31.3.07


Bia, Zeca e Tânia










Mamãe, Tânia e Zeca










Tânia e Zeca










O brinquedo da Tânia










Tânia e mamãe Beth










Bia e a afilhada Tânia









30.3.07


A Pipoca é que sabe das coisas...










O maluco nem espera a caixa ir pro chão!










O que mais falta acontecer?!

Vocês conhecem a piada da mãe judia, né? Aquela em que ela dá uma gravata verde e uma azul pro filho e, no dia seguinte, quando ele aparece usando a azul, diz:

-- Eu sabia que você não tinha gostado da verde!

Oy vey! Foi-se o tempo das piadinhas de gravata inocentes...

Nós estávamos no meio do jantar quando o Chico deu a notícia, que ouvira no rádio a caminho do restaurante. Ficamos todos estarrecidos: como é que um homem como o rabino Sobel sai por aí roubando gravatas?!

Não faz o menor sentido.

A história é uma tragédia pessoal de proporções inimagináveis, provavelmente mais caso de hospício do que de polícia; mas o pior é que, por mais triste que seja ver um homem tão respeitado virar material de anedota, a situação é um prato feito para todo tipo de gozação.

O mundo anda mesmo muito esquisito.

Update: Algumas pessoas acham que quanto menos se falar nesse assunto, melhor -- seria uma forma de respeitar o rabino. A meu ver, é justamente a respeito de casos assim, que desafiam a lógica e a compreensão, que todos sentem necessidade de falar. Aí estão os mais de cem comentários que não me deixam mentir. Nada é mais perturbador para bípedes que vivem em sociedade do que algo que foge dos limites do compreensível. Todos temos uma opinião e todos buscamos a opinião dos outros, para ver se algo faz sentido; todos gostaríamos de uma explicação clara, simples e de fácil assimilação.

Há gente que acha que todo o bem que uma pessoa faz ao longo da vida vai por água abaixo com um único mau passo, mas também não é bem assim. Não é o caráter do rabino que está em questão quando tentamos entender o que aconteceu; é a nossa capacidade de compreensão e a nossa necessidade de respostas.

Ao mesmo tempo, há, sim, um elemento de ridículo em todo o episódio, ampliado pela figura quase caricata de Sobel, e negá-lo é hipocrisia. Falar sobre o que aconteceu até que passe -- já já um novo escândalo empurra o assunto para escanteio -- é apenas humano.

Por isso ele está nas primeiras páginas dos jornais, na televisão, nas mesas dos botequins, nas comunidades do Orkut e aqui mesmo.

O presente não anula o passado, obviamente -- mas tampouco o passado redime o presente.





29.3.07


Fernando Pedreira e Monique










Millôr e Jaime










Chico e Geraldinho









O enterro de Chico Mendes

Não reparem não, mas ali à direita, fora de quadro, vai a cronista, com ar compungido


Eram 9h30, horário em que, ainda que esteja de pé, nunca estou inteiramente acordada; parada diante do armário, olhava desconsolada para as minhas roupas, procurando algo apropriado para ir a um enterro. Na vida real, qualquer roupa escura resolveria este tipo de emergência; mas, de acordo com as imagens da época, a única pessoa de preto havia sido a antropóloga Mary Allegretti. Eu precisava de uma roupa neutra, simples, sem nenhum sinal evidente do século XXI, para ir ao enterro de Chico Mendes em Xapuri, em dezembro de 1988.

Karl Marx dizia que a História se repete como farsa. Ele não conhecia o Brasil, onde a História já acontece como farsa -- mas, eventualmente, se repete como minissérie. Assim, com os óculos mais antigos que encontrei em casa, uma blusinha de bater, uma calça velha e desbotada e minhas fiéis Birkenstocks, que há décadas mantém o mesmo design, tomei o rumo do Projac onde, em algum canto, haveria uma irmã cenográfica da floresta que visitei ainda outro dia, e na qual, pela primeira vez, faria figuração em televisão.

Descobrir o Acre foi, como já escrevi aqui, uma experiência muito marcante. Fiquei apaixonada pelo estado, gostei demais dos acreanos e, nem preciso dizer, adoro a intrépida trupe que tão bem está contando a sua história. Ter a chance de aparecer numa minissérie com a qual fiquei tão envolvida emocionalmente foi um convite inesperado e simpático que, ainda por cima, me deu de presente umas dúvidas que nunca tinha tido antes, algumas com resposta e tudo.

* * *

Cheguei ao Projac junto com Zuenir e Mary Ventura e Elson Martins, meus colegas de estrelato. Para mim, que nunca havia estado lá, tudo era novidade, a começar pelo tamanho da coisa: o Projac é imenso. O refeitório, onde se misturam caras familiares de diversos programas e novelas, me lembrou aquelas cenas em que damas e cavalheiros medievais disputam o ketchup do cachorro-quente com astronautas, índios e caubóis nas cantinas de Hollywood. Mas foi em vão que fiquei esperando alguém aparecer com um modelinho mais bizarro. Devo estar vendo filmes demais.

Na caracterização passamos pelo crivo das figurinistas. O relógio do Zu foi substituído por um mais antigo. Depois deram um ar mais anos 80 aos cabelos da Mary e aos meus, que atravessamos aquela década espaventosa, sobrevivemos e achávamos que nunca mais levaríamos tais sustos diante do espelho. Antes de nos levarem para Xapuri, assistimos às últimas imagens de Chico Mendes em vida, numa missa na floresta, e, em seguida, a um video do seu enterro. Zu, que foi testemunha da História, ficou visivelmente abalado; até eu, que só acompanhei a saga de ler, fiquei emocionada.

Quando chegamos ao Acre do Projac, porém, topei com uma daquelas dúvidas inéditas de que falei antes: com que cara se segue um enterro falso? Ainda por cima, o enterro falso de um personagem real? Com uma cara bem compungida, ora essa. Mas isso não é um baita fingimento? Claro que é, Cora Rónai, mas o que seria das artes cênicas sem esse fingimento?! De modo que fiz a cara mais séria que pude e segui o caixão com passos contritos, me sentindo absolutamente canastra.

No caixão, aliás, ia a resposta a outra dúvida: como dar um peso convincente a um caixão vazio? No caso, foram usadas duas pequenas barras de concreto.

À volta do cortejo, jornalistas filmavam, gravavam e fotografavam. Mas eles eram coleguinhas cênicos, que usavam roupas e equipamento de época. Achei um paradoxo curioso o fato de nós, jornalistas, estarmos lá como atores, enquanto atores faziam jornalistas; tive vontade de orientar um ângulo de câmera que obviamente não flagraria coisa nenhuma e, quando um deles passou voado com a filmadora, fiquei imaginando que espécie de take maluco aquela pressa toda não produziria na vida real. Vício profissional. Imagina só quantas coisas eles não corrigiriam em mim!!!

A cena foi repetida algumas vezes, ora com o conjunto completo de atores e figurantes, ora com os atores, ora com os figurantes. Quanto mais cínica (e encabulada) eu ficava, mais os atores entravam no clima. Eles realmente conseguem viver o que representam, fato que para mim sempre foi assombroso, mas que, de agora em diante, passo a classificar na categoria dos milagres.

* * *

Não sei se é conjunção astral, mas ando encontrando o Acre por toda a parte! Essa semana mesmo descobri o CD de estréia de Chico Chagas, acreano talentosíssimo que mostra que há muito mais coisas na vida de um bom acordeão do que música folclórica. Em "E por falar em acordeão" (Rob Digital), ele passeia pelo jazz, pelo rock, pelo chorinho, pelo tango... O repertório, delicioso, vai de “Day tripper” (!) e "Por una cabeza" ao lindo "Chorando baixinho" e a "Rio Branco", do próprio Chico. Vale!

(O Globo, Segundo Caderno, 29.3.2007)






Enquanto isso, na Finlândia...



Este é o Coro de Queixas de Helsinki. Várias cidades européias têm "coros de queixas", que se apresentam nos lugares mais inesperados -- às vezes, até em teatros!

Só fico imaginando o que seria um Coro de Queixas Carioca.

Em tempo: as legendas estão em inglês.






Gentinha

A seção de Cartas dos Leitores do Globo ferve de indignação contra dona Matilde Ribeiro, aquela senhora racista cujo salário e mordomias seremos agora obrigados a pagar, posto que O Iluminado houve por bem designá-la ministra.

