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31.12.08 30.12.08 29.12.08 (Nikon D60) ![]() (Nokia N95) Algumas dicas para fotografar o RéveillonE, novamente, chegamos àquele momento crítico do ano: levo ou não levo a câmera para o Réveillon? Fotografo os fogos ou mergulho de cabeça na festa? As dúvidas são muitas, atrozes e justificadas. Não é todo dia que a gente tem um foguetório feito o do Ano Novo para fotografar; também é verdade que não é todo dia que a gente tem uma festa como a do Ano Novo para curtir.A questão, como sempre, é de foro íntimo. Mas o que não dá é deixar a festa pra lá, se concentrar na fotografia... e só conseguir borrões indignos do espetáculo. Aqui vão, portanto, algumas regras básicas e simples para obter boas fotos dos fogos. O local: sem um bom ponto de vista, o resto é inútil. Portanto vá um pouco mais cedo para a praia, para a casa do tio que tem aquela vista linda ou para onde quer que você decida passar a virada, para poder ter o privilégio de escolher bem o seu cantinho. Este será um passo decisivo para o resultado das suas fotos. O tripé: eu sei, é uma chatice passar o Ano Novo ao lado daquele trambolho, mas, infelizmente, sem um bom tripé, é praticamente impossível fotografar fogos decentemente. Qualquer tripé estável quebra o galho. Em última instância, se você não tiver tripé ou não quiser levá-lo consigo, garanta pelo menos um bom ponto de apoio para a câmera – uma mureta, uma mesa, qualquer superfície sólida e firme. Se nem isso estiver ao seu alcance, apele, e fotografe a multidão olhando os fogos. Sempre haverá um brilho lá atrás e, com sorte, alguma cena legal ali em frente. A foto maior desta página, por sinal, foi feita assim, com uma Nikon D60; a menor, já publicada no Segundo Caderno, foi feita com o Nokia N95. A queima de fogos na inauguração da árvore da Lagoa, este ano, pegou muita gente no susto, eu inclusive. Felizmente a cerca funcionou como um apoio razoável e tive a sorte de ter, em primeiro plano, um casal amoroso e lindo.) A exposição: as recomendações acima são necessárias porque fogos de artifício devem ser fotografados em exposições longas, entre um e três segundos (há quem recomende até quatro). O ideal é usar o ISO mais baixo possível, para garantir a nitidez; mas, vocês sabem, quanto mais baixo for o ISO, maior deve ser a exposição. A maioria das câmeras digitais compactas tem, no menu, uma opção específica para fotografar fogos. Se este for o caso da sua, você já está com meio caminho andado. O foco: esqueça o auto-foco e ponha a câmera em infinito ou, se ela não oferecer essa opção, em paisagem, que dá na mesma. O equilíbrio de branco: nunca experimentei essa opção, mas vários fotógrafos experientes recomendam que se escolha tungstênio. Isso evitaria a predominância do vermelho. Clicar fogos com câmeras de celulares é um jogo de azar: só Deus sabe o que vai sair. Se o seu aparelho permite filmar, use essa alternativa. Na minha experiência, os filmes de queimas de fogos feitos em celulares saem sempre melhores do que as fotos. Caso contrário, ponha no automático e mande ver. O que importa mesmo é torcer para que 2009 seja um grande ano para todos nós. Até lá! (O Globo, Revista Digital, 29.12.2008) ![]() Na Forbes há uma pequena matéria com as dez casas mais caras à venda mundo. A maioria fica nos Estados Unidos (onde mais, né?) mas há ofertas na França (como a da foto), na Rússia e na Inglaterra. Não sei para quê alguém pode querer uma coisa dessas -- exceto, talvez, para transformar em hotel -- mas vai que algum de vocês se entusiasma... ;-) 28.12.08 La Dolce VitaMamãe, numa foto da Laura, em que testei efeitos do Picasa Nega A nova estrelinha da casa A chuva atrapalhou meus planos de fotografar, passear pelo jardim e brincar com os cachorros, mas nem por isso falta o que (não) fazer aqui no sítio. Além do gatinho que o Thiago já trouxe duas vezes para nos visitar, a Nega aparece todo dia e diversos passarinhos vêm comer frutas e tomar banho na varanda. Ainda não vi os jacus, mas já vi uns sanhaços, umas saíras, uns sebinhos; ouvi um bem-te-vi, mas não descobri onde estava. Como de hábito, uma vez aqui, não ponho os pés fora dos limites do sítio. Me sinto muito bem na minha toca, ao ar livre ou não, para enfrentar trânsito, cidade, gente. Cheguei à conclusão de que, sempre que venho para cá com chuva, acabo fazendo um spa ao contrário. Num spa a gente acorda cedo, faz exercício, não para quieta e não come nada. Aqui durmo até tarde (até pelos meus parâmetros!), não faço nada além de ler e de brincar com os celulares, e saio totalmente da dieta -- ou da "reeducação alimentar", para ficar com o termo politicamente correto. É que a Jandira fica nos mimando com todos os nossos pratos favoritos e, mesmo que eu conseguisse resistir, seria uma indelicadeza não corresponder com entusiasmo às suas proezas culinárias. A essa altura, todo mundo já voltou para o Rio, com exceção da Laura (que fica até o Ano Novo) e de mim (que comemoro no Rio). Por causa dela, que é fã de seriados, assisti a uma quantidade de episódios de Two and a Half Men. A série é ótima, mas as risadas enlatadas me dão nos nervos de tal maneira que acabo desistindo de prestar atenção. Também assistimos a dois filmes que concorrem, fácil, para aquela célebre lista dos Dez Piores: Expresso Polar, que pelos créditos me parecia legal, e Mamma Mia!, que fisgou a Laura pelos atores. Oh well. Também era querer demais que, além de tudo, todos os filmes fossem ótimos... 