31.3.08


Está precisando de colo...










Foto de Canindé Soares

E, lá no Rio Grande do Norte...

Todo mundo foi ver a sangria do Gargalheiras. O blog é do fotógrafo Canindé Soares, e a dica foi do DJ Leo.

Muito obrigada, Leo!






Mosca no soro








O ataque das placas assassinas





Ótima notícia já antiga


Passei uns dias longe do Flickr e, de repente, qual é a surpresa? Meu amigo Jim Dubois, o Garnite, que fez transplante de pulmão há cerca de um mes, já teve alta!

Jim e a mulher estão morando perto do hospital, onde, durante os próximos meses, ele fará terapia duas vezes por semana. O pulmão novo, porém, parece estar funcionando às mil maravilhas, e ele já está fotografando novamente.

Ontem esteve num berçário de garças e fez ótimas imagens das bichinhas nos ninhos.

Todo mundo que estava na torcida está na maior felicidade.

Em tempo: o Flickr é sensacional! Enquanto o Garnite estava no hospital, recebeu mais de 15 mil visitas virtuais. A foto que postou avisando do transplante teve mais de mil comentários, cheios de energias positivas. :-)





30.3.08


Pipoca e Keaton










Na saída do teatro










Lucas não resiste a uma foto










Mosca na pia









29.3.08


Parou a chuva










Chove lá fora










Está adoentado, tadinho


Tem uma infecção renal e já está sendo medicado.




Lindo... e muito impressionante

.

(Valeu, Monca!)





28.3.08


As nuvens estão lindas!







Demorei, mas cheguei










Eu amo a minha cidade










Na academia









A salinha de vídeo vai tomando jeito













Em algum lugar na Itália...






27.3.08


Divas










Re-toques no Rio!



Atenção, pessoal, a Laura avisa: o Re-Toques, que vocês acompanharam em tourné no ano passado, toca nessa sexta-feira, na Academia Brasileira de Letras (no Centro).

O programinha, que ela descreve como "bem gaiato", é em homenagem a D. João VI.

É às 18h30, e é grátis.





Epidemia de má-fé

Culpar a população é covardia: a
dengue é o caos da saúde pública



Para quem foi criança no Rio nos anos 60, a dengue é uma pestilência incompreensível. Naquela época, o pior do mosquito nem era a picada, era o zumbido. Por causa disso, acendíamos uma espiral perto da cama. Fazia fumaça e o cheiro era forte, mas ainda era preferível dormir com aquilo do que passar a noite em claro com a cantoria dos insetos. Na escola nos falavam da febre amarela e da campanha heróica de Oswaldo Cruz, mas a história fazia parte de um passado muito remoto. Ninguém conseguia imaginar uma cidade em pé de guerra por causa de mosquito.

O ano 2000 representava um ponto igualmente distante, só que em direção oposta. "Blade runner", que mudaria para sempre a nossa concepção do futuro, só seria lançado em 1982; até lá, iriamos para o trabalho em veículos voadores, verduras viriam em pílulas e todo o serviço doméstico seria feito por robôs. Não passava pela cabeça de ninguém que em 2008 o Rio estaria novamente entregue aos mosquitos. Aliás, não passava pela cabeça de ninguém que uma cidade tão maravilhosa pudesse sofrer tamanho retrocesso. Quando a escola era risonha e franca, a única coisa que andava para trás era caranguejo.

Hoje, além de morrer de dengue, o carioca ainda tem que ouvir do coronel da Defesa Civil que a culpa é da população. Ora, se há um caso em que a população não tem culpa é na atual epidemia! A população, que se deu conta da extensão do desastre muito antes das “autoridades”, tem feito o que está a seu alcance. Tem denunciado potenciais focos de mosquitos, tem tentado ligar para o disque-dengue, tem mandado cartas e fotos para os jornais, tem se queixado no rádio e na televisão. O que mais se pode pedir de uma população indefesa e desorientada?

Enquanto isso, o secretário municipal de Saúde, que sempre pareceu pessoa séria, afirma que a situação é “inesperada”. Perdão, mas onde é que ele mora?! Como pode ser “inesperada” uma epidemia de dengue numa cidade que convive com a doença há mais de quinze anos?! Será que alguma coisa melhorou na saúde pública do Rio nos últimos quinze anos sem que a gente percebesse?!

* * *

Por outro lado, é ridículo que a prevenção da dengue seja atribuição exclusivamente municipal. Mosquito não respeita fronteira política, nem é capaz de perceber que o prefeito está maluco. Saúde é coisa séria demais para ficar nas mãos de oportunistas menores; e é séria demais, também, para ficar nas mãos de oportunistas maiores. O combate aos mosquitos, que é trabalho silencioso, sem obras de inauguração e sem ocasiões para o exercício da cretinice verbal, deveria ser obrigação de todos os governantes, em conjunto e sem exceção. Assim, vigiando-se mutuamente, eles talvez fizessem mais do que trocar acusações.

* * *

Agora imaginem só o que seria do Brasil se, há cem anos, Oswaldo Cruz tivesse se orientado por pesquisas de opinião pública ou pelo populismo de hoje! E imaginem, se conseguirem, o que será do Brasil daqui a cem anos... Mas nisso, pelo menos, demos sorte: nenhum de nós estará vivo para ver.

* * *

Roald Dahl foi um dos escritores mais criativos e originais do século passado. Não tem leitores; tem fãs ardorosos que lêem e relêem os seus livros, participam de comunidades e fóruns de discussão e o mantém vivíssimo nas livrarias e na internet, embora tenha falecido em 1990, aos 74 anos. Sua popularidade nos países de língua inglesa é tão grande que, em 13 de setembro, data do seu aniversário, o Google enfeita o logotipo em sua homenagem.

Dahl escreveu algumas histórias para crianças que foram parar no cinema e que todos conhecem, mesmo que não saibam que são dele (como “Os gremlins” e “A fantástica fábrica de chocolate”), e alguns contos arrepiantes para adultos que, infelizmente, permanecem desconhecidos no Brasil. Alguns dos seus livros foram lançados por aqui ao longo do tempo, mas acabaram tropeçando ou em traduções capengas ou em má distribuição, quando não nas duas pragas simultaneamente.

No final do ano passado, no entanto, chegou às livrarias uma ótima tradução de “Kiss Kiss”, cult que, desde o seu lançamento em 1959, faz a alegria dos “dahlmaníacos”. Chama-se “Beijo,”, tem onze histórias em 301 páginas, foi traduzido por José Garcez Ghirardi e publicado pela Barracuda. Perdi a conta do número de vezes em que li este livro no original, mas apesar disso tive o maior prazer de reencontrá-lo em português.

É muito difícil falar dos contos sem entregar o jogo. Digo apenas que são curiosamente bizarros e muito divertidos, pequenas jóias em forma de montanha-russa. Vocês vão ver: é quase impossível terminá-los sem vertigem, e sem um frio aflitivo na barriga.


(O Globo, Segundo Caderno, 27.3.2008)





26.3.08


Ficou ótimo, Tomzinho!






