31.1.08


Cinema de verdade, viva!










Lanche










Ai, sono...









30.1.08

Carnaval sim;
boçalidade não


Alguém me perguntou, outro dia, se gosto de carnaval. Uma pergunta simples, objetiva e direta; pois fiquei perdida, sem saber o que dizer, porque, além de já ter gostado mais, hoje gosto e não gosto, dependendo do tempo, do horário, do tamanho da multidão. Carnaval com o calor senegalês da semana passada? Nem pensar. Carnaval com o fog e a chuva londrinos dessa semana? Menos ainda. Bloco às nove da manhã? Tou fora. Bloco ao cair da tarde? Tou fora também, até porque aí todos já beberam todas e, mais do que me divertir, me aborreço com as inconveniências, a vulgaridade, os mijões a céu aberto. Sabem como é, sou do tempo em que as gentes mantinham certa compostura, inda brincando. Também não gosto de blocos gigantescos, em que milhares de pessoas se empurram de um lado para o outro, cantando a mesma música – em geral, ruim – ad infinitum, e em que câmeras e celulares desaparecem sem deixar vestígios. Vocês estão vendo? Eu sou do tempo em que as pessoas usavam expressões latinas como ad infinitum.

No último fim-de-semana, porém, aí pelas quatro, de um dos quiosques aqui em frente, começou a vir uma batucada linda, num volume razoável que até permitia conversa dentro de casa, seguida de uma seleção de sambas e marchinhas antológicos. Fui para a janela e fiquei observando as pessoas que chegavam de carro ou a pé, as que moram por aqui e correram atraídas pela música, as que vinham distraídas pela ciclovia e, ainda na esquina, começavam a sambar -- e quase chorei de raiva do joelho que me prende. Esse carnaval de bairro, essa alegria espontânea e familiar que conserva a afabilidade e as dimensões humanas, ah, isso eu adoro.

* * *

Ao mesmo tempo, em Laranjeiras, Lucas Landau, que estava cobrindo os blocos, filmou com o celular o momento em que a banda parou em frente à casa de d. Elizabeth -- e o bloco inteiro, como faz sempre, cantou Carinhoso para ela. D. Elizabeth, uma senhorinha de cabelos brancos, apareceu na sua janela de segundo andar e foi muito aplaudida por todos.

Não sei quem ela é nem faço idéia de como ou quando começou essa tradição (socorro, César Tartaglia!), mas o pequeno vídeo despretensioso mostra que o carnaval que me empolga está vivo e bem, e que a nossa Muy Leal e Heróica, em que pesem seus pesares, conserva um bocado do antigo charme. A serenata para d. Elizabeth pode ser vista na Internet em gigantes.notlong.com, e é, garanto, o que há de mais carinhoso. Com ou sem trocadilho.

* * *

Também gosto demais do desfile das escolas de samba e, para minha tristeza, este ano, pela primeira vez em muito tempo, vou ficar longe do Sambódromo. Os sambas andam péssimos, é verdade, mas o espetáculo, como um todo, melhora a cada ano. Quando a gente acha que já viu tudo, aparece algo completamente novo; quando a gente acha que agora realmente já chega, que não agüenta mais ver uma escola sequer, eis que entra em cena uma maravilha imperdível, que garante que tão cedo a gente não vai para casa. Não há como resistir a tanta alegria, tanta dedicação, tanto trabalho, tanta criatividade. Os carros estão enormes? Pois acho bonito. As alas e as baterias estão infestadas de gringos? E daí? Que mal há nisso?! É bom para eles, coitados, que não têm a felicidade de, ano após ano, contar com o maior espetáculo da terra relativamente perto de casa, a umas quantas paradas de trem ou metrô.

* * *

Em suma, pensando bem, acho que gosto de carnaval, sim. E muito. Do que eu não gosto é do rumo cafajeste que qualquer festa coletiva tem tomado no Rio, da falta absoluta de medida em que a diversão de uns acaba virando o inferno de outros. Não gosto dos palcos armados na praia em zonas residenciais, onde os moradores sofrem com passagens de som o dia inteiro e com os shows propriamente ditos pela noite afora; não gosto de blocos com síndrome de trio elétrico, que afogam o canto dos foliões em milhares de decibéis; não gosto dos palavrões berrados como se fossem diálogo normal debaixo das janelas daquilo que outrora se chamava gente de bem, e que não tem nada a ver com a falta de educação dos filhos alheios; não gosto do nível etílico cada vez mais alto em pessoas cada vez mais jovens, e das suas conseqüências freqüentemente funestas.

Finalmente, ainda que compreendendo a disparidade entre a quantidade de banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura e a quantidade de cerveja vendida pelos ambulantes nos grandes ajuntamentos, não gosto de ver homens usando árvores ou pneus de automóveis como mictórios em plena via pública – e gosto menos ainda do cheiro com que amanhecem essas pobres áreas amaldiçoadas. Sempre me pergunto por quê os homens cariocas precisam ser tão grosseiros e indelicados. Afinal, ainda estou para ver as mulheres que os acompanham, na bebida inclusive, dando semelhante espetáculo de boçalidade.

* * *

Tiro o chapéu (metafórico) para Bruno Chateaubriand que, confesso, sempre me passou uma impressão de inconseqüência e futilidade, mas que, nas páginas amarelas da Veja dessa semana, com uma sensibilidade à toda prova, deu entrevista da maior dignidade e inteligência. Perdão, Bruno. Até aqui, ao ler sobre você, eu não sabia de quem estavam falando.


(O Globo, Segundo Caderno, 31.1.2008)






Aqui dentro










Lá fora










Falta uma caixa para a Net...










Chico e Millôr










Era o mínimo que se esperava!










Tati odeia fotos









29.1.08


Ele também gostou








Nada como acordar com um sorriso desses









28.1.08


Bill Gates que se cuide

Hoje chegou um livro que pedi na Amazon.co.uk: "Orientalism and Empire: North Caucasus Mountain Peoples and the Georgian Frontier, 1845-1917", de Austin Jersild, publicado em capa dura pela McGill-Queen's University Press do Canadá, em 2002.

Novo.

É um dos que encomendei na esteira do "Orientalista", e que, espero, vai diminuir um pouco a minha descomunal ignorância da História do Cáucaso.

Há menos de um mês, o livro me custou £ 26,74 mais £ 7 de postagem, ou seja, pouco menos de R$ 120.

Ele devia ser um dos útimos em estoque, porque hoje o menor preço na mesma Amazon.co.uk, entre novos e usados, é de £ 67,34. Há outros dois disponíveis, a £ 78,24 e £ 176,40 (!!!), respectivamente.

De £ 26,74 a £ 176,40 em menos de um mês é um lucro e tanto, não é não?!

Começo a olhar com olhos de Tio Patinhas os velhos livros aqui de casa...






A patinha cheia de pontos










Quando vão tirar os pontos?!










Arrepio




Essa caixa que vocês estão vendo aí contém os negativos das fotos feitas por Robert Capa em 1939, durante a Guerra Civil Espanhola, dados como perdidos quando o fotógrafo fugiu da Europa para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.

É uma das descobertas mais importantes do mundo fotográfico, ponto.

Quando li a notícia fiquei arrepiada dos pés à cabeça, num estado de emoção e curiosidade semelhante ao que senti quando soube que haviam encontrado o Titanic.

Os negativos do Capa!!!

Caramba.

Quanto eu não dava para ver isso...






Caso de polícia

Desculpem o sumiço, mas estou detida em Vigàta, cidade fictícia da Sicília, inventada por Andrea Camilleri, presa pelo comissário Salvo Montalbano.

Na quinta-feira li A Forma da Água, na sexta O Cão de Terracota, ontem O Ladrão de Merendas e, hoje, estou às voltas com A Voz do Violino.

Como é que eu não descobri esses livros antes?!





27.1.08


Adeus, Garfield





O Garfield foi embora ontem à tarde.

É impressionante como a gente se apega a bichinhos que nem conhece pessoalmente quando ama os bípedes que convivem com eles. Fiquei de coração partido quando a Layla me deu a notícia; o Garfield fazia parte de uma espécie de Família Gato virtual, definida, imagino, pelo carinho e pelas afinidades eletivas que tenho com as pessoas escolhidas por esses quadrupinhos tão especiais.