27.12.08 Estamos todos apaixonados pelo bichinho!![]() A história dele é a seguinte: a mãe o abandonou assim que nasceu, há 12 dias. Meu palpite é que foi prematuro, porque diz a Jandira, que trabalha aqui com Mamãe, que ele nem pêlo tinha, ao passo que o irmão, estranhamente, nasceu todo completinho. (Esse outro, o que foi aceito, está sendo cuidado não só pela mãe, como por uma outra gata que mora na vizinhança.) Quem achou o coitadinho rejeitado foi o Ezequiel, marido da Jandira, que o levou para casa. O Thiago, filho da Jandira e do Quiel, e neto postiço da Mamãe, logo começou a tratar dele (ou dela, ainda não sabemos). O veterinário ainda está reticente em relação às suas chances, mas ele está sendo tão bem cuidado que acho que tem tudo para vingar. Mas logo o Harold Pinter?!Sítio tem dessas coisas: passei o dia sem internet e, sinceramente, nem me fez muita falta. Agora que a conexão voltou, dei um giro por aí e descobri, chocada, que Harold Pinter morreu no dia 24.A notícia ainda não estava no seu site quando fui até lá. Gosto de muitas pessoas, mas admiro, com reverência, muito poucas. Pinter -- ator, diretor, escritor e pensador extraordinário -- era uma delas. O mundo não merecia uma notícia dessas em pleno Natal. Fôlego para encarar a vida Todos nós temos desejos ocultos. Um dos meus sempre foi usar o termo Bildungsroman, que, como outras palavras compostas alemãs, dá a qualquer texto, imediatamente, um ar de grande densidade acadêmica. Pois chegou a minha hora! Bildungsroman é a definição chique para romance de formação, vale dizer, aquele em que eventos da vida do personagem na infância e na juventude são narrados em detalhes que nos levam a entender como a criança se transformou no adulto que é. O grande Bildungsroman da minha geração, por exemplo, foi “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Sallinger; não é coincidência que eu tenha me lembrado tanto de Holden Caufield quando terminei de ler as aventuras de Bruce Pike, o Pikelet, herói de “Fôlego”. Parece pretensão usar palavra tão pomposa para um livrinho de meras 252 páginas, metade das quais gastas na descrição de ondas e das diversas sensações de atravessá-las (ou não) em cima de uma prancha; mas, à parte o número de páginas, se há uma coisa da qual não se pode chamar o romance de Tim Winton é de livrinho. Extraordinariamente bem construído, duro e poético ao mesmo tempo, nostálgico e dolorido, ele continua conosco tempos depois de terminadas as tais 252 páginas. Pikelet, o narrador, cresce no interior da Austrália, numa minúscula cidade dominada por uma serraria, por algumas fazendas e pelo tédio. Diverte-se pescando, nadando no rio e disputando com seu amigo Loonie quem fica mais tempo embaixo d’água sem respirar. Um dia vão até o mar, distante uns poucos quilômetros, e vêem, pela primeira vez, alguns surfistas nas ondas. Aquele é um momento de revelação: “O quanto era estranho ver aqueles homens fazerem algo belo. Algo sem sentido, algo elegante, como se ninguém estivesse vendo, como se ninguém se importasse.” A partir daí, nada será como antes. Pikelet e Loonie entregam-se ao surfe de corpo e alma, e em breve, para inveja dos demais garotos com quem dividem a praia, são “adotados” por Sando, um americano cheio de mistérios, que enfrenta monstros inimagináveis do alto de sua prancha antiga e dos seus trinta e tantos anos. Incentivados por ele, buscam situações cada vez mais perigosas: escapar da morte passa a ser a prova irrefutável de que estão vivos. Qualquer outra coisa é... bem, qualquer outra coisa. “Tudo ao meu redor parecia não ter sentido algum, parecia pequeno demais,” lembra Pikelet. “Na rua, os moradores do lugar pareciam covardes, fracos, ordinários. Onde quer que eu fosse, eu me sentia como a última pessoa acordada num aposento cheio de gente adormecida.” Mais adiante, Eva, mulher de Sando, esquiadora radical cuja carreira foi interrompida por um acidente, e ela mesma uma espécie de dependente química de situações de risco, observa que, quando o fazendeiro vai a Paris, não quer mais voltar para a fazenda. Pois da Paris de um mar assustador, onde às ondas grandes junta-se um eventual tubarão branco, Pikelet e Loonie não conseguem mais voltar à fazenda dos sentimentos comuns, corriqueiros. Há, porém, uma diferença importante entre eles. Por trás da coragem de Loonie nota-se um elemento de auto-destruição que falta a Pikelet. A amizade entre os dois começa a se desfazer na Nautilus, uma onda “tão feia quanto um monumento cívico”, que Pikelet tem o bom-senso de evitar. Como esta não é uma história a respeito de bom-senso, Sando passa a dar preferência a Loonie, e sobra para Pikelet a companhia de Eva. Difícil saber qual dos dois meninos enfrenta o pior perigo. Ao contrário do que essas linhas gerais podem dar a perceber, “Fôlego” não é um livro sobre o surfe, ainda que tenha as mais lindas e emocionantes descrições de ondas que já li, assim como arrepiantes retratos da natureza australiana. Como em todo Bildungsroman (ha!) de respeito, suas páginas são atravessadas principalmente por sentimentos e conflitos, e pela inevitável amargura do amadurecimento. Gostar ou não gostar de surfe é indiferente para apreciar o romance, muito embora seja difícil terminar sua leitura sem, pelo menos, compreender um pouco melhor o que leva um ser humano a desafiar uma parede de água que não está nem aí para a sua presença. A maior pista do tema de Tim Winton está no título, uma palavra mais abrangente em inglês do que em português: “breath” é fôlego, sim, mas é também respiração, inspiração, trégua, hálito, momento, sopro, momento, pausa, alento... To breath or not breath, eis a questão; eis a tênue fronteira entre a vida e a morte. Ter fôlego, por outro lado, é apenas uma questão de preparo físico. Tanto quanto a água, ou até mais, é o ar o grande elemento deste romance deslumbrante e inesquecível. Em tempo: a diferença entre “breath” e “fôlego” é uma idiossincrasia lingüística, e não culpa da tradutora Juliana Lemos, que fez um excelente trabalho. O livro contou ainda com a revisão técnica de Fred d’Orey, que não só sabe tudo sobre as ondas, mas é, também, um craque com as palavras. (O Globo, Prosa e Verso, 27.12.2008) 26.12.08 25.12.08 ![]() E não é que o Natal chegou?!Tenho a vaga sensação de já ter escrito isso antes, mas o fato é que, como dizia a clássica manchete, quando menos se espera, chega o Natal. E não só chega como, ainda por cima, passa! Trabalho na madrugada de terça-feira. A meu lado, a Famiglia Gatto dorme, tranqüila, sem saber que amanhã faço as malas e vou para o sítio. No closet, uma quantidade de presentes, vários rolos de papel e fitas de diferentes tipos esperam, ainda, a hora de serem formalmente apresentados uns aos outros. Há envelopes e várias notas de cinqüenta reais na gaveta, e um peru no congelador.Quando a crônica for publicada, os gatos já estarão revoltados com o “abandono”; depois de passarem um brevíssimo período juntos, na maior intimidade, presentes, papéis e fitas terão se separado novamente, para todo o sempre; as notas de cinqüenta estarão na carteira