31.7.07


Foi mesmo um dia feliz...










A vida é bela!










Bom dia!





O Flickr está maluco. É de lá que vêm as alterações no tamanho das fotos postadas. Quando eu uso a minha conta antiga, sai bonitinho; quando uso a conta nova, entram as fotos enormes.

Não gosto das fotos grandes porque, na verdade, não considero a maioria das fotos realmente fotos, no sentido de imagens bacanas para publicação, mas apenas pequenos registros do cotidiano. Elas não merecem aquele espaço todo.

De qualquer forma, como tanta gente gostou do tamanho maior, vou ver se consigo eventualmente enviar uma ou outra em formato grande.






Olha que bonitinho que ganhei da Jussara!!!









30.7.07


:-)









29.7.07


...

Ainda estou em Guarulhos. O vôo já mudou de portão três vezes, mas o avião que vai nos levar, parece, ainda não chegou.

As fotinhas que estou mandando não estão subindo.

Meu notebook está esquentando tanto que, apesar do frio, e apesar do quentinho providencial, estou super preocupada.






Boa romaria faz... etc.

Pessoas, já estou no Brasil, mais precisamente na sala Diners do Aeroporto de Guarulhos. O avião chegou na hora (afinal, saiu da Espanha) mas, em compensação, o vôo daqui pro Galeão só sai -- em tese, porque ultimamente todos os horários são fictícios -- às 21h45.

Na tela de informações, eles sequer se dão mais ao trabalho de informar se o vôo vai atrasar. Avisar rotina é redundância.

Nesse momento emplaco 24 horas de viagem; fiz check-out do hotel em Valência pouco antes de meia-noite. O ônibus saiu em torno das três, e chegamos ao aeroporto em Madri às sete. Não deu para dormir. A maioria de nós não havia jantado e estavamos todos aflitos para encontrar uma parada aberta no caminho.

Encontramos; mas a comida era um lixo. Ponto para o Brasil, onde as paradas grandes como aquela têm sempre uma comida pelo menos razoável.

No aeroporto, a espera de três horas para o vôo permitiu, pelo menos, que a gente tomasse café.

Quanto à viagem: há muito, muito tempo eu não voava numa companhia tão desorganizada e num avião tão baleado quanto o da Pluna. Tanto na ida quanto na volta houve confusão no embarque; o filme, uma porcaria invisível com a Sandra Bullock, foi o mesmo na ida e na volta; a aeronave, uma versão Beta do MD11, ainda com cinzeiros nas poltronas, me lembrou a da Lineas Aereas Paraguayas com que fui a Buenos Aires em 1815, e me deixou com uma #@$% dor nas costas, uma façanha e tanto -- minhas costas, por incrível que pareça, até que estão em ordem.

Vôo diurno numa companhia decente já é uma chatice; na Pluna dá vontade de cortar os pulsos.

Agora vou me espichar numa poltrona e tentar descansar um pouco.

Dessa vez, nem eu estou conseguindo levar essa parada na esportiva.

PS: Desculpem o desabafo mal-humorado. Prometo um relato da parte divertida da minha aventura espanhola depois de chegar em casa e dormir uma boa noite de sono.

Outro PS: Detestei as fotos enormes! Cruzes...






Encerro as transmissões daqui. Câmbio.









Embarcada. Ufa!









Falta pouco... umas 17 horas








28.7.07


Já estamos na Feira









Long day's journey into (a longer) night

Oi, gente! Desculpem pela falta de notícias escritas, mas com internet a 17 euros por dia no hotel preferi me conectar pelo celular. Na Campus Party havia internet de graça, mas levar o computador pra lá todo dia também não era uma boa opção...

Não tenho a menor idéia do que está acontecendo com as fotos. A configuração do blog continua igual, a do celular também. Deve ser algum lance da Movistar, a operadora daqui, mas nem vale a pena me preocupar com isso agora, na hora de ir embora.

Por falar nisso...

É uma da manhã aqui. Um ônibus vem nos buscar no hotel; de lá nos dirigimos à Campus Party para pegar o resto do pessoal. Saída estimada para as três.

Seguem-se quatro horas de viagem até Madri, de onde o avião sai às dez e cacetada. Chega em São Paulo às quatro ou cinco; e a minha conexão está marcada para algum vago horário noturno.

* suspiro *

Em tempo: o blog agradece ao Claudio Prado o empréstimo de máquina e internet.






Fazendo hora para ir embora









Até que não era tão ruim









Adeus ao quarto punk









Tenho uma viagem de doido pela proa...









En la calle









Só que não vai dar pra levar dessa vez









Prefiro isso









Veste bem, não?









É baratim: mil euros









Pedacinhos de cidade









Para Heliana




O fuso horário me adiantou no tempo...

Parabéns, querida!!!






Cláudio e Sérgio









Desayuno (é assim que se escreve?)








27.7.07


Adorei esta fonte









No centro... às 21h30!









As uvas estavam verdes









Daroca









Descobrimos uma cidade medieval









Voltando para Valência








26.7.07


Com a Daniela









Mais uma transmissão exclusiva do vosso blog









Está uma delícia!









Banda Larga em Zaragoza... uhuuuu!









Olha ele aí!









Uma Plaza de Toros: canalhas!









Numa máquina de vender cigarros...









Passamos pela região do jamón









Vamos ver um amigo








25.7.07

Un abanico de opciones

Buscando um celular na Espanha, cronista encontra leques – ¡y quedase encantada!


-- Hmmm... -- disse uma das senhoras. -- Esse é barulhento demais.

-- Esse é lindo, mas não fecha bem, -- disse a outra.

-- Esse seria perfeito, se fizesse vento.

Eu estava numa das lojas do El Corte Inglés, em Valencia. Entrei para procurar um simcard para o celular, mas no meio do caminho esbarrei numa daquelas enormes caixas de liquidação, cheia de leques (aqui chamados abanicos), cercada por um bando de mulheres frenéticas.