Eu tinha dois monitores, mas uma só placa de vídeo.

Que fazer?

Chamar o Tom, naturalmente: ele encontrou uma placa sobrando em casa, trouxe pra cá... e voilá!






Companhia para o café










Mosca e Tutu







Xodó!










Keaton lê a crônica









25.3.08


As Três Graças










Lúcia no escritório






A Lúcia é arquiteta; ela está me ajudando com as obras aqui em casa.

Bem que o Paulinho me avisou que, antes de voltar à rotina, eu ia acabar consertando tudo o que estava com defeito...





24.3.08


Keaton e Tutu (foto da Jussara)










Nada como uma boa espreguiçadela!










Tem fotos novas no André Arruda!






Home office -- gostosim, né?










Na poltrona de sempre...









23.3.08


Pé na jaca total










"Alguém tem um engov aí?"







Ontem

Fiz várias coisas inéditas desde o encontro com o rapaz da moto:

  • Fui ao shopping comprar coisas para a casa, como panos de prato, toalhinhas de lavabo, porta-retratos.

  • Fui jantar no Fronteira, um quilo ali na Visconde de Pirajá de que eu gosto muito. Reparem que, para escolher comida num quilo, a gente tem que estar com as duas mãos livres -- e eu estava! Fui sem muleta.

  • Fui ao supermercado e comprei frutas.

  • Passei na banca e comprei umas revistas.

    O joelho atazanou um pouco, mas eu não lhe fiz caso.

    Foi um dia muito legal... :-)





  • 22.3.08


    O lugar favorito da Net










    Lucas e a nuvem de plástico bolha










    Pose de feriadão










    Tati é muito companheirinha









    21.3.08


    No quartinho de televisão









    20.3.08


    Gordinho é apelido...










    Netcat










    Chocante!










    Lucas volta da ultrassonografia










    A Grande ESCapada



    ADOREI isso! Encontrei no Flickr, onde é uma das preferidas da galera.

    Foi feita por um rapaz belga de Gent, que se assina Ukaaa.





    19.3.08


    No tailandês










    Vocês aqui do blog já conhecem essa história...

    Jesus no 464

    "A primeira vez que vi cabras azuis foi da janela do ônibus, indo de casa para o jornal" — escreveu a Leila num comentário lá do blog. — "Aliás, muita coisa importante na minha vida aconteceu assim. Foi da janela de um 464 que vi pela primeira vez uma colônia de gatos de rua no parque do Museu Carmem Miranda.

    Foi num 464 que vi Jesus, ele entrou no ônibus ali na São Clemente, fez alguns milagres e desceu no Catumbi (até hoje não consigo contar essa história direito, mas aconteceu).

    Enfim, lá ia eu para o jornal, tinha uma obra, acho, o ônibus entrou numas quebradas no Catumbi e lá estavam elas pastando. Cabras azuis de botinhas pretas! Meu coração disparou, foi amor à primeira vista.”

    Estávamos conversando sobre os bichos que gostaríamos de ter, mas o que chamou a minha atenção no comentário não foram as cabras azuis, mas a presença de Jesus num ônibus carioca. Publiquei o comentário com o merecido destaque. A turma que bate ponto no blog adorou, e começou a cobrança:

    — Leila! Não importa o que você toma, eu quero dois! — escreveu a Marcela, da Gávea.

    — Ou conta a história ou conta o que você toma! — mandou a Marise.

    — É, acho que ônibus é código — concordou o Tom.

    Depois de um suspense de dois dias, a Leila voltou e respondeu. E todos ficaram muito emocionados, mesmo os incréus, porque sabemos que a vida tem momentos mágicos:

    “Eram umas duas, duas e meia da tarde. Era um dia bonito, sol sem calor. Morava no Leblon e ia para o trabalho, no Centro. O ônibus era um 464, acho. O ônibus parou no último ponto antes da Praia de Botafogo, entrou mais gente, e a voz perguntou ao motorista:

    — Comandante, posso pegar uma carona?

    A voz era cheia, firme, equilibrada, mais para o grave, magnífica. Tive que olhar. Era um hippie. Um cara louro, cabelos no ombro, rosto bonitinho, cabelos mais para o liso, carregava aquelas coisas de veludo cheias de bijuteria artesanal. Magro, um metro e setenta.

    Ah. Ele entrou, tinha um lugar vago, alguém perguntou:

    — Não vai sentar?

    — Não, obrigado. Já estou feliz por conseguir a carona.

    Foi só isso, dito por aquela voz, aquela pessoa. Tudo mudou dentro do ônibus. Um homem levantou e deu o lugar para uma mulher que estava em pé. Duas moças se ofereceram para segurar embrulhos de pessoas em pé. Uma pessoa ao lado dele começou a puxar conversa. Ele respondia com frases comuns, contando de uma vida comum. Atrás de mim duas senhoras começaram a conversar. Ao lado as pessoas sentadas começaram a conversar.

    Aqui começa a ser difícil de explicar. O que posso falar é um baita lugar comum. Só existia amor. O ar ficou leve. As pessoas conversavam felizes. Quando entrou uma velhinha, dois homens se levantaram para dar lugar.

    Eu me sentia como em alguns sonhos que já não tenho faz tempo. Nesses sonhos eu ia a uma fazendo em uma ilha. Lá não existia medo, desconfiança ou raiva, só uma sensação de felicidade absoluta.

    Era assim ali no ônibus. Quando saímos do túnel Catumbi-Laranjeiras ele disse ao motorista que ia descer, agradeceu a todo mundo pela conversa e pela carona. Meu coração estava disparado. Pensei em descer, correr atrás dele e perguntar o que fazer da vida daí em diante. Nah, sua doida, você já foi hippie faz tempo. As respostas não estão com ele.

    O ônibus andou. Olhei pela janela. No chão da pracinha, um monte de folhas e restos de legumes da feira que tinha acabado. E carneiros. Sim, carneiros. Muitos carneiros felizes, comendo as folhas no chão. Carneiros pastando no Catumbi. Não eram carneiros branquinhos de foto de catecismo. Estavam com a lã bem sujinha até. Jesus tinha acabado de virar a esquina.”

    * * *

    A Leila é uma grande amiga. Há alguns anos, mudou-se para São Paulo, onde faz o possível e o impossível para ajudar gatos doentes ou que sofreram maus-tratos. Seu trabalho está em www.sosgatinhos.com.br.

    * * *

    Jesus, infelizmente, não tem aparecido mais nos coletivos da cidade, nem tem mandado ninguém no seu lugar. Tem bons motivos para isso. Desconfio que houve um tempo em que até trocou o risco de andar de ônibus pela relativa paz do metrô; mas esse tempo, como sabe qualquer carioca, acabou. Nem santo agüenta mais este serviço tão precário e antipático.

    Em qualquer lugar do mundo, o metrô estimula a compra de bilhetes antecipados e dá descontos para os passageiros precavidos, de modo que só vai para a bilheteria na hora do rush quem não é usuário habitual da linha. No Rio, porém, as filas são iguais para todos. E são, além disso, obrigatórias: não há como fugir delas desde que foi inventado o cartão unitário, que substituiu os antigos bilhetes, e que tem validade de três dias.

