30.6.08


O fotógrafo Laizer Fishenfeld tem 78 anos, adora pássaros e mandou uma foto e uma dica ótimas para o jornal:
"Esta foto bem que poderia se chamar Malvadeza: o celular com o canto da fêmea do pica-pau gravado deixou o macho alucinado, enquanto eu o enquadrava na câmera...

Por falar em pássaros, acaba de ser criado em Morretes, Paraná, um site com transmissão ao vivo do movimento de pássaros da Mata Atlântica, através de uma webcam posisionada em local estratégico, com frutas que os atraem às centenas 24 horas por dia. A webcam fica AQUI". (Laizer Fishenfeld)




Darth Vader 2.0

O lado negro da força


Bill Gates, um dos três homens mais ricos do mundo, está, hoje, acima do bem e do mal. Os produtos da Microsoft rodam em praticamente todas as máquinas do planeta, a Fundação Bill e Melinda Gates gasta bilhões em caridade e distribui toneladas de vacinas nos países africanos e pronto, vamos em frente porque a fila anda, o tempo não pára e a memória é curta.

Quando alguém com a memória um pouquinho menos curta puxa um fio da meada do passado, todos em volta reviram os olhos: "Meu Deus, lá vem você com esse papo novamente... Ninguém merece!", mais ou menos como a gente fazia quando era jovem e os anciãos da tribo se punham a discorrer sobre os podres de Rui Barbosa.

A memória menos curta, ultimamente, anda sendo a minha — o que diz muito sobre a capacidade de esquecimento das pessoas, em particular, e do mundo, em geral. É que eu sou do tempo em que Bill Gates pegava a ponte aérea para a Comdex em Las Vegas na classe econômica, e se cobria da cabeça aos pés para dormir. Viajei algumas vezes no mesmo vôo, e o casulo embrulhado na manta da companhia aérea não chegava a alvoroçar ninguém: era só o dono da Microsoft. No máximo um ou outro nerd a bordo se perguntava por que diabos ele não ia na executiva.

* * *

Bill Gates construiu um império. Convém não esquecer que é impossível construir um império sem quebrar uns ovos. Para chegar ao topo da lista da Forbes, Gates não poupou pessoas nem empresas, e deixou, atrás de si, um inacreditável rastro de destruição. No começo, pode fazer isso porque entrou no jogo quando as regras ainda não estavam bem definidas; depois, porque já tinha tanto dinheiro, que as regras não se aplicavam mais a ele.

A única coisa verdadeiramente original que a Microsoft jamais desenvolveu foi a sua tática de guerra, a alma de rolo compressor que esmagou, ao longo dos anos, incontáveis empreendimentos menores e mais criativos, muito promissores em seus nichos de atuação. O resto foi comprado, copiado e, em alguns casos, é verdade, até melhorado.

* * *

Não há dúvida de que é muito prático encontrar a mesma interface em qualquer computador que se use, do Brasil à Hungria, da Grécia às Filipinas. Já me garanti até em cybercafés russos graças à interface do Windows, e à posição familiar dos comandos.

É impossível imaginar o que seria o mundo de hoje sem a Microsoft. Isso não é um elogio, apenas uma constatação — no fundo, melancólica. Eu, pessoalmente, gostava mais dos velhos tempos, em que o ecossistema digital era rico e diversificado, com enorme variedade de visões de como usar a tecnologia. Felizmente, a Microsoft perdeu o bonde da internet num momento crucial e, com ele, a chance de dominá-la. Saímos ganhando.


(O Globo, Revista Digital, 30.6.2008)





29.6.08


Emergência jurídica: há algum advogado na casa?

Escreve a minha amiga Luciana Misura, lá dos Estados Unidos:
"O Link, nosso cocker spaniel que ia fazer oito anos, faleceu no último dia 5. Ele estava num hotel aí no Rio, que hospeda cães e gatos. Meus pais estavam aqui conosco tomando conta da minha filha, e o Link ficou lá por vários meses. Eles sempre se comunicavam por email dizendo que o cachorro estava bem. No dia em que meus pais foram lá buscá-lo, chegaram e foram informados que ele foi levado em condição gravíssima para o veterinário uma hora antes. Chegaram na clínica e o Link estava já nas últimas, morreu logo depois. Obviamente ficamos todos arrasados.

Meu pai levou o corpo para o nosso veterinário de confiança, o Dr. André, em Niterói, que acompanhou o Link desde bebê. Dr. André ficou indignado – como pode um cachorro super saudável, que nunca teve nada, morrer assim de uma hora para outra? O Hotel diz que ele estava muito bem até dois dias antes da morte. Eles não se comunicaram com o Dr. André quando viram que o Link estava doente e não se comunicaram com os meus pais também. Decidimos, por orientação do Dr. André, fazer uma autopsia. Meus pais souberam o resultado hoje e estamos arrasados.

Link morreu de pancreatite, e pelo laudo ele teria que ter ficado doente no mínimo dez dias antes para chegar na condição que chegou. Varios órgãos estavam em condições ruins, porque a infecção tinha se espalhado (pulmão e figado já deteriorados). Dr. André também disse que a pancreatite faz o cachorro ter diarréia e vômitos. Ele também notou que marcas (acho que na pele, não tenho o laudo comigo) indicavam que ele estaria passando muito tempo deitado. Enfim, a autópsia provou o que nós imaginávamos: que ele ficou doente e o Hotel não prestou atendimento veterinário, o que resultou na morte do nosso querido cãozinho.

Eu e meu irmão gostaríamos de tomar algum tipo de atitude legal contra eles, botar a boca no trombone, mas não sabemos se existe alguma lei que nos ampare. Por sua vez, o dono do Hotel já disse várias vezes que ainda esta aguardando o pagamento do último mes que o Link ficou lá (R$ 1.500) e estamos preocupados que ele entre na justica para receber o dinheiro. Logicamente não achamos justo pagar nem mais um centavo a eles, na nossa opinião o mínimo seria eles devolverem o dinheiro que foi pago e arcarem com o custo da autópsia.

Você por acaso conhece alguém que possa nos orientar? Sei que infelizmente a lei de proteção animal no Brasil é precária, mas tenho esperança que exista alguma coisa que possamos fazer."






As maracaias










Domingo é para isso. E segunda, e terca, e...










Minha véinha esta doente, tadinha









28.6.08


Muito exibido!










Irineu e Tati










A estréia da Nikon

 

 

 
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27.6.08


Gravando para o Jornal da Globo










Prosa e Verso










Perto do jornal










O cobertor é o sucesso da temporada...









26.6.08


Pecado!




Variante heterodoxa de uma das coisas que mais gosto, o Panforte de Siena. Heteredoxa porque tem chocolate, e o Panforte é uma receita medieval, ainda da época em que o chocolate não havia chegado à Europa.

A receita "ortodoxa" leva mel, frutas secas, amêndoas e especiarias diversas. O Panforte é pesado, hipercalórico, indigesto e... delicioso!

Esse mísero pacotinho de 100 gramas me custou R$ 33,50 na Lidador. A moça do caixa perguntou se valia o que custava. No meu caso vale, porque basta o cheiro para me lembrar Siena. Livre de conotações sentimentais, porém, provavelmente não; mas eu não sei o que é um Panforte sem conotações sentimentais.

De qualquer forma, respondi à moça exatamente isso, que para mim valia pelas lembranças, mas que a edição especial gigante do Toblerone com uma rosa em pop-up era uma relação custo-benefício muito melhor.

(Ah, sim: a receita original, sem chocolate, continua sendo melhor.)






Jantar com televisao










Ela é LINDA!










Lucas e o novo membro da familia










Adoro o Centro










Irresistivel!








Enquanto isso, em Londres...







A turma da Microsoft, ontem e hoje




Da BBC News

E aí eu me lembrei deste poema, de que me lembro sempre que vejo fotos antigas:

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
'O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.

'In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

'In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.


Do Auden, claro; o poema completo pode ser lido aqui.