Boa parte era de turistas como eu, empolgadas com a pechincha de quatro euros, mas muitas eram visivelmente da terra, e foi a sua presença que me chamou a atenção.

Para mim, leques sempre foram recuerdos de viagem de gosto duvidoso, e não objetos de uso real. Desde que inventaram o ar refrigerado e, antes dele, o ventilador, os abanicos perderam a razão de ser. Na verdade, nunca parei para pensar a seu respeito, nem mesmo quando traduzi ~"O leque de Lady Windermere", de Oscar Wilde; na peça, ele é apenas um objeto de época que causa confusão. Poderia ser um lenço, um caderno, qualquer coisa.

Os jogos de sedução dos leques e sua rica linguagem silenciosa passaram ao largo da minha vida de carioca do século XX; mas eis que, naquele instante, um minúsculo milagre aconteceu no El Corte Inglés, e todo um mundo se abriu à minha frente.

Para começo de conversa, descobri que o leque está vivo e bem, e bombando em Valencia, onde ficam todas as fábricas do país. E,se a maioria dos abanicos segue a tradição das pinturas de flores e cenas galantes, eles são feitos também lisos e em cores cítricas, com estampa de vaca, com formas modernas e radicais, e até com grifes locais famosas, já que seu uso não se restringe a senhoras saudosistas.

Fazem-se leques até para homens, vejam só: simples, sem pintura e pequenos, bons de carregar no bolso. Custam cerca de quinze euros.

Sua existência se justifica plenamente pelo insuportável verão europeu, muito pior do que qualquer estação brasileira, talvez pela secura do ar. Ontem fiquei impressionada uma moça caída na rua, cercada por transeuntes preocupados que, até a ambulância chegar, tentavam socorrê-la molhando-lhe a testa com água fresca e buscando gelo nos bares próximos. E, claro, abanando-a com leques.

* * *

Passei um tempo inimaginável na seção de abanicos.

À primeira vista, todos me pareciam iguais, apenas com as naturais variações de cor e estilo; aos poucos, abrindo-os um por um, descobri sua extraordinária diversidade – e, nem preciso dizer, perdi imediatamente o interesse pela caixa de saldos. Os realmente bonitos estavam nas prateleiras e, até certo ponto, valem o que custam. Um leque de cem euros, feito com a mesma madeira e na mesma fábrica, pintado com as mesmas cores e com recortes muito parecidos com um de dez, é inquestionavelmente superior. A diferença está nos detalhes, no trabalho da madeira e, especialmente, na qualidade da pintura.

* * *

A ficha caiu, para valer, quando percebi que, ao abrir o leque como quem não quer nada, as damas de antanho (e quiçá as de hoje) não apenas se abanavam ou se comunicavam com os cavalheiros, mas faziam também uma demonstração explícita de status, assim como quem, hoje, usa um celular fashion, caríssimo. Vocês podem dizer que estou maluca, mas, de repente, os abanicos se fixaram na minha cabeça como os celulares do passado: objetos de comunicação, utilitários, símbolos de status, sempre ao alcance das proprietárias, de vendedoras de peixe à Duquesa de Alba.

* * *


Há leques modernos de mais de mil euros -- exatamente como os exclusivíssimos e pretensiosos celulares da linha Vertu. Em relação aos antigos, ganham dos celulares, porque o céu é o limite. Aliás, nem precisam ser tão antigos assim: no catálogo da Casa Carbonell, como a maioria das fábricas, passada de pai para filho há gerações, pode-se encontrar um abanico de quatro mil euros... feito em 1983! Tem varetas de marfim e a tela (chamada país) pintada por Grassman. Não o nosso, mas um homônimo muitíssimo bem cotado no ramo dos abanicos.

Para quem quiser se entreter com a diversidade da espécie, um bom ponto para empezar é, justamente, o website da Carbonell, onde, num catálogo variado, há ótimas fotos que podem ser ampliadas. Fica em www.abanicoscarbonell.com. Em www.todoabanicos.com encontra-se de tudo um pouco, de história a fundos de tela para computadores. Já www.abanicos.com é a página de uma colecionadora, Immaculada Manfredi, que não só parece saber tudo sobre leques, como me tocou ao revelar que começou a se interessar por eles ao ouvir o ruído que faziam. É que, na aventura no Corte Inglês, uma das minhas descobertas mais interessantes foi perceber como cada um tem seu barulhinho distinto.

Nem preciso dizer que acabei comprando alguns abanicos, modestos mas muito bonitos aos meus olhos incultos. Quando volto de madrugada para o hotel, exausta da Woodstock de nerds em que estou mergulhada, brinco com eles, abrindo-os e fechando-os seguidas vezes.

Ainda vou ter que praticar muito até adquirir a técnica impecável da senhora que, ao reclamar do som do leque em liquidação, me revelou, sem saber, uma arte maravilhosa e um utilitário que eu julgava extinto.

(O Globo, Segundo Caderno, 26.7.2007)






Acho os nossos mais bonitos









Hoje cheguei tarde à Feria









Uau! A camareira arrumou TUDO!









Acordei para tomar café









Boa noite!









Lá fora começa a clarear









Na entrada do quarto: 6h03









Chega! Vou embora pro hotel...








24.7.07


Only the strong survive!









Bem, nem todos...









4h30 da manhã e todos continuam ligados









Pro Tom



Ela caiu ainda agora e voltou capenga. Antes estava rapidinha...






O rango









No refeitório









É aqui que rola a Campus Party









Campus Party: a maior lanhouse do mundo









Hoje fui a última a deixar o hotel...









¡Un abanico precioso, por supuesto!








23.7.07


A CAC vista do alto









Anoitece









É tudo super "muderno"









Daqui a pouco começa a abertura da CP









Cidade da Arte e da Ciência









Numa parede









Olha os dentinhos, Monca!









O arcanjo Gabriel com Tobias









A catedral









O calçadão daqui








22.7.07


Lá vêm as paellas!