Descanse em paz, Garfield querido.
"É assim que quero tê-lo para sempre na minha lembrança. Ele partiu hoje à tarde para o céu dos gatinhos. Chegou ao final de sua jornada, mas foi feliz, muito amado e deixou maravilhosas lembranças e muitas saudades.

Posso até chorar pela sua partida, pois vou ficar com muitas saudades, mas quero também agradecer por ele ter existido na minha vida." Layla





26.1.08


Olhando coisas










No shopping










Huahuahuauhauha!










Old habits die hard










Acabou tudo bem










Era um ar refrigerado que pegou fogo










Na saída havia um tumulto










Fui à médica de tarde...









25.1.08


Olha quem está aqui!










Retrato em família









24.1.08


Irineu no ninho










Keaton, desgostosa com o restaurante










Irineu no ninho










:-)









Crônica de duas cidades

A violência que matou Detroit pode matar o Rio;
basta a omissão dos políticos



Quando a minha turma andava aí pelos 14, 15 anos, recebeu como dever, de um dos professores, subir a favela ali em frente, observar como viviam os moradores, entrevistá-los e escrever sobre o assunto. O colégio era o inesquecível Brasileiro de Almeida, e a favela era a Catacumba, na Lagoa – ali onde hoje há um bosque com uma trilha linda e um jardim de esculturas. Na época, favelas eram apenas amontoados de casebres insalubres, onde viviam pessoas pobres. O maior perigo da empreitada era escorregar na lama e dar um mau jeito no tornozelo.

O grupo do qual eu participava foi recebido com grande cordialidade: a maioria dos moradores com quem conversamos nos convidou a ver suas casas e nos ofereceu água e cafezinho, luxo verdadeiro numa área sem água corrente. Uma senhora nos ofereceu, de quebra, a sua opinião sincera sobre nosso trabalho: achava um absurdo um colégio caro daqueles soltar os alunos por ali, “para passear”, em vez de segurá-los na sala de aula aprendendo matemática e português, como devia fazer qualquer escola de respeito. Nossos pais sabiam daquilo?

Um ou dois anos depois, a favela foi derrubada e os moradores transferidos para a Vila Kennedy, em meio à gritaria que, invariavelmente, cerca esse tipo de ação. Passando o noticiário na peneira e descartando o auê dos políticos, que não fazia qualquer sentido para mim, sobrava a principal queixa dos moradores, que era a distância da Vila Kennedy para a Zona Sul, onde ficavam seus empregos. Eu tinha 16 anos e estava dividida. Tinha visto as condições de vida da favela, os casebres miseráveis de madeira encarapitados sobre valas negras, a falta de tudo; via as fotos dos apartamentos pequenos e humildes, mas decentes, e achava enorme o salto qualitativo em termos de moradia. Por outro lado, imaginava as horas de condução, e pronto, ficava de novo em dúvida sobre o que era pior.

* * *

Hoje, com o crescimento desordenado das favelas e com a guinada tenebrosa dada pelo tráfico à vida nas comunidades, não tenho dúvidas. Se a Catacumba não houvesse sido demolida, seus habitantes teriam, de fato, continuado perto dos empregos; mas os empregos que os sustentavam, passado algum tempo, não existiriam mais. Ou, pelo menos, não existiriam com a vantajosa proximidade. Estariam na Barra, em Petrópolis, em São Paulo, em qualquer lugar menos na Zona Sul, porque, alguém duvida? a travessia do Túnel Rebouças estaria, há tempos, sendo controlada pelo tráfico.

Aliás, se a Favela do Pinto, ali onde fica hoje a Selva de Pedra, também não houvesse sido removida, ninguém poderia, tampouco, chegar à Gávea ou ao Leblon pela Lagoa. Quiosques, pedalinhos, clubes, áreas de lazer, aves, vegetação? Esqueçam. Ao longo de décadas de construções ilegais, a Lagoa, coitada, que é um ecossistema frágil e que, por natureza, está longe de ser um aquário, seria apenas uma gigantesca fossa a céu aberto.

O prejuízo, nem preciso dizer, não seria exclusividade dos “ricos”. A degradação urbana causada pela violência não pode ser subestimada; e, menos ainda, pode ser considerada uma questão “elitista”, já que afeta as pessoas na medida inversa dos seus recursos. Quem tem dinheiro de verdade larga a casa, fecha a empresa e vai embora sem pensar duas vezes; quem tem um dinheirinho se muda; quem tem um mínimo de condições vai morar com parentes num lugar mais seguro. Sobram os deserdados, vítimas cada vez mais fáceis da violência que já não interessa a ninguém combater.

* * *

Um passeio por Detroit, que já foi uma das cidades mais prósperas e a quarta mais populosa dos Estados Unidos, é altamente didático para quem acha que falta de segurança é problema de gente rica. Lá estão, abandonados e em ruínas, todos os grandes edifícios construídos no auge da indústria automobilística, todas as mansões dos milionários, a linda estação de trem. Ao longo da última década, o estado e a iniciativa privada vêm fazendo um esforço monumental para reeguer a cidade, mas a verdade é que, depois dos conflitos dos anos 60-70, só ficou morando lá quem não conseguiu ir para outro lugar. Sobrou, em suma, para as pessoas honestas mas sem recursos, reféns tanto dos bandidos quanto da polícia – e estigmatizadas, ainda por cima, pelos endereços malditos em que se viram obrigadas a continuar.

Não é preciso muita imaginação para transpor o quadro para cá: os ricos e a classe média cada vez mais afastados e protegidos em seus subúrbios impessoais, que encontram certa correspondência nos condomínios da Barra, e as ruas antes cobiçadas e cheias de história abandonadas e decadentes, as lojas fechadas, os casarões invadidos, a vida divertida e fervilhante congelada nos píxels de velhas fotos.

* * *

O processo que levou à derrocada de Detroit, com exceção da questão racial americana (que, diga-se o que se disser, é completamente diferente da brasileira), foi semelhante ao que está em curso no Rio: a total apatia política face ao tráfico de drogas, à ocupação urbana desordenada, à espiral crescente da violência. Lá, como cá, péssimos governantes se reelegeram sucessivas vezes, enquanto a cidade mergulhava no caos; é que, para os traficantes e para as gangues que efetivamente detinham o poder, a maior virtude de um político era a omissão.

Continua sendo.


(O Globo, Segundo Caderno, 24.1.2008)





23.1.08


Net & Keaton










Um dia e tanto

Hoje comecei o dia indo ao VI JCE, juizado de pequenas causas da Lagoa, ali no Humaitá, para uma audiência de conciliação com o Itaú. É que em outubro do ano passado o meu cartão do então Bank Boston foi clonado, e foram feitos cerca de dois mil reais de despesas que não reconheci.

Na época, aliás, o alerta me foi dado pelo próprio departamento de fraudes do cartão: compras de pneus e coisas de carro, feitas às nove da manhã, num posto da Barra da Tijuca.

Não havia nem o que discutir. Praticamente não vou à Barra, não tenho carro e, sobretudo, não faço compras às nove da manhã.

Ainda assim, o banco cobrou a fatura. Eu disse que não pagava. O banco cobrou de novo. Eu disse de novo que não pagava. Ficamos nesse empurra, enquanto a suposta dívida crescia. Alguns amigos me aconselharam a pagar logo de uma vez para evitar chateação, mas, além da grana, que não era pequena, havia uma questão de princípios: eu não tinha feito aquela despesa!

O banco me mandou pro Serasa e pro SPC, continuou mandando as contas (agora já em cinco mil e tantos reais) e eu fui pra Justiça.

Hoje o banco ofereceu um acordo: já tirou o meu nome dos serviços de proteção ao crédito, cancelou o débito e, dentro de 15 dias, me paga R$ 4 mil. Disso, é lógico, uma parte vai para o escritório de advocacia que me representou.

Prontinho. Resolvido um grande perrengue e dinheiro em caixa para uma nova mesa de centro. Acho que o ano está começando bem... :-)

* * *

De tarde, a radiografia.

Que diferença da primeira! Não falo em termos de imagem, porque eu precisaria ser radiologista para fazer afirmação tão enfática; falo em termos de dor, porque da primeira vez a perna doeu tanto esticada quanto dobrada para o Raio X, e hoje nem tchuns.