Depois da chuva










Vaquinhas










Ajudando no trabalho

 
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A voz da Varig


“Sou um dos “400 pilotos” que, na verdade, acredito já devam agora passar de 500 ou 600, exilados pela destruição do patrimônio Varig. Gostaria de agradecer suas palavras derramadas com tanto jeito e lucidez sobre a Varig, mais uma jóia brasileira sendo reduzida a lixo pelos responsáveis pelo Brasil, sociedade e governo! Aqui de longe, depois de 26,5 anos cortando os céus com a nossa estrela, gostaria ao menos de sentir que nosso infortúnio tivesse servido para melhorar as coisas no Brasil... Mas, para meu desespero e mágoa, não é o que vejo. O setor aeroviário brasileiro está ainda muito pior do que você imagina. A mediocridade na qual chafurdamos não só destruiu a Transbrasil, a Vasp e em seguida a Varig, como transformou toda a estrutura reguladora do setor num gigantesco “Detran”! Um mostrengo “pulitico” que não só entregou o mercado para as empresas estrangeiras, mas que vem matando impunemente os próprios usuários, ao permitir a operação do sistema em condições de precariedade africana.” (Comandante Peter, Etihad Airways, Emirados Árabes)

“Trabalhei 28 anos como comissária de vôo, 14 deles na Primeira Classe. Lembro que todos os exilados, mundo afora, procuravam a Varig para matar as saudades do Brasil através de jornais, revistas ou um simples bate-papo com os funcionários. Eles, naturalmente, não freqüentavam as nossas embaixadas, pelo medo de serem localizados. Muitos de nós, comissários e comissárias, arriscamos mais do que nossos empregos levando e trazendo cartas, pacotes e fotografias entre eles e suas famílias. Aí eu pergunto: cadê esses exilados que viveram lá fora, voltaram e agora estão riquíssimos, seja como políticos, seja como anistiados? Nenhum nos deu qualquer apoio, não se ouviu de nenhum deles uma palavra sequer em defesa da Varig ou dos seus funcionários. Vivo da ajuda de amigos e parentes, tendo pago uma seguridade cara por muitos e muitos anos. Não quero nada de ninguém, só quero o que é meu de direito, não é justo desgraçarem assim as nossas vidas!” (Nilza Maria)

“Minha vida e a de meu irmão foram construídas pelas asas da Varig. Meu pai, atualmente com 78 anos, foi comandante da Varig; minha mãe, hoje com 64 anos, também trabalhou lá. Ambos do Aerus. Ver quem nos deu a vida, a formação, a ética e o carinho de uma vida inteira passar necessidades, sobretudo quando mais precisam, é muito difícil e doloroso.” (Rogério)


“Não vou falar pelo meu marido, ontem co-piloto do Boeing 777 da Varig, hoje comandante do Boeing 757 da Varig-log. Não posso falar pelo meu marido, pois só ele sabe o que é perder uma das coisas das quais mais se orgulhava. (....) O que vai acontecer se não conseguirem um sócio brasileiro para tornar legitima a compra da Varig-log? Meu marido ficará novamente desempregado? Terei que me mudar com meus filhos? Tirá-los da escola? Deixar o meu país?” (Andrea)

“Meu genro Clark era piloto da Varig. Hoje ele e muitos outros pilotos da Varig trabalham para a Emirates em Dubai, têm uma vida com muito conforto e qualidade, e creio que nunca foram tão bem pagos. Estive lá duas vezes e encontrei pilotos estudiosos e responsáveis, da melhor qualidade, mas "viúvos" da "nossa empresa", que é como se referem à Varig. Se tivessem tido apenas um sinal no fim do túnel, com certeza estariam aqui apoiando a Varig, mesmo que com sacrifícios.” (Eliane)

“Tenho 70 anos, 35 dos quais trabalhando na Varig. Comecei como engenheiro em 1965 e me aposentei em maio de 2000. Tive e tenho um imenso orgulho de ter contribuído com uma pequena parcela para a grandeza daquela que foi a maior e melhor empresa aérea da America Latina. Nos últimos anos, vi com muita tristeza um verdadeiro massacre da mídia em cima da Varig, esquecendo tudo o que ela havia realizado ao longo de quase oito décadas.” (Ivan)

“O governo parece que não se deu conta de como é duro para esses funcionários que trabalharam honestamente e com um amor incomensurável pela sua Varig verem seus direitos usurpados. Quem vai pagar essa conta? Aposentados com 40 anos de Varig, que contavam com a tão sonhada velhice digna e tranqüila... Trabalharam bravamente para isso, contribuíram mensalmente para essa aposentadoria e, ainda, com aquela competência citada por você. Que orgulho mesmo ver nossos aviões por todos os cantos do país e do mundo! E que profissionais! Estou viúva há 11 meses de um engenheiro de vôo. Ele amava o que fazia, cada vôo era como se fosse o primeiro... Faleceu prematuramente aos 63 anos, triste, deprimido e revoltado. Agora estou eu, que fui casada por 20 anos, sentindo ainda mais essa maldade na pele, além da dor doída da perda do marido e companheiro.” (Lucia)

“Voávamos pelo mundo com segurança e orgulho,lembra? Qual empresa faz hoje Zurique, Amsterdam, Copenhaguem, Roma, Milão, Lisboa, OPorto, Frankfurt, Munique, Madrid, Barcelona, Paris,Toquio, Los Angeles, México,Toronto, Montreal, Chigago, Nova Iorque, Miami, Atlanta, Londres, Santiago? As estrangeiras fazem... morrendo de rir da nossa burrice. Ví (e vejo) meus colegas enfartarem e ficarem deprimidos por tudo o que aconteceu conosco. Muito triste! Ah, Cora, queria que isto não tivesse passado de um pesadelo. Queria minha aposentadoria de volta. Queria que o filho comandante de nosso antropólogo Roberto DaMatta não tivesse sucumbido a toda essa dor... como tantos outros mais.” (Comandante Alcides)


(O Globo, Segundo Caderno, 26.6.2008)





25.6.08


Author, author!










Olha a Mami ali!










Esta bombando!










Mosaico










Ai, que dia feio!











Todo mundo lá!

Gente, é hoje o lançamento do livro da Laura, "Em busca de um mundo perdido" (Topbooks, 314 páginas, R$ 43) na Livraria da Travessa de Ipanema, às 19h30.

O blurb oficial diz o seguinte:
O que mudou na maneira como se ensinava - e se pensava - a música entre o período barroco e o século XIX? Esta é a pergunta que o livro "Em busca de um mundo perdido", de Laura Rónai, procura responder, ao analisar comparativamente os métodos de flauta dos séculos XVII e XIX, acompanhado as mudanças na metodologia instrumental que desembocaram na moderna Escola de Flauta universalmente adotada em nossos dias.

Dito assim, parece coisa para meia dúzia de malucos interessados na evolução do ensino da flauta. Mas não é bem isso; ou, por outra, é isso, mas isso muito bem contado. Até eu, anta no assunto, adorei a leitura -- cheia de figurinhas, por sinal!

Vejam o que diz o Luiz Paulo Horta, que assina a orelha do livro:
[O livro] é muito mais do que isso: aborda as técnicas de interpretação, as escolas de ensino da flauta; e falando desses detalhes, ela [a Laura] nunca deixa de recriar cada época, cada um dos grandes músicos que fizeram da flauta um instrumento de eleição. O leitor comum sairá desse livro tendo feito uma proveitosa viagem pela história da música e dos estilos musicais. O especialista receberá informações preciosas para sua utilidade prática e seu deleite intelectual. Toda uma lição de história da arte.

E aqui está o que diz a Matilda:
A moça escreve bem, conhece o assunto, toca divinamente, precisamos dar valor ao que tem valor, precisamos conhecer nossos valores, depois vocês ficam aqui nos comentários chorando que os pagodeiros dominam o Brasil, que a cultura está se acabando e etc e etc, enfim, eu recomendo!

E tendo dito, repito: vão e comprem!

Detalhe chique: a Oxford University Press já manifestou interesse no livro. É o que eu sempre digo, a Laura é a verdadeira escritora desta geração da família...






Dona Ruth

Encontrei Dona Ruth Cardoso uma meia dúzia de vezes, se tanto, em geral na casa de amigos comuns. Tinhamos assunto, o que é mais do que posso dizer de 99% das mulheres de políticos que conheci -- mas é claro que ela não era apenas mulher de político, era uma personalidade em si mesma.

Tinha cultura, educação, idéias e uma preocupação que sempre me pareceu muito sincera pelo "social" -- essa área que a maior parte dos políticos (se não a sua totalidade) trata com a mais deslavada demagogia.

Gostava dela como pessoa, e tinha admiração pela forma firme e discreta com que se conduzia na vida pública. Ficava orgulhosa de ser brasileira quando a via em funções oficiais no exterior: não havia muitas primeiras damas que tivessem o seu cacife intelectual e a sua distinção.

