30.6.07




GSM desbloqueado, funcionando até hoje









Motorola V70









Revolução por revolução...








29.6.07


iPhone

O eBay já está cheio de anúncios de iPhones. Os preços começam em US$ 900, e chegam a US$ 2 mil.

Numa olhada superficial, ainda não encontrei nenhum vendido; essa galera apostou em baixos estoques mas, de acordo com os blogs e sites de tecnologia, as vendas nas lojas estão sendo tranqüilas.

Update: O de US$ 999,95 já foi vendido. Tem doido para tudo!

Outro update: Montes de links para o Grande Evento aqui.

Mais: Esses caras aqui prometem destripar um iPhone ao vivo.






Millôr, Hélio, Lelê e Felipe









Eliana no camarim









Olivinha dá entrevista antes do show








28.6.07

(Clique para ampliar a imagem)

O fã-clube da Nokia parte para o ataque... ;-)

Eu acho que o iPhone é, de fato, o celular do futuro: ficará pronto dentro de duas ou três gerações. E fico com o celular do presente, o Nokia N95, que já está nas lojas desde o começo do mês -- e é, esse sim, uma máquina verdadeiramente assombrosa.

(Valeu, Lucas!)









As Bestas da Barra e sua "diversão" sinistra

A sociedade deve um abraço apertado
e um sincero pedido de desculpas a Sirley Dias


Não gosto de futebol, mas entendo perfeitamente que milhões de pessoas achem muito divertido ir aos estádios ou sentar em frente à televisão para acompanhar jogos e campeonatos. Também detesto escalada, mas não é difícil imaginar por que tanta gente se diverte escalando; ou fazendo crochê, ou participando de maratonas, ou jogando sudoku, ou indo a bingos, ou se jogando em raves, ou curtindo tantas outras atividades que não chegam a se enquadrar no meu conceito de diversão. Mas, por mais esforço que faça, não consigo -- mas não consigo mesmo -- imaginar como alguém se diverte massacrando outro ser vivo.

Tenho pensado nisso desde que li que cinco criaturas, supostamente humanas, pararam o carro num ponto de ônibus para agredir uma mulher indefesa, a quem não conheciam e que não lhes tinha feito qualquer mal, apenas para se divertir; nem percebo o que há de tão engraçado na cena para que o inocente do grupo tente escapar à punição que merece alegando que chutar não chutou, apenas ficou de lado, confessadamente "rindo e debochando".

Pergunto: isso é uma reação normal? Ou eu é que vivo num outro mundo, e não estou acompanhando os novos tempos? É engraçado ver uma mulher, humilde ainda por cima, apanhando, desesperada, de quatro marmanjos?! É divertido chutar alguém? É bom causar sofrimento? Distrai? Relaxa? De onde vem o barato, dos gritos da vítima ou dos pés que deformam o rosto?

A impunidade, essa praga que sufoca o país, tem sua parte na história, mas não lhe muda a essência. Não é porque "não vai acontecer nada" que alguém tem prazer em espancar uma criatura mais fraca; é porque não guarda mais qualquer vestígio de bons sentimentos, qualquer sinal de compaixão, qualquer capacidade de se pôr no lugar do outro. A cadeia, num caso desses, serve para proteger a sociedade de indivíduos que, obviamente, não estão preparados para conviver com os demais; mas não os protege de si mesmos, ou do seu fracasso como seres humanos.

* * *

Deu no jornal: o padrasto de Felippe de Macedo Nery Neto declarou ao delegado que o enteado ganhara o carro usado pelo grupo dois dias antes. Declarou também que ele sofre de déficit de atenção e hiperatividade, seja isso o que for, e que toma dois remédios de venda controlada, como se fosse alguma espécie de atenuante. Não é. Todos conhecemos pessoas que tomam medicamentos de venda controlada, e que nem por isso saem por aí atacando desconhecidos. Por outro lado, se a moléstia dessa besta é tão incapacitante, que se aplique punição também a quem a deixa solta e, ainda por cima, lhe põe um carro nas mãos.

Felippe, vale lembrar, foi o mancebo que declarou à polícia ter confundido Sirley com uma prostituta -- exatamente como Tomaz de Oliveira, Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely Cardoso de Vilanova, que há dez anos atearam fogo ao índio Galdino e, em sua defesa, alegaram tê-lo confundido com um mendigo.

Aliás, quanto mais os pais dos agressores se manifestam, mais clara fica a origem do comportamento dos monstros que criaram. No mesmo jornal que trazia o depoimento do padrasto de Felippe, Ludovico Ramalho, pai de Rubens Arruda, fazia um retrato falado da decomposição social do país:

-- Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa. Mas não é justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham. Não concordo com a prisão na Polinter, ao lado de bandidos. Vão acabar com a vida deles. Peço ao juiz que dê uma chance aos nossos filhos.

Depois, explicou que Sirley estava cheia de hematomas por ser mulher, e "ficar roxa com apenas uma encostada". Suponho que ele tenha dado muitas encostadas em mulheres para falar com tal conhecimento de causa.

Sinceramente? Tenho pena dos bandidos da Polinter, que serão obrigados a conviver com essas "crianças", esses mauricinhos psicopatas que se consideram tão superiores.

* * *

O que aconteceu com Sirley não foi uma atrocidade ocasional. Empregadas que têm a infelicidade de esperar condução no horário em que rubens e felippes voltam das noitadas são invariavelmente humilhadas por esses cretinos motorizados, que diminuem a velocidade das máquinas quando passam pelos pontos de ônibus:

-- Vai trabalhar, paraíba! -- gritam os inúteis. -- Tem que ralar mesmo, mocréia!

Como em geral fica só por isso, elas engolem a mágoa e não dizem nada. Quando dizem, revelam-se acostumadas, como se fosse possível a alguém acostumar-se à maldade e ao preconceito.

* * *

Quanto a eles, aposto que têm, todos, um futuro brilhante: a política os aguarda de braços abertos. No Congresso Nacional, há lugar de sobra para gente com os antecedentes de Rubens Arruda, Felippe de Macedo Nery Neto, Leonardo Andrade e Júlio Junqueira.

Guardem esses nomes!


(O Globo, Segundo Caderno, 28.6.2007)






Que linda lua!