Jantando à beira-mar









A primeira coletiva









Campus Party, perto de Valência









Enfim, no hotel!









No meio do caminho









Infinitos campos de girassóis









En la carretera









Ainda faltam cinco horas de ônibus









Terra à vista!








21.7.07


Continuamos em terra...









Enfim, a bordo: ufa.









Welcome to the Congo

Hoje, pela primeira vez na vida, viajei com um vago sentimento de inquietação. Não chegou a ser medo; gosto demais de aviões para ter medo. Mas não adianta usar o meio de transporte mais seguro que existe se a estrutura cá embaixo é periclitante.

Mais do que inquietação com o avião, fiquei estressada pelos perrengues em terra. Ontem a Bia voltou de Sorocada. Saiu antes das 17hs, e só chegou ao Rio às duas da matina. Ninguém merece.

Aqui, naquelas telas que informam o horário dos vôos, muitos estão atrasados. Os outros têm horários "estimados". Os fragmentos de conversa que escuto são surrealistas: "Tive sorte, atrasou só uma hora!", "Ele esperou três horas no aeroporto, mas o vôo foi bom..."

Depois ainda tem quem ache que o governo é uma maravilha, que a imprensa está batendo por antipatia, etc.

Sinceramente: já estive nos lugares mais estranhos, mas juro que nunca vi vôos com horários estimados, nem passageiros conformados com atrasos desses.

O pior é que não adianta a gente chiar.

O governo vai continuar comemorando com gestos obscenos cada nova tragédia, e condecorando os responsáveis como Heróis da Pátria.






Passando pelo local do acidente









No busão pra Guarulhos









Chegando ao porta-aviões









Cidade Maravilhosa









Começa a epopéia









Corra, Cora, corra!









Vai ser um longo dia...








20.7.07


Tutu é romântica, adora flores









Prontas para dormir









Que lindas flores!








19.7.07


Parabéns, Van!









Carta de um comandante


"Meus caros amigos

Estou em Bangkok, voltando hoje a noite para Dubai.

Estou arrasado com o acidente do JJ3054 e nesse momento inicial resta apenas rezar por aqueles que partiram de forma tão trágica.

Porem, como profissional de segurança de vôo, sinto-me inconformado com essa catástrofe que infelizmente vinha dando 'avisos' claros há mais de dois anos, praticamente.

Quando eu estava ocupando a Gerência de Segurança do GIPAR, logo após o recapeamento da pista de Congonhas, no qual foi utilizado um novo tipo de asfalto 'poroso' que, segundo os engenheiros da INFRAERO, possuía grande capacidade de drenagem, registramos a ocorrência de uma série de incidentes onde houve dificuldades de controle direcional, aquaplanagem, e até mesmo o registro fotográfico feito por um piloto da TAM de um rio de lama passando por sobre a cabeceira 17R num dia de
chuva intensa.

A INFRAERO insistiu que não havia problema algum com o asfalto, que não seria mais necessário fazer o 'grooving', porém a VARIG, TAM, GOL e BRA registraram 42 ocorrências e incidentes com essas características num período de 3 meses e meio em que fizemos um monitoramento do problema em uma ação conjunta das empresas através da Secretaria de Segurança de Vôo do SNEA(Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).

Fizemos então uma reunião conjunta com a INFRAERO, DAC (na época) e empresas aéreas, mas o resultado esperado não foi obtido e estamos assistindo agora às conseqüências. Nessa reunião, o Cmte. Castro, Safety da TAM, apresentou um brilhante estudo baseado em dados do FOQA, no qual, através da utilização de um software, foi possivel calcular o coeficiente instantâneo e médio de desaceleração durante o pouso, e que mostrava claramente que os valores de coeficiente de atrito estavam muito abaixo dos valores mínimos de certificação. E o problema maior era justamente no final da pista 35L, onde ocorreu o acidente com a TAM.

É lamentável que todos esses alertas, inclusive os da derrapagem dos 737 da BRA e da GOL, não tenham sido suficientes para mobilizar as autoridades e responsáveis pelo Sistema de Aviação Civil, permitindo que tais fatores contribuintes permanecessem presentes por tanto tempo, juntando-se a outros fatores adicionais, tais como a recente crise do sistema ATC, pressões econômicas pela continuidade da operação em condições as vezes nadequadas, criando uma enorme janela de oportunidade para a ocorrência de um acidente desse porte.

Desejo nesse momento que a família TAM tenha condições de superar tal infortúnio e espero que os responsáveis pela investigação tenham a decência de apontar esses fatores em seu relatório de investigação."






Alguns leitores do Noblat


José Zimmerman: "Congonhas é a jóia da Coroa que quebrou, o filé mignon da aviação brasileira, explorado à exaustão e que nenhuma empresa aérea quer deixar de operar em razão da altíssima lucratividade. Durante anos e anos cansei de aterrisar neste aeroporto em Convairs, Viscounts e Electras debaixo de chuva torrencial e nunca aconteceu nenhum problema.

A pista de Congonhas não cresceu para permitir pousos de um A320 no limite de peso. Chegar a São Paulo hoje num jato a 800km/h passando ao lado de edifícios e aproximando-se de uma pista que não tem qualquer área de escape dá medo. Um erro e acabou.

As autoridades aeronáuticas vão ter que convencer as empresas aéreas que ou Congonhas vai servir apenas à aviação executiva ou intermediária com jatos de pequeno ou médio porte, ou os grandes jatos vão ter que diminuir o numero de pousos e decolagens e jamais operarem com sua capacidade total de combustível e passageiros.

Congonhas tem a estrutura básica de pista e área de táxi da década de 40 e isto não há como mudar."


Celso Miguel Skrabe: "Só o relatório oficial explicará o que aconteceu, mas, como piloto, já vivi a experiência da aquaplanagem. Não é nada divertido rodopiar na pista. A questão do grooving é tão importante para a frenagem de um avião em pista molhada como os sulcos do pneu de um carro em uma auto-estrada.

