31.7.08


Leblon










O canal










Estão muito sérios...









Considerações sobre um assalto

Hoje, exatamente hoje, 31 de julho de 2008, faço 55 anos, quase todos passados no Rio de Janeiro. Até sábado passado, nunca tinha sido assaltada aqui, na minha cidade, o que deve ser uma espécie de recorde, especialmente considerando-se que costumo andar por todo canto, em toda espécie de horário. Fui vítima, com minha irmã e minha Mãe, de um arrastão acontecido logo ali, na Avenida Pasteur, quando voltávamos do Rio Sul. Perdemos algum dinheiro, bolsas, cartões e documentos, mas escapamos vivas, o que vale dizer que, a rigor, não nos aconteceu nada. Foi uma violência? Com certeza. Um susto? Podem apostar. Um azar? Pelo contrário: como tudo na vida, até um assalto pode ter seus lados bons, o principal deles sendo, obviamente, sair com vida, e sem um arranhão, de uma cena potencialmente letal.

* * *

Há muitos e muitos anos, como habitante de cidade conflagrada, tinha essa dúvida comigo, de como reagiria a um assalto. Agora já sei, e me confesso aliviada. Meu maior medo era ter raiva, único sentimento que me faz, literalmente, perder o controle; mas o que senti foi um misto de espanto e de curiosidade, aliado ao medo indireto de que alguém – polícia, vítima ou assaltante – perdesse as estribeiras.

Felizmente, todos cumpriram o seu papel. A polícia não apareceu, as vítimas portaram-se com a humildade que convém às vítimas e os assaltantes, ainda que nervosos, portaram-se como assaltantes -- e não como assassinos. Como nenhuma dessas escolhas é de caso pensado, continuo me achando pessoa de grande sorte.

* * *

Não sou a Madre Teresa de Calcutá nem o Dalai Lama, mas, com sinceridade, não tive, nem tenho, qualquer raiva dos bandidos. Não sei se pensaria assim se tivesse sido seqüestrada ou se a ação tivesse descambado para uma desgraça; mas sentir raiva de elementos em que não se percebe mais qualquer vestígio de humanidade equivale, a meu ver, a sentir raiva do proverbial sofá da anedota.

A indignação que senti mais tarde, quando enfim deitei a cabeça no travesseiro e tratei de pôr as idéias em ordem, foi, apenas, uma amplificação da raiva surda que sinto contra a degradação constante do meu país. O que me sufoca é o governo: este, o outro, o próximo, o federal, o municipal, o estadual -- toda a corja responsável pela completa ausência do estado na cidade e no país.

Esses canalhas, que a cada mês me roubam, só em impostos diretos, muito mais do que me roubaram os assaltantes da Avenida Pasteur, são os verdadeiros merecedores do meu ódio, do meu desejo mais profundo e visceral de que ardam, para sempre, no fogo dos infernos.

* * *

Não sofro da patologia contemporânea de achar que todo bandido é vítima da sociedade. Não é. Pelo contrário. A sociedade, como um todo, trabalha muito duro para pagar aos seus funcionários, àqueles que deveriam cuidar para não houvesse crianças na rua, para que as escolas fossem não só suficientes como eficazes, para que toda a população tivesse assistência médica e iguais condições de planejamento familiar. ‘Aqueles, enfim, que, falhando todas as medidas preventivas, garantissem ao cidadão de bem o máximo de segurança, e ao malfeitor um mínimo de punição.

O diabo é que, olhando em torno, não vejo nenhuma “autoridade” imbuída de espírito público. Todos querem se eleger única e exclusivamente para garantir o seu, para gozar a perpétua sala vip do poder e para passear pelo mundo em tapetes vermelhos. São perversos cruzamentos de pavão com avestruz, desfilando lá fora a sua vaidade e enterrando, aqui, a cabeça na areia. Agora, aliás, inutilmente provida de wi-fi.

* * *

Enquanto isso, garotas de 13 anos seguem tendo filhos na rua, que por sua vez terão filhos na rua aos 13 anos e assim sucessivamente, geração após geração, já que, entre outras coisas, a Igreja dá um piti sempre que qualquer político vagamente progressista ousa falar em planejamento familiar. Mas eu gostaria, honestamente, que a diocese me esclarecesse o destino que aguarda uma criança nascida nessas circunstâncias. Acaso a Igreja as recolhe? Alimenta? Veste? Orienta? Educa? Se mesmo crianças nascidas em famílias com recursos, até bem estruturadas emocionalmente, volta e meia viram bandidos, o que se pode esperar de crianças que crescem soltas na rua sem exemplo, sem escola e sem qualquer chance de aprender um ofício? O que esperar de crianças cujos heróis são traficantes, cuja alegria é cheirar cola e cujos símbolos de status são armas de uso exclusivo das forças armadas?

Tenho muita pena dessas crianças, assim como tenho pena dos adultos em que se transformam – isso, quando chegam a adultos. Seria hipócrita, porém, se não reconhecesse que mais pena ainda tenho das crianças e dos adultos que poderiam construir um país melhor se, por infelicidade, não tombassem mortos ao cruzar seus caminhos.

* * *

O grande resumo da nossa, digamos, “experiência sócio-antropológica”, foi feito pela minha irmã, que conseguiu achar vários pontos positivos no assalto. O décimo e último foi: “Poder pensar -- sinceramente -- que bom que eu sou a vítima, e não o assaltante.”


(O Globo, Segundo Caderno, 31.7.1953)





30.7.08


Agora tem um ponto de luz!






(Pronto, virei!)






A cortininha do jardim










Adorei!










A metrópole do Walton










Amigos









29.7.08


Laura nas paradas

"Num luminoso livro sobre o instrumento que escolheu, a flautista Laura Rónai nos lembra uma verdade às vezes esquecida: a importância da arte pela arte.

Em busca de um mundo perdido: Métodos de flauta do Barroco ao século XX (Topbooks, 2008, 314 pp.) pode parecer algo distante, pelo título e pelo tema. Mas sua leitura, além de propiciar o encontro com uma erudição substantiva, nos conduz pelas inevitáveis tecnicalidades com saborosa leveza e um senso fascinante da contextualização histórica."

Gostaram? Continua AQUI o maravilhoso artigo que o Clovis Marques escreveu sobre o livro da Laura no Opinião e Notícia...






O novo toque oriental-chique










Ganhei um quadro pro jardim!










Novidade no escritório










Sempre um folgato...










Keaton, pensando na vida








Direto do front

Botafogo, Avenida Pasteur, sábado, 22h30. Quando o táxi em que eu estava com a Mamãe e a Laura entrou no mergulhão da Avenida Pasteur, dois carros que vinham na contramão, feito loucos, fecharam a passagem. Do que parou à nossa frente desceram dois homens, o do lado direito com um fuzil — o que me deu a impressão que estávamos diante de uma “corriqueira” perseguição policial. O outro levava uma 45. Mas ambos (e os do segundo carro) não estavam de uniforme. E todos estavam aos berros.

Aí caiu a ficha. Era arrastão. Minha primeira reação foi pegar o celular para fotografar os elementos quando, graças a Deus!, me lembrei da luz de auxílio do foco, e achei que poderiam ficar contrariados em ser flagrados durante o expediente. Larguei o celular no chão do táxi, enquanto os bandidos se espalhavam. O que nos coube gritou para que abríssemos os vidros, apontou a arma para a cabeça da minha irmã, sentada ao lado do motorista, e mandou que entregássemos as bolsas.

Laura pedia desesperada para ficar com os documentos; o bandido gritava; o motorista do táxi, nervoso, dizia para termos calma, não fazermos movimentos bruscos e, possivelmente, nem respirarmos (brincadeirinha: isso ele não disse, mas foi por pouco).

Mamãe, sentada atrás do motorista, imóvel estava e imóvel ficou, apesar de eu ter sugerido a ela que se jogasse ao chão. Quando olhei, estava disfarçando a bolsa preta junto à roupa idem, como se aquilo fosse muito normal. Nada que minha Mãe faça me espanta mais; sei que é capaz de tudo, mas essa foi a primeira vez que vi o truque da Mulher Invisível. Fiquei boba.

Depois de salvar o outro celular, tentei pescar a carteira, com pouco dinheiro mas muitos documentos. O cara apontou a arma para mim e aumentou o volume:

-- Passa essa bolsa, porra, passa essa bolsa!

O cano de uma 45 virado na sua direção é um argumento eloqüente. Ele nem precisava ter gritado.

O pessoal dos carros à nossa volta teve menos sorte. Os bandidos mandaram que descessem e deixassem tudo, tiraram carteiras e celulares dos bolsos dos homens e fugiram cantando pneu. Acho que pelo menos um dos carros com que nos fecharam ficou abandonado, mas não tenho certeza porque, a essa altura, o táxi já ia em desabalada carreira rumo à 10 DP, onde os policiais foram gentis, mas nada puderam fazer além de registrar a ocorrência. Aos poucos, outras vítimas iam chegando, em diversos graus de comoção e perplexidade.

A mistura de sentimentos gerada por uma situação dessas é tão complexa e pessoal que praticamente desafia descrição. Não senti medo nem raiva durante o assalto. Ao contrário, fiquei estranhamente calma. Pensava: “Caramba, que crônica! Mas tomara que não atirem...” Quando nos safamos ilesas, senti um misto de alívio e euforia, como se tivéssemos escapado, por um triz, de um caminhão de desgraças. E escapamos mesmo.

Cerca de uma hora depois, já com os registros para começar a romaria atrás de documentos novos na segunda-feira, fomos a pé para a casa da Laura, que fica logo ali na esquina. Agora, que passou e que estamos todas a salvo, tudo está relativamente bem.

Pelo menos, até o próximo assalto.

(O Globo, 29.7.2008)





28.7.08


Antes do assalto...





Quando estávamos lá no Rio Sul, o Hermano clicou primeiro todo mundo junto, e depois só nós, Rónais.

Adorei as fotos. O astral estava ótimo e, apesar do assalto, continua em alta: agora mesmo, enquanto estou no jornal, Mamãe e Laura caçam para mim uma bolsinha de cacarecos do tipo das que gosto de carregar na bolsa.




Parabéns, Nana!!!

Pois é. Ela não queria que eu pusesse no blog, mas agora que a Carolina, com autoridade de filha, entregou, eu entrego também:

Hoje é aniversário da Heliana!

Viva, Nana!

Muitas felicidades, muitas ondas boas, muitos gatinhos sempre à sua volta.





Orla Digital

Factóide perigoso:
máquinas na praia


Fui a São Paulo semana passada. Quando o táxi pegou a Atlântica, havia certo engarrafamento; lá na frente, descobrimos que a culpa era da solenidade de inauguração da Orla Digital, o projeto que provê a avenida de wi-fi grátis para usufruto de moradores e de turistas incautos. Adoro wi-fi, não uso celular sem wi-fi, nem preciso dizer que a minha casa é toda wi-fizada... mas wi-fi na praia é, decididamente,uma das idéias mais sem sentido de que já ouvi falar.

Praias e máquinas não combinam em nenhuma latitude, em hemisfério algum. É muito romântico e inspirador ver propaganda de folheto turístico que mostra executivo trabalhando com coqueiro ao fundo mas, tirando meia dúzia de notebooks especialmente desenvolvidos para enfrentar ambientes hostis, como os Toughbooks da Panasonic, computadores não foram feitos para trabalhar à beira-mar, como vocês já leram na página 10. Tirando este detalhe técnico, há, ainda por cima, a questão da segurança — que, como sabemos, não é das mais tranqüilas na nossa bela cidade. Induzir um turista a usar o notebook na Avenida Atlântica é risco que ninguém, muito menos um governo sério, poderia se dar ao luxo de correr.

