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31.3.07 30.3.07 O que mais falta acontecer?!Vocês conhecem a piada da mãe judia, né? Aquela em que ela dá uma gravata verde e uma azul pro filho e, no dia seguinte, quando ele aparece usando a azul, diz:-- Eu sabia que você não tinha gostado da verde! Oy vey! Foi-se o tempo das piadinhas de gravata inocentes... Nós estávamos no meio do jantar quando o Chico deu a notícia, que ouvira no rádio a caminho do restaurante. Ficamos todos estarrecidos: como é que um homem como o rabino Sobel sai por aí roubando gravatas?! Não faz o menor sentido. A história é uma tragédia pessoal de proporções inimagináveis, provavelmente mais caso de hospício do que de polícia; mas o pior é que, por mais triste que seja ver um homem tão respeitado virar material de anedota, a situação é um prato feito para todo tipo de gozação. O mundo anda mesmo muito esquisito. Update: Algumas pessoas acham que quanto menos se falar nesse assunto, melhor -- seria uma forma de respeitar o rabino. A meu ver, é justamente a respeito de casos assim, que desafiam a lógica e a compreensão, que todos sentem necessidade de falar. Aí estão os mais de cem comentários que não me deixam mentir. Nada é mais perturbador para bípedes que vivem em sociedade do que algo que foge dos limites do compreensível. Todos temos uma opinião e todos buscamos a opinião dos outros, para ver se algo faz sentido; todos gostaríamos de uma explicação clara, simples e de fácil assimilação. Há gente que acha que todo o bem que uma pessoa faz ao longo da vida vai por água abaixo com um único mau passo, mas também não é bem assim. Não é o caráter do rabino que está em questão quando tentamos entender o que aconteceu; é a nossa capacidade de compreensão e a nossa necessidade de respostas. Ao mesmo tempo, há, sim, um elemento de ridículo em todo o episódio, ampliado pela figura quase caricata de Sobel, e negá-lo é hipocrisia. Falar sobre o que aconteceu até que passe -- já já um novo escândalo empurra o assunto para escanteio -- é apenas humano. Por isso ele está nas primeiras páginas dos jornais, na televisão, nas mesas dos botequins, nas comunidades do Orkut e aqui mesmo. O presente não anula o passado, obviamente -- mas tampouco o passado redime o presente. 29.3.07 ![]() O enterro de Chico MendesNão reparem não, mas ali à direita, fora de quadro, vai a cronista, com ar compungidoEram 9h30, horário em que, ainda que esteja de pé, nunca estou inteiramente acordada; parada diante do armário, olhava desconsolada para as minhas roupas, procurando algo apropriado para ir a um enterro. Na vida real, qualquer roupa escura resolveria este tipo de emergência; mas, de acordo com as imagens da época, a única pessoa de preto havia sido a antropóloga Mary Allegretti. Eu precisava de uma roupa neutra, simples, sem nenhum sinal evidente do século XXI, para ir ao enterro de Chico Mendes em Xapuri, em dezembro de 1988. Karl Marx dizia que a História se repete como farsa. Ele não conhecia o Brasil, onde a História já acontece como farsa -- mas, eventualmente, se repete como minissérie. Assim, com os óculos mais antigos que encontrei em casa, uma blusinha de bater, uma calça velha e desbotada e minhas fiéis Birkenstocks, que há décadas mantém o mesmo design, tomei o rumo do Projac onde, em algum canto, haveria uma irmã cenográfica da floresta que visitei ainda outro dia, e na qual, pela primeira vez, faria figuração em televisão. Descobrir o Acre foi, como já escrevi aqui, uma experiência muito marcante. Fiquei apaixonada pelo estado, gostei demais dos acreanos e, nem preciso dizer, adoro a intrépida trupe que tão bem está contando a sua história. Ter a chance de aparecer numa minissérie com a qual fiquei tão envolvida emocionalmente foi um convite inesperado e simpático que, ainda por cima, me deu de presente umas dúvidas que nunca tinha tido antes, algumas com resposta e tudo. * * *Cheguei ao Projac junto com Zuenir e Mary Ventura e Elson Martins, meus colegas de estrelato. Para mim, que nunca havia estado lá, tudo era novidade, a começar pelo tamanho da coisa: o Projac é imenso. O refeitório, onde se misturam caras familiares de diversos programas e novelas, me lembrou aquelas cenas em que damas e cavalheiros medievais disputam o ketchup do cachorro-quente com astronautas, índios e caubóis nas cantinas de Hollywood. Mas foi em vão que fiquei esperando alguém aparecer com um modelinho mais bizarro. Devo estar vendo filmes demais.Na caracterização passamos pelo crivo das figurinistas. O relógio do Zu foi substituído por um mais antigo. Depois deram um ar mais anos 80 aos cabelos da Mary e aos