Melhor que Porta de Geladeira

O Windows tem todos os recursos necessários para anotações rápidas. Saiba como utilizá-los

Uma dica do Tom Taborda
Hoje em dia, nos deparamos cada vez mais com páginas da Internet que queremos guardar, textos interessantes que valem a pena copiar, ou apenas anotações rápidas, listinhas ou lembranças. Mas não estou falando dos bookmarks, ou salvar um texto, mas bilhetinhos virtuais temporários, coisas que nem valem a pena salvar, só guardar temporariamente. O Windows já traz embutido tudo que você precisa para isso. Vamos lá:

A primeira providência eé deixar o desktop visível, por trás das janelas abertas, nas etapas abaixo.

  • Para salvar páginas da Internet: na Barra de Endereços do browser, basta arrastar o ícone à esquerda da URL para o desktop. E pronto!

  • Para salvar textos e anotações: abra o WordPad (considero este leve applet do Windows tão útil, que ele está no QuickStart, à direita do botão Iniciar, na Barra de Tarefas); digite ou cole o texto copiado; use as teclas CTRL+T para selecionar tudo; finalmente arraste o texto selecionado para o desktop, assim criando automaticamente um scrap/recorte. Obs.: recomendo renomear o scrap, para melhor identificação do conteúdo. E pronto!

  • O problema desta facilidade toda é a gente acabar entulhando nosso desktop, com dezenas de ícones de anotações temporárias. Mas, para isso, também tem uma elegante solução:

    Criar uma Nova Pasta no desktop: clique com o botão direito do mouse sobre uma área livre do desktop, abrindo um menu > ‘Novo’ > ‘Pasta’ > renomeie a pasta (‘Scraps’).
    Arraste todos os scraps para cima deste novo ícone ‘Scraps’. Plim! Você acaba de limpar seu desktop, jogando tudo dentro da nova pasta.

    Até aí, tudo bem. Mas aqui entra o ‘pulo-do-gato’ desta dica, que é acessar diretamente o conteúdo da pasta Scraps, criando um atalho na Barra de Tarefas: clique com o botão direito do mouse sobre uma área livre da Barra de Tarefas, abrindo um menu > ‘Barra de Ferramentas’ > ‘Nova Barra de Ferramentas’ > abre uma janela com as opções > escolha a pasta ‘Scraps’ > ‘OK’. Mais uma vez: pronto!

    Agora temos um atalho, ‘Scraps’, no canto direito da Barra de Tarefas. Basta clicar no sinal ‘>>’ para exibir um menu que permite o acesso direto ao conteúdo desta pasta. É só clicar no ícone desejado, que abre a anotação feita. Seja ela um texto no WordPad, ou uma página da Internet.

    Só não se esqueça de, de vez em quando, fazer a faxina da pasta Scraps.





  • 27.6.07


    Caí em tentação...









    Netcat









    Pogue, Mossberg e o iPhone

    David Pogue, do New York Times, e Walter Mossberg, do Wall Street Journal, andam com iPhones há duas semanas, e postaram suas avaliações sobre o gadget mais badalado do mundo.

    O brinquedinho é realmente lindo e tentador e, nem preciso dizer, é claro que terei um quando chegar ao Brasil. Não será o meu celular de trabalho, mas para quem já carrega dois ou três celulares na bolsa, um a mais um a menos...

    Entretanto, é impossível prever quando e como o iPhone chegará a essas bandas. O pior é que nem adianta se trazer um dos Estados Unidos, já que a única maneira de adquiri-lo é fechando um contrato de dois anos com a ATT, e usando a maldita conta -- o que significa, no caso do Brasil, pagar roaming e DDI para falar ali na esquina.

    Apesar da beleza do hardware e da interface super atraente do iPhone, os americanos, viciados em CDMA, ainda não entenderam o princípio básico do GSM, que é a possibilidade de trocar de operadora e de celular à vontade, apenas mudando o simcard de aparelho: assim como a bateria, o simcard do iPhone é lacrado dentro do celular.





    26.6.07


    Bia e Mami









    Vai sair?!








    25.6.07


    Com Barlow









    Utilidade pública

    Filipeta recolhida hoje à tarde:
    Couro não se joga fora!

    Geraldo Spozel, consertos

    Reformas, forração e pinturas de roupas de couro, camurça, chamois, jeans, sapatos, malas, cintos e bolsas.

    Limpeza e lavagem de roupas de couro em geral, camurça, chamois e pele.

    Tratamento anti-mofo

    Confecção de calçados sob medida; atendemos em domicílio.

    Rua Siqueira Campos 75, loja A (ao lado do Supermercado Mundial)
    Não há de quê.






    Herborista









    Copacabana









    iPhone: em plena contagem regressiva


    A cinco dias da chegada do iPhone às lojas, no próximo dia 29, praticamente não se fala em outra coisa no mundo hi-tech; nos Estados Unidos, particularmente, a expectativa é ainda maior do que a da turma que, ansiosamente, aguarda o novo Harry Potter. Alguns poucos privilegiados já estão usando o aparelho. Um deles é Walter Mossberg, o poderoso colunista de tecnologia do Wall Street Journal, que recentemente deu a entender que não está de todo satisfeito: o teclado touch-screen é uma aparente pedra no seu caminho.

    Para quem se comunica através de torpedos, como a maioria dos adolescentes (e uns tantos adultos), a falta de teclas fisicamente sensíveis pode ser um banho de água fria. O iPhone vem com um dicionário que se propõe a "adivinhar" as palavras e corrigi-las à medida em que são tecladas, mas este tipo de recurso está longe de ser unanimidade entre os usuários.

    Há outros pontos questionáveis no lindo aparelho: a falta de espaço para um cartão de memória e a impossibilidade de trocar a bateria são suficientes para desanimar usuários mais empedernidos, para quem a memória interna de 4 ou 8 Gb e as oito horas de funcionamento prometidas pela Apple não bastam.

    Ninguém duvida de que o iPhone vai ser um sucesso, pelo menos na primeira hora. A onda que se fez a seu respeito garante isso. Ele é um dos mais cobiçados objetos de desejo do momento, há blogs fazendo contagem regressiva para a sua chegada ao mercado e publicando fotos de possíveis iPhones vistos em público; as filas nas portas das lojas da Apple e da AT&T prometem ser históricas.

    O telefonino é indiscutivelmente bonito, como tudo o que sai da Apple. Traz alguns toques novos, sobretudo na tão decantada interface touch-screen, mas, pelo que se sabe até aqui, não chega a ser a revolução apregoada por Steve Jobs. Na verdade, muito do hype em torno do aparelho acontece, a meu ver, pelo fato de estar sendo lançado nos EUA, país notoriamente atrasado em termos de cultura celular.