Não me considero criatura medrosa, antes pelo contrário. Uso minhas câmeras e celulares em qualquer lugar, não levo a sério horários ou ajuntamentos; mas também não gosto de entregar o ouro ao bandido de bandeja.

Assim que voltei de São Paulo, resolvi testar o wi-fi da Atlântica com o Nokia N95 — que, embora seja o meu favorito, ainda dá menos na vista do que o iPhone, meu outro aparelho com wi-fi. Sentei num quiosque, pedi uma água de coco e, o mais discretamente possível, tirei o aparelho do bolso e me pus a navegar. Sob este aspecto, tudo bem — a rede funciona e estava até rápida. Nunca, porém, me senti tão insegura usando um celular na orla, e olhem que sempre que passo pela orla no mínimo faço fotos e, freqüentemente, mando mensagens, acesso o blog, leio emails. Não acredito em equipamento que não se usa, nem em medos que me impeçam de curtir a vida e de aproveitá-la como eu bem entender.

Mas não havia um só guarda à vista, e estar sentada de celular na mão numa área que todos os ladrões já sabem que é hotspot wi-fi me deu a sensação de ser um alvo ambulante, um pato com uma gigantesca seta metafísica apontada em sua direção. De modo que guardei o celular, paguei a água de coco, fiz sinal para o primeiro taxi e tirei o time de campo enquanto era tempo.

Ao contrário do que faço habitualmente, não tive a menor vontade de voltar a pé para casa, apreciando o movimento e o mar; pode ser paranóia de carioca escaldada, mas a idéia de que assaltantes observando o ambiente pudessem ter me visto usando o N95 e viessem me pegar na esquina não me saía da cabeça.

Ser carioca não é para amadores.

(O Globo, Revista Digital, 28.7.2008)





27.7.08


Juntando os pedaços :-)






Bolsa e óculos: presentes de aniversário adiantados da Laura;
Moleskine: presente da Bia;
Carteira: estava sobrando aqui em casa;
Gato: Keaton, como sempre dando a maior força.




Júlia e os cartões

A Júlia foi uma mão na roda (mais especificamente, no telefone) no cancelamento dos cartões. Conversamos e achei a experiência tão instruitiva que pedi a ela que escrevesse para o blog:
"Depois de passar mais de uma hora para localizar no site da Oi o telefone para contato deles e finalmente conseguir bloquear o celular da mamãe, foi a vez dos cartões de crédito. A propósito, comentário que vale não apenas para a página mal organizada da Oi, mas para as páginas dos bancos também (com exceção do Bradesco): Uma pessoa que acaba de ser assaltada, em geral, está nervosa e com a cabeça levemente fora do lugar. Portanto, o telefone para bloqueio de pertences bloqueáveis (leia-se: cartões, talões de cheque, celulares e etc.) precisa ser claramente visível, e não escrito em minúsculas em um cantinho obscuro da página.

Não sei por que não se pode cancelar os cartões Visa na central Visa, os Mastercard na central Mastercard e assim por diante... A coisa toda tem de ser feita banco por banco. Temos cartões do Banco do Brasil, Banco Real, Bradesco e Itaú Personalité.

Como o Bradesco é o único onde sou co-correntista da minha mãe, e portanto sei agências e contas em detalhe, o escolhi para começar a lista. Agora um elogio: dessa vez o telefone foi fácil de achar, em um banner no canto esquerdo da página. Liguei, a moça foi simpática e tentou ao máximo me acalmar. Cancelou o cartão com eficiência. Disse que não poderia cancelar o talão de cheques, que isso deveria ser feito no próximo dia útil, mas que eu não me preocupasse porque os cheques só seriam compensados, de qualquer forma, depois do meio dia. Respirei aliviada. Até que foi fácil... quem sabe sobrevivo à maratona bancária?

Próxima parada: Itaú. “Boa noite. Fui assaltada e gostaria de cancelar meu cartão de crédito” .“Pois não, nome e CPF” responde a voz do outro lado. “Laura Tausz Rónai, número tal”. Aqui cabe uma explicação: Sim, eu estava cancelando o cartão da minha mãe. Sou Júlia Rónai, não Laura. Mas já tem tempo que aprendi que, explicar que estou cancelando o cartão da minha mãe, que acaba de ser assaltada e não quer ter que lidar com isso, é quase tão útil quanto explicar para a Oi que quero habilitar mms’s no segundo número cadastrado na conta família, não sendo a titular, por que é o celular que eu uso.

-- Conta e agência?

Respondo.

-- Não, minha senhora. Esses números de conta e agência estão aqui, no nome de Laura, mas esse não é o seu CPF.

-- É sim, -- protesto! Repito o número que já tinha sido aceito na Oi e no Bradesco, sem muita convicção. Quem sabe estou lembrando errado? Afinal, de fato, não é o meu CPF. A voz do outro lado me diz então que o meu CPF começa em 108. Bom, errar um ou outro numero é normal, mas errar assim, absurdamente, e logo os 3 primeiros números não me parece provável. Instala-se então uma discussão de uma meia hora. Eu dizendo o numero do “meu” CPF, e ele dizendo que, se “não consta no sistema”, então simplesmente aquele não pode ser o número certo.

Não sei o que acontece no mundo do tele-marketing, onde “o sistema” é Deus, e a ninguém ocorre que possa haver um erro no bendito sistema. No final o sujeito acabou concordando em bloquear temporariamente o cartão, com a condição de que eu fosse na minha agência resolver a pendência a respeito do CPF o mais rápido possível.

Chega a vez da conta mais importante de todas: a conta salário da minha mãe, no Banco do Brasil. O menu eletrônico te manda apertar 4 para cartões, 0 para caso de perda ou roubo. Aperto 4, depois 0, obedientemente. Os próximos 10 ou 15 minutos se passam “on hold”, já que as assistentes estão muito ocupadas. Se eu quisesse comprar um cartão, ou fazer uma conta, aposto que seria atendida. Mas como sou alguém que fui assaltada, fico na espera. E, claro, a maioria das pessoas que é assaltada a mão armada não tem uma filha que ligue por elas. Então, depois de ter um fuzil apontado para as nossas cabeças, ainda temos que passar 15 minutos ouvindo música ruim e uma voz mecânica nos contar todas as vantagens de ser cliente do Banco do Brasil. Coisa que aliás já sou, senão não estaria ligando! Uma vez atendida, pelo menos, as coisas correram mais ou menos como o esperado. Cancelei o cartão e segui adiante.

O Banco Real ganhou o prêmio da atendente mais simpática. Elaine Maciel. Mas “o sistema” estava fora do ar, por isso eles só poderiam cancelar os cartões depois das 6 horas da matina. Isso não chega a ser um problema, me explicou a Elaine, já que, com o sistema fora do ar, os cartões também não passam nas lojas, as máquinas 24 horas não funcionam e o cartão torna-se, para todos os fins, totalmente inútil.

Elaine anotou o meu telefone e falou que qualquer problema ela ligaria para a minha filha Júlia: Achei que se ela me acordasse e perguntasse pela Laura, às 6 horas da manhã, toda a minha prática de ser Laura no mundo “telemarketiano” iria por água abaixo. A essa hora não sei nem o meu próprio CPF, quem dirá o de outra pessoa! Ela concordou em ligar para a minha filha e ficamos por isso mesmo.

Acabados os cartões da mamãe me ofereci para cancelar o ultimo cartão da minha tia que ela mesma não havia cancelado ainda.

-- É um Mastercard da American Airlines, mas eu não sei de qual banco.

Entrei na internet e descobri que o cartão da AA deveria ser do Citibank. Me sentindo uma gênia por ter descoberto isso, ligo para lá e descubro que uma coisa é um cartão do Citibank, outra um Credidcard Citi. Entenderam? Eu também não, mas os números das centrais são diferentes. Só que o sujeito do Citibank me deu o número errado do Credicard Citi, de modo que passei umas duas horas tentando descobrir para onde ligar. Número, aliás, que acabei descobrindo ligando de novo pra o Citibank, já que na internet não se acha.

Finalmente fui atendida. A pessoa do outro lado da linha foi a primeira, entre todas as que me atenderam, a não demonstrar simpatia nenhuma pelo fato relatado de que eu acabara de ser assaltada. Me tratou como se eu fosse o ladrão, grossa e desconfiada. Perguntou meu CPF e meu nome. Depois meu RG, se o cartão tem dependentes, o nome completo do dependente, do meu pai, da minha mãe, minha data de nascimento, mais uma vez meu CPF, meu endereço e bairro. Quase me embanano sem saber se onde a tia Cora mora é considerado Ipanema ou Lagoa. Chutei Lagoa e deu certo. Ufa!

Enfim, apesar de ter conseguido cancelar o cartão no fim das contas, liguei para a tia Cora encucada:

-- Tia, o Citibank não é “banco de rico”? Como é que eles tratam assim os clientes?

Moral da história: no mundo do cancelamento de cartões, pelo menos se faz certa justiça. Os pobres são tratados bem. Os ricos com grosseria. (Júlia Rónai)






Batcat










O assalto

Bom, foi assim: saímos do Rio Sul, onde havíamos terminado de fazer compras e de jantar no Dois em Cena, e pegamos taxis separados: Mamãe, Laura e eu num, rumo às nossas respectivas casas, Bia, Júlia, Manoela, Mayra, Hermano, Gui e o amigo namorado da Manoela cujo nome não guardei (desculpe!) Renan em outros não sei exatamente para onde.

O nosso taxi fez aquela volta, por baixo, para ir para Botafogo em vez de pegar o Aterro; há uma espécie de túnel, lá, que fica por baixo do viaduto. Nisso fomos fechados -- o táxi e mais os carros que vinham atrás -- por dois carros que trafegavam feito loucos na contramão.

Do que parou à nossa frente, um Fiat (era Fiat?) escuro, desceram dois caras, o do lado direito com um fuzil (tanto que a minha primeira impressão foi que era polícia atrás de bandido) e os outros armados com pistolas 45mm.

Aos berros.

Aí caiu a ficha que não era polícia.

Peguei o celular na bolsa e já ia fotografar os elementos quando, graças a Deus!, me lembrei da luz de auxílio do foco e desisti da idéia. Joguei o bichinho no chão do taxi, e fiz o mesmo com o outro.

Enquanto isso, um bandido apontava a arma para cabeça da Laura mandando a gente entregar as bolsas.

Laura pedia para ficar com os documentos.

O motorista do táxi, muito nervoso, dizia para termos calma, não fazermos movimentos bruscos e, possivelmente, não respirarmos (brincadeira: isso ele não disse, mas foi por pouco).

Mamãe, sempre a Sábia Coruja, estava quietinha quietinha, disfarçando a bolsa preta junto à roupa idem, como se nada estivesse acontecendo.

Eu ainda tentava, frenética mas discretamente, pescar a carteira com os documentos de dentro da bolsa.

O sujeito apontou a arma para mim e aumentou o volume:

-- Passa essa bolsa, porra, passa essa bolsa!

Uma 45 é um argumento tão eloqüente que ele não precisava nem ter berrado tanto. Entreguei a bolsa.

Contrariada, p da vida, mas entreguei.

