verdade é que, para quem quer apenas um registro ou uma lembrança, ele não se sai mal.

Depois, usei as ferramentas de efeitos especiais do Picasa 3, para que vocês possam ter idéia do que é possível fazer com o ótimo programinha. Aí está o resultado. E, conforme prometido, subi mais um filminho de fotos para o You Tube. Ele pode ser encontrado em frio.notlong.com; já as fotos que ilustram essa pagina, com a descrição dos filtros utilizados, está em frio2.notlong.com.

O Globo, Revista Digital, 19.1.2009)





18.1.09


É mesmo










Adoro o prédio da Laura










Um lugar para a arca de Noe










A camiseta do ano: amei! Aqui.





O mais velhinho: ele tem uma mancha preta maior, que avança sobre o olho.


O "nosso" é o lá de trás. Reparem como está forte, e como as patinhas já estão todas peludinhas!


E, aqui, ele é o que está dando o bote no irmão.

O estranho caso da gata desnaturada

Imaginem vocês que, há coisa de uma semana, talvez um pouco mais, noite de chuva torrencial em Friburgo, liga para a casa da Jandira a senhora na casa da qual o Quiel está fazendo obras, e onde vive a gata que abandonou o filhotinho prematuro.

Não é que a gata tinha abandonado também o outro filhote?!

Ele estava lá fora, encharcado, miando desesperado. Não podia entrar porque, segundo entendi, essa senhora tem cachorros.

Pois lá se foi o Quiel, que estava se preparando para dormir; vestiu-se de novo, pegou o carro, foi até lá, achou o gatinho. Procurou pela gata, achou-a também, deu-lhe o gatinho... e ela levantou-se e foi embora!

De modo que o Quiel levou o bichinho para casa.

Agora, o Thiago não tem um gatinho; tem DOIS gatinhos! O mais velho, recém-abandonado pela mãe, é maior, naturalmente, e custou um pouco a aprender a mamar na chuquinha; mas essa fase já passou, e ele já mama tão bem quanto o irmão mais novinho.

Os dois estão indo de vento em popa, como vocês podem ver nas fotos que o Thiago fez com o celular. Brincam juntos, dormem abraçadinhos e já vão sozinhos no pipicat. O mais novinho, inicialmente, não entendeu o espírito da coisa e queria comer os grãozinhos...

Ainda não se sabe o sexo dos gatinhos e, por isso, eles ainda não tem nome. Ou, pelo menos, não tinham até o meio da semana, quando tive notícias pela última vez.

Aguardem os próximos capítulos!





17.1.09


Uma espécie de paraíso










Para Paula: os selos de Hong Kong










Irineu, o folgato










Tá com jeito de ser a nova casa dela










Pipoca, no esconderijo









16.1.09

Um pouco de Bach

Orgão, infelizmente, não "viaja" bem: nunca ouvi gravação nem em CD, nem em DVD, que se aproxime, sequer remotamente, da sensação que é ouvir o instrumento ao vivo, talvez até porque um orgão é tão integrado ao ambiente que os dois, orgão e dito ambiente, formem um todo indissolúvel.

A Laura deve saber explicar isso.

De qualquer forma, achei ótimo esse video que estava nas recomendações do You Tube para mim; e me diverti com os comentários. Há de quem reclame que o organista não sorri até a quem pergunte, a sério, qual é o tom da Tocata e Fugua em Ré Menor.

Agora vou voltar lá e procurar a cor do cavalo branco de Napoleão.



Update: Não encontrei o cavalo branco de Napoleão, mas encontrei a mesma obra tocada por um jovem Karl Richter. Vale comparar, inclusive, e talvez sobretudo, para ver como são diferentes as vozes dos dois orgãos. As diferenças entre os dois organistas, bom, aí é covardiacom o Hans Andre Stamm; Karl Richter foi um gênio.

Eu fico impressionada com o "simples" fato de ele conseguir decorar isso!





15.1.09


Hoje chegaram os DVDs de Hong Kong!









A guerra perdida

Há tempos não vejo guerras de opinião tão virulentas quanto as que se tem travado em torno da guerra de Gaza, sobretudo na internet, onde cada um diz o que quer, recusa-se a ouvir o que não quer e a subsequente gritaria abafa qualquer vestígio de raciocínio porventura existente. Notem que digo “raciocínio”, porque me parece impossível, nas atuais circunstâncias, chegarmos a qualquer coisa sequer remotamente parecida com “razão”.

No momento, nada que se diga ou se mostre em favor de Israel terá qualquer efeito. Para além da presente guerra propriamente dita, há outra que, há tempos, foi perdida pelo país — cuja capacidade de fazer propaganda, ao contrário do que acredita tanta gente, é inversamente proporcional ao seu poderio militar.