Como os pneus de aviação não têm os sulcos convencionais, já que precisam resistir ao impacto do toque do pouso, a "banda de rodagem" para garantir o controle e o escoamento da água deve estar no solo.

Permitir uma pista sem grooving é como autorizar andar a 200 km. por hora com pneu careca. Não é que os sulcos "aumentam a aderência". Eles evitam que a aeronave perca aderência em razão da formação de um filme de água ou, pior, de água com uma camada de residuos de óleo, o que pode fazer de qalquer pista um sabão."


Genarius: "Não é possível continuar assistindo o massacre de inocentes. O caos aéreo e as tragédias começaram a ocorrer, exatamente, a partir do momento em que se retirou do Ministério da Aeronáutica a administração do Sistema de Aviação Civil.

Isso não é coincidência.

É o resultado da desprofissionalização do setor, da falta de subordinação entre órgãos e da quebra da hierarquia do sistema. A Aeronáutica, organização altamente profissionalizada (e imune a loteamentos de cargos), administrou a aviação no Brasil de 1941 até março de 2006.

Foram 65 (sessenta e cinco) anos de gestão. Sessenta e cinco anos, sem que nada sequer parecido com o que ocorreu nos últimos treze meses tivesse se verificado. Profissionais (militares) foram sendo substituídos por militantes políticos inexperientes. Órgãos que compõem o sistema de aviação civil foram inoculados com essa anomalia brasileira que a cada quatro anos distribui vinte e cinco mil cargos.

Essa prática é inédita no mundo."





18.7.07

Três dias de luto são pouco para tanto descaso

Alguém (tirando o governo) tinha dúvida de que um desastre estava por acontecer?!


Sete e meia de terça-feira. Voltando para a mesa, depois de um café no outro extremo da redação, passei por uma televisão que mostrava um canal diferente das outras, sintonizadas, todas, na apresentação da ginástica masculina no Pan. Nessa tevê solitária, havia uma imagem de chamas no aeroporto de Congonhas. Ninguém sabia ao certo o que acontecera; diziam que um avião de carga derrapara na pista e se chocara contra um depósito de combustível. Horrível, claro — mas, estranhamente, dentro da escala do horror aceitável, proporcionada pela falta de informações concretas. Passei pelo Xexéo ali adiante, num grupinho que assistia o Pan, e perguntei se ele sabia de um incêndio em Congonhas.

— Não é em Congonhas. É no Santos Dumont. Uma loja pegou fogo hoje à tarde.

— Uai, é? Tenho quase certeza de que o que eu vi era ao vivo, e que dizia Congonhas...

Fomos os dois, intrigados, para a televisão sintonizada no acidente. Era Congonhas. A essa altura, algumas das outras televisões da redação começavam a sair do esporte. A editoria nacional, que daria a notícia do que quer que houvesse acontecido, entrou em alerta máximo: esse é o horário em que o fechamento do jornal está no auge, e em que qualquer fato novo pode significar mudanças drásticas na edição.

A ficha coletiva, porém, ainda não havia caído; ainda podíamos perguntar aos bolinhos de gente formados em frente às televisões se aquele era um grupo do Pan ou um grupo do acidente, e rir com isso. À medida em que nos dávamos conta das dimensões da tragédia, porém, a consternação tomava conta de todos, e as televisões iam, uma a uma, sendo mudadas para as transmissões de São Paulo. As brincadeiras que fizéramos minutos antes e as comemorações ruidosas pelas medalhas conquistadas no Pan pareciam parte de um passado muito remoto. Num daqueles filmes antigos de Hollywood, alguém teria gritado: “Parem as máquinas!”.

* * *

Passa, agora, da meia-noite. Ainda há muitas televisões e muitos jornalistas ligados, trabalhando como se estivéssemos no meio da tarde. Eles buscam algum fato novo para as páginas da terceira edição. Quem está diagramando essas páginas é, por coincidência, o Galante, especialista em tudo o que diz respeito a aviões e aviação. Alguns de nós nos reunimos em torno do infográfico desenhado sobre a foto aérea de Congonhas, revoltados com a paisagem familiar da pista cercada de casas e prédios por todos os lados, perfeito retrato da estúpida e gananciosa administração urbana que condena a maioria das cidades brasileiras ao fracasso.

— Não tem margem nenhuma para erro, é como um porta-aviões num mar de prédios, — observa o Galante, fazendo uma analogia perfeita.

* * *

Quase duas da manhã. A turma da faxina já trabalha entre as mesas, surpresa de ainda encontrar tanta gente. Todos já sabem que estamos diante do maior desastre aéreo do Brasil – até o próximo, em breve, num aeroporto perto de você. Ao meu lado, numa televisão que não consigo ver, um locutor lê a lista interminável de nomes. Penso nas pessoas a quem pertenciam esses nomes, penso nas centenas de famílias para quem eles tinham significados que nunca saberemos, penso no desespero dos que perceberam que iam morrer, tento me consolar imaginando que muitos sequer souberam o que lhes aconteceu.

Penso na alegria perdida do Pan e nos atletas que mereceriam as manchetes seqüestradas pela tragédia. Penso também em coisas triviais, como, por exemplo, no que haveria nas cargas do depósito consumido pelas chamas. Seriam provavelmente mercadorias comuns, mas não consigo deixar de imaginar presentes de aniversário e de dia dos pais, agrados para amigos, surpresas para namorados e namoradas: carinhos perdidos.

* * *

Maior do que a tristeza, só a raiva de saber que assistimos, impotentes, a um assassinato premeditado. As vítimas foram, por acaso, os passageiros do vôo 3054; mas desde o acidente da Gol, ficou óbvio para todo mundo -- menos, aparentemente, para as autoridades responsáveis -- que novas tragédias estavam por acontecer. Um governo que dá prioridade às lojas e aos mármores dos aeroportos em detrimento da segurança, que permite a liberação de pistas inacabadas, que não consegue disciplinar controladores de vôo, que distribui cargos técnicos especializados a correligionários despreparados, não é apenas incompetente; é criminoso, mesmo.