O pessoal dos carros teve menos sorte. Os bandidos mandaram que descessem dos veículos, roubaram bolsas, carteiras e celulares de todos, e fugiram nos carros cantando pneu.

Os carros com que nos fecharam ficaram abandonados na rua.

O táxi nos levou até a 10 DP, onde os policiais foram simpáticos e atenciosos.

* * *

Fiquei muitíssimo impressionada com uma família de Minas Gerais, pai, mãe e filha pequena, que tiveram o carro roubado.

Os pais mantiveram o sangue frio e seguraram a onda tão bem que a menina, apesar da hora, do susto e da demora na delegacia, ficou bem tranqüila, e contava para todo mundo o que tinha acontecido como se fosse apenas uma aventura esquisita.

* * *

Cerca de uma hora depois, já com os registros para começar a romaria atrás de documentos novos na segunda, fomos a pé para a casa da Laura, que fica logo ali na esquina.

A Laura, que acredita no poder reparador da comida, preparou um chazinho e serviu um bolo. O Hermano, muito amigo nosso, chegou quase junto.

Passamos um tempão cancelando cartões e talões de cheque. A Júlia, em algum outro lugar da cidade, de onde se comunicava conosco com regularidade, fez um belo serviço e nos ajudou muito.

* * *

A minha contabilidade de prejuízos ficou assim:

  • Óculos escuros NOVINHOS, de grau, caros pra caramba;

  • Carteirinha deliciosa, toda colorida, para dinheiro e documentos, que comprei em Berlim; quase sem dinheiro, mas cheia de documentos, cartões e, principalmente, duas lindas fotos, uma do Paulinho com a Emília, outra da Bia com a Keaton (feita numa máquina de rua, sem cópia);

  • Moleskine CHEIO de anotações;

  • Bolsinha com tudo o que eu preciso -- Polaramine, lenços de papel, pó compacto da Benefit que fazia sua estréia na minha vida social, batom, caneta, talão de cheques com apenas duas ou três folhas usadas, caneta pequenina e gostosinha de usar;

  • Linda bolsa da Datelli que eu muito amava;

  • Chaves de casa.

    * * *

    O prejuízo da Laura foi quase igual, com alguns cartões a menos, o que significa que ela ainda é considerada gente pelo sistema; já eu só voltarei a ter essa regalia quando o Bradesco substituir os meus. Hermano me emprestou 50 pratas, Mamãe me deu mais 20 pro táxi e depois a gente vê.

    * * *

    A noite acabou com alguns toques perfeitos, porque quem tem uma irmã como a Laura realmente tem tudo na vida.

    Ela me adiantou o presente de aniversário, que era, não sei como ela adivinhou... UMA BOLSA!!!

    Nunca disse "Era isso mesmo que eu estava precisando!" com tanta sinceridade.

    Acham que é tudo? Neca. Dois minutos depois ela vem lá de dentro com um estojo de óculos na mão: escuros, lindos, perfeitos para mim. Só preciso mandar fazer as lentes pro meu grau.

    Ela comprou durante a tournée, achando que em algum momento poderiam ter utilidade para alguém.

    E, como se não bastasse, sabia exatamente onde estavam guardadas as cópias que tem das chaves daqui de casa...

    * * *

    Agora que passou, e que já estamos todas a salvo, está tudo bem. Não aconteceu nada de realmente grave, ninguém se feriu. É claro que quando um filhadaputa aponta uma arma para a tua cabeça, você quer mais é que ele morra, mas até disso fomos poupadas: ver alguém levar um tiro na sua frente, ainda que seja o cara que está te assaltando, não deve ser agradável.

    Enfim.

    Preciso raciocinar com mais calma sobre o que aconteceu.

    O que eu sei é que, na hora do assalto, eu só pensava: "Acho que dá uma crônica; mas tomara que não atirem."






  • Cancelando os cartões









    26.7.08


    Prestando depoimento










    Salvei os celulares jogando-os no chão do táxi










    Mami na 10a DP: fomos assaltadas










    Levaram tres carros e todas as bolsas










    Todo mundo










    Que vista, né?










    Copacabana










    It's all right










    Here comes the sun









    25.7.08


    Na redação










    Como é, não se trabalha nessa casa?!

     
    Posted by Picasa




    Indivíduos poderosos: eu, você, ele...

    Antigamente o mundo era vasto e variado, e tudo ficava muito longe. Quando alguém conseguia, com grande esforço, chegar ao outro lado do planeta, deparava-se com sabores nunca experimentados, roupas estranhas e toda a sorte de costumes esquisitos e diferenças culturais. Com o passar do tempo, e sobretudo com as invenções dos séculos XIX e XX, o mundo encolheu. A China, por exemplo, continua sendo um país exótico para nós, latinos – mas quem viajar para as Olimpíadas este ano já conhecerá o suficiente do exotismo local para se sentir numa terra quase, quase familiar.

    Há muito os chineses adotaram costumes e trajes ocidentais, há internet por toda a parte e, quando o sabor da comida local cansar, não seja por isso -- haverá sempre um MacDonalds ou um Burger King plantado na esquina para satisfazer o gosto de gregos e troianos. Assim é também na Turquia, na Alemanha, no Tahiti, na Austrália. E assim é na telinha que contemplamos quando ligamos o computador. As fronteiras que existem no mundo real desaparecem online.

    Antigamente, nossos amigos viviam na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade. Imigrantes tinham, eventualmente, parentes e amigos em outros países, mas as notícias, trazidas primeiro pelo correio, depois pelo telefone, eram sempre raras. Pessoas viajadas faziam amigos ao redor do globo, mas essas, então, se não fossem da aviação ou da marinha, eram ainda mais raras.

    Hoje ninguém precisa sair de casa para fazer novos conhecidos; amigos meus já viajaram o mundo – aquele real, em que pisamos – hospedando-se na casa de pessoas que conheceram através da internet. Na mão inversa, freqüentemente hospedam gente que só conhecem online e que, um dia, materializa-se à sua porta. Às vezes há ligeiros constrangimentos mas, de modo geral, as experiências que me relatam têm sido muito positivas.

    É que, cada vez mais, partes substanciais das nossas vidas tendem a acontecer na internet – e, com isso, passamos a decifrar melhor os nossos interlocutores. As chamadas redes sociais (como o Orkut, o Facebook, os incontáveis sites de namoro) ainda assustam navegantes de primeira viagem pela novidade, e preocupam pais e mães que não sabem o que pode acontecer a seus filhos no ciberespaço (expressão que, pensando bem, já soa um tanto antiga).

    Em tese, nada que não aconteceria na, digamos, “vida real”. Cresci ouvindo de meus pais que não aceitasse balinhas de estranhos, não conversasse com desconhecidos, não aceitasse convites para ir aonde quer que fosse sem antes avisá-los. Essas regras continuam valendo. Não há pai ou mãe que consiga vigiar um filho 24 horas por dia. O segredo daquele mínimo de segurança que podemos oferecer-lhes chama-se confiança mútua.

    Há também quem se preocupe com a excessiva exposição que a rede permite. Nossas vidas estão estendidas nos Flickrs da vida como lençóis estendidos em varais postos ao sol, para secar. De novo, a virtude está no meio. A humanidade abarca toda a espécie de comportamento, e isso não é de hoje: sempre houve pessoas mais ou menos reservadas, mais ou menos abertas, mais ou menos exibicionistas. A privacidade é um conceito muito recente; antes de existirem as redes sociais na internet, já existiam as implacáveis redes de parentes, vizinhos, conhecidos. Com todas as informações que deixamos online, o mundo ainda sabe menos de nós do que sabiam os habitantes dos povoados medievais a respeito uns dos outros.

    As grandes exceções atuais são, tipicamente, fruto de descuidos e de comportamentos de risco: num exemplo típico, a toda hora sabemos de casos em que garotos sem noção põem na internet vídeos das suas relações com as ex-namoradas. Solução? Nunca, jamais, em tempo algum, ir para a cama com o namorado diante de um computador com webcam. Também não permitir nunca, jamais, em tempo algum, que ele faça fotos calientes para “os momentos de saudade”. Amanhã o namoro desanda, e quem sabe onde vão parar essas fotos?

    No mais, é aproveitar a rede, e as suas muitas redinhas concêntricas, com um mínimo de juízo – e um mínimo de paranóia. Quantos milhões de pessoas usam a internet rotineiramente, e quantos casos de abuso acontecem? Muito poucos, se fizermos a matemática objetivamente. A verdade é que nunca houve nada que uma pessoa mal intencionada tivesse vontade de saber a respeito de outra que não conseguisse com o devido empenho.

    As vantagens das redes sociais superam, em muito, os seus supostos riscos e perigos. Elas permitem que pessoas com os mesmos interesses possam se comunicar sem fronteiras e, mais importante do que isso, permitem que cidadãos com as mesmas reivindicações possam se unir e propor ações efetivas para mudar o que consideram errado – com o seu emprego, a sua cidade, o seu time de futebol, o seu mundo. O próprio Orkut, que ainda é visto com tanta desconfiança, e que em geral só chega às manchetes quando é mal utilizado, é uma sensacional ferramenta de encontros e de cidadania.

    À medida em que mais e mais pessoas passarem a usar a internet, e que seus meandros passem a ser bem conhecidos, a sociedade aprenderá, como um todo, a usar o mais poderoso instrumento que já teve em mãos. Informação é poder e, sempre que falamos em internet, é disso que estamos falando: de um poder pulverizado entre milhões de indivíduos, e da união que faz a força.


    (Do catálogo da Leadership, segundo semestre, 2008)






    Prontinho

    Como a idéia pareceu agradar, já mudei a barra. Mas, pensando melhor, não vou por data de aniversário, porque aí fica parecendo obrigação; eu mesma prefiro dar presentes assim do nada, sem qualquer motivo específico.

    Vocês podem mandar os links das suas listas para o meu email, ou deixar aqui mesmo nos comentários.

    Para criar a sua lista de desejos no Submarino:

    1. Vá à página de Cadastro e registre-se;
    2. Uma vez cadastrado, note que qualquer mercadoria, além do link para 'Compre', tem um 'Adicionar à Lista de Desejos' (no canto inferior esquerdo de cada mercadoria);
    3. É só clicar, que aquele produto será automaticamente incluído na sua lista de cliente cadastrado.

    O procedimento na Amazon é igual.

    Update / Help!

    Está acontecendo uma coisa estranha. As listas do Lucas, do DJ Leo e da Cristina Magrassi, todas do Submarino, não aparecem aqui, mandando o usuário para a página de criação de listas. O estranho é que a URL é igual à minha (com exceção da ID), que entra direitinho. Vocês me dão um feedback, por favor? Aparece aí nas máquinas de vocês? Alguém sabe o que pode ser isso?

    Tom diz que é possível que, embora a URL seja criada automaticamente, não entre no ar antes de ser liberada por alguém lá.

    Acho que o Lucas matou a charada!

    "1. Vá a sua wishlist.
    2. Na página da sua wishlist, à esquerda, na janelinha "Minhas Listas" tem a opção "Gerenciar minhas listas", clique nela.
    3. Vão aparecer suas listas. No meu caso, só tem uma. Então clique na opção "Alterar cadastro", ao lado do nome da sua lista.
    4. Abrirá uma página com as informações da sua lista. Nome, descrição, seu nome, e-mail e "Quem pode ver esta lista". Nessa opção, selecione "Lista pública (qualquer um vê)".
    5. Em seguida clique em "Salvar alterações", no canto direito da página."