dos porteiros e os envelopes no lixo; o peru terá sido recheado, assado e comido. Os cachorros da Mamãe terão devorado a parte que lhes cabe: Natal é Natal, e mesmo cães disciplinados como os do sítio têm direito a certas extravagâncias. Para mim, que ainda tenho que embrulhar os presentes, montar os envelopes, fazer as malas e, amanhã, tomar o rumo da roça, o tempo parece um monstro inclemente, uma onda prestes a se quebrar sobre a frágil embarcação do humanamente possível – que é, afinal, o máximo que alcanço. Apesar de já ter vivido a mesma situação algumas dezenas de vezes, e de saber que, no fim, tudo dá certo, estou, desde hoje à tarde, com aquela sensação desagradabilíssima de que, dessa vez, não vou mesmo dar conta do recado. Tenho uma dificuldade incurável em ser pontual, em me planejar, em viver com a calma dos previdentes. Praticamente tudo, na minha vida, acontece em cima da hora, de surpresa -- festas de fim de ano inclusive. Houve um tempo em que eu me mortificava, ficava sinceramente indignada comigo mesma e me prometia, com a melhor das intenções, tomar tenência segunda-feira. Melhorei muito. Hoje já sei que isso nunca vai acontecer, e me poupo o desgaste inútil da auto-flagelação; já bastam o frio no estômago e a voz que insiste, em algum lugar: “Não vai dar tempo, não vai dar tempo, não vai dar tempo!” * * *(O Irineu acordou, foi para a sala e já veio de lá três vezes, aos gritos – ele é o único gato que conheço que grita em vez de miar – trazendo na boca bolinhas de papel molhadas, que vêm se desfazendo pelo caminho. Bolinhas de papel são seu brinquedo favorito, e ele gosta de caçá-las pela casa; uma vez capturadas, são meticulosamente afogadas no bebedouro. Assim como gatos que moram em casas trazem ratos, lagartixas e passarinhos agonizantes para os seus bípedes, o Irineu me traz bolinhas de papel recém-falecidas. Não é que morar em apartamento tem suas vantagens?)* * *2008 vai chegando ao fim e, como sempre, muitos atos de gentileza ficaram no ar, em tantos e tantos emails por responder. Devo desculpas, sobretudo, aos leitores que me ofereceram palavras de consolo quando a Netcat morreu: o seu carinho fez uma diferença enorme num momento em que eu estava particularmente triste. Não quis fazer uma circular porque me pareceu inapropriado e deselegante, mas, como não consegui responder sequer a um décimo dos que me escreveram, acabei sendo involuntariamente grosseira com quase todos.Esta, aliás, é uma ilusão que ainda não consigo tratar com objetividade. Sempre acho que, mais cedo ou mais tarde, vou conseguir responder a todos os emails, um por um; e, lógico, não consigo passar da ponta do iceberg. A situação é pior com os que me mandam cartas pelo correio: ainda acontece, sim, e com razoável freqüência. Adoro receber essas cartas, que vêm, não raro, acompanhadas de fotos dos animais de estimação dos remetentes. Numa das gavetas da escrivaninha moram, por sinal, uns bonitos cartõezinhos com meu nome, que mandei fazer para (em tese!) respondê-las como convém, e como merecem. Mas nem preciso dizer que os cartõezinhos dormem o sono dos justos. Nada os perturba, jamais. Não se trata de falta de atenção da minha parte, acreditem. É que há mais emails na caixa postal, e mais cartas na escrivaninha, do que consigo responder. Leio um por um, folheio uma por uma, e a simpatia com que foram escritos e enviados me comove; mas seriam precisos dias de 72 horas para que eu conseguisse ser igualmente gentil. Peço a vocês, portanto, que, imbuídos de espírito natalino, perdoem a sua cronista: essa não foi, decididamente, a educação que ela recebeu em casa. (O Globo, Segundo Caderno, 25.12.2008) 24.12.08 23.12.08 22.12.08 ![]() Amigos queridos, é possível que as coisas fiquem um pouco lentas por aqui nos próximos dias: ainda tenho que adiantar coisas para o jornal e subo pro sítio amanhã. Acho que não vou ter problemas de conexão por lá, mas nunca se sabe; de modo que ficam aqui, desde já, os meus melhores votos para um Natal muito feliz. Porque amo a internetPronto, dirão vocês, mais uma da eterna série... Mas não adianta, a internet é uma invenção tão extraordinária, que não há como fugir do óbvio: como é que vivíamos sem ela? Uma das coisas que gosto de fazer quando sobra um dinheirinho é ir atrás de filmes estrangeiros, no melhor sentido da palavra: aqueles que me levam a mundos de fato diferentes, inclusive (e sobretudo) em termos de expressão cultural. Sob este aspecto, a maioria dos filmes que encontramos só tem, de “estrangeira”, a procedência. O resto nos é totalmente familiar, a começar pela língua: mesmo quem não fala inglês já está acostumado ao som do idioma. Sabemos como a história será contada, conhecemos os atores, temos as chaves da narrativa. Pois ultimamente ando numa fase de filmes indianos e coreanos, luxo a que só posso me dar graças à internet. Além das fontes, como direi, alternativas, recorro habitualmente à Amazon, ótimo celeiro de bons filmes; mas o preço do dólar cortou muito do meu entusiasmo. Saindo em busca de novos fornecedores descobri, no eBay, um extraordinário revendedor de Seul que tem absolutamente tudo, de filmes de artes marciais (que detesto) a coleções inteiras de diretores desconhecidos. Vejam só que maravilha, em flicor.notlong.com. Os filmes coreanos são caros, já que o público alvo dessa lojinha é a colônia coreana no exterior. Em compensação, os filmes ocidentais custam uma bagatela, geralmente US$ 3,50 cada. Não são piratas; e são muito bem produzidos. Mesmo incluindo a postagem para o Brasil, o preço de um filme dificilmente passa dos US$ 10. E é aí que o mundo se abre num vasto sorriso, porque o estoque é fortíssimo no que, em geral, se define como “filme de arte”, ou seja, aqueles clássicos que, aqui, custam tão caro. Como ter acesso a esse tesouro? Há alguns pré-requisitos básicos: o primeiro é falar a língua do filme, ou conhecer o suficiente de inglês para acompanhar as legendas, já que a única alternativa é... legenda em coreano! Isso, claro, é irrelevante no caso de óperas ou de shows de música, também abundantes e igualmente baratos. O segundo é ser usuário do PayPal, a essa altura a “moeda” universal da rede. O PayPal é um sistema de pagamento prático e, sobretudo, seguro; para abrir conta, basta ir à versão brasileira do