28.2.02



Isso aqui é muito legal...!


R.I.P.

Um excelente blog, o Evasão de Privacidade, sai do ar: acho uma pena.
Suas últimas palavras:

VLADIMIR: Isso fez o tempo passar.
ESTRAGÓN: Teria passado sem isso.
VLADIMIR: Sim, mas não tão rapidamente.

(Beckett, 'Esperando Godot'.)


Para inglês ver, e mais...

Tá lá no blog do meu amigo Rodrigo Belchior:

No dia 4 de março, às 17:30, o Villa-Lobinhos estará se apresentando na sede do Criança Esperança no Cantagalo e contamos com a presença de sua alteza o príncipe Charles, herdeiro do trono inglês. Às 20:00 desse mesmo dia, estaremos no Palace Hotel encerrando o discurso do príncipe. No dia seguinte, 5 de março, às 17:00, estaremos realizando no museu Villa-Lobos um concerto pelo aniversário do grande mestre da música, Heitor Villa-Lobos. Entrada franca, apareça para conferir.

O no., que tem acompanhado a trajetória do Villa-Lobinhos, já publicou duas ótimas matérias sobre o projeto. Quem quiser maiores informações e, sobretudo, quem quiser ajudar, pode mandar um e-mail pro Rodrigo, ou mesmo bater um fio pra lá: (21) 2540-5890.


Ainda sobre pirataria


(Qual é qual? O da esquerda é coreano, e custou US$ 12; o da direita, americano, custou quase três vezes mais. Os dois são legítimos produtos da Columbia Tristar Pictures, sem falsificações.)

A Flavia fez uma pergunta interessante num dos comentários do post logo abaixo do gatinho dorminhoco:

"Tire uma duvida minha, por favor, pertinente a essa "divisão do mundo em regiões". Se eu mandar vir o DVD brasileiro do "Auto da Compadecida" pros EUA, não conseguirei assistir no meu equipamento americano?"

A menos que o disco tenha sido feito para todas as regiões (informação que consta num quadrinho pequeno, em geral num dos cantos inferiores da caixa, onde se lê ALL), não vai não, Flavia -- assim como se você mandar vir da Inglaterra a coleção completa do Black Adder também não vai poder ver.

Para dar uma idéia do absurdo que é isso, imagine comprar um CD no Brasil e não poder ouví-lo no Japão, ou ganhar um livro de um amigo australiano mas não poder lê-lo na França. Ou, ainda, imagine-se toda contente, voltando das férias e trazendo consigo vários preciosos DVDs europeus que jamais encontraria aqui, todos legitimamente comprados com o seu rico dinheirinho, em pontos de venda perfeitamente legais -- mas impossibilitada de assistí-los porque o sr. Jack Valenti e seus cupinchas de Hollywood acham isso muito perigoso para os seus (deles) negócios...

Esta divisão, inteiramente arbitrária -- e, em alguns países, já considerada ilegal -- foi instituída pela MPAA sob a alegação de que os filmes não estréiam ao mesmo tempo no mundo inteiro, e que freqüentemente são lançados nos EUA em DVD antes de chegar aos cinemas em outros países. Isso nunca chegou a ser problema com as fitas de video, já que os sistemas de TV da Europa, do Japão e dos Estados Unidos, seus principais mercados, são incompatíveis. Mas com o DVD a coisa muda de figura.

De modo que, para -- em tese! -- garantir público para a exibição dos filmes nas salas, Hollywood adicionou um sistema de identificação regional à criptografia dos DVDs (o infame CSS), exigindo dos fabricantes de players que pusessem, nas máquinas, mecanismos de leitura que assegurassem que apenas DVDs "autorizados" funcionariam nelas.

Toda essa história de lançamentos diferenciados até poderia ser verdade -- se não fosse tão obviamente mentira. O que está por trás da divisão em regiões não é a preservação do público das salas de cinema, mas, como de hábito, a pura e simples ganância dos produtores, que querem continuar tendo o privilégio de arrancar o máximo possível do couro dos usuários, evitando que comprem DVDs onde os encontrem a bom preço. E, de quebra, determinando o que eles podem (ou não) assistir. Em suma: controle absoluto da distribuição.

Por exemplo: acabo de dar uma busca em O Sétimo Selo, de Bergman, que custa US$ 35,99 na Amazon.com: no Brasil, ele custa o equivalente a US$ 16,92 (R$ 39,90 nas Lojas Americanas); na Inglaterra, o equivalente a US$ 26,38 (£ 18.59 na Blackstar); e, na França, o equivalente a US$ 24,79 (€ 28,66, na Fnac). Com exceção da edição da Fnac (que vem, inclusive, com um segundo filme, a respeito do qual não há informações no site, e que chama-se Ville Portuaire -- será o Port of Call? socorro, Sérgio Augusto!), as outras são iguais.

Outro exemplo? Cheque esta estranhíssima equação da Amazon, que cobra US$ 18,74 pelo Matrix nos EUA e £18.99 na Inglaterra, numa conversão monetária no mínimo peculiar.

Quando estive em Seul, no ano passado, comprei a versão do diretor de Lawrence da Arábia. Um DVD perfeitamente legal, com todos os selos da Columbia, folheto e tudo o mais, só para comparar com a edição americana, que eu já tinha em casa. Ela custou cerca de US$ 12, contra os US$ 33,49 da Amazon.com. Com exceção das caixas, diferentes, os discos são rigorosamente iguais, até no selo; os dois (melhor dizendo, os quatro: são dois por caixa) têm os mesmos extras, e até legendas nas mesmíssimas línguas, entre elas português do Brasil. Se eu puser no ar, não há como dizer qual é uma e qual é a outra. Mas enquanto a edição americana só roda na região 1, a coreana só funciona na região 3.

É perverso isso, ou o quê?!

Felizmente, nem tudo está perdido para nós, usuários: ambas funcionam muito bem, obrigado, no meu player, que é code free e, portanto, lê DVDs de qualquer parte do planeta, assim como o drive de DVD do meu computador. A meu ver, aliás, esta é a principal característica que se deve buscar tanto nos players quanto nos drives: liberdade. O resto é firula.

Na OpenDVD.org há uma boa coleção de textos sobre esta aberração cultural/comercial. A partir de lá, chega-se a listas de equipamentos decentes, que aceitam discos de qualquer procedência. E assim como, antigamente, se fazia a transcodificação dos aparelhos de video-cassete, é possível, em alguns casos, dar um jeitinho em players e drives defeituosos.



PS: Os estúdios nunca foram mesmo de confiança. Acabo de encontrar uma carta maravilhosa que Groucho Marx escreveu para a Warner Brothers, quando esta quis proibí-lo de filmar Uma noite em Casablanca, aparentemente receosa de que os espectadores confundissem a Ingrid Bergman com o Harpo.

27.2.02





Ganhei da Ju... :-)


E os piratas somos nós...

Certas pessoas não aprendem nunca! Depois de ir a todos os tribunais disponíveis à época contra o lançamento do video-cassete, com a desculpa de que Hollywood iria à falência a partir do momento em que os espectadores pudessem fazer cópias domésticas do que se mostrava na televisão, Jack Valenti anda agora às voltas com os formatos digitais.

O presidente da MPAA (Motion Pictures Industry Association of America) -- hoje, junto com a RIAA, uma das maiores ameças à liberdade de expressão no planeta -- acaba de enviar uma carta ao Washington Post propondo, assim como quem não quer nada, que fabricantes de computadores e de players de DVD instalem, em suas (quer dizer, nas nossas!) máquinas, sistemas de segurança que verifiquem a "legitimidade" dos filmes exibidos.

Sim, claro: depois dos mecanismos escusos com que o XP está entregando toda a nossa vida digital à M$, e da indecentíssima divisão do mundo em "regiões" para os DVDs, obtida pela MPAA, só nos faltava mesmo isso...

O problema, choraminga Jack Valenti, é que pouquíssimos filmes de Hollywood se pagam na exibição em salas de cinema; os produtores só conseguem correr atrás do grande preju graças às vendas e o aluguel das fitas cassete (sim, aquelas que o mesmo senhor Valenti não teria sequer deixado chegar ao mercado há 30 anos) e dos DVDs (que ele agora quer botar debaixo de tranca e cadeado). Se os usuários conseguirem fazer cópias dos filmes, de que sobreviverão os pobres trabalhadores de Hollywood?

Quem chama a atenção para esta carta safada é Thomas Greene, escrevendo de Washington para o The Register. Ele aproveita para mandar um recado para a turma do senhor Valenti: que tal resolver a grave questão da receita em queda fazendo uma coisa realmente diferente, como... bons filmes? Todo mundo iria assistir, e pronto, o problema estaria resolvido.

Eu acho uma ótima proposta! Pensem só em quantos filmes como "O Gosto dos Outros" ou "Pão e Tulipas" (para citar apenas duas maravilhosas produções européias) uma bomba como aquele indizível "Pearl Harbor" não teria financiado?! Quantos bons filmes não se teriam feito apenas com a verba de marketing de "Inteligência Artificial"? Ou de "Harry Potter"?

25.2.02



Teste-se!