    Ah, e como dá pra ver pela lista da Angela, da Livraria Cultura, há outros empórios virtuais competentes na praça. Vale lista de onde vocês quiserem; Submarino e Amazon foram apenas sugestões.






    Lindo!!!



    (Valeu, Tomzinho!)






    Só para vocês terem idéia do que isso representa: cerca de seis mil JPEGS clicados a 10MP, ou mais de oito horas de vídeo em formato HD Extended a 6 Mbps. O preço? Cerca de R$ 1.200.





    24.7.08


    ATENÇÃO: MUDANÇA DE EMAIL

    Sinto informar que a minha antiga conta da well.com, que em breve faria 20 anos, morreu de causas naturais, a primeira delas sendo que pagar US$ 15 mensais por endereço eletrônico deixou de fazer sentido há tempos.

    Aos que me escreveram para o antigo endereço ao longo do último mes, peço, por favor, que reenviem os emails, agora para cronai[arroba]gmail.com.






    Net no jardim










    Gravação










    O jardim chegou!










    Povo, tive uma idéia!

    O jac disse que quer ler o livro do Rory Stewart mas as suas finanças não andam permitindo, como direi, gastos extra-orçamentários; volta e meia, alguém querido faz anos e nós ficamos só nos parabéns.

    Então pensei: por que não abrir um espaço para listas de sonhos de consumo dos freqüentadores do blogtequim na barrinha aí ao lado? Eu mesma acabei de fazer duas listas, uma na Amazon, outra no Submarino: é muito fácil de fazer, e muito fácil também para quem quer presentear, porque não precisa ir ao correio nem nada.

    A do Submarino é mais prática porque fica aqui mesmo, não precisa cartão internacional e os preços são em reais (o que, pensando bem, não chega a ser propriamente uma vantagem).

    Com isso, acho que o blog seria pioneiro numa nova modalidade: trocas de gentilezas palpáveis entre os leitores.

    Quem se anima? É só mandar o link para mim, e pronto.






    Sempre alerta









    Mundo, mundo,
    vasto mundo

    Cronista sonha com uma viagem divina, mas
    encanta-se com o relato de uma ida ao inferno



    Há uma agência de viagens canadense chamada Butterfield & Robinson que é meu sonho de consumo desde que tomei conhecimento de sua existência. Se não me falha a memória, nos encontramos (eles não sabem; mas assim é a vida, cheia de amores platônicos e relações unilaterais) num daqueles práticos cartõezinhos que costumam vir nas revistas de viagem estrangeiras, nos quais marca-se com um x as informações que interessam, manda-se pelo correio e a revista cuida do resto.

    Esses cartõezinhos eram mais comuns, e faziam mais sentido, antes de todo mundo ter internet; e um dos meus hobbies era preencher os quadradinhos que me pareciam atraentes, despachar o cartão e esperar o que me traria o carteiro. Além de pequenas amostras do mundo, os folhetos e catálogos que recebi foram, em si, uma boa aula de marketing aplicado. Folheando-os ao longo do tempo, cheguei à conclusão de que não há um centímetro quadrado do globo terrestre que não possa ser vendido como destino turístico imperdível, desde que seja apresentado com um mínimo de competência.

    Pois a Butterfield & Robinson, além de fazer os catálogos mais lindos de todos, faz exatamente o tipo de viagem dos meus sonhos: a pé ou de bicicleta, mas com m-u-i-t-o conforto pelo caminho. Os meus sonhos são sempre assim, bem simplinhos, de jeans e camiseta, mas mais caros do que viagem a Dubai em tapete voador; de modo que tendem a permanecer eternamente como o que são, sonhos. Agora, pela primeira vez, dois amigos se aventuraram numa viagem B&R de bicicleta pela Toscana, e voltaram entusiasmados: o catálogo não é propaganda enganosa! De modo que ando pensando seriamente em quebrar os porquinhos de barro e, no ano que vem, estrear o joelho novo num caminho qualquer pela África ou pela Ásia. No mínimo, no mínimo, volto com um punhado de crônicas.

    * * *

    No quesito aventura, porém, vai ser difícil para qualquer pessoa no mundo fazer algo tão radical quanto a viagem de Rory Stewart, um escocês maluco que resolveu atravessar o Afeganistão a pé, sozinho, pelos caminhos mais difíceis. A seu favor, o fato de parecer de qualquer lugar, menos de um país anglo-saxão; a experiência prévia de ter atravessado a pé Irã, Índia, Paquistão e Nepal; e de falar meia dúzia de dialetos persas. Ainda assim, pegar um cajado e sair por uma das regiões mais conturbadas do planeta, na pior estação do ano, requer uma mistura de coragem e de insensatez muito rara. Voltar para contar a história requer uma sorte mais rara ainda.

    A aventura está em “Os lugares do meio” (Record, 335 páginas, ótima tradução de S. Duarte), um dos livros de viagem mais fascinantes que já li. Rory viajou de Cabul a Herat em pleno inverno, logo depois da queda do Talibã, em 2002, quando faltava energia elétrica em quase todo o país e a única tecnologia estrangeira na maioria das casas era, como ele mesmo diz, um rifle Kalashnikov. O vácuo de poder tornava a região ainda mais confusa do que de costume; ninguém sabia o que estava valendo, se é que algum dia soube; a pouca ordem que havia seguia um padrão tribal mais condizente com a Baixa Idade Média do que com o Século XXI.

    Acrescente-se a isso a quase inexistência de estradas, a natural desconfiança de todos diante de um estrangeiro por aquelas paragens (o que é que uma pessoa normal poderia estar fazendo num lugar daqueles, de livre e espontânea vontade?!), os campos minados, a comida escassa, e pronto, aí está, em linhas gerais, o cenário atravessado pelo nosso herói. Rory hospedou-se nas casas dos se dispuseram a acolhê-lo, dormiu nos cantos que lhe pareceram seguros, comeu o que lhe foi oferecido. Notícias de banho são constrangedoramente escassas.

    O retrato que traça do país, contudo, mostra o tamanho da ignorância de qualquer governo estrangeiro que pense em dominá-lo. Alguém deveria dar rapidamente um exemplar a Barack Obama, antes que ele seja eleito e meta os pés pelas mãos. Seria leitura utilíssima. Cada vilarejo é um feudo, ligado aos outros por fios frágeis demais para elevar o espírito humano acima de qualquer coisa além do mais básico instinto de sobrevivência. Às vezes, nem isso: mata-se por nada, morre-se por menos ainda. As notícias demoram a chegar, o poder central é relativo, “amigo” e “inimigo” são palavras que mudam ao sabor do vento. O que havia de civilização, e que já não era muito, foi pulverizado pelos talibãs.

    Tirando o fato de empreender uma viagem dessas e escapar com vida, o maior talento de Rory Stewart é saber observar o mundo, aos outros e a si próprio sem qualquer traço de pieguice. Ele aceita as pessoas que encontra, e com quem convive, pelo que são; não tem preconceitos aparentes, nem entra em julgamentos morais. Ali estão homens (ele quase não encontra mulheres) num mundo hostil, enfrentando situações adversas, tentando sobreviver como podem. Como bom repórter, conta o que viu, o que lhe disseram, o que apurou. Não faz estardalhaço do seu admirável destemor, do seu humanismo à flor da pele e da sua travessia heróica.

    O resultado é a obra-prima que escreveu só assim, como quem conta uma história. Ou como quem atravessa o inferno a pé porque, afinal, ele está lá.


    (O Globo, Segundo Caderno, 24.7.2008)





    23.7.08


    Suzy, depois do cabelereiro










    Gosto desses espelhos










    Rotina









    22.7.08


    Gostei do serviço de bordo










    Eu vou, eu vou...










    É feito andar de bicicleta...










    No taxi










    Correndo pro aeroporto










    Na loja da Pinky










    Novidade










    Sao Paulo










    Lindo, né?










    Leia-se FINGERS. Grrrrrr!










    Odeio esses fim










    Inauguracao da 'orla digital'










    A caminho









    21.7.08


    Achei na Marina W: emocionante!




    O bom da internet é que está cheia de maravilhas.







    Chamando todos os viajantes!

    Gente, o Felipe, filho da Angela Scott Bueno, teve a sorte de ser contratado como iluminador por um daqueles navios de cruzeiro. E ela tem um pedido:
    Queria pedir a você e a galera daqui, dicas de passeios e lugares para não deixar de ir, sabe?

    Aqueles pulos do gato dos lugares, esses que só quem conhece a cidade é que sabe, pois ele pode descer em cada porto e tem em torno de seis horas para conhecer arredores em cada dia, e dá pena -- tipo o post da Letícia -- ele estar em lugares tão maravilhosos e não poder aproveitar. A verdade é que seis horas é um tempo bacana para quem conhece e vai na certa, mas pouco tempo para quem ainda tem que descobrir.

    Agora ele está em Villefranche e amanhã em Florença, na verdade em Livorno, que é o porto.

    Aqui a rota dele: http://spreadsheets.google.com/pub?key=pEp_yOjq6lOKYmSvUfyP-Zw

    É isso. Se você e o pessoal aqui puderem dar uma força, vai ser uma experiência tipo aquele comercial de cartão de crédito: nâo tem preço!"

    Olhei por alto a rota e, de cara, dou duas dicas: esquecer as filas para ver as maiores atrações de Veneza, como o Palácio Ducal ou a Basílica de San Marco, e perder-se pelas ruazinhas mais escondidas.

    Não há nada melhor do que descobrir as ruazinhas de Veneza, as suas igrejas pequenas mas deslumbrantes, e sempre ouvindo o schelf schlef da água nos canais. Também comer um doce ou um sorvete na Rosa Salva, que é a mehor confeitaria da cidade.

    Na volta, parar em plena Piazza San Marco e tomar um café, com calma -- pelo preço, aliás, não dá para fazer muito mais que isso! -- no Florian, admirar as construções e o mundo passando por ali. Não é à toa que o Florian é um point turístico desde 1700 e lá vai fumaça.

    Em Istambul há um outro café que eu adoro, o Pierre Lotti. Passa-se pelo velho cemitério e, lá de cima, tem-se uma vista espetacular do Bósforo e da cidade. Ir ao entardecer é a melhor pedida.

    Aliás, em Istambul tem um maluco que tem um taxi e faz tours pela cidade. Fala pelos cotovelos mas conhece tudo e é muito simpático. E tem até página na web!






    Pombos!










    Isso é que é caixa!










    Dos comentários

    A Leticia, aka Paca Manca, mais uma vez manda bem que só ela. Gosto DEMAIS dessa garota!
    "Eu adoro história mas infelizmente não dá pra estudar tudo e a gente acaba se concentrando nas coisas das quais gosta mais. No meu caso, agora de volta à faculdade depois de velha estou estudando história contemporânea, que apesar de muito útil pra entender muitas coisas eu acho muito chatinho (minha paixão é pelo mundo pré-pólvera). Mais ou menos tudo o que foi falado em aula são coisas que a gente estudou na escola, então nem encuquei muito. Até que uma colega romena, da minha idade e portanto crescida na época do Ceausescu, disse estar desesperada com a chegada da prova porque nunca tinha estudado nada daquilo e não tinha a menor idéia de por onde começar. Tipo, ela hoje é cidadã européia e não sabe NADA da história do seu próprio país que não tenha sido fortemente "photoshopado", e menos ainda sobre a história da Europa. Eu não consigo nem imaginar.