A do leitor Fernando Barros resume muito bem o perigo a que uma cabeça imbecil pode conduzir um país:
"A ministra de Promoção da Igualdade Racial não considera racismo um negro não gostar de um branco "porque foi açoitado a vida inteira". Eu já fui assaltado três vezes, todas por negros. Pela ótica da ministra, tenho razão em ser racista e não gostar de negros".

Enquanto isso, uma massa de estudantes como não se vê há muito faz passeata e promove quebra-quebra no centro da cidade para continuar a andar de ônibus de graça.

Não sou contra o passe livre, mas onde se escondem esses caras na hora de protestar contra a roubalheira e o desgoverno?! Que cidadãos são esses que só se mobilizam para garantir os seus privilégios?!

O pior é que nem dá mais para dizer que a saída é o aeroporto...






Chiquinha









28.3.07


Chiquinha e Bia










Um craque...










:-)










!!!










Walter Firmo










Com Walter Firmo









27.3.07


Beijo Envenenado

Recebi ainda agora da Maria Camargo, filha da minha amiga Aspásia:
"Sou roteirista e no momento escrevo um filme sobre Nise da Silveira, grande admiradora dos animais e de sua infinita capacidade de amar e perdoar. Acreditava tanto nisso que levou gatos e cães para as dependências do hospital psiquiátrico em que trabalhava, no Engenho de Dentro, nos anos 50. Ela tinha razão, pois muitos pacientes, ou "clientes", como preferia chamar, tiveram evidente melhora com a presença dos animais e de seu afeto incondicional. Mas, por mais estranho que seja, o afeto incomoda.

No caso de Nise, incomodou os médicos, enfermeiros e a direção do hospital, que viam na experiência pioneira da médica apenas uma maluquice que espalhava pulgas, sarna e mau cheiro. Os animais foram envenenados. Segundo Nise, foi o pior momento de sua (longa) vida.

Estava eu ontem à tarde escrevendo justamente essa cena terrível quando, como no filme "Mais estranho que a ficção", nosso amado cachorro, que minutos antes estava a meus pés, foi envenenado no quintal de casa. Pedaços de carne com chumbinho foram encontrados depois de sua morte fulminante. Soubemos ontem que um vizinho teve seus gatos assassinados da mesma maneira há menos de quatro meses.

Ao contrário dos cães e gatos de Nise, que "atrapalhavam" a vida no hospital (segundo seus oponentes, claro), nosso cão, um lindo pastor branco, não incomodava ninguém. Raramente latia e era tão manso que o chamávamos de Beijo. Mas isso também incomodou alguém na vizinhança, que provavelmente cansou de ver meus filhos correndo e brincando com ele. Era alegria demais. Foi covardia demais. Escondido pelo anonimato, nosso algoz atirou um pedaço de carne através da grade e acabou com a festa.

Minha filha Nina, de apenas cinco anos, dormiu chorando porque não quer morar perto de alguém tão malvado. Ela tem razão: alguém que comete algo tão bárbaro e inexplicável é capaz de fazer qualquer coisa.

É claro que a maldade não é coisa da minha vizinhança nem dos nossos tempos. Sempre existiu e sempre existirá, nos anos 50, hoje, daqui a mil anos -- pois somos humanos e o egoísmo faz parte de nós. Pobres de nós, que somos tão diferentes dos animais. Teremos que conviver para sempre com vizinhos covardes, balas perdidas, seqüestros-relâmpago?

Nosso Beijo, como escreveu um dia a atriz Liv Ulmmann se referindo à sua cadelinha, era uma emoção sobre quatro patas. Parece que no mundo não há espaço para um amor tão puro. Mas isso eu não tive coragem de dizer para a minha filha." (Maria Camargo)






Aventuras no Projac

A Giovana Manfredi, pesquisadora da minissérie e uma das responsáveis por atualizar o blog de Amazônia, postou algumas fotos feitas ontem no Projac.






Nokia 93: paixão total

O N93, uma das jóias da poderosa série N da Nokia, não é um celular para qualquer um. Nem falo do ponto de vista financeiro, que faria desta afirmação uma completa platitude, mas sim do ponto de vista do usuário: é grande, é estranho no seu jeito origami de ser e, sobretudo, tem uma íngreme curva de aprendizado, especialmente para quem não tem familiaridade com filmadoras. Pois isso é o que ele é: um celular com alma de filmadora, assim como o Sony-Ericsson K790 é um celular com alma de câmera digital -- a tal ponto que atende pelo nome de Cyber-shot.

Nunca fui de fazer imagens em movimento; nunca tive filmadora e raríssimas vezes uso o modo de filmar das minhas câmeras. Conseqüentemente, estranhei um pouco o N93 quando fomos apresentados um ao outro. Eu já conhecia o conceito desde 2005, quando o N90 chegou ao mercado; mas, se nunca tive vontade de substituir meu celular do momento pelo N90, o mesmo não posso dizer deste seu irmão mais novo, mais leve, mais inteligente.

Estamos juntos há cerca de duas semanas e, durante este tempo, em nenhum momento tive saudades de qualquer outro aparelho. Não que eu seja tão ingrata e infiel, e me esqueça dos meus queridos pelo primeiro bonitão que aparece; é que o N93 é um aparelho absolutamente fascinante, não só como ferramenta de comunicação, mas como feito tecnológico. Autêntico computador de bolso, tudo nele é bem pensado e extremamente bem desenvolvido; fico tonta só de pensar nos obstáculos que tiveram de ser superados para dar ao flip da tela toda a sua mobilidade.

Uma das características mais interessantes dessa maquininha maravilhosa, presente em outros aparelhos Symbian da mesma geração, é o uso de comandos de voz avançados -- aqueles que a gente não precisa gravar antes, já que criam automaticamente "marcas vocais" para contatos e comandos, reproduzindo os sons dos fonemas. Na dúvida sobre a pronúncia que o celular "entende", basta tocar a marca vocal. Outro bom uso para elas é configurar o telefone para que, além de tocar, fale o nome de quem está chamando. Ele tem um sotaque mecânico de estrangeiro educado que lhe cai muito bem...

A lente por trás da câmera do N93 é uma Vario-Tessar da Zeiss de 3.2Mp, com zoom óptico de 3x, praticamente um milagre num celular. Ele tem estabilizador, trata imagens muito bem, tem um ótimo software para edição de fotos e vídeos e pode ser conectado a uma televisão para exibição de slides ou filminhos. Detalhe: o tamanho dos filmes é limitado apenas pelo espaço que se tem no cartão, mas como já vem com um mini SD de 512Mb, é possível fazer quase um épico em termos de You Tube.

Seria preciso um espaço maior do que o que tenho para fazer a lista completa da sua infinidade de recursos e das suas muitas qualidades. Assim, aponto o que é, até agora, o único defeito que encontrei -- uma certa falta de conforto para falar, causada pelo cilindro que abriga a câmera.

Pode-se argumentar que, em se tratando de um telefone, este é um defeito grave; no entanto, definir o N93 apenas como telefone é subestimá-lo demais. Além disso, pelo próprio tamanho, ele é o típico celular que clama pelo uso de um headset Bluetooth, alternativa meio nerd, mas tão confortável, que é difícil voltar atrás depois de se acostumar a ela.

Este é, então, o celular que eu recomendo a quem quer um excelente aparelho com uma câmera fantástica? Não, não é. Ele é o celular que eu recomendo a quem quer um excelente aparelho com a melhor filmadora do mercado. Se você não tem interesse em filmar com o celular, opte por um Nokia N80 ou um SE K790. Mas se está curioso em trilhar novos caminhos, nesse momento não há nada sequer remotamente parecido ao N93 na praça.

Para ver alguns dos filminhos que fiz com ele, vá a imagens.notlong.com.


(O Globo, Info etc., 26.3.2006)





26.3.07


Vossa blogueira, em foto de Glória Perez










O seringal










Missão cumprida










A imprensa estrangeira










No enterro do Chico Mendes










Olha só quem está aí!










Momento Caras










Silvinha e a peruca se encontram...










São MIL detalhes!










o meu look










Gravar é uma longa espera










Ensaio










Zu observa as fotos










Camarim










No Projac










Adoro cenários!










No set










Zu e Mary









25.3.07


A banca do Fiúza ficou linda!










Tati, minha "véinha" dorminhoca










Keaton










Net, distraída com os pombos









24.3.07


O Leão da Savana, imperceptível na toca










Tutu e a casa própria










Tá na rua

O Nokia N95 começou, finalmente, a ser distribuído.