Segundo o técnico, o resultado está ótimo; e segundo o laudo da radiologista, na medida em que é possível a um reles mortal entender um laudo desses, tudo está perfeito.

Olhando a imagem assim, contra a luz, numa espécie de radiologia de botequim, dá para perceber que a fratura da fíbula está, como direi, "desfraturando" muito bem, e que, especialmente, entre aquele monte de pedacinhos de osso que se via antes, existe agora uma substância com todo o jeito de osso em formação.

Na segunda, o dr. João Matheus vai confirmar se é isso mesmo; mas, para comemorar por conta, fui com a Heliana e o Lucas dar uma volta de cadeira de rodas no Shopping da Gávea.

Vimos lojas, conversamos bobagens, ficamos assustados com a explosão populacional.

Estou exausta, mas muito feliz.






Fazendo uma extravagância










A clínica é linda










Mosca e Pipoca










E assim se passaram três meses

No dia 23 de outubro, há exatos três meses, eu estava sendo operada pelo dr. João Matheus; no fim da tarde do dia anterior, como vocês sabem, eu havia tido um encontro inesperado com um rapaz numa motocicleta que mudou radicalmente a minha vida.

Eu era tão inocente de fraturas que achava uma semana depois conseguiria ir a Florianópolis fazer uma palestra; também achava que o ortopedista estava brincando quando disse que, no Natal, eu provavelmente já estaria usando muletas. Afinal, NADA poderia durar tanto tempo...

É curioso que, vistos daqui, esses três meses passaram voando; já vistos de diversos pontos ao longo do tempo, passaram extremamente devagar. De qualquer forma, eles têm um significado importante em termos de recuperação, porque representam, em tese, o momento em que, se tudo estiver certinho, vou poder pisar de verdade com a perna esquerda.

Hoje vou fazer a radiografia que vai mostrar a quantas eu ando (ou não).

Depois eu conto como foi.





22.1.08


A Funguinho, da Bia

 

Para os íntimos, também conhecida como Funghi; foto Bia, via iPhone.
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Arrumando o blogtequim

Pessoas, o papo nos comentários está muito bom e muito divertido, mas, na minha experiência, blogs podem ir por água abaixo quando suas áreas de comentários se transformam em salas de chat.

É que há leitores que, ainda que não escrevam, gostam de ler comentários, mas não bate-papos; e os que eventualmente querem se manifestar sobre um assunto específico desanimam, ou ficam intimidados, quando caem num papo do qual estão por fora.

Eu não sou contra salas de chat nos comentários, pelo contrário: fico feliz em ver que as pessoas se sentem à vontade no blog e fazem dele um ponto de encontro.

Apenas acho que, para manter uma certa pluralidade nos comentários, devemos sistematizar a conversa, para que as pessoas que queiram escrever sobre algum assunto específico possam fazê-lo também.

Então, vamos fazer um acordo: as fotos de gatos (que nunca faltam, vocês sabem!) estão liberadas e podem ser usadas para todo e qualquer tipo de conversa, mas seria legal se os comentários em outros tipos de fotos e posts escritos se mantivessem, na medida do possível, sobre os assuntos em questão.

Vocês fazem isso para mim?

Muito obrigada!

Como vocês sabem, o lema aqui é "Servimos bem para servir sempre".

Ah sim, claro: OTs urgentes e/ou relevantes podem, e devem, ser postados em qualquer lugar, de preferência nos posts onde não há papo, para que possam ser lidos por todos e devidamente respondidos.






Um cantinho seguro para dormir









21.1.08


Notícias gerais

A Tutu ainda está muito abalada, coitada: a pata dói quando ela pisa (é a esquerda traseira) e, suprema indignidade, depois de tudo o que lhe aconteceu ainda tem que tomar antibiótico. De modo que passou o dia quietinha e assustada pelos cantos.

Quando anda manca muito. É evidente que dói encostar a pata no chão.

Passei o tempo que pude ao lado dela, fazendo carinho.

A Keaton está ótima, se alimentando bem e portando-se com a galhardia de sempre.

E eu, bem, eu passei o dia hoje com o joelho meio detonado porque, quando a empregada disse ontem que havia um gato ensangüentado lá pra dentro, saí correndo, sem pensar em nada; e, obviamente, pus mais pressão no pé do que devia ter posto.

Mas não aconteceu nada demais, a fisioterapeuta já viu e disse que está OK.

Boa noite para todos: vou dormir, essa vida de emoções fortes está acabando comigo.






Tutu









20.1.08


Era uma vez uma mesa!







Era uma vez uma mesa!










A festa foi animada pelo Casuarina

 

(Mas não, eu não dancei...)
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19.1.08


Eu me sentei num lugar estratégico...










Hmm... o trânsito não está bom...










Uma girafa sorri pra Monica L.










E hoje eu vou a um casamento...










Já apagou o Corcovado










Lá vem a chuva










Aluga-se apê em Botafogo

É da Laura; e é mesmo uma gracinha de apartamento:
"Estou alugando um apartamento muito simpático em Botafogo.O Tom Moore e a Deborah moravam lá, antes de se mudarem para os Estados Unidos. Tem uma sala e dois quartos, sendo que o inquilino anterior ao Tom abriu um arco entre os dois, e usava um quarto para dormir, outro como escritório, e o Tom manteve este arranjo.

Um dos quartos tem uma parede levemente arredondada no canto, o que lhe dá um charme particular. A vista é para a pracinha e para a rua, agradável e não devassada. As janelas têm persianas de enrolar.

Tem também cozinha arejada, banheiro iluminado (e bastante amplo!) e dependências de empregada com janelas para fora, o que é raro.

Está recém-pintado de branco ou beige (não me lembro, vê se pode!) com rodapés e portas azul-marinho. Fica num terceiro andar, sem elevador (por isso o condomínio é baixinho), mas os lances de escada são curtos e fáceis de subir. Não tem garagem, mas tem ponto de ônibus pertésimo e não fica muito longe do metrô. Na rua do lado, tem feira toda terça (eu adoro feira!).

O prédio tem quatro andares e só três apartamentos por andar, é bem bonitinho, e o apartamento é gostoso.

Fica na rua Marechal Francisco Moura, que é praticamente a continuação da rua da Matriz, na pracinha, perto da favela. Por conta deste "perto da favela" o aluguel é mais baixo do que o normal, mas não há perigo de se morar lá (Mamãe mora a poucos metros, e não tem qualquer queixa do lugar).

A síndica do prédio (milagre!) é um amor de pessoa. Ah, o prédio inteiro está sendo pintado este mês. Estou pedindo R$ 700 de aluguel."






E assim










Está ficando assim









18.1.08


Chegou!










Caos










Posto de observação









17.1.08


Uma espécie de quadrúpede

 
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Vocês já leram; fiz apenas pequenas mudanças


Dias de desapego

Há alguns dias deixei o sofá da sala e a vista para a Lagoa e me enfurnei no escritório, que, em má hora -- duas semanas antes do meu fatídico encontro com o rapaz da moto -- entrou em obras. As estantes antigas, que me acompanhavam há mais de 20 anos e vinham de outras existências, foram substituídas por uma única estante que cobre toda a parede. Agora há mais espaço para livros e menos espaço para tralhas, porque, na reforma, eliminei um gaveteiro, um móvel com (mais!) quatro gavetas, armários na parte de baixo, e um banco cuja parte inferior também era de, adivinhem?... gavetas!

Não chegou a ser exatamente um upgrade. A madeira dos móveis antigos era melhor. Mas o aspecto geral ficou mais claro e aberto, e eu precisava desesperadamente de um espaço onde coubessem, em pé, os livros mais altos que tomaram este mercado de uma década para cá. Por enquanto, todos eles, altos e baixos, grandes e pequenos, estão dispostos de qualquer maneira pelas estantes, de onde, um dia, se Deus me der força e saúde, serão retirados um a um, limpos, e -- aí sim! -- arrumados de verdade. No momento, o importante era tirá-los do caminho para cuidar do resto. Tirei-os.