    Nessas horas você é forçado a pensar no tamanho da manipulação e da crueldade que é a ausência de liberdade de expressão e comunicação, que toda censura é o horror, o horror, que não é possível chegar a lugar nenhum sem saber de onde a gente veio, que tentar aprender sem conhecer os erros do passado é bater a cabeça na parede inutilmente, que a ignorância é a doença mais grave que existe nesse mundo. Lembro que quando ela comentou, na maior naturalidade, que nunca tinha estudado nada sobre Napoleão, eu fiquei parada olhando pra cara dela, completamente pasma. Imagina visitar o Louvre e não entender nada, nada, nada do que se passa nos quadros, do porquê foram pintados, de eventuais episódios da vida do pintor, da importância da obra, sei lá. Até esses pequenos grandes prazeres passam a ser negados. Again, não consigo nem imaginar." (Leticia)






    Privacidade

    Tudo, sempre,
    sobre todo mundo

    Tudo começou de forma inocente, quando reencontrei os ímãs que a Bia, então adolescente, confiscara da geladeira. Eram ímãs de viagem, com os nomes das cidades por onde eu passara; e a Bia achava aquilo cafonérrimo. Um dia, aproveitando-se justamente de uma viagem minha, sumiu com os tais ímãs.

    Armei um belo auê na volta, vocês podem imaginar, mas lá ficou a geladeira pelada, e lá fiquei eu desanimada e sem gosto para recomeçar do zero. Continuei viajando, mas deixei de comprar ímãs. Agora, porém, que os antigos estão de volta, ando triste pelas “figurinhas” que faltam. Fiz um post a respeito disso no blog, com uma lista das cidades “desmagnetizadas”, e pedi aos leitores que moram nelas, ou que por acaso estejam de passagem, que me mandem, por favor, um ímã de geladeira de presente. E dei o endereço lá de casa.

    Para quê? Foi um tal de torpedos, telefonemas, emails:

    -- Como é que você põe o endereço de casa na internet, sua louca?

    De modo que, a pedido de amigos mais ou menos paranóicos -- no bom sentido, e com todo o respeito! -- tirei o endereço do post. Não por mim, mas por eles; quando tanta gente fica intranqüila por uma coisa tão simples de resolver, resolve-se a coisa e pronto, todos ficam sossegados.

    Mas que ninguém se iluda. Já disse e repito mil vezes: a privacidade, que de resto é invenção relativamente moderna, acabou há muito. A pobre da internet leva o grosso da culpa, mas num país onde o governo já perdeu o controle do número de telefones grampeados, a rede certamente não é a maior vilã da parada. Nossos dados estão soltos por aí, numa mala direta que muda de mãos aqui, num cadastro que é transferido acolá, num currículo que percorre meia dúzia de empresas. Achar que se pode proteger um endereço nessas circunstâncias é mais ou menos como tentar esvaziar uma canoa furada.

    Há tempos tenho a mais firme convicção de que, quem quer de verdade, consegue obter toda e qualquer espécie de informação a respeito dos outros. Lembram dos antigos catálogos telefônicos? Eles existiam beeeeeeeeem antes da internet, e já forneciam telefone e endereço do usuário. Continuam fornecendo.

    Volta e meia recebo emails de pessoas preocupadas que, suponho, gostariam que eu fosse mais alarmista, e que me apontam os "riscos" da internet enviando mapinhas do Google com meu prédio em destaque. Lamento, amigos, mas assim é a vida.Se,ainda hoje, alguém chegar a qualquer cidade pequena e perguntar onde é a casa de Fulano ou Beltrano, todos saberão dizer. E sem consultar a internet.


    (O Globo, Revista Digital, 21.7.2008)





    20.7.08


    Efeito especial










    Sono solto









    19.7.08


    Tem um grupo de trabalho na jogada










    Pausa para trocar o pneu










    A foto de ontem










    Fomos comprar plantas










    Teste bacaninha

    O Tom (quem mais?) descobriu um teste de datilografia legalzinho aqui. O único defeito é que está em inglês, e portanto fica um pouco mais difícil para quem não conhece a língua. Isso não foi problema para mim; problema para mim é que cato milho e, portanto, não sei digitar sem olhar para o teclado.

    Fiz 43,67 palavras, ou 205,59 caracteres, por minuto, sem erros; e 40,66 palavras e 165,6 caracteres com um erro.

    Os textos são trechos do discurso de Gettysburg, de Lincoln, uma das famosas peças de oratória do mundo ocidental. E o trecho que eu peguei, particularmente, me deu o que pensar a respeito do poder das palavras: diz que o mundo não notará e em breve não se se lembrará mais do que lá foi dito, mas nunca se esquecerá dos feitos no campo de batalha.

    ("The world will little note, nor long remember what we say here, but it can never forget what they did here.")

    O que aconteceu, porém, foi exatamente o contrário. Não sei se muita gente saberia, hoje, que houve uma batalha em Gettysburg, se não fosse por esse belo discurso, tão merecidamente lembrado e conhecido.





    18.7.08


    Creepy!










    Da boas fotos










    Todo feliz: vai ser solto rapidinho...












    Quitinha









    17.7.08


    Comidinha caseira... :-)








    BLOG!

    Ótima pedida para quem coleciona DVDs e gosta de comparar diferentes edições.






    Em relação ao post anterior

    A pedido de amigos mais ou menos paranóicos -- no bom sentido, e com todo o respeito! -- tirei o endereço de casa do post.

    -- Como é que você põe o endereço de casa na internet, sua louca?

    Ora, há séculos tenho a mais firme convicção de que, quem quer, consegue toda a espécie de informação a respeito dos outros; e não só na internet. Lembram dos antigos catálogos telefônicos? Existiam beeeeeeeeem antes da internet entrar no ar, e já forneciam telefone e endereço do usuário.

    Volta e meia recebo emails de pessoas que pretendem me demonstrar os "riscos" da internet me mandando o meu endereço em mapinhas do Google, para tornar a suposta "ameaça" mais concreta.

    A minha conclusão em relação a isso é a seguinte: gente mal intencionada, que eu eventualmente deveria temer, jamais terá qualquer dificuldade em saber o que quer que seja em relação a mim -- portanto, não é com isso que vou perder o sono.

    Mas como a turma estava aflita, fica o post sem endereço.

    Se alguém precisar, é só me escrever um email.






    Overdose de fofura










    Liberdade para as geladeiras!



    Durante muito tempo, cada vez que eu viajava trazia um ímã para a geladeira. Um dia, justamente durante uma dessas viagens, a Bia, adolescente rebelde, aproveitou que estava sozinha em casa e sumiu com todos os meus ímãs!, que achava cafonérrimos.

    Fiquei arrasada e passei anos viajando sem comprar mais ímãs, porque perdi o gosto e a alegria de decorar a geladeira.

    Ontem, por acaso, descobri onde estavam escondidos e enfeitei a velha Frigidaire novamente. E agora tenho que correr atrás das figurinhas que estão faltando: Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Belém, Brasiléia, Xapuri, Natal, Noronha, Recife, Fortaleza, Salvador, Santo Amaro, Budapeste, Praga, Moscou, Xangai, Berlim, Munique e todas as cidades alemãs que visitei durante a Copa, Barcelona, Seul, Kyongy, Valencia, Zaragoza, Madri, Lisboa, Veneza, Buenos Aires, Montevideo, Florença, Siena, Roma...

    Nossa, vai dar um trabalhão!

    A Elisa Byington, que mora em Roma, está, por acaso, em Budapeste; e vou pedir ao Riq que me traga um de Berlim. Três ímãs resolvidos, três lacunas preenchidas!

    Vou também pedir um favor muito descarado a todos vocês que, por acaso, morem ou estejam de passagem por alguma das cidades mencionadas acima: vocês me mandam um ímã de presente?

    O modelo que funciona melhor aqui em casa é o mais simples de todos, uma simples plaquinha com o nome da cidade. Ímãs sofisticados, com bonequinhos ou relevos, são interpretados pela Famiglia Gatto como desafios e, conseqüentemente, têm vida muito curta.

    Agradeço de coração!







    Dinheiro!

    Ganhar dinheiro é uma ambição humana universal, legítima e eterna. Dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar; resolve problemas de educação, moradia e saúde; compra supérfluos indispensáveis; e, desde que elas se esforcem um pouquinho, torna as pessoas mais bonitas, mais magras e mais bem vestidas. Ainda que não mais elegantes. Mas aí já é outra história.

    Na base da felicidade estão, pelo menos em tese, o sossego e a paz de espírito, e é razoável supor que a maioria dos seres humanos corra atrás de dinheiro em busca de mais segurança e sossego. Os limites individuais disso variam enormemente. Eu seria feliz com o suficiente para viajar sempre que me desse na telha e para não precisar me preocupar com o futuro dos próximos seis meses. Há quem, embora não ligue para viagens, não abra mão, nos seus sonhos, de um carro zerinho. De preferência blindado. Há quem queira uma casa no campo ou na praia; um veleiro. E há os que, pura e simplesmente, querem só ficar de barriga pra cima e não mexer mais uma palha.

    Compreendo qualquer espécie de sonho, assim como compreendo que pessoas com diversos degraus na escadaria da ambição dediquem-se com maior ou menor empenho à realização dos seus objetivos. Só não entendo para que passar a vida caçando dinheiro quando já se tem mais do que se pode gastar em várias gerações, e quando, na esteira do excesso de pecúnia, vem uma bagagem medonha de desassossego. De que adianta ter toda a grana do mundo e entrar no escritório às sete sem hora para sair, não confiar na própria sombra, não gostar de comida, sexo ou conversa fiada, trabalhar sem parar e viver com medo da polícia?! Isso lá é vida?!

    Daniel Dantas, por exemplo. Foi preso, solto, preso e, sem nenhuma surpresa para ninguém, solto novamente (está na hora de investigar o juiz que o soltou, não o que o prendeu). Pergunto: isso vale a pena (jurídica)?! O inconveniente, o estresse, as manchetes nos jornais, para não falar da noite com o Pitta na mesma cela?! A Polícia Federal que me perdoe, mas esse cara não tem que ser preso, tem que ir para um hospício.

    Sei que o que não falta ao dr. Dantas é advogado, mas apresento, a título de contribuição à sua defesa, essa mais que legítima tese de insanidade mental. O meu PF (não é Policia Federal, é Por Fora) a gente discute depois.

    * * *

    -- Você, mais uma vez, não entendeu nada, -- dizem as pessoas que nunca entendem nada. -- O que faz a cabeça de um tipo assim não é dinheiro, é poder.

    Poder. Perfeito. Ainda assim, para que serve o poder pelo poder, já que não consta que, em nenhum momento, o dr. Dantas tenha tentado mudar o mundo? Serve, sejamos sinceros, para aquela coisa rasteira e menor que motiva os políticos brasileiros, vale dizer, descolar uma vida mansa e interessante às custas do contribuinte. E para juntar mais dinheiro -- o que nos leva de volta à casa um. A questão é que, para usufruir disso, é preciso ter algo que se pareça minimamente com uma vida. Chegar ao escritório às sete sem hora para sair, não confiar em ninguém, bla bla blá... Repito: isso lá é vida?!