Além da amizade com os Estados Unidos, vilão preferido de meio mundo, e do questionável rótulo de “direita” que lhe foi pespegado, há uma série de fatores culturais e políticos que atuam permanentemente contra Israel. Para ficar apenas num ponto de óbvio apelo emocional, seus mortos e feridos nunca são filmados ou fotografados, salvo em hospitais ou caixões e, ocasionalmente, pela imprensa estrangeira. Os mortos tampouco são exibidos em procissões; eles tem sido, atentado após atentado, guerra após guerra, mortos que se contam em números — mas o que é um número diante da foto de uma criança morta?!

Ao mesmo tempo, ao longo dos últimos anos, quando foguetes do Hamas eram lançados sobre o sul de Israel, as crianças iam para abrigos subterrâneos, e não para o meio da rua, providencialmente armadas com estilingues. Ora, a foto de uma escola (vazia) destruída por um “míssil caseiro” (seja isso lá o que for) não tem uma fração do impacto da foto de um garoto de estilingue diante de um cenário de destruição.

Isso não justifica matança alguma, seja de um lado, seja de outro; mas o fato é que criou-se, assim, a singular percepção de um povo intrinsecamente mau e sanguinário, que ataca criancinhas por pura maldade, contra um povo intrinsecamente bom e coitado, que só explode civis por falta de escolha.

Por ser um país desenvolvido cercado de vizinhos em diferentes estágios de “civilização”, Israel paga, guardadas as devidas proporções, o preço que a classe média paga, no Brasil, em relação à criminalidade nas comunidades carentes: para uma certa visão míope, é sempre a culpada, porque, em tese, nessa forma enviesada de análise, os bandidos são sempre inocentes – são apenas pobres reagindo à desigualdade social (o que, claro está, é uma baita ofensa à imensa maioria dos pobres, que sofrem na miséria sem nunca pensar em delinqüir). Enquanto isso, os verdadeiros culpados pelas desigualdades, lá como cá, não são mencionados nem en passant — e, ainda que o fossem, continuariam onde sempre estiveram, ou seja, nem aí.

Já os líderes mundiais que não perderam tempo em se declarar contra a “reação desproporcional” de Israel pouco estão se lixando para o sofrimento das vítimas. Se a sua preocupação fosse realmente humanitária, o Sudão, por exemplo, não sairia das manchetes; só que as vítimas do Sudão não dão ibope. Quando a China entrou de sola no Tibete, ainda outro dia, ouviram-se, no máximo, ligeiros resmungos protocolares — e, ainda assim, só porque o Dalai Lama é um véinho carismático, com bom transito em Hollywood.

Isso sem falar no antissemitismo que, invariavelmente, aproveita para dar as caras quando tem a ótima desculpa de uma guerra para acobertá-lo. “Israelense” e “judeu” não são sinônimos; há incontáveis cidadãos israelenses que não são judeus, como há milhões de judeus que não são israelenses. Ainda assim, os dois termos se equivalem para efeitos de noticiário, de artigos, de posts enraivecidos em blogs. Seria até compreensível se a mesma equivalência servisse para “palestinos” e “muçulmanos”, mas esta é sempre cuidadosamente evitada. Às vezes, o uso (ou a omissão) das palavras revela muito mais do que o seu significado.

Apoiar os palestinos, o Hamas, o Hezbollah e os países árabes de modo geral, é chique, é bacana e é uma garantia de popularidade com a soi disant “esquerda”. Israel não terá o apoio da intelligentsia — que em geral é de uma extrema covardia e ignorantsia — nem se for completamente aniquilado, como quer o Hamas. Aí ainda vamos ouvir o “fizeram por onde” que tanto se disse em relação ao ataque ao WTC; as Nações Unidas vão fazer tsk, tsk, o Papa vai condenar vagamente o exagero — e estaremos conversados.

Mas a verdade é que eu nem devia estar falando sobre isso. Minha opinião é descartada de saída em qualquer discussão a respeito do Oriente Médio: como venho de uma família dizimada pelo Holocausto, sou suspeita e, portanto, não posso me manifestar. Cansei de ouvir isso até de pessoas supostamente inteligentes — e, de cansada, não discuto mais. Se o que você diz não vale nada a priori, o mais sensato é seguir os conselhos do professor Higgins, e falar apenas sobre o tempo e a saúde.

Como é, tem feito muito calor por aí?


(O Globo, Segundo Caderno, 15.1.2009)

Update

A título de esclarecimento

Na minha primeira (e até aqui única) manifestação nos comentários, escrevi o seguinte:

"Aceito qualquer opinião, desde que mantidos os princípios básicos da civilidade e da boa educação."

Era então minha intenção, como é em relação a tudo o que se discute aqui no blog, eliminar baixarias e ofensas pessoais; acho que um ambiente só se mantem saudavel se, a despeito de eventuais divergencias de opinião, respeitam-se os mandamentos da cortesia.