    Três dias! Dá para imaginar?! Se alguém for trabalhar com um bilhete de ida-e-volta na sexta, mas decidir voltar de táxi ou de carona, já não poderá usar o trecho que sobrou na segunda. Na prática, portanto, o cartão unitário significa o fim do saudável hábito de se levar dois ou três bilhetes na carteira para evitar fila.

    A operadora informa que quem devolver cartão com créditos vencidos ganha de volta um real. Considerando que o preço da passagem é de R$ 2,45, não é mau negócio... para o metrô! Mas tem mais. Cartões com tarifa diferente da vigente serão rejeitados pela roleta. Assim, sempre que o preço da passagem mudar, teremos de voltar à fila para pagar a diferença. Ou, como informam as instruções distribuídas pelo metrô, “para receber o troco, caso a tarifa tenha sido reduzida”.

    Com essa, finalmente, nossos serviços de transporte coletivo fazem história. Não são apenas os piores do mundo. São também os mais cínicos.


    (O Globo, Segundo Caderno, 20.3.2008)





    18.3.08




    Direitos dos animais: novo link

    Pessoas, o Marcus Borelli reuniu toda a legislação sobre Direitos dos Animais num pequeno site, que pode ser da maior utilidade para quem passar por perrengues com seus bichos.

    Criei um link permanente aí na barrinha da esquerda, para que a gente possa ter as leis sempre à mão.

    Valeu, Marcus, muito obrigada!






    Voltando ao normal










    Irineu tem companhia








    A história da Leila

    "Tá aqui, pessoas. Parece bobinho, vocês não imaginam o tanto que eu chorei pra escrever isso.

    Eram umas duas, duas e meia da tarde. Era um dia bonito, sol sem calor. Morava no Leblon e ia para o trabalho, no centro. O ônibus era um 464, acho.

    O ônibus parou no ultimo ponto antes da praia de Botafogo, entrou mais gente, e a voz perguntou ao motorista:

    -- Comandante, posso pegar uma carona?

    A voz era cheia, firme, equilibrada, mais para o grave, magnífica. Tive que olhar. Era um hippie. Um cara louro, cabelos no ombro, rosto bonitinho, cabelos mais para o liso, carregava aquelas coisas de veludo cheias de bijuteria artesanal. Magro, um metro e setenta.

    Ah. Ele entrou, tinha um lugar vago, alguém perguntou:

    -- Não vai sentar?

    -- Não, obrigado. Já estou feliz por conseguir a carona.

    Foi só isso, dito por aquela voz, aquela pessoa. Tudo mudou dentro do ônibus. Um homem levantou e deu o lugar para uma mulher que estava em pé. Duas moças se ofereceram para segurar embrulhos de pessoas em pé. Uma pessoa ao lado dele começou a puxar conversa. Ele respondia com frases comuns, contando de uma vida comum.

    Atrás de mim duas senhoras começaram a conversar. Ao lado as pessoas sentadas começaram a conversar.

    Aqui começa a ser difícil de explicar. O que posso falar é um puta lugar comum. Só existia amor. O ar ficou leve. As pessoas conversavam felizes. Quando entrou uma velhinha, dois homens se levantaram para dar lugar.

    Eu me sentia como em alguns sonhos que já não tenho faz tempo. Nesses sonhos eu ia a uma fazenda em uma ilha. Lá não existia medo, desconfiança ou raiva, só uma sensação de felicidade absoluta.

    Era assim ali no ônibus. Quando saímos do túnel Catumbi- Laranjeiras ele disse ao motorista que ia descer, agradeceu a todo mundo pela conversa e pela carona.

    Meu coração estava disparado. Pensei em descer, correr atrás dele e perguntar o que fazer da vida daí em diante.

    Nah sua doida, você já foi hippie faz tempo. As respostas não estão com ele.

    O ônibus andou. Olhei pela janela. No chão da pracinha, um monte de folhas e restos de legumes da feira que tinha acabado. E carneiros. Sim, carneiros. Muitos carneiros felizes, comendo as folhas no chão. Carneiros pastando no Catumbi. Não eram carneiros branquinhos de foto de catecismo. Estavam com a lã bem sujinha até.

    Jesus tinha acabado de virar a esquina."






    :-)









    17.3.08


    A verdadeira elite branca










    Muito engraçado!






    GloboNews









    16.3.08


    Isso aqui foi a Néria (Boa Idéia) quem descobriu: achei muito interessante!
    Na costa de Zadar, cidade da Croácia, existe o Órgão do Mar. Degraus cravados em rochas têm em seu interior um sistema de tubulações que, usando os movimentos do mar, forçam a saída do ar. Dependendo do tamanho e da velocidade das ondas, criam sons aleatórios.






    Faça chuva ou faça sol, as capivaras da Barra têm o maior trato...





    (Foto da Layla Carrozzino)

    A Layla não desaponta o seu fã-clube quadrúpede: toda semana leva o banquete para a minha xará e sua família.

    Gestos assim são lindos de ver! :-)






    Ô vida boa!










    Irineu










    Ficou assim









    15.3.08


    O cliente número 9 e o assassino número 1


    Charge de Kevin Kallaugher, do The Economist
    (Obrigada, Eugenio!)


    Acho muito deprimente o escândalo envolvendo o ex-governador de Nova York, basicamente por dois motivos. O primeiro é inveja, mesmo: no Brasil, onde se usa cartão corporativo para pagar até tapioca, nunca jamais se viu um político prevaricando do próprio bolso. Já nem falo em ver políticos castigados pelos seus atos, porque surrealismo tem limite.

    Depois, pela hipocrisia americana, que cada vez acho mais nojenta. Ainda que prostituição seja crime (o que, em si, já é uma definição hipócrita, porque a profissão existe desde que o mundo é mundo), perto do Bush o Spitzer é, sem exagero, um santo homem.

    E lá, no entanto, continua o assassino endeusado, enquanto o adúltero (ainda se usa essa palavra?) é escorraçado. Ora, na minha cabeça, isso não faz nenhum sentido.

    Acho que não há Obama que salve aquele país.





    14.3.08


    O frio faz milagres










    Certos comentários são irresistíveis!

    "A primeira vez que vi cabras azuis foi da janela do ônibus, indo de casa para o jornal. aliáas muita coisa importante na minha vida aconteceu assim. Foi da janela de um 434 que vi pela primeira vez uma colônia de gatos de rua no parque do museu Carmem Miranda.

    Foi num 434 que vi Jesus, ele entrou no ônibus ali na São Clemente, fez alguns milagres e desceu no Catumbi [até hoje não consigo contar essa história direito mas aconteceu].

    Enfim, lá eu ia para o jornal, tinha uma obra acho, o ônibus entrou numas quebradas no Catumbi e lá estavam elas pastando. Cabras azuis de botinhas pretas! Meu coração disparou, foi amor à primeira vista.

    Eu tenho um cachorro, achei na rua abandonado, velho, cego de um olho, tonto e chantagista. É o CB [Cão Bom].