Mas a culpa, vocês vão ver, vai ser do piloto.

* * *

Para fugir da tragédia e encontrar um pouco de paz recomendo, muito, o show da Olívia Byington, que fica em cartaz até domingo na Laura Alvim. Última chance! O teatrinho é pequeno, o clima intimista, a música o que há de bom: um bálsamo. Olívia, sua voz cristalina, seu humor raro e seu violão estão em casa, e é como se nós estivéssemos em casa também, passando uma noite deliciosa com uma amiga linda, inteligente e talentosa.


(O Globo, Segundo Caderno, 19.7.2007)





17.7.07


Redação em alerta









Horror

Toda vez que acontece um acidente de avião eu fico com a sensação de ter sido traída.

Adoro aviões, acho que não há forma mais segura de viajar, mas ver um incêndio como este que acontece em Congonhas é de abalar as convicções de qualquer um.

Difícil imaginar cena mais apavorante.






Tati me ajuda a ler o jornal









Outra marca... *suspiro*









Emergência felina

Hoje entrei no Orkut pela primeira vez em semanas e encontrei um recado desesperado:
"Oi Cora, você não me conhece, meu nome é Marcia e vim até aqui por pedido do Hugo Vegan Faria, seu amigo. O problema é o seguinte: na comunidade em que o Hugo é mediador foi feito um pedido de ajuda aos gatos do parque "Terra Encantada", na Barra. Me prontifiquei a ir lá para verificar o que estava acontecendo. Bem, realmente existem vários gatos lá, muitas fêmeas estão prenhas, ou seja, a cada dia que passa aumenta o número deles.

Tem uma moça (tia Ro - responsável pela setor da roda gigante)que, na medida do possível, cuida deles,inclusive comprando ração. Ela adora os gatos. Mas o parque está falido, o salário dessa moça está atrasado há dois meses ou mais e às vezes fica difícil para ela mantê-los.

Se fosse só isso nem seria tão mau, mas quando tem muitos gatos (o que já é o caso - semana passada uma gatinha deu cria) algumas pessoas tratam de "diminuir o excesso de gatos" dando chumbinho para os coitados.

A tia Ro está com muito medo que eles sejam todos exterminados. Eu não tenho carro e as pessoas que conheço que poderiam me ajudar a resgatar as gatinhas que estão prenhas não se preocupam com "esse tipo de problema". Enfim, já pedi ajuda a várias pessoas, mas elas não querem se envolver. Até mesmo quem fez a denúncia saiu fora.

Não sei mais a quem recorrer. Agora na comunidade existe um site do Sidney Rezende (repórter da Globo News) que - segundo o Fernão - está lá para ajudar a comunidade e a causa animal. Passei um e-mail para esse site, mas até hoje não houve resposta.

Cora, eu não sei mais o que fazer, até porque não há condições de resgate sem a juda da Ro (as gatas são muito ariscas, elas vivem em liberdade e tem medo das pessoas - no que estão cobertas de razão - depois dizem que são "irracionais(???)").

Caso você não esteja em condições por qualquer motivo em me ajudar, gostaria de lhe pedir um favor: peça para alguém que esteja interessado em ajudar esses bichinhos que se comunique comigo ou procure a Tia Ro, na Montanha Russa. Outra preocupação dela é se fecharem o parque, e eles ficarem abandonados, mais do que já estão. O parque em baixa temporada (agosto a final de novembro) abre somente de sexta a domingo, em suma: os gatinhos só comem no fim de semana!

Sinceramente, não sei mais o que fazer!

Muito obrigada, Marcia."


Pessoas da Barra, alguém pode dar uma ajuda à Marcia, à tia Ro e aos gatinhos? Quem não tiver Orkut, pode procurar a Marcia no Fotolog.





16.7.07


Vamos repassando até chegar ao Bin Laden...







Isso lá é tempo?!








15.7.07


Ela é linda!









Bella









Um céu campeão





Manchetes que dão gosto: Clarin, mais Clarin e La Nacion.






Linda tarde!









O resto engarrafa









Lá vai a comitiva









PANdemônio








14.7.07


Uma ótima caixa










(Cesária Évora e Caetano Veloso, "Regresso")






Lar doce lar









Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...








13.7.07


O melhor momento do Pan

A cerimônia de abertura do Pan está muito bonita, mas mais bonitas ainda estão as vaias para o Lula.

É por isso que a capital não devia, nunca, ter sido transferida para Brasília, onde a politicalha pode, perfeitamente, ignorar o Brasil.

No Rio, não: ainda não inventaram melhor aferidor de popularidade do que um Maracanã lotado.






O Pan na redação









O Pan na redação









É a princesa Anne, da Inglaterra









Olha quem chegou ao Copa junto comigo...









Bom dia!










(Cesária Évora e Pedro Guerra, "Tiempo y Silencio")

Depois me digam se não é das coisas mais lindas...





12.7.07

A Flip vista de fora

E, nas livrarias, dois colossos abrem uma janela aterrorizante para o Oriente Médio


Fui à Flip pela primeira vez há cinco anos, na cômoda qualidade de mulher de escritor. Não precisei fazer palestra, não precisei dar entrevista nem autógrafo e, ainda assim, fiquei por dentro de tudo: festas, jantares, the works.

Naquela Flip de estréia, porém, ninguém precisava de status tão especial para curtir a festa. Na cidade havia provavelmente mais escritores, editores e jornalistas do que leitores, e não se podia dar dois passos sem se esbarrar num dos ilustres convidados. Esbarrar, aliás, nem é a palavra certa; não havia gente suficiente nas ruas para isso, de modo que todos se encontravam civilizadamente.