Encontrei na Jululi este estranho teste. Siga as instruções e responda às perguntas, uma de cada vez, MENTALMENTE e tão rápido quanto possível, mas não siga adiante até ter respondido a anterior.
Vamos lá, uma de cada vez:

Quanto é:





15+6






89+2






12+53






75+26






25+52






63+32






sim, cálculos matemáticos são difíceis, mas agora vem o verdadeiro teste; seja persistente e siga adiante:






123+5






RÁPIDO! PENSE NUMA FERRAMENTA E NUMA COR!







e siga adiante...






mais um pouco...






um pouco mais...

















Você pensou num martelo vermelho, não foi??? Se não pensou, você faz parte dos 2% da população suficientemente diferentes pra pensar em outra coisa (mas eu não sei dizer se isso é bom ou ruim; vai ver o Kimble aí embaixo pensa em alicate cor-de-rosa). 98% das pessoas respondem martelo vermelho quando fazem este exercício: comigo não deu outra. (Mas esta estatística não é confiável, conforme a gente pode constatar facilmente lendo os comentários.) Se você souber a explicação pra isso, por favor, deixe um comentário me esclarecendo o por quê deste intrigante mistério; se você não souber, tudo bem, mas deixe um comentário também pra gente ver se é isso mesmo, OK? Que coisa esqusita...!




Circo Internacional de Haia

Está se fazendo, mundo afora, uma grande onda em torno do julgamento de Slobodan Milosevic, ex-presidente da Iugoslávia, pelo Tribunal Internacional de Haia. Milosevic é, nem se discute, um carniceiro, um assassino sem perdão, um genocida cujas ações não podem, nem devem, ficar impunes; mas este "tribunal" só vai ser digno do meu respeito no dia em que puser George W. Bush no banco dos réus. Até lá, não passa de uma encenação grotesca, de uma euro-palhaçada para dar à massa mundial de telespectadores a falsa idéia de que há justiça no planeta.


Blog. Blog. Blog.

No segundo desses blogs, o do Haroldinho, há, inclusive, uma coisa muito gozada, que em tese eu teria sabido através dele mesmo por um e-mail gracinha que ele mandou e eu, aparentemente mal-educada, ainda não respondi (desculpa, eu sei, mereço 22 chibatadas!!! mas... como é que você foi me mandar este e-mail logo pra minha mailbox do Globo?! só encontrei a msg na sexta passada!!!) e soube, de fato, pelo Luiz Patriota, num comentário feito aqui há uns dias, em que ele (o Luiz) escrevia:

"Então quer dizer que o Concatenum informa que o Haroldinho encontrou o seu nome numa revista de palavras cruzadas do Coquetel e disse que isso quer dizer sucesso? Parabéns!!!"

Bom, que achei isso muito legal achei sim; mas sucesso, sucesso mesmo, pra valer... ah, isso só quando a gente vira prato de comida, tipo Filé Oswaldo Aranha ou Sopa Leão Veloso.


24.2.02



Que viagem...!




Leitores mais antigos deste blog, como Jean Boëchat, talvez ainda se lembrem do Kimble, um picareta alemão esquisitíssimo que, logo depois dos atentados de 11 de setembro, propôs a criação de uma "associação de hackers inteligentes contra o terrorismo". Bom. Parece que o site do cara, cujo hobby é viajar pelo mundo gastando o máximo de dinheiro possível (coisa que, reconheço, ele faz com razoável sucesso) virou, na época, alvo de 12 entre dez hackers, e passou uma boa temprada de molho, fechadinho da silva.

Tenho a impressão que, ultimamente, o Kimble decidiu segurar a mão nas Mercedes e nos iates, gastando um pouco mais com firewalls e sistemas de segurança, porque o site está de novo no ar. Vale a visita. O cara tem um ego maior do que ele mesmo (e olha que ele é grande -- e nojeeeeeento!!!), é louco de pedra, mas não só sabe escolher bons lugares, boas casas e boas máquinas como, ainda por cima, anda com gente que fotografa muito bem.

Para quem tem estômago, é uma viagem. Aliás, várias.

Adendo, algumas horas depois: Geeeeeeente, o cara é um personagem ainda melhor do que eu imaginava! Sabem onde ele está neste momento? NA CADEIA! É uma história e tanto, vejam:

O alemão Kim "Kimble" Schmitz pode ser acusado de tudo, menos de não ter senso de autopromoção. Preso na última sexta-feira, na Tailândia, sob a acusação de fraude financeira, o seu site anunciava para esta segunda-feira, dia 21, sua "morte", supostamente por suicídio. Mesmo com Schmitz na cadeia, seus colaboradores deram continuidade ao "projeto", na verdade, um golpe publicitário.

Este é o começo da reportagem publicada há um mês, na Informática do Terra, para a qual o Daniel me chamou a atenção, num dos comentários aqui embaixo. Pena que nenhum dos fotógrafos está no xilindró com ele, para registrar novos e empolgantes momentos inesquecíveis...





O Ministério da Saúde adverte

Se você está sem tempo, nem pense em clicar nesta página! É o jogo do fusquinha, da HP. Meudeusdocéu, que coisa simplesmente viciante...!!! Eu aqui com mil e-mails pra pôr em dia, com frila pra escrever, livros e revistas pra ler, gatos pra cuidar e curtir, gastando HORAS guiando um fusquinha idiota por cima de uma mesa...!!! HELP!!!

23.2.02



Morrer ainda vá lá...

Achei no Pensagens:

Dois homens condenados à cadeira elétrica no mesmo dia foram levados à sala de execução. O padre lhes deu a extrema unção, o carcereiro fez o discurso formal e uma prece final foi rezada pelos presentes. O carrasco, voltando-se para o primeiro homem, perguntou:

-- Você tem um último pedido?

-- Sim, eu tenho. Como eu adoro pagode, gostaria de ouvir Os Travessos, SPC , É o Tchan e Molejo pela última vez!

-- Concedido -- disse o carrasco, que virou-se para o segundo condenado e perguntou:

-- E quanto a você, qual é o seu último pedido?

-- Por favor, posso morrer primeiro?



Casa dos Presidenciáveis

A Vania, que não deixou nem e-mail nem URL, pôs este texto nos comentários a respeito da idéia do voto contra do Millôr. Achei muito engraçado! Se alguém conhecer o autor, avise, para que a gente dê o devido crédito:

"Em vez de termos horário eleitoral gratuito este ano, alguém podia inventar a 'Casa dos Presidenciáveis'. Todos os candidatos juntos em uma casa, com transmissão 24 horas por dia nos canais da TV paga e com os melhores momentos passando todos os dias, em programas de 45 min.

As pessoas iriam votando pela internet ou por telefone (bastava discar um número e dizer o seu título de eleitor) e, no final, o candidato que restasse 'ganharia' a presidência do Brasil. Assim conheceríamos os candidatos como realmente são -- ninguém conseguiria ficar dois meses inteiros 'fingindo'. E poderiam existir tarefas como culitivar uma horta, dividir as tarefas de limpeza da casa, distribuir os quartos entre as pessoas, etc. Algo que testasse na prática e em escala menor como eles resolveriam problemas que atravancam o País.

Também seria bom para sentirem na pele o que o povo sente. A 'Casa' estaria dentro do programa de racionamento de energia e sofreria apagões programados. Faltaria água (também de forma controlada). Eles teriam direito a uma cesta básica por mês cada um. E assim por diante.

As TVs ganhariam vendendo cotas de patrocínio e merchandising na 'Casa'. A população, pela sua curiosidade mórbida e por não ter nada melhor (ou pior) para ver ia acabar assistindo. O programa podia ser apresentado pelo Sílvio Santos. Isso se ele não quisesse concorrer à presidência. Nesse caso, o Ratinho podia ser o âncora. E o melhor é que, se um deles topasse ir, os outros acabariam indo.

Por isso eu lanço aqui a minha campanha: eleição 2002 é na 'Casa dos Presidenciáveis' !!! "


Imperdível!

Marcos Sá Corrêa dá um show de bola e de mosquito no no. de hoje. Muito bom! Um trechinho:

"As bromélias sempre andaram soltas pelo Rio de Janeiro sem que a cidade desconfiasse de suas intenções. Oblíquas e dissimuladas, as tais plantas estavam quietas desde que o sanitarista Oswaldo Cruz acabou com as epidemias do mosquito. Esperaram cem anos para armar um novo bote contra a saúde pública".

Bom -- aí, já que vocês vão mesmo lá pro no., não deixem de conferir o dramático depoimento da Ana Lagoa, que conta como quase morreu de dengue. Em 1984...


Planeta Blog BR: a grande família

Não sei qual é a dinâmica dos blogs no resto do mundo mas, no Brasil, o Planeta Blog é engraçado, inteligente, implicante, confessional, solidário e, essencialmente, comunitário. Estou chegando à conclusão de que, entre nós, mais do que uma simples vizinhança, rola algo parecido com uma grande família, em que há sempre alguém brigando, alguém se apaixonando, alguém pondo panos quentes, alguém indignado, alguém tendo idéias e chiliques, alguém batendo portas, alguém cuidando do macarrão na cozinha; e tudo isso vai e vem entre os blogs, entre os posts e comentários que se cruzam, que trazem e levam recados, oferecendo conselhos, fazendo reclamações, trazendo agrados. Como em toda família, nem todo mundo está satisfeito, e nem tudo é bom; mas o saldo me parece ser altamente positivo.