    Várias das suas "novidades" já existem há tempos em outros smartphones e PDAs, a começar pelo hoje prosaico Palm, precursor de muitas e interessantes bossas, ou qualquer bom Symbian. Graças à infinidade de aplicativos hoje existentes para eles, é difícil que o fechadíssimo iPhone venha a tomar seu lugar -- pelo menos, no coração de quem associa celular a produtividade.


    (O Globo, Infoetc., 25.6.2007)





    24.6.07


    Chama-se Cora foge do circo :-)









    Nasce um elefante!









    Pipoca









    Na Vinícius








    23.6.07

    Café Millôr

    A Bia Badaud descobriu lá em São Paulo, e a Kidity descobriu na internet.

    Muito legal, né? :-)





    22.6.07




    Teclar ou não teclar, eis a questão

    A uma semana da mais que badalada chegada do iPhone às lojas, praticamente não se fala em outra coisa no mundo hi-tech. Alguns poucos privilegiados já estão usando o aparelho. Um deles é Walter Mossberg, o poderoso colunista de tecnologia do Wall Street Journal, que já deu a entender que não está 100% satisfeito com o brinquedinho: o teclado touch-screen é uma aparente pedra no seu caminho.

    Para quem se comunica através de torpedos, como a maioria dos adolescentes (e uns tantos adultos) a falta de teclas fisicamente sensíveis pode ser um banho de água fria. O iPhone vem com um dicionário que se propõe a "adivinhar" as palavras e corrigi-las à medida em que forem sendo tecladas, mas este tipo de recurso está longe de ser unanimidade entre os usuários.






    Felipe, Bruno e Millôr









    Musicovery

    Barulhinho bom... e muito divertido!





    20GB a mais para celulares: que tal?

    Depois de lançar uma série de discos rígidos externos irresistíveis, a Seagate promete para julho uma solução para usuários de celulares insatisfeitos com o pequeno espaço de armazenagem de que dispõem: um HD de 20GB, do tamanho de um cartão de crédito, que se conecta via Bluetooth, wi-fi e USB.

    O pequeno prodígio atende por DAVE (de Digital Audio Video Experience), pesa 70 gramas e se instala automaticamente quando colocado perto do celular; depois, pode ser guardado no bolso ou na mochila. A conexão é estável a distâncias de até nove metros, e o controle dos arquivos é feito através do telefone.

    Apesar de dirigido a quem quer ampliar a capacidade de guardar sons, imagens e vídeos do celular, o DAVE é compatível com qualquer aparelho que use Bluetooth, wi-fi ou USB -- até mesmo os bons e velhos notebooks.





    21.6.07


    Olhaí, Lucas!








    Assassinato na São Clemente

    Na sexta passada, na hora do almoço, eu estava chegando à casa do nosso amigo Bianco, em São Conrado, quando minha sobrinha ligou, para avisar que tudo estava bem com ela e com a Laura. Fiquei espantada:

    -- Ué, há algum motivo para que não esteja tudo OK?

    Havia sim. Um ônibus desgovernado subira a calçada do prédio onde moram e atropelara várias pessoas. Ju, que chegou poucos minutos depois do acidente, quase desmaiou quando ouviu de populares que havia uma senhora muito ferida: aquela era a hora em que a Laura sairia de casa. Passado o susto, as duas, com medo de que eu estivesse assistindo ao noticiário e entrasse em pânico ao ver o local do acidente, preferiram me tranqüilizar.

    Infelizmente minha amiga Suely Coelho, que conquistou uma legião de fãs e amigos dedicados com o simpático blog "A blogueira dos enta", não teve a sorte de contar com o mesmo alívio. A senhora ferida era sua mãe Elizabeth, de 65 anos, que veio a falecer no início da madrugada de sábado.

    Suely e a família passaram pela via crucis de todo carioca desesperado. Não havia vaga na UTI de nenhum hospital, público ou particular, nenhuma autoridade se manifestou, a empresa de ônibus saiu fora. Em suma: como sempre, os cidadãos que se lixem.

    * * *

    "Fui impedida de entrar no hospital antes das 18h30, -- escreveu. -- Não queria aceitar a gravidade do caso, mas ao mesmo tempo a intuição dizia que algo não estava bem. Quando cheguei à sala de ressuscitação anexa à enfermaria, lá estava ela, numa maca de metal, respiração ofegante, toda agitada, mas já em coma. Desesperei. Queria que os médicos me dessem a resposta que queria ouvir, que ela sairia dessa. Fiquei numa busca frenética por opiniões e por médicos.

    Liguei para a companhia de transportes, falei duas vezes com um inspetor que informou que a empresa tomaria providências, que os diretores seriam avisados e que eu aguardasse. Nunca mais consegui falar com ele. Procurei por hospitais que pudessem receber minha mãe, mas nenhum tinha vagas na UTI.

    Meu irmão, também colhido pelo ônibus, elogiou muito o Corpo de Bombeiros. Um dos bombeiros que foi até a sala quando eu estava lá disse que minha mãe o abraçou, e que estava muito assustada.

    Todos os profissionais foram competentes, mas como é que um só neurologista pode atender a todo o hospital?! Chegava gente baleada, eles tinham que dar atenção imediata... Até me disseram que ela não podia ter sido melhor assistida, o que talvez seja verdade do ponto de vista humano, mas como se conformar com essa falta de estrutura?"

    Na internet, d. Elizabeth deixou de ser apenas mais uma estatística, mais uma vítima da violência que nos cerca de todos os lados, de todas as formas. Entre as fotos de família, os depoimentos da Suely e seu diálogo com os amigos que vieram dar abraços, confortar e manifestar tristeza e solidariedade, acabamos todos meio órfãos da senhora alegre, cheia de vida, saúde e disposição.

    * * *

    "A gente levava nossa vidinha, -- continua Sue. -- Ela ativa e disposta. Sempre com aquele tom de mãe que quer ensinar. Não foi de super proteger, queria que os filhos fossem independentes e fortes como ela. Não sei se sou assim, como ela desejava. Fui a filha que eu sabia ser. Sei que posso tê-la desapontado algumas vezes, como ela também, mas nos amávamos do nosso jeito. Mãe que adorava uma margarida, mãe que adorava opinar, mãe companheira, mãe que reclamava do peso extra, mãe que se preocupava com os nossos problemas e saúde. Ser mãe é assim, ser do jeito dela, aquele jeito brejeiro de mãe sapeca, mãe atleta, mãe espevitada. Queria tantas vezes ler seus pensamentos, ela não exprimia tudo, era assim contida, como eu. Ela era tudo, era a minha mãe."