Era muito divertido sentar no barzinho da praça e ver os amigos enfrentando as pedras birutas do chão; era emocionante passar pelas casas de portas e janelas abertas e receber convites para entrar para um cafezinho. Meu barato particular era tomar café da manhã com vista para o Hobsbawn: eu fazia questão de escolher uma mesa em frente à dele, e lá ficava, observando o velho historiador lendo e tomando chá.

Havia um jeito quase doméstico naquela Flip que dava os primeiros passos, buscando rumo. Havia muita improvisação, mas havia também muita boa vontade. Aqueles foram dias encantadores, que estão entre as grandes lembranças da minha vida.

* * *

Este ano, depois de uma longa ausência, voltei à Flip, mas num esquema completamente diferente; nem me dei ao trabalho de conseguir credencial de imprensa. Fiquei no pequeno paraíso que é a casa da minha amiga Luciana Pordeus, em Angra, de onde saía para eventuais incursões a Paraty. Fui, em suma, de turista, e não de participante — e isso fez uma diferença enorme.

Para início de conversa, encontrei apenas meia dúzia de conhecidos na cidadezinha onde, de acordo com a programação, estava boa parte do meu círculo social. É que havia tanta gente por lá que avistar alguém, do alto do meu metro e meio, era quase impossível. Afastada das badalações oficiais, fiquei, também, afastada das estrelas da Flip.

Assisti ao começo da mesa de Lawrence Wright e Robert Fisk na tenda da praça, mas logo me cansei da experiência virtual: qual é a graça de assistir a um debate que está acontecendo lá do outro lado da ponte, sem ver os participantes ao vivo e sem poder fazer perguntas?! A deslumbrante luz do cair da tarde era mais atraente, e fui ao seu encontro.

* * *

Paraty mudou muito da primeira Flip para cá, a começar pelo chão. Não sei se andaram ajeitando as pedras ou se preencheram os espaços com terra, mas agora é possível caminhar e olhar para a frente ao mesmo tempo. Há uma quantidade de novos hotéis e pensõezinhas simpáticas, restaurantes, bares e lojas. Em compensação, vi poucas casas tão cordialmente abertas, o que é mais do que compreensível, dada a quantidade de pessoas nas ruas.

Acho formidável que uma festa de livros e autores mobilize tanta gente, mas não consigo evitar um sentimento ambíguo em relação à Flip, super-dimensionada para a cidade que a abriga. Faltou luz, faltou água e, na sorveteria que eu adoro, faltaram, no sábado, praticamente todos os sabores de sorvete, menos morango, banana e iogurte.

Faltou também a descontração antiga, em que éramos todos, escritores e leitores, farinha do mesmo saco. Maior, mais profissional e mais organizada, cheia de regulamentos e restrições, a Flip passou a ser, pelo menos para quem a vê de fora, uma Bienal em cenário colonial.

* * *

Não foi por nada que tentei ver a mesa de Lawrence Wright e Robert Fisk; juntos, os dois cavalheiros produziram 1.468 páginas eletrizantes. Seus livros, respectivamente “O vulto das torres” (Companhia das Letras, 506 páginas) e “Pobre nação” (Record, 962 páginas), são quase complementares, ainda que muito diferentes entre si.

“O vulto das torres” é, em última análise, uma reportagem monumental, que acompanha a escalada do extremismo islâmico até o fatídico 11 de setembro. Wright, da equipe do New Yorker, é um pesquisador incansável e – felizmente – um escritor da melhor qualidade. Seu livro, que se lê como um John Le Carré, tem, a seu favor e nosso azar, uma peculiaridade sinistra: é tudo verdade.

Já “Pobre nação”, de Robert Fisk, é um relato em primeira pessoa, cheio de som, fúria e significado. Correspondente do Independent em Beirute, fluente em árabe e único jornalista ocidental a entrevistar Osama Bin Laden três vezes, Fisk resume os 25 anos de guerras que acompanhou no Líbano. Claro que, sendo o Oriente Médio o que é, e as guerras o que são, mesmo esse resumo ocupa quase mil páginas.

Não se assustem, porém, com o tamanho desses colossos. Ambos são livros fundamentais para entendermos os nossos tempos – ou, pelo menos, para termos uma idéia do festival de insensatez que rege o mundo.

Para quem acha que tudo isso acontece lá longe, e que nunca vai nos atingir, lembro apenas que já atingiu. Cada vez que passamos por um check-in de aeroporto tirando os sapatos e o notebook da mala de mão, cada vez que nos confiscam a tesourinha de unha, cada vez que comemos uma refeição de bordo com talheres de plástico, estamos, sem perceber, endossando o triunfo de Bin Laden.

(O Globo, Segundo Caderno, 12.7.2007)






Ê, mundo grande sem porteira...



(Recadinho do Gil, filmado com celular)

Aliás, o website da turnê de Banda Larga está excelente.

É um ótimo exemplo de compreensão do que é a rede, da interatividade que ela permite e do que é o mundo conectado; em suma, não é um site só de ver, mas também -- e sobretudo -- de brincar, e de fazer junto.





11.7.07


A estenografia e o miguxês

Mario Amaya (aka Mario AV) fez uma ótima observação no post sobre a mancada do Ziraldo:
"Está acontecendo aqui uma confusão comum entre duas práticas distintas de escrita na rede.

Uma é a estenografia - abreviações, siglas, palavras truncadas para escrever com mais eficiência. Isso existiu desde sempre; confira os manuscritos em latim da Idade Média.

Outra prática muito diferente é o "miguxês" adolescente. Que se baseia em distorcer, amplificar e ornamentar as palavras, distanciando-as da grafia padrão, incorporando no processo algumas das abreviações e também as gírias do momento, explorando os limites da inteligibilidade.

Além das distorções na grafia, agora está na moda substituir letras do alfabeto romano por caracteres estrangeiros, símbolos e outros glifos não-alfabéticos disponíveis nas fontes Unicode, exibidos consistentemente pelos browsers modernos.