Ao ver o conjunto de comentários, há pouco, mudei de idéia, e decidi deixar tudo como está. Certas declarações são mais reveladoras do que qualquer argumento ou contra-argumento que eu possa usar.

O único comentário que cassei dizia respeito à minha filha, porque tudo, afinal -- mesmo a minha paciência -- tem um limite. Ofensas à minha família realmente não serão toleradas.

O curioso é que, ao bloquear o IP do Anônimo Covarde que "assinou" o comentário, dois outros comentários, "assinados" por diferentes pseudôminos, caíram na mesma rede.

A covardia das pessoas nunca deixa de me surpreender.

Finalmente, peço, se não for pedir muito, que LEIAM o que escrevi, antes de me atacar pelo que não escrevi.





14.1.09


Dona Ivone Lara










Mas há concorrência para o cantor...










Está super chão de estrelas










No Centro










Parece uma praia europeia










Cantão










Um céu plumbeo...










Virzi










O tempo vai virar










Fashion Rio










Corra, Cora, Corra!










Mas que calor é esse?!










Não é o máximo a foto do nosso Andre Arruda?!






Utilidade Pública!

Pessoas, o Caldas Aulete já está disponível online com as irritantes alterações inventadas pelo famigerado acordo ortográfico.

Isso, por enquanto, repito, só na versão online.

Mas quem quiser um excelente dicionário gratuito instalado na própria máquina, ortografia à parte, pode fazer download a partir de www.auletedigital.com.br.





13.1.09


Isso que é jantarzinho bom!










Muito público para o por-do-sol










Eu... E todo mundo!










Nessas horas eu gosto do verão










Lá fora










Um presente do Irineu









12.1.09

Visualizador do Picasa; a modelo é a Funguinho, da Bia

Software BBB
Bom, Bonito & Barato

Onde é que eu estava mesmo? Ah, sim: no meio de uma descarada declaração de amor ao Picasa 3, o programa de gerenciamento, editoração e compartilhamento de imagens do Google, único tipo de BBB que me agrada: bom, bonito e barato. Na verdade, mais que barato: gratuito. Semana passada, faltou falar de alguns features da nova versão, um pouco por falta de espaço, e um pouco porque realmente há tantas novidades que é praticamente impossível listá-las todas; quando a gente acha que já fez o dever de casa direitinho, descobre mais uma facilidade.

Uma modificação importante, por exemplo, está na forma de importação as imagens, que agora separa as fotos em grupos de acordo com a data em que foram feitas. Isso é extremamente prático, por exemplo, para quem não pretende transferir de imediato todas as fotos do cartão de memória.

Criar apresentações de slides virou mamão com açúcar. Na verdade, o Picasa faz mais do que apresentações: faz verdadeiros filminhos a partir de seleções de fotos. Vejam como é simples: escolhem-se as fotos, clica-se a opção Filme e, em tese, está pronto. Digo “em tese” porque, se quiser, você pode dar a tarefa por terminada; mas aí, justamente, é que começa a diversão.

Podem-se acrescentar texto e música, escolher como se fará a transição entre uma imagem e outra, qual fonte, de que tamanho e cor será usada nos slides, qual será a cor de fundo e assim por diante. O que mais me agradou foi a possibilidade de decidir se as imagens se adaptam à música, ou vice-versa. Terminado o serviço, é só escolher entre subi-lo para o You Tube ou exportá-lo para uma pasta do computador. Os resultados são excelentes; nosso Nelson Vasconcelos já fez umas amostras, que vocês podem ver em nelsonva.notlong.com.

Eu mesma, enquanto escrevia esta coluna na madrugada da sexta-feira, fiz minha estréia na modalidade, juntando ao acaso umas fotos do amanhecer de quinta-feira com um Boismortier tocado pela minha irmã Laura e o grupo Triomphe de l’Amour. A operação toda não durou mais de dez minutos. O filminho, para o qual usei as fotos assim como vieram ao mundo, ficou ligeiramente tosco, mas mostra o que é possível fazer de primeira com essa excelente ferramenta; ele está em amanhecer.notlong.com.

Para a semana que vem, vou subir outro em que poderemos, tanto eu quanto vocês, comparar os eventuais progressos proporcionados pela familiarização com essa ótima ferramenta.

Outro belo presente é o visualizador de fotos, que substitui, com vantagens, todos que conheço. É muito rápido e traz uma tira de preview na parte de baixo, onde há opções para editar a foto no Picasa, marcá-la com uma estrela, girá-la, ampliá-la com a roda do mouse, enviá-la por email ou subi-la para uma pasta no Picasa Web Álbuns.

Mais um benefício: para capturar uma tela, basta dar o velho Shift + PrtScn, e a imagem será automaticamente salva e exibida pelo programa.