Mas que resto! E, sobretudo, que dúvidas: um drive SyQuest de meio quilo, capaz de gravar discos com a espantosa capacidade de 1Gb, é lixo lixo, o propriamente dito, ou já pode ser considerado um antique tecnológico? E o primeiro Clié da Sony, do ano 2000, atrás do qual rodei Los Angeles inteira, e paguei ágio de cem dólares sobre o preço de lista, tamanha a demanda? Há alguma hipótese de que eu ainda venha a usar um cabo de extensão de saída paralela? Guardo os incontáveis cabos de rede que foram se juntando ao meu redor? E o Palm V, estado-da-arte em 1999, que não funciona mais? E o modem 3Com que a Velox me trocou por outro, e nunca mais veio buscar?

A certa altura liguei para um amigo que mora aqui perto e que também é viciado em tecnologia:

-- Você quer um Zip Drive de 100Mb? Não funciona, mas, tirando isso, está novinho.

-- Já tenho um no sótão.

-- E um de 250Mb? Está morto, mas tenho até a caixa.

-- Já tenho. Com caixa e tudo, também. E também não funciona mais. Mas, tirando isso...

Bom, com um museu digital tão próximo, não precisei me preocupar com o destino das minhas modernas velharias. Foram para o lixo, com exceção do SyQuest, que é mesmo uma piada diante de qualquer cartão de celular ou pen drive, e do Clié, uma espécie de Palm chique, que é a prova viva (morta) de que nem sempre um grande design resulta necessariamente num bom produto. Também guardei o Rocket eBook que me despertou tanto entusiasmo há dez anos, mas que, na verdade, só serviu para mostrar aos amigos que coisa formidável era aquele objeto em que se podiam armazenar e ler dezenas de livros em formato digital. Quantos alguém leu?

* * *

Nem só de tecnologia obsoleta, porém, transborda o escritório; tenho uma facilidade enorme para juntar bobagens, e uma dificuldade ainda maior para jogar fora. Guardo caixas bonitas, papéis atraentes, fitas, elásticos, clips, envelopes de hotéis, cartões postais, caixas de fósforos, folhetos turísticos, buttons de feiras de tecnologia, pins diversos, sacolas de lojas -- sou uma mulher simples do século XX. Se por um passe de mágica tudo isso sumisse, é provável que eu jamais percebesse. Morro de inveja de pessoas que vivem em casas minimalistas, viajam sem trazer nada e jogam fora os programas de teatro.

* * *

Nesses últimos dias, saíram do escritório uns três sacos de lixo daqueles pretos, enormes, cheios também daquelas coisas vitoriosas pelo poder da inércia: lembrancinha daqui, souvenir dali, caixas quebradas de tudo, apontadores que não apontam, canetas que não escrevem, grampeadores para os quais não se fabricam mais grampos, calendários apenas melancólicos de anos que já se foram, agendas jamais cumpridas. Para tal rearrumação do meu destino, contei com a ajuda da Bia e da minha amiga Heliana, que não têm nada do meu espírito acumulador.

-- Mãe, pelamordedeus! Essa moldura, além de pavorosa, está enferrujada. Desapega!

-- E essa concha horrível aqui, serve para quê?

-- Fui eu que peguei, no fundo do mar. Já estava vazia.

-- Pois devia ter deixado lá. Lixo!

E assim por diante. Com a ajuda das duas desapegadas radicais, o trabalho ficou mais fácil. Mais difícil, em termos de logística, foi resolver a questão das fotos e das cartas, que compõem a vasta maioria de tudo o que aqui não é livro. Uma vez, anos atrás, fiz uma faxina nas cartas; naquela época eu era ainda pior, guardava até cartão de Natal. O que sobrou é imexível. Não consigo me desfazer de cartas, não adianta.

Em relação às fotos -- milhares, em diapositivos, negativos, cópias contato e cópias em papel nos mais diversos tamanhos -- vou, assim que tiver dinheiro, contratar alguém para digitalizar tudo. Com isso, vou ganhar um espaço precioso e, sobretudo, vou me reencontrar com muitas lembranças. Hoje não consigo imaginar nada mais inútil do que um diapositivo, e nada menos prático do que um negativo. Exceto, talvez, a piramidezinha de acrílico com um nó de sisal dentro que servia para... para... ah, não sei.


(O Globo, Segundo Caderno, 17.1.2008)





16.1.08










Depois que subi aquelas primeiras fotinhas do almoço vegetariano, aconteceu alguma coisa com o servidor de MMS da Tim e não consegui mais subir nada. Agora aproveitei o break do jantar (estou sentada de perna esticada, em vez de deitada) e passei as outras fotos pro notebook por Bluetooth.

Aproveito para um update sobre a Keaton.

A alimentação dela é normal, igual à dos outros gatos. O que há no restaurante exclusivo é uma coleção de petiscos que ela adora, como, por exemplo, ração para filhotes e biscoitinhos para gatos, porque, nesse momento, ela não pode ficar sem se alimentar.

Isso também facilita a minha vida na hora de dar a insulina, porque ela fica tão entretida comendo que nem repara a espetada. Se houvesse outro gato por perto ela ficaria mais tensa (e, conseqüentemente, eu também).

Hoje medimos a glicemia dela cerca de quatro horas após tomar a insulina: estava em 80, o que é excelente, especialmente considerando o tempo decorrido da injeção. O índice de glicose normal para gatos varia entre 70 e 120, e num gato diabético pode ir, sem susto, a 200. A insulina faz o índice baixar. Como a que ela está tomando é de ação lenta, continua funcionando ao longo do dia.

Se eu tiver coragem vou fazer um novo teste amanhã, antes de administrar a insulina, para ver a quanto a sua glicose está indo.

Mas o que está me deixando tranqüila, confesso a vocês, não são os testes. É o jeitão dela. Sob este aspecto, é uma sorte eu estar aqui de molho, porque posso observá-la full time.

A Keaton voltou a abrir portas e a estudar hidrologia e, como sempre, não permite que eu tome banho sem a sua presença.

Em suma: está bem, está alerta, está feliz.






A lua, pelo telefone

 
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E, aqui, a íntegra do poema extraordinário que a Matilda citou.






Sony Ericsson K850

 
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Tutu










Almoço vegetariano









15.1.08


Do lado de fora do restaurante exclusivo






(Foto do Gato Gui, noivo da Julia)






Não há tédio nessa janela










O sol começa a voltar










A dança da chuva funcionou, Márcia!










Olha o lado de lá...










Ventania!










Há uma tempestade de areia!









14.1.08


Keaton :-)









13.1.08


Dias de desapego

Há dois dias estou enfurnada no escritório, que em má hora (15 dias antes do meu fatídico encontro com o rapaz da moto) entrou em obras: as estantes antigas, que ainda vinham de outros apartamentos, foram substituídas por uma única estante que cobre toda a parede.

Há mais espaço para livros e menos espaço para tralhas, porque, na reforma, também eliminei um gaveteiro, um móvel com quatro gavetas e armários na parte debaixo, além de um banco em cuja parte inferior havia duas gavetas.

Não chegou a ser exatamente um upgrade, porque a madeira e a qualidade dos móveis antigos era muito melhor; mas o aspecto ficou mais claro e aberto, e eu precisava desesperadamente de espaço para livros.

Por enquanto, os livros, em sua maioria, estão postos de qualquer maneira nas estantes, de onde, mais para a frente, serão retirados, limpos, e arrumados de verdade (tarefa para a qual vou contar com a ajuda da Jussara); no momento, era preciso tirá-los do caminho para cuidar do resto.

Mas que resto trabalhoso! E quantas dúvidas: um Syquest de 400 gramas e 1Gb é lixo, ou já pode ser considerado um antique tecnológico? E o primeiro Clié da Sony? Há alguma hipótese de que eu ainda venha a usar um cabo de extensão de saída paralela ? Guardo os cinco cabos de rede que, sei lá por que cargas d'água, acumulei ao longo desses anos? E o Palm V que não funciona? E o modem 3Com que a Velox resolveu trocar por outro, mas nunca veio buscar?

A certa altura liguei pro Tom:

-- Você quer um Zip Drive de 100Mb?

-- Já tenho um no sótão.

-- E um de 250Mb?

-- Tenho também.