Na verdade, sempre gostei muito mais dela do que do marido. Meu sonho de consumo era vê-la candidata à presidência. Infelizmente, ela era inteligente demais para cair nessa.





24.6.08


Berlin Alexanderplatz: chegou hoje!










Congresso Estadual de RH










Alessandro Molon










Dra. Rosa Célia










Mais uma palestra









23.6.08


Ao meu lado










As pantufas com que a Matilda foi pro hospital...






Até eles estao com frio...










Pombos!













A qualidade da câmera (com dois megapixels e flash) é a grande surpresa do aparelho: ótima reprodução de cor e macros espetaculares. Em ambientes com pouca luz, porém, os resultados não são tão bons.


Samsung V820L

TV de bolso com
celular e tudo!

Esqueçam o novo iPhone. Até o brinquedinho da Apple invadir as lojas dos EUA mês que vem, e aterrissar aqui na bagagem dos descolados, o celular da vez é o Samsung V820, que já conseguiu abocanhar seletas fatias do horário nobre, como estrela de dez entre dez matérias sobre transmissão de TV digital. E, o que é melhor: ele merece.

Estou convivendo com um há duas semanas. Assim que nos encontramos, achei que estava diante de uma curiosidade, um aparelho com um único feature interessante, que logo teria esgotado a minha curiosidade. Pois aconteceu justamente o contrário: quanto mais o conheço, mais gosto dele.

Primeiro motivo: a recepção de TV funciona espetacularmente, a ponto de permitir a leitura de legendas sem esforço. Por enquanto, apenas a Globo e a Rede TV fazem transmissão digital no Rio, mas dêem-me o Jornal Nacional portátil e verão uma criatura feliz.

Segundo motivo: o V820L é um ótimo celular, ergonômicamente bem resolvido, fácil de usar, com uma bateria parruda e um monte de recursos, de Bluetooth a utilitários como calculadora, conversor, horário mundial, cronômetro, agenda, bloco de notas e assim por diante.

Terceiro motivo: um design eficiente e sofisticado. O aparelho é um pequeno retângulo preto de aço escovado, elegante, com uma tela externa que, ainda que não tenha sido projetada para isso, pode funcionar como um espelho — coisa de grande valia, como bem sabe qualquer usuária.

O quarto motivo foi a maior surpresa: uma excelente câmera autofocus de dois megapixels, fraca em más condições de luz, mas, em compensação, capaz de fazer macros espantosas. Eu nunca teria pensado que um celular/TV pudesse tirar boas fotos, mas esse tira.

Do que não gostei? De pouca coisa: da falta de wi-fi, da anteninha da TV, que me parece muito frágil, do browser e da localização da lente da câmera, que com a tela na vertical, fica exatamente debaixo do dedo de quem segura o aparelho. Com a tela na horizontal, tudo bem. Em relação ao browser, baixei o Opera Mini; problema resolvido.

O V820L é lançamento da Vivo, que o vende a preços que vão de R$ 450 a R$ 1.400 (mesmo custo do aparelho desbloqueado). Detalhe importante: assistir televisão não custa absolutamente nada,já que as transmissões não passam pela operadora.


(O Globo, Revista Digital, 23.6.2008)




Livraria virtual

Uma descoberta sensacional do Tom, que a Jussara descreveu, mui apropriadamente, com "um Google Earth da amazon.com".

Aviso: é um perigo! perigosíssimo!!!






Vicio, vicio, vicio...









22.6.08


Olha pro céu meu amor...










Lucas










Despedida oficial do Tigrão

É HOJE!


O Tigrão é um gato que rala: quem passa pelo número 183 da Visconde de Pirajá, onde, há anos, funciona uma petshop, conhece-o pelo menos de vista, já que é muito trabalhador e cumpridor de horários. Muita gente também o conhece de carinho, porque é mansinho e amistoso.

Pois a petshop vai fechar no dia 30, e o Tigrão despede-se oficialmente dos fãs na próxima segunda-feira, dia 23. Como não gosta muito de dar autógrafos, ele aceita tirar fotos com quem queira ficar com uma lembrança sua.

Ele vai morar em Recife com a sua dona, Vera Martins.





21.6.08


Este brinquedinho é o maximo!










Lar doce lar









20.6.08


Happy Hour










A palestra de ontem, na Oi Futuro: momento em que apresentei à platéia as minhas ferramentas de trabalho, o Nokia N95 e o SE K790.






Boa vida toda vida










Oi Futuro










A Bia está em Sergipe










Esperando a dose diária de House










Foto Bia









19.6.08


Foto Bia






A Bia está em Sergipe e me mandou uns MMS; subi pra cá, mas metade não entrou. Não quero subir de novo para não ficar aquele festival de fotos repetidas. Por enquanto, vou deixar como está para ver como fica.





Como mataram a Varig


Relato de especialista revela
a causa mortis: Brasil



Na semana passada, recebi dezenas de emails de funcionários, ex-funcionários, familiares de funcionários e até simples passageiros da Varig, que, como eu, não se conformam com o que aconteceu à empresa. Respondi a quantos pude, continuo em falta com tantos outros, mas saibam que agradeço, de coração, a todos que me escreveram. Hoje publico um desses emails, que recebi de fonte confiável, e que me pareceu particularmente importante. Ele é o resumo de alguns fatos que muitos de nós já conhecíamos, mas que, apresentados em conjunto, ganham uma dimensão deveras sinistra. Ninguém precisa ser um Hercule Poirot para descobrir que, independentemente de outros fatores, o que acabou com a Varig foi o simples fato de ser brasileira. Ou, como se diz em economês, o tal “custo Brasil”. Leiam:

“Podemos começar a enumerar as nossas desgraças a partir da reserva de mercado de informática, que proibia às empresas brasileiras a importação de hardware e software, mas permitiu às estrangeiras a instalação de equipamentos e programas de última geração, desenvolvidos a custos milionários em suas nações. Isso obrigou a Varig a criar uma fábrica de computadores, já que não havia fornecedores nacionais, dando origem ao que chamamos de Tevar  (Terminal Varig) e, paralelamente, a desenvolver o programa Iris para reservas, com estrutura muito inferior à dos estrangeiros, pela falta de investimentos e de experiência no ramo.

Outro fator que ninguém parece conhecer (ou querer abordar) foi a abertura dos nossos céus para as empresas americanas, durante o Governo Collor, com concessões até hoje não preenchidas no acordo bilateral. Isso permitiu que empresas gigantescas competissem com a Varig com uma série de vantagens: não pagavam Pis/Cofins de 6,7% sobre o combustível (que representa 30% dos custos de uma companhia de aviação); o capital de giro custava, para as estrangeiras, 8% a.a., ao passo que, para a Varig, saia a mais de 100% a.a.; os bilhetes eram taxados em 7,5% nos EUA, em 14% na Europa e, aqui, em 34,7%; os componentes para a manutenção precisavam ser importados com até seis meses de antecedência, tamanha a burocracia, enquanto as estrangeiras compravam no seu próprio mercado, on demand, já que a maioria dos fabricantes ficava em seus países, ou seja, gastavam apenas quando precisavam, livres da incidência de impostos com que arcávamos.

E ainda havia quem acusasse as empresas nacionais de falta de competitividade!

Pouca gente se lembra, também, da criação do EMB 145 Jet Class, jato de pequeno porte (50 assentos), fabricado pela Embraer. Como a Embraer não tinha experiência com o delineamento destes aviões, pediu à Varig que, através da participação de seus engenheiros, técnicos, pilotos e outros funcionários ajudasse no detalhamento da aeronave, o que foi feito. Finalmente, para que o produto pudesse ser lançado, era necessário um “launching customer”. Para incentivar isso, o antigo DAC editou uma portaria que limitava o mercado do Santos Dumont para vôos VDC (vôos diretos aos centros: Brasília, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, com exceção de Congonhas), apenas para aviões de 50 assentos.

A Varig, através de sua subsidiária Rio-Sul, lastreada nesta portaria, encomendou os primeiros 16 aviões, participando do início do sucesso desta aeronave pelo mundo. Cada avião custava em média U$ 140 mil por mês, e o contrato tinha vigência de seis anos. Acontece que, por pressão da Tam e da recém-criada Gol, a portaria foi cancelada depois de dois anos, permitindo o acesso de B-737-300 e Airbus ao Santos Dumont, para VDC. Ambos têm mais de 130 assentos, e custavam em torno de U$ 100 mil por mês. À Rio Sul não foi permitido o cancelamento do contrato, honrado até o final.