    * * *

    Esta foi a segunda vez, na mesma semana, que um ônibus da Vila Isabel sofreu falha mecânica grave. Neste, a barra de direção quebrou; o outro perdeu o eixo e as rodas na Praia do Flamengo. Mas o pior é que, enquanto as empresas de ônibus forem a máfia que são, e as autoridades continuarem compradas como estão, nada vai mudar.

    Para mim, d. Elizabeth (de capacete rosa na foto) foi assassinada, e os culpados são, em igual medida, a empresa de ônibus e as autoridades podres da nossa cidade, que nem inspecionam os ônibus, nem cuidam da manutenção das pistas. A São Clemente, onde aconteceu o acidente, vive de meias-solas e está cheia de desníveis. Não é uma rua, é um deboche.

    O motorista, dessa vez, foi mais uma vítima: obrigado a dirigir um veículo sem condições de ir para as ruas, está sendo processado e vai carregar, para o resto da vida, a culpa pelo acidente que não pode evitar.

    (O Globo, Segundo Caderno, 21.6.2007)






    Keaton, dando duro








    20.6.07


    Lar doce lar









    Bebel









    Grande e pequena









    Keaton








    19.6.07

    Banda Larga

    Gil acabou de compor a música de trabalho da próxima turnê no domingo de madrugada. Mais tarde, na cozinha de casa, mostrou para Flora, Gilda, o netinho Bento e o Moreno (que faz uma participação especial no fim do video).

    Andrucha Waddington também estava lá, e registrou essa primeira audição informal com... um celular! Ficou o máximo, reparem só.





    18.6.07


    Miucha









    Boa noite!









    Cadê o leite que estava aqui?!









    Há uma manada na Vinícius!








    17.6.07

    Safari para Windows







    Tutu








    16.6.07


    Tragédia carioca



    Ontem eu estava chegando à casa do nosso amigo Bianco, em São Conrado, quando a Ju ligou, para avisar que tudo estava bem com ela e com a Laura. Fiquei espantada:

    -- Mas há algum motivo para que não estivesse?

    Havia sim. Um ônibus desgovernado subira na calçada do prédio onde moram e atropelara várias pessoas. Ju chegou poucos minutos depois do acidente e quase desmaiou quando ouviu de populares que havia uma senhora muito ferida: aquela era a hora em que a Laura sairia de casa.

    Passado o susto, as duas, com medo de que eu estivesse no jornal e entrasse em pânico ao ver o local do acidente, preferiram me tranqüilizar.

    Infelizmente minha amiga Suely Coelho, a Blogueira dos enta, querida de tanta gente no mundo dos blogs, não teve a sorte de contar com o mesmo alívio: a senhora ferida era sua mãe Elizabeth, de 65 anos, que faleceu no início da madrugada.

    Sue e sua família passaram pela via crucis de todo carioca desesperado. Não havia vaga na UTI de nenhum hospital, nenhuma autoridade se manifestou, o médico da empresa de ônibus só ligou ao meio-dia para oferecer seus serviços.

    Em suma: como sempre, os cidadãos que se lixem.

    Esta foi a segunda vez, numa semana, que um ônibus da Vila Isabel sofreu falha mecânica grave; neste a barra de direção quebrou, o outro perdeu o eixo e as rodas na Praia do Flamengo.

    Para mim, d. Elizabeth (que aparece no círculo na foto acima, junto com o filho Marco, também atingido pelo 157) foi assassinada, e os culpados são, em igual medida, a empresa de ônibus e as autoridades podres da nossa cidade, que nem inspecionam os ônibus, nem cuidam da manutenção das pistas.

    A São Clemente, onde aconteceu o acidente, parece trilha de Enduro, de tantos buracos.

    Considero o motorista mais uma vítima: obrigado a dirigir um veículo sem condições de ir para as ruas, vai carregar, para o resto da vida, a culpa pelo acidente que não pode evitar.

    O pior é que enquanto as empresas de ônibus forem a máfia que são, e as autoridades continuarem compradas como estão, nada vai mudar.






    Até o boteco já está fechando!








    15.6.07




    Escreve o Rick, amigo da Laura:
    "Veja alguns flashs dos beija-flores lá da roça, perto das Agulhas Negras. Os que têm a barriga marrom nasceram num ninho feito numa prateleira de plantas ao lado da casa (o que está pousado na mão e o mal encarado do arame).

    Os demais são frequentadores assíduos da casa há muitos anos. Esse mal encarado era muito fraquinho quando nasceu e eu pensei que não fosse viver. Apesar de meio atarracado, ele é o mais agressivo e fica de plantão ao lado do bebedouro atacando qualquer outro que chegar perto da água, exceto os pássaros que não são beija-flor.

    Ele voou pela primeira vez um mês depois do irmão. Até berne eu tirei do peito do bicho quando ainda estava no ninho. Bem, tem história de pescador, tem história de caçador, tem história de mula sem cabeça, mas essas de beija-flor eu posso comprovar. Quer dizer, eu não, a máquina da Alice."






    Ufa!









    Finalmente andamos um pouco!









    A Atlântica está toda parada









    Não adianta fugir...









    Ai, que engarrafamento!









    Simbora!









    Bianco, Ziraldo e Millôr









    Nina









    O jardim está lindo









    Puffy









    No Bianco









    Bom dia!








    14.6.07


    Olivinha









    Mais um mistério

    As aulas na Casa do Saber estão sendo uma experiência interessantíssima para mim. É curioso como, expondo assuntos em voz alta, e com feedback da turma, acabo encontrando idéias que já estavam na minha cabeça, mas nas quais nunca me tinha detido.

    Aprendendo com a turma e comigo mesma, descubro, enfim, porque todos os meus amigos professores dizem que ensinar é a melhor forma de aprender.

    Ensinar é também uma ótima maneira de pensar. Ontem, conversando sobre blogs, um mistério veio à tona: por que há tantos blogs de mulheres expondo, nos menores detalhes, as suas peripécias sexuais? Seria de se esperar que os homens fossem os campeões da modalidade; mas eles, curiosamente, se mostram mais recatados e discretos.