Talvez pelo tamanho ainda "administrável" da comunidade, todos estão sempre atentos aos movimentos do grupo e ao que acontece com os demais parentes. Há sempre alguém comunicando um aniversário ou um prêmio, comemorando uma data, relembrando um episódio antigo, cuidando de quem está mal e festejando quem se deu bem.

Venho observando isso há vários meses, em centenas, talvez milhares de posts e de comentários espalhados por todo os blogs BR, dos mais imediatamente afins a este internETC. aos diários de adolescentes em que, volta e meia, dou uma espiada por causa das minhas sobrinhas blogueiras. E já fui eu mesma, claro, grande beneficiária deste espírito solidário, quando fiquei doente e recebi tantas mensagens maravilhosas.

O curioso é que a analogia com essa espécie de família de filme italiano só me ocorreu agora, quando encontrei, no a®timanhas, a Ruth Mezeck, ainda preocupada comigo, relembrando uma das minhas (melhores) vidas passadas, num gesto de grande e inesperado carinho.

Olha, gente, os blogs anglo-parlantes podem até dar mais ibope e serem mais profissionais do que os nossos, mas eu não troco este Planeta Blog BR por nada: minha Pátria é minha língua. E meu blog.


Vida de inseto: uma ótima reportagem sobre dengue.

22.2.02



Gillmor contra os piratas

Dan Gillmor: [Pirates Run the Record Companies] "Any suggestion that the music industry is really just trying to protect the interests of performers should be seen now for what it is -- another misrepresentation from the thugs who are out solely for themselves. As the New York Times reports today, the industry's purported answers to Napster is stiffing the artists. What a shock."


Barlow contra o totalitarismo

John Perry Barlow: "In essence, [the media companies] are in a position to own the human mind itself. The possibility of getting a dissident voice through their channels is increasingly scarce, and the use of copyright as a means of suppressing freedom of expression is becoming more and more fashionable. You've got these interlocking systems of technology and law, where merely quoting something from a copyrighted piece is enough to bring down the system on you."

A entrevista completa está aqui



Daniel Pearl



Ontem à noite conversei com um amigo do Wall Street Journal, onde Daniel Pearl trabalhava. Ele, que sequer conheceu Pearl muito bem, já que eram de sucursais diferentes e, portanto, se encontravam apenas esporadicamente, está em estado de choque. Compreensível: eu, que jamais havia sequer ouvido falar em Pearl antes do seu seqüestro, não consigo tirar esse horror da cabeça, nem me conformar com esta morte grotesca e inútil.

Hoje, vários jornais, entre eles o NYT e o LAT, confirmam o que meu colega disse ontem: os monstros que seqüestraram Pearl cortaram a sua garganta, enquanto, calmamente, filmavam a cena em videotape. Os jornais não dizem mas, depois de morto, Daniel Pearl foi decapitado; o video mostra a ação em detalhes.

Eu me recuso a acreditar que esses seres humanos são meus semelhantes. Se são, tou fora, e passo a me considerar qualquer coisa, menos um "ser humano". Talvez, apenas, um bípede sem conexões, perplexo e chocado, que não entende nem por que, nem para que, tanta violência.

Há um editorial do WSJ aqui; e se você quiser mandar uma mensagem para os amigos ou para a família de Daniel Pearl, clique aqui ou aqui.


Big Brother a Domicílio

Deu no IDG Now:

A nova versão do popular Windows Media Player, da Microsoft, está coletando dados sobre as músicas e os filmes acessados pelos internautas, informou o site de notícias MSNBC. (Não é uma novidade; novidade é eles reconhecerem isso.) A Microsoft informou que já alterou sua política de privacidade e notificará os usuários sobre a iniciativa. (Ah, bom.) O sistema cria uma lista valiosa sobre as preferências das pessoas -- mas, segundo a gigante, não há qualquer intenção de comercializar os dados obtidos pela ferramenta, que vem gratuitamente no Windows XP (Mas é claro que não! Como é que nós poderíamos, jamais, pensar uma coisa dessas?!) O aplicativo permite que os usuários assistam a vídeos, filmes, ouçam arquivos de música e CDs no computador. Quando um CD é inserido, o Media Player guarda no sistema o nome do disco e o título de cada música -- e essas informações são armazenadas em um pequeno arquivo em cada computador (Para que amanhã, entre outras coisas, os agentes da lei possam bater às nossas portas, alegando que estamos infringindo o sacrossanto copyright dos poderosos de Hollywood...).

Bom, gALLera, tão avisados. Do meu lado, continua valendo o de sempre: havendo alternativa viável no mercado, NÃO USE software da M$.

21.2.02



Deu no El Pais




Olivia Byington, Geraldinho Carneiro, Giselle e Wagner Tiso estão na Espanha (que inveja!), de onde me mandaram este link pro El Pais:

Geraldo Carneiro, Wagner Tiso y Olivia Byington recuerdan a Vinicius de Moraes

Se publica un libro y se celebran dos recitales en Madrid y Barcelona sobre el poeta brasileño

Muy chiques eles, não?

A foto foi feita pela Giselle, com a nova câmera digital da Olivinha.


O WSJ confirmou, há pouco, a morte de Daniel Pearl, o repórter seqüestrado no Paquistão. Esta notícia me deixa indizivelmente triste.


Voto contra

Há tempos o Millôr propõe um sistema eleitoral infalível: o do voto contra. Hoje, mais uma vez, ele explica, no JB, como a coisa funciona. Pena que ele seja considerado humorista, e não "cientista social", "sociólogo" ou qualquer outra daquelas categorias mais ou menos indefinidas que -- justamente por isso -- o povo acha que deve levar a sério... Vejam se não é mesmo uma grande idéia:

Vejo, na coleguinha Dora Kramer (percuciente como sempre), e no coleguinha Villas-Bôas Corrêa (mais indignado do que nunca com a nossa justiça, que farda mas não talha) a desesperança, não só pelo ''sistema'', a velhacaria oficial, o desmando e o despreparo da máfia do poder, mas com o próprio povo que, neste exato momento, promete reeleger Collor, Barbalho, ACM e outros tantos marginais que chegaram à luz da ribalta.

Bem, coleguinhas, o desalento é geral. Faço-o meu.

Vamos tentar uma saída.

Há tempos proponho -- com o bom senso que Deus me deu e até Alá ratifica -- uma solução simples.

O voto contra.

Em princípio reconheço enorme dificuldade para adoção de minha proposta. Pelo simples motivo de que não há nada igual ou parecido ''lá fora''. Vocês sabem.

Mas, tentemos. Teríamos dois votos. Um normal, escolhendo quem vai nos dirigir. O outro contra, naquele candidato que não queremos de jeito nenhum. O candidato seria eleito -- ou não -- com o resultado dos votos positivos menos os negativos.

Sencillo, no, mamita?

Especulando: creio, com a minha psicologia de galinheiro, que o impulso contra o que não queremos de jeito nenhum é mais forte do que o a favor daquilo que queremos. E o número dos que não queremos de jeito nenhum, dos que odiamos -- para usar essa expressão doentia --, é menor do que o dos que podemos aceitar. Assim, os votos negativos algumas vezes se concentrariam de tal forma que determinados candidatos -- justamente por serem poderosos -- ficariam devendo votos.

Que tal uma exprimentação, pessoal?

Dengue dar certo.





Café para mosquitos


Eu acho que já falei sobre isso há alguns posts, mas a Ana Lagoa me mandou um e-mail confirmando a história: uma cientista paulista, a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências da UNESP, descobriu que a borra de café (aquela espécie de pasta que sobra no coador depois que a gente prepara café) bloqueia a postura e o desenvolvimento dos ovos do Aedes Aegypti.

Ela explica que 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água são suficientes para bloquear o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios, e reduzir o tempo de vida dos mosquitos adultos. Em seu estudo, Alessandra demonstra que a cafeína altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais, como o metabolismo hormonal e a reprodução. Eu nem desconfio do que sejam essas enzimas, mas parece ser essa a causa dos efeitos verificados sobre larvas e insetos adultos.

Em suma: esta é uma daquelas soluções caseiras simples e altamente eficazes que todos nós podemos adotar. "Produzida" todos os dias em praticamente todas as casas brasileiras, a borra de café tem custo zero, e está logo ali, ao alcance da mão. Para fazer aquele café esperto que vai dar cabo dos mosquitos, bastam duas colheres de sopa de borra para cada meio copo d'água. Depois, é só aplicar nos pratinhos que ficam sob os vasos das plantas, dentro das bromélias e, para quem mora em casa, espalhá-la sobre a terra de vasos, jardins e hortas. Isso é importante porque, segundo os cientistas, o mosquito se desenvolve até mesmo naquela fina película de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida. Outros alvos: os óbvios ralos, pneus, garrafas, latas, caixas d'água...

Uma boa notícia para os mais preguiçosos é que, existindo em quantidade suficiente, a borra não precisa nem ser diluída em água para ser usada. Ela pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois que se regam as plantas se encarrega de diluí-la.

Além do custo zero e da extrema facilidade de obtenção, a borra de café tem uma vantagem que nenhum dos produtos químicos que vêm sendo usados por aí têm: ela é inteiramente inofensiva para plantas, animais e pessoas.

P.S. -- Pode continuar a tomar o seu cafezinho tranqüilo, Mosca. Casos fatais, até agora, só foram registrados entre os Aedes, mesmo...