Bom, com um museu de tecnologia tão próximo de casa, não precisei me preocupar com o destino das minhas velharias. Foram para o lixo, com exceção do Syquest, que é uma piada, e do Clié, que é a prova viva (a bem dizer, morta) de que nem sempre um grande design resulta num bom produto.

Joguei fora, sem olhar, as dezenas de disquete que ainda tinha, e uma quantidade de fitas VHS daquelas que custavam baratinho nas bancas. Joguei fora pilhas de revistas de computador, de viagem, de decoração.

As mais interessantes ficaram. Dei para o Lucas várias Photo e American Photographer dos anos 70 e 80, e guardei meia dúzia de revistas de computação dos anos 80. Também guardei uma Digital Photography de... caramba, que ano mesmo?... cheia de ofertas irresistíveis, como uma sensacional Olympus de 3,2 Megapixels, pela módica quantia de US$ 1.879,00.

Nesses dois dias, saíram do escritório uns dois sacos de lixo daqueles pretos, enormes, cheios também daquelas coisas que acabam ficando em casa pelo poder da inércia: lembrancinha daqui, souvenir dali, caixas quebradas de CDs, apontadores que não apontam, canetas que não escrevem, calendários de anos terminados há muito, agendas de décadas passadas em que duas ou três coisas foram anotadas e nunca mais.

Para isso contei com a ajuda da Bia e da Heliana, que não têm nada do meu espírito acumulador.

-- Mãe, essa moldura, além de cafonérrima, está enferrujada. Desapega!

-- Que lixo, essa concha.

-- Fui eu que peguei, no fundo do mar.

-- Devia ter deixado lá!

E assim por diante.

Mais difícil, em termos de logística, foi resolver a questão das fotos e das cartas, que compõem a vasta maioria de tudo o que não é livro no escritório. Uma vez, anos atrás, fiz uma faxina nas cartas. Naquela época eu guardava até cartão de Natal. O que sobrou é imexível: não consigo me desfazer de cartas, não adianta.

Em relação às fotos -- milhares, em diapositivos, negativos, cópias contato e cópias em papel nos mais diversos tamanhos -- vou, assim que tiver dinheiro, contratar alguém para digitalizar tudo.

Vou ganhar um espaço precioso e, sobretudo, vou me reencontrar com muitas lembranças. Hoje não consigo imaginar nada mais inútil do que um diapositivo, e nada menos prático do que um negativo.





12.1.08


Fiscais de faxina










Como é que eu saio daqui?








Lucas na Fashion Rio

"A minha idéia era ir pro Fashion Rio para ficar na área de convivência, vendo a movimentação e fazendo algumas fotos do povo estranho que comparece sempre ao evento. Entrei pelo Fashion Business pois eu tinha credencial de imprensa do Business e fui pra área de convivência. Dei uma volta, fui ver onde estavam os lounges, os bares, etc.

O primeiro lugar que fui, foi o lounge do Ela, do Globo. Encontrei a Ana Branco, amiga querida, fotógrafa do jornal e que está fotografando pro lounge. Depois fui dar outra volta. Chequei se com a credencial de imprensa do Business eu conseguia entrar na sala de imprensa do Fashion Rio, mas não deu. Business é business e Fashion Rio é Fashion Rio.

O desfile da Marcella Virzi já tinha começado e o povo todo estava lá. Eu já não tinha nada pra fazer e lembrei que a Bia Rónai estava lá trabalhando. Liguei pra ela e nos encontramos na entrada do evento, onde a Bia esperava a Patrícia Poeta (apresentadora do Fantástico) para gravar algumas matérias. Foi aí que começou meu dia de assistente de produção, hahaha. Fiquei com eles o tempo todo. Era a Bia, produtora, a Patrícia, apresentadora, o cinegrafista e o assistente do cinegrafista.

Assim que a Patrícia chegou fomos pro backstage da Cantão. Elas iam gravar matéria lá dentro. Eu fui junto e pela primeira vez entrei no backstage. É diferente, as modelos já estavam prontas, com as roupas do desfile, mas estava ouvindo música, lendo, fotografando, etc. Logo em seguida elas se reuniram para receber a instrução da passarela. Quase na hora do desfile saímos correndo do backstage e fomos pra passarela assistir. No meu caso, fotografar.


Depois da Cantão fomos entrevistar uma jovem modelo que tinha estreado sua carreira na terça feira na mesma passarela que a Gisele Bündchen. Detalhe: a mãe dela ficou dentro do banheiro do salão por 4 horas pois ela não tinha convite para o desfile da Colcci e queria ver a filha desfilando.


Depois da jovem modelo entrevistamos uma modelo experiente, a Michelle Alves. Pra quem não está juntando o nome com a pessoa, a Michele foi a modelo que fez a abertura da novela Belíssima, onde tinha o perfil de uma mulher fazendo várias posições. Foi legal ver uma modelo começando e a outra no auge. A Michele contou que quando começou também não foi fácil, morava em Paris mas não sabia a língua, comia pão o dia todo para não gastar dinheiro. Mas hoje, se não me engano, ganha 15 mil reais por desfile.

Depois da Michele nós fomos em busca de pessoas diferentes, com um visual fora do normal (que é o que mais tem no Fashion Rio, vamos combinar). Eu encontrei duas figuras super diferentes! Eu não fotografei o casal, mas eram realmente muito diferentes. Vai aparecer na matéria, aí vocês vão entender do que eu tô falando. A Patrícia aproveitou que a Regina Martelli (consultora de moda da rede Globo) estava do nosso lado e a entrevistou.

Saímos correndo e fomos pro desfile da Drosófila. Que na verdade era só pra Patrícia gravar umas chamadas e depois a gente ia sair. Mas acabou que eu fiquei e eles saíram. A Patrícia gravou a chamada da matéria da jovem modelo, entrevistou um fotógrafo e depois eles saíram. Eu fiquei no desfile para fotografar.

O desfile estava marcado para 20h30 e começou 21h15. Quando terminou eu fui correndo pra sala de imprensa esvaziar o cartão da câmera e depois ia voltar pro desfile da TNG e me encontrar com a Bia e a Patrícia. Mas quando sai da sala de imprensa, aproximadamente 21h50, o salão Corcovado, onde aconteceu o desfile da TNG já tinha fechado. Detalhes: todo mundo contou com o tradicional atraso nos desfiles. Hoje o atraso estava em 45 minutos, mais ou menos. Como o desfile estava previsto para 21h30, todo mundo calculou chegar às 22h e foi o que eu fiz. Mas os portões já estava fechados porque o GNT entra no ar ao vivo às 22h para transmitir um desfile. Aí o desfile teve que começar na hora prevista. Aliás, na hora prevista não, mas atrasou apenas 20 minutos. Quem foi na sala de imprensa e voltou, como eu, não conseguiu entrar. Quem saiu do desfile da Drosófila e entrou logo na TNG conseguiu ficar.

Pois é, acreditem ou não, teve muita gente da imprensa que não entrou pro desfile da TNG. A equipe da Record e RedeTV não entraram e vários fotógrafos e cinegrafistas também não entraram. Rolou em estresse básico, foi realmente um absurdo não deixarem a imprensa entrar. Resultado: quem precisava do material teve que pedir "emprestado" de algum outro fotógrafo ou cinegrafista. Um amigo que é cinegrafista e não conseguiu entrar no desfile teve que ir pra casa de um outro cinegrafista que tinha conseguido entrar para copiar o vídeo.

A Patrícia e a Bia já estavam lá dentro fazendo entrevistas com o Lázaro Ramos e a Thaís Araujo, que desfilaram juntos para a TNG. Fiquei na porta do backstage esperando o desfile terminar para entrar e me encontrar com as duas. Estava uma confusão enorme, o Lázaro Ramos e a Thaís Araujo estavam saindo por aquela porta. E a produção não deixou a imprensa entrar para fotografar o casal. Teve uma hora que a porta abriu um pouquinho e eu, pluft!, entrei pro backstage! Mas todo mundo que ficou do lado de fora estava reclamando e no fim uns jornalistas começaram a gritar pra imprensa toda ir embora pois já que não estavam deixando o povo trabalhar eles não iam fotografar nem entrevistar o Lázaro e a Thaís.