meus, que atravessamos aquela década espaventosa, sobrevivemos e achávamos que nunca mais levaríamos tais sustos diante do espelho. Antes de nos levarem para Xapuri, assistimos às últimas imagens de Chico Mendes em vida, numa missa na floresta, e, em seguida, a um video do seu enterro. Zu, que foi testemunha da História, ficou visivelmente abalado; até eu, que só acompanhei a saga de ler, fiquei emocionada. Quando chegamos ao Acre do Projac, porém, topei com uma daquelas dúvidas inéditas de que falei antes: com que cara se segue um enterro falso? Ainda por cima, o enterro falso de um personagem real? Com uma cara bem compungida, ora essa. Mas isso não é um baita fingimento? Claro que é, Cora Rónai, mas o que seria das artes cênicas sem esse fingimento?! De modo que fiz a cara mais séria que pude e segui o caixão com passos contritos, me sentindo absolutamente canastra. No caixão, aliás, ia a resposta a outra dúvida: como dar um peso convincente a um caixão vazio? No caso, foram usadas duas pequenas barras de concreto. À volta do cortejo, jornalistas filmavam, gravavam e fotografavam. Mas eles eram coleguinhas cênicos, que usavam roupas e equipamento de época. Achei um paradoxo curioso o fato de nós, jornalistas, estarmos lá como atores, enquanto atores faziam jornalistas; tive vontade de orientar um ângulo de câmera que obviamente não flagraria coisa nenhuma e, quando um deles passou voado com a filmadora, fiquei imaginando que espécie de take maluco aquela pressa toda não produziria na vida real. Vício profissional. Imagina só quantas coisas eles não corrigiriam em mim!!! A cena foi repetida algumas vezes, ora com o conjunto completo de atores e figurantes, ora com os atores, ora com os figurantes. Quanto mais cínica (e encabulada) eu ficava, mais os atores entravam no clima. Eles realmente conseguem viver o que representam, fato que para mim sempre foi assombroso, mas que, de agora em diante, passo a classificar na categoria dos milagres. * * *Não sei se é conjunção astral, mas ando encontrando o Acre por toda a parte! Essa semana mesmo descobri o CD de estréia de Chico Chagas, acreano talentosíssimo que mostra que há muito mais coisas na vida de um bom acordeão do que música folclórica. Em "E por falar em acordeão" (Rob Digital), ele passeia pelo jazz, pelo rock, pelo chorinho, pelo tango... O repertório, delicioso, vai de “Day tripper” (!) e "Por una cabeza" ao lindo "Chorando baixinho" e a "Rio Branco", do próprio Chico. Vale!(O Globo, Segundo Caderno, 29.3.2007) Enquanto isso, na Finlândia...Este é o Coro de Queixas de Helsinki. Várias cidades européias têm "coros de queixas", que se apresentam nos lugares mais inesperados -- às vezes, até em teatros! Só fico imaginando o que seria um Coro de Queixas Carioca. Em tempo: as legendas estão em inglês. GentinhaA seção de Cartas dos Leitores do Globo ferve de indignação contra dona Matilde Ribeiro, aquela senhora racista cujo salário e mordomias seremos agora obrigados a pagar, posto que O Iluminado houve por bem designá-la ministra.A do leitor Fernando Barros resume muito bem o perigo a que uma cabeça imbecil pode conduzir um país: "A ministra de Promoção da Igualdade Racial não considera racismo um negro não gostar de um branco "porque foi açoitado a vida inteira". Eu já fui assaltado três vezes, todas por negros. Pela ótica da ministra, tenho razão em ser racista e não gostar de negros". Enquanto isso, uma massa de estudantes como não se vê há muito faz passeata e promove quebra-quebra no centro da cidade para continuar a andar de ônibus de graça. Não sou contra o passe livre, mas onde se escondem esses caras na hora de protestar contra a roubalheira e o desgoverno?! Que cidadãos são esses que só se mobilizam para garantir os seus privilégios?! O pior é que nem dá mais para dizer que a saída é o aeroporto... 28.3.07 27.3.07 Beijo EnvenenadoRecebi ainda agora da Maria Camargo, filha da minha amiga Aspásia:"Sou roteirista e no momento escrevo um filme sobre Nise da Silveira, grande admiradora dos animais e de sua infinita capacidade de amar e perdoar. Acreditava tanto nisso que levou gatos e cães para as dependências do hospital psiquiátrico em que trabalhava, no Engenho de Dentro, nos anos 50. Ela tinha razão, pois muitos pacientes, ou "clientes", como preferia chamar, tiveram evidente melhora com a presença dos animais e de seu afeto incondicional. Mas, por mais estranho que seja, o afeto incomoda. ![]() Aventuras no ProjacA Giovana Manfredi, pesquisadora da minissérie e uma das responsáveis por atualizar o blog de Amazônia, postou algumas fotos feitas ontem no Projac.Nokia 93: paixão totalO N93, uma