    Serão as garotas mais exibicionistas e os rapazes por natureza voyeurs?

    Confesso que não tenho a menor idéia. E confesso também, cá entre nós, que, antiga que sou, não acho graça nesse excesso de exposição: para mim, vida íntima deveria ser isso, íntima.

    Ainda bem que o mundo é vasto e variado, e que há gosto para tudo.




    Moda, agora, só daqui a seis meses

    A Fashion Rio acabou na sexta passada, mas deixou, no seu rastro, alguns mistérios que venho notando há algumas edições, para não falar na quantidade habitual de fofocas e historinhas. O que mais me intriga, de longe, é a aparente incompatibilidade entre o povo literalmente fino que circula na área e os comes e bebes servidos nos HCs (lembram? de Hospitality Centers, antigamente conhecidos por lounges).

    Por onde se olhe, há balinhas, castanhas, chocolates. No cardápio do Aprazível, que fazia grande sucesso no Ela, brilhavam o pão-de-queijo recheado de linguiça e uma mousse de chocolate campeã; nas Havaianas, amendoins e jujubas a granel; na Firjan, mais amendoim (e a pele?), paçoca e outras bombas calóricas. Na Oi, a pedida era sorvete Häagen-Dazs -- e de macadâmia, ainda por cima, coisa para 800 calorias por colherada. Enquanto isso, rapazes e moças circulavam pela Marina como vendedores ambulantes, para demonstrar a tecnologia do Oi Paggo, através da qual o celular funciona como uma espécie de cartão de crédito. O que vendiam eles? Um pé-de-moleque para quem adivinhar.

    Tudo, naturalmente, acompanhado de refrigerantes (e a celulite?), cerveja, prosecco, coquetéis, energéticos (112 calorias a latinha!). Não vi uma única folha de alface, nem que fosse como enfeite.

    * * *

    Como toda convenção, a Fashion Rio é uma festa de brindes. Os expositores distribuem bloquinhos, canetas, camisetas, havaianas, produtos de beleza e bolsas, muitas bolsas. O filé mignon destina-se, lógico, às celebridades: são aqueles tesouros em edição limitada, guardados a sete chaves e passados aos presenteados discretamente, para evitar ciumeiras.

    Mas enquanto os mortais comuns circulam carregados de sacolas, as celebridades andam livres, leves e soltas. A gente olha e pensa, "Caramba, que criatura espiritualmente desenvolvida! Que extraordinário desapego dos bens materiais...!" — mas é só impressão. Descobri que, por trás de toda celebridade de mãos abanando, há um motorista que vai e vem, levando os troféus para o carro.

    Reside aí, aliás, uma grande oportunidade de negócios para qualquer pessoa empreendedora: quem montar um guarda-volumes na Fashion Rio vai ficar rico, com certeza. Os jornalistas e produtores de publicações com estandes na feira ainda têm espaços mais ou menos seguros para deixar as coisas, mas os menos afortunados, que são maioria, atravessam os dias como camelos exaustos, carregados de cacarecos.

    Qualquer distração pode ser fatal. Uma conhecida consultora de moda virou para o lado um instantinho durante um desfile e, quando percebeu, o brinde que lhe cabia sumira, sem deixar vestígios.

    Além dos mãos-leves de costume, este ano a Fashion Rio foi assombrada por gangues de ladrões de brindes. Nos assentos da primeira fila há, em geral, lembrancinhas para vips e jornalistas. Pois estava um produtor posto em sossego no seu canto privilegiado quando percebeu três camaradas faceiros passarem rápidos pelo corredor, recolhendo os mimos disfarçadamente. Deu o alerta, e das mochilas revistadas saltaram dúzias de sacolas, blocos e produtos Nívea. Tsk.

    * * *

    Antes de cada desfile, são projetados filmes publicitários dos patrocinadores. Imaginem o que é assistir aos mesmos filmes, seis vezes por dia, a semana inteira! No fim do primeiro dia, já não há jornalista que não esteja roído de ódio daquilo. Os organizadores argumentam que este é o momento em que as marcas dos patrocinadores são vistas, e que, com exceção do povo da moda e dos jornalistas, o público que assiste aos vários desfiles não é o mesmo.

    Ora, acontece que, se entendi corretamente a dinâmica da coisa, os desfiles são feitos exatamente para os jornalistas e para o povo da moda! Por que não rolar os filmes enquanto as pessoas estão se sentando? Ou por que não fazer convênio com um curso de cinema e convidar os alunos a inventarem mensagens diferentes para cada desfile? Do jeito que está, eles são a anti-publicidade por excelência, tremendos gols contra.

    * * *

    Vi um grupo de modelos com a maquiagem do desfile na fila do taxi, e perguntei a um amigo porque elas não limpam a cara antes de sair, como faz o pessoal do teatro.

    -- Está louca?! Sabe quanto vale cada make desses?! Isso foi feito pelos maiores nomes da área. O que elas vão fazer agora é ir para casa ou para o hotel, pôr um saco plástico na cabeça, tomar banho com muito cuidado para não perder o make, e voar para as festas. E vão arrasar, com esse look.

    * * *

    Para continuar no assunto, a dica de hoje é "O diabo veste Prada"; não o livro, vingativo e completamente destituído de senso de humor, uma verdadeira perda de tempo, mas o filme, agora em DVD. Não sou grande fã de Meryl Streep, mas a sua Miranda Priestly, poderosa editora de moda de uma grande revista, é simplesmente perfeita. O filme tem tudo o que falta ao livro -- é leve, divertido, cheio de ironia. Poucas vezes vi um limão transformado em limonada tão saborosa.

    (O Globo, Segundo Caderno, 14.6.2007)





    13.6.07


    Nosso herói









    Com Suassuna e Júlia









    Lar confuso lar








    12.6.07


    Keaton precisa de um número maior!










    11.6.07


    Mais uma chance pra ver Suassuna!

    Quem perdeu a aula-espetáculo do Municipal, tem mais uma chance de ver o Ariano Suassuna: ele se encontra com leitores do Globo na próxima quarta-feira, às 16hs.

    Eu, pessoalmente, acho que vale qualquer esforço. Suassuna é uma das melhores cabeças do país, e um palestrante sempre interessante e divertido.