Bom, no backstage a Patrícia estava gravando mais uma entrevista, com a Gianne Albertoni. No fim estávamos mortos de cansaço. Os pés, a coluna, a perna tudo doía em todos nós. A Bia que estava trabalhando desde 10h da manhã (saímos às 23h do Fashion Rio) disse que esse dia vai ficar marcado na história. Foi realmente muito cansativo!"

(Lucas Landau)





11.1.08


!!!










Millôr, Hélio, Rodolfo, Letícia










Hoje é aniversário do Hélio










No Bianco (como antigamente)









10.1.08


Para a Carolina










Olha a Heliana










Cabelo novo!










Programa mulherzinha... :-)










Programa mulherzinha... :-)










Iuhuuuu!









9.1.08


As Garotas do Rádio:
uma história hedionda

Com a internet, nada mais cai no esquecimento, embora ainda faltem palavras para certas sensações


Por mais palavras que registrem os dicionários, sempre haverá sensações indefiníveis. Cortar o dedo com papel, por exemplo, é uma delas: acima da dor, paira a obscena traição daquele ferimento, a absurda injustiça metafísica do sangue derramado por um material inocente que, em nenhuma outra circunstância, se ousaria chamar perfuro-cortante. A aflição causada pelo giz que arranha o quadro-negro também ainda não encontrou a palavra certa, assim como aquela dentada involuntária que se dá no papel prateado agarrado numa bala ou num docinho de aniversário.

Digo isso porque, há dias, tento encontrar uma palavra para definir o que senti quando, por acaso, li na Internet sobre as Garotas do Rádio. É uma história antiga, que deu origem a leis trabalhistas importantes, péssima poesia e alguns livros de história, direito e reportagem, mas da qual eu nunca tinha ouvido falar.

Em princípios do século passado, um inventor americano esteve em Paris com Pierre e Marie Curie, de quem ganhou de presente um pouco da extraordinária substância que haviam descoberto, o rádio. As pedrinhas eram muito bonitinhas, tinham luz própria e logo o diligente inventor achou uma forma de dar-lhes uso, triturando-as, misturando-as com cola e com um ingrediente que brilhava no escuro graças ao contato com a radiação. Nascia ali uma tinta “mágica” que, durante a Primeira Guerra, foi produzida em larga escala com o nome de Undark, e usada na pintura de diversos itens, sobretudo mostradores de relógio. O exército americano adotou a novidade, que também fez enorme sucesso entre os civis, aplicada a objetos como interruptores de luz e brinquedos.

Até aí, normal: na época sabia-se pouco sobre a radioatividade, e a curiosidade humana não tem limites. Aliás, sempre me pergunto quantos milhões de pessoas morreram ao longo dos tempos insistindo em comer plantas e bichos venenosos até que se descobrissem formas seguras de prepará-los, como se não houvesse outra experiência gastronômica disponível nas redondezas; mas isso são outros quinhentos.

A fábrica de mostradores de relógio da US Radium Corporation ficava em Nova Jersey, era limpa, moderna e pagava bem. E como mulheres supostamente têm mais paciência e mais jeito com coisinhas delicadas, centenas de garotas (mesmo; algumas mal saídas da puberdade) foram contratadas para pintar números, ponteiros e detalhes variados. A ponta dos pincéis tinha que estar sempre fina para que o trabalho saísse bom; portanto, cada vez que os fios se abriam, o que era freqüente, elas levavam os pincéis à boca para refazer-lhes as pontas com a língua e com os lábios.

Foi este detalhe horrendo da história que me arrepiou dos pés à cabeça, causando a angústia que não sei definir: fileiras e fileiras de moças, como as simpáticas telefonistas d’antanho com que a Telerj enfeitava as capas dos catálogos, lambendo delicadamente a morte.

* * *

A história das Garotas do Rádio é particularmente sinistra porque, quando os efeitos da radiação começaram a ser descobertos, a US Radium os escondeu delas. Os cientistas que tinham contato com o rádio já o faziam devidamente protegidos, enquanto elas continuavam a ser instruídas a lamber os pincéis. Os conhecimentos da época sobre o perigo dos materiais radioativos não eram difundidos como hoje; para as garotas, trabalhar com a tinta fosforescente era até divertido (como, tantas décadas depois, foi divertido para as crianças de Goiânia brincar com o Césio 147) e, ocasionalmente, muitas chegaram usá-la para pintar o rosto e as unhas para fazer bonito nas festas.

Passados poucos anos, várias começaram a ter doenças estranhas. Logo a ligação entre causa e efeito foi ficando óbvia e, em 1925, um grupo entrou na justiça contra a fábrica. Novos detalhes hediondos incluíram testemunhos de falsos médicos a favor da US Radium, falsificação de laudos de especialistas e, até, a inexplicável adesão de médicos e dentistas aparentemente sérios e honestos à tese de que a tinta não tinha nada a ver com os problemas de saúde das litigantes. Num caso de má fé raras vezes igualado na abundante história de má fé das relações trabalhistas de princípios do século passado, as necroses de maxilar, os tumores do queixo e vários tipos de câncer apresentados pelas jovens foram atribuídos à sífilis, numa tentativa de desmoralizá-las.

O processo chamou a atenção da imprensa e, logo, também, do grande público. Graças a isso, a US Radium não conseguiu sepultar sossegadamente as vítimas e as evidências e, em 1928, fechou acordo fora dos tribunais, comprometendo-se a pagar indenizações às funcionárias que haviam entrado com a ação. O valor, de dez mil dólares para cada uma, era ridículo mesmo naquele final dos anos 20, mas elas não tinham nem tempo, nem escolha; em meados dos anos 30, já estavam mortas. Como escreveu Eleanor Swanson num poema de resto muito ruim, seus ossos vão brilhar para todo o sempre na escuridão da terra.


(O Globo, Segundo Caderno, 10.1.2008)






:-D









8.1.08


Saudade não tem idade: Pipoca em 2002

 
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So it goes

Por acaso, fui parar no site de Kurt Vonnegut.

Na página de notícias, membros de sua família e de sua equipe lamentam a sua morte (em abril do ano passado), agradecem aos fãs e põem à venda "a arte do senhor Vonnegut" em Gelaskins.

Gelaskins, para quem não saiba (e eu não sabia) "oferecem uma forma de expressar estilo e personalidade através do seu iPod, mantendo-o protegido de arranhões e do uso diário".

Que bactérias oportunistas.






Hora do banho










Matilda vai ao hospital

Foi assim:
"Bom dia!

E... eu não fiz o exame, os papéis estavam errados, não erro meu, dos outros.

Acordei agoniada, claro, depois de uma noite terrivelmente quente, ar abafado e tudo nublado do lado de fora da janela, noite quente, quente, já que não tenho ar-condicionado por causa da conta de luz e detesto ventiladores, em noites quentes é mesmo banho frio antes de dormir e janelas abertas, acordando toda hora, mas é verão, verões são mesmo assim...

E nem era ainda seis da manhã e o termômetro em frente ao shopping do bairro marcava trinta graus, beirada de rio é fogo, quente mesmo, vocês pensam que é só Paris, Londres, Lisboa que ficam na beirada de rios? A Bolandeira também, ora, a Bolandeira também é chique e o Rio das Pedras é mais lindo que o Tejo porque é o rio da minha aldeia, sem dúvida!

E lá fui eu para o meu infortúnio com cara de quem ia para o próprio velório, sou dramática, não faço por menos, chego antes das seis e a ficha já é cento e dezoito, até aí tudo bem, levei Fernando Pessoa para ler, mais neurótico e reclamador que eu, Fernando Pessoa sempre me faz bem, é gostoso de ler.