Parece maldade demais com uma única companhia, e é mesmo -– mas tem mais. Entre as misérias que afligiram a Varig, concessionária de serviços públicos com obrigações de empresa estatal, mas funcionando em regime privado, estava o ICMS indevido cobrado pelos estados sobre os bilhetes, já transitado em julgado em vários estados. Até agora, o Rio de Janeiro foi o único a pagar o que devia, num montante superior a R$ 1 bilhão.

E o Aerus? Muita gente pensa que este instituto de pensão privada é da Varig, mas ele foi criado pelo governo sobre três pilares: as patrocinadoras (empresas), os participantes (empregados) e uma taxa de 3%, cobrada sobre as tarifas nacionais, com vigência de 30 anos, para dar sustentabilidade ao plano. Após cerca de dez anos, o terceiro pilar (a taxa) foi extinto pelo governo, o que motivou a saída da Tam do plano. Como a Varig já tinha aproximadamente quatro mil aposentados assistidos, continuou a fazer parte do instituto, com todas as dificuldades conhecidas. Este assunto, aliás, é objeto de ação contra a União. Caso sejam vencedoras as companhias aéreas, estarão resolvidos quase todos os problemas do Aerus.

Há outras frentes de luta judicial. A mais notória é a da defasagem tarifária, que se resume ao seguinte: durante o governo Sarney, as tarifas foram congeladas, sem o correspondente congelamento dos insumos, o que causou enormes prejuízos às empresas brasileiras. A Transbrasil, com causa semelhante, embora com valores menores, já ganhou (e recebeu) mais de R$ 700 milhões. O montante da causa da Varig, se recebido, a tornaria a empresa mais saudável da América Latina.

O mais cruel é perceber que ninguém se importa com o que se gastou na formação dos mais de quatrocentos pilotos que fornecemos, graciosamente, para as empresas estrangeiras, que agora os aproveitam sem ter tido o trabalho de formá-los. Sabe quanto custa a formação de um piloto deste nível? Cerca de meio milhão de dólares. Ninguém se importa com as divisas que deixamos de receber, da ordem de um bilhão e duzentos milhões de dólares anuais, assim como ninguém se importa com os milhares de aposentados e funcionários que ficaram em dificuldades. Isso sem falar no caos aéreo que se instalou no país, para o qual hoje procuram bodes expiatórios, mas cuja causa real foi a crise da Varig.”
 
 
(O Globo, Segundo Caderno, 19.6.2008) 
 






Chega de House!









18.6.08

Cyd Charisse



(com Gene Kelly, em Singin' in the Rain)


(com Fred Astaire, em The Band Wagon)






A veinha dos bigodes brancos










E aqui, ninguém da' um pio...










Sessão Nostalgia

 

Em algum lugar na Europa (provavelmente Portugal) em 1988.
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Lucas

 

Numa foto antiga e engraçada.
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16.6.08


JN no celular










Um resumo sobre TV Digital

Fala, Tom!
"As TVs abertas começam este ano, em algumas capitais, a transmitir o sinal em Digital via antena UHF. A Globo começa oficialmente hoje, com a novela das nove. Alguns celulares, como o Samsung testado pela Cora, já podem receber a TV Digital (não se paga nada para isso; o sinal não passa pela operadora).

Apenas estamos mudando a transmissão (e recepção) do sinal de TV, de analógico para digital. A transmissão digital é mais 'limpa' que a analógica, não sofre interferências, chuviscos, ou fantasmas. Depois da TV, virá o Rádio Digital: idem na transmissão e recepção. Com a vantagem do visor do aparelho exibir as informações da música que está sendo ouvida (como já ocorre nos PMP - Portable Media Player [iPod, Archos, Zen, MP3 players] -- e toca-discos MP3 de automóvel)

Além da melhora de qualidade na imagem, o sistema de transmissão digital foi desenvolvido para proporcionar recursos como legendas (closed captioning), informações sobre o programa em curso, grade de programação (como já fazem a Sky e a Net Digital), informações adicionais sobre produtos exibidos em publicidades e novelas (roupas e acessórios usados pelos personagens, por exemplo) e outras coisas mais. Futuramente, teremos interatividade, ou seja, a participação do público em votações tipo 'Big Brother', diretamente do controle remoto da TV.

Para receber o sinal digital em casa será preciso instalar uma antena UHF e comprar o Sintonizador Digital TopSet (uma caixinha a mais, sobre a TV). As futuras TVs já trarão de fábrica este sintonizador digital embutido (li que algumas já têm; não confirmei).

Mas prestem atenção: o anúncio de que um aparelho é 'Digital Ready' apenas quer dizer que aquela TV está pronta para receber o sinal digital de um sintonizador externo, e não que pode fazê-lo sozinha.

Lembrando também que TV Digital não é sinônimo de HDTV (1080p). Somente os programas produzidos em alta-definição serão HD. Filmes, com qualidade de DVD (480p), ainda que transmitidos digitalmente, terão qualidade de... DVD.

É igual a ouvir um CD do Jacob do Bandolin: ainda que a midia seja digital (o CD), a gravação orginal era analógica.

A Sky e a NetDigital já são digitais, mas não são HD (High Definition). Quando passarem a transmitir canais HD, o decodificador terá que ser trocado por um de alta definição."






(Irineu está no meu colo)









Os finalistas: Nokia 2660 e Samsung C-260: design razoável, telas de boa resolução, números grandes, teclas visíveis a olho nu. Características indispensáveis ao celular de quem quer apenas... um telefone!




Quando menos é mais

A terceira idade que não quer 3G


Você quer comprar um celular com câmera, rádio FM, agenda, email, calendário, conversor de medidas, Bluetooth e player de música, que tenha um ou dois games divertidos para as horas vagas? Sem problema: praticamente não se fazem mais celulares sem essas funções. No high-end, ou seja, naquela ponta estratosférica em que um celular custa às vezes mais do que um computador, a dificuldade está apenas em escolher o que você quer (ou precisa) que ele faça melhor.

Fotografia com 5 Megapixels, lente auto-focus, flash, zoom e bom software? Só aqui na mesa, entre os meus e o de teste, tenho o Nokia N95 (meu favorito), o Sony-Ericsson K850 (que, aliás, não está funcionando – sim, isso acontece comigo também!) e o elegante Viewty, da LG. Música em primeiro lugar, com teclas especiais para o player e um design caprichado? Mais fácil ainda: aí estão toda a série Rokr da Motorola, o excelente Sony-Ericsson W580 (para quem não sabe, o W é de Walkman, uma espécie de iPod inventado pela Sony beeeeeem antes da Apple) e os XpressMusic da Nokia. Televisão digital? É com o Samsung 820 (funciona mesmo!). Escritório de bolso? Todos os fabricantes tem pelo menos um, isso quando não se especializam no gênero, como a HTC ou a Blackberry.

Mas... tente encontrar um celular que seja apenas um telefone! Um celular simples, com uma boa tela, números grandes, teclas legíveis e um ringtone suficientemente alto para ser ouvido se o aparelho estiver na bolsa. Que não tenha câmera digital, player ou games. E que seja, ao mesmo tempo, um objeto bonito, construído em bom material, usando a melhor tecnologia.

Missão impossível. Descobri isso por acaso. Mamãe tinha um velho Nokia CDMA com o qual se dava muito bem, mas que já estava ultrapassado; minha irmã tinha pontos na Oi que precisava resgatar antes que o programa de fidelidade saísse do ar. De modo que a Laura pediu o aparelho simplesinho que os seus pontos permitiam para substituir o velho Nokia.

Mamãe odiou o novo aparelho e, quando o vi, dei-lhe toda a razão: não só a tela é pequena como a resolução é péssima. O 1208 é pequeno, leve e até tem uns extras (calculadora, conversor, lanterna, calendário), mas o design é ruim, o look é barato no mau sentido, as teclas são difíceis de usar e o som é baixo. Cá entre nós, mal se acredita que seja mesmo um Nokia.

Fomos, portanto, procurar o aparelho dos sonhos da Mamãe – que é, aliás, o sonho de tanta gente que precisa de um celular, mas não quer nada além disso. Fiquei impressionada como esta fatia do mercado, que certamente engloba parcela significativa dos usuários de mais idade, é ignorada pelo mercado. Depois de muito procurar, ficamos entre dois modelos: o Samsung C260 e o Nokia 2660, dois flips simples e de acabamento correto. O Nokia ganhou a parada por um detalhe importante: teclas mais bem separadas. Entre as ofertas dos demais fabricantes, não encontramos um só aparelho satisfatório.