20h20, 20/02, 2002: o day after


Muito legal o que está rolando no Zone Zero, que está postando fotos feitas ao redor do mundo às 20h20 de 20/02 de 2002...

Adoro essas sintonias universais! Há, claro, diversos brasileiros por lá. A Suely, assídua leitora deste blog, mandou esta idéia ótima.



Outro dos nossos que mandou muito bem foi o Eduardo Simioni, que se deu ao trabalho de levar a câmera para o cinema...

Quem quiser ver tudo, deve clicar aqui.

20.2.02




Taí, idéia legal. E logo bem bonitinho!


sacanagem, mentiras & videotape


O assunto do momento nos jornais americanos é a criação de certa Secretaria de Informação Estratégica pelo Pentágono, que, abertamente, anuncia que vai divulgar mentiras e meias-verdades para os órgãos de imprensa estrangeiros. Os órgãos de imprensa estrangeiros agradecem, mas, quero crer, dispensam a gentileza -- como se, alguma vez, qualquer notícia oficialmente liberada pelo Pentágono houvesse sido recebida como digna de qualquer credibilidade por parte de qualquer jornal sério em qualquer lugar do mundo...

O que me espanta, porém, não é isso; afinal, da Bush & Co. eu espero qualquer coisa. O que me espanta, me aterroriza, mesmo, é que os jornalistas americanos apenas discutem se a criação da tal secretaria, com suas mentiras anunciadas, é ou não é constitucional -- sim, porque lá dentro, em casa, nos EUA, o Pentágono está proibido de mentir -- ou, pelo menos, de ser pego mentindo. Uma vez solta no ar, uma dessas "notícias" pode muito bem dar uma de bumerangue e aterrissar, digamos, no Washington Post ou no Modesto Bee -- e aí o que será do sagrado direito do cidadão americano à verdade, nada além da verdade?!

Meu Deus, mas será que não passa pela cabeça de um só deles de se perguntar se isso é ou não é de um ridículo atroz?! Se isso é ou não é um o pior gol contra da história do marketing político?! Se com a simples divulgação dessa história o governo americano já não perdeu, de vez, a escassa credibilidade que ainda lhe restava (se é que restava)?!

É ASSUSTADOR!!!

Perto disso, qualquer piada de agente secreto português perde de goleada.

E pensar que este é o povo que domina o planeta...


Já foi... agora só em
21:12, 21/12, 2112



É logo mais:
20:02 - 20/02, 2002!



Deu no Chicago Tribune

Coincidência: a gente aqui neste papo de jornalismo on e off line, blogs e publicação eletrônica, e encontro no Tribune uma entrevista com Michael Kinsley, ex-editor da New Republic e da Slate e um dos meus heróis.

Ele diz: "As revistas online precisam descobrir melhores formas de uso da tecnologia. Elas não podem se contentar em imitar as publicações tradicionais, de papel e tinta".

E diz também: "A coluna de jornal está praticamente morta como mídia. Não há mais [nos EUA] um colunista que dê a ordem do dia como faziam Walter Lippman ou James Reston. Há apenas uma colunista imperdível no momento, uma cuja coluna você procura direto, que é Maureen Dowd".

(Não é gozado como a gente tende a achar inteligentíssimas e geniais as pessoas que pensam como a gente? Maureen Dowd, do NYT, é a única colunista da imprensa americana que faço questão de ler sempre. É corajosa, saca as coisas longe e, ainda por cima, tem um senso de humor imbatível. Deve ser uma das pessoas mais odiadas por Bush & Co.)

Ainda assim, Kinsley aposta nas colunas online: "graças à tecnologia -- diz o Tribune -- elas podem reagir instantâneamente aos acontecimentos, e permitem a interação entre os autores".

A-há!


Jogando conversa fora

Esta pensata começou num papo com esses caras aqui; é redundante, eu sei, mas às vezes acho necessário repetir certas coisas.

Estou convencida de que o que faz a internet ser o que é (os blogs sendo apenas a parte mais visível neste específico momento histórico) é a comunidade, e a imensa colcha de retalhos em que trabalhamos todos juntos. Não são os portais, nem as amazons da vida: o que eles oferecem é um plus, um algo mais que a gente usa quando precisa mas, na maioria das vezes, nem nota.

Gente quer gente. Simples assim.

Às vezes um manda melhor, às vezes o outro, é normal. O que é admirável é que, como caixas de repercussão, os muitos blogs espalhados pelo mundo vão se repercutindo uns aos outros no que eles têm de melhor e de mais relevante.

Em suma: we can make beautiful music together.

19.2.02



3 X Lucas



Para Lelia




Para Meg


"Aequalis et Congruens"

Esta nota foi deixada nos comentários a respeito do Momento histórico no seu relógio digital, do Cat, pela Adriana Paiva (que, por sinal, tem um ótimo blog). Vejam que interessante:

O fotógrafo mexicano Pedro Meyer ( editor do excelente "Zone Zero") anuncia que exporá nas páginas de seu website fotos registradas durante os 60 segundos em que os relógios digitais (padrão dd/mm) mostrarem os números em perfeita simetria : 20:02 - 20/02, 2002.
Abaixo, trecho da msg que recebi hj à tarde:

"(...) So why not celebrate this event? Please send us your pictures taken at that exact moment in any place you find yourself. We will publish it here in ZoneZero it will be fun to see what happens. Please send the images in jpeg format 640 x 480 pixels to the following
address: bravo@zonezero.com Please do not forget to include your name and where the image was taken, or anything else you might wish to write. Good luck! Pedro Meyer"

Então, gALLera, está dada a dica: todo mundo aprontando as máquinas. E não vale falsificar a hora, obviamente, porque o barato não é o número, mas sim a ocorrência do número... Valeu, Adriana!



Nova pesquisa!

A primeira pesquisa do internETC. chegou ao fim. Das 160 pessoas que responderam se pagariam para ter um sistema de comentários confiável e estável em seus blogs e/ou websites, 97 (correspondentes a 60% do total) disseram que não. Os 40% restantes se dividiram: 13% pagariam até R$ 5 por mês, 9% pagariam até R$ 10 por ano e 9% pagariam entre R$ 10 e R$ 20 anuais. Doze pessoas, correspondentes a 7% do "universo pesquisado" (não é assim que eles dizem?) estariam dispostas a desembolsar até R$ 50 por ano para não sofrer sobressaltos com os seus preciosos comentes.

Há um fenômeno curioso aqui: o total de pessoas que pagaria o valor máximo que estipulei é, na verdade, bem maior do que esses 7%, já que quem paga R$ 5 mensais paga, se a minha matemática ainda funciona, R$ 60 ao cabo de um ano.

O que é que isso significa? Não tenho lá muita certeza, mas acho que é uma espécie de demonstração cabal de que ainda preferimos comprar a prazo do que pagar à vista, não será isso? De qualquer forma, meninos, é óbvio que há aí um mercado a ser desbravado.

A nova pesquisa, que já entrou no ar aí ao lado, pergunta se você faria ou não um clone do seu bichinho de estimação. Participe!


18.2.02



Momento histórico no seu relógio digital

Esta nota foi descaradamente roubada do Cat, lá nas Parabólicas. Isso já está virando um hábito...

Reúnam a família, chamem as crianças e os vizinhos, pois no próximo dia 20 de fevereiro, às 20h02m, haverá em cada fuso horário do planeta um momento numericamente histórico, que não será assinalado por festas com fogos de artifício, nem badalar de sinos, nem paradas pelas ruas. Naquela hora específica daquela data específica, acontecerá algo que só duas vezes ocorreu antes e apenas mais uma vez ocorrerá no futuro. As duas ocasiões anteriores se deram há 1001 e há 891 anos, respectivamente.

Se você ainda não se tocou, quando os relógios digitais abandonarem o minuto 20h01m, por sessenta segundos os mostradores exibirão uma seqüência de números em perfeita simetria -- 20:02, 20/02, 2002 -- obviamente, apenas nos aparelhos que adotam o padrão dia/mês (dd/mm). No passado, já tivemos o instante das 10h01m em 10 de janeiro do ano 1001 (10:01, 10/01, 1001) e o instante das 11h11m no dia 11 de novembro do ano 1111 (11:11, 11/11, 1111). Pena que, nessas duas oportunidades, os habitantes do planeta não puderam apreciar o fato, visto que não havia relógios digitais então.

Pelo fato de os mostradores de "hora:minuto" em formato 24 horas só irem até 23h59m, depois da data que se aproxima, o fato só ocorrerá mais uma vez no futuro, daqui a 110 anos. Será às 21h12m do dia 21 de dezembro de 2112 (21:12, 21/12, 2112). Depois disso, nunca mais, pois só existem 12 meses e a simetria do tipo descrito só comporta anos com quatro dígitos. -- c.a.t.

17.2.02



Blog. Blog.


Music is everybody's possession. It's only publishers who think that people own it.
-- John Lennon


A diferença entre
Foco no Problema e Foco na Solução

Esta foi o Gilberto Scofield quem mandou:

Quando a NASA iniciou o lançamento de naves tripuladas, descobriu que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para resolver o problema, contratou a Andersen Consulting (hoje Accenture). Foram empregados vários anos de pesquisa e 12 milhões de dólares, ao cabo dos quais de fato se conseguiu desenvolver uma caneta que escreve em gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e nas mais extremas variações de temperatura.

Enquanto isso, os russos continuaram usando lápis.