Na minha vez a atendente, 'gerundiando' ao extremo, ia estar verificando os papéis e estar pedindo a autorização, confirmando com o plano de saúde os tais CIDs e tal e coisa, ela ia estar me chamando novamente breve, enquanto eu ia estar aguardando sentadinha lendo Pessoa, mas... mais breve que eu esperava ela ia estar retornando a chamada do meu santo nome, só que em vão, o tal CID não conferia, o tal exame já tinha sido cobrado duas vezes por umas outras clinicas onde fui fazer o exame e, como não anestesiavam, não fiz o tal exame, repito: eu não fiz o exame nenhuma dessas duas vezes, marquei e não fiz por falta de anestesista, mas cobraram do plano e três exames seguidos exatamente iguais o plano não paga, tem que ter uma explicação detalhada agora de porque fiz os exames que não fiz, ó Céus, voltei para casa, chamei um táxi que parou lá longe, na portaria, andei um bocado, ainda atordoada com tudo isso, saí do Pau da Lima (o nome é esse mesmo, o bairro onde fica o hospital se chama Pau da Lima) e voltei para a Bolandeira, peguei o engarrafamento da Paralela no rush matutino, o termômetro do shopping marcava trinta e dois graus quando adentrei o bairro, o céu continuava chumbo, o elevador do prédio estava em reparos, a obra do vizinho de cima continua lindamente a martelar o juízo dos vizinhos, o computador não ligou (em dias muito úmidos ele não liga mesmo, só acorda mais tarde, não adianta, é preguiçoso), o café já estava frio, fiz outro, retornei as ligações de solidariedade que estavam na caixa, contei toda a história diversas vezes, molhei as plantas sedentas.

E ainda não acredito que cobraram mesmo, agora vou ter que voltar lá, fazer 'descobrarem', marcar tudo de novo, sofrer por antecipação uma noite inteira novamente, enfim, a vida é bela, a flor do campo é singela, etc e etc...

Enfim, minha vida é um palco iluminado..." Matilda Penna






Dormiu e esqueceu de guardar a língua









7.1.08


Mais uma neta gata... :-)

 
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Bianca e o Batcat










Uma pessoa muito especial

Pessoas, por razões de força maior -- preciso de alguém que possa dormir aqui em casa, por causa não só de mim mas da Keaton também -- tive que dispensar a Sônia, de quem gosto MUITO.

Ela é uma pessoa quieta, simpática e cheia de boa vontade; adora animais, e presta muita atenção neles, a ponto de me avisar se algum não está comendo bem (nada fácil com oito gatos!) ou, mesmo, se um outro está fazendo uma pose bonitinha e inusitada.

E, o que é mais importante: os gatos ADORAM a Sônia.

Ela é pessoa da minha mais absoluta confiança, e todos esses anos que trabalhou aqui em casa foram tempos de tranqüilidade e sossego para mim. Infelizmente a área onde ela mora em Caxias foi se tornando cada vez mais perigosa, e ela não pode chegar tarde lá, até por causa das filhas.

Isso não era problema para mim enquanto eu era gente, como diz a Matilda; mas passou a ser. E, financeiramente, não tenho mais como manter duas pessoas na casa, como vinha fazendo desde que me acidentei.

Portanto, se alguém estiver precisando de uma pessoa gentil, inteligente e de confiança, a Sônia está aí. Vocês podem deixar um recado aqui, ou ligar direto para ela, em 2783-5302, ou pelo celular do Luiz, namorado dela, em 9405-2736.

Não é todo dia que aparece alguém como ela.





6.1.08


A Troca da Guarda










Irineu no guichê atendendo ao Elmo






(Foto da Ju, legenda da Andrea)






Já quer filar









5.1.08

Sobre diabete em gatos

Muito interessante. Está em inglês. Mas, resumindo a história, a veterinária autora do site culpa as rações industrializadas, que têm alto teaor de carboidratos, não só pela doença, como também pela obesidade em gatos domésticos.

O tratamento proposto (sobretudo o preventivo) é mudar a dieta para que os gatos possam se alimentar como os carnívoros que de fato são.

Não é a primeira vez que me falam dos perigos das rações; o Alex, veterinário da turma aqui de casa, é um ferrenho opositor de rações, e aponta uma série de distúrbios que acometem os gatos atualmente, e que, quando ainda não existiam rações, eram desconhecidos.

Faz o maior sentido.






Esperando o serviço










Socorro para o PC da Laura

A Laura está com um problema de computador absolutamente sui generis. Se alguém puder ajudar, a família agradece, penhorada:
"Meu computador tem um defeito tão perplexante que nem o Tom Taborda (que sabe tudo, como nós sabemos) nem o Vinicius Claro (que é um ótimo médico de máquinas) conseguiram solucionar.

É o seguinte: tenho um daqueles sistemas de som com uma caixa grande e 4 caixinhas pequenas que fazem um estéreo bem legal. Quando ouço um CD ou um DVD ou um arquivo wav (é assim?) funciona às mil maravilhas. Mas se tento entrar na Internet e ouvir qualquer arquivo sonoro que seja (you tube, por exemplo) o som embatuca. Só se ouvem algumas freqüências graves, e mesmo assim totalmente distorcidas. Quer dizer, se eu me interessasse apenas por contrabaixo e trombone, até daria para aguentar. Mas violinos, sopranos ou flautas, nem pensar!

Eu até já teria jogado a toalha, mas acontece que profissionalmente preciso muitas vêzes capturar exemplos sonoros na Internet. E do jeito que está, fica difícil....Será que alguém tem idéia do que está acontecendo? Alguma sugestão?

Agradeço antecipadamente qualquer idéia, por mais mirabolante que seja..."





4.1.08


Vamos a la playa

O governador Sérgio Cabral lançou um projeto para levar banda larga para a Avenida Atlântica.

-- Vamos permitir, a quem quiser, realizar o sonho do escritório na beira da praia, -- disse ao Globo. -- A pessoa poderá pegar o laptop e despachar do bar ou do quiosque, tomando uma água de coco, por exemplo.

Eu só queria saber o que o governador tomou antes de ter essa idéia. Água de coco com certeza não foi.

Consigo imaginar, sem dificuldade, centenas de assaltantes rondando os hotspots, para levar os laptops e celulares dos gringos incautos. O que eu não consigo imaginar, de jeito nenhum, é qualquer carioca, com amor à vida ou aos seus pertences, "despachando do quiosque".






ZZZZZZZ










Favela Gato de luxo









3.1.08


No "restaurante" exclusivo









2.1.08

Keaton: o último susto de 2007

Como um joelho quebrado pode afetar um ritual de muitos e muitos Réveillons


São seis horas da tarde do dia primeiro de janeiro de 2008, faz uma tarde linda lá fora e estou sentada ao comprido no sofá, saco de gelo no joelho e computador no colo, quebrando – já! -- duas resoluções muito sérias de Ano Novo: administrar melhor o meu tempo e escrever a crônica com pelo menos dois dias de antecedência, ou seja, tê-la pronta e revisada na segunda-feira, ao mais tardar, já que o Segundo Caderno de quinta fecha na quarta de manhã. Duas resoluções de Ano Novo quebradas antes das primeiras 24 horas do ano em questão não são um bom augúrio para as demais, as quase universais emagrecer, botar as finanças em dia, fazer exercício.

Também, quem manda acreditar em Ano Novo? Todo mundo sabe: não há Ano Novo, assim com maiúsculas e jeito de vida que se renova. Há apenas uma sucessão de dias interrompidos por um feriado muito animado, e um novo número que aparece nas agendas do Outlook, no celular e nas folhinhas dos calendários. Em suma, apenas um novo ano, em que tudo continua como dantes. Ou não. Mas aí é outra história, que não tem nada a ver com o Réveillon.

* * *

O caso é que, para pessoas como eu, que vivem se prometendo começar vida nova a partir de segunda, um ano novinho em folha é uma Data Magna, um Marco Existencial, uma segunda-feira amplificada. E, ainda que se tenha toda a experiência do mundo, a esperança sempre ganha a parada, agarrada a manias e superstições esquisitas. Para mim, como para tanta gente por aí, passar os primeiros momentos da virada em contato com a água do mar traz sorte. Tem lógica? Nem pensar. Faz sentido? Claro que não. Mas cada um sabe dos seus segredos e dos seus tratos com a Natureza.

O ser humano é uma máquina de inventar problemas onde não existem, e eu não sou exceção. Diante da minha aflição, amigos se ofereceram para buscar água do mar para mim, mas a questão não é a água: é o mar. Ir à praia de joelho quebrado no dia 31 nem pensar. Eu jamais sobreviveria àquela gente toda. Mas quem sabe num dia mais calminho? No dia 30, digamos? Ou, vá lá, no dia 29? E ao cair da tarde? A amiga que estava comigo enquanto eu pensava isso em voz alta ouviu tudo muito séria. Deixou que eu dissesse o que tinha a dizer, que raciocinasse como quem não pensa, e aí mandou a pergunta fatal:

-- Vem cá, você já tentou andar de muleta na areia?