Só não digo que é o celular dos meus sonhos porque seria subestimá-lo; ele é o computador dos meus sonhos...






Extra! Extra!



Bia mandou pro blog, direto do show do Roger Waters, na Apoteose.





23.3.07


É muito nerd, mas é o máximo...










Uma bandeirinha enfeita o engarrafamento










Dá o que pensar...

Entre os tantos comentários sobre a coluna de ontem, um me chamou particularmente a atenção. Foi o do Luiz Fernando Raposo, que toca direto na ferida, e traz à tona uma questão que me perturba há tempos: o que diabos acontece com a classe média?!
"Pena que a chamada intelligentzia brasileira não reflita sobre nossas mazelas com a mente livre das armaduras ideológicas que distorcem a realidade e alimentam a compreensão equivocada de nossos problemas.

O Programa "Bolsa Bandido" é uma estupidez que resulta da combinação de cinismo, oportunismo, ignorância e má-fé. Mas não é o único programa gerado por esses mesmos atributos, não foi o primeiro e -- do modo como caminhamos rumo à "boçalização" social -- não será o último.

Há, na nossa sociedade, um responsável por tudo isso: a classe média. Em qualquer país, ela é o esteio, a turma que efetivamente governa, pois dela saem os magistrados, os políticos, os intelectuais, os professores, as pessoas que pensam. O próprio PT é um partido de classe média. No entanto, no Brasil, a classe média conspira contra a sociedade, de modo (possivelmente) inconsciente.

Por quê?

Este é o tema que deveríamos refletir, pesquisar, debater e divulgar." (Luiz Fernando Raposo)





22.3.07


Extra! Extra!



Chegou nesse instante pelo email, via celular: a Chiquinha, da Bia, acaba de descobrir o puxa-saco!





Mas era só o que faltava:
a Bolsa Bandido!

Ainda bem que nem tudo está perdido; a música
salva as esperanças e as horas perdidas


De todas as bobagens governamentais de que tomei conhecimento ultimamente — e que não foram poucas — nada, nem mesmo o Ponto G da estupidez, barra a proposta do governo do estado de conceder bolsas especiais às famílias dos menores infratores.

A idéia seria, se bem entendi, "reconstruir os laços familiares para reintegrar os menores à sociedade" — como se a desintegração familiar fosse única e exclusivamente uma questão financeira, e como se todos os menores infratores fossem filhos de chocadeira.

Eu gostaria de saber de que mente iluminada saiu essa idéia. Quem foi o gênio que criou este incentivo explícito à criminalidade?! Como se não bastasse tudo o que nos acontece rotineiramente neste país, teremos, pela primeira vez, menores infratores estimulados pelos pais graças a uma ação de governo:

— Cumequié?! Foi à escola, cachorro?! Quer dizer que não assaltou ninguém, não estuprou ninguém, não matou ninguém?! É assim que tu cuida da tua família, desgraçado?!

A miséria não é boa conselheira, sabemos todos, mas, pelo visto, tampouco o é a vida de privilégios do poder. Imaginar que uma esmola entre R$ 15 e R$ 90 mensais possa tirar um menor (de 1m80) do crime é não ter a mais pálida noção da vida aqui fora; e é ter o mesmo incompreensível preconceito contra a pobreza manifestado pelo presidente Lula, quando diz que o crime, às vezes, "é questão de sobrevivência".

Ora, a pobreza, em si, não leva ninguém ao crime — ou não, pelo menos, ao tipo de crime que nos tem horrorizado. Ninguém arrasta uma criança por sete quilômetros premido pela pobreza, ninguém mata friamente por pobreza, por pobreza ninguém toca fogo em ônibus cheio de passageiros.

Pelo contrário: há proporcionalmente muito mais gente digna e honesta nas comunidades carentes do que no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa ou nos palácios de Brasília. Aliás, penso que seria muito instrutivo comparar o percentual de pobres às voltas com a justiça com o percentual de políticos que (não) respondem a processos.

* * *

De qualquer forma, a absurda proposta da Bolsa Bandido revela a total inversão de valores que se estabeleceu neste país, onde os criminosos recebem muito mais atenção, recursos e conforto das autoridades do que as vítimas. Antes de falar em bolsas para famílias de menores infratores, o Estado deveria falar em bolsas para famílias de vítimas da violência; antes de oferecer um duvidoso apoio psicológico às famílias de menores infratores, o Estado deveria, isso sim, pensar nas famílias que, de um momento para outro, foram despedaçadas porque lhes faltou um mínimo de segurança.

* * *

Da última vez que escrevi sobre isso, logo depois do brutal assassinato do menino João Hélio, estava convencida de que reduzir a maioridade penal para 16 anos era uma providência tão urgente quanto necessária. Depois de ler a quantidade de artigos e discussões que se seguiram ao crime, mudei ligeiramente de ponto de vista.

Continuo achando um absurdo que uma pessoa possa votar, mas não possa ser responsabilizada pelos seus atos; também continuo convencida de que um adolescente de 16 anos sabe perfeitamente distinguir o certo do errado, e o bem do mal. Continuo, em suma, achando que a virtual inimputabilidade do dimenor de 16 anos é um dos sintomas de uma sociedade suicida. Só que passei a achar a própria idéia de maioridade penal defasada da realidade. Hoje concordo com os que propõem que as penas sejam aplicadas de acordo com os crimes praticados, e não com a idade dos criminosos que os praticam.

* * *

Faz tempo que cultivo um plano de estimação: dar, toda semana (ou, pelo menos, sempre que possível) uma dica de livro, filme, CD, DVD — enfim, de algo que tenha mexido comigo. Mas entra semana, sai semana, já estamos em março de 2007, e eu aqui, atropelada pela realidade, ainda sonhando com o meu "momento cultura".

Pois decidi que de hoje não passa, até por um motivo especial: ontem, se nada tirou o mundo dos trilhos, tive o prazer e a honra de entregar um dos prêmios "Faz Diferença" a duas amigas muito, muito queridas, Kati Almeida Braga e Olívia Hime, merecedoras de todas as homenagens por fazerem da Biscoito Fino a espetacular gravadora que é.

Acontece que a Olívia, mal sabe ela, foi comigo ao Norte, e me embalou nas longas esperas em aeroportos, que sem a felicidade da música seriam ainda mais demoradas. Não digo "embalou" à toa; a voz da Olívia tem esse encanto indefinível, maternal e envolvente de quem nina.

Há semanas o player do meu celular (gente moderna é assim!) toca, em loop, "Palavras de Guerra". Ainda que não fosse um legítimo Olívia Hime, este CD já teria me ganho pelo achado do título: as letras de todas as canções são de Ruy Guerra.

Caramba! A gente sabe que o homem é bom, mas esquece. É preciso mesmo uma coleção dessas, feita com este carinho e esta sensibilidade, para dar uma chacoalhada e fazer com que a gente se lembre.

(O Globo, Segundo Caderno, 22.3.2007)




Scoop -- O grande furo

Esqueçam a metafísica;
o importante é rir

Num filme qualquer, quando alguém morre vai para o céu ou para o inferno, conforme o merecimento e a imaginação do diretor – normalmente presa a um teletransporte básico, quando não a ônibus voadores ou escadas rolantes. "Scoop -- O grande furo", porém, não é um filme qualquer, mas um ótimo Woody Allen. Assim, quando Joe Strombel, o melhor repórter investigativo inglês, vai desta para a melhor, nós o encontramos na barca de Caronte, numa deliciosa referência à mitologia grega.

Caronte, vocês sabem, era o barqueiro que cruzava o rio Styx, levando os falecidos para o Hades. O Styx marcava a fronteira entre o mundo cá de cima, dos vivos, e o lá de baixo, dos mortos. O trânsito era feito numa só mão, obviamente, ainda que alguns personagens da mitologia, como Hércules e Orfeu, tenham conseguido cruzar o sinistro rio de lá para cá.

Pois está o nosso Joe Strombel batendo papo com alguns colegas de travessia quando descobre a identidade de um serial killer que vem apavorando a Inglaterra. É o furo do século, mas... de que serve para um jornalista inconvenientemente morto?! Strombel, interpretado por Ian McShane -- o magnífico Al Swearengen da série "Deadwood" -- faz o que pode: atira-se ao Styx para tentar voltar ao outro lado.