A partir da área de trabalho do Picasa, muito bem integrada com o Web Álbuns, o Blogger e o GMail – não fossem todos do Google – é possível, ainda, criar geotags para as fotos, ou seja, mostrar em que ponto exato do mapa foram feitas. Agora, chega de falação: baixem logo essa maravilha, em www.picasa.com, e mãos à obra! Garanto que, em dois dias, vocês não saberão mais como sobreviveram até aqui sem ela.

(O Globo, Revista Digital, 12.1.2009)






Relembrando o poeta







Gato Keaton









11.1.09


Pippin










Bruno confere um dos presentes










Maria Silvia e dois Fernandes










Os Três Mosqueteiros






Millôr, Helio e Bianco






Parabéns!










O aniversariante do dia









10.1.09


Danças de um casamento










Desenhos de um casamento










Cenas de um casamento










Cariocas


Praça da Cruz Vermelha, por Malta

Prezada Cora,

O livro do Ermakoff é tudo o que você disse. Está sempre presente no imaginário "o que poderia ter sido mas não foi". Felizmente, alguns de nós tivemos a sorte de viver naquele Rio retratado no livro e, graças à Internet, diariamente tentamos resgatá-lo em nossos "fotologs", com fotos de diversos livros e, melhor ainda, com fotos familiares que os visitantes nos enviam, além dos comentários que chegam de todos os lados, enriquecendo o texto inicial.

Além disso, no nosso grupo, onde ninguém se conhecia inicialmente, viramos todos bons amigos e nos encontramos diariamente nos locais abaixo e às vezes "ao vivo", para um chopinho.

O grupo tem gente dos 40 aos 70 anos, das mais variadas profissões, com o Rio antigo unindo a todos.

A experiência tem sido fascinante.

Quando tiver tempo, veja só:

Saudades do Rio

Saudade do Rio II

Voando para o Rio

Saudades do Rio – O clone

Arqueologia do Rio

Ontem e hoje

Carioca da Gema

Rio de fotos

Coisa lúdica

Rio que passou

Saudações cariocas,

Luiz Darcy





9.1.09


Sempre ao meu lado :-)










Olá!


Foto da Laura






Fiz ontem de manhã, com a Nikon

 
Posted by Picasa






Sobre o tempo e a saúde

A Monca chamou minha atenção para um excelente artigo sobre a situação do Oriente Médio; uma amiga mandou por email este link (que sugiro ouvir sem som por causa de um ridículo Twinkle Twinkle Little Star de fundo); leitores tem me mandado recortes e opiniões diversas.

A questão é chegamos a um ponto em que nada que se diga ou se mostre em favor de Israel terá qualquer efeito. Para além da presente guerra propriamente dita, há uma guerra de mídia que, há tempos, foi perdida pelo país -- cuja capacidade de fazer propaganda é inversamente proporcional à sua competência militar.

Além da contra-producente amizade com os Estados Unidos, os mortos e feridos israelenses não são filmados nem fotografados, salvo ocasionalmente pela imprensa estrangeira, nem exibidos em procissões gigantescas; são mortos que se contam em números, mas o que é um número diante da foto de uma criança morta? Ao longo dos últimos anos, quando foguetes do Hamas eram lançados sobre o sul de Israel, as crianças iam para os abrigos subterrâneos, e não para o meio da rua, providencialmente armadas com estilingues, tão eficazes para boas fotos.

Criou-se assim a singular percepção de um povo intrinsecamente mau e sanguinário, que ataca escolas por pura maldade, contra um povo intrinsecamente bom e coitado, que só explode civis por falta de escolha.

Por ser um país desenvolvido cercado de vizinhos em diferentes estágios de "civilização", Israel paga, guardadas as devidas proporções, o preço que a classe média paga, aqui, em relação aos tantos movimentos de "descamisados", do MST aos arrastões. Os verdadeiros culpados por eventuais desigualdades, lá como cá, não são mencionados nem en passant -- e, ainda que o fossem, continuariam onde sempre estiveram. Nem aí.

Ao mesmo tempo, os líderes mundiais que hoje se declaram contra a "reação desproporcional" de Israel pouco estão se lixando para o sofrimento das vítimas. Se a sua preocupação fosse de fato humanitária, o Sudão, por exemplo, não sairia das manchetes; mas as vítimas do Sudão não dão ibope. Quando a China entrou de sola no Tibete, ainda outro dia, ouviram-se, no máximo, ligeiros resmungos protocolares -- e, ainda assim, só porque o Dalai Lama é um véinho carismático, com bom transito em Hollywood.