    Queria um desses pra ser amigo do bull pirata.

    Nossa, falei muito." leila






    Tirou o dia para dormir...










    Mosca está desconsolado









    Gostei da foto... :-)





    13.3.08


    E, por falar em cachorro...

    Minha amiga Dasher se mudou de um condomínio para outro, em São Conrado, e agora querem expulsar os seus cães de casa!

    Detalhe: antes de se mudar ela se informou sobre a "questão canina" no novo endereço e mandou construir um muro alto na casa. Ela tem um pastor velhinho e um kuvasz, os dois mansos, que só saem para ir à pet shop tomar banho, e alguns shih-tzus.

    Agora o vizinho ao lado, que só pode ver os ditos cães do segundo andar de casa, alega que eles lhe causam "temor" (!). A convenção do condomínio permite ter cães de pequeno porte, mas quando ela se mudou disseram que os grandes não seriam problema desde que andassem de focinheira.

    Há algum advogado na casa que possa ajudar?

    Alguém tem alguma sugestão?






    Cena carioca

    Antes de chegar aqui em casa, vinda da Casa do Saber, que é praticamente ali na esquena, a Laura foi assaltada. O ladrão passou correndo e tentou arrancar sua bolsa. Não conseguiu, derrubou-a no chão e a Laura ali, presa na bolsa. O meliante pegou então uma outra sacola que ela carregava e se mandou. A Laura gritou que eram as aulas dela, ele provavelmente conferiu e jogou fora a sacola.

    Laura 1 x Assaltante 0.

    Um dos seguranças do Katmandu viu a cena e acudiu; ajudou-a a se levantar e a trouxe até aqui. Muito simpático! Mais tarde ainda ligou, porque encontrou a caderneta de endereços caída no canteiro.

    -- Esse ladrão vai ter que fazer terapia! -- filosofou a Laura. -- Se atira numa senhora baixinha, distraída, de 52 anos, e não consegue levar nada...

    -- É. Vai passar a assaltar senhoras de 80.

    -- E aí vai pegar a Mamãe pela proa, já pensou?

    O pior é que acabamos rindo.






    Estão de gozação com a gente

    A Laura trouxe uma novidade para o jantar: um cartão unitário do metrô, que substitui os bons e velhos bilhetes. Pois está tudo errado com o tal cartão, a começar pelo fato de ser de plástico.

    Vejam só: o prazo de validade da coisa é de três dias. Três dias! Quer dizer, aquela prática saudável que todos tinhamos, de andar com dois ou três bilhetes na carteira, para fugir das filas na hora do rush, já era. Comprou, não usou, já era.

    Já era? Não, o governo é magnânimo: se você devolver um cartão com créditos vencidos ganha de volta um real. Considerando-se que o preço da passagem é de R$ 2,45, é um grande negócio... para o metrô.

    Num papelucho distribuído com o tal cartão, está escrito que cartões com tarifa diferente da vigente serão rejeitados pela roleta. Quer dizer: não só você tem um cartão que morre logo como, se a tarifa for alterada, ele passa a ser um mico preto e você vai ter que voltar para a fila para pagar a diferença. Que, óbvio, será de centavos, e para a qual não haverá troco jamais.

    "Dirija-se à bilheteria da estação para complementar o valor da tarifa -- dizem as instruções -- ou para receber o troco, caso a tarifa tenha sido reduzida."

    O grifo é meu. Não contentes em tungar nosso dinheiro, as autoridades da Muy Leal e Heróica ainda têm o desplante de se divertir às nossas custas.

    Pra quê facilitar a vida do cidadão quando se pode infernizá-la, não é mesmo?






    Mais obra









    12.3.08

    A Espanha e os cachorros


    Em meados dos anos 40, Evelyn Waugh reuniu trechos de quatros livros de viagem escritos entre 1929 e 1935 num único volume chamado “When the going was good” (algo como “Quando o ir era bom”). Já na época dos escritos, antes ainda da Segunda Guerra e de todas as muralhas reais e imaginárias que surgiriam pelo mundo em sua decorrência, ele percebia o fim de um estilo de vida e de um tipo de viagem que não se repetiria mais. Jovem, inglês e de classe alta, com conexões nos quatro cantos do império onde o sol nunca se punha, Waugh percorria o mundo sem passagem de volta, sem se preocupar com o tamanho da maleta de mão ou com o peso das malas.

    “Entre 1928 e 1937 não tive endereço fixo, nem bens que não coubessem, todos, no carrinho de um carregador”, escreveu. Seu rumo era ditado pela curiosidade e pela necessidade financeira: ele ia aonde os jornais com os quais colaborava lhe pediam para ir, ou aonde farejasse uma boa oportunidade para um novo livro. Foi assim, por exemplo, que, em 1932, veio dar com os costados no Brasil, num programa de índio avant la lettre que o levou de Georgetown, na Guiana Inglesa, a Boa Vista. O relato de sua estada em Roraima é uma sucessão de desastres e de mal-entendidos, sobrepujados por momentos de inenarrável tédio. Sinto informar que, compreensivelmente, não levou boa impressão do país.

    O que me fez voltar a este antigo favorito foi o título, que ficou gravado na minha memória desde que o li, e do qual me lembro sempre que os jornais se enchem de notícias como as das últimas semanas. É cada vez mais difícil imaginar, nos nossos dias de vôos atrasados, de overbooking e de outras histórias de horror aeroportuárias, como se viajava quando o ir era bom. Num melancólico prefácio escrito em 1945, Waugh diz que seus dias de viajante ficaram para trás:

    “Não há lugar para turistas num mundo de ‘pessoas deslocadas’. Nunca mais pisaremos em solo estranho, com uma carta de crédito e um passaporte (este mesmo a primeira sombra pálida da pesada nuvem que nos envolve), tendo a sensação de que o mundo se abre para nós. (....) Jamais aspirei ser um grande viajante. Eu era apenas um típico rapaz da minha época; nós viajávamos porque era assim. Conforta o meu coração ter ido quando o ir era bom.”

    * * *

    O ir, como mostra o noticiário, anda péssimo. Para a Espanha, então, nem se fala – mais um pouco, e estaremos apedrejando as agências do Santander. Antes que as coisas cheguem a esse ponto, é bom que os espanhóis tomem tenência: tenho a impressão de que o fleumático embaixador Peidró ainda não se deu conta de que o problema é mais da Espanha do que dos turistas deportados. Eles passaram por um enorme perrengue, perderam dinheiro e oportunidades, mas, eventualmente, vão ter a oportunidade de viajar de novo.

    Já refazer a imagem da Espanha como país acolhedor e bom destino turístico para brasileiros vai ser mais complicado. De que adianta gastar uma fortuna em publicidade e deixar a porta de entrada na mão de pessoas absolutamente despreparadas para receber visitas? E qual é o sentido de usar a polícia para deter estudantes e viajantes inofensivos enquanto bandos de ladrões agem livremente pelo saguão? A verdade é que ainda estou para encontrar quem viaje com alguma freqüência e não saiba de histórias assustadoras de Barajas, o aeroporto mais selvagem da Europa.