    Onde: O Globo -- Rua Irineu Marinho 35, Centro
    Quando: Quarta-feira, dia 13, 16hs



    A foto acima é de um álbum que usei para testar o Picasa: um dos encontros que tivemos na casa de praia do Zé Paulinho e da Ticinha Cavalcanti, dois amigos muito queridos.

    A íntegra do álbum está aqui.

    PS -- Não pensem que passo por essas coisas sem me dar conta, a cada minuto, do tanto que a vida foi, e tem sido, generosa comigo. Eu sei bem que conviver com esses amigos extraordinários, e ainda por cima neste cenário paradisíaco, realmente não tem preço.






    Trabalhar na sala tem suas vantagens...









    Cidade maravilhosa








    10.6.07


    Um estranho café da manhã









    Zoom de celular é o ó









    O Municipal está lotado









    Quanta gente veio ver!









    A desordem da ordem








    9.6.07


    Vejam como estão lindas!










    Paulo Rónai: pois é

    Felipe Fortuna
    Jornal do Brasil, Idéias, 9.6.2007)
    Aprendo muito com Paulo Rónai (1907-1992), exemplo de humanista e de trabalhador intelectual cuja biografia revela várias vidas: a primeira, na Hungria, até 1939, quando a fúria nazista o forçou a deixar seu país; a segunda, no Brasil, país que elegeu a partir do amor pelo idioma e onde consolidou sua obra de tradutor, ensaísta, professor, gramático, lingüista e, à falta de melhor termo, divulgador literário. Essas vidas numerosas ainda se multiplicaram nas línguas que Paulo Rónai dominou com alto sentido cultural – não apenas o húngaro e o português, mas o francês, o italiano, o espanhol, o inglês, o alemão e o latim. Para cada uma dessas línguas misturadas às vidas, o mestre deixou não menos do que um ensaio ou um livro importante, e por vezes – como na coordenação da tradução integral para o português d’A Comédia Humana, de Honoré de Balzac – muitos volumes que se transformaram em paradigma para a edição de literatura estrangeira no Brasil.

    Quando comecei a ler Paulo Rónai, ainda na adolescência, logo percebi que o seu trabalho também trazia valores éticos e lições profissionais que o escritor comunicava com humor e até mesmo inesperada alegria. Num texto intitulado “De Quantas Línguas Precisa o Homem?”, ele escreve sobre as “maiores satisfações” experimentadas quando leu o primeiro livro em alemão, quando deu o primeiro telefonema em francês, quando ganhou o primeiro dinheiro em italiano. O prazer é referência constante na descrição do conhecimento profundo que tem das línguas. Em muitas análises literárias, como as de Encontros com o Brasil (1958), usa palavras como “emoção” e “frêmito” para comunicar seu deleite com a poesia e a prosa que lhe transmitem a dimensão da vida. Desde então, passei a imaginar Paulo Rónai como um poliglota cuja missão pareceu estar perigosamente esticada entre duas posições: uma, a do alemão Gottfried Herder, de que “ninguém pensa além do idioma”; outra, a de Guimarães Rosa: “traduzir é conviver”. Como esta frase é a que abre o livro Escola de Tradutores (1952), concluo que Paulo Rónai enfrentou o intraduzível – e conseguiu transmitir palavras, livros e idéias.

    Hid-ember (homem-ponte, na sua língua nativa), o tradutor fez façanhas. Foi dele o primeiro livro brasileiro traduzido para o húngaro, Brazilia Üzen (Mensagem do Brasil), uma antologia da poesia moderna brasileira, publicado no fatídico 1939. Para o húngaro também traduziu uma antologia de dois mil anos de poesia latina. Traduziu para o francês as carioquíssimas Memórias de um Sargento de Milícia (1854), de Manuel Antônio de Almeida, havendo tido o cuidado de percorrer “os velhos bairros e morros do Rio, hoje ocupados por favelas, onde o afilhado do barbeiro fizera das suas até virar sargento”, como conta em A Tradução Vivida (1975). Do húngaro trouxe para nós, entre outros títulos, Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár, originalmente publicado no ano de nascimento do seu tradutor. A longa bibliografia ainda inclui obras do alemão, do latim e do francês para o português do Brasil, todas realizadas segundo o mesmo princípio: “a tradução, que força uma língua a dobrar-se, acompanhando as curvas de um pensamento estrangeiro, é, mais ou menos, o único meio de comunhão espiritual requintada entre as nações.”

    Foi também graças à sintonia de sentimentos de pessoas estrangeiras que Paulo Rónai conseguiu enraizar-se no Brasil. Uma dessas pessoas foi o poeta e diplomata Ribeiro Couto, que trabalhava na Holanda à época em que o tradutor precisava deixar a Europa em guerra. “Primeiro amigo brasileiro que tive” e “principal responsável pela minha vida para o Brasil”, Ribeiro Couto foi o informante pioneiro da literatura e da vida literária daquele país distante. A outra pessoa em quem Paulo Rónai encontrou afinidades foi Aurélio Buarque de Holanda, também tradutor. Juntos, e ao longo de mais de trinta anos, produziram uma fascinante antologia do conto mundial, Mar de Histórias, a partir de 1945, atualmente editada em dez volumes.

    Gosto muito do tom anedótico que encontro nos relatos de Paulo Rónai, especialmente em Como Aprendi Português, e Outras Aventuras (1956). Esse livro é um modelo de memorialismo cultural, o testemunho de um intelectual que, pela via do estudo e da perseverança, encontrou no domínio das línguas uma experiência dos sentidos semelhante ao êxtase. Essas aventuras intelectuais de Paulo Rónai estão repletas, como notei, de uma alegria vital, mas também de um bem-sucedido quixotismo que levou o tradutor a atacar de frente as ciladas, as ambigüidades, os provérbios e, por fim, as ilusões de um texto estrangeiro. Talvez por admirar as conquistas abstratas do tradutor, tenha predileção por Babel & Antibabel (1970), a série de estudos que ele dedicou ao problema da língua universal.

    Pois uma das utopias humanas, conforme se lê na Bíblia, é a busca de uma língua a ser escrita, falada e entendida por todos. Paulo Rónai analisa os esforços realizados para o estabelecimento de uma língua artificial – entre as quais o esperanto, o panamane, o volapuque, o romanid – que resolveria quaisquer dificuldades no contato com pessoas e culturas estrangeiras.