É bem sucedido, ou quase: em vez de se rematerializar numa redação ou num bar ao lado de colegas safos, reaparece no show de um mágico de quinta, o Grande Splendini (Woody Allen), exatamente quando uma voluntária da platéia está fechada na caixa de onde supostamente desaparecerá. A "vítima" é Sondra (Scarlett Johansson), estudante de jornalismo americana com mais boa vontade do que preparo (ou talento) para a coisa.

Strombel não tem nem tempo, nem escolha. Antes de desaparecer, passa a Sondra o furo dos furos: o Assassino das Cartas de Tarô é Peter Lyman (Hugh Jackman), milionário, aristocrata, político em ascensão. A partir daí, Splendini e Sondra, dois americanos fora d´água em Londres, formam uma curiosa parceria para se aproximar de Lyman e descobrir a verdade.

Quem for ao cinema esperando uma obra-prima filosófica como "Match Point" talvez se desaponte; "Scoop" é, ao contrário do seu irmão mais sério, uma comédia ligeira, sem outra pretensão que a de fazer rir -- em nenhum lugar, porém, está escrito que "fazer rir" seja uma arte menor ou perca para as Grandes Questões da Humanidade.

Para isso, Woody Allen conta com dois trunfos imbatíveis, o seu fenomenal talento e a familiaridade que, ao longo dos anos, desenvolvemos com seu estilo. Splendini, que na vida real se chama Sid Waterman, é, como sempre, um nova-iorquino neurótico e pessimista. Seus diálogos com Sondra são uma troca constante de ótimas tiradas, sublinhadas pela canastrice da persona que representa: Sid não tem mais ilusões, sequer em relação à sua competência como mágico.

A Sondra de Scarlett Johansson é surpreendentemente convincente e divertida, até (e sobretudo) pelo bom senso de não tentar ser mais engraçada do que as suas falas.

O filme tem uns defeitos aqui e ali, mas nada que comprometa a história como um todo ou o genuíno prazer que sentimos no cinema ao assistir essa comédia tão inteligente. Sua única falha grave é não aproveitar mais o grande Ian McShane, que ainda conhecemos tão pouco.


(O Globo, Segundo Caderno, 22.3.2007)






As Três Graças, ontem à noite









21.3.07


Os vencedores










Dr. Mindlin, meu herói










:-)










Vai começar!










Oi eu aqui!










Ladies in red










Temos efeitos especiais










Miriam e Ancelmo










Fotos!










Colegas chiques!










Prêmio Faz Diferença









20.3.07


Estava totalmente chão de estrelas!










Uma noite acreana na Argumento










Fotos do Rio Negro




Consegui arrumar algumas fotos que fiz ainda em Manaus num set separado do Flickr; elas estão aqui.






Que sera sera

Peguei um taxi pro jornal inda agora. Uma voz linda que não reconheci cantava uma música antiga linda que também não reconheci. Perguntei ao motorista qual era o CD.

-- Não é CD, é rádio mesmo. Roquette Pinto.

E lá viemos nós, ouvindo um programa maravilhoso sobre Doris Day e Dalva de Oliveira. Não sei quem são os apresentadores, mas são o máximo!

-- A Doris Day já era bem famosa, mas aí casou mal, coitada -- disse um deles. -- Um casamento horrível, com um daqueles saxofonistas de orquestra. Um canalha, toxicômano... ah, nem vou falar nisso.

Mas falava, e maravilhosamente bem, como se a Doris Day fosse a prima da gente e o casamento tivesse sido ontem. Entramos no túnel. Na saída ele dizia:

-- ... e aí, ela foi para a justiça, porque lá nos Estados Unidos eles têm uma justiça que funciona, e...

Enfim, tenho o prazer em informar que Doris Day continua viva e bem, que nunca mais teve nada a ver com showbiz e que dedica-se, há tempos, à causa animal.

Quando chegamos ao jornal, depois de ouvir Dalva de Oliveira cantando "Oi zumzumzum, tá faltando um", ainda peguei um pedacinho de "Que sera sera". Deu vontade de ficar no taxi até o fim da música.

Fui direto pra mesa do Xexéo.

-- Nossa, eu vim no taxi ouvindo um programa que é a tua cara! Sobre Dalva de Oliveira e Doris Day, e os apresentadores sabiam tudo sobre elas.

-- Coitada da Doris Day, casou muito mal -- disse o Xexéo. Acho que a única pessoa que desconhecia isso era eu. Ou então o programa era ainda mais a cara do xexéo do que eu tinha pensado.

Recordamos umas músicas, cantamos trechinhos de "Que sera sera" (para vocês verem as coisas que acontecem na redação) e fui tomar um café. Agora acabo de receber um email do Xexéo:
Olha que coincidência!

Há 50 anos

O GLOBO NOS DISCOS POPULARES:

Os dez 78rpm mais vendidos:

1) “Que sera sera” (Doris Day)
2) “Folhas mortas” (Nat King Cole)
3) “Boneca cobiçada” (Palmeira e Biá)
4) “Angústia” (Gregorio Barrios)
5) “Only you” (The Platters)
6) “Maracangalha” (Dorival Caymmi)
7) “Que murmuren” (Gregorio Barrios)
8) “The great pretender” (The Platters)
9) “Conceição” (Cauby Peixoto)
10) “Evocação” (Bloco Batutas)
Ui! Io no creo en brujas, pero que las hay...





19.3.07


Boa noite!










A reunião da tarde








Iuhuuuuuuuuuuuu!!!
Consegui editar um filme!!!

Peço aos cineastas da casa que perdoem a tosqueira, mas é a primeira vez na vida que faço isso -- e, ainda por cima, às carreiras. Usei um shareware para coverter o MP4 do celular em avi e fiz a edição no Windows Movie Maker, que é mesmo muito fácil de usar.



Em tempo: para os que pediram, a URL do filme é leblon.notlong.com





18.3.07


Almofada feita pela Bia Petri para o SOS Vida Animal










Bolsa Bandido

De todas as besteiras que li hoje (e li muitas) nada como a proposta do governo do estado de conceder bolsas especiais às famílias dos menores infratores. A idéia é "reconstruir os laços familiares para reintegrar os menores à sociedade" -- como se isso fosse questão de dinheiro, e como se todos os menores infratores fossem filhos de chocadeira.

Mas de que mente iluminada saiu essa idéia de jerico?! Quem foi o gênio que criou este incentivo explícito à bandidagem?!

Pela primeira vez na história teremos menores infratores estimulados pelos pais graças a uma ação de governo:

-- Cumequié?! Foi à escola, cachorro?! Não assaltou ninguém, não estuprou ninguém, não matou ninguém?! É assim que tu cuida da tua família?!

Desculpem o lugar comum, mas não há outra coisa a dizer: seria cômico se não fosse trágico.






Gripe 1 x Cora 1










Como é, não vai levantar desse sofá?!










Gripe 1 x Cora 0

Apesar dos cuidados dos gatos, que passaram o dia se revezando ao meu lado no sofá, a gripe continua ganhando a parada.

Agora me sinto um pouco melhor; comi várias laranjas e consegui energia para me mudar do sofá para a cama. Ainda por cima fazendo -- ótimo sinal! -- esta pequena escala no computador.

Acho que amanhã estarei nova em folha, ou quase.

Beijos para todos!





17.3.07


Cama de gato









16.3.07


Chiquinha e Fernanda Lima

Essas gatas andam em boa companhia...






De molho

Desculpem a falta de notícias, mas a gripe que anda por aí me pegou de jeito. Já estou tomando Trimedal e chá de limão com mel, mas nem consegui ir ao jornal e só agora tive ânimo de pegar o computador -- daí vocês vêem como está a coisa!

Bia passou aqui em casa para me mostrar as fotos do aniversário, que comemorou com os amigos no Palaphita, e também trouxe novas fotos da Chiquinha, a minha neta gata.

E, como que adivinhando o recolhimento ao estaleiro, o correio trouxe algumas encomendas da Amazon. "Classic Feynman", volume de memórias de Richard Feynman; a edição comemorativa dos 25 anos da série "Howard's End" em DVD (na minha opinião uma das mais lindas produções da BBC, com o então jovem Jeremy Irons e o já velhinho Laurence Olivier); "Elizabeth I", com Helen Mirren e, de novo, Jeremy Irons; uma edição linda de "Persuassion", de Jane Austen, que vem com o livro e o DVD; e um dos melhores filmes que já vi, "Burnt by the Sun", de Nikita Mikhalkov (que a Bia prontamente levou emprestado).