Adendo, em 18.02.02: Gente, é claro que isso está mais para lenda do que para realidade... O importante, aqui, não é a notícia (conforme eu já escrevi num dos comentários), mas a moral da história. Enquanto isso, o Tom Taborda, que encontra absolutamente tudo o que pode ser encontrado na internet, já achou um link pro site da tal caneta. Valeu, Tom!


RRRRRRRRRouge...!!!

Outra coisa que seres que acordam deprimidos fazem é ir ao cabelereiro para mudar de visual. Eu pedi Silvia Pfeiffer mas estava em falta.

Então pintei um pedaço do cabelo de vermelho. Eu queria uma coisa assim tipo Argh!!! que raiva!!!! mas a Bia disse que se eu fizesse isso ela

A) Não saia mais comigo na rua; e
B) Não trazia mais ninguém em casa.

Então ficou mesmo uma coisa tipo Ai ai ai, é assim que começa...




(Esta foto é pro Jose Uribe, em Michigan)


Agora já passou

O que faz um ser que acorda deprimido? Simples: ouve a Nona Sinfonia com Harnoncourt regendo a Chamber Orchestra of Europe. E, lógico, brinca os gatos.

16.2.02



Gente, vamos transformar este post do Mario AV numa web-campanha? Divulguem, por favor: pode ser que, de tanto a gente repetir, o povo entenda.

Vamos lá, todos juntos: um, dois, três e...

Não ponha trilha de fundo MIDI na sua home page!


(Pior que isso, só aqueles banners que fazem barulho; porque aí -- pelo menos em tese -- há "profissionais" por trás da coisa... ARGH!!! Todos ao paredão!)


Blog. Blog. Blog. Blog.


Jornalistas

O Washington Post de ontem deu como praticamente certa a morte de Daniel Pearl, o repórter do WSJ seqüestrado no Paquistão. É uma notícia de cortar o coração: eu sei que Pearl será talvez apenas mais uma entre tantas outras pessoas que vêm morrendo antes do seu tempo naquela região, mas não há como negar a afinidade profissional que, para mim e para tantos outros colegas, torna esta perda mais dolorosa.

Enquanto isso, Barbara Bush brinca o carnaval no Rio, sem nenhuma culpa pelas ondas de desgraça sucessivas provocadas pelo marido e pelo filho.



Eu acredito em gnomos!
(Ou quase isso...)

Vai ao ar nos próximos dias 14 e 15 de março, no campus da University of Southern California, em Los Angeles, a Quinta Conferência Anual de Jornalismo Online, patrocinada pelos departamentos de jornalismo da USC e da UC Berkeley. Esta é a galera que mais consistentemente vem estudando a modalidade, e a conferência deve ser simplesmente fantástica. Quando recebi a circular/convite do Larry Pryor, editor da Online Journalism Review, que comanda os trabalhos, fiquei no maior alvoroço: Nossa, que bárbaro, preciso contar logo pro pessoal!

A ficha ter demorado tanto a cair deve ser, imagino, um efeito retardado da anestesia: De que é que adianta dar esta notícia no Brasil, hoje?!

Tá feia a coisa online, e coleguinha com grana suficiente para bancar a viagem do próprio bolso... bom, aí é trip total. Bem sei que jornalista com dinheiro é um ser mitológico, que freqüenta as mesmas esferas das mulas sem cabeça e dos lobisomens. Nunca vi um, mas continuo teimosamente acreditando na sua existência, nem que seja para manter o otimismo: não tem gente que acredita em fadas? Então?!

Mas onde é que eu estava mesmo? Ah, sim: fazendo de conta de que esta notícia tem um alto grau de interesse.

O tema da conferência é, este ano, The Third Wave -- Doing It Right. Entre outros, estão escalados painéis sobre o futuro do jornalismo e sobre a credibilidade do jornalismo na rede, além de discussões sobre conteúdo e estrutura econômica.

Na minha experiência pessoal, porém, o melhor dessas conferências não é o que rola na programação oficial, mas sim a discussão randômica com os colegas. O que está dando certo, o que não está, o que parece interessar aos leitores... há muito o que discutir nessa área e, claro está, ainda que se trancassem todos os participantes numa casa durante dois meses (ih, olhaí, Globo, que idéia legal acabei de ter...!) não se chegaria a conclusão alguma. O jornalismo online ainda está em formação; nem nós, que o fazemos, nem o público, que nos lê, sabemos muito bem para onde vamos.

Algumas premissas, porém, me parecem bastante óbvias, sendo a primeira delas a de que não basta apenas transferir para a rede o que se publica no papel. Ainda assim, é exatamente isso o que a maioria dos jornais vêm fazendo, há anos: usando a internet como um grande arquivo. Morto.

O jornalismo online deveria mais leve, mais ágil. Ele permite (ou deveria permitir) maior grau de experimentalismo, assim como uma maior interferência de quem o faz no produto final; não muito diferente de... sim, vocês adivinharam... um blog! Entre outras coisas porque, a meu ver, o público começa a não acreditar mais em corporações ou em empresas de comunicação; mas acredita (ou não) em pessoas, em indivíduos. Quanto mais presentes e responsáveis forem estes indivíduos pelas informações que transmitem, maior credibilidade terá o veículo, como um todo.

É lógico que as grandes marcas continuam tendo o seu peso, e ainda o conservarão por muito tempo: as edições online do New York Times ou do Wall Street Journal, por exemplo, são herdeiras do que esses grandes jornais construíram em papel. Mas não sei, sinceramente, se este é, ou será, o caminho da informação na internet.

O WSJ -- um dos poucos jornais cuja versão web consegue se manter através de assinaturas -- acaba de reformular o seu site. Gastou U$ 28 milhões (não me perguntem em quê!) para proporcionar aos 625 mil assinantes (U$ 29 anuais per capita: façam as contas) uma leitura mais dinâmica, menos ancorada na edição em papel, lida por apenas um terço dos leitores conectados. Tem sido interessante constatar como o WSJ vem dando destaque a seus principais repórteres e colunistas.

Faz sentido: num mundo cada vez mais tumultuado, que sofre mais com o excesso do que com a falta de informações, é sempre um alívio encontrar um interlocutor conhecido.





Para quem lê inglês, há uma Linda História da Vida Real no blog da Laura: confiram!

15.2.02




Valeu, Maurício!


Os geeks também amam...

Rob Malda, o CmdrTaco do Slashdot, vai se casar!

Até aí tudo bem, é de se supor que, mais cedo ou mais tarde, isso aconteça a boa parte da humanidade. Mas o que achei gracinha, mesmo, foi a forma que ele encontrou para fazer o pedido de casamento: ontem, pleno dia dos namorados nos EUA, através de um post no /. -- que é, simplesmente, o blog mais lido da rede! É ou não é bonitinho?

(Ah, em tempo: a resposta foi "sim")

A essa altura, já há quase 1.500 comentes na seqüência, cuja leitura recomendo vivamente aos anglo-parlantes. A gALLera tem muito senso de humor, e há tiradas ótimas no ar.


* * * Y E S ! ! ! * * *


Este blog agradece, de coração, ao auxílio luxuoso do Mário Rezende que, finalmente, matou a charada dos erros de javascript que tanto me atormentavam. Usuários Wintel, passem o mouse no meu nome, lá em cima, pra ver que efeito bonitinho o Mario AV havia feito, mas que, até aqui, apenas os privilegiados Macs conseguiam enxergar... :-)))


Aqui fica a webcam mais apropriada (e irônica) do planeta.

14.2.02




Auto-estima

Taí um grande recado da Zel (linda foto aqui), que eu repasso para um bípede que está precisando:

A beleza que as pessoas vêem em nós é diretamente relacionada à nossa própria auto-imagem, à nossa felicidade e ao brilho interior. Não há beleza ideal, não há padrão. Quem acredita que deve corresponder a algum padrão ou que quer enquadrar outros dentro desse padrão é simplesmente burro. E com gente burra não se discute, eles afinal não vão entender mesmo a argumentação....

O resto tá lá na Zel.





História geral



Arrumando umas gavetas do escritório depois do jantar, encontrei este profético cartão postal que comprei em Paris em 1996. Ainda me lembrava perfeitamente dele e, desde que comecei o blog, estava tentando descobrir onde é que tinha se enfiado para pubicá-lo aqui; afinal, o que já era uma excelente piada há seis anos virou humor negro -- mas a culpa, ao contrário do que sempre imaginam censores & similares, não é do desenhista Michael Bedard...

Ah, sim: o título do trabalho é "Situation Comedy".

13.2.02




Clics



Esta foto é pro Tom: jantar na casa da Laura. Da esquerda para a direita, Manoela e Ju, de costas (que absurdo!), Paulinho, Mami, Laura e Kelyndra, com o Joseph no colo.


Quatro gerações: Paulinho com os filhos Emilia e Joseph, a mãe (eu) e a vó (a Mami, né?!). A definição da foto ficou muito ruim, ela foi feita à noite, dentro de casa e sem flash -- mas, ainda assim, gostei do clima geral.


Um rescaldo do carnaval: o megahair da Fafá, resultado de seis horas de cabelereiro, que deixou a Emilia simplesmente siderada.


Miriam amou o Joseph (e vice-versa) e vive com ele no colo, de cá pra lá, de lá pra cá... Só quero ver como Paulinho e Kelyndra vão se virar com este novo hábito do nosso baby queridinho quando voltarem pra casa...