Oops.

* * *

Passei o Réveillon em casa bem quietinha, com a família, vendo os fogos da Lagoa pela janela. Foram bonitos, elegantes e assustaram os gatos. Mas assim que eu estiver andando direito novamente vou à praia, fazer as pazes com o mar.

* * *

2007 foi um ano estranho mesmo, cheio de sustos horríveis. Entre a última coluna e a de hoje, a Keaton, de 15 anos, meu xodó, animal não-humano mais inteligente que conheço, esteve entre a vida e a morte na Gatos & Gatos: chegou à clínica em coma diabético, com um prognóstico dos mais sombrios. Pelo telefone, a veterinária recomendou que eu me preparasse para o pior, conselho confirmado por toda a literatura que encontrei na internet a respeito do quadro. As 36 horas que se seguiram à sua internação seriam cruciais; passei-as em claro, arrasada, encontrando conforto, mais uma vez, na força que me deram os leitores do blog.

Eu nunca soube que a Keaton era diabética. Na verdade, nem sabia que gatos podem ficar diabéticos. Pois ficam, e é muito difícil perceber isso, a menos que façam um check-up rotineiro depois de certa idade. Como os humanos, podem viver perfeitamente bem com diabetes, desde que medicados; e, ao contrário de qualquer outra espécie de bicho, podem até reverter a situação e, dentro de poucos meses, não ter mais traço da doença.

Keaton sobreviveu às 36 horas fatídicas. Durante quatro dias, as veterinárias lutaram para estabilizar seus níveis de glicemia e a tempestade de eletrólitos causada pela insulina. Depois voltou para casa, para imensa alegria e alívio de todos, bem a tempo de dar um sabor especial às nossas comemorações de fim de ano. Ainda não está inteiramente boa, sobretudo por causa de uma infecção renal que exige que eu lhe dê antibiótico duas vezes por dia. Como bem sabe quem já teve de dar um comprimido a um gato, essa é uma cena baixa, que em nada contribui para a aproximação entre bípedes e quadrúpedes. Aplicar as injeções de insulina, que me apavoravam, é infinitamente mais fácil. De qualquer forma, o pior já passou.

O detalhe mais estranho em todo o episódio foi a reação dos outros gatos na noite em que a Keaton quase morreu. Eu não tinha idéia da gravidade do quadro, mas eles sim, e, ao contrário do que fazem de costume, não me seguiram até o quarto quando fui deitar. Ficaram todos na sala, perto dela. No fim, acabei me juntando a eles e me espichei ao lado da gatinha, esperando ansiosamente o dia raiar para mandá-la para a clínica.

Assim, antes mesmo do milagre da sua salvação, um outro, de menor monta, acabou acontecendo: consegui me levantar do chão, precariamente escalando as muletas, sem quebrar ou destroncar nada.

Não estou dizendo? No final das contas, 2007 foi mesmo um ano muito bom.


(O Globo, Segundo Caderno, 3.1.2008)






Notícias da Keaton

Com a Keaton finalmente em casa, terminar 2007 foi fácil; difícil mesmo foi começar 2008. Não há nada no mundo que seja fácil fazer de muletas, mas dar comprimidos e injeções num gato, sobretudo um gato inteligente como ela, é quase impossível.

Ela descobriu muito rapidamente que, quando me aproximo dela com uma muleta só, é mau sinal. E foge. Mas, como descobriu também que me movimento muito devagar, "fugir", no caso, é andar dois metros pra cá, três metros pra lá, e ficar olhando, com ar cínico, o meu progresso -- se é que se pode chamá-lo assim -- em sua direção.

Fiquei, portanto, muito preocupada com a eficácia da minha administração dos remédios e da insulina, até porque de madrugada ela vomitou um pouco e passou o dia sem apetite.

Mandei-a de novo para a clínica hoje à tarde para ver se estava tudo OK; lá foram feitos exames e, felizmente, tudo está nos conformes. Ela não perdeu peso, não está desidratada e se mostra muito contrariada com tantas futucações. O enjôo era do antibiótico, que foi suspenso. O problema da alimentação continua, mas agora ela está tomando um remédio para abrir o apetite.

Com tudo isso, é lógico que não tive tempo nem disposição para pôr a perna para cima, fazer os exercícios, pôr gelo no joelho como devia.

Agora estamos as duas aqui na sala, exaustas, cada qual caída para o seu lado.

Ufa.






Quem ganhou o xBox 360?

Fala, Paulinho:
"Caro Ricardo (Nardy -- é parente seu, Renata? C.R.),

Não se espante não. É verdade mesmo.

Você é o feliz ganhador do Xbox 360, novinho em folha, sorteado com exclusividade para os leitores do internETC.

Não só alcançamos o nosso objetivo de 106 novos registros, como estouramos a boca do balão: 212 ao todo!

Muito obrigado pela sua participação.

Por favor me envie um endereço para o qual possamos enviar o seu prêmio.

Mais uma vez, obrigado, parabéns, e Feliz 2008!

Grande abraço,

Paulinho"


Para quem não ganhou, uma boa notícia: sempre que houver sorteios entre os usuários registrados da Fluid Innovation, haverá um brinde separado especialmente para quem participar através do link do blog.

A todos que se registraram, muito obrigada!





1.1.08


Resoluções de Ano Novo

No final de 2007, tomei, como de hábito, algumas daquelas resoluções básicas de fim de ano. Entre elas estavam perder peso e dar jeito na minha vida financeira; eu até gosto de viver perigosamente, mas não no banco. Acho que estava também fazer exercício com regularidade; não tenho certeza, mas como ano após ano eu me prometo isso, provavelmente 2007 não fugiu à regra.

Consegui cumprir uma das metas: perder peso. E fico particularmente orgulhosa de não ter engordado de outubro pra cá, porque ser atropelada não estava entre as minhas metas, nem passar dois meses e meio no estaleiro -- e, ainda assim, segurei a onda. Mantenho a decisão para 2008 porque ainda preciso perder alguns quilos e, se isso se provar de todo impossível, quero, pelo menos, não engordar novamente.

A minha vida financeira se ajeitou a muque no meio do ano, quando, por força das circunstâncias, tive que tomar tenência e prestar mais atenção ao dinheiro. A conta bancária ficou tão bonitinha que até comecei obras no escritório... e aí veio outubro, e o resto é História. Não há conta bancária de pessoa física, assalariada, que resista a um joelho quebrado e suas conseqüências. Então, da capo: em 2008 vou equilibrar as minhas finanças.

Exercício? Hm. Bom. Eu vou ter que fazer fisioterapia e musculação e sei lá que outros horrores em 2008, mas esse ano a minha meta é diferente: que eu me livre o mais rapidamente possível de toda a vida atlética a que o meu joelho me condenou, e que eu possa voltar logo à minha vidinha normal de tartaruga virada para baixo.

Outra resolução que faço desde garota, de ir dormir mais cedo e acordar de manhã, como todo mundo, continua valendo. Mas essa já nem tenho esperança de que se concretize.

As perguntas:

  • Quais foram as resoluções para 2007 que vocês conseguiram cumprir?

  • Quais são as suas resoluções para 2008?




  • "A arte não é um luxo descartável – ela é o cordão umbilical que nos conecta ao Divino, e a garantia da nossa humanidade."

    Nikolaus Harnoncourt




    Como passei o Ano Novo em casa, com os ouvidos misericordiosamente poupados da programação oficial do Réveillon, pude me dar ao luxo de escolher a primeira música que ouviria em 2008.

    Não consegui ser original; ouvi Bach, que é a minha crença em Deus.

    Essas duas árias -- o Erbarme Dich, da Paixão Segundo S. Mateus, acima, e o Esurientes, do Magnificat, abaixo -- são quase lugares comuns de tão cantadas, ouvidas, louvadas.

    Não à toa. Perceber que uma espécie que produziu um bípede capaz de atingir este nível de perfeição e beleza não pode ser de todo má é um conforto cada vez mais necessário e precioso.



    Dica: o sensacional Magnificat regido pelo Hanoncourt está TODO no YouTube.






    2008