Acho que com essa cesta básica dá para encarar até mesmo a pior das gripes, né?






O pessoal gostou... :-)









15.3.07
(Vocês já leram a primeira versão)


Paixão à primeira vista

Cidades limpas e cuidadas, casinhas humildes mas tinindo de arrumadas: sorria, você está no Acre


Hoje de tarde fui à Bolívia, que fica logo ali. Encontrei Lima Duarte e Cássio Gabus Mendes bebendo umas Paceñas no boteco da esquina, enquanto, na praça em frente, centenas de maritacas fofocavam antes de se recolherem às palmeiras onde dormem. Conversamos e rimos muito; na volta, parei na beira do rio para me despedir de três jovens capivaras que avistei ontem. Não, não estou de pileque. Estou na cidade de Brasiléia, a poucos quilômetros de Xapuri. Vim de enxerida, ver as gravações da segunda fase de "Amazônia", a fantástica minissérie de Glória Perez -- e estou totalmente apaixonada pelo Acre.

A exuberância da natureza na Região Norte nunca deixa de me surpreender, mas no Acre há bem mais do que isso -- há um amor pela terra que se manifesta nas centenas de bandeiras do estado que tremulam em mastros oficiais, que se mostram nas lojas e nas casas, e que percorrem as ruas como adesivos de automóveis, motos e bicicletas. Isso quando não vão coladas ao próprio peito dos acreanos, como estampas de camisetas.

Em nenhum outro lugar do mundo, nem mesmo na Nova York dos tempos da campanha "I love New York", vi tanta gente usando camisetas com símbolos locais.

Faz um bem danado à alma da gente ver isso.

Depois há, por toda parte, paredes pintadas nas cores mais alegres. No começo achei que isso fosse coisa da capital, privilegiada por administrações de matar qualquer carioca de inveja; mas não. Percorrendo os mais de 200 quilômetros que levam de Rio Branco à fronteira com a Bolívia, onde quer que se pare há uma janela vermelha, uma porta azul, uma fachada verde.

Esse gosto pelo colorido se vê igualmente nas roupas estendidas para secar. Qualquer varal humilde perdido pelo interior parece adereço cenográfico. Isso, aliás, criou um interessante paradoxo para a equipe que faz "Amazônia", e que acabou deixando de lado muitas locações importantes, porque pareceriam bonitas demais, limpas demais para serem verdadeiras.

O grau de limpeza surpreende, mesmo. Em Rio Branco, cheguei a pensar que as ruas tão bem tratadas fossem apenas o resultado de um esforço ocasional para transmitir uma boa imagem, aproveitando a visibilidade proporcionada pela minissérie; mas em Brasiléia e em Epitaciolandia, onde encontra-se a equipe da Globo, há cuidado igual com os espaços públicos. As cidades não são ricas, em alguns lugares o asfalto está esburacado por causa das chuvas, mas quase não se vê lixo nas ruas ou pichações nas paredes.

Confesso que, diante dessa pobreza digna e asseada, me envergonhei pelo estado lastimável em que se encontra o Rio. Como todo carioca, estou cansada de saber que não há turista americano ou europeu que não fique chocado diante de tanta sujeira e falta de manutenção; agora sei, por constatação própria, que, neste quesito, fazemos feio também diante dos acreanos.

* * *

Percorrer este interior, que o pessoal gosta de definir como "Brasil profundo", sempre me comove. Entra-se em outra dimensão do tempo, num mundo mais simples, menos consumista, mais apegado aos valores da terra.

Vejo as casinhas modestas de madeira, de um ou dois cômodos, limpas e aconchegantes, onde as pessoas vivem com tão pouco, e me assusta o contraste com as cidades grandes, onde cada vez juntamos mais coisas inúteis à nossa volta.

É claro que há também o reverso da medalha. Tenho uma tendência natural a buscar o lado bom do que me cerca, mas é impossível ignorar a devastação pela qual passou este estado ao sobrevoá-o, ou a atravessar quilômetros e quilômetros de pastos e mais pastos.

A paisagem é linda e bucólica, com certeza -- mas ali, onde pasta o gado, houve, um dia, uma floresta inteira que veio abaixo.

Isso corta o coração.

Passeando por Rio Branco de bicicleta com Jorge Viana, ex-prefeito e ex-governador, também era impossível ignorar a presença ultra-discreta dos guarda-costas, que não estavam lá como símbolos de um eventual poder, mas como necessidade fundamental de sobrevivência de um homem que teve coragem de desafiar os bandidos que controlavam a região.

Quem lê jornal sabe que este é um lugar onde as desavenças continuam a ser resolvidas a bala.

* * *

O Acre não é um destino turístico como Manaus ou Belém, mas deveria ser. Não tem teatros mirabolantes plantados na selva (quase não tem mais selva, a bem da verdade) mas, entre seus defeitos e qualidades, entre as tragédias do passado e o gigantesco esforço de recuperação da auto-estima do presente, reúne uma quantidade única de lições de Brasil.

Cheguei há três dias, vou embora logo, mas tenho, desde já, duas certezas: a de que esta foi uma das mais extraordinárias viagens da minha vida, e a de que este é um recanto do meu país que levarei para sempre no coração.


(O Globo, Segundo Caderno, 15.3.2007)






Tutu não quer papo










Keaton não está achando graça










Net pensa em abrir uma agência de viagem










O Leão da Savana sonha com o Acre










Matando as saudades










Voar Gol é uma longa espera










Conexão em Brasília










Já estou com saudades :-(










.Gol: ninguém merece..









14.3.07


Eu amarelei e fui de pastel










Giovana se aventura na gastronomia local










Barraquinha de tacacá










O palácio do governo










Uma última volta por Rio Branco










Visita a Xapuri










São meio sinistros, né?










Para Ju: o Lima diz que essa é a melhor










Mais filminho: o Jabuti Bumbá!



Como o do Santo Daime, este também foi feito com o celulat Nokia N93 -- e também não está editado.

Um dia eu ainda aprendo a fazer filminhos mais caprichados, prometo...





13.3.07


Saludos de Bolivia!










Cássio, como Chico Mendes










É um trabalho insano!










Filmando na selva










Caminhão dos figurinos










A tenda da produção










No seringal










No Seringal Cachoeira










A pousada em Brasileia








E, por falar em paixão...

O Nokia N93 me conquistou a tal ponto que agora dei até de fazer filminhos! Vou postando os resultados aos poucos, para que vocês possam conferir.

Este foi o primeiro filmete que fiz, no culto do Alto Santo, templo do Santo Daime; não está editado.





Paixão à primeira vista

Se as fotinhas que mandei não deixaram suficientemente claro, repito: estou encantada com o Acre! A natureza da Região Norte sempre me surpreende e fascina, mas no Acre há mais do que isso -- há um amor pela terra que se manifesta nas centenas de bandeiras do estado que tremulam em mastros oficiais, se mostram nas lojas e nas casas e percorrem as ruas como adesivos de automóveis, motos e bicicletas. Isso quando não vão coladas ao peito dos acreanos, como estampas de camisetas.

Aliás, em nenhum outro lugar do mundo vi tanta gente usando camisetas com símbolos locais.

Faz um bem danado à alma da gente ver isso.

Depois, há, por toda parte, paredes pintadas nas cores mais lindas. Achei que fosse coisa da capital, privilegiada por administrações recentes de matar qualquer carioca de inveja, mas não. Percorrendo mais de 200 quilômetros de estrada até a fronteira com a Bolívia, onde quer que se pare há uma janela vermelha, uma porta azul, uma fachada verde.

Esse gosto pelo colorido se vê igualmente nas roupas estendidas para secar: qualquer varal humilde perdido no interior parece adereço cenográfico. Isso, aliás, criou um interessante paradoxo para a equipe de filmagem que faz "Amazônia", que acabou deixando de lado muitas locações importantes porque, simplesmente, pareceriam bonitas demais, limpas demais para ser verdade.

A limpeza das cidades que vi também me surpreendeu. Em Rio Branco, cheguei a pensar que as ruas tão limpinhas fossem um esforço ocasional para transmitir uma boa imagem com a visibilidade proporcionada pela minissérie; mas em Epitaciolandia e Brasiléia (onde estou), há o mesmo cuidado com os espaços públicos. As cidades não são ricas, em alguns lugares as ruas estão esburacadas por causa das chuvas, mas quase não se vê lixo nas ruas ou pixações nas paredes.