    * * *

    Nessa história de dinheiro, por sinal, o exemplo de casa é sempre muito importante. Vejam o caso do Eike, esse rapaz simpático que me conquistou quando disse que queria despoluir a Lagoa. Ele teve um ótimo exemplo em casa. O pai era ministro das Minas e Energia e ele, visionariamente, comprou umas terrinhas lá nos cafundós onde, logo depois, descobriu-se uma mina de ouro. Daquelas bem reluzentes.

    Já eu segui os passos dos meus pais, ambos professores. Por isso eu, em vez de comprar umas terrinhas auríferas, como faria qualquer jovem bem orientada, dei de sair comprando livros. Francamente! Aí está o resultado -- o Eike comprando minas até hoje, e eu aqui até hoje comprando livros.

    Moral: um mau exemplo na infância ferra a pessoa para o resto da vida.

    * * *


    Ultimamente, meu consolo de pobre são as "edições limitadas". Encomendei um produto para cabelo. É uma loção chamada Complexe 5, que existe há pelo menos 20 anos, e que, dessa vez, veio numa embalagem completamente diferente daquela à qual estou habituada. Olhei com mais atenção: na parte de trás está escrito "Édition limitée, 06325/20000". Notem que não se trata de um perfume com frasco de cristal numerado e valor de coleção, nada disso; trata-se de um prosaico tônico capilar, com a velha fórmula de sempre, que tenta afagar o meu ego classe média com a falsa sensação de usar algo exclusivo.

    Depois foi a coleção do "Blade runner", que saiu numa caixa com a (má) edição do diretor e a outra, que foi exibida nos cinemas, e da qual eu tinha tanta saudade. Há muitas outras alegrias na caixa, a começar por ela mesma, que parece uma maletinha: a versão final de Ridley Scott; a que foi exibida nos cinemas americanos; um DVD cheio de extras; uma miniatura do spinner; um unicorniozinho prateado... Enfim, um tesouro, mas um tesouro humilde, que me custou US$ 63 na Amazon (parte da fortuna da Amazon vem das minhas economias). Pois no fundo da caixa, o que se lê? "Limited edition, 035913/103000". Não! Vocês acreditam? Vocês estão lendo uma das 103 mil pessoas que possuem essa exclusivíssima caixa!!!

    Eu ainda não tinha me recuperado da emoção deste privilégio quando,lendo a embalagem do iogurte no café da manhã, dei com uma barrinha dourada que nunca vira antes. E adivinhem o que está escrito lá? Ganha um doce quem responder "edição limitada".

    * * *

    E o que é Daniel Dantas tem a ver com as "edições limitadas" ilimitadas? A rigor, nada. Mas um assunto puxou o outro porque me peguei pensando sobre o ser e o ter, hoje tão filosoficamente misturados que mesmo as pessoas mais objetivas têm dificuldade de perceber o que é uma coisa e o que é a outra.

    Em tempo: guarde bem este jornal! Ele é um exemplar único da edição limitada desta quinta-feira.


    (O Globo, Segundo Caderno, 17.7.2008)





    16.7.08


    A vista da Monca










    Ai, que preguica!










    Alguém hoje tá que tá...

     
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    15.7.08

    Nem a Fox faria melhor

    Gritaria geral a respeito da capa da New Yorker dessa semana. David Remnick, o editor, passou o dia explicando que a capa é uma gozação não com Obama, mas com os clichês em que os republicanos mais hidrófobos o embrulham.

    Diz que os leitores do New Yorker são bastante inteligentes e perspicazes para pegar o espírito da coisa.

    O problema, claro, não são os leitores do New Yorker, mas os milhões de não-leitores da Piauí lá deles que, apesar de não lerem a revista, vão enxergar na capa (que está rodando a internet e já foi reproduzida em todos os jornais e emissoras de TV) exatamente o que pensam: que Obama é um perigo para o American Way of Life.

    O problema é a oposição que, lógico, vai usar essa capa para deitar e rolar, muito embora o comitê eleitoral de McCain, dada a alaúza, já tenha escrito à revista dizendo que considera a charge ofensiva e de mau gosto.

    Mas em que país Remnick vive?! Será que, como editor da New Yorker (revista que, confessadamente, não é escrita para "a velhinha de Dubuque"), ele não sabe que ironia não é uma característica inata dos norte-americanos, muito antes pelo contrário? Será que nunca parou para ver o tipo de comédia de que seus compatriotas gostam?!

    Vai sobrar para Obama, não há o que discutir. Mas acho que talvez sobre ainda mais para a New Yorker, cujos leitores "inteligentes e perspicazes" são, em sua grande maioria, liberais que votam em Obama. E que, pelo visto, não gostaram tanto assim da piada: estão cancelando assinaturas e boicotando a revista.

    Bem feito.






    Será que virou moda de novo?!

    Laura pergunta:
    Alguém tem em casa uma máquina de escrever, daquelas antigas (NÃO elétrica) da qual queira se desfazer? É que a Manoela está procurando uma há muito tempo. Cismou que máquina de escrever é o máximo (vá se entender as novas gerações), uma espécie de computador portátil com impressora embutida que imprime na mesma hora em que se escreve...

    *suspiro*

    Se alguém tiver um daqueles trambolhos ocupando lugar, a Ma ficará muito feliz em se encarregar de oferecer um novo lar para ele.

    Agradeço de antemão!

    Em tempo: não serve máquina "ornamental", como aquelas Royal antigonas que a gente usa para enfeitar o escritório. Tem que funcionar, e ter teclado em português.






    Cabe até o Lucas...










    Brinquedo novo










    Tem até uma casinha!










    Verdade ou vinganca?










    No meio do caminho










    Lixeiras com vista










    Aumentou muito!










    Eu amo a minha cidade










    Playground









    14.7.08


    A caixa do Viewty

     
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    Enfim, uma caixa maior do que ele!










    A reuniao habitual










    Na academia













    Uh-la-la!

    Que beauty, o Viewty

    Quanto vale uma embalagem? A questão, altamente subjetiva, pode ter tantas respostas quanto consumidores – e, nesses tempos de atenção ao meio-ambiente, uma caixa destinada a ir para o lixo não marca muitos pontos no quesito necessidade. Ainda assim, o consumismo oferece poucos prazeres tão gratificantes quanto tirar um objeto novinho em folha da embalagem de fábrica.

    A LG, que cada vez mais se posiciona como fabricante de celulares fashion, entende isso como ninguém e, ao contrário dos demais, que vêm reduzido suas caixas a um grau espartano de objetividade, capricha na apresentação. Esta foi a primeira coisa que me chamou a atenção quando recebi, para teste, seu KE990c, mais conhecido como Viewty. Esta gracinha de aparelho vem lindamente acondicionada numa embalagem ao mesmo tempo elegante e ecologicamente correta, feita sobretudo de papelão, mas tão cheia de bossa que é difícil jogá-la fora.

    Conceitualmente, deve um bocado ao jeito Mac de ser, assim como o Viewty, um pretinho básico minimalista, touchscreen, deve ao iPhone. As semelhanças, porém, param por aí; o Viewty, ao contrário do icônico celular da Apple, tem uma das câmeras mais interessantes do mercado. Visto de costas, aliás, ele se parece mais uma câmera do que com qualquer outra coisa. Tem lente Schneider-Kreuznach de 5MP com auto-foco ou foco manual, que, além de produzir fotos de excelente qualidade, filma até em câmera-lenta (120 quadros por minuto), coisa que ainda não vi em nenhum outro celular. Até seu zoom digital funciona bem em boas condições de luz.

    A interface é bonita, razoavelmente intuitiva, com a grande vantagem de responder ao toque, ou seja, cada vez que se toca uma “tecla”, o Viewty dá uma tremidinha, aspecto fundamental num touchscreen. Quem vem do mundo Palm e Treo, vai ficar encantado ao descobrir que ele tem uma stylus e que reconhece caligrafia.

    É no touchscreen, porém, que está o “x” deste aparelho elegante e bem acabado. Interfaces touchscreen podem ser muito enervantes para quem gosta de teclas e está acostumado com aparelhos convencionais. O Viewty é uma grande pedida para quem curte objetos bonitos e diferentes; quem gostou do Prada, por exemplo, tem tudo para se perder de amores por ele, assim como quem não se conforma com a câmera boba do iPhone.

    Já quem precisa de celular como ferramenta de trabalho deve procurar outra freguesia. Embora o Viewty tenha agenda, conversor de unidades, alarmes e tudo o que se espera hoje de um bom aparelho, a verdade é que foi feito para ver, ser visto, ser ouvido. E, acima de tudo, dar prazer a quem curte o seu celular como um belíssimo objeto de consumo.

    (O Globo, Revista Digital, 14.7.2008)






    A turma do batente









    13.7.08


    Lucas










    Brincando com a luz










    Riq on the road

    Quem ainda não foi passear junto com o Riq não sabe o que está perdendo. Nosso amigo está fazendo uma daquelas viagens de sonho, sem pressa para voltar, passando muitos dias em cada lugar.

    Exatamente como eu faria se a) não tivesse os gatos; b) tivesse coragem; e c) tivesse grana (não necessariamente nessa ordem).

    Não se iludam. Para fazer uma viagem assim, não basta ter vontade e condições propícias; hay que poner talento. Para viajar bem é preciso cultura, disposição e humor para enfrentar as contrariedades do caminho, jogo de cintura, olho para os detalhes e uma curiosidade malsã.

    O Riq tem tudo isso e mais: é uma pessoa extraordinária, com um texto delicioso.

    Não percam a oportunidade. A próxima parada é Berlim...






    Vocês desculpem, não gosto de botar dois You Tubes tão seguidos, mas não resisti quando vi os modelitos das moças do Abba (pra não falar na coreografia).

    Eramos tão ridículos nos anos 70!

    O pior (ou melhor, sei lá) é que continuo gostando do Abba, e estou louca para ver o filme que vem por aí, Mamma Mia, com a Meryl Streep -- tudo a ver, aliás.





    12.7.08


    Na galeria da Mercedes










    Sou apaixonada pelo Ney Matogrosso; entre outras coisas, porque é um dos pouquíssimos humanos que conheço que se movimenta com a elegância dos felinos.






    Essa eu não faço há tempos...










    No meu quintal










    Copacabana










    Copacabana










    Copacabana









    11.7.08


    Vamos dormir, plis?!

     
    Posted by Picasa





    10.7.08


    A vista da planície

    Não entendo uma figura como Daniel Dantas.

    Ganhar dinheiro é uma ambição humana universal e legítima, porque, afinal, se dinheiro não traz felicidade, manda buscar com razoável eficiência.

    A maioria dos seres humanos quer mais dinheiro para ter mais poder e/ou mais sossego. Mas qual é a graça de ser quaquilionário e poderoso se você entra às sete no escritório e não tem hora para sair, não confia em ninguém, trabalha feito um cão e vive com medo da Polícia Federal?!

    Daniel Dantas foi preso e, sem nenhuma surpresa para ninguém, foi solto no dia seguinte (aliás: estava na hora de investigar o ministro que o soltou). Ainda assim, pergunto: vale a pena isso?! O inconveniente, o estresse, as manchetes nos jornais e, sobretudo, a noite com o Pitta na mesma cela?!

    YIKES!!!

    O cara não tinha que ser preso, tinha que ser internado num manicômio.






    Olhos de ressaca









    Calma: é só um jogo!

    Por que transformar futebol em motivo de ódio?



    Pouco antes de viajarmos para a Copa, há dois anos, o Calazans, que sabe das coisas, me fez uma advertência séria:

    -- Agora é que você vai ver o que é carta de leitor!