    * * *

    Por falar nisso, há uma imagem recorrente bastante perturbadora nos depoimentos dos brasileiros deportados de Madri. Lucimeire de Souza Rocha disse que ficou fechada numa salinha, “como se fosse um cachorro”; Marcos Vinicius observou que os policiais que os prenderam “olhavam de cara feia, como se fossemos bichos”; Elisete, cujo sobrenome me escapou, disse que foram todos “muito maltratados, humilhados, tratados como bichos”; Pedro Luiz Lima conta que reagiu aos gritos do policial dizendo “Olha, não somos cachorros, trate a gente como homens”; Ramon Santana confirma, “fui tratado como cachorro”.

    Longe de mim querer desviar o foco da conversa, mas há algo muito errado aqui – e não estou falando do ocorrido na Espanha, a respeito do qual estamos todos de acordo. Quer dizer que, se estivéssemos falando de bichos de verdade, especialmente de cachorros, as maldades dos espanhóis não teriam importância?! Será que é tão natural assim trancafiar bichos, e deixá-los passar fome e sede?!

    Ainda que esses sejam cachorros retóricos e que isso seja só figura de linguagem, o fato é que, por trás de expressões assim, há um preconceito que não devia ter mais lugar. Tanto lá quanto cá, já é mais que tempo de tratarmos humanos e não-humanos com o mesmo respeito, carinho e consideração com que gostaríamos de ser tratados.

    * * *

    Para que os planetas se realinhem e o mundo volte a ser harmonioso, pelo menos no espaço fugaz de duas horas, vocês sabem: há uma felicidade logo ali, no Canecão, embrulhada para presente num dos cenários mais lindos e cintilantes do Gringo Cardia. Não é sempre que se pode ver duas estrelas de primeira grandeza brilhando tão perto e tão intensamente. A generosidade com que Maria Bethânia acolhe Omara Portuondo no seu palco é uma aula de elegância; a alegria e a inteligência do canto de dona Omara são, desculpem o termo tão batido, uma lição de vida.

    Melhor, impossível.


    (O Globo, Segundo Caderno, 13.3.2008)






    Formidável!






    Coisa LINDA!





    A criaturinha chama-se Flocke, e mora no zoo de Nuremberg: podia ser mais bonitinha?!

    (Obrigada, Catah!)






    Sebastião Salgado










    Ministro Joaquim Barbosa










    Prêmio Faz Diferença

    Grrrrrrr, que ódio! Subi um monte de fotinhas lá do Copa, mas parece que a Tim estava de birra comigo: as três que entraram eram as piores. Daí que apaguei todas. Logo mais eu passo as fotos todas para o computador, faço uma seleção decente e posto aqui.

    Até já!

    Update, às 16h37m: Aí, sem mais nem por quê, elas começaram a entrar ainda há pouco, totalmente fora de ordem. Assim, qual é a graça?





    11.3.08



    Olha ele aqui... :-)







    (Em Budapest, há coisa de dois anos)

    Parabéns, Bipe!

    Hoje é aniversário da Bia.

    Eu pensei em escrever alguma coisa bem bonita, mas certos sentimentos são muito difíceis de traduzir em palavras.

    Quem acompanha este blog sabe como me orgulho dela, como é companheira, como é querida, como é essencial à minha vida.

    Se a gente pudesse escolher filho sob medida, eu teria escolhido a Bia exatamente do jeitinho que é -- batalhadora, engraçada, bonita e inteligente, sempre atenta a bichos e pessoas.

    Em suma: mandando a modéstia de mãe às favas, ela é o máximo!

    Parabéns, Bipe do meu coração!

    Toda a felicidade do mundo ainda é pouco para você.





    10.3.08


    O que vamos comer? (Está tudo verde!)










    Keaton e Mosca









    9.3.08


    Dona Omara e o Don Compay



    (De uma apresentação do Buena Vista em Colônia, há dez anos)






    Dona Maria e Dona Omara



    (Para dar um gostinho do que é o show)






    Tutu: o dedo que se cortou na mesa










    Yo tengo tantos hermanos... (foto do Lucas)









    8.3.08


    Podendo, a gente vem... ;-)










    Meu cantinho










    Camarim









    7.3.08


    Está o máximo (como sempre)










    Omara e Bethânia










    Show!










    Iuhuuuu!










    Dois Lucas, Tom e Heliana










    Imprevistos










    O caminho de volta










    Dando os meus pulinhos










    Ele tem a barriga mais despenteada...










    Maracaias









    6.3.08


    O Cláudio achou, a Laura recomendou: taí!







    Se todos fossem iguais a você... :-)












    Foto de Lucas Landau, arte (e joelho) de Cora Rónai

    Vida nova

    Colunista volta do “spa” forçado,
    e leitora desabafa sobre a dengue



    No dia 29 de fevereiro fui à redação pela primeira vez desde que fui atropelada. Foi uma sensação esquisita, complexa, difícil de descrever. Nunca me passou pela cabeça, naquela outra sexta-feira, dia 20 de outubro, que eu ia passar tanto tempo longe do Globo. O que eu previa, na verdade, era ficar dez dias sem ir ao jornal -- aproveitaria um resto de férias para fazer uma palestra em Florianópolis, para participar de um evento sobre mobilidade (ha ha ha) em Buenos Aires e para, ufa!, ir ao Festival de Cinema da Amazônia onde, além de me divertir muito, esperava colher umas crônicas.

    Esperava também que sobrasse um tempinho para resolver uma quantidade de pendências de banco e de casa, aquelas coisas chatas que a gente vai empurrando com a barriga, e para as quais nunca encontra tempo no dia-a-dia. O abacaxi maior daquela outra encarnação eram as novas estantes do escritório, já encomendadas: eu precisava supervisionar a retirada dos livros e das estantes velhas. E aí aconteceu o que aconteceu. Encontrei de forma inesperada um rapaz numa moto, e a vida nunca mais foi a mesma.

    * * *

    Se isso fosse um filme, eu faria um corte aqui, e pularia para a Rua Irineu Marinho, na porta do Globo, onde, semana passada, desembarquei, como sempre, de um taxi. A diferença visível estava na muleta; as invisíveis, no joelho e na alma. Para mim, uma volta cheia de significados. Muitas etapas vencidas e muitos momentos decisivos reunidos no caminho aparentemente trivial que repeti ao longo dos últimos -- imaginem! -- 17 anos.

    Fiquei comovida (agora dei para essas coisas); e, apesar das saudades e da alegria de rever os amigos, fiquei só um pouquinho, porque não tem nada mais estressante para quem está trabalhando do que quem chega em pleno fechamento querendo saber de tudo o que é novidade antiga.

    Muitos notaram que emagreci. Alguns até me acharam com a aparência mais descansada, o que, afinal, era o mínimo que eu podia esperar da experiência radical, monótona (e caríssima!) do Wounded Knee Spa.