Confesso que, diante dessa pobreza digna e asseada, me envergonhei pelo estado lastimável em que se encontra o Rio. Como todo carioca, estou cansada de saber que não há turista americano ou europeu que não fique chocado diante de tanta sujeira e falta de manutenção; agora sei, por constatação própria, que, neste quesito, fazemos feio também diante dos acreanos.

* * *

Percorrer este interior, que o pessoal gosta de definir como "Brasil profundo", sempre me comove. Entra-se em outra dimensão do tempo, num mundo mais simples, menos consumista, mais apegado aos valores da terra.

Vejo as casinhas modestas de madeira, de um ou dois cômodos, limpinhas e aconchegantes, onde as pessoas vivem com tão pouco, e me assusta o contraste com as cidades grandes, onde cada vez juntamos mais coisas inúteis à nossa volta.

* * *

É claro que há também o reverso da medalha. Tenho uma tendência natural a buscar o lado bom do que me cerca, mas é impossível ignorar a devastação pela qual passou este estado ao atravessar quilômetros e pastos, pastos e mais pastos.

A paisagem é linda e bucólica -- mas ali, onde pasta o gado, houve um dia uma floresta inteira que veio abaixo.

Isso corta o coração.

Passeando ontem com o Jorge Viana, ex-prefeito e ex-governador, também era impossível ignorar a presença ultra-discreta dos guarda-costas, que não estão lá como símbolos de um eventual poder, mas como necessidade fundamental de sobrevivência de um homem que teve coragem de desafiar os bandidos que controlavam o estado.

Quem lê jornal sabe que esta é uma região em que as desavenças políticas costumam ser resolvidas a bala.

* * *

O Acre não é um destino turístico como Manaus ou Belém, mas deveria ser. Não tem teatros mirabolantes plantados na selva (quase não tem mais selva, a bem da verdade) mas, entre seus defeitos e qualidades, entre as tragédias do passado e o gigantesco esforço de recuperação da auto-estima do presente, reúne uma quantidade única de lições de Brasil.

Cheguei há três dias, vou embora logo, mas tenho, desde já, duas certezas: a de que esta foi uma das mais extraordinárias viagens da minha vida, e a de que este é um recanto do meu país que levarei sempre no coração.






De volta ao Brasil










El otro lado










O lado de cá










Tão perto, tão longe










Brasileia









12.3.07


Enoc e Márcia, os donos da sorveteria










Epitaciolandia










Pit stop










Salão social










Um problema e tanto...










Antes que suma o sinal: pupunha










Na estrada










Ilzamar, Cássio e Vanessa










Lojinha de farinha










O açougue










Comércio popular










Doces, sutiãs e antenas de televisão










Uma estampilha :-O










Correio!










Na Casa de Leitura










Na Casa de Leitura










:-)










Na Gameleira










Um lindo ônibus










Bate-papo entre coleguinhas

Quem quer saber o que rola pelo Acre lê o blog do Altino Machado, coleguinha pioneiro no estado. Ele foi homenageado pela Glória (que também está fazendo um blog sobre a minissérie) com uma ponta na gravação, contracenando logo com o Lima Duarte -- começou bem nessa carreira o moço, não?!

Batemos um papo legal no dia em que cheguei; está lá no blog dele, dêem uma olhada...

Valeu, Altino, foi um prazer! :-)





11.3.07


Hmmm...










A Praça da Revolução










Esta é aquela área que estava vazia cedo










Ele fez obras lindas na cidade










O Jorge é campeão de popularidade










Marina Silva e meu anfitrião de pedalada Jorge Viana






Jorge foi governador do Acre. Fomos andar de bicicleta ele, a mulher Dolores e o filho Bernardo, de 12 anos; fizemos uns 12 quilômetros, entre estrada e cidade, ciclovias por toda a parte. Durante todo este percurso, não houve pessoa que não o saudasse, não quisesse um abraço ou uma foto.

As pessoas gostam mesmo dele -- ou então deve ter uma fila enoooooooooooooooooooooooooorme lá na casa dele agora para receber o cachê... rsss

É fácil ver por quê: ele adora este lugar, e o entusiasmo com que fala da sua terra e com que me mostrou as obras bonitas que fez dão gosto e esperança.

É muito bom ver um cara jovem com essa disposição, essa vontade de fazer e, principalmente, esse apoio da população.

Foi um dia inesquecível.

Em tempo: ele é do PT.

Ninguém é perfeito... *suspiro*






De repente, um encontro inesperado...










Fiz um passeio de bike pela estrada










A curva do rio










Olha que bonitinho!










No Jabuti Bumbá










Atenção: isso não é um cenário! É assim.









Olha só quem faz anos hoje!

Não, não é a tartaruga... nem o moço lá de trás.

PARABÉNS, BIA!!!






Às margens do rio Acre










Glória e a gameleira










As estátuas das pessoas comuns









10.3.07

Cansada, mas feliz...

digito essas mal-traçadas da boa terra de Rio Branco, no Acre. Não pude ver muita coisa; cheguei tarde, e corri para o centro do Santo Daime, onde estava sendo gravada uma cena da minissérie Amazônia.

O culto é mais elaborado do que eu imaginava. Me pareceu uma, uh, "releitura", de religiões tradicionais, sobretudo o cristianismo, por um pessoal que estava perdido no meio do mato, sem padre, TV ou Wikipedia. É uma religião da floresta. Cantam-se hinos, dança-se, é bonito.

O hotel é simpático e estala de limpinho.

A minha placa VivoZap pega aos trancos e barrancos, mas pega; e os telefones funcionam bem.

Estou usando aquele N93 que vocês viram na foto da mesa da Elis; sei não, mas pode ser o começo de uma bela amizade!

Agora vou jantar com a Glória Perez e a turma que está gravando aqui.

Beijos! Saudades!






Hotel Pinheiro






Não é nenhum Sheraton, mas é limpinho, tem ar refrigerado, piscina (!) e café da manhã incluído na diária de 60 real.






Lima Duarte










Gravando!










No Santo Daime










No Santo Daime










Cheguei!










Escala em Porto Velho










Mais uma decolagem!










Lá vamos nós










Enquanto voavamos por aí










Pelo menos não precisei sair do avião!










Escala em Brasília










Lá vamos nós










Eu podia ter dormido mais! :-(










Um mundo de possibilidades...










Tá, vai, que a gente sofre em silêncio..










On the road again

As malas já estão feitas e guardadas no closet para evitar possíveis retaliações; a turma toda já está com aquelas caras compridas, de cortar o coração.

Saio de casa cedíssimo (7h00!); encerro, portanto, as comunicações.

Prometo fotinhas ao longo da viagem, se houver boa conexão.

Beijos para todos -- e em especial para a Bia, que faz anos domingo, e que vai passar a Magna Data longe desta mãe literalmente ausente.








Agora vejam só que figura! Este é o Raji Rajoso, um dos gatos da Ana Milezi, dormindo mui confortavelmente sobre a tela do orquidário...

Muito obrigada por mandar as fotos, Layla.





9.3.07


Na diagramação










Como vivi sem ele?!


Estou absolutamente apaixonada por um pequeno aparelho chamado CardScan, que tem uma única missão na vida: escanear cartões de visita e ajeitá-los na agenda de contatos do usuário. Confesso que já conhecia o bichinho há anos de anúncio e de demonstrações em feiras de tecnologia, mas não punha fé. Achava que, como um daqueles maravilhosos descascadores de camarão, ele só funcionava na mão do vendedor; ou, na melhor das hipóteses, nos Estados Unidos, onde os nomes não têm acento e os cargos são sempre os mesmos.

A idéia era perfeita, porque se há uma coisa que ninguém gosta de fazer é digitar informações de cartão de visita -- o que significa que os cartões que a maioria de nós colecionamos moram atropelados em gavetas, e nunca são encontrados quando se precisa deles. Mas como iria se virar uma maquininha dessas em português, a nossa língua cheia de acentos, e ainda por cima no Brasil, onde as pessoas adoram saladas tipográficas?

Pois querem saber? Na prática, a teoria do CardScan funciona. E incrível, fantasticamente bem! Para começo de conversa, ele é tão fácil de instalar que a gente chega a pensar que não vai dar certo. Mas não é que dá?! Fiz uma colheita de cartões na redação. Junto com os que tinha ainda por digitar, chegaram a quase 180. Passá-los para o computador foi só o tempo de escaneá-los, corrigir os pouquíssimos erros de interpretação e -- pronto!