    Assim como a famosa torre, as tentativas desmoronam e jamais alcançam seus objetivos. A marcha insensata de muitos sábios permite que o tradutor classifique de “uma tragicomédia lingüística” qualquer plano milagroso da língua universal. E ele conclui que “a multiplicidade das línguas é ainda um dos baluartes da liberdade” que nos permite gozar “os efeitos abençoados da confusão de Babel”.

    Como a idéia de celebridade está restrita à televisão e aos imbecis que se tornam conhecidos nos reality shows, celebro sozinho as várias vidas do grande e centenário Paulo Rónai, e levanto uma taça do amargo aperitivo húngaro Unicum ao magíster e mago magiar da tradução.






    As Três Graças








    8.6.07


    Alessa









    Consegui chegar para o último desfile!








    7.6.07


    Blue Man









    Blue Man, no Copa









    Blue Man, no Copa









    Sandpiper









    Vitrine









    Lá fora









    Fashion Biz









    Random









    Moda Hype









    Para a turma da Casa do Saber

    Pessoal, por favor deixem os seus links na área de comentários -- que, de resto, está aberta para palpites, dicas, sugestões e o que mais lhes vier à cabeça.

    Até quarta!

    Para todo mundo

    Pessoas, desculpem o ritmo devagar-quase-parando do blog nos últimos dias; ele é o inverso do que está acontecendo com a vossa blogueira, tão atolada de trabalho e compromissos que mal tem tempo de cumprimentar os gatos quando chega em casa.

    Obrigada pela compreensão!

    O internETC. agradece a preferência e deseja a todos um ótimo feriado.






    A arte que se veste

    Na onda da Fashion Rio, mais um pouco de moda


    Ando um fracasso como fashionista. Pela terceira vez a Fashion Rio acontece na Marina da Glória, e só comecei a desconfiar disso semana passada quando, além de receber convites para desfiles lá, soube que o lounge do Ela teria temas náuticos. Sou distraída, mas às vezes as evidências são tão gritantes que não consigo ignorá-las; até porque, domingo passado, participei de uma feira de livros infantis no MAM, e não vi nada sequer remotamente relacionado à moda no local.

    Não que eu não tenha tido vontade de ir às duas últimas edições, pelo contrário; hoje a Fashion Rio está entre os meus programas favoritos. É só que, às vezes, a tecnologia e a, digamos, "vida normal", me levam para cantos diferentes. Assim, já na segunda, lá estava eu, conferindo as novidades. A nova locação é um achado. Não tem o charme do MAM, mas tem muito mais espaço, um visual igualmente deslumbrante e, maravilha das maravilhas, áreas de lazer que debruçam-se diretamente sobre a água.

    Mas, no mundo da moda, ninguém passa duas temporadas ao largo impunemente. À minha volta, todo mundo estava constantemente indo, vindo ou marcando encontro em algum "HC". O que raios seria um "HC"? Ora, um "HC" é um Hospitality Center, nome pelo qual atendem atualmente os lounges. Quem me explicou o significado da misteriosa sigla foi Fernando Molinari, meu anjo-da-guarda fashion. Pronto! Agora estou preparada até a próxima troca de nomes.

    * * *

    Como vocês devem ter notado, ando cismada com roupas. O fato da moda estar temporariamente a favor das imperfeitas tem muito a ver com isso, é lógico, porque me fez fazer mais compras nos últimos três meses do que num ano inteiro. Acho que o mais importante, no entanto, é a transformação radical da minha relação com a moda -- e que, invariavelmente, me volta à cabeça sempre que a cidade vive o frisson da Fashion Rio.

    Já escrevi sobre isso algumas vezes e, provavelmente, ainda vou voltar ao assunto outras tantas; o problema é que ainda me espanto com o tempo e as alegrias que perdi por puro preconceito. Como me interessar por reles cascas, quando o importante é o que se cultiva na cabeça e o que se leva na alma? Ao corpo, necessário para transportar o cérebro e o coração de um lado para outro, bastavam roupas limpas e sem grandes frescuras; inclusive, nos melhores momentos, roupas nenhumas.

    Não me ocorria que a moda pode ser uma manifestação de arte tão interessante quanto outra qualquer, a legítima forma de expressão de artistas que, em vez de pendurar as obras nas parede, ou plantá-las como esculturas, preferem vê-las em movimento, soltas no mundo. Além disso, naquela minha cabeça 8 ou 80, eu também não me dava conta de que apreciar moda não significava necessariamente usá-la.

    * * *

    Continuo me vestindo mais ou menos como sempre, mas hoje sei que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa (oh!); na mesma linha, percebo que uma coisa é a moda, outra o mundo que a cerca. Este mundo, frívolo por excelência, obscurece a arte em torno da qual gravita, o trabalho pesado, a criatividade, a inteligência, a espetacular indústria que se renova dos pés à cabeça a cada estação, sem tempo para respirar.

    Penso que essa frivolidade tem sua razão de ser. Para muita gente, é uma válvula de escape, uma realidade paralela que ajuda a tocar a vida. Na verdade, se não tivesse sido tão preconceituosa, poderia ter descoberto isso há vinte anos, quando comecei a freqüentar feiras de tecnologia nos Estados Unidos.

    Lá, eu passava dias a fio em torno de processadores, aplicativos e sistemas operacionais, cercada de nerds iguais a mim por todos os lados. Terminada a feira, corria para a primeira loja de departamentos e detonava pequenas fortunas em cosméticos. Fazia isso sempre, sistematicamente. Considerando os preços lá e cá, essa nem seria uma atitude tão descabida -- se eu usasse aquilo!

    Levei um tempão para me dar conta de que as embalagens lindinhas e perfumadas eram o antídoto de que eu precisava contra a pressão e o tempo de imersão no universo essencialmente masculino da informática. Meu lado mulherzinha, reprimido nos simpósios e nos estandes, se soltava no hotel, quando eu tirava os ricos tesouros das caixinhas e os admirava, um a um, amorosamente.

    Voltando para casa, a alma se equilibrava de novo, e todos os batons, sombras e cremes iam para a gaveta, onde permaneciam, intocados, até a chegada da próxima leva. Futilidade? Com certeza -- mas não me arrependo de um rímel sequer.

    * * *

    No Salão do Livro para Crianças e Jovens, onde relancei "Uma ilha lá longe", fábula ecológica que completa exatos 20 anos, descobri, com certo atraso, um livro que é uma belezinha, e que tem tudo a ver com a temporada. Chama-se "Moda, uma história para crianças", foi escrito por Kátia Canton e extraordinariamente realizado por Luciana Schiller, para a Cosanaify.