Isso sem falar no antissemitismo que, invariavelmente, aproveita para dar as caras quando tem a ótima desculpa de uma guerra para acobertá-lo. "Israelense" e "judeu" não são sinônimos; há incontáveis cidadãos israelenses que não são judeus, como há milhões de judeus que não são israelenses. Ainda assim, os dois termos se equivalem para efeitos de noticiário, de artigos, de posts enfurecidos em blogs. Seria até compreensível se a mesma equivalência servisse para "palestinos" e "muçulmanos", mas esta é sempre cuidadosamente evitada.

Às vezes, o uso (ou a omissão) das palavras revela muito mais do que o seu significado.

Apoiar os palestinos, o Hamas, o Hezbollah e os países árabes de modo geral é chique, bacana e garantia de popularidade. Israel não terá o apoio da intelligentzia -- que em geral é de uma extrema covardia e ignorantzia -- nem se for completamente aniquilado, como quer o Hamas. Aí ainda vamos ouvir o "fizeram por onde" que tanto se disse em relação ao ataque ao WTC; as Nações Unidas vão fazer tsk, tsk, o Papa vai condenar vagamente o exagero -- e estaremos conversados.

Enquanto isso, Chavez, Morales e Lula continuarão visitando alegremente os países árabes e posando sorridentes ao lado de seus líderes, assim como posavam ao lado de Fidel quando este era vivo.

Mas a verdade é que eu nem devia estar falando sobre isso.

A minha opinião é descartada de saída em qualquer discussão a respeito do Oriente Médio: como venho de uma família dizimada pelo Holocausto, sou suspeita, e portanto não posso me manifestar. Cansei de ouvir isso até de pessoas supostamente inteligentes -- e, de cansada, não discuto mais. Se o que você diz não vale nada a priori, o mais sensato é seguir os conselhos do professor Higgins, e falar apenas sobre o tempo e a saúde.

Como é, tem feito muito calor por aí?





8.1.09

Edward Clark

Tem novidade no maravilhoso arquivo de fotos digitalizadas da Life: Marylin para todos os gostos, Apolo 11, Oscars...






O dia promete...









Um Rio de amor que se perdeu

Enquanto isso, no Flamengo, há uma revolução
silenciosa por trás do muro rubro-negro



Um dos livros mais tristes da temporada é “Rio de Janeiro 1930-1960, Uma Crônica Fotográfica”, de George Ermakoff. Ao longo de suas quase 250 páginas, vemos uma Cidade Maravilhosa realmente digna do apelido. Para quem vive o Rio à flor da pele e sofre com o que poderia ter sido mas não foi, aquela sucessão de fotos, uma mais linda e evocativa do que a outra, equivale a uma igual sucessão de punhaladas no coração. Lá está a prova: nós tivemos, sim, a cidade mais bonita do mundo, um paraíso urbano inigualável, assassinado pela fusão e pela mudança da capital para Brasília, de um lado, e, de outro, pelo inexplicável veio masoquista que nos faz eleger um governo canalha atrás do outro. Faltaram carinho, decência, coragem e vontade política para conservar aquele tesouro; sobraram descaso, corrupção, clientelismo, roubalheira e um caos urbano em que não há choque de ordem que dê mais jeito.

É particularmente demolidor para o nosso amor-próprio constatar que, nos últimos 50 anos, apesar dos pesares, quase todas as grandes cidades emblemáticas melhoraram numa coisa ou noutra, ainda que, no geral, a superpopulação venha cobrando o seu preço.

Paris continua sendo uma festa; Nova York perdeu as torres, mas é limpa e segura, a mãe de todas as novidades ; Berlim, em que pese a esquizofrenia das suas duas metades, ou quem sabe por isso mesmo, talvez seja a melhor capital européia do momento; Londres conseguiu despoluir o Tamisa, aquele ex-esgoto a céu aberto onde hoje nadam 94 espécies de peixe; Xangai teve o bom-senso de conservar o velho Bund mais ou menos como era e, no resto, transformou-se em ode à criatividade arquitetônica; Moscou revitalizou-se incrivelmente; Barcelona é um celeiro de idéias interessantes; Roma, apesar do trânsito infernal, é uma alegria; até Buenos Aires, logo ali, é ampla, limpa, cheia de vida, deslumbrante com seus parques e edifícios antigos bem conservados. Em todas elas pode-se andar com jóias e câmeras sem correr risco de vida; em todas elas se pode ser assaltado, sem dúvida, mas não se sai de casa com a sensação do perigo permanente que nos ronda aqui.

Triste não é constatar como essas e tantas outras capitais progrediram; é perceber que, por mais que se puxe pela memória, é difícil, se não impossível, encontrar cidade tão suja, tão abandonada e tão decadente quanto a nossa. Alguém consegue imaginar uma pichação na Quinta Avenida? Uma avenida central como a Rio Branco tão imunda e esburacada? Uma atração como a Vista Chinesa que não se recomenda aos amigos em visita? Dá vontade de sentar no chão e começar a chorar; mas desde que seja outro chão, em outro lugar, para não ser vítima do primeiro bandido.