De toda a pilha, o CardScan só não deu conta de dois míseros cartões: um que estava amassado e tinha uma superfície extremamente brilhante, e outro todo preto, minimalista, com letras em marrom. Mas quem faz um cartão assim, convenhamos, não está afim de se manter em contato com o mundo. Cartões com fundos coloridos, com fotos, em filme transparente e em folhas finas de madeira e até metal -- todos passaram pela maquininha sem problemas.

O software do CardScan não só lê acentos sem problemas como deslinda saladas tipográficas. Ele é capaz de entender cartões em inglês, espanhol, alemão, francês e português. Também é capaz de separar nome de empresa de nome de pessoa, cargo, telefone, endereço, CEP, email, página na web e o que mais houver. O fabricante explica que está preparado para interpretar as manhas dos cartões de visita de 12 diferentes países, entre eles o Brasil; mas que parece mágica, lá isso parece.



Embora sua agenda mantenha também a imagem do cartão -- se o usuário quiser, em frente e verso, muito útil quando se fazem anotações -- tudo é transformado em caracteres para integração com vários tipos de listas de contatos.

O software, que encontra duplicatas se a gente se distraiu e passou o mesmo cartão duas vezes, permite ainda que se faça backup do conteúdo da agenda na rede, onde pode ser acessado de qualquer parte.

O aparelhinho, em si, é pouco maior do que um Palm, digamos. É leve, e não precisa carregador de energia; ele se alimenta através do cabo USB com que se conecta ao computador.

Em três modelos e diferentes faixas de preço, custa, na média, US$ 260. Não é barato mas, para o muito que faz, está longe de ser caro.

(O Globo, Info etc., 27.2.2007)






Netcat









8.3.07


A mesa da Elis











O Brasil possível

Cronista vai visitar fábrica, mas se apaixona por escola

Ser jornalista de tecnologia é estar mais do que acostumada a surpresas; é, na verdade, esperá-las como parte integrante e fundamental da rotina. Ainda assim, há surpresas e surpresas, e posso, honestamente, dizer que, nesses anos todos, nada me preparou para o que encontrei na última segunda-feira.

Imaginem uma área de quase 13 mil metros quadrados, com instalações impecáveis e equipamentos de última geração; um restaurante amplo e limpo, laboratórios técnicos, computadores à vontade, mesas, bancadas e cadeiras no melhor estado de conservação; jardins bem cuidados e, por toda parte, uma profusão de recipientes para reciclagem de lixo. Seria um ambiente familiar para mim se fizesse parte de um dos tantos laboratórios de pesquisa científica que já visitei no exterior; mas é uma escola técnica de nível médio, localizada, ainda por cima, no distrito industrial de Manaus. Mais: 70% dos seus alunos vêm do ensino público, depois de disputar um concurso com cerca de 25 candidatos por vaga.

Melhor ainda do que ver o conforto e a excelência das instalações e dos equipamentos, das quadras esportivas e da biblioteca, foi observar os meninos e meninas tão obviamente orgulhosos da sua escola, e perceber a paixão da equipe de professores que fez da Fundação Nokia de Ensino a bi-campeã do Enem no estado do Amazonas, e merecida detentora de uma coleção de troféus obtidos em campeonatos regionais e nacionais de química, matemática, física, informática e uma penca de esportes, inclusive xadrez.

No ano retrasado, por exemplo, uma das suas turmas levou o cobiçado primeiro lugar da Feira de Ciências e Engenharia da USP, que a diretora pedagógica Ana Rita Arruda exibe com comovente entusiasmo. É um sentimento contagioso: depois de percorrer com ela e com seus colegas Fabíola Bazi e Gino Pieri esta ilhota de excelência e oportunidade num país onde tudo parece fora de esquadro, eu estava à beira das lágrimas.

A mesma emoção se repetiu à noite, de volta ao hotel, ao ler, no meu blog, o depoimento do Beto, ex-aluno da instituição, que conheço de outros carnavais e de outro blog, o seu Rabo de Arraia. O lado amargo da história é que, por mais que tenha me empolgado ao conhecer este pedacinho de Brasil que dá tão certo, simplesmente não me conformo ao pensar quantas escolas como esta extraordinária Fundação a corrupção e o descaso não roubam das nossas crianças.

Fala, Beto:

"Lembro ainda hoje da frase de minha prima, que morava em Marechal Hermes, no Rio, enquanto caminhávamos rumo à padaria pisando em folhas secas, e eu descrevia a Fundação Nokia de Ensino.

-- Ar-condicionado, TV e vídeo cassete em todas as salas? Ônibus próprio na ida e na volta para casa? Três refeições por dia e aula o dia inteiro, com laboratórios totalmente equipados? E tudo isso de graça?

As perguntas foram seguidas de uma risadinha de desdém, como se estivesse ao lado do primo mais mentiroso do mundo. A minha sensação era de mais estranhamento ainda. Acostumado com o padrão da escola, não entendia na época porque uma escola de Manaus, cidade tão à margem, causaria tal "inveja" em alguém do Rio, uma das capitais mais importantes do país. "Ela estuda em escola pública, deve ser por isso", pensei.

Mas a desconfiança quanto à qualidade da escola só acabou dois anos mais tarde, quando, ao ingressar na Universidade Federal, vi que metade da sala vinha da mesma escola que eu, da mesma Fundação Nokia.

A dedicação semi-integral tornava a experiência tão intensa e puxada, que não havia como um aluno formar-se lá e não ser aprovado de primeira nas melhores faculdades. Acordávamos todos os dias antes do amanhecer, às 5 da manhã, para pegar a rota que passava nos bairros, e saíamos às 5 da tarde.

Ninguém esquece as listas de exercício de Física de 100 questões, que valiam apenas 1 ponto na prova, e que, naquele tempo, escrevíamos em papel almaço (!) pra entregar.

O mesmo professor Gino Pieri, fotografado pela Cora e hoje compondo a Diretoria da FNE, me deu aula de Telefonia. Lembro que fui para o quarto bimestre precisando de dez para passar... e fui o único dez da sala! Ainda me recordo da coceira da grama do campo de futebol, onde deitei na hora do almoço para estudar, antes da prova.

Estes momentos não são lembranças aleatórias que trago à tona. Marcam. A moçada que cuida do futuro da nossa gente mexe com vidas. E, se depender da energia que recebem dos ex-alunos, estão no meio de uma aura de muita luz.

Não conheço viva alma que não sinta falta das partidas de tênis (sim tínhamos quadra de tênis!), desafios de xadrez ou vôlei após o almoço, das cumplicidades nos laboratórios, nesse universo que consumia em nossas adolescências mais tempo diário do que as próprias famílias.

Durante o discurso de Olli-Pekka na festa da Nokia, eu percebia e entendia, ao longe, os pulinhos contidos de felicidade da diretora pedagógica Ana Rita Arruda, quando ele mencionava o sucesso da FNE no exame do ENEM, ficando 20 pontos acima da média nacional.

Por trás daquela alegria não estavam apenas números ou estatísticas, estavam vidas que este grupo pedagógico alavancou e vem alavancando com profissionalismo, qualidade e dedicação diária.

Da escola sai anualmente um grupo de profissionais competentes, que preenchem hoje posições estratégicas na sociedade, e que devem, como mínima prova de gratidão, prestar homenagem a quem ainda acredita e dedica um tempo valioso da sua vida ao investimento mais rentável que se conhece: a educação."

(O Globo, Segundo Caderno, 8.3.2006)






E já vai viajar DE NOVO?!










A saudade mata a gente, gatinha...










Lar, doce lar!









7.3.07


Escala em Brasília










Pronto, o "trânsito" voltou ao normal...










O dilúvio começou!










Até a próxima!










Cenas amazônicas

  • O refeitório da fábrica da Nokia virou salão de eventos de ontem para hoje, como num passe de mágica. Tudo estava lindo e cuidado nos mínimos detalhes, como os arranjos de arte plumária com predominância de azul, a cor da empresa. Fiquei muito impressionada.

    Um detalhe, porém, me irritou durante toda a cerimônia: no palco havia bandeiras do Brasil, da Nokia, de Manaus e... dos Estados Unidos.

    Estados Unidos?!

    Como assim?!

    O que significava aquilo?!

    De pura birra, fiz todas as fotos cortando fora o lábaro ofensivo. Terminada a cerimônia, chamei um dos meus amigos da assessoria e perguntei o que raios estava fazendo lá aquela bandeira americana. Ele também levou um susto, foi conferir e voltou rindo: era a bandeira do Amazonas.