das jóias da poderosa série N da Nokia, não é um celular para qualquer um. Nem falo do ponto de vista financeiro, que faria desta afirmação uma completa platitude, mas sim do ponto de vista do usuário: é grande, é estranho no seu jeito origami de ser e, sobretudo, tem uma íngreme curva de aprendizado, especialmente para quem não tem familiaridade com filmadoras. Pois isso é o que ele é: um celular com alma de filmadora, assim como o Sony-Ericsson K790 é um celular com alma de câmera digital -- a tal ponto que atende pelo nome de Cyber-shot.Nunca fui de fazer imagens em movimento; nunca tive filmadora e raríssimas vezes uso o modo de filmar das minhas câmeras. Conseqüentemente, estranhei um pouco o N93 quando fomos apresentados um ao outro. Eu já conhecia o conceito desde 2005, quando o N90 chegou ao mercado; mas, se nunca tive vontade de substituir meu celular do momento pelo N90, o mesmo não posso dizer deste seu irmão mais novo, mais leve, mais inteligente. Estamos juntos há cerca de duas semanas e, durante este tempo, em nenhum momento tive saudades de qualquer outro aparelho. Não que eu seja tão ingrata e infiel, e me esqueça dos meus queridos pelo primeiro bonitão que aparece; é que o N93 é um aparelho absolutamente fascinante, não só como ferramenta de comunicação, mas como feito tecnológico. Autêntico computador de bolso, tudo nele é bem pensado e extremamente bem desenvolvido; fico tonta só de pensar nos obstáculos que tiveram de ser superados para dar ao flip da tela toda a sua mobilidade. Uma das características mais interessantes dessa maquininha maravilhosa, presente em outros aparelhos Symbian da mesma geração, é o uso de comandos de voz avançados -- aqueles que a gente não precisa gravar antes, já que criam automaticamente "marcas vocais" para contatos e comandos, reproduzindo os sons dos fonemas. Na dúvida sobre a pronúncia que o celular "entende", basta tocar a marca vocal. Outro bom uso para elas é configurar o telefone para que, além de tocar, fale o nome de quem está chamando. Ele tem um sotaque mecânico de estrangeiro educado que lhe cai muito bem... A lente por trás da câmera do N93 é uma Vario-Tessar da Zeiss de 3.2Mp, com zoom óptico de 3x, praticamente um milagre num celular. Ele tem estabilizador, trata imagens muito bem, tem um ótimo software para edição de fotos e vídeos e pode ser conectado a uma televisão para exibição de slides ou filminhos. Detalhe: o tamanho dos filmes é limitado apenas pelo espaço que se tem no cartão, mas como já vem com um mini SD de 512Mb, é possível fazer quase um épico em termos de You Tube. Seria preciso um espaço maior do que o que tenho para fazer a lista completa da sua infinidade de recursos e das suas muitas qualidades. Assim, aponto o que é, até agora, o único defeito que encontrei -- uma certa falta de conforto para falar, causada pelo cilindro que abriga a câmera. Pode-se argumentar que, em se tratando de um telefone, este é um defeito grave; no entanto, definir o N93 apenas como telefone é subestimá-lo demais. Além disso, pelo próprio tamanho, ele é o típico celular que clama pelo uso de um headset Bluetooth, alternativa meio nerd, mas tão confortável, que é difícil voltar atrás depois de se acostumar a ela. Este é, então, o celular que eu recomendo a quem quer um excelente aparelho com uma câmera fantástica? Não, não é. Ele é o celular que eu recomendo a quem quer um excelente aparelho com a melhor filmadora do mercado. Se você não tem interesse em filmar com o celular, opte por um Nokia N80 ou um SE K790. Mas se está curioso em trilhar novos caminhos, nesse momento não há nada sequer remotamente parecido ao N93 na praça. Para ver alguns dos filminhos que fiz com ele, vá a imagens.notlong.com. (O Globo, Info etc., 26.3.2006) 26.3.07 25.3.07 24.3.07 Tá na ruaO Nokia N95 começou, finalmente, a ser distribuído.Só não digo que é o celular dos meus sonhos porque seria subestimá-lo; ele é o computador dos meus sonhos... 23.3.07 Dá o que pensar...Entre os tantos comentários sobre a coluna de ontem, um me chamou particularmente a atenção. Foi o do Luiz Fernando Raposo, que toca direto na ferida, e traz à tona uma questão que me perturba há tempos: o que diabos acontece com a classe média?!"Pena que a chamada intelligentzia brasileira não reflita sobre nossas mazelas com a mente livre das armaduras ideológicas que distorcem a realidade e alimentam a compreensão equivocada de nossos problemas. 22.3.07 Extra! Extra!Chegou nesse instante pelo email, via celular: a Chiquinha, da Bia, acaba de descobrir o puxa-saco! ![]() Mas era só o que faltava:Ainda bem que nem tudo está perdido; a música | |||||||