* * *

Como nem só de misérias vive o mundo, às vezes se encontram ótimas surpresas em lugares completamente inesperados. Passo sempre em frente ao Flamengo, ali na Lagoa, e tudo o que vejo é o muro vermelho e preto, ótimo fundo para fotos diversas. No outro dia, por insistência das minhas amigas Heliana e Bernadete, mudei a rotina e entrei. Eu conhecia o Flamengo do tempo em que meus filhos eram crianças: o clube sempre foi simpático, mas não podia ser mais caído.

Pois mudou muito! Achei-o animado e bem cuidado. No terreno lá atrás onde havia um lixão tenebroso, com entulho e despejos de toda sorte, encontrei um viveiro de plantas vistoso, com horta e várias espécies de plantas ornamentais. O Braga, sócio que “assumiu” a área, me contou que a beleza do pequeno horto vai além do que se vê: meninos de comunidades carentes vêm sendo treinados como jardineiros, e alguns já conseguiram emprego fora do clube. No momento, sete garotos que antes faziam malabarismo no sinal estão lá, aprendendo, entre outras coisas, a importância das minhocas:

— Nós criamos umas minhocas vermelhas da Califórnia que são um espetáculo, — disse o Braga, empolgado, me oferecendo uma rosa perfeita que crescia num pé logo ali. — São alimentadas com restos de comida. Reciclamos tudo.

Luiz Paulo Segond, vice-presidente do chamado Fla-Gávea, acrescentou que, para que se abrisse espaço para as plantas, foram retirados de lá 200 caminhões de lixo. Gostei dele, um engenheiro tranqüilo que administra o clube como qualquer bom condomínio deve ser administrado: com a ajuda dos sócios, cada qual na sua especialidade e de acordo com o seu tempo e disponibilidade. Mais tarde, enquanto tomava um café na Boca Maldita, puxei papo com uma senhora a meu lado. Sandra Valéria, mãe da Barbara Lima, uma beldade de 14 anos vice-campeã brasileira de 100m borboleta, conseguiu fazer uma salinha para que as crianças possam deixar suas mochilas enquanto treinam, e para que as mães possam passar o tempo enquanto esperam pelos filhos. Não precisou de muito para isso: apenas um pequeno espaço, meia dúzia de cadeiras, uma televisão. E, ingredientes principais, boa vontade e falta de burocracia.

Há muitas idéias brotando por trás do muro que, hoje, olho com mais interesse. Quando os sócios se envolvem com um clube daquele tamanho e encontram estímulo para isso, há motivo para comemorar. Afinal, o que está acontecendo no Flamengo é, no fundo, um belo exercício de cidadania.


(O Globo, Segundo Caderno, 8.1.2009)





7.1.09


Vida celular










Hoje chegou um indiano










Eles não gostam de cinema coreano









6.1.09


Sobremesa










Ainda é natal no jornal...










Às vezes fica difícil...








A cantora do rádio

Pessoas, estréia hoje, às 15h, na Roquete Pinto, o programa de rádio (e agora, tem ou não tem acento?) da Olívia Byington.

Para ouvir pela internet, é só (tem acento?) clicar AQUI.





5.1.09


Ando mergulhada nos filmes de Wong Kar-Vai; aqui está um curta que ele fez em 2007 para a Philips.

Se vocês não entenderem nada, não se preocupem.

A idéia é mais ou menos essa.

Abaixo, o comercial que ele fez para o perfume Midnight Poison, da Dior.






Picasa 3: novas e excelentes novidades

O que é melhor do que um programa intuitivo, excepcionalmente bem arquitetado, que cumpre às mil maravilhas o que promete e ainda faz mais um pouco? Simples: um programa intuitivo, excepcionalmente bem arquitetado, que cumpre às mil maravilhas o que promete e ainda faz mais um pouco... de graça! É o caso do Picasa, de que gosto tanto que, desde a primeira versão, quando ainda não havia sido comprado pelo Google, eu pagava religiosamente a licença, pelo prazer de desfrutar de tão prática ferramenta. Na época, ele era apenas o melhor programa para gerenciamento de imagens existente para PCs. Hoje, além de continuar a manter essa distinção, vai tão além que já está entre os melhores editores, e é um dos campeões em compartilhamento online.

Além de aprimorar a poderosa função de gerenciamento, indispensável para quem quer manter em ordem suas imagens, o Picasa 3, lançado no mês passado, traz novidades em todas as suas áreas de atuação. Suas intenções são claras: de um lado, enfrenta o Photoshop Elements, versão light do favorito de dez entre dez fotógrafos; de outro, nota-se a intenção de abrir espaço no fervilhante mundo das comunidades, onde brilha, inconteste, o Flickr, da rival Yahoo.