Está certo que o público alvo da indústria são os adolescentes e os jovens adultos, mas quando é que alguém vai pensar nos adultos adultos, que não têm vista nem paciência para miudezas e que, ainda assim, tem bom-gosto e dinheiro para um ótimo aparelho?

(O Globo, Revista Digital, 16.6.2008)






Vicio!










Irineu









15.6.08


O adaptador USB










TV digital no notebook!










De onde aparecem esses caras?

Recebi um email de um amigo que queria comentar no post sobre os boxeadores cubanos, mas desistiu porque está farto de patrulhas. Ri muito com o que escreveu; para dizer a verdade, eu mesma já me fiz várias vezes essa pergunta:
"Cora do céu! Como é que esses caras agüentam post de gatinho atrás de post de gatinho, foto do Rio atrás de foto do Rio, à espreita de um texto qualquer sobre política, que aparece, sei lá, de quarenta em quarenta dias, só pra nunca, jamais, em hipótese nenhuma deixar sem resposta? Meu deus, que mêda! Eu pensava que fiscal de sala de museu devia ser a profissão mais entediante do mundo, mas acho que ser fiscal do teu blog ganha!"

Aproveito para avisar que não vou facilitar o "serviço": cada vez tenho menos vontade de escrever sobre política. Detesto os personagens, a roubalheira endêmica, a falta de projetos de longo alcance, o desamor ao país.

Que os fiscais se preparem, portanto, para muitas e muitas fotos de gatinhos, de flores e do Rio de Janeiro em geral.

Pensando bem, não deixa de ser uma forma de resistência a "tudo isso que está aí"... ;-)





14.6.08


Mais Tutu










Tutu










Cut&Paste

Boxeador que desertou durante o Pan do Rio foge de Cuba e assina contrato na Alemanha

Do Globo Online
"O pugilista cubano Erislandy Lara, de 25 anos, que foi enviado pelas autoridades brasileiras de volta para Cuba depois de ter desertado de sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, ano passado, está em Hamburgo, na Alemanha, onde lutará profissionalmente, conta a correspondente Graça Magalhães-Ruether, em reportagem publicada na edição deste sábado do jornal O Globo. Ele fugiu de Cuba em março num barco, deixando sua família para trás.

-- Os meses seguintes foram perseguição pura -- contou ele.

Lara disse que ele e seu companheiro que também abandonou a vila do Pan, Guillermo Rigondeaux, perderam tudo o que tinham quando voltaram. Foram excluídos de todos os eventos esportivos e dos treinos, e proibidos de ter um emprego.

-- Em Cuba, um pugilista amador é treinado como um profissional, não aprende outra coisa na vida desde a infância além do boxe. Quando voltei, no ano passado, fui proibido de fazer a única coisa que havia aprendido -- desabafou, enquanto encomendava bife argentino e cerveja alemã em um restaurante.

Nos últimos meses, Lara vendeu a única coisa que ainda tinha, uma motocicleta, para sustentar a mulher, Marita, e os filhos, Erislandy Júnior e Roberlandy. Os três ficaram em Cuba e Lara não tem planos de trazê-los para Hamburgo. Uma emigração normal não é possível e uma fuga, como a sua, seria arriscado demais para as crianças.

Lara e outros cubanos fugiram da ilha numa pequena embarcação, que levou 12 horas para chegar ao México, no meio de tempestades. Ele desembarcou no dia 21 de março. Depois de receber um visto do consulado alemão, embarcou com passagem aérea de primeira classe para Hamburgo. Guillermo Rigondeaux continua na mesma situação, sem chance de deixar o país."

Eu ia comentar essa notícia, mas dizer o quê? Que mais uma mentira do governo Lula foi desmascarada? Que este governo não respeita sequer a instituição sagrada do asilo político? Que é uma vergonha para qualquer brasileiro de bem ver seu país fazendo trabalho sujo para uma ditadura?

Para quê?

Nada do que se diga ou se faça vai mudar o que quer que seja.

Cada país tem o governo e a moral que merece; nós não somos exceção.





13.6.08


Redley, o último desfile da temporada








A passarela foi transformada num gramado: grama de verdade, cheirosa, linda.

Foi muito bonito.






A TV do celular tem closed captions!










Sala de imprensa










Luminaria de carreteis










Espaco Fashion










TV digital aberta no celular










A mesa










Um abstrato vegeto-celular










No Bianco










Onde está Wally?

 

 

 
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12.6.08


Momento celebridade










Nivea










Lenny










Daqui a pouco começa Lenny










La fora










Borat?










Moda Hype









Sem teto para voar

Podíamos até ser de quinta,
mas a Varig era de primeira


Houve um tempo em que o Brasil era um país subdesenvolvido. Ora, como era muito triste ver tanta gente desenvolvida vivendo num país subdesenvolvido, um gênio desses que andam por aí achou a saída perfeita para o problema: inventou uma nova expressão e passamos a ser um país em desenvolvimento, coisa que em muito melhorou a auto-estima das gentes. Isso se deu mais ou menos na mesma época em que gênios de outras partes do mundo criavam o termo "terceiro mundo" – que, aliás, nunca entendi direito, não por não saber diferenciar o primeiro mundo do terceiro, mas por nunca ter descoberto quem seria, ou onde ficaria, o segundo.

Ainda assim, quando viajávamos, continuávamos sendo cidadãos de quinta, pois o país em desenvolvimento não permitia que tivéssemos cartão de crédito internacional. E, por conta da diferença estratosférica entre o dólar "oficial" e o dólar em pessoa, o verdadeiro, éramos limitados à compra de meia dúzia de dólares por viagem. Para quem ia a negócios ali na esquina, rapidinho, até funcionava; para quem saía de férias e pretendia passar o mês viajando, mal dava para a saída. De modo que, viva a marginalidade!, éramos todos obrigados a recorrer a doleiros.

Viajar carregando na carteira aquela dinheirama era arriscado e angustiante. Tinha quem escondesse tudo na meia ou na cueca (Genoíno não inventou isso, é calúnia), usasse bolsa por dentro da blusa, bolsos falsos por dentro das calças e outras tantas precauções mais ou menos inúteis. E essa atrapalhação toda ainda não era nada diante da diante da dificuldade de se alugar um carro sem cartão de crédito. Éramos obrigados a deixar as passagens nas locadoras, além de um depósito milionário, como garantia de bom caráter. O subtexto era claro e, de resto, plenamente justificável num mundo capitalista: não tem cartão de crédito, não tem qualquer outro crédito.

* * *

É claro que nem todo brasileiro passava por esses perrengues. Já então, gente de governo e políticos não se apertavam. Cartão internacional era com eles, com a vantagem de que nem ao menos pagavam a conta. A tradição, como se vê, vem de longe. Mas, assim como há o bom e o mau colesterol, havia também as boas exceções. Qualquer cidadão do maravilhoso país chamado Classe Média Alta que tivesse 50 mil dólares sobrando podia abrir uma conta lá fora e conseguir um cartão de crédito para circular feito gente pelo mundo civilizado. Era ilegal, e daí?

Eu pertencia ao time dos que tinham um bolso “secreto” costurado dentro dos jeans. Muitas vezes deixei de alugar carro para não passar pelo constrangimento de entregar à locadora a passagem e todos os meus bens terrenos. É um dos meus orgulhos de pobre; viajar como lixo nunca foi a minha idéia de um bom programa.

* * *

Andei me lembrando disso porque o crime cometido contra a Varig voltou ao noticiário. Retórica à parte, a Varig nos tirava do terceiro mundo e nos elevava, no melhor sentido, a outras alturas. Impossível não sentir orgulho ao chegar a qualquer aeroporto do mundo e, ainda lá de cima, avistar as “nossas” aeronaves lá embaixo.

E as agências? Não me lembro de ter passado por qualquer capital onde não houvesse uma bela agência da Varig, sempre bem localizada, sempre com água, cafezinho e bons atendentes em bom português, verdadeiras embaixadas informais, não raro mais acolhedoras e mais eficientes do que as oficiais.

Por trás, porém, havia o que sempre há por trás das nossas administrações. Já conhecíamos bem alguns dos pecados da Varig, da rasteira na Panair à demora em criar um programa de milhas. Hoje, sabemos que voávamos numa espécie de tapete mágico, numa quimera que, na realidade, estava afundada em dívidas.