Há uma motivação estética e social para todas essas invenções gráficas. Uma coisa que os puristas da língua não entendem é que elas são deliberadas, não fruto de mera ignorância. Para você, o "miguxês" não passa de lixo degenerado; para quem escreveu, é uma variante de expressão pessoal.

Isto não é uma defesa dessa prática. Mas combatê-la em termos de "combate à ignorância" revela falta de compreensão, e é inútil."






Ordre et beauté









Bom dia!









Uma bola de luz flutua na Lagoa








9.7.07

Estupidez empatada



Tomando pé nas chamadas "atualidades", soube, pelo Blue Bus, que o Ziraldo deu um tremendo fora numa entrevista ao Amaury Junior, ao desancar a rede classificando-a como "o antro do débil mental", e dizer que "na internet só tem babaca".

É óbvio que ele se refere a salas de chat, im e congêneres; mas não sei se lamento mais o fato de ele não ter se sentido atraído pelo maravilhoso universo que está a um simples clique do seu mouse, ou o fato de ver um sujeito de resto tão inteligente e simpático fazer uma generalização tão... tão... babaca, para usar o seu (dele) vocabulário.

Por outro lado, ao ler os comentários postados no You Tube por um monte de... de... babacas, ora essa, me sinto inclinada, não a lhe dar razão, mas a compreender porque é que alguém que só conhece a internet superficialmente pode ter tão má opinião a seu respeito.

Não há uma discussão no You Tube; há uma demonstração de estupidez coletiva. Os comentários mais "generosos" desqualificam Ziraldo por ser velho, forma extremamente preconceituosa de babaquice.

Se Ziraldo conhecesse melhor a internet, porém, saberia que isso é apenas um retrato virtual da vida real. Estamos vivendo o Triunfo da Boçalidade, que se manifesta tanto em reações estúpidas e agressivas de mauricinhos psicopatas quanto em discussões abjetas pela rede afora.

A arte de viver e de aproveitar tudo de bom que o mundo -- e a internet -- têm a oferecer é saber separar o joio do trigo. E ficar com o trigo.

Update: O Ziraldo, pelo visto, foi vítima de uma edição maliciosa, que amplificou a parte ruim do que disse. Aqui está a íntegra da resposta editada:
"Nós não temos o hábito de dar livro de presente. Damos CD, agora DVD, celular. (…) Tanto o celular quanto a Internet… a Internet por exemplo é o antro do débil mental. Só tem idiota na Internet. É uma coisa - o usuário da Internet é um babaca, entendeu? Aquelas mensagens, aquelas piadas que chegam, é tudo de uma indigência… eles escrevem mal, eles têm um mau-gosto terrível, agora, a Internet é fundamental porque toda a informação TODA está lá. Agora, se você não sabe ler, não tem curiosidade, de que adianta aquele presente dos deuses? Não aprenderam a respeitar a palavra, que é o que nos identifica. Começa a escrever “tb” no lugar de também, começa a escrever “vc” no lugar de “você”. Uma linguagem cifrada pra imbecil”. (…) isso é queimar etapas, é chegar na Internet sem passar pelo livro. Tudo passa pelo livro."
(Agradecimentos ao Carlos Cardoso, do Contraditorium)

Não sei se concordo com o Ziraldo. Aliás, acho que discordo frontalmente. Sou fissurada em livros, não sei viver sem livros, mas há muita imbecilidade impressa e muita coisa formidável online.

Eu diria que tudo passa pela palavra e pela capacidade de pensar e de se exprimir. Antigamente isso só se aprendia em livro, de fato, mas as mídias estão mudando; não é a forma que importa, mas o conteúdo.

Também não vejo nada demais em se escrever vc, qto, tbm; a internet inventou a sua própria estenografia, que funciona na medida em que se pode entender o que foi teclado. Não faz sentido escrever QUANDO num chat se QDO é igualmente compreensível.

Mas cada um é cada um, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Ou não.






A saudade mata a gente, morena








8.7.07


Foram dias maravilhosos









Lá vamos nós...









De volta à terra firme









A Van instabilidade da matéria









A água é transparente!









O barquinho vai









Para Millôr: estou aqui









La Nave Va









Um dia perfeito!









Partindo para um dia al mare








7.7.07

07.07.07


Linda data, né?




Tudo sobre a FLIP







Jantar à luz de velas









Um ponto iluminado









Está faltando luz!









Bonitinho!









Tentações









Café Flip









Maravilha de cenário









Na livraria









A tenda dos autores









Os sem-ingresso









A tenda da praça








6.7.07


Na Luciana









Uma pausa na FLIP








Os netos mais lindos do mundo (modestamente...)

Depois de um dia cheio de aventuras, mais uma surpresa me esperava no GMail: a mais nova foto dos meus bipinhos que vivem além mar.

Interneto é assim, a gente curte em fotinhas, telefonemas, notícias; mas isso não me impede de ser uma avó absolutamente coruja.

Também, com esses três gatinhos!




Um elefante alegra muita gente

Os livros da Danuza e do Bruno Drummond
também; já o fim do nominimo.com...



Quem passa de dia pela Rua Vinícius de Moraes nem percebe que eles estão ali, enroladinhos nas portas, esperando o anoitecer. Um escapou, está pintado num muro, mas fica meio camuflado pela bagunça e pelos outros grafites. Só depois que as lojas e os botequins fecham é que se percebe que faz parte da manada: um lindo elefante branco, coberto de adereços, andando entre flores.

* * *

Tudo começou quando o Fiúza se aborreceu com a quantidade de pichações que cobriam a banca de jornais, e perguntou ao André Brandão, o Dé, se ele podia fazer alguma coisa para resolver a situação.

O Dé, que mora do outro lado da rua, é pintor. Costuma fazer trabalhos grandes, em portas e janelas de demolição; o tamanho da empreitada, portanto, não o assustou. O personagem se impunha quase naturalmente, já que elefantes são tema recorrente na sua pintura. Assim, há uns dois meses, apareceu o primeiro elefante da Vinícius.