    Até aquele momento, eu vivia no ar rarefeito da tecnologia, onde há quem torça por uma marca ou outra, mas nunca se soube de pancadaria entre, digamos, usuários de Macs e de PCs. Nem na atmosfera civilizada aqui do Segundo Caderno, que só se altera na minha mailbox nas raras vezes em que abordo temas polêmicos. Mas aí já tiro, pela experiência, o tamanho das onças que cutuco: afinal, quem escreve o que quer tem que estar preparada para ler o que não quer.

    Nos cadernos diários que produzimos sobre a Copa, contudo, entrei em contato com essa espécie particularmente feroz de leitor, mais conhecida na vida civil como “torcedor fanático”. Basta dizer que, até hoje, ainda encontro quem me ataque por ter feito da capivara aí ao lado personagem de crônica não-esportiva.

    Dava até medo de abrir a caixa postal. Os emails não eram agressivos porque os leitores discordavam da minha opinião; discordavam da minha própria existência. Na melhor das hipóteses, da minha presença na Alemanha. Estar lá e escrever sobre morangos, curiosidades e modas, em vez de futebol, futebol e futebol, era desvio hediondo de caráter. Eu lia aquilo e pensava com as minhas chuteiras sobre o que estaria se passando na cabeça daquelas pessoas. Imaginavam, sinceramente, que eu teria algo a acrescentar ao que já estava sendo escrito pela nossa tarimbadíssima equipe? Não percebiam que o meu espaço era, justamente, a não-Copa? Não se davam conta de que a minha proposta para a capivara era só uma brincadeira, e não a base de uma nova seita?

    -- Se você levar isso a sério vai passar a Copa inteira chorando, -- avisou o Calazans. – Não é pessoal. Quando você estiver muito aborrecida com a tua correspondência, pede para o Renato Maurício Prado te mostrar alguns dos emails que ele recebe.

    O Renato, que não podia ser mais escolado no assunto e que, ainda por cima, adora provocar, recebia emails indescritíveis, cabeludíssimos. Se eu recebesse qualquer coisa minimamente parecida, ficaria catatônica para o resto da vida. Ele achava uma graça enorme. Era assim! Fiz um ligeiro esforço de adaptação (um ano e meio), entrei no espírito, e... pronto, passou. Quando acabou a missão, eu já estava imunizada contra pit-leitores.

    * * *

    Para não cometer grande injustiça, preciso dizer que a maioria das pessoas que me escreveu durante a Copa era gente fina. Por exemplo, quando escrevi sobre uma estranha gripe que não passava, os leitores deram o diagnóstico: não era gripe, era febre do feno. Eu estava tomando os remédios errados. Quando me queixei de queda de cabelo, as leitoras se solidarizaram comigo, e me salvaram com dicas úteis e com a explicação para o fenômeno: a água da Alemanha é terrível. E ainda há quem me escreva ou que, me encontrando por acaso em algum lugar, pergunte quando a capivara vai voltar.

    Na verdade, ela nunca se aposentou. Tem feito algumas participações especiais no blog, em geral quando viajo. Da última vez, como se pode ver pela foto, viveu um tórrido caso de amor. Em Berlim e Paris, no less, que é roedora de fino trato. A historinha agradou, e acabei transferindo-a para uma página separada, em coracapi.blogspot.com, onde pode ser acompanhada em ordem cronológica e com trilha sonora.

    * * *

    Por que este mergulho num passado já remoto? Ora, porque, na sexta-feira, quando dei minhas impressões sobre a final da Copa Libertadores – o primeiro jogo que vi no Maracanã! – voltei a ser atacada por uma pequena matilha de pit-leitores, menos numerosos e menos ferozes do que os de 2006, mas igualmente cheios de raiva e de certezas absolutas.

    O que mudou, para valer, foi a minha reação. Ou apatia. Cansei. Não tento mais descobrir o que vai pela cabeça dessa gente, e também não consigo mais achar graça de quem reage de maneira irracional diante de uma simples crônica, até auto-gozadora, sobre uma ida ao estádio. Trocando em miúdos: futebol é futebol, não é o fim do mundo, uma sentença de morte ou uma intimação da Receita Federal. É um jogo, é um negócio miliardário, é uma paixão, é tudo o que quiserem; só não pode ser um motivo a mais para ódio entre os habitantes desta cidade que, daqui a pouco, de maravilhosa só terá a vista. Da janela do avião; quando a gente parte.

    É de reações trogloditas como odiar automaticamente quem veste uma camisa diferente (ou professa outra religião, ou tem outra cor de pele) que se fazem as grandes desgraças humanas. Estou sendo exagerada? Já não nos bastam os morros dominados por traficantes, os desmandos da PM, as balas perdidas (e as muito encontradas), as gangues de mauricinhos nas madrugadas, os assaltos em cada esquina, os mil medos que nos prendem em casa? Alguém ainda deve estimular ou ser estimulado a ser um torcedor doente?!

    Como diz um querido amigo que gosta de esporte e, mais que isso, entende das coisas, “Todo cidadão tem o direito de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo.”

    (O Globo, Segundo Caderno, 10.7.2008)





    9.7.08


    Memel










    A rainha da fofura










    Pelo menos, dá boas fotos...










    Na academia










    Encontro na academia










    Adivinha quem?









    8.7.08


    Millor










    Torresmo (diet!)










    O folgato










    Emergência meteorológica

    A Bia me pediu para divulgar este apelo que recebeu do pessoal da Sozed:
    "Amigos,

    No momento a Sozed abriga cerca de 200 animais entre cães e gatos, sendo que grande parte deles vive em canis abertos no quintal, para que fiquem soltos, possam correr e socializar com outros focinhos.

    Está fazendo muito frio, principalmente à noite e, infelizmente, temos poucas cobertas para proteger os animais. Eles estão abatidos e tremem bastante, pois apesar de termos uma área de proteção contra chuvas, o vento gelado é constante. São muitos animais e as doações que recebemos há dois anos não estão sendo mais suficientes.

    Se você tem uma toalha usada, um cobertor ou uma manta que não vá mais usar, por favor, doe para a Sozed, pois nossos animais estão realmente passando muito frio. Dependendo da localidade podemos ir buscar a doação, ou você pode deixar na Sozed, que fica no Rio Comprido, e aproveitar para você mesmo aquecer os focinhos!

    Teremos feirinha de adoção neste domingo, dia 13 de Julho, no Parque do Flamengo, entre a Rua Dois de Dezembro e Rua Buarque de Macedo, das 10hs às 14hs. Você também poderá fazer lá a sua doação.

    Se você não for do Rio, pode ajudar doando qualquer quantia para que possamos comprar os cobertores.

    CONTA PARA DEPÓSITO:

    BANCO ITAÚ
    CONTA 09270-7
    AGÊNCIA 566-3

    A conta está em nome da SOZED, CNPJ sob o nº 62.702.774/0001-11.

    Nosso telefone para contato é (21) 2273-8233.

    Os animais aguardam ansiosos a sua doação!"





    7.7.08


    Essa loja é linda










    Muito bonitinho!










    Vendo as modas com a Heliana










    Olha o céu la fora!










    Keaton










    Livro favorito -- existe isso?

    Na última mesa da Flip, autores leram trechos dos seus livros favoritos. Fiquei pensando muito nisso, em que trecho leria do quê se tivesse que participar de uma mesa dessas. São tantos livros, tantos trechos bonitos... Muito difícil escolher.

    Eu não tenho um livro favorito. Tenho centenas de livros favoritos, e escolher um só seria uma injustiça com os outros.

    Como Cees Nooteboom, eu talvez escolhesse o final de "Em busca do tempo perdido"; ou algum trecho de Fitzgerald ou Borges; ou, considerando o que anda pela minha mesa de cabeceira, o parágrafo final de "The Descent of Man", de Darwin, que não deixa nada a dever a escritor algum e que, de quebra, reinventou o mundo:

    "Man may be excused for feeling some pride at having risen, though not through his own exertions, to the very summit of the organic scale; and the fact of his having thus risen, instead of having been aboriginally placed there, may give him hope for a still higher destiny in the distant future. But we are not here concerned with hopes or fears, only with the truth as far as our reason permits us to discover it; and I have given the evidence to the best of my ability. We must, however, acknowledge, as it seems to me, that man with all his noble qualities, with sympathy which feels for the most debased, with benevolence which extends not only to other men but to the humblest living creature, with his god-like intellect which has penetrated into the movements and constitution of the solar system - with all these exalted powers - Man still bears in his bodily frame the indelible stamp of his lowly origin."


    O que vocês escolheriam?






    You can't always get want you want






    6.7.08

    Retrospectiva Flip
    (e uma lembrança extemporânea, ou
    You can't always get what you want.)




    O senhor da foto é meu ídolo Tom Stoppard. By Lucas.

    Por Lucas, AQUI; pelo Sérgio Fonseca, AQUI; pelo Marcelo Tas, AQUI.

    Sérgio Rodrigues dá uma verdadeira aula de Flip AQUI.

    Não sei se são uvas verdes de joelho ferrado versus calçada de pedregulhos, mas o fato é que, em nenhum momento, nem antes, nem durante, tive vontade de ir à Flip este ano. Na verdade, nem me interessei pelo que estava acontecendo lá, mas isso é normal: para mim, a graça da festa é rever uma quantidade de amigos naquele cenário lindo e, eventualmente, conhecer pessoas que admiro -- este ano, em especial, Tom Stoppard e David Sedaris.

    Gosto das conversas de botequim, dos almoços e dos jantares, quando todo mundo bate papo feito gente; gosto menos das palestras e dos debates, mas acho que isso é meio deformação profissional, meio jeito de ser.

    Jeito de ser, porque sou impaciente e porque, para cada mesa que dá muito certo, umas tantas dão mais ou menos ou nem dão para a saída. Deformação profissional porque, como jornalista de tecnologia e de área cultural, nunca tive a menor dificuldade em me encontrar com as pessoas que queria e em conversar com elas sobre o que nos desse na telha; entre escritores menos ainda, claro, porque literatura é o meio do qual eu venho.

    O único desencontro da minha vida que lamento de fato aconteceu há muitos anos. Num fim de tarde de domingo, daqueles em que tudo o que a gente quer é desmaiar no sofá da sala, desmaiei no sofá da sala, gatos no colo, e fiquei jiboiando feliz.

    Lá para as dez, dez e tanto, fui conferir os recados da secretária eletrônica. Havia dois ou três que o Waltinho Salles tinha deixado mais cedo. Fiquei com preguiça de telefonar àquela hora.

    -- Putz, mas por onde é que você andava?! -- exclamou ele quando liguei, no dia seguinte. -- Eu estava com o Mick Jagger e queria pelo menos mais uma pessoa para jantar.

    Resumindo: Waltinho e o filósofo Jagger jantaram sozinhos, e eu perdi a oportunidade de ter um filho de 15 mil dólares mensais.

    A vida não é justa.





    5.7.08


    Mami e Ju










    Vida mansa









    4.7.08


    Paz e amor, bicho!



    Foi o Tom quem achou. Muito fofo!






    Pulseiras novas!