* * *

Acontece que, a despeito disso, a Varig tinha algo muito mais precioso do que os seus aviões, prédios e outros bens materiais. Tinha uma experiência incomparável de Brasil. Sabia voar, porque tinha um time de profissionais extraordinários, que não se cria da noite para o dia. Enquanto a Varig viveu, a aviação brasileira funcionava, e inspirava confiança nos viajantes.

Qualquer guru da economia pode provar o contrário em meia dúzia de frases, mas estou convencida de que dinheiro não é tudo, nem na vida das pessoas, nem na dos países. O know-how da Varig; o conhecimento acumulado da sua maravilhosa rede de comandantes, engenheiros, comissários, mecânicos e funcionários de todo o tipo; tudo isso era um bem do Brasil, que qualquer governo decente e com um mínimo de visão teria lutado para manter.

Aos poucos, começa a vir à tona a história do assassinato premeditado de uma das mais queridas empresas brasileiras. Tarde demais. A Varig já não quer dizer nada. Os profissionais de que o país se orgulhava estão espalhados pelo mundo, a malha aérea que tão bem cobria o país se desfez, os preciosos slots dos aeroportos internacionais se perderam. Meia dúzia de compadres ficaram riquíssimos; o Brasil ficou incalculavelmente mais pobre.

(O Globo, Segundo Caderno, 12.6.2008)





11.6.08


Lounge do Ela










A saida do desfile










Carlos Tufvesson










Juliana Jabour










Um super testador Nivea










Bebi tudo!










Folheados de cogumelo selvagem










Isso nao é um drinque, é um pecado!










Na Oi










No Ela










Para a Jaq










Moda de inverno...









TNG, by Lucas






O Lucas postou na segunda, mas eu só vi agora e morri de dar risada; até porque, como eu sou uma das que sentam na primeira fila, teria que ter tomado uma atitude drástica: decidir se 1) fotografava; 2) salvava o joelho da correria geral; ou 3) tapava o focinho (morro de alergia). Ainda bem que a esse eu não fui!
"O mar foi mais uma vez o tema de uma grife que desfila aqui no Fashion Rio. Dessa vez foi a TNG, que contou com Reinaldo Gianecchini, Raica Oliveira e Mariana Weickert no seu time de modelos (ok, “modelos” sem contar com o Gianecchini). O estilista Tito Bessa brincou com bastante com o jeans e com xadrez. Parece que o xadrez está mesmo na moda. Algumas roupas pareciam, inclusive, pijama. Mas tudo bem, aquela mesma história de que moda é moda e não se discute.

Para os homens terno com jeans; sempre ele. Houve, inclusive, jeans rasgadíssimo. Raica e Gianecchini abriram o desfile vestidos de marinheiros. Cafona, mas é moda. E moda... é moda! O modelo Alex Schultz, que há algumas semanas causou polêmica com uma foto nu para o catálogo da Tom Ford, também desfilou. Falando em nu, a Erika Palomino teve a capa de sua revista, a Key, censurada por ter um homem nu na capa. Mas isso é história para depois.

Os modelos entraram em dupla. Ou seja, do lado direito entrava um modelo e do outro lado outro modelo. Nós fotógrafos ficamos perdidos e foi horrível. Como sempre, esse povo não pensou nem nos fotógrafos nem nos cinegrafistas.

Alguns, porém tímidos, chapéus apareceram no desfile. Ora na mão, ora na cabeça. Os sapatos masculinos eram bem coloridos e pareciam uma espécie de All Star. Teve amarelo, vermelho, preto, etc.

No final, para delírio geral da nação fashion, os modelos entraram todos de pijama e com travesseiros na mão. De repente começou uma guerra de travesseiros em plena passarela. Os travesseiros eram abertos e, sim!, ficou uma nuvem de pena de travesseiros na tenda do desfile.

Muitos não gostaram, pois foi realmente muita pena voando e muita gente está com alergia. A idéia foi bacana, mas não nessa quantidade. Não dava para ver nada a dois palmos de distância. Fotógrafos e cinegrafistas saíram correndo para as penas não chegarem äs câmeras. As fashions bestas da primeira fila, com a mão no rosto, saíram correndo. Foi um pequeno caos na passarela. No final das contas eles conseguiram o que almejavam: vão ser notícia em todos os jornais a partir de agora: não só pelas celebridades que desfilaram, mas também pela guerra de travesseiros.

Nesse exato momento metade da sala de imprensa está espirrando e a comida chegou. Deixa eu ir lá, hoje, acabou o dia. Amanhã tem mais. Isso aqui é que nem cachaça. Cachaça fashion, lógico."





10.6.08


Soul Seventy










Outra Regina










Cavendish










Dzenk










Victor Dzenk e a Miss Brasil










Um dos containers










Regina, toda de onca










Maria Bonita










Feeding frenzy










Isso não é convenção de partido!




É formação de quadrilha.

Depois ainda estranham que a gente tenha nojo de político.





9.6.08


Cobertura completa da Fashion Rio...










Esperando a vez










Na passarela, em foto do Lucas...














Primeiras fotos com o LG Viewty, que tem câmera com lente Schneider-Kreuznach de 5 Megapixels. Como se vê, a maquininha é ótima de cor e de macros. Ah, sim: o gato é o Irineu.

Onde se lia "futuro",
leia-se "cotidiano"


Muito bem, meninos. Aqui estamos todos, enfim, a bordo da nossa nova revista, prontos para viver novas e empolgantes aventuras tecnológicas pelo cotidiano. Não sei se vocês perceberam, mas, assim como a substituição do “Info etc” pela “Digital”, é sinal dos tempos que, na frase anterior, eu tenha usado a singela palavra “cotidiano”: há poucos anos, poucos mesmo, todas as grandes aventuras tecnológicas ligavam-se, inevitavelmente, a “futuro”, aquela palavra tão carregada de possibilidades e expectativas.

Mas, claro, não se fazem mais futuros como antigamente, nem há mais cotidianos como os que vivíamos quando os telefones não passavam de aparelhos domésticos destinados unicamente a conversas — isso, quando davam linha. Também ficaram para trás, felizmente, os tempos em que ter computador em casa era uma esquisitice que exigia mucha plata. Ô pretérito mais imperfeito!

Associar os gabinetes afáveis que compramos em doze prestações sem juros no supermercado da esquina a especulações metafísicas à la HAL é o que há de antigo (e ridículo): nada envelhece tão rápido como o futuro. Quantas e quantas páginas cada um de nós não escreveu sobre hardware! Quantas e quantas vezes cada um de nós não explicou, freqüentemente sem sucesso, a diferença entre hardware e software! Ah, essas coisas do século passado...

As grandes aventuras do cotidiano andam, hoje, bem mais perto de nós, no sentido literal da expressão: na mochila, na pasta, no bolso. As emoções que antes vivíamos com os novos lançamentos de processadores, hoje vivemos com os novos lançamentos de celulares. Agora mesmo, por exemplo, acabo de embarcar num Viewty, o lindo aparelho da LG com câmera de 5Mp. Tirei-o da caixa na sexta-feira, carreguei a bateria às pressas e cliquei umas poucas fotos antes de vir para o jornal; impressões mais detalhadas semana que vem, mas, pelas primeiras amostras, já dá para perceber que, no quesito imagem, o Viewty dá um show.

Outra aventura divertida vai ser testar o Samsung V820 em que a Vivo apresenta TV Digital aberta, e que deve chegar às minhas mãos hoje mesmo. Os dois aparelhinhos têm, pela frente, a dura missão de mostrar-se à altura da expectativa criada a seu respeito.

* * *

E, com tudo isso, ainda há gente que não entendeu até hoje o que é a internet: na semana retrasada, o TRE censurou o blog do Pedro Dória, por fazer campanha para Fernando Gabeira. A idéia (se é que se pode chamá-la assim) é que campanha, na internet, só nas próprias páginas dos políticos. Nada de sites de relacionamento, blogs, opiniões pessoais. Não sei onde estavam com a cabeça os gênios que tiveram essa idéia mas, felizmente, fez-se luz em alguma mente esclarecida e o TRE voltou atrás: ufa!


(O Globo, Revista Digital, 9.6.2008)





8.6.08


Walter Rodrigues










Fred d'Orey










Foto by Bia










Totem










Virzi










Fashion Rio










O mundo lá fora










Pipoca e Zé










Continua muito triste :-(









7.6.08


Cores do ofício


A Pipoca adora carros. Acho que estuda mecânica em segredo. Ou quase...