    Oops.

    Assim que voltar para casa vou para o quadro-negro desenhar esta bandeira cem vezes.

  • No fim da tarde fui tomar banho no Rio Negro. Me esbaldei na água morninha e escura, fotografei o pôr-do-sol com uma câmerazinha à prova d'água e, ao escurecer, voltei pela trilha, no mato, ouvindo a bicharada e tentando adivinhar a quem correspondiam as várias vozes. De repente pára na estradinha ao lado um jipe do hotel.

    -- Minha senhora, não fique andando por aí desse jeito que ainda agora uma cobra avançou numa hóspede.

    -- Não brinca! As cobras daqui avançam?! Como foi isso?!

    -- Pois avançou. E quando a moça correu, a cobra foi atrás.

    Eu estava louca por mais detalhes, mas antes que pudesse perguntar que tipo de cobra era aquele, e se por acaso não tinha patas e latia, o zeloso funcionário foi embora.

    Sou obediente. Saí do mato e fui pelo calçamento, matutando.

    Uma cobra que avança!

    Por que essas coisas nunca acontecem comigo?!





  • 6.3.07


    Quarto, doce quarto!










    De volta ao hotel










    Mais entrevistas










    Coletiva










    Olli-Pekka K., o CEO










    100 milhões de Nokias feitos no Brasil










    Hino Nacional










    A Nokia está toda enfeitada hoje










    Ao trabalho









    5.3.07


    Na fábrica era proibido fotografar!










    Alguns dos felizardos que estudam aqui










    O professor Gino Pieri










    Laboratório de hidráulica e mecânica










    Gente, isso é uma escola!










    Um trabalho dos alunos










    Fundação Nokia de Ensino










    No igarapé










    Um jacarezinho










    O celular funciona!










    Cora Jones










    É muita água!










    Não podia faltar...










    O barco










    O encontro das águas










    Rumo ao encontro das águas










    Ama com fé e orgulho...










    :-)










    Cheguei!









    4.3.07


    Viajar é uma longa espera...










    Escala em Brasília










    Lá vou eu... :-)










    Há sempre uma camisa do Fla na paisagem










    Mais festa!










    Um saco de gatos!









    3.3.07


    A tatoo da Van










    Teco










    Xandy










    Memel










    Suzy










    Festa!










    Pipoca










    Não é lindo?










    Um lugar maravilhoso!










    Xexéo









    2.3.07


    Zu










    Solar Botafogo










    Solar Botafogo










    Solar Botafogo










    Solar Botafogo










    Solar Botafogo










    Solar Botafogo










    Foto Bia: Zeca e Chiquinha



    (Para a Ana Clara)






    Emergência felina tristíssima

    "Estou procurando quem queira adotar a gatinha do Jerome, um dos franceses assassinados em Copacabana. Minha namorada mora no mesmo andar e descobriu a gatinha abandonada depois do assassinato. Não pode ficar com ela pois já tem dois animais em casa, mas diz que é muito doce e carinhosa. Também não posso ficar devido a alergia a pelo de gato de um dos meus filhos. Quem se habilitar me telefone: 9321.5290.

    Muito obrigado,

    Ronaldo Frank"






    Mosca










    Netcat










    Tutu e Keaton









    1.3.07

    Carta-bomba

    A Receita informa: tenho 48 horas
    para pagar R$ 11.448,22



    Eu estava trabalhando tranqüilamente no escritório, cercada pelos gatos, quando chegou a correspondência do dia. Um livro, duas contas, um convite para uma liquidação irresistível, uma cantada de cartão de crédito -- e uma carta-bomba, que explodiu metaforicamente nas minhas mãos, matou a tarde e acabou com o meu bom humor, levando de quebra vários planos e projetos.

    A maioria das cartas-bomba brasileiras vêm, hoje, com o selo do governo: não há cidadão que receba correspondência oficial sem sentir frio na barriga e pressentimento ruim. O governo nunca convida para um cafezinho, nunca chama para um programa bacana. Comigo não foi diferente. O envelope, que nem o era, trazia não um remetente, mas um elenco de filme de horror:

    Ministério da Fazenda
    Procuradoria-geral da Fazenda Nacional
    Aviso de cobrança -- urgente
    Dívida ativa da União
    Cobrança judicial

    Diante de tudo isso, o que faz um cidadão temente a Deus e ao fisco?! Chama o cardiologista? Auto-medica-se e toma Valium? Detona aquela garrafa de vodka guardada para uma ocasião festiva? Telefona para a mãe?

    Não tenho cardiologista, não bebo, não tenho Valium em casa. Liguei para a Mamãe mas ela estava na piscina, treinando -- ter mãe atleta tem dessas coisas. Respirei fundo e abri a carta. A Receita Federal me dava 48 horas para pagar R$ 11.448,22. E acrescentava, numa letra minúscula que só consegui ler de puro pavor: "Caso (o débito) não seja pago ou parcelado será ajuizada a competente ação de execução fiscal, o que resultará na penhora de bens e conseqüente alienação em leilão".

    Pergunto: quem tem quase 12 mil reais só assim, sobrando, para pagar à Receita? Digo, quem cidadão de bem, não-sanguessuga ou mensaleiro?! Já nem vou entrar pela questão político-filosófica que vem embutida numa cacetada dessas -- por quê tenho que pagar tudo isso, além do que já pago todos os meses?! Por quê tenho que trabalhar a metade do ano para sustentar maracutaias, valeriodutos e corruptos de maior ou menor porte?! Independentemente disso tudo, que não é pouco: de onde se tiram 12 mil reais de um dia para o outro, quando não se tem poupança, investimentos, carro ou amigos generosos como, digamos, um Paulo Okamoto?!

    De onde vinha o raio que me caiu sobre a cabeça?! Sou pessoa física, assalariada. Eventualmente, recebo direitos autorais por livros ou artigos publicados aqui e ali. Pois deu-se que, no remoto ano de 2002, recebi uns caraminguás de uma editora que declarou-os à Receita, mas não me mandou o comprovante no fim do ano. E eu, que não me lembrava sequer do trabalho, não me lembrei também dos ditos caraminguás e, muito menos, de correr atrás do comprovante. Como correr atrás de algo de que a gente não se lembra?

    A verdade é que o descuido do contribuinte é a alegria da receita. Não há investimento no mundo, nem mesmo ações do Google, que rendam tanto quanto um erro numa declaração de imposto de renda no Brasil.

    Eu disse que não ia entrar pela questão político-filosófica embutida no caso, mas não resisto. O que pagamos de imposto neste país já virou doença social: tenho amigos perfeitamente qualificados que optaram por não trabalhar porque, tendo um certo pecúlio, preferem sair quites no fim do ano em vez de se aborrecer com impostos. São pessoas que vivem literalmente de renda, ao contrário das que vivem de salário; não produzem nada, mas são favorecidas pela legislação.

    Eu mesma começo a pensar seriamente se vale a pena fazer qualquer coisa além do meu trabalho no jornal. Com uma fonte de renda única, o governo pode me extorquir à vontade, mas não pode me assaltar pelo correio, de um momento para outro, por qualquer dá-cá-aquela-palha. A verdade é que meu trabalho extra é tão descontado, mas tão descontado, que o pouco que me sobra simplesmente não compensa o tempo perdido.

    Assim como sistematicamente empurra a sociedade para o contrabando, com suas taxas de importação impraticáveis, o governo há tempos empurra os cidadãos para a improdutividade, no melhor dos casos, ou para a sonegação, no mais comum. Falamos constantemente na necessidade de um choque de ética e de moralidade na sociedade como um todo, mas para que isso aconteça é necessário, antes de mais nada, dar à sociedade um mínimo de condições para o exercício da ética. Não se pode pedir a ninguém que trabalhe cinco meses por ano para o governo, de bom grado, sabendo que seu suado dinheirinho não vai financiar escolas, hospitais, estradas ou melhores condições de segurança, mas sim sumir no próximo escândalo financeiro.

    Incapaz de me concentrar no trabalho depois de receber a carta-bomba, resolvi dar uma volta de bicicleta para espairecer. Na altura do Piraquê, parei para fotografar essa garça. Um leitor passou por mim, levando o filhinho pela mão. Acenou, alegre:

    -— Ahá! Já vi sobre o que vai ser a coluna dessa semana!

    (O Globo, Segundo Caderno, 1.03.2007)