ARIANO
(no momento em que
Suassuna virou moda)





Ante-ontem, o Império Serrano desfilou homenageando Ariano Suassuna; no domingo, o JB publicou este texto do Millôr:

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELE

O passado, todos sabem, é uma invenção do presente. Quem busca datas para os acontecimentos já os está deturpando. Além do que, de datas eu não sei mesmo. Por isso afirmo que foi no fim dos anos 50 que me levantei entusiasmado e invejoso, no Teatro Dulcina, na Cinelândia, para aplaudir O auto da compadecida, de Ariano Suassuna. Ao meu lado, fazendo o mesmo, Silveira Sampaio, médico que há pouco tinha abandonado a medicina pra se transformar no autor de algumas peças leves e refinadas, que dirigia e interpretava. Terminado o espetáculo, fomos os três pra minha casa -- já na praia de Ipanema, idílica então -- e ficamos conversando, varando a noite. E o dia foi amanhecendo por trás das montanhas Dois Irmãos, ainda livres do Hotel Sheraton, da favela do Vidigal, dos sinais luminosos, do tráfego ensandecido, enfim, da civilização. Só com raparigas em flor já caminhando cronologicamente pro encontro fatal com Vinícius e Tom.

Não me lembro de uma só palavra de Ariano. Ficou-me a forte impressão. Resíduos. A memória da memória.

Quantos encontros tive com Ariano desde então? Não mais de dez. Mas em nossa profissão, lavradores do nada, o contato é permanente. E, se fiz alguma coisa pra decepcioná-lo, não sei. Ele não fez nada que me decepcionasse. Não lhe cobro nem a Academia. Merece todas as imortalidades, até mesmo essa, pechisbeque (corrida ao Aurélio).

Meu outro e imediato contato com Ariano foi em O santo e a porca. A pedido de Walmor Chagas e Cacilda Becker fiz o cartaz para a peça, cartaz que me defrontou um dia, pra minha vergonha -- sempre tenho vergonha do que faço, meu sonho é ser autor morto, e vocês não perdem por esperar -- num dos caminhos do aterro. Nem sei se Ariano jamais viu ou soube desse contato.

Enquanto isso Ele se expandia. Professor nato -- não há nada mais fascinante do que didática e a dele é excepcional -- e criador compulsivo, se fez batalhador de causas culturais populares, exibiu em espetáculos teatrais sua capacidade de representar -- é um grande showman, quem não viu não sabe o que perdeu --, fez-se um desenhista primoroso e escreveu A pedra do reino, que coloco facilmente entre os 10 maiores romances brasileiros (nunca me arrisco a dizer que alguma coisa é a maior), incluindo aí Guimarães Rosa e excluindo Machado de Assis, quem quiser que me contradiga.

Uma das outras vezes em que estive com meu herói foi no Recife, Instituto Joaquim Nabuco, onde ele, enquanto aguardávamos minha oportunidade de incitar o povo com meu verbo flamante, recitou o primeiro poema (soneto) que escrevi na vida, aos 20 anos (já tive!, posso provar), e que eu recito aqui pra vocês verem que há que ter memória:

Penicilina puma de casapopéia
Que vais peniça cataramascuma
Se partes carmo tu que esperepéias
Já crima volta pinda cataruma.

Estando instinto catalomascoso
Sem ter mavorte fide lastimina
És todavia piso de horroroso
E eu reclamo - Pina! Pina! Pina!

Casa por fim, morre peridimaco
Martume ezole, ezole martumar
Que tua pára enfim é mesmo um taco.

E se rabela capa de casar
Estrumenente siba postguerra
Enfim irá, enfim irá pra serra.

No dia seguinte, autor ingrato, almoçando com ele, cobrei ter errado uma palavra no soneto. ''Errei não'', voltou ele. ''Corrigi. Você é que errou a métrica.''

Somos do tempo em que havia métrica.

E a última vez em que estivemos juntos foi o momento mais extraordinário. Na casa de nosso comum amigo José Paulo Cavalcanti, jornalista, escritor e causídico (a ordem é a do leitor) numa praia dionisíaca de quatro quilômetros de extensão, em Porto de Galinhas, Pernambuco. Ficamos lá horas, conversando dentro dágua, num mar indizível mas que vou tentar dizer.

A meu lado, dentro das águas claras, mansas e verdes, a presença absolutamente surreal de Ariano, secundado por (apertem os cintos!) Luís Fernando Veríssimo. E eu ali, galera, me boquiabrindo diante da loquacidade brilhante de Suassuna e me boquifechando diante do mutismo perturbador de Veríssimo, mostrando, como sempre, que não é homem de jogar conversa fora.

Ao redor, a meteorologia no seu melhor, enviando leves pancadas de chuva em momentos precisos, e vento sempre fresco, com dezoito nós e alguns laços -- os da amizade.

A foto acima fiz num outro encontro com Suassuna; o Instituto Moreira Salles havia acabado de lançar este livro, e Millôr resolveu brincar com os seus (dele) óculos e a foto do Ariano.

12.2.02



Les parapluies de Redmond

Acabo de ler no WSJ que, a partir de hoje, Michael Kinsley não é mais editor da Slate, revista online da Micro$oft. Kinsley, que tem 51 anos, sofre de mal de Parkinson há oito e, embora negue que seu pedido de demissão tenha tido algo a ver com a doença, não esconde que está querendo mais tempo livre para cuidar da vida.

Quando ele criou a Slate, em junho de 1996, pensei com meus botões que lá se ia mais um bom jornalista, seduzido pelo canto de sereia do vil metal. É que não me parecia plausível que uma revista nascida sob a égide da M$ pudesse dar certo do ponto de vista editorial -- mas tanto deu, que, em 1998, quando o site foi fechado para não-assinantes, fui uma das cerca de 20 mil pessoas que desembolsaram os U$ 19,95 anuais cobrados pela assinatura.

Lembro ainda que, em troca do apoio, recebi um guarda-chuva imenso e muito feio, que não havia pedido e do qual não precisava, cuja postagem para o Brasil custou quase U$ 23. Passei um tempo meditando sobre a sabedoria embutida em tal plano de negócios mas, depois de muito quebrar a cabeça imaginando como alguém poderia ter lucro dessa forma, deixei para lá. Afinal, quem estava distribuindo os guarda-chuvas era a Micro$oft; e quem era eu para duvidar da sua competência financeira?!

Menos de um ano depois, contudo, a revista voltou atrás, e acabou com o sistema de assinaturas. Decidiu que era melhor faturar com anunciantes em vez de correr atrás de leitores. Para que eu não me sentisse muito otária como pagante, no entanto, me mandaram... uai, como vocês adivinharam?... um outro guarda-chuva, igualzinho ao primeiro. E pelo mesmo frete. Go figure!

De qualquer forma, Kinsley vai fazer falta. Não sei se foi graças ao seu prestígio pessoal, mas o fato é que, mesmo durante a derrocada das ponto.com, que tantas e tão boas revistas matou, a M$ continuou a sustentar a Slate -- que, diga-se, sempre teve uma linha editorial totalmente independente da nave mãe, e continua sendo uma excelente publicação.

11.2.02




Carnaval
Outras fotos


Uma das coisas de que mais gosto na minha ida anual ao carnaval (sim, crianças, minha experiência carnavalesca resume-se ao sambódromo, e olhe lá) é passar pelo lado Havana do Rio: áreas de pequenas casas e sobrados que, no começo do século, eram habitados por uma sólida, ainda que baixa, classe média, e que hoje, apesar da transformação em cabeças-de-porco e da total decadência, ainda conservam a personalidade e a elegância das linhas.

Outra coisa de que gosto muito é encontrar os bípedes mais jovens trabalhando. A família do Millôr é, claro, uma verdadeira dinastia jornalística; e, aqui em casa, a Bia já vai muito bem nos meus passos, obrigada. Ontem encontramos a Carolina (filha do Hélio, irmã do Rodolfo), fotógrafa; e, logo depois, a Bia, repórter, entrando em ação no turno de 1h às 7h da matina.

Acho muito lindo nós, da velha guarda, cruzando com a nova geração dando duro, de colete de imprensa, e bloco e/ou máquina na mão.




No caminho para o camarote da Brahma


Outra foto feita do ônibus


Bia e Millôr (animadíssimo, como se vê)


Outra do Grão Folião, com a sobrinha Carolina



Momento Caras
Edição de carnaval

Atenção: este é um post pesado, cheio de fotos!



A nova iluminação da Sapucaí: eu adorei!


Ontem fomos assistir ao desfile no camarote da Brahma, uma espécie de ritual carioca que insisto em seguir anualmente para gáudio do Millôr. Este ano, a quantidade de milhas VAI (Viagens Aleatórias Indígenas) superou todas as expectativas. Por causa de Barbara (mas o que diabos ela veio fazer aqui?!), passamos duas horas dentro de um micro-ônibus parado, para nosso azar cheio de pessoas ruidosas e grosseiras; quando chegamos à Brahma, finalmente, descobrimos que o pessoal quis inovar, e replicar a "experiência esportiva" do futebol. Resultado: em vez de encontrar as simpáticas recepcionistas que nos indicavam o caminho nos anos anteriores, fomos assaltados por uma multidão de "ambulantes" aos berros, no maior empurra-empurra, oferecendo água, refrigerante, cerveja, pipoca, milho cozido -- fakes, todos eles, e o que ofereciam era isso mesmo, uma oferta -- mas até o distinto público perceber que aquilo não passava de "ambientação", a metade já tinha se perdido. Afinal, qual é a reação instintiva do ser humano civilizado ao se deparar com uma cáfila de camelôs aos berros? Fugir na direção oposta, obviamente. Os seguranças, cujo trabalho, diga-se, não era este, passavam boa parte do tempo correndo atrás das ovelhas extraviadas, para reconduzi-las à manada.