    * * *

    No tempinho que passei na redação, a mesa me saudou com a bagunça habitual e a cadeira com a habitual ausência; um dos momentos rotineiros da vida de trabalho, desde que me tenho por jornalista, é procurar pela cadeira sumida. Me senti em casa. Tudo está exatamente como estava, ou quase: agora já dá para ver que a Elis Monteiro não está sozinha, e que um projeto de gente chamado Guilherme ocupa um espaço e tanto na barriga da mãe.

    Ainda não dá para voltar de verdade, com todo o gás. Ainda tem um joelho no meio do caminho que dói, que fica inchado, que precisa de gelo várias vezes por dia. Mas rever a parte da minha vida que estava faltando me deu ânimo renovado para a fisioterapia, para ver se consigo, o quanto antes, voltar a ter uma vida normal, daquelas em que a gente sai de casa, vai aonde tem de ir e faz o que tem de fazer, sem pensar quando ou como vai, sem pensar se tem ou não tem escada, sem ter de planejar tudo com antecedência, nos mínimos detalhes.

    Há grandes novidades pela frente, há um ano de venturas e aventuras à minha espera, e o que eu sinto é que estou recomeçando -- agora, como nem podia deixar de ser -- com o pé direito.

    * * *

    A felicidade nunca é completa, porque há um mundo muito imperfeito à nossa volta. Leiam o que me escreveu a Maria Helena Nascimento:

    “Escrevo com ódio. Ódio mesmo, simples e claro. Minha filha de 11 anos acaba de se recuperar de uma dengue hemorrágica muito grave, que causou a ela um sofrimento enorme, durante mais de dez dias, vinte e quatro horas por dia, sem descanso, sem alívio, fora o risco que ela correu. Imagine o que é ver uma criança assim. Agora no Globo.com vi que um menino da idade dela morreu de dengue hemorrágica em São João de Meriti. Eu mesma já tive a doença duas vezes (a primeira há nove anos) e nada me autoriza a pensar que estamos livres de tê-la outras vezes. Evito me perguntar quantas vezes um organismo agüenta ter dengue. Não devemos estar longe de descobrir.

    Sei que ser brasileiro é aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, mas que raio de cidade é essa? Por que é que ninguém faz nada? Essa negligência é maldade, sadismo, ou uma incompetência além de todos os limites? Como é que em 2008 podemos estar reféns de um mosquito que já tinha sido erradicado há décadas? A maioria das pessoas toma todas as providências a seu alcance para evitar a proliferação do aedes em suas casas, mas a cidade não é só feita de casas, e alguma coisa me diz que saúde pública não se resolve com ações individuais descordenadas. Alguém deveria estar cuidando disso e não está. A única ação que se vê é o eterno e nauseante jogo de empurra das autoridades, enquanto pessoas vão morrendo por nada, por uma coisa que se resolve se houver vontade.

    Do fundo da minha impotência, então, só me resta desejar, com toda força e com os piores sentimentos de que sou capaz, que os irresponsáveis que deixaram esta situação chegar onde chegou sintam na pele – e no estômago, na cabeça e nos ossos – todo sofrimento que estão proporcionando à população. De preferência repetidas vezes.

    E se alguém souber de alguma coisa que possa ser feita para pressionar essas pessoas a cumprir sua obrigação – processo, ação popular, sei lá, o que for – me avise, eu faço tudo que estiver ao meu alcance.”


    (O Globo, Segundo Caderno, 6.3.2008)





    5.3.08


    Quai de brumes










    O pior é que (visto de fora!) é muito engraçado







    De volta com a caça










    De olho na bolinha










    Fala, VanOr!

    No outro dia, a VanOr mandou bem demais (ó, novidade!) lá no blog. Estou para comentar desde então, mas há uma aparente incompatibilidade de gênios entre o Haloscan, sistema de comentários que ela usa, e o meu browser.

    Pois hoje cansei de ficar pendurada no Haloscan e parti pra ignorância: roubei o post inteiro, no maior descaramento, e trouxe pra cá, pra poder repetir, em alto e bom som, que sou fã de carteirinha assinada da moça. Assim, pelo menos, quem ainda não sabe por quê fica sabendo.

    E pronto.
    Parentesco e criminalidade
    Vanessa Ornella

    Com as obras de reforma do canil do IJV, em curso desde dezembro passado, eu estou tendo a oportunidade de ter acesso a coisas estranhas que eu, talvez por ingenuidade, talvez por pura preguiça, jamais tive na vida. Uma delas é a trabalheira que dá fazer uma obra: nada é o que parece numa obra. O que aparentemente é só um muro bolorento por causa de telhas mal posicionadas revela-se um vazamento subterrâneo deveras sinistrinho oriundo de uma tubulação de ferro centenária que se esconde junto a esqueletos de dinossauros e tesouros de piratas. Há mais entre um projeto e uma obra finalizada do que supõe nossa vã filosofia, por isso eu tenho minhas reservas antes de fuzilar os responsáveis por obras que nunca acabam, como a da Cidade da Música, porque, de maneira bastante estranha, pode até ser que eles estejam agindo de boa fé. Vai que lá também haja um cano de ferro centenário cujos vazamentos hexagenários abastecem todo o lençol freático da cidade. Até que o MP desça o martelo e prenda alguém, e desde que os juízes, policiais e parlamentares não estejam todos mancomundados em torno de cartões corporativos, no Brasil, nunca se sabe. Mesmo correndo o risco de parecer antipática, somos todos ladrões em princípio. A arma usada pela maioria é justamente a passividade.

    O IJV, meu trabalho, é vizinho de muro com a favela da Mangueira. Na verdade, os nossos muros de quase 90 anos são usados por nossos vizinhos, às vezes, para compôr um quartinho aqui, uma sala acolá ou um puxadinho no quintal. Até aí, tudo bem: não vamos brigar por causa de um cadinho de tijolo e cimento que pode perfeitamente ser compartilhado, já que a gente só usa o lado de cá e eles o de lá. Seria tudo lindo se fosse só isso, mas a vizinhança também usa nossa água e energia. Quando o pessoal da obra tentou entender de onde vinha o vazamento, descobriram dezenas de ramificações de nossas tubulações aéreas para o lado de lá. Eu olhava aquelas evidências fantásticas de furto e imaginava: como foi que eles conseguiram fazer isso sem ninguém perceber? Imaginava quanta água não devia ter sido derramada, quantos cães não teriam sido afogados para que alguém sem acesso ao registro de nossa cisterna conseguisse enfiar um joelho de nossos canos pro além-muro. Até que um funcionário antigo me elucidou: "Ô, dôtora, o pessoal não precisa ter esse trabalho todo, não. É só dar um troco pra firma da obra, que eles mesmos colocam os gatos." Meu deus, eu disse: "Então um colega meu de prefeitura enfiou uns trocados no bolso há 16 anos para que nossos bolsos fossem sangrados em 3 vezes esse valor todos os meses por todo esse tempo?!? E enquanto isso, quantas vezes não tivemos de cancelar cirurgias porque ficamos sem material? Isto é horrível!" Nem preciso dizer que todos me olharam com a compaixão típica que se sente por pessoas inaptas à vida de uma forma ou de outra. Na verdade, todo mundo acha um absurdo, mas parece haver um consenso nacional sobre a nossa impotência diante do absurdo. De certa forma, todos nós achamos que fechar o bico e não se envolver é a única atitude sensata a se adotar.