    Mais do que história, ele é, no fundo, uma explicação do que é a moda, com pequenas referências históricas que situam as relações entre humanos e vestimentas. De quebra, é um objeto maravilhoso, que vem com sua própria sacolinha de pano para ser carregado de um lado para outro.

    Esta menina aqui está apaixonada pelas suas páginas coloridas e seu jeito de scrapbook, e não hesita em recomendá-lo para as amigas.

    (O Globo, Segundo Caderno, 7.6.2007)





    6.6.07


    Na correria, para variar...









    Flores com jeitinho húngaro








    5.6.07


    Está lotado









    Sim, é verdade

    Eu falo sobre literatura húngara hoje na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. É daqui a pouco, às 18hs.






    Área de trabalho









    Pronto, virou hábito...








    4.6.07


    Cavendish









    Lounge do Ela









    Priscilla









    A pausa que refresca









    As pedras do caminho









    Layana Thomaz









    Sala de imprensa









    Mara Mac









    Rosa e Glória Marias









    Virzi









    Luz, câmera, fofocas!









    O lounge do Ela, antes da abertura









    Fashion Rio









    Tati e o travesseiro de 500 Gb









    A cobra e o coelho







    Genial!



    Essa quem descobriu foi a Monica L. -- uma velhinha-prodígio da patinação artística!

    Ela se chama Yvonne Dowlen, tem 81 anos "e dois terços", como faz questão de observar, e acaba de disputar o campeonato nacional de masters nos Estados Unidos.

    É uma espécie de Mamãe de patins.

    Para ver o filminho da apresentação, basta clicar aqui.





    3.6.07


    Habent sua fata libelli

    carnivore me perguntou, no post que mostra a Manya Millen, editora do Prosa e Verso, cercada dos lançamentos da semana, o que acontece com os livros que chegam à redação. Esta é uma pergunta mais ou menos recorrente, e não muito fácil de responder porque, todos os dias, chegam dezenas de livros, não só para o Prosa e Verso como para diversos editores e colunistas, e os seus destinos são os mais variados.

    No Prosa e Verso, os melhores são distribuídos entre as pessoas que escreverão a respeito deles. Alguns ficam com o pessoal que trabalha no caderno; e as duplicatas e os menos cotados vão para uma "feirinha" muito disputada na redação.

    Eu costumo me dar muito bem nessa feirinha, porque a Informática é vizinha do Prosa e Verso e, assim, sou uma das primeiras a perceber o que está acontecendo. Ajuda também o fato de freqüentemente eu me interessar por livros que não são exatamente os mais populares. A proximidade das duas editorias favorece também uma outra grande traça da redação, o Nelson Vasconcelos.

    Há ainda uma caixa de papelão ao lado da mesa do Xexéo, onde a gente encontra muita coisa interessante e larga muita coisa desinteressante. "Interessante" e "desinteressante" são, naturalmente, adjetivos subjetivos, de modo que é grande a rotatividade na caixa. A diversidade de gostos na redação é sensacional; praticamente não há assunto que não tenha seu especialista por lá.

    Além disso, mesmo quando um livro não é de interesse imediato para ninguém, há sempre quem tenha bibliotecas de estimação para onde faça doações, quem tenha crianças ou adolescentes em casa ou parentes que se amarrem numa Nora Roberts ou num John Grisham.

    Enfim: praticamente não sobra livro sobre livro.

    As exceções são os que não conseguem interessar a ninguém -- e não conseguir interessar a ninguém numa redação daquele tamanho é um fracasso tão retumbante que chego a ter pena dos enjeitados. Eles ficam meses e meses rodando pelas caixas, pelas mesas comuns, pelo topo dos armários.

    Um dia, finalmente, somem para sempre, varridos por uma faxineira zelosa que não agüenta mais ver tanta bagunça.






    Virei cama de gato... :-)









    Brincando com o N73: longe









    Brincando com o N73: perto









    Clic! Clic!



    Débora e Olívia, amigas queridas



    Fotografar flor é covardia, mas os arranjos estavam irresistíveis...






    Uhuuuu!









    Festa!








    2.6.07


    Missão cumprida!









    Rui









    No MAM









    Um novo ponto de vista








    Ah, e por falar em lançamento...


    O relançamento de "Uma ilha lá longe", livrinho meu com ilustrações absolutamente primorosas do Rui de Oliveira, acontece hoje, sábado, em algum lugar do Museu de Arte Moderna, às 17hs.

    Estou boiando em relação à localização porque lá acontece nesse momento um festival de livros infantis e juvenis, e ninguém da editora me disse exatamente onde ficarei no meio daquela confusão.

    De qualquer forma, como o livro sai pela Record, provavelmente será no estande deles.

    "Uma ilha lá longe" é uma fábula ecológica. Foi uma das últimas coisas que escrevi a.C. (antes do computador), e hoje me espanta um pouco a minha veemência de então contra o mundo industrial.

    Escrevi essa orelha para a nova edição:
    Um ano depois de escrever este livro, minha vida sofreu uma mudança radical: comprei meu primeiro computador. Hoje realmente não sei mais como vivia antes. Isso para não falar nos celulares, que se revezam na minha bolsa e no meu coração com uma velocidade assustadora.

    Ainda assim, eu não trocaria (como não troquei) nenhuma linha do texto. O lixo gerado pelos computadores e celulares descartados é uma das grandes inquietações de quem se importa com o meio-ambiente.

    Ler "Uma ilha lá longe" vinte anos depois de tê-lo escrito me deu ao mesmo tempo tristeza e alegria. Tristeza por ver como o livrinho continua atual; alegria por saber que, exatamente neste ano de 2007, o mundo se preocupa, como nunca, com os pégasos, centauros e unicórnios da fábula.





    1.6.07


    Manya e os lançamentos da... semana!









    O pessoal gostou... :-)









    Mudanças radicais; gatos indignados...









    Da série Maravilhas do YouTube



    Nathan Milstein, um dos meus violinistas favoritos de todos os tempos, toca a Chaconne de Bach. Infelizmente o filme teve que ser dividido em duas partes. O resto está aqui embaixo:



    E, especialmente para a Laura: clica aqui, é a primeira de oito partes de um documentário sensacional sobre o Alfred Brendel! Depois é só ir seguindo e clicando os outros pedaços.