site, em https://www.paypal.com/br, e seguir as instruções. Também é bom ter um player multi-sistema que aceite DVDs de todas as regiões, ainda que boa parte deles seja Região 0, ou seja, abertos a todo o mundo. Querem um exemplo bacaninha do que se pode encontrar por lá? Acabo de comprar uma caixa com dez filmes clássicos de Walt Disney, muitos dos quais indisponíveis no mercado ocidental, por US$ 15,50. A postagem, mais cara do que a caixa, custou US$ 18. O que significa que, por R$ 128, 56 (na cotação da madrugada de sexta-feira), arrematei os filmes “Branca de Neve e os sete anões”, “Pinóquio”, “Fantasia”, “Dumbo”, “Bambi”, “Cinderela”, “Alice no país das maravilhas”, “Peter Pan” e um certo “Fun & fancy free”, de 1947, de que nunca ouvi falar. Todos remasterizados, tinindo, em inglês (e com legendas em inglês) e, ainda por cima, Região 0. O que há de mais parecido no mercado é uma caixa americana, com uma seleção muito inferior, a US$ 279. Fica, portanto, a dica, como meu presente de Natal para todos. Boas Festas! (O Globo, Revista Digital, 22.12.2008) 21.12.08 Olha, Marcela: podia ser pior!(Valeu, Tom!) O que eu me pergunto, sempre que vejo um video assim -- esse é de Norilsk, na Sibéria -- é o que leva pessoas a morarem em lugares assim. Não falo propriamente dessas aí, mas dos seus primeiros antepassados. Será que, ao longo dos séculos, não passou pela cabeça de ninguém que, indo em direção ao Sul, se poderia chegar a um lugar mais habitável? 20.12.08 19.12.08 Uma animação milongueiraO filme é lindo, lindo... Fica muito bem aí no You Tube, mas recomendo a todos que o assistam em seu site original, AQUI. 18.12.08 ![]() Considerações sobre o Natal (e alguns livros)Todo ano é a mesma coisa: eu me prometo que vou fazer as compras de Natal em julho e, todo ano, como a promessa é feita a mim mesma e não sou tão exigente assim de mim para comigo, julho chega, passa e eu nem piso no shopping. Chega agosto, a consciência pesa um pouco, mas a vida movimentada inventa outros planos. Em setembro tiro férias, em outubro tenho que botar em dia tudo o que não fiz em setembro, novembro passa voando e, quando eu olho, dezembro chega em toda a sua glória, com árvore na Lagoa, papais noéis, vitrines enfeitadas, engarrafamentos e pessoas histéricas, porque é preciso fazer as compras de Natal! é preciso fazer as compras de Natal! é preciso fazer as compras de Natal!Salvo raras exceções, que em geral deixo na mão da Bia ou da Laura, lá vou eu para uma das minhas livrarias queridas, ou mesmo para várias delas, e pronto. É que, para mim, dar presente não é comprar a primeira coisa que aparece, mas pensar no presenteado e tentar, dentro do orçamento e das possibilidades, fazer um casamento ideal entre bípede e objeto. Sou péssima com objetos, mas, em compensação, me considero ótima com livros: consigo dá-los até aos amigos que já têm todos os livros, o que, como sabe qualquer pessoa que já tem todos os livros, é mais difícil do que parece. No último fim-de-semana, entre Argumento e Travessa, resolvi quase 100% dos presentes. Agora, além de aliviada, estou me sentindo assaz previdente: ainda faltam sete dias para o Natal... e já terminei as compras! Não é o máximo? Para quem em geral sai de casa feito uma louca no dia 24, com uma idéia na cabeça e uma lista enorme na mão, já é um grande progresso. Um dia ainda alcanço o grau de perfeição dos que têm cantinhos estratégicos nos armários onde, ao longo do ano, vão acumulando os mimos de dezembro. * * *Em termos de livros, por sinal, este fim de ano está particularmente bom. Acho que nunca tivemos tal variedade de livros de bolso tão caprichados, o que resolve, lindamente, o problema de quem está com o dinheiro contado. É para a outra ponta do arco da sociedade, porém, o lançamento mais importante deste 2008 em que, bem ou mal, tomamos, todos, uma overdose de Machado de Assis. Depois de quase 50 anos, a Nova Aguilar lançou a coleção de sua obra completa, revista e ampliada.A expressão “ampliada”, nesse caso, é o que os angloparlantes definem como understatement: os três alentados volumes da velha edição transformaram-se em quatro, passando o total de 3.600 páginas a quase seis mil. O milagre da multiplicação explica-se. Dos anos 60 para cá muito se descobriu a respeito de Machado de Assis. Alguns textos que lhe eram atribuídos não passavam de traduções ou de erros essenciais de autoria mas, em compensação, descobriu-se uma quantidade considerável de crônicas, contos, peças de teatro, poemas. Só a fortuna crítica, que abre a coleção com mais de 200 páginas, daria, em separado, um sensacional volume para melhor conhecer o autor. Organizada por Samuel Titan Jr., ela reúne com ensaios interessantíssimos, que vão de Capistrano de Abreu, em 1881, a Susan Sontag, em 1990 – passando por Mario de Andrade, Antônio Cândido, Alfredo Bosi, Silviano Santiago e tantos mais. Esta maravilha editorial é, infelizmente, para poucos: tem preço sugerido de R$ 650, e vale cada centavo investido. Procurando direitinho, pode sair a R$ 400, verdadeira pechincha para o que é. Mesmo assim, algo me diz que não vai entrar para o hit parade das festinhas de amigo oculto. * * *A fortuna crítica, que tanto acrescenta à nova edição das obras completas de Machado de Assis, faz, também, considerável diferença na deslumbrante edição de Moby Dick, em nova tradução de Irene Hirsch, lançada há alguns meses pela Cosac Naify. Ela situa o romance e acentua a sua importância; e, de certa forma, explica ao leitor que se aproxima pela primeira vez de Melville porque aquela história merece tão primorosa apresentação. Moby Dick é um daqueles livros que todos conhecem, de adaptações para crianças, condensações ou versões em quadrinhos, mas que poucos leram no original. Não é um livro “fácil” em nenhum sentido, mas aí está boa parte do seu encanto; me lembro que quando terminei de lê-lo pela primeira vez, há tantos e tantos anos, tive a sensação de que acabara de me salvar de um naufrágio. Se alguém tivesse me chamado de Ishmael, eu teria respondido.O Moby Dick da Cosac Naify vai além do romance poderoso. O projeto gráfico de Luciana Facchini resultou num dos livros mais bonitos e bem feitos que já vi, verdadeira aula de editoração em capa dura e pouco mais de 650 páginas, e objeto de desejo perfeito em todos os detalhes. * * *Qualquer Cosac Naify é um lindo presente, de Natal ou não, mas tenho a impressão de que o campeão, esse ano, vai ser o excelente “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax, em tradução de José Rubens Siqueira. É menorzinho – tem 485 páginas, cheias de fotos – e, ao contrário de Moby Dick, é fácil de ler, ideal para os dias de feriado que vêm por aí. Quem estiver esperando revelações bombásticas sobre a atribulada vida sentimental do nosso herói, no entanto, pode esquecer: a alma do livro é a arte. O fato da vida imitá-la de vez em quando não vem ao caso.