Mais uma das antigas:Tumbalalaika...





6.6.08


A nova mania do Irineu


Ele leva as bolinhas de papel pra água.






Todos juntos



Estão ajudando no trabalho...

Esta cena me deixou particularmente feliz, porque foi a primeira vez em que a Tutu se juntou à turma desde que o Mosca se foi. Até ontem, ela ficava lá na sala, no sofá, mesmo que nós estivessemos todos aqui no escritório.







Francisco Canaro / Para ti, madre





5.6.08


Apoio moral










Laura avisa: concerto hoje! Lindo! E grátis!

"Corinha, está meio em cima, mas é o seguinte: hoje, quinta-feira, 5 de junho, às 18:30, no Clube de Engenharia, vai ao ar um concerto do meu grupo, o SINE NOMINE (Laura Rónai, flauta; Sula Kossatz, cravo; Luiz Carlos Justi, oboé; e Aloysio Fagerlande, fagote.

O programa, modéstia à parte, está lindo: C.Ph. E. Bach, Telemann, Handel, Vivaldi, Neukomm - só tem fera e música boa!

E, olha que beleza!, a entrada é GRATUITA.

Avisa a todos?"

Não é pela Laura ser minha irmã e eu ser fã dos músicos que tocam com ela, mas se há uma boa, hoje, é essa. Recomendo muito!

Em tempo: o Clube de Engenharia fica na Avenida Rio Branco 124, no Edifício Edson Passos. O telefone de lá é 2178-9209.








Adeus ao Canalha Amarelo


Era um jovem gato tigrado, amarelo, cem por cento vira-lata. Estava sendo embebedado de cerveja por uma turma de boçais que, ainda por cima, o chutavam de cá para lá, achando tudo muito divertido. De repente, um bípede pequeno, normalmente meigo e de aparência inofensiva, entrou como uma fúria bar adentro. Deu meia dúzia de berros com os marmanjos, pôs em questão sua virilidade e a profissão das senhoras suas mães, catou o gato e foi embora, com o mesmo ímpeto com que entrara. Quando chegou em casa, a um quarteirão do Moska, pé-sujo onde se deu a confusão, a Bia ainda estava enfurecida. Esperei que se acalmasse.

Já tínhamos quatro gatos que, a essa altura, demonstravam claramente a sua opinião a respeito do recém-chegado. O que faríamos com ele? Bia sugeriu que lhe déssemos guarida até arranjarmos quem o quisesse. Encontrar lar para o gatinho não seria difícil. Passada uma semana, porém, descobrimos que difícil, mesmo, seria nos desfazermos dele: os dias voavam, e nenhuma de nós movia uma palha para arrumar o tal lar. Eu estava cheia de trabalho, a Bia estava cheia de provas. Num fim-de-semana deu praia. No outro não deu. Enquanto isso, ele ia se enturmando com os gatos da casa. Pelo sim pelo não, levei-o ao veterinário.

-- Como se chama?

Como o bichinho era teoricamente temporário, respondi a primeira coisa que me passou pela cabeça:

-- Mosca.

Na ficha, acrescentei a extensão .TMP, de “temporário”: a Famiglia Gatto sempre teve nomes com extensões, como arquivos de computador. Cátia e Tati, as mais velhas, eram .CAT; Keaton e Cotton, seus respectivos filhotes, eram .BAK, de backup. Mas como nada é mais permanente do que o temporário, o Mosca foi ficando, ficando... até nos esquecermos que estava só de passagem.

(Nota tecnológica: o DOS, sistema operacional que exigia dos usuários o conhecimento das extensões de arquivo e seu significado, foi engolido pelo Windows, em que ninguém precisa saber mais nada. As extensões dos nomes da Famiglia tornaram-se irrelevantes, um private joke de usuários das antigas, e foram ficando pelo caminho.)

* * *

Ao longo dos anos, como costuma acontecer com os gatos, o Mosca ganhou alguns apelidos. Foi Leão da Savana porque até hoje estou convencida de que, quando sonhava, se via no alto dos seus domínios, o rei do pedaço; além disso, vivia à espreita, sempre à espera de algum gato, perna ou brinquedo para o bote. E foi, sobretudo, o Canalha Amarelo, porque, como todo malandro de botequim, era, de fato, um perfeito canalha.

Era a paixão das cozinheiras, que cortejava com a maior desfaçatez. Quando estávamos comendo, sentava-se à mesa, olhando para um ponto qualquer no horizonte, como se nada do que estivesse sendo servido o interessasse ou lhe dissesse respeito. Mas bastava que a Bia ou eu nos distraíssemos que, zás! lá vinha a pata cheia de unha, rápida como o raio, roubando um bife ou um pedaço de frango. O dono da pata voava com a presa para o quarto, onde se enfiava debaixo da cama, no único ponto da casa em que braço algum conseguia alcançá-lo -– e lá se fartava com a caça. É claro que não nos distraíamos sempre, para que ele não perdesse a emoção da aventura; e é claro, também, que sempre corríamos atrás, aos gritos, como se estivéssemos muito zangadas.

* * *

Mosca teve duas grandes paixões: Mamãe e a Tutu, uma gatinha ainda mais vira-lata do que ele, que a Bia trouxe da rua um ou dois anos depois. Foi amor à primeira vista. Os dois viviam juntos, dormiam abraçados, trocavam manifestações constantes de carinho. Era comovente vê-los juntos.

O caso com Mamãe foi mais complicado. Começou quando ela passou uma temporada aqui em casa, e o Mosca decidiu adotá-la. Seguia-a por toda parte, dormia no seu quarto e fazia cenas de ciúme quando outro gato tentava filar carinho. Um dia, Mamãe voltou para o sítio. O Canalha Amarelo ficou visivelmente abalado. Expliquei que Mamãe mora em Friburgo, que só esteve aqui de passagem, que não era nada pessoal, mas não adiantou. Quando ela reapareceu, meses depois, fez questão de ignorá-la. Não houve agrado ou suborno escancarado da Mamãe que o fizesse mudar de idéia. Com o tempo, felizmente, a atitude intransigente passou; o Mosca não era de guardar rancor. Mas, pelo sim pelo não, nunca mais se dedicou a bípede algum como se dedicou a Mamãe, naqueles meses cariocas.

* * *

Em março passado, caiu doente. O diagnóstico, peritonite infecciosa felina, era uma sentença de morte. A doença é altamente contagiosa entre gatos, mas como os da Famiglia vivem juntos há tantos anos, achei que isolá-lo dos demais seria não só inútil, como cruel: tirar a sua qualidade de vida, justo no fim, era coisa que eu não faria.

Graças ao dr. Allecx Ferrari, ainda ganhou dois meses bem razoáveis. Estava fraquinho, mas curtia o sol que entrava pela janela, comia com apetite, tinha energia suficiente para pular para os seus cantos prediletos e, sobretudo, passou muitas e muitas horas abraçado com a Tutu.

Na sexta passada, nem o barulho de latas sendo abertas na cozinha o estimulou a deixar seu cantinho. No sábado, o quadro se agravou além de qualquer esperança: já não conseguia sequer se manter de pé. O Canalha Amarelo despediu-se pouco depois da meia-noite, quietinho, no meu colo. Manteve até o fim o brilho no olhar que, 15 anos antes, me convenceu que, apesar da aparência singela, no peito daquele gatinho batia o coração de um Leão da Savana.


(O Globo, Segundo Caderno, 5.6.2008)





4.6.08


Eleições, lá e cá

A vitória de Barack Obama como candidato do Partido Democrático foi, enfim, a boa notícia que tanta gente esperava há tanto tempo. Não tenho visões messiânicas a seu respeito. Não acho que um homem só consiga mudar tudo o que precisa ser mudado, ou endireitar o que precisa ser endireitado; mas, se ele conseguir chegar à presidência, no mínimo, no mínimo os Estados Unidos terão um belo upgrade em termos de imagem, coisa de que estão muito precisados.

Acho que, mais importante (ainda) do que o fato de Obama ser negro é o fato de ter sido criado num ambiente multi-étnico. Ele sabe que o mundo vai um pouquinho além de Iowa por experiência própria, e não porque viu um mapa em sala de aula.

Agora, é continuar na torcida -- e esperar que a teimosia dos Clintons não tenha feito um estrago irreparável.