    O sobrinho de uma conhecida, funcionário da Light, foi enviado a um bairro humilde com a tarefa de subir num poste e cortar uns gatos que de lá saíam. Estava o gajo lá no alto, com a dignidade exposta, quando surge um grupinho de pessoas humildes lá de baixo, que lhe perguntam: "O que você está fazendo?". "Cortando umas ligações clandestinas", ele semi-responde com o coração na garganta. Os amigos dos amigos sugeriram que se ele cortasse alguma coisa ali, ele também seria cortado. Se os funcionários da Light pudessem voltar pra casa de helicóptero, ele teria pedido o resgate naquele instante, mas achou melhor ficar ali por mais duas horas, no alto, apavorado, para que seus prezados amigos pudessem constatar que nada havia sido cortado, exatamente como tinham acordado de forma tão amistosa.

    Voltando ao meu trabalho, para resolver esse tipo de impasse, temos um funcionário que mora na comunidade há décadas e é, digamos assim, uma espécie de Itamaraty no IJV: ele faz a ponte entre nós e a favela, é ele quem possibilita que o tênue limite do muro não seja profanado por um dia de fúria e mal entendidos, como esse do corte de gatos. Ai de nós querer cortar a água gratuita da vizinhança! Nós também não voltamos pra casa de helicóptero e nossos ônibus coletivos não são blindados. Minha inaptidão à vida me faz achar que não custa nada tentar explicar pra galera do além muro que roubar água não tem nada a ver, que a gente precisa dessa grana pra salvar vidas, mas o embaixador comunitário me pede, mão sobre meu ombro, que eu tenha cuidado com as palavras que uso.

    Tenho tanto cuidado, que outro dia fiquei chocada quando um vizinho do lado de lá chamou minha chefe ali, perto de sua janela com vista pro nosso canil: "Aí, tia, como é que eu tiro essa grade aí de vocês pra poder subir meu muro?" Ele estava se referindo ao nosso muro: ele queria tirar a grade sobre nosso muro para subir o "seu" um pouco mais. Minha chefe, que é pelo menos 10 anos mais jovem que aquele senhor, foi gentil e sugeriu que ele consultasse a administração do instituto. Quando nos afastamos, eu perguntei: "Impressão minha ou esse marmanjão barbado te chamou de tia?" Ela me explicou que "tia" é gíria de favela. Meu deus, eu pensei, pessoas adultas chamando outras pessoas adultas de "tia"... isto é horrível! Pior que isso, imagino, é saber que independentemente de sermos tias ou tios, mães ou pais, irmãos ou irmãs de quem quer que seja, somos todos responsáveis pelos roubos cometidos por políticos, servidores públicos, reitores e vizinhos. Enquanto não desativarmos o Itamaraty que existe em nós para mostrar nossas armas, enquanto não tomarmos partido, as notícias de roubos cometidos contra o erário nunca deixarão de parecer um rol de anúnicos sem qualquer importância exibidos num classificado de horrores.






    * suspiro *










    Quase abstrato









    4.3.08


    Enquanto isso, na casa da Ju...












    Está tão bom!










    A vida é bela...




    Acho que deu para perceber, ao longo das últimas fotos, que comer na Roberta Sudbrack não é exatamente "almoçar" ou "jantar"; é uma aventura gastronômica completamente diferente de tudo o que se conhece, uma experiência sui generis, em que a gente faz a festa alegrando os olhos e tentando adivinhar o que é o quê, enquanto brinca com sabores e texturas diferentes na boca.

    É óbvio que não é coisa para todo dia; ninguém come assim na vida real. Uma refeição dessas tem um ritmo próprio, e uma tal quantidade e variedade de inflexões, que precisa de um espaço no tempo.

    Mal comparando, eu diria que é como uma observação sagaz e espirituosa entre parênteses, que fica perfeita como surpresa ao longo de um texto, e que assim deve ser mantida.

    Ao contrário do que parece, é MUITA comida! As porções são minúsculas, bocadinhos de delícias, mas de bocadinho em bocadinho...

    Eu acho que a Roberta gosta de perturbar a gente com isso. Lá vem UM aspargo. Depois, UMA colherada de uma outra maravilha qualquer. Está achando pouco? Espera, pra ver o que é bom! O pior é que, no fim, é assim que tem que ser, se a gente quiser curtir o parque de diversões todo.

    Outro prazer perverso dela, estou convencida, é assustar as pessoas. Da última vez em que comi lá, por exemplo, um dos pratos tinha jiló. Como quase todo mundo, eu odeio jiló, e fiquei na maior aflição: jiló?! Bom, o raio do jiló aparecia em fatias fritas tão fininhas e tão suaves que levei o susto à toa. Dessa vez, ela resolveu tirar da manga o maxixe, outro legume de má reputação. Nem preciso dizer que também odeio maxixe, né? Pois foi o que se viu. Eu teria lambido o prato, se não pegasse meio mal em local público.

    Não conheço, em nenhum lugar do mundo, nada que se compare a um jantar na Roberta. Nada mesmo. O que ela inventa é sempre originalíssimo, e no mínimo muito interessante. Quase sempre, é emoção pura em forma de comida, e vocês sabem que eu sou um bípede muito sensível a essa forma de felicidade.

    A toda hora fico com vontade de ir lá na cozinha dar um abraço nela.

    Enfim.

    Madrugada vai alta, vou dormir e vou sonhar com os anjos, se é que já não os comi todos, com asinhas e tudo.






    As sobremesas





    Canelone de beterraba com pistache




    Fanfarra






    Codornas defumadas com batatas bravas










    Filé curado com maxixe e cebolinhas









    3.3.08


    Verduras com sal do Himalaia (!)










    Tataki de atum com feijão verde










    Atum com maxixe










    Roberta, muito concentrada










    Chantilly de batata










    Flor de abóbora com broa de cacau










    Aspargo caramelado










    Caviar nacional










    Promete... :-)










    Verdade.










    As caixas da Amazon.com são melhores!








    Sobre os comentários: atenção!


    Pessoas, o nosso querido Falou & Disse voltou ao ar. Eu não desativei ainda o Yaccs por causa da quantidade de comentários que foram feitos lá; estou transferindo aos poucos o que posso de um lado pro outro.

    Peço então, por favor, que abram a caixa de comentários à esquerda, OK?

    Muito obrigada.






    Dos comentários

    Fala Maria Helena Nascimento; eu assino embaixo.
    " Antes de mais nada, desculpe por postar meu desabafo aqui, mas não descobri como escrever para você de outro modo e preciso passar isto adiante pra nao adoecer.