Fala sério: isso é carnaval?!

A idéia até pode parecer "engraçadinha", mas acredito que, se alguém vai à Marquês de Sapucaí, não é no intuito de viver "experiência esportiva" nenhuma: para isso existe o Maracanã. O que as pessoas querem, no carnaval, é a boa e velha "experiência carnavalesca'.

Lá dentro um calor inacreditável, como sempre, mas isso é normal. O que não era normal era o tamanho do segurança de Barbara (mas o que diabos ela veio fazer aqui?!), um crioulo descomunal de 3m x 3m, única personalidade com quem eu realmente tive vontade de tirar um retrato (mas o Millôrzinho é um desastre com a câmera). Nunca vi nada igual: um gigante, prontinho para ser contratado pela Disney só para dar susto em criancinha. HUGE!



O charme e o veneno da mulher americana

Fiz várias fotos de Barbara (mas o que diabos ela veio fazer aqui?!), todas de costas e de lado. Pra quê? Ah, sei lá. Acho que pra chatear mesmo, aumentar o tamanho do mico. Quer ir ao zoológico da Sapucaí, nêga? Então güeeeeeeeeeeenta...


Vocês não vão querer legenda para essa aqui, vão?!


O casal 20 do momento: 2 pra ele, 18 pra ela

Também fotografei o Ronaldinho, que é o ídolo-mór da Bia, de presente para ela; e a Patrícia Pilar e o Ciro Gomes, no momento em que iam embora, num ato de papparazzice explícita. É que a Bia estava a trabalho, para o Dirce, e o fotógrafo do site não estava na área.

Tivemos sorte. Apesar da confusão da "experiência esportiva", assim que chegamos encontramos a Nana Caymmi e a Estelinha, filha dela, e assistimos juntos à passagem da Caprichosos. Nana parecia uma rainha: volta e meia era reconhecida por um súdito que, lá do asfalto, fantasiado da cabeça aos pés, mandava beijos e fazia reverências, aos quais ela graciosamente respondia. Nana é mesmo uma deusa, uma estrela de primeira grandeza.


Nana Caymmi

Num certo momento, há poucos metros de nós, houve um frenesi entre os fotógrafos que trabalhavam na avenida, e que correram todos desesperados para clicar alguém que estava no nosso camarote, mas que não podíamos ver. Estelinha e eu, mortas de curiosidade, berramos para uma conhecida para que nos explicasse o que estava acontecendo: Ronaldinho? Barbara (mas o que diabos ela veio fazer aqui?!) Vera Fischer? Luma de Oliveira? Que nada: Patrícia Pilar e Ciro Gomes.


O fotógrafo é um ser humano como outro qualquer

Depois, com Chico e Eliana, nos recolhemos aos fundos do camarote, lugar favorito do Millôr, único ponto do Rio de Janeiro onde se consegue de fato, em dia de desfile, fugir das escolas de samba.


Chico e Eliana; ao fundo, a Caprichosos

E tome mais "experiência esportiva"! Em vez da praia e da piscina maneirinhas montadas no ano passado, e no outro, um botequim ao lado de um campo de futebol. Olha, Brahma, sinto muito, mas este ano... tsk, tsk, tsk. O botequim estava caidaço, não havia nada muito apetitoso, nem qualquer cantinho onde a gente pudesse montar uma mesa legal para um bom papo. A única coisa legal era ver os helicópteros da Barbara (mas o que diabos ela veio fazer aqui?!) iluminados pelos holofotes que riscavam o céu.


Olhe bem: há um helicóptero nessa foto

Querem saber? Cheguei à conclusão de que, de "experiência esportiva", tou fora.

Quando for carnaval novamente, podem me chamar, que eu vou.

10.2.02




Demorou!

Gente, essa notícia é legal demais pra deixar pra depois: a Zel e o Tip estão de casamento marcado!!!

Parabéns, meninos!!!




Hai-kai


Millôr, A Revista



Fora do ar

Estou em falta geral: posts, comentários nos blogs dos amigos, respostas a e-mails e telefonemas... uma coisa!

Mil perdões, pessoALL, mas tá difícil -- e, com a criançada toda aqui, acho que não vai ficar fácil tão cedo. Portanto, desde já, desculpas a todos, atrasadas, atuais e antecipadas.

9.2.02





Hoje meus pais fariam 50 anos de casamento.




Os 25 mais da web

Neil Morton e Kevin Siu acabam de publicar uma lista das 25 principais web-personalidades no Shift. A escolha é, antes de mais nada, totalmente EUAcêntrica; depois é, como toda e qualquer lista de dez-mais-issos ou vinte-mais-aquilos, altamente subjetiva -- mas é carnaval, está chovendo e, caramba, taí uma boa coisa pra divertir a gente, nem que seja ao contrário: irritando.

Tem de tudo, dos óbvios Matt Drudge e Rob Malda aos merecidíssimos Jim Romenensko e John Perry Barlow, passando por Jon Katz, que todo mundo conhece desde os carnavais da Wired (mas há tempos pontifica no /. ) e por Paul Allen, a ex-metade mais divertida (e humana) da M$.

Vale! Confiram.



Ir ainda é bom

Quem lê este blog há algum tempo já percebeu que adoro viajar. Mais do que isso, adoro todo o folclore da viagem, o que ainda ficou, aqui e ali, de um passado em que, como dizia Evelyn Waugh, "o ir era bom", e o mundo era mesmo vasto e variado: cada lugar tinha as suas peculiaridades, os seus cheiros, o seu comércio. Não havia um MacDonalds em cada esquina, e o atendimento aos viajantes variava de hotel para hotel, não pelo número de estrelas, mas porque cada um fazia à sua maneira, como achava correto, e não como tinha aprendido num curso superior de hotelaria.

O ir podia até ser bom -- havia muito menos gente no caminho, e o pouco que havia era tratado feito... gente, ora! -- mas, quando ponho os pés na terra e deixo de sonhar, reconheço que, ao mesmo tempo, o mundo devia ser bem menos confortável. O mínimo que se espera hoje de um bom hotel, que é um banheiro no quarto, era uma raridade; room service 24 horas, então, nem pensar. De qualquer forma, tudo o que nos resta, neste mundo de armadilhas anti-terroristas que só pegam cidadãos incautos que cometem a temeridade de levar o alicate de unha na bagagem de mão, é apelar para a imaginação.

Eu não vivi naqueles tempos, vivo hoje e, amanhã, provavelmente estarei contando para a Emilia, o Joseph e que outros netos eu venha a ter, como o ir era bom no meu tempo.

Adoro grandes hotéis com passados ilustres, como o Algonquin (Nova York), o Peninsula (Hong Kong), ou o nosso Copacabana. Já tive a sorte de me hospedar em alguns deles, e sonho com o dia em que me hospedarei em outros, como o La Mammounia (Marrakech), ou o Raffles (Singapura).

E, finalmente, adoro aviões -- desde que, obviamente, esteja no mínimo na classe executiva (a econômica, as minhas costas e o meu sentimento de privacidade não se entendem, de modo que, sendo esta a única escolha, fico em casa). As horas entre a decolagem, num canto, e a aterrissagem, no outro, são aquelas em que melhor consigo relaxar na vida. Lá no alto não adianta que eu me preocupe nem com os problemas que deixei para trás, nem com os que encontrarei pela frente; tampouco adianta me preocupar com o avião em si. Tudo o que se exige de mim é que me espiche na poltrona, aceite a comida (sim, meninos, eu gosto de comida de avião!) e não chateie a tripulação ou os meus vizinhos do lado. E isso eu sei fazer bastante bem.

Infelizmente, este é um talento que, por enquanto, tem que ficar de molho, até que eu me recupere. As únicas viagens que posso fazer por enquanto são mesmo virtuais -- e não posso me queixar delas, não. Depois do extraordinário site da Samsonite, que é uma aula perfeita do que não se deve fazer on-line, acabei caindo num pequeno web-tesouro, o Vintage Labels, onde passei um bom tempo, deslumbrada, curtindo o meu fetiche, e de onde tirei essas belas etiquetas antigas.

Se você gosta de viajar no tempo e guardar as figurinhas como souvenir, porém, atenção: vá de Opera ou de Netscape! O M$ IE não permite que se salve nenhuma delas, sacudindo aquele dedo duro na sua cara: "Essas imagens só podem ser usadas com consentimento escrito do proprietário!"

Então tá.

8.2.02




MALAS



Durante minha última viagem, aconteceu o aparentemente impossível, mas obviamente inevitável, com uma velha mala de estimação, a Samsonite gigante e duríssima: os cantos inferiores foram destruídos entre Miami e São Francisco. Ainda lá, fui ao balcão de reclamações da American Airlines, mostrei o estrago e eles me deram uma papelada a ser preenchida e entregue aqui no Brasil, na volta, junto com a dita mala, de vez que lá não teriam tempo para consertá-la.