Aliás, acompanhar a campanha desses dois, Hillary e Obama, me lembrou demais a situação miserável da política do Rio, onde a burrice da oposição, que vive se engalfinhando por vaidades em vez de pensar no bem comum, vem garantindo, sistematicamente, a vitória do que há de mais podre no estado.

Que Deus ilumine os americanos; e, sobretudo, que tenha piedade de nós.






Um Guia Visual de Calorias!

(Descoberta -- deprimente -- do Tom Taborda)





3.6.08


Millor










Que sol!








Matilda rides again

Dessa vez, com uma receita de canjica pra ninguém botar defeito; pode até ser que não dê certo na mão das menos prendadas, como a blogueira que vos tecla, mas a diversão é garantida...
"É hoje, é junho, está frio, o forró flutua no ar, o milho estoura no milharal; Santo Antônio, São João, São Pedro pedem, a gente atende: vamos fazer canjica.

Coloque Flávio José para ouvir, nada como Flávio José para fazer uma canjica, para dar o tom do forró, para se ouvir nas noites frias de junho, para dançar juntinho no frio de junho; em junho Flávio José, o som da sanfona, as letras das músicas ('prestenção' em Tareco e Mariola, um primor), afinal, junho tem que ter canjica e Flávio José, eu adoro Flávio José, e "quem é você prá derramar meu mungunzá"?

E cantando "quando bate o coração tudo pode acontecer, a razão manda soltar e a paixão manda prender, o ciúme quer matar e a saudade quer doer, a cabeça quer pensar mas o amor só quer você" pegue umas dez espigas de milho verde, vá 'tirano' a palha e os cabelos ao som da sanfona, depois corte o milho rente ao sabugo com uma faca afiada ou vá debulhando mesmo se estiver muito duro, depois moa no processador e deixe numa tigela com água.

Rale dois cocos grandes, vá dando o ritmo do ralar com o forró que preenche o ar, tire o leite grosso, coe e reserve e pegue o bagaço do coco e junte uns dois copos de água quente e esprema num pano de prato e reserve também.

Passe o milho por uma peneira fina, passe duas vezes para a massa ficar bem cremosa, ajudando com a colher novamente ao som do forró, vá cantando junto com Flávio José enquanto peneira o milho, depois ponha a massa na panela junto com o leite de coco espremido no pano de prato, pegue erva-doce, cravo-da-índia, canela em casca e amarre num pedaço de tecido fino, fazendo uma boneca, coloque dentro da panela, ponha açúcar a gosto, uma colher de sopa de manteiga e leve ao fogo forte, mexendo sempre a panela, sempre ao som do forró, mexa a colher na panela, mexa o corpo, solte o corpo, vá mexendo com uma colher grande de pau até engrossar, engrossar a massa!

Se o mingau ficar muito duro, lave novamente o bagaço de coco com água quente e vá acrescentando até ficar no ponto desejado.

Quando ferver e ficar uniforme, despeje o leite grosso do coco e deixe cozinhar mais um pouco, até ficar bem cremoso, depois despeje em pratos grandes, polvilhe com canela e pronto: eis sua canjica, eis o cheiro do milho tomando a cozinha, eis o sabor de junho tomando conta da sua casa, eis o gosto do São João no interior da minha terra.

E ouvindo Flávio José, corte sua canjica tremeluzindo, canjica boa balança no prato, forró bom balança a alma e o corpo, deguste sua canjica com um bom licor de jenipapo e pegue seu par, encoche e vá dançar o forró, vá dançar embaixo das bandeirinhas coloridas de crepom ornando o terreiro, vá dançar ao redor da fogueira, vá dançar no céu estrelado das noites de junho e seja feliz, afinal, canjica, licor de jenipapo, forró e um par para encochar é a glória dessa vida nas noites friinhas de junho."





2.6.08

Parabéns, Ju!

Hoje foi aniversário da Ju, minha queridinha, que fez a linda idade de 21 anos.

Vamos comemorar no fim-de-semana, quando ela já terá uma tia mais apta a festejar com a alegria que o momento pede: afinal, um bípede bonito, inteligente e carinhoso como a minha Jujuba do coração não merece uma tia macambúzia ao lado, derramando lágrimas no champagne.

Parabéns, florzinha. Seja muito feliz -- e juízo, agora que você é adulta de carteirinha e tudo.





O caderninho sai de cena

O mundo nunca mudou tanto quanto
nos últimos 17 anos; nós acompanhamos



No dia 4 de março de 1991, um caderno chamado “Informática etc.” fez sua estréia no GLOBO. Dirigido aos pioneiros que usavam computadores pessoais como ferramenta de trabalho e de diversão, o “caderninho”, como o chamávamos, foi, durante muito tempo, o tambor de repercussão da tribo. Como nunca se tinha feito coisa parecida no país, enfrentamos algumas dificuldades práticas hoje inimagináveis, como a falta dos caracteres @ e % (importantes em certas linhas de programação — é, até sobre isso escrevíamos!) entre as fontes disponíveis na gráfica. Solução? Imprimir as tais linhas e publicá-las, como ilustração, no meio do texto. O trabalho que dava!

A reportagem de capa do primeiro caderno, “A guerra não acaba nunca”, usando a Primeira Guerra do Golfo como gancho, era um apanhado de vários joguinhos temáticos para PC. Foi escrita por mim, que cuidei também das fotos: feitas com a câmera montada no tripé, em frente ao monitor. E usando filme.

Atualmente, basta capturar a tela e mandar o jpeg direto para o sistema. Câmeras e filmes foram eliminados do processo. E, nem preciso dizer, a qualidade das imagens sai bem melhor. Muita coisa aconteceu de lá para cá, e o acervo de histórias do “Informática etc.”, que entrevistou Bill Gates antes do primeiro milhão de dólares, é interminável.

O caderninho foi acompanhando os tempos, as famosas bolhas e, sobretudo, a mudança de público: de um momento para outro, com a popularização da internet, não estávamos mais falando só com uma tribo, mas com todos os segmentos da sociedade. E, embora já tivéssemos % à vontade, não tínhamos uso prático para o sinal, porque não fazia mais sentido publicar linhas de programação. A @, por outro lado, presente em todos os endereços de email, virou estrela dos novos tempos, e passou a ser uma espécie de logomarca universal da tecnologia de informação.

Atualmente, os computadores são nossos companheiros constantes. Ninguém se lembra mais de como vivia antes do Google, da Wikipedia, dos celulares. E, assim como o mundo mudou, está na hora do caderninho mudar também.

Esta é a última edição do “Info etc.”, que, em seus 17 anos, foi íntima testemunha da revolução tecnológica que transformou a terra num planeta conectado. Era a revolução que todos nós, geeks de primeira hora, queríamos: computadores ao alcance de todos e por todos os lados, conexões rápidas disponíveis em toda parte, a informação na ponta dos dedos.

O fim do “Info etc.”, ainda que possa ser considerado o fim de uma época, não é motivo para tristeza. Pelo contrário: ele sai de cena para abrir caminho para “Digital”, a revista que vem com tudo, e que vai substituí-lo às segundas-feiras. Na edição, nosso intrépido Nelson Vasconcelos; a equipe está a postos.

(O Globo, Info etc., 2.6.2008)





1.6.08




Adeus, Mosca


A foto que eu postei ontem, de parte da Famiglia juntinha, foi, sem que eu soubesse, a última foto do Mosca.

Ele andava fraquinho, como vocês sabem, mas, até quinta-feira, ainda tinha apetite para comer frango (seu prato favorito) e energia para pular em cima da escrivaninha.

Na sexta caiu muito; passou o dia no meu quarto, na cama, e nem o barulho de latas sendo abertas na cozinha o estimulou a deixar seu cantinho.

Levei um pouco de frango para ele, que comeu sem entusiasmo.

Ontem à noite, o quadro se agravou além de qualquer esperança: já não conseguia mais sequer se manter de pé.

O Canalha Amarelo despediu-se pouco depois da meia-noite, quietinho, no meu colo.

Viveu uma vidinha boa e feliz, roubou muitos bifes, pedaços de galinha e corações de bípedes e quadrúpedes -- especialmente o da Tutu, que ficou ao seu lado até o fim, e que, hoje, passou o dia indo e vindo do quarto, conferindo o lugar de onde ele não quis mais sair.

Todos nós aqui em casa estamos tristíssimos, quietos, embolados na salinha de video, sem vontade de conversar.

Vai passar, eu sei, mas está doendo muito.