    A portaria esta em obras









    3.7.08

    FIZ A FOTO de um celular com o outro; graças à transmissão digital, consegui acompanhar o jogo à minha frente

    Uma noite inesquecível

    O resultado foi uma injustiça e uma tristeza, mas a festa foi simplesmente maravilhosa

    Na quarta-feira fui, pela primeira vez, assistir a um jogo no Maracanã. Eu já tinha ido ao estádio duas vezes. A primeira, há muitos anos, para assistir ao show do Paul McCartney; a segunda, mais recentemente, para entrevistar o jardineiro que cuida para que os quero-queros que moram no gramado não sejam triturados durante as partidas. Mas, segundo os especialistas, nenhuma dessas ocasiões conta como “Ida ao Maracanã” — aquele ritual sagrado que os torcedores de verdade prezam acima de tudo.

    Saí cedo de casa, antes da cinco, e, já no engarrafamento da Lagoa, comecei a perceber a diferença: além dos vendedores de água e de biscoito Globo, havia uma multidão de vendedores de bandeira. Já passei por essa cena incontáveis vezes, mas como ela nunca me dizia respeito, não prestei a devida atenção. Dessa vez, observei o entusiasmo com que as agitavam e admirei seu profissionalismo. Não acredito que ambulantes que vendem bandeiras no engarrafamento sejam tão especializados que só negociem lábaros dos seus próprios times. Perguntei a dois deles, um perto do túnel, o outro já em frente ao Maracanã, por quem torciam na vida real. Um era Flamengo, o outro Vasco. Mas ali, no serviço, eram Fluminenses desde criancinhas.

    Chegar a um Maracanã que se prepara para uma grande noite é, acreditem, emocionante demais — e, por incrível que pareça, muito mais tranqüilo do que eu jamais poderia imaginar. É que sempre tive a clássica visão das mães não-torcedoras a respeito do estádio, ou seja, a de que aquele seria um lugar perigosíssimo para os meus filhos.

    Estava errada. Fico feliz em não ter sido uma mãe repressora e nunca ter proibido o Paulinho e a Bia de irem ao Maracanã. Agora tenho certeza de que ambos têm lembranças inesquecíveis na alma e, retrospectivamente, vejo que correram muito menos riscos do que se fossem, digamos, à Baronetti, aquela boate chique lá perto de casa. Basta fazer as contas: quantas brigas sérias acontecem no estádio, freqüentado por dezenas de milhares de pessoas, e quantas acontecem na Baronetti, que no máximo recebe algumas centenas? A Baronetti não sai das páginas policiais; já o bom e velho Maraca, mantidas as devidas proporções, pouco as freqüenta.

    De modo que, pensando bem, ir a um jogo no Maracanã é um dos melhores, mais saudáveis e mais seguros programas do Rio.

    Não sou tricolor. Torço — se é que se pode dizer isso de alguém que não sabe o que é futebol — pelo Flamengo, porque é o time dos meus filhos e, sobretudo, porque sempre me pareceu a cara do Rio. Mas quanto mais tricolores chegavam ao estádio, mais entusiasmada eu ficava com a vibração dos torcedores. A Bia ligou para saber o que eu estava achando.

    — Estou achando lindo! — berrei ao celular, tentando ser ouvida. — É muito mais empolgante do que eu imaginava, a energia é incrível!

    — Vê lá, hein, mãe? Não vai mudar de time só porque foi a um jogo!

    Pois aí fiz outra descoberta. Torcer está na alma do país ou em algum elemento da água que a gente bebe, porque, apesar de tudo, meu coração bate pelo Flamengo. Eu estava ali como brasileira, torcendo para que o Brasil levasse a melhor; mas se o Flamengo estivesse em campo, teria que pedir um Rivotril emprestado ao Pedro Bial, que mal se continha de emoção.

    Outra noção errada que eu tinha era a de que estádio de futebol é lugar de marmanjo. Embora a maioria dos torcedores seja composta de homens, fiquei surpresa com a quantidade de mulheres e crianças que vi. A última coisa que a mãe não-torcedora imagina é que o Maracanã seja um programa família; mas é.

    Havia crianças de todas as idades, de bebês de colo a adolescentes. Havia famílias inteiras. Havia namorados. Havia grupos de meninos e meninas. E, na saída, ainda que morrendo de pena das crianças que choravam, desconsoladas, achei que, afinal, não deixa de ser uma experiência construtiva ir a uma festa praticamente garantida e viver tal virada da sorte. Uma família que atravessa isso junta vive um importante momento de crescimento, sem precisar passar por uma tragédia (em que pese a opinião contrária de torcedores fanáticos). Estarei virando fã de futebol?

    Não. Continuo sem entender o que acontece em campo, e o que me salvou foi o celular, onde acompanhei a transmissão digital da Globo. Assim como escola de samba, se é para ver, televisão funciona bem melhor, mostra detalhes e tem comentadores que explicam tudo. Para sentir a energia e ficar arrepiada da cabeça aos pés, porém, nada se compara a estar lá. Já vi muita festa bonita na vida, mas quase nada se compara àquele Maracanã lotado, com fogos de artifício e uma torcida em polvorosa. Só senti falta de outra torcida igualmente vibrante e, sobretudo, de um resultado mais justo. Por mais que me expliquem, não aceito que um time que ganhou de 3 a 1 deixe o estádio derrotado.

    Cora Rónai é cronista do Segundo Caderno e da Revista Digital e, apesar de ter coberto a Copa de 2006 na Alemanha, não entende nada de futebol. Jura que não é pé frio.


    (O Globo, Esporte, 4.7.2008)






    Na redacao









    House, um santo remédio

    Fiquei viciada em House há dois meses quando, por acaso – e pela primeira vez -- assisti a um episódio. No dia seguinte comprei as três temporadas já disponíveis, assisti obsessivamente a episódio após episódio e, quando não havia mais nenhum, baixei a quarta temporada completa pela internet. Agora, que acabaram todos os episódios existentes, estou me sentindo aérea, desligada, com a sensação de que algo fundamental à minha existência está faltando ou, pior, me está sendo cruelmente sonegado. Em suma: estou em plena síndrome de abstinência.

    Só penso em House, só falo sobre House. Li “A ciência médica de House”, estou indignada com a greve dos correios que vai atrasar a chegada de “House Unauthorized: Vasculitis, Clinic Duty, and Bad Bedside Manner”, que mandei vir pela Amazon, e percorro a internet como uma junkie, atrás de blogs e sites sobre a série. Minha irmã Laura e a Ju, minha sobrinha, estão passadas comigo. As duas assistem a todos os seriados, sabem de cor a ordem completa dos episódios das séries mais obscuras e dizem que não só me falaram de House assim que começou, como insistiram muito para que eu assistisse:

    -- Você é mesmo uma pateta! – exclamou a Laura. – Já podia ter descoberto o House há anos!

    Podia mesmo, se tivesse TV a cabo e, sobretudo, se me lembrasse de ligar a televisão de vez em quando como tal, e não apenas como player de DVDs. Não sendo este o caso, a recomendação das especialistas da casa entrou por um ouvido e saiu pelo outro.Tive uma segunda chance quando fui atropelada e o meu joelho foi para o espaço. Enquanto manquitolava de cá pra lá, tomando remédios contra a dor e usando a muleta para acender e apagar a luz, a Bia vivia me chamando de House. Isso para não falar no Dapieve que, sempre mais antenado do que eu, escreveu várias crônicas sobre o seriado. O problema é que recomendar programa de televisão para quem não assiste televisão é mais ou menos como recomendar churrascaria para vegetariano.

    * * *

    Antes que alguém ache que estou fazendo o número da intelectual metida a besta que diz que não vê televisão mas assiste novela escondido, esclareço alguns pontos, o primeiro deles sendo que esse número nem existe mais. Chique, hoje, é gostar de tudo que seja pop, e nada é mais pop do que televisão. Numa encarnação passada, inclusive, cheguei a fazer crítica de televisão. Meu problema é uma simples questão matemática: as horas do dia não são divisíveis por tudo o que quero fazer. Além disso, detesto me viciar em programas com horário certo para começar, ou seja, qualquer coisa que passa na TV. Livros e DVDs, por outro lado, estão sempre à minha disposição, no horário que eu bem entender. Muito mais prático, não?

    * * *

    House não foi o primeiro seriado que assisti em DVD. Vi duas temporadas de Sopranos e gostei, mas não o suficiente para correr atrás das outras. E fiquei fascinada com Deadwood, western sem mocinhos em que, apesar de tudo, a gente não consegue deixar de torcer por certos bandidos. Para mim, essa série, que teve três temporadas e que, aparentemente, não fez grande sucesso, é superior a House como dramaturgia. Ali foi criado todo um mundo, uma linguagem por vezes incompreensível mas sempre interessante, e um universo singularmente multifacetado. Ian MacShane, na pele do quase abominável mas não totalmente detestável Al Swearengen, será sempre um dos meus personagens inesquecíveis.

    House, porém, tem carisma, e um mix imbatível de qualidades, a começar pelo protagonista. Hugh Laurie, comediante extraordinário e ser humano notoriamente depressivo, tem uma densidade atômica que não se compra na farmácia. House é politicamente incorreto, egoísta, infantil e irritante, mas ao mesmo tempo sexy e genial. Vale dizer, irresistível. Seus colegas de trabalho também são personagens bem construídos, representados por ótimos atores. E, de modo geral, a margem de acerto dos roteiristas é impressionante. Mesmo na quarta temporada, atrapalhada pela greve e por mudanças na fórmula emocionalmente mais enxuta das temporadas anteriores, há grandes momentos, ótimas falas e excelentes idéias.

    * * *

    Ver a medicina reinventada pela televisão é um capítulo à parte. Em House, todos os doentes, tenham o que tiverem, de unha encravada a Síndrome de Behçet, sempre sofrerão convulsões ou paradas cardíacas, e farão ressonâncias magnéticas e punções lombares; a supra mencionada Behçet, aliás, é a primeira síndrome que vem à cabeça dos médicos, seguida de Guillian-Barré; entubar ou desentubar alguém é um procedimento simples e indolor, já que, uma vez desentubado, o paciente nem chega a tossir; enfermeiras e paramédicos em geral só servem para trocar a roupa de cama e limpar o vômito dos pacientes, já que a meia dúzia de médicos da equipe faz todo o resto, de exames de sangue e de DNA a neurocirurgias – muitas vezes, sem sequer trocar de roupa.

    Claro que isso é frescura de quem, como eu, gosta de procurar cabelo em ovo. Ninguém espera medicina realista em ficção televisiva, embora House tenha inegáveis qualidades terapêuticas: não há tédio, por pior que seja, que resista a um bom episódio.


    (O Globo, Segundo Caderno, 3.7.2008)






    Nao foi um final justo










    Intervalo









    2.7.08


    Uma torcida muito empolgada










    Assim ainda da pra entender o que passa.










    Tribuna de imprensa










    Muito dificil de fotografar!










    Um dirigente sueco de 58 e a mulher










    Nense!










    Comeca a ter gente à beca










    Tem buffet e tudo










    Esta é a tribuna de honra










    Estou gostando da coisa










    Este é o Moacir, da Copa de 58










    Rumo ao meu primeiro jogo no Rio










    Let the sunshine in









    1.7.08


    Tati

    Minha véinha não resistiu e morreu hoje à tarde, depois de quase 18 anos de convivência muito felz. Estou triste demais; pela primeira vez desde o acidente até tomei coragem para pegar a bicicleta e espairecer. Era isso ou ficar chorando desconsolada.

    Desculpem o mau jeito, mas não estou conseguindo falar sobre isso agora.

    Depois eu conto umas histórias dela.






    Quem pedala seus males espanta










    Tutu