O Picasa 3 está longe de ter a fartura de ferramentas do Elements, mas as que tem fazem com que resolva uns 90% dos problemas de edição com que o usuário pode se deparar no dia a dia, se não mais: permite cortar as fotos, ajustar cor, brilho, contraste, intensidade de foco, temperatura da cor, reduzir olhos vermelhos, aplicar efeitos especiais e, agora, até retocar pequenos detalhes (que tal limpar aquela espinha inconveniente que apareceu no nariz exatamente no Réveillon?). Ao contrário do Elements, porém, o uso de todas essas ferramentas é muito simples, e nada afeta permanentemente a foto tratada.

Uma das novidades de que mais gostei é que a criação de colagens, antes engessada, ficou muito versátil. Nas nocas colagens, pode-se usar uma imagem de fundo que não precisa necessariamente ser mantida com as demais; e essas podem ser aumentadas, diminuídas, giradas para um lado ou para outro, vir para frente ou para trás, ter ou não ter moldura -- e, de quebra, ter uma moldura de foto instantânea excelente para escrever legendas. Sim, pois agora é possível acrescentar texto às fotos, numa quantidade de fontes, em qualquer tamanho ou cor que se queira.

As ferramentas de pesquisa também estão mais parrudas, e há filtros para fotos estreladas (no Picasa podem-se usar estrelas para marcar fotos dignas de nota), fotos que foram enviadas para álbuns na web, apenas filmes e, mais interessante, fotos com caras. Esse filtro, particularmente, ainda precisa de aperfeiçoamento – é comum que pesque umas fotos sem gente e deixe outras com pessoas para lá. Mas, mesmo como está, tem sua utilidade. Semana que vem, volto ao assunto: estou apaixonada por esse novo brinquedo!


(O Globo, Revista Digital, 5.1.2009)






Os gatinhos da Heliana: como cresceram!










Eu quero atenção!!!










Esse, coreano, se passa no Usbequistão










Chegaram mais filmes da Coréia!










Acho que vão passar o dia aí, no quentim









4.1.09


Olha quem está aí!



Foto nova, feita pela Laura ante-ontem. Cada vez mais bonitinho!






Atenção: oportunidade de trabalho!

Pessoas, o Paulinho precisa de um bom (na verdade, ótimo) desenvolvedor para trabalhar com ele e com o Alessandro na Integritas:

Desenvolvedor web experiente

Se você é um desenvolvedor web experiente, que manja bem de aplicações LAMP, é viciado em AJAX, entende de Flash E Flex, fala HTML e CSS fluentemente, e procura trabalho em esquema home-office, queremos conversar com você!

Se você também tiver alguma experiência em Java, melhor ainda.

Todos os nossos clientes ficam nos Estados Unidos, de costa a costa. Como você terá que participar de reuniões, mandar emails, e bater papo com o pessoal de lá, inglês fluente é essencial.

Parece interessante? O email pra contato é paulo arroba integritas ponto com ponto br





3.1.09


Hora da dolorosa










Não para de chover!









2.1.09


Nada como uma ajuda básica no trabalho!










O vet esteve aqui: é faringite










Está gripado :-(









1.1.09

VanOr dá o recado:
feliz ano novo!

E então, escaparam todos vivos e inteiros de 2008? Para mim, apesar de alguns pontos luminosos, que mesmo as piores safras os têm, o ano não deixou saudades, e a sensação predominante com que vos saúdo neste alvorecer de 2009 é de alívio. Ainda não sei o que pensar do novo ano, posto que escrevo da vaga distância da madrugada da última terça-feira, refugiada no sítio, onde os planos de brincar com os cachorros e com a câmera nova foram literalmente por água abaixo. Assim é que passei os dias no mais dolce far niente, conversando, comendo, lendo e, quando a conexão permitia, percorrendo blogs de estimação. Foi num deles, o da Vanessa Ornella, que topei com esse grande texto sobre o Natal. Que já passou, eu sei: porém o que a VanOr diz tão bem não vale só para o dia 25 de dezembro, mas para tudo na vida. Deixo-os, portanto, com a minha amiga querida, e faço meus os seus votos de um Feliz 2009.
“Eu sempre fui da escola que acredita que a emoção se transmite sem palavras; que as palavras são uma ferramenta importantíssima, mas emoção se passa pelo olhar, por uma contração labial incomum, o volume ou o tom da voz, o padrão respiratório, enfim, coisas que qualquer animal pode fazer, até nós. Eu sempre quis pensar que as palavras são apenas acessórios do sentir para não usurpar ainda mais dos animais seu direito às emoções, pois a humanidade se especializou em negar o sentimento dos bichos para justificar o tratamento brutal destinado à maioria deles. Mas não foi por esse motivo triste que eu toquei neste assunto. Quis falar da importância das palavras porque hoje é Natal, e as palavras são cruciais no Natal.