(O Globo, Segundo Caderno, 18.12.2008) 17.12.08 Adoro carros antigos![]() Este lindo De Soto etava parado em frente ao Clipper, ali no Leblon. Não resisti e fui fotografá-lo. O dono estava participando de uma festa de fim-de-ano; ele e seus amigos são super simpáticos. E a coleção do Ony merece ser vista... Assim caminha a humanidadeA designer George Oates criou a excelente interface do Flickr. É uma das pessoas mais talentosas do que se convencionou chamar Web 2.0. Foi demitida (por telefone) pelos cretinos do Yahoo -- que depois não sabem por que estão indo pro brejo (ou pra Microsoft) -- e escreveu a respeito disso em seu blog.16.12.08 Você está preparado para ser presidente dos Estados Unidos? Teste a sua habilidade em se desviar de sapatos!Train Your Brain at Mind360.com Agora, sem brincadeira: o jornalista Muntadhar Al Zaidi, ou como se escreva o seu nome (já vi umas dez grafias diferentes) não virou herói apenas no mundo árabe. Se eu tivesse o email do moço, mandava uma longa e efusiva mensagem de agradecimento pelo gesto, pelo qual, aliás, está pagando caro. Foi torturado na prisão e só Deus sabe o que pode lhe acontecer. ![]() Torço para que saia vivo, e de preferência logo. E que recupere os sapatos, que já estão valendo uma fortuna: dizem que um milionário saudita já ofereceu dez milhões de dólares pelo troféu. Imaginem quanto não valeriam esses sapatos se tivessem acertado o alvo... ![]() (O melhor cartão de Natal do ano!) Enquanto isso, nos Estados Unidos, cresce o movimento para que americanos descontentes com a administração (?) de Bush mandem-lhe os seus sapatos. Na quarta-feira, um grupo de pacifistas vai levar pencas de sapatos para a Casa Branca. Hmmm. Quanto será que custa o envio de um sapato velho daqui para Washington? No Boing Boing, cobertura completa da farra que a internet está fazendo com essa história. 15.12.08 Noticias da TricaA Trica foi embora agora à tarde.Ficou tão apavorada com o ambiente que passou a noite sem dormir ou comer, assustadíssima; e eu fiquei tão preocupada que devolvi-a à Marcia e à Andrea, que a trouxeram. Quando um bichinho pára de se alimentar a coisa é séria. Ela estava morando provisoriamente no banheiro da Marcia. Voltou para lá e, quando chegou, se alimentou imediatamente. Mais tarde, conversando com a Marcia, soube que estava até brincando um pouquinho. Já acolhi alguns gatinhos bem ariscos -- sem falar na Cátia.CAT, que era hors concours, a própria Tutu era muito assustada -- mas todos, sem exceção, se alimentavam, apesar da desconfiança inicial. É possível que, em outras circunstâncias, eu até topasse o risco que a Trica estava correndo; mas, nesse momento, não tenho a menor condição psicológica de perder mais um gato, ainda por cima por infelicidade. Estou triste com o que aconteceu. Além de lindinha, saudável e esperta, ela é uma gatinha de alma dócil. Com todo o medo que demonstra, não é agressiva, e mesmo nos momentos de maior pânico, faz no máximo um fssssssssssss, e olhe lá. Era a si mesma que mais estava pondo em perigo aqui, porque queria fugir a todo custo, e se meteu em lugares impossíveis, entre eles a parte de trás de um armário do quarto que tivemos que deslocar, porque não conseguia sair de lá sozinha. Fiquei dando tratos à bola e não sei que tipo de lar seria ideal para ela. Gatos não lhe dão medo, humanos sim; ou, mais provavelmente, a conjunção humanos + apartamento. Talvez a casa de uma única pessoa, com muito sossego, um ou dois gatos, sem o entra-e-sai daqui. E, sobretudo, sem um bípede tão traumatizado quanto este que vos tecla. 14.12.08 E tem uma pessoa nova aqui...![]() A Trica foi achada na Barra, abandonada, debaixo de chuva. É muito miudinha, bem parecida com a Keaton, mas ainda está muito assustada demais com o movimento da casa. Aqui está uma foto feita na casa que a acolheu temporariamente: ![]() 13.12.08 12.12.08 Até o Natal eu me livro das obras...![]() É o seguinte: como a grana entra aos poucos, a obra teve que ser feita em etapas. Agora, finalmente, troquei toda a fiação do corredor, que estava uma bagunça, e mudei o tipo de luz, porque nessas luminárias embutidas as lâmpadas queimavam direto. O drama é mexer com gesso, nunca vi nada mais poeirento. Em compensação, com isso acabam os consertos de que a casa andava tão precisada. (Espero!) 11.12.08
Amigos queridos, mais uma vez muito obrigada pelo carinho que vocês estão nos dando, e que tanto nos reconforta.
Quando convivemos com vários gatos mais ou menos velhinhos, sabemos, desde sempre, que corremos o risco de perdê-los num intervalo relativamente curto de tempo; ainda assim, nada nos prepara para, em menos de seis meses, dar adeus a três companheirinhos tão queridos. Aparentemente, a Net foi vítima de envenenamento. Digo "aparentemente" porque só poderíamos afirmar isso com certeza absoluta depois do resultado de uma autópsia que teria que ser feita em São Paulo; mas, tirando essa prova absoluta, todo o resto, da rapidez com que morreu aos sintomas que apresentou, apontam nessa direção. A janela do meu quarto foi descupinizada quinta-feira passada, e o pessoal da Insetisan disse que nenhum de nós, bípedes ou quadrúpedes, poderiamos entrar lá antes de 24 horas. Passei a chave na porta, e assim foi. Mas caí na besteira de confiar na dedetizadora. Nunca façam isso! Perguntem aos vets, e não aos dedetizadores, por quanto tempo os animais devem ficar afastados de áreas submetidas a pesticidas. A verdade é que, de acordo com os que tarde demais consultei, eles deveriam ter permanecido longe de lá entre três e seis dias. O resto da Famiglia está macambúzio, mas bem. Eu, além de estar arrasada, não consigo deixar de me sentir culpada por ter acreditado na Insetisan; e estou tão traumatizada que chamei o Allexc para passar hoje aqui em casa e examinar todos os outros, um por um, da cabeça aos pés. Ele vão odiar, naturalmente, mas eu, pelo menos, vou me sentir menos preocupada. Enfim... Mais uma vez, muito muito obrigada pela força: vocês são mesmo maravilhosos! 