    Escrevo com ódio. Ódio mesmo, simples e claro. Minha filha de 11 anos acaba de se recuperar de uma dengue hemorrágica muito grave, que causou a ela um sofrimento enorme, durante mais de dez dias, vinte e quatro horas por dia, sem descanso, sem alívio, fora o risco que ela correu. Imagine o que é ver uma criança assim. (agora no Globo.com vi que um menino da idade dela morreu de dengue hemorrágica em S. J. de Meriti) Eu mesma já tive a doença duas vezes (a primeira há nove anos) e nada me autoriza a pensar que estamos livres de ter outras vezes. Evito me perguntar quantas vezes um organismo aguenta ter dengue.

    Não devemos estar longe de descobrir.

    Sei que ser brasileiro é aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, mas que raio de cidade é essa? Por que é que ninguém faz nada? Essa negligência é maldade, sadismo, ou uma incompetência além de todos os limites? Como é que em 2008 podemos estar reféns de um mosquito que já tinha sido erradicado há décadas? A maioria das pessoas toma todas as providências a seu alcance para evitar a proliferação do aedes em suas casas, mas a cidade não é só feita de casas, e alguma coisa me diz que saúde pública não se resolve com ações individuais descoordenadas. Alguém deveria estar cuidando disso e não está. A única ação que se vê é o eterno e nauseante jogo de empurra das autoridades, enquanto pessoas vão morrendo por nada, por uma coisa que se resolve se hover vontade.

    Do fundo da minha impotência, então, só me resta desejar, com toda força e com os piores sentimentos de que sou capaz, que os irresponsáveis que deixaram esta situação chegar onde chegou sintam na pele – e no estômago, na cabeça e nos ossos – todo sofrimento que estão proporcionando à população.

    De preferência repetidas vezes.

    E se alguém souber de alguma coisa que possa ser feita para pressionar essas pessoas a cumprir sua obrigação – processo, ação popular, sei lá, o que for – me avise, eu faço tudo que estiver ao meu alcance. Muito obrigada."

    Maria Helena Nascimento






    O caçador de bolinhas









    2.3.08


    Blog!

    Há um excelente post do Emerson (redundância; todos os posts dele são excelentes) sobre explosão demográfica aqui.






    Back from The Wounded Knee Spa

    Na sexta passada fui à redação pela primeira vez desde que fui atropelada. Foi uma sensação esquisita, complexa, difícil de descrever.

    Nunca me passou pela cabeça naquela outra sexta-feira, dia 20 de outubro, que eu ia passar tanto sem ir ao Globo. O que eu previa, na verdade, era ficar dez dias sem ir ao jornal -- aproveitaria um resto de férias para fazer uma palestra num evento da Goodyear, em Florianópolis; para participar, como expositora, de um evento sobre mobilidade em Buenos Aires; para ir ao Festival de Cinema da Amazônia, em Manaus, onde, além de me divertir, colheria algumas crônicas.

    Eu esperava que sobrasse um tempo, também, para resolver uma quantidade de pendências de banco e de casa, essas coisas que a gente nunca tem tempo para fazer no dia-a-dia.
    O abacaxi maior daquela minha outra encarnação é que as estantes novas já estavam encomendadas, e eu precisava supervisionar a retirada dos livros e das estantes velhas.

    E aí aconteceu o que aconteceu.

    Num filme, eu faria um corte aqui e pularia para a porta do Globo na sexta passada, onde, como sempre, desembarquei de um taxi. A diferença visível estava na muleta; as invisíveis, no joelho e na alma.

    Os colegas foram todos uns amores, fizeram festa, foram super carinhosos.

    Fiquei comovida, porque agora dei para esss coisas; e fiquei só um pouquinho na redação, porque não tem nada mais estressante para quem está trabalhando do que gente que chega em pleno fechamento e quer saber de tudo o que é novidade antiga.

    Muita gente notou que emagreci, e muita gente achou que estou com a aparência bem mais descansada.

    Bom. Alguma vantagem eu tinha que ter tirado do Wounded Knee Spa, né? essa experiência radical que me segurou na cama por três meses. Se nem mais descansada eu estivesse, era para cortar os pulsos...

    No tempinho que passei por lá, a mesa me saudou com a bagunça habitual e a cadeira com a habitual ausência; um dos momentos rotineiros da minha vida na redação é procurar pela cadeira sumida.

    Me senti totalmente em casa.

    Está tudo exatamente como estava, ou quase: agora já dá para ver muito bem que a Elis não está sozinha, e que o Guilherme ocupa um um bom espaço.

    Ainda não dá para voltar com todo o gás. Ainda tem um joelho no meio do caminho que dói, que fica inchado, que precisa de gelo várias vezes por dia. Rever a parte da minha vida que estava faltando, porém, me deu ânimo renovado para a fisioterapia, para ver se consigo, o quanto antes, voltar a ter uma vida normal, daquelas em que a gente sai de casa, vai aonde tem de ir e faz o que tem de fazer, sem pensar quando ou como vai, sem pensar se tem ou não tem escada, sem ter de planejar tudo com antecedência, nos mínimos detalhes.

    Há novidades pela frente, há um ano de venturas e aventuras à minha espera, e o que eu sinto é que estou recomeçando -- agora, como nem podia deixar de ser -- com o pé direito.

    Saúde!






    Habilidades obsoletas

    No Boing Boing tem uma lista de habilidades obsoletas divertida e, ao mesmo tempo, ligeiramente melancólica: eu, por exemplo, já editei muito bem arquivos autoexec.bat e config.sys; já fui craque em trocar fita de máquina de escrever e sabia limpar cabeçote de VHS; e conhecia todas as marcas de revisão. Ah, sim, eu também tinha o código ASCII praticamente de cor.

    * suspiro *






    Comentários

    O Falou e Disse, sistema de comentários bacaninha deste blog, com direito a smilies, matuscas e gatos, está temporariamente fora do ar; os comentários estão, por enquanto, no YACCS.






    Enquanto isso, em Vancouver...

    Meu amigo Jim, que passou por um transplante de pulmão há uma semana, melhora a olhos vistos!

    Linda, sua mulher, informou há algumas horas no Flickr que ele já saiu da UTI, e já respira sem a ajuda de aparelhos. Aliás: vale a pena visitar o Flickr para ver como este homem é querido, e que bela torcida se reuniu virtualmente à sua volta.

    Às vezes o cerumano surpreende.

    Em tempo: o website do Jim, que linkei lá em cima, foi feito pela nossa Marcela de Seattle da Gávea. :-)






    A Betty Gofman achou esses gatinhos na rua junto com a mãe deles, levou pra casa. Havia um terceiro irmãozinho que não resistiu, estavam todos muito fracos.

    Os dois que sobreviveram foram adotados pelo casal que fez esse filminho delicioso; a mãezinha, que ainda ficou uns tempos com a Betty, também achou um lar.

    Aproveito a carona do filminho, que achei bonitinho demais, para informar que há seis filhotes muito lindos disponíveis na casa da minha amiga Ediane: quatro meninas tricolores todas pintadas e dois meninos amarelos feito o Mosca.

    Eles nasceram lá, são fortes e saudáveis, muito mansinhos.

    Se alguém se interessar, por favor mande um email para ela.






    Pips










    Raimundo, Zé e Pipoca