Minha avó todos os anos me explicava o que era Natal, Páscoa e todas essas coisas onde se reúnem família e comida com uma desculpa religiosa de fundo. Eu ouvia as palavras, mas só registrava o brilho no olhar, o sorriso, o gestual da felicidade plena, e era por isso mesmo que todos os anos eu sempre pedia para que as palavras fossem repetidas, porque, como todo bom cachorro, eu me condicionei a ver minha avó feliz naquele contexto, e como cão condicionado que sou, eu hoje amo o Natal acima de todas as coisas. Amo estar com minha família, mesmo quando estou frustrada por não ter conseguido terminar um décimo das coisas que queria fazer para pôr debaixo da árvore; amo ver a alegria dos meus pais preparando a casa e a ceia nos mínimos detalhes e com semanas de antecedência para algo que só dura um dia e meio. E as palavras nisso tudo? São tão voláteis quanto o refogado do recheio do peru, mas são lindas quando emolduram um sorriso ou um beijo de Feliz Natal.

Expliquei pra um amigo estrangeiro como é o Natal aqui, e ele, que sempre comemorou Natal num bar com os amigos mas ficou deslumbrado com a minha descrição (eu só falei a verdade), perguntou se poderia passar o Natal aqui no ano que vem. Porque há coisas que a gente precisa ver para crer.

* * *

O Ken, meu namorado, viu um navio de guerra em Copacabana dia desses. Ele falou pra mim assim (mas tudo em inglês, que ele ainda está engatinhando no português):

-- Eu vi um navio de guerra em Copacabana.

Eu, que estava distraída, achei que tinha ouvido algo errado e perguntei, só pra verificar:

-- Como?!? Uma espaçonave em Copacabana?

-- Não, tolinha. Um navio de guerra.

Pra quem não fala inglês, preciso explicar: espaçonave e navio de guerra, na língua do Ken, são palavras que tem o final com som parecido, assim como três e seis pra gente, então, quando ele falou, eu admito que realmente ouvi "navio de guerra" (warship), mas dentro daquele contexto (Copacabana), pra mim só fazia sentido nave espacial (spaceship).

-- Navio de guerra?!?

-- É, ué. Vocês não têm navio de guerra aqui no Brasil?

-- É, embora nós não tenhamos guerra, é beeeeem possível que tenhamos um navio de guerra ou alguns, mas o que um navio de guerra estaria fazendo em Copacabana?

E, de repente, em meio a conjecturas do Ken (a segurança do Sarkozy?), eu senti uma coisa estranha subir na minha garganta, e a estranhura foi crescendo, crescendo até desabrochar numa retumbante gargalhada. O Ken não entendia a graça e até me mostrou as fotos do navio de guerra, mas quando eu consegui me controlar, expliquei que não tinha nada contra navios de guerra, mas que as três palavras juntas -- navio, guerra, e Copacabana -- simplesmente não combinavam, estavam fora de contexto, e que, pelo menos pra mim, que conheço o Cervantes, a Prado Júnior e o Fausto Fawcett, continuava fazendo muito mais sentido a idéia de uma espaçonave.

Foi assim que só agora, burra véia de cabelo branco e tudo, que eu percebi uma coisa muito importante: a grande emoção do Natal é o contexto familiar. Tire a família desse contexto, e a idéia do Natal torna-se meio ridícula, meio enfeitada demais à toa, meio perua da Barra em terreirão do samba ou louraça paulista como madrinha de bateria da Mangueira: coisas cheias de significado, quando perdem o contexto, viram um navio de guerra esquisitão com canhões truculentos voltados para as bundas flácidas e pacíficas de Copacabana.

Só falei isso tudo pra dizer que faço votos sinceros de que, este ano, vocês passem o Natal junto de pessoas queridas, muito queridas, que se da família não forem, que sejam como família para vocês. Desejo que essa sensação boa de que a gente tem tudo, porque quem tem amor tem tudo, dure por todo o ano, e que 2009 seja um ano de pleno de coisas boas para todos nós.”


(O Globo, Segundo Caderno, 1.1.2009)






Sobre a crônica de hoje



O texto está no notebook que ficou em Friburgo com a Laura. Assim que ela a encontrar entre os documentos e a enviar para cá, será publicada sem demora.

Este blog agradece a preferência, pede desculpas pelo atraso e informa aos leitores que sua meta continua sendo servir bem para servir sempre.

:-)







Presentes do Irineu: bolinhas afogadas










Bom dia!










Fiz muitas fotos










São lindos os prédios todos iluminados










Já fiz uma nova amiga










Viva 2009!










Feliz Ano Novo!