10.12.08 (Esta é a coluna que sai amanhã) Netcat, a gata maciaParque Lage: depois dasjaqueiras, os gatos Filha da Keaton, hoje matriarca da Família Gato, Netcat nasceu, junto com quatro outros gatinhos, entre os últimos minutos do dia 31 de dezembro de 1994 e os primeiros minutos do dia 1 de janeiro de 1995, naquele que foi, sem dúvida, o mais singular Réveillon da minha vida. Seus irmãos, rajados e carismáticos, arranjaram donos assim que desmamaram. A Net, tímida, malhada de preto e branco, na mais banal das configurações felinas, foi ficando: afinal, quem ia querer um gatinho tão comum? Nós, naturalmente! O que lhe faltava em coragem e disposição para interagir com desconhecidos lhe sobrava em meiguice, numa reserva especial de carinho que guardava para o povo da casa. Morria de medo de estranhos, mas era tão gentil que só aprendeu a rosnar quando o Irineu veio morar conosco, ano passado. Como todo jovem gato, ele vive dando botes nos mais velhos, tentando puxá-los para brincadeiras. Apesar do jeito de filhote que nunca perdeu, Netcat, já uma senhora, não tinha qualquer disposição de dar trela a esse abuso, e fazia questão de deixar isso bem claro. Por outro lado, na hora de dormir, aceitava de bom grado que o Irineu se deitasse a seu lado e, algumas vezes, chegou a fazer-lhe uns cafunés. Era boazinha, ingênua, discreta. Assim que ouvia o interfone, interrompia o que quer que estivesse fazendo para correr para um dos seus esconderijos secretos. Podia ser só o Zé dando um recado, mas também podia ser uma visita, e sua curiosidade não chegava ao ponto de esperar para tirar a dúvida. Durante todos esses anos, foi minha fiel companheira de despertar. Bastava que eu me levantasse para que se dirigisse à mesa da sala, onde ficava à espera do pires de leite que bebia enquanto eu lia o jornal e tomava café. Depois, discutíamos as notícias do dia. Anteontem repetimos, como sempre, o nosso ritual. Enquanto eu pegava o jornal na porta, ela esperava ao lado do pires. Não chegou a beber o leite com entusiasmo; o lote que comprei da última vez não fez muito sucesso. Ainda assim, por força do hábito, deu umas lambidinhas protocolares e foi, em seguida, para a janela, para aproveitar o primeiro sol realmente decente da temporada e observar o movimento lá embaixo. Quanto a mim, fui para o computador, dei telefonemas, cuidei de uma série de coisas. Mais tarde, quando saí, vi que estava deitadinha num dos sofás da sala, ao lado da Tutu e da Keaton. Quando voltei passava da meia-noite e estranhei que não tivesse vindo me receber. A rapidez com que fugia dos estranhos era a mesma que tinha para vir à porta quando eu chegava. Encontrei-a no quarto, deitada na cama, gemendo baixinho. Em volta, os outros gatos faziam vigília. Embrulhei-a numa toalha e corri para a clínica. Em vão: Netcat, a gata macia, morreu no caminho, nos meus braços, com a mesma discrição e meiguice que marcaram a sua vida. * * *Quem não convive com bichos não pode avaliar o quanto de alegria eles nos trazem, nem como são parecidos conosco. Cada qual tem seu jeito, seus hábitos, sua personalidade; cada um nos ensina alguma coisa, e contribui para que nos tornemos pessoas melhores e emocionalmente mais ricas. Por isso tenho tanta pena dos atuais administradores do Parque Nacional da Tijuca, a começar pelo senhor Ricardo Calmon, que, obviamente, nunca tiveram a felicidade desse convívio.Não há outra explicação para a frieza e a crueldade que manifestam em relação aos gatos do Parque Lage – alguns velhinhos como a Netcat, que passaram lá toda a vida, outros recém-abandonados, mas todos devidamente castrados e vacinados, inofensivos, indefesos. E, agora, seriamente ameaçados de despejo e de morte, como se fossem meros objetos descartáveis. Ora, há dez anos eles vêm sendo amorosamente cuidados pela Dra. Preci Grohmann, médica e professora aposentada, que trabalha voluntariamente para pôr um mínimo de ordem no caos: encaminha animais para adoção, anota as placas de veículos de pessoas que abandonam cães e gatos no parque, vai à Justiça e não poupa esforços para educar gente e salvar bichos. Ao longo desse tempo, mais de 800 gatos já encontraram lares graças a ela, que deveria, no mínimo, receber uma medalha. No mundo kafkiano da burocracia brasileira, porém, essa mulher admirável vem sendo implacavelmente perseguida por uma administração que quer dar fim aos gatos, como já deu fim às jaqueiras. Eliminem-se os trastes! Se quisesse fazer algo de realmente útil à sociedade, o senhor Ricardo Calmon deveria organizar a fiscalização do Parque Lage para evitar o contínuo abandono de animais na área. E se quisesse ir além, e fazer algo de realmente útil em relação a si mesmo, deveria, em vez de perseguir a Dra. Preci, mirar-se no seu exemplo de cidadania, trabalho, amor e dedicação. Assim poderia um dia, quem sabe, tornar-se uma pessoa digna de admiração. (O Globo, Segundo Caderno, 10.12.2008) 9.12.08 Ah, sim...Logo mais, quer dizer, daqui a pouco, vale dizer quase agora (he he he) estarei na Livraria Da Conde, batendo papo com o Arnaldo Bloch sobre o livro dele, as nossas origens judaicas comuns y otras cositas más.Vai ser às 19h30, e a Da Conde fica lá no Leblon. Em tempo: Vocês por favor não reparem no meu sumiço daqui, mas fim de ano é uma época assaz conturbada na minha vida (e na da torcida do Flamengo, eu sei, eu sei; mas é que eu lido particularmente mal com as confusões do cotidiano.) 8.12.08 Agora tem fogos todo sábado, às 21hsFiz as fotos com a Panasonic Lumix TZ3, mas infelizmente estava sem tripé. 6.12.08 Especial de fim-de-semanaVejam só que presente lindo o Octavio Pessoa mandou para a gente:![]() "Ele havia caído do ninho... " ![]() "Peguei-o..." ![]() "E fiquei com ele mais de uma hora na mão, com o braço pro alto, pra mãe poder vê-lo..." ![]() "Depois coloquei-o num galho" ![]() "A mãe, que estava à procura, foi alimentá-lo." ![]() "Na manhã seguinte, não estavam mais lá. Ela deve ter conseguido levá-lo de volta pro ninho." 