A novidade foi muito comentada na vizinhança, empolgada com a imagem bonita e alegre que substituiu as pichações horrorosas. Poucos dias depois, apareceu outro elefante. E logo outro, e mais um, e um grupo de três em portas contíguas, andando em fila, de trombas e rabos dados. Todos brancos e, a julgar pelos enfeites, indianos; têm selas vermelhas com pontas amarelas, quadradinhos, triângulos, espirais cor-de-rosa.

Por acaso, passei pela banca do Fiúza assim que o primeiro elefante apareceu. Adorei a novidade, que postei no blog. Alguém viu o post, avisou ao Dé e ele me mandou um email, apresentando-se e dizendo que faria um novo elefante na porta do Divas, simpático salão cheio de livros e idéias.

Fui assistir ao nascimento; gosto de ver artistas em ação. Um grupo de amigos acompanhava o trabalho do outro lado da rua, instalado em mesinhas na calçada do Mosca, clássico pé-sujo que, por sinal, é lar de diversos fradinhos pintados do Guga Liuzzi.

Foi um acontecimento. Tão interessante quanto ver a pintura, foi ver a reação dos transeuntes. Crianças e adolescentes manifestaram seu prazer sem restrições, e o Dé, gente boa, até deixou alguns meninos pintarem pedacinhos da, digamos, “tela”. Muitos adultos pararam para fotografar com o celular. Alguns perguntaram se o trabalho havia sido autorizado pelo estabelecimento. Esclarecida a questão, sentiam-se, enfim, à vontade para elogiar.

A nova elefanta é pequenina em comparação aos seus primos avantajados espalhados em metros e metros de portas, mas é muito mimosa. E deu sorte: está fugindo do circo.

¡Que le vaya bien!

* * *

Li “Na sala com Danuza” em algum momento do século passado, quando chegou às livrarias. Lembro que gostei muito; mas estava lido e pronto, caso encerrado. Por isso, a nova edição de bolso, da Companhia das Letras, não me pareceu muito perigosa. Era uma da manhã, eu estava espichada no sofá depois de um dia exaustivo, e resolvi pegar o livrinho porque imaginava que, sendo um velho conhecido, apenas passaria os olhos por ele, sem compromisso, antes de ir dormir.

Quando virei a última página, os gatos estavam desmaiados pelo tapete, o sol nascia lá fora e eu, ainda que cansada, estava encantada. O livro não é bom; é ótimo! A sensação que me acompanhou a noite inteira foi a de estar conversando com uma amiga sofisticada, perspicaz e divertidíssima -- em suma, com a Danuza, tal como é na vida real.

Não posso dizer que aprendi muito, porque sou um desastre social sem remédio, mas isso não tem a menor importância. “Na sala com Danuza” não é um livro didático. É uma grande crônica, um apanhado de histórias, uma perfeita delícia.

* * *

Outra delícia imperdível é “Gente fina”, do Bruno Drummond, a meu ver um dos mais argutos observadores da fauna carioca. Para quem não está ligando o nome à pessoa, ele é o autor das maravilhosas tirinhas que a “Revista O Globo” publica aos domingos. O livro, da Desiderata, é uma coleção dessas tirinhas. Confiram: o Bruno é muito, muito bom.

* * *

Enquanto isso, na outra ponta da vida, ando com uma tristeza enorme entalada na garganta: não me conformo com o fim do nominimo.com, nem como jornalista, nem como leitora. Como jornalista, sinto uma frustração sem tamanho ao ver fechada a porta que, às custas do esforço de uma equipe tão brilhante, conseguiu se transformar na grande referência intelectual da internet.BR.

Seria de se esperar que uma revista online com o prestígio do nominimo.com fosse um tesouro a ser avidamente disputado, sobretudo por empresas de comunicação; mas, pelo que se viu, no Brasil, infelizmente, a inteligência anda em baixa. Quente mesmo, nesses tempos boçais, é patrocinar o Big Brother.

(O Globo, Segundo Caderno, 5.7.2007)





5.7.07


Uma foto clássica









Paraty é mesmo linda...









A igreja com véu









A melhor cachaça do mundo





Quem garante é a Luciana Pordeus, que sabe o que é bom. O preço, pelo menos, promete uma maravilha: a garafa custa R$ 250.






Paraty









Amigas









Na Luciana









Na estrada








4.7.07


Lucas









Encontro entre xarás









Há pombos lá fora!








3.7.07


Pedra da Gávea









Chico, no Bianco









Bom dia!











Fechamos o Braz








2.7.07


Bom dia!









Essa eu quero ver...

Já há iPhones à venda no Mercado Livre, pela módica quantia de R$ 3.999. O vendedor garante que dentro de poucos dias o celular estará desbloqueado. Como eu não duvido da criatividade dos nossos executivos de fronteira, vou acompanhar esse lance com o maior interesse.





1.7.07


Descobri um desenhista maravilhoso no Flickr










O blog num iPhone



O Paulinho, é claro, já tem o dele... :-)

(A foto foi feita e enviada por um celular T-Mobile, mas não sei qual é o modelo que ele estava usando antes de comprar o brinquedinho da Apple)






No arraiá


Quadrilha


A barraca de quentão

A festa de aniversário do Gil foi uma festa junina das mais bonitas: produção impecável, com direito a comidinhas típicas, fogos de artifício, Jorge Benjor cantando pra gente dançar e uma lua cheia de todo o tamanho no céu.

Gil e Flora são um casal lindo de ver, ambos carinhosos e atentos. Na hora do casamento caipira pareciam mesmo dois noivos.

Adoro casais em que se percebe que um é a pessoa mais importante do mundo para o outro.


Os noivos


Nanda e Andrucha


Ancelmo com a netinha (esse homem não para quieto!)


Bipes felizes