Já no Rio, entreguei mala e papelada à AA e me esqueci do assunto. Pois hoje veio aqui em casa uma pessoa da empresa, trazendo uma mala nova, já que não havia sido possível consertar a outra. Agradeci a gentileza e a correção da companhia, mas não fiquei muito feliz com a mala: a antiga era maior e tinha um ar mais robusto mas, obviamente, já não é fabricada há tempos. Paciência.

Mas, por curiosidade, fui dar uma voltinha pelo site da Samsonite para ver qual era a da nova mala, e tentar fazer seu registro on-line (as Samsonites de casca grossa têm, supostamente, garantia de dez anos). Bom. De um site de apetrechos de viagem, seria de se esperar pelo menos um mínimo de jogo de cintura globalizado, não? Pois sim! Na Samsonite, a gente não vai muito longe se não apontar o país de onde tecla; só que, apontando, vai menos longe ainda. Eles acreditam, pobres inocentes, em traduções automáticas... Esta é a saudação que espera os viajantes brasileiros:

Como um Global esforço, Samsonite está a fazer websites para cada da sua regiões. Vendo cedo estará um teias América Latina a visualizar o Samsonite produtos enganado regional. Até que sítio está pronto, por favor uso a seguinte modo contatar Samsonite por correio eletrônico e estaremos alegre aquela compressão de ajuda. Clique na ligação abaixo para visualizar nação específica contato informação.



KaZaA: convite ao upgrade

Aviso aos navegantes: esta nota foi descaradamente roubada do Cat, que a escreveu para as Parabólicas:

"Depois da confusão ocorrida com o KaZaA, fabuloso software para intercâmbio de arquivos amplamente utilizado para trocar músicas MP3 e vídeos de todo tipo, a empresa mudou de dono. A turma que desenvolveu o software original saiu de campo e já se declara às voltas com inovadores projetos. O pessoal que agora está tocando o barco afirma que as coisas continuarão exatamente como eram, ou seja, sem limitações. Isto em princípio quer dizer que os áudio e videoclipeS oferecidos nos repositórios do sistema continuarão incluindo títulos comerciais sujeitos a copyright, que são exatamente os mais procurados pelos freqüentadores do pedaço. Eles prometem para muito em breve uma nova versão ainda mais amigável e com desempenho superior.

Enquanto isso, quem entra no KaZaa depois de algumas semanas fora, é encorajado a fazer download da versão 1.3.4 do software que, segundo os responsáveis pelo site, apenas representa melhoramentos de segurança, não contendo novas facilidades, nem qualquer outro software embutido. Afirmam também que a nova versão não apresenta desvantagem de qualquer espécie, servindo apenas para incrementar a estabilidade da rede KaZaA. Detalhe importante: o upgrade não é opcional. Quem não mudar, não poderá mais operar no repositório. A versão 1.3.4 vem num arquivo de nome kmd134_en.exe, ocupando 3,17MB. Aqui na machina, até agora, tudo ok".

- c.a.t.

Corroborando o depoimento do Cat: aqui também tudo OK, e olhem que o KaZaA entra no ar assim que a máquina é ligada, e no ar fica até irmos todos dormir. Qualquer efeito colateral do upgrade será, é claro, prontamente avisado a todos.




É HOJE!!!

A casa está em polvorosa: chegam hoje ao Rio, vindos de Austin, TX, onde moram, o Paulinho e a Kelyndra, trazendo consigo a Emília e Joseph, as duas crianças mais lindinhas que conheço (modestamente...).

A Bia está contentíssima, a Miriam está no maior alvoroço e esta avó está, como vocês podem imaginar, uma coruja só; já os gatos, que achavam que com o fim das obras as suas vidinhas tinham, finalmente, voltado aos eixos, mal sabem o que os espera, e dormem, por enquanto, o sono dos inocentes.

7.2.02




Of what is past, passing or to come

A Lia Caldas está fazendo uma coisa muito legal: mantendo uma lista das matérias publicadas a respeito de blogs. Está lá no Hyper.Speed, à esquerda, logo abaixo dos links para outros blogs. Eu não tenho disciplina suficiente para cuidar deste tipo de registro (até hoje sequer consegui fazer a minha lista de blogs e/ou links favoritos!) mas, como bípede que vive, em grande parte, das pesquisas e arquivos alheios, acho importantíssimo que cada comunidade tenha os seus historiadores: os que mantém os registros, zelam pela precisão do acontecido e guardam as nossas memórias coletivas. A eles sou muito grata.



Zel com a auto-estima em alta.





(Este foi um achado da Scarlett, no New Yorker)

6.2.02




Maneki-neko: tudo explicado!

Resolvi puxar o comentário do Alexandre Sato para cá porque achei muito interessante. Com este sobrenome, acho que ele deve ter conhecimento de causa de sobra, não, Xando? (Aliás, o tradutor do meu pai no Japão, que se tornou grande amigo da família, tem o mesmo sobrenome -- chama-se Makio Sato.)

"Você conhece esse gatinho japonês?

Se não conhece, explico: é um amuleto tradicional. Deve ser ganho, jamais comprado. Serve para trazer boa sorte nos negócios e boa saúde financeira. É muito comum encontrar em pequenas lojas e restaurantes tradicionais japoneses. A mão em pé do gatinho significa que ele está "chamando dinheiro", e o emblema com ideograma que ele segura no colo é uma moeda medieval japonesa estilizada. Em outras palavras, o dinheiro que entra fica, e o dinheiro que está fora é chamado para que entre também."


A Márcia esclareceu um ponto muito importante:

Há ainda a diferença dos bracinhos do Maneki-neko. Quando ele está com o braço esquerdo erguido, está chamando dinheiro. Quando está com o braço direito erguido é para chamar a sorte. :o)

E a Dani Lima descobriu como tudo começou:

"Há muitos e muitos anos um casal de negociantes de tecidos à beira da falência lamentava-se do fraco movimento. Um dia, ao fechar a loja, o casal se deparou com um gatinho muito doente. Decidiu então acolhê-lo, cuidando dos seus ferimentos, dando-lhe abrigo e carinho. Em pouco tempo o gatinho se recuperou, e em retribuição ao afeto, postou-se em frente à loja e, com a patinha, chamava as pessoas que passavam na rua convidando-as a entrar. Assim a loja prosperou, enriquecendo seus donos."

(A imagem foi o Jean quem achou)



Ouvindo Amália

A observação é mais do que batida, mas nunca deixo de me impressionar com a influência moura na cultura da Península Ibérica. Se a gente fizer de conta que não entende a língua -- o que, cá entre nós, nem é tão difícil, no mais das vezes, a gente tem que fazer de conta é que entende -- esses fados podiam ser música de qualquer ponto do Oriente.

Fafá canta alguns deles (na minha opinião tão bem que nunca sei qual das duas prefiro, leituras radicalmente diferentes), mas na voz dela há uma indisfarçável exuberância brasileira, enquanto a essência da Amália, assim como a da Theresa Salgueiro, da Madredeus, é de uma profunda melancolia, aquela atávica tristeza que nós sempre achamos tão estranha quando vamos a Portugal.

Aliás, Portugal. Que saudade.



Das vantagens do seqüestro


Deu no Penúltimas: "Finalmente, por causa do cativeiro, o Washington parou de fumar. Deve ser o primeiro caso de seqüestro que vai acrescentar muitos anos à vida do seqüestrado."


Querido Diário...

Ontem saí de casa pela primeira vez: aproveitei o tempo bom e fui com a Bia tirar umas fotos daquelas lindas esculturas de orixás do Tatti Moreno que estão expostas na Lagoa, como se flutuassem sobre as águas. Levamos as duas câmeras digitais e clicamos à vontade, a torto e a direito: de vez em quando, é muito bom brincar de turista na cidade da gente. Ainda mais quando a cidade da gente calha de ser maravilhosa.

No caminho, encontramos a Olívia Byington se preparando para uma corridinha básica de dez quilômetros -- menos de duas míseras voltas na Lagoa, vejam vocês, porque, conforme explicou, hoje está meio cansada... Então, tá. Eu só não detesto a Olívia Byington porque gosto muito dela.




Enquanto estávamos ali, no maior tricô, foram aparecendo outros corredores, todos conhecidos e/ou amigos da Olivinha. Propus uma foto, eles aprovaram a idéia contentes e depois saíram juntos, em disparada.



Na volta, a Bia fotografou uns cocos que estavam pousados sobre uma lata de lixo, num equilíbrio meio precário, para dizer o mínimo. Quanto a mim, cheguei em casa espantosamente cansada para o nada que fiz. Não sou uma paciente paciente mas, pelo jeito, talvez esteja na hora de aprender a ficar quieta. Pelo menos, até o carnaval chegar.





Curioso: assim como a árvore de Natal, os orixás também viraram atração turística. Muita gente com câmeras e filmadoras, e muita gente sem nada, apenas curtindo o lindo visual. Como toda atração carioca que se preze, os orixás já têm uma barraca de côco e uma carrocinha de milho em frente. Dizem que nos fins de semana têm até pipoqueiro e churros. A conferir.




(O Mosca dedica esta foto, solidário e com o maior carinho, à sua amiga Ruth Mezeck; e, Meg, tá vendo que sucesso está sendo a cesta com a gALLera?!)