5.12.08 Emergência felina gravíssima!A Preci me mandou um email muito aflito:"Recebi hoje nova notificação do Parque Nacional da Tijuca. Desta vez para mandam desocupar a "Casa Amarela" cedida pela Escola de Artes Visuais em 2001 (as áreas construidas no Parque Lage são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Cultura). Este é o único local onde ainda há oferta de água para os bichanos. O fiscal do Ibama anunciou que eu ainda vou poder alimentar os gatos porém depois o destino previsto dos animais é a Suipa, CCZ ou Escola (PARA FAZER EXPERIMENTOS!).Eu já alertei o pessoal do jornal para o caso, mas acho que não basta. As autoridades deste país são, em sua maioria, tão cínicas, que tanto faz o que a gente publica ou deixa de publicar. Alguém tem alguma idéia? O que é que nós poderíamos fazer? A quem poderíamos nos dirigir? O que está acontecendo no Parque Lage é de uma maldade tal que não dá nem para descrever... 4.12.08 Monitor novo!![]() E, ao contrário do que costuma me acontecer, foi um grande negócio! Comprei há quatro dias, numa daquelas promoções tipo "só hoje!", do Submarino, a R$ 699, em 12 x 58,25 sem juros no cartão. Sempre achei que esses "só hoje!" fossem coisa de araque, mas não é que era verdade? Agora já está mais caro. Iuhuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!! Voltando ao assuntoA crônica da semana passada -- sobre a Azul em Campinas, o Santos Dumont e o Galeão -- gerou uma quantidade de emails, quase todos de passageiros que, como eu, não entendem por que um aeroporto conveniente e recém-reformado fica às moscas, enquanto se dá prioridade ao outro, desconfortável, em obras e super-lotado. Alguns emails tentaram explicar a questão: dois de leitores pró-Galeão, um do secretário Júlio Lopes e outro do advogado Wilson Massa, atual superintendente do Galeão. Este último me tocou particularmente; mais adiante vocês verão por quê.A essência da questão, se bem entendi, é fortalecer o Galeão como um hub nacional, atraindo para lá vôos internacionais e conexões com outros estados. Os quatro correspondentes pró-Galeão enfatizaram o número de passageiros do aeroporto para justificar o desvio de vôos do Santos Dumont: 6.024.930 em 2004; 8.657.139 em 2005; 8.856.527 em 2006; 10.352.616 em 2007. Ora, se formos nos guiar apenas por números, nem há o que discutir. Se o movimento de um aeroporto cai, é claro que o do outro aumenta. Acontece que os dois aeroportos têm vocações muito diferentes. Ninguém, em sã consciência, defende o Santos Dumont como hub. Ele deve funcionar como aeroporto para pequenas viagens, feitas em pequenos aviões, como funciona com a Ponte Aérea; mas não li um argumento capaz de me convencer de que o mesmo esquema não poderia funcionar em relação a outros destinos, como propunha a Azul. Na verdade, o que ficou claro, a partir do que me escreveram, foi a incapacidade da Anac em controlar as empresas e o tráfego aéreo no país. Devo voltar a esse assunto, porque o espaço da crônica é pequeno, e há mais coisas entre o céu e a terra do que os aviões de carreira; mas agora passo a palavra para o Wilson Massa: “Meu nome é José Wilson Bastos de Souza Massa, advogado, casado, pai de uma menina de sete anos, cristão, nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, atualmente com 39 anos. (...) Desde março deste ano, estou como Superintendente do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro / Galeão – Antonio Carlos Jobim. Mando esta mensagem em meu nome, como pessoa física: uma mensagem de um carioca para outra carioca. E, como carioca, estou vivendo a oportunidade de trabalhar para fazer com que o Rio de Janeiro fique melhor ainda, ao cuidar de sua principal porta de entrada e saída. (...) Já não somos obrigados a ir a São Paulo para qualquer viagem internacional. Com exceção da United Airlines, todas as demais empresas aéreas nacionais e estrangeiras possuem vôos diretos do Rio de Janeiro com destinos como EUA, América Central, América do Sul , Europa e África. Esta retomada de voltarmos a ser um aeroporto internacional não somente de direito, mas de fato, deu-se principalmente por voltarmos a concentrar vôos domésticos no Galeão, a partir de agosto de 2004. Com isto, ele retomou uma característica fundamental para um aeroporto internacional de grande porte: conectividade. Ou seja, oferecer conexões para outros diversos destinos, e com isso alimentar vôos internacionais com passageiros de outras origens domésticas. Respeito integralmente a sua percepção sobre a campanha publicitária que desenvolvemos para esclarecer aos nossos clientes quais os objetivos das obras em andamento, e o quanto está sendo investido no principal Aeroporto do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro. Não conseguimos agradar a todos. Mas o detalhe dos centavos foi uma opção de mostrar o exato valor contratado. Ou seja, não se trata de uma previsão orçamentária, e sim, de obras contratadas, com seus valores expostos para que todos percebam a razoabilidade dos preços pagos para darmos a devida segurança e conforto aos nossos clientes. Sobre “sacanagem, má-fé, safadeza, ou todas as respostas acima” – sou oriundo de uma família de classe média baixa; estudei em escola pública até a 2ª série e da 3ª a 7ª série tive o privilégio de ser bolsista integral em colégio particular (Colégio Santa Mônica – Cachambi); cursei o 2º grau na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena – Minas Gerais; fiz o curso de Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ou seja, sou fruto do ensino público de qualidade deste país. Na Infraero, fui selecionado por meio de concurso público realizado em 1995, e admitido em 1997. Fui primeiro colocado no concurso em questão. Galguei, ao longo de quase dez anos, todas as promoções que consegui por mérito profissional. Não sou filiado a qualquer partido político, embora nada tenha contra quem o seja. Escrevo isso para que a senhora entenda porque posso afirmar o seguinte: desde que assumi a administração do nosso Aeroporto (nosso, porque pertence à coletividade), não há qualquer sacanagem, má-fé, safadeza ou todas as respostas acima, em qualquer contratação ou aquisição referente ao Galeão. Em qualquer lugar em que esteja como gestor, este é meu procedimento: não admito qualquer irregularidade, e não sou conivente com qualquer atitude de improbidade. Esta atitude tem um preço, que é o de não ser simpático; de ser visto como “caxias”; de ser visto até mesmo como “otário”: mas prefiro pagar este preço, e ter a consciência tranqüila para escrever essas afirmações para a senhora. Claro que não consigo garantir a probidade nos processos administrativos sozinho: devo isso também aos colegas que trabalham comigo, e que comungam da mesma opinião e atitude. Quero colocar-me a seu inteiro dispor para todo e qualquer esclarecimento, e espero que, dentro em breve, a sua opinião sobre nosso Aeroporto seja outra. É um compromisso que assumo com a senhora, como carioca. É para isso que trabalhamos aqui no Galeão.” Não gosto da Infraero, mas gostei muito do Wilson. Posso estar enganada, mas li, neste email, as palavras de um homem de bem. (O Globo, Segundo Caderno, 4.12.2008) 3.12.08 Vejam (na verdade, ouçam) que bonito: nessa produçãozinha venezuelana modesta, fuleira mesmo, aparece um cantor como este! A ópera é Don Giovanni; foi levada ao ar em 2004 no Teatro Teresa Carreño, em Caracas, com a Orquestra Sinfônica Simón Bolívar regida por Isabel Palacios. Gilberto Bermudez, de quem eu nunca tive sequer notícia, faz Don Ottavio. 2.12.08 Férias inesquecíveis![]() Foto La Stampa Eu ri da imagem desses dois, que achei no La Stampa, mas a acqua alta que pegou Veneza de surpresa não tem nada de engraçado. A cidade está de fato submergindo aos poucos: o nível da água subiu 23 centímetros de 1900 para cá. Ela não vai desaparecer na nossa geração, e é possível que no futuro se encontre uma forma de conter as águas, mas imaginar que um dia Veneza pode não existir mais me deixa muito triste. Sempre que vou lá converso com pessoas que estudam a situação. Há uma série de fatores conspirando contra a cidade, do aquecimento global que está elevando o nível dos mares ao afundamento provocado pelo consumo gradativo do lençol freático (por incrível que pareça, Veneza também tem lençol freático). Outras ameaças são o esvaziamento da cidade, onde cada vez mais milionários compram palácios que visitam uma vez por ano, se tanto, e cada vez menos venezianos conseguem pagar os aluguéis e preços estratosféricos; ao mesmo tempo, há toda uma geração que prefere morar na terra firma, onde se pode ter carro e há maiores e mais variadas ofertas de emprego. Mesmo os barcos com motor, que parecem inocentes aos turistas, causam estragos terríveis, porque levantam marolas nunca imaginadas na época do remo. Vocês sabem: água mole em pedra em pedra dura... O fato é que o bater contínuo das marolas contra as fundações dos edifícios é, hoje, um dos grandes problemas desta cidade de problemas enormes. 1.12.08 Estou apaixonada por Rodney Gilfry (aí fazendo o Conde de Almaviva, em Le Nozze di Figaro. Com essa voz, não precisava nem ser tão bonito; mas é. Com essa voz e essa cara, não precisava nem ser bom ator; mas é também. Ai ai. ![]() O brinquedo mais divertidoNão pensei que fosse acontecer tão cedo, se é que aconteceria algum dia, mas acabo de recomendar um iPhone a uma amiga. A questão é que ela não estava precisando de celular, e sim de computador. Tem uma filha que mora no exterior e que vem para o Natal, e me pediu uma sugestão de notebook para resolver a eterna disputa familiar em torno do único PC da casa.O uso que faz de computador é muito específico; para ela, que não usa a máquina para trabalho, o que importa é uma conexão com a internet, para que possa navegar pelos seus blogs favoritos e conferir as fotos que os amigos postam no Flickr. Quando a filha voltar para a Europa, o notebook poderia eventualmente ser útil em caso de viagem, mas no resto do tempo ficaria encostado. Então, por que não um iPhone, que pode ser carregado na bolsa e que, com um plano de dados ilimitado, funciona como uma conexão sempre à mão? Falo de cadeira, porque eu mesma já não saio de casa sem ele. É uma maquininha extremamente divertida, sobretudo se bem recheada de aplicativos. No momento, o meu iPhone ostenta um total de 115 ícones (!), espalhados por seis telas, e meia dúzia de categorias, ou seja, pastas específicas para certos tipos de aplicativos (imagem, mídia, jogos, livros, viagem e utilitários). É coisa à beça, especialmente se pensarmos no que alguns desses ícones representam: há um para toda a obra de Shakespeare, outro para toda a obra de Jane Austen, um terceiro para uma biblioteca básica de clássicos, sem falar nos dicionários Duden, Oxford e Roget’s Thesaurus. Há um guia Frommer’s de Paris, para que eu tenha a ilusão de que estou sempre às vésperas de viajar; uma grande diversidade de programas de controle de orçamento, para que eu tenha a ilusão de que um dia vou dar jeito nas minhas contas; e uns dois ou três programas de controle de atividades físicas, para que eu tenha a ilusão de que vou entrar em forma. O que eu uso de fato disso tudo, pelo menos no momento, é a calculadora, o browser, o Bradesco online, as dezenas de feeds de jornais e revistas do mundo inteiro que leio compulsivamente e o Scrabble, jogo de palavras cruzadas em inglês, além de um pequeno programa de estudo de alemão. A vida com essa quantidade de aplicativos tem seus inconvenientes. O iPhone não é multitasking, isto é, não roda diversas coisas ao mesmo tempo. Fecha-se uma aplicação, abre-se outra. Ora, ao ser fechada, uma aplicação bem comportada deveria retirar-se completamente da memória que alocou na máquina; mas, infelizmente, contam-se nos dedos de uma mão as que de fato portam-se assim. Essa retirada digna de cena chama-se, apropriadamente, de garbage collecting, e este tem sido, desde sempre, um dos grandes desafios da computação.Resultado: depois de rodar três ou quatro programas em seqüência, o iPhone começa a ratear e a se recusar a trabalhar direito. A solução? A mesma que se usa com computadores rebeldes: novo boot. Como não sou masoquista, pretendo, em breve, reduzir o conteúdo do iPhone. O problema é que o número de aplicativos cresce mais rápido do que consigo testá-los, para ver o que fica e o que sai. Estou me queixando? De jeito nenhum! Para quem gosta de quebra-cabeça, é isso, exatamente, que torna o mundo da tecnologia tão divertido... (O Globo, Revista